17 de julho de 2005

Felícia

«Felícia não era bem dessas; estava a servir; não sabia a idade; dizia que nascera no tempo das castanhas, e que seu pai era miliciano de Chaves. Andaria nos dezasseis, e parecia de carne petrificada, rija, com uma frialdade de metal fundido, e nenhumas morbidezas feminis. O Justino nas mãos dela sofria amarfanhamentos rudes e boléus. Era possante, não se deixava abraçar, e um dia cascara com um engaço num oficial de diligências de Montalegre que lhe apalpara a polpa de um braço.»

«A primeira pessoa que viu a descer pelo recosto de um mato com um rebanho de ovelhas, que o fitavam pasmadas numas atitudes palermas, era Felícia, a impoluta, com a roca à cinta, rodopiando o fuso, saia de linho muito fresco apanhada na cintura em refegos inquietadores da honestidade, e uns traços de pernas trigueiras, com redondezas de barrigas muito gordas, e um colete de chita amarela com atacadores vermelhos que pojavam para cima os seios muito intumecentes e mordidos dos beijos do sol, com alguns sinais de pulgas.
E o arrieiro lúbrico[Frei Justino]:
- Oh que fatia! Um peixão! Hem? Ó senhor frei Justino! Aquilo é que é obra acabada! Boa Verónica! – E outras pachuchadas.»

«Aquele encontro, na aba da serra, parecia uma passagem antiga, bíblica. O rebanho das ovelhas brancas como o velo de Gedeão, a rapariga meiga com as branduras do olhar de Rebeca e Rute, e mais o frade escanchado no macho do Gaitas, a fugir da bíblia para o mito, por dar uns longes de Sileno. E o arrieiro de olhos acirrados, vorazes, um subalterno grotesco do Cântico dos Cânticos, achando aquela Sulamita barrosã, mais doce do que o vinho de Cabeceiras de Basto.
Disseram adeusinho, até logo, com muitos acenos. E o arrieiro queimado de concupiscências bestiais:
- Sim, senhor, é um bocado de coisa muito limpa! Pode-se ver, o diabo da mulher! Terra que dá desta fruta é boa terra. Ficaram-me os olhos no berzabu da moça! Tem ventas! e que pernas! – e outros canalhismos de sensualidades tarimbeiras que faziam rir o frade às escâncaras, como quem estava sequioso de pilhérias plebeias, reles.»

Custódia

«Cruzavam-lhe a curva opulenta dos seios as pontas franjadas de um xaile de caxemira amarelo com festões de flores rubras, que atavam atrás da cintura, dando um destaque às ancas muito reparado dos sensualistas das feiras e das romagens. No pescoço, redondo, com maciezas e tons alvos de leite, até à raiz dos peitos, tinha uma gargantilha de ouro e mais três cordões, com um crucifixo de uma esculturação antiga e rebelde às devoções sinceras, espiritualistas, por estar posto num calvário de enormes glândulas hemisféricas mais tentadoras que as visões lúbricas dos anacoretas.»

Camilo Castelo Branco – Eusébio Macário

Entardeceres

A tendência para o caos que existe nos fins de festa aplica-se igualmente às convulsões finais dos anos de trabalho (e da vida, já agora). Olho em meu redor e a confusão é grande: papéis, contas, fontes de alimentação de computadores, etiquetas de objectos, calculadoras, zipdrives, post-its diversos, revistas, uma cesta com um jerrycan dentro. E o trabalho: nada se perde, tudo se acumula. As férias como uma miragem ondulante no fundo do écran. A música de fundo é a de Ben Harper com os Blind Boys of Alabama: sim, There will be a light ao fundo de um qualquer túnel, e a banda sonora poderá ser esta.

Mas o que eu queria era mesmo falar do Quelimane da T. Porque me trouxe a minha África à mente e desde então ela tem voltado recorrentemente. Sejamos precisos: ela não se vai nunca embora - só que às vezes está mais na paisagem de fundo e menos em primeiro plano.

Este sol poderia ser o de África.

Six feet under..Quiz... (estou lixada:)


Which Six Feet Under Family Member Are You Most Like?

Claire Fisher

You are fun, wild, full of life, even though you have been surrounded by death your whole life. You have not found yourself yet. You are constantly attracted to the wrong people and get yourself into bad situations

Personality Test Results

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Uma das "minhas "escritoras



Desta senhora disse o meu bem amado Graham Greene que "conseguiu criar o seu próprio universo, um universo onde penetramos de cada vez com um sentimento pessoal de medo".

É assim o o mundo de Patricia Highsmith, grande escritora de suspense. Não foi por acaso certamente, que o destino dela e o de Hitchcock se cruzaram e produziram filmes como o "Strangers on a train". Bem aventurado Ripley:)

Mas deixemo-la falar sobre os escritores ("A criação do suspense"):

"Como os boxeurs, podemos começar a enfraquecer depois dos trinta, isto é, já não conseguir aguentar com apenas quatro horas de sono e, depois, começamos a refilar por causa dos impostos e a pensar que o objectivo da sociedade é afastar-nos desta profissão.É bom, então, lembrarmo-nos que os artistas existiram e persistiram, como o caracol e o peixe de espinha côncava e outras imutáveis formas de vida orgânica, desde muito antes de se ter pensado na existência de governos."

Highsmith escreve os seus livros duma forma aparentemente simples, em que por detrás duma pretensa normalidade, surgem os mistérios e ansiedades mais inconfessáveis. Enfim, o mundo real e muitissimo perturbador.

Fez quinze  anos que morreu de leucemia , em Fevereiro de 1995. Desde então, muitos a esqueceram.
Quem não a leu, é fundamental fazê-lo. E já!!! O tempo não está para democracias. Vão a uma livraria qualquer e procurem.



(photograph of Patricia Highsmith, Harper & Brothers, Deep Water, c. 1962 © Gina Jackson, photo courtesy private collection / o seu a seu dono)

Biba a Cóltura!

Este texto é dedicado à Marquesa Miami Vice.

Lewis Carroll est un «explorateur», un «expérimentateur», qui «a le don de se renouveler selon des dimensions spatiales, des axes topographiques», écrit Deleuze. «Dans Alice, les choses se passent en profondeur et en hauteur : les souterrains, les terriers, les galeries, les explosions, les chutes, les monstres, les nourritures, mais aussi ce qui vient du haut ou est aspiré vers le haut comme le chat du Cheschire. Dans le Miroir, il y a au contraire une étonnante conquête des surfaces (...): on ne s'enfonce plus, on glisse, surface plane du miroir ou du jeu d'échecs, même les monstres deviennent latéraux. Pour la première fois, la littérature se déclare ainsi art des surfaces, arpentage de plans. Avec Sylvie et Bruno, c'est encore autre chose (peut-être préfiguré par Humpty Dumpty dans le Miroir) : deux surfaces coexistent avec deux histoires contiguës ­ et l'on dirait que ces deux surfaces s'enroulent de telle sorte qu'on passe d'une histoire à l'autre, tandis qu'elle disparaissent d'un côté pour réapparaître de l'autre, comme si le jeu d'échecs était devenu sphérique.»

16 de julho de 2005

pequenas coisas do dia a dia

Há cerca de vinte anos atrás o senhor chamado Rui Grego foi até ao cais passear, precisava apanhar ar. Estava um sol forte. Alturas de Maio.
Sentou-se num muro baixo e ali ficou pelo menos meia hora.Depois, foi para casa. Já em casa, foi à janela e reparou que num prédio em frente uma senhora estendia roupa. E no piso de baixo uma criança comia freneticamente cereais ou algo do género. Foi buscar os binóculos.
Naquele instante eu também apareci à janela e notei o luzir das lentes dos binóculos. Lançei um berro ao Sr Rui Grego: - Ó Sr Rui, sabe que esgotaram os stocks de Nestun com Figos. Tenho aqui o último.
O homem olhou para mim. A sua expressão alterou-se. Não disse nada. E foi para dentro fechando com violência as portas da janela.
Eu ainda disse, mas ele já não deve ter ouvido: - Já estava previsto, não é surpresa para ninguém.

15 de julho de 2005

Socorro

Estou rodeada por martelos e brocas a perfurar o prédio.
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não me consigo ouvir pensar
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"I do not envy people who think they have a complete explanation of the world, for the simple reason that they are obviously wrong." --From an interview with David Frost (PBS

Pensamento da Manhã / Pensamento da Noite

Pensamento da manhã:
Being normal is not a necessity.

Pensamento da noite:
Os filhos são a desvantagem que degenera um casal numa família.

Em 1981..eu ia ao cinema:)

E no Quarteto já tinnham uma ideia que o Scorcese ia fazer mais filmes..ou não?
Adoro estes programas antigos.

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As mulheres todas liam...

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Para a Maria:)

Erudições em noites de Verão (the last...)

Até que ponto aquilo que um povo é, em termos filosóficos, é expresso pela sua linguagem? Até que ponto, as grandes rivalidades entre povos, são provocadas pelas diferentes linguagens que usam?

A linguagem, como forma de comunicação, é uma das características fundamentais do Homo Sapiens e é, também, uma das mais ricas formas de estudar a evolução humana. Após milhares e milhares de anos de evolução, diferentes grupos de humanos desenvolveram, em diferentes pontos da terra, diferentes formas de linguagem. Essas línguas primitivas, essas formas de comunicar iniciais, revelam a maneira como esses grupos desenvolveram o seu modo de pensar, as suas crenças e culturas e o seu modo de agir. Por outro lado, acredita-se que a linguagem também condiciona a evolução do pensamento do grupo, ao favorecer o desenvolvimento dos conceitos expressos verbalmente desde sempre. Este é o dilema de Heidegger: é a língua que serve o pensamento ou o pensamento que serve a língua?

Quando, milhares de anos depois, estes grupos grupos se voltam a encontrar – com maneiras de pensar, culturas e linguagem diferentes – os choques são inevitáveis. E não me refiro ao défice de tradução… Os exemplos que vou referir, referm-se a povos que vivem, actualmente, em proximidade geográfica mas que desenvolveram modos de falar (e pensar) diferentes

As línguas Indo-europeias, presentes em quase toda a Europa, na Rússia, Pérsia e Índia apresentam duas características essênciais.
– A frase constitui-se agrupando palavras em torno do verbo que se relacionam com ele, directa ou indirectamente (habitualmente sujeito-verbo-objecto). A frase é uma sequência lógica de afirmações/negações em torno do centro, o verbo. Ou seja, estas línguas assentam na razão e na lógica.
- O verbo ser/estar é essencial na frase indo-europeia, de tal modo que praticamente nenhuma frase é construida sem estes verbos, de forma expressa ou implícita.
Estas características únicas, a que se chama centralização no sujeito e enunciação explícita, é a tradução do modo de pensar europeu/ocidental: racional, lógico e abstracto, em que o objectivo se opõe ao subjectivo (o homem pensa, o homem é!).Pode-se dar um pequeno exemplo com uma frase simples, comum para nós: O urso preto está na floresta.

Nota: Na península ibérica é onde o conceito de ser/estar é levado ao extremo. “Ser” usa-se para uma característica essencial e “Estar” usa-se para um estado ou condição temporária.

As línguas Uralo-altaicas, com algumas semelhanças às Indo-europeias, desenvolveram-se com os povos nómadas da estepe asiática. No presente, conhecem-se o turco, o húngaro, o mongol e o finlandês. Comparemos a características essênciais destas línguas
- A frase também se constroi a partir da sequência sujeito-verbo-objecto, mas é o sujeito, e não o verbo, o centro lógico da fase. O sujeito determina o verbo e este determina o objecto. A frase é uma sequência de constatações e determinações.
- O verbo ser/estar não tem relevância nestas linguas e é substituido pelos conceitos fulcrais destas línguas: “existe” e “não existe” (em turco “var” e “yok”)
Estas características, centralização no sujeito e constatação simples, exprimem também o modo de pensar destes povos nómadas: “constatativo”, determinista e concreto, em que não existe o subjectivo. O mesmo exemplo, dito nestas línguas, seria: Na floresta, urso preto existe.

Nota: Esta ausência do verbo ser/estar reflecte-se na inexistência do verbo ter. Não dizem eu (não) tenho um martelo, dizem o martelo meu (não) existe.

Finalmente, as línguas Semitas, presentes no médio-oriente, das quais a mais conhecida é o arábico. Observemos a duas características referidas.
- A frase constroi-se a partir da sequencia verbo-sujeito-objecto, mas o verbo não é importante e pode estar ausente ou implícto na frase. O cento da frase é a relação entre o sujeito e o objecto.
- O verbo ser/estar não existe e não é substituido por nenhum outro conceito. O sentido das frases, sem verbo, é apenas sugerido ao ouvinte
As caraterísticas das línguas semitas, intencional e de sentido desejado, são a real expressão do modo de pensar destes povos: simbólico, místico e concreto… embora o concreto seja referido de uma forma subjectiva mas intencional (confuso, não...?). A tal frase, dita em arábico, poderia ter a seguinte forma: Floresta negra, urso preto.

Nota: O arábico ainda tem outra característica completamente distinta da outras línguas referidas. Enquanto nestas as palvras se formam pela flexão de temas ou radicais (mar, maré, marear, marinheiro,…) no arábico as palavras formam-se pela flexão de uma raíz de consoantes (k.t.b significa escrever; Kátib é escriba e Kitáb é livro).

Finalizo com outra pequena comparação. A conhecida frase de Aristóteles – Ser como ser - que para nós tem todo o sentido, em uralo-altaico ficaria qualquer coisa como: Existência do ponto de vista de existir. Em arábico nem será possível a tradução.
E isto, talvez, explique muita coisa…

PP: Parece que os bombistas-suicidas de Londres eram ingleses muçulmanos, imigrantes de segunda geração e aparentemente integrados. E da classe média, não sujeitos ao maléfico“imperialismo” ocidental. Não soa estranho?

14 de julho de 2005

Porque gosto do senhor.

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A Voz

Faltam só dois dias...
Dentro de mim, existe uma pequena voz que não para de me gritar: Quero férias... Quero férias!
Essa pequena voz não pára.... Contínua e insistentemente, ressoa-me na cabeça, ocupa-me o pensamento, não me deixa fazer nada.
Daqui a dois dias calo-a da vez!

há dias assim. únicos

ao fim de uma espécie de pesadelo que começou no dia 12 de setembro de 2001, tudo acabou hoje.

eu sei que vou de férias amanhã....

mas hoje apetecia-me andar por aí.
apenas.
feliz


sim.
estou estupidamente feliz

13 de julho de 2005

Quelimane


Lembrei-me de tudo isto, talvez por causa da resenha histórica do Gasel, me ter transportado à elencagem das dinastias deste reinado português. De imediato fui transportada à sala de aulas, numa escola primária em Coimbra, com a Dona Fernanda a olhar-nos de forma inquisidora e nós de batinhas brancas, a recitar reis, rainhas, heróis e conquistadores. Não podíamos falhar uma, ou a vara muito fininha chegava a qualquer lado e zás, era carolada certa. Por isso, naquele tempo, em que era obrigatório ter memória e exercê-la, ter voz audível e presença de espírito eram outros valores fundamentais à sobrevivência no sistema de ensino.

Lembro-me perfeitamente de ser chamada ao quadro e de ter que indicar e explicar nos mapas de Portugal e das colónias (era tanto território meu Deus), as montanhas, os rios e as minhas predilectas, as linhas férreas. Nunca percebi, nem percebo agora, a utilidade de decorar estações, linhas e quiçá apeadeiros, mas lembro-me que gostava imenso de não falhar. Aqueles nomes faziam-me sonhar. Eram Benguela, Limpopo e sei lá que mais. A minha palavra favorita era Quelimane. Esta era a palavre chave. Imaginava logo caçadores, bichos poderosos, feroz vegetação. Ou seja uma África que conhecia pelo Júlio Verne e outros livros de aventuras. Quelimane era o que era. Dava o toque para eu desligar e sonhar, alheia ao crucifixo e às fotos de dois senhores feios mesmo à minha frente.




Tempos que eram outros tempos. O politicamente correcto não existia e a história do D.Pedro comer o coração dos matadores de Dona Inês de Castro parecia-me normal. Ou o Marquês pôr os Távoras a fumegar. Éramos ensinados a conhecer a história através dos vultos importantes e todo o resto não interessava para nada. Passados uns anos porém, aprendia Lenine e Marx no liceu e conhecia a enorme aventura da luta de classes. Malhas que o Império tece.

Em minha casa entrava o República e o Diário de Lisboa. O meu pai ensinava-me a ver a diferença entre o que era a verdade e o que era encenado, pela leitura de um jornal. Claro que a Época e o Diário de Notícias eram um exemplo perfeito, de como o pais perfeito ia bem. Outro dia emocionei-me a ver num programa de televisão, imagens da época de soldados que iam defender a pátria dos terroristas. Diziam nessa peça, que essas imagens chegaram a ser proibidas, devido à perturbação emocional que causavam, pelo seu pesado desespero. Encenações diversas, fui criada num país de papelão, permanentemente adaptado e reinventado.

Por isso o Daniel Filipe inventou a invenção do amor:

" É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas
Fechem as escolas Sobretudo
protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade "

É sonhar Quelimane, dentro duma bata manchada com tinta permanente.
Soletrar nove letras.
Q U E L I M A N E. Hoje à noite sonhei com animais ferozes.

Poesia

<|||||||> Quisera ver-te um dia toda nua
<|||||||> Tal como Eva andou no paraíso
<|||||||> P'ra contemplar as carnes que diviso
<|||||||> Ante essa transparente veste tua
<|||||||>
<|||||||> Poder beijar teus lábios de coral
<|||||||> Poder sugar teus seios provocantes
<|||||||> E quedar-me nervoso por instantes
<|||||||> Frente ao monte de vénus virginal
<|||||||>
<|||||||> E, no mais macio e fofo leito
<|||||||> Beijar-te do umbigo até ao peito
<|||||||> à luz frouxa e mortiça de uma vela
<|||||||>
<|||||||> E, numa fúria, louca e repentina
<|||||||> Untar-te bem o cu com vaselina
<|||||||> Dar-te uma forte e soberba enrabadela.

O Reino que desapareceu

Nota: muito longo!

O Reino de Leão é um dos meus mistérios das história: durante mais de 400 anos foi o grande centro político dos reinos cristãos da península, o grande aglutinador da uma identidade cultural e religiosa e o grande mobilizador da reconquista militar e, de repente, esfumou-se na história. Às mãos de dois reinos seus “filhos”…

Em 866, Afonso III o Magno foi o primeiro dos reis astures a tomar o nome de Rei de Leão e, nos 200 anos que se seguiram – entre rixas de irmãos, guerras parricidas e muitos olhos vazados – o Reino de Leão foi sempre engrandecendo. Nesse tempos, embora a Galiza e as Astúrias fossem considerados reinos, apenas ocasionalmente foram verdadeiramente independentes e sempre subordinados a Leão: o seu grande rival era o Reino de Navarra – de influência Vasca e Franca –, mas os leoneses quase sempre se impuseram. E, como era costume, os Reis de Leão concederam condados às zonas mais periféricas que serviam de zonas tampão com os Reinos vizinhos e com as Taifas mouras: assim nasceram os condados de Castela (915) e de Portucale (968), sempre vassalos de Leão. Das rivalidades entre Leão e Navarra soube Castela tirar proveito, apoiando-se ora mais no seu suserano – Rei de Leão -, ora mais no seu rival, o Rei de Navarra.

A primeira rotura nestes equilibrios políticos aconteceu por volta de 1030. Seguindo os hábitos da época, o rei de Leão resolveu encomendar o assassinato do Conde de Castela, talvez por o achar demasiado emproado. E assim foi feito… Sancho Garcés, Rei de Navarra, tomado de “salva honras” – era casado com a irmã do Conde de Castela – invade Castela, invade Leão, mata os assassinos e reclama o Condado de Castela como seu legítimo herdeiro. Aproveitando a relativa debilidade de Leão, antes da sua morte entrega as sua possessões (elevads a reinos) aos seus três filhos – Navarra, Castela e Aragão. Assim nasceu o Reino de Castela em 1035– sob influência Navarra – e Fernando I foi o seu primeiro rei.

Entretanto a dinastia astur-leonesa continuava débil e, em 1037, Bermudo III de Leão (1028-1037) morre sem descendentes. Estando Fernando I de Castela casado com a sua irmã, passou a ser Fernando I de Leão e Castela (1037-1065). Como o nome diz, era rei de Leão e também de Castela. A grandeza e superioridade do Reino de Leão prevaleceu e Fernando I – apesar de navarro – manteve a identidade e cultura leonesa. Ao morrer, também divide os sus reinos pelos três filhos, Leão, Castela e Galiza. Afonso VI de Leão (1065-1109) logo tratou do sebo aos irmãos e reunificou o reino de Leão e Castela. Afonso VI o Bravo foi, talvez, o maior rei de Leão: derrotou definitivamente o Reino de Navarra, conquistou Toledo aos mouros (1081) e intitulou-se imperador. O centro político, cultural e religioso da península continuava em Leão e assim se manteve nos reinados dos seus sucessores (Urraca e Afonso VII).

Afonso VII de Leão e Castela (1126-1157) coroou-se mesmo imperador da Hispânia e é, precisamente nessa altura, que nasce o segundo reino “filho”: Afonso Henriques recusa a vassalagem e proclama-se Rei de Portugal (1143). Ao morrer, Afonso VII o Imperador volta a dividir o seu reino, pela última vez, entre Fernando II - Rei de Leão - e Sancho III - Rei de Castela. É durante esta última separação que se acentuam as diferenças e rivalidades entre Castela e Leão, nas quais Castela vai ganhando terreno… A tal ponto que Fernando II de Leão (1157-1188), casado com a filha de D. Afonso Henriques, teve que mandar o seu herdeiro para a protecção do avô em Portugal, devido ao perigo de um golpe castelhano.

E assim chega, em 1188, Afonso IX de Leão ao trono, o último rei de Leão... Este Reino ainda mantinha a sua superioridade política e cultural sobre os restantes, facto atestado pela fundação da primeira Universidade da península em Salamanca (1218). Afonso IX teve uma vida atribulada…Casou com Urraca de Portugal, filha de Sancho I, que era sua prima e, quando o Papa anulou o casamento, já tinha três filhos. Tentou resolver, a bem, os conflitos com Castela e casou com Berenguela, filha do rei castelhano… mas esta também era sua prima e, mais uma vez, o casamento foi anulado já com três filhos. Desta filharada toda, dois eram varões e ambos Fernandos… e em 1214 morreu o Fernando errado, o filho do primeiro casamento. Sobrou o Fernando do segundo casamento - que a mãe tinha levado de volta para Castela - e fora educado dentro da cultura castelhana e na rivalidade com Leão. Após a morte de Henrique I de Castela, subiu ao trono Berenguela que logo abdicou no seu filho, Fernando de Castela. Afonso IX de Leão, vendo o perigo da coroa passar definitivamente para Castela, ainda tentou enfrentar o filho, mas sem êxito. Morre em 1230 e resiste a “dar” o Reino ao filho… deixa-o em testamento às duas filhas portuguesas – Dulce e Sancha - que o vendem a Fernando III da Castela e Leão. Este sim já era um rei claramente castelhano e, em pouco tempo, os seu herdeiros passaram a ser só Reis de Castela.
E assim acabou o grande Reino de Leão… vendido ao Rei de Castela por duas princesas “portuguesas”.

Mais que o seu desaparecimento há 800 anos, impressiona o seu desaparecimento actual. Se durante muitos anos ainda constituiu uma das coroas do rei de Espanha, se durante muitos anos ainda foi uma província de Espanha, com o advento da democracia foi “engolido” da autonomia de Castilla-León. É a única nação histórica espanhola que não tem a sua própria autonomia. Completou-se o desparecimento do Reino de Leão…

Post suscitado por um outro da Luz que, como é costume, desapareceu!

PP: fui à entrevista... há muitos candidatos ao mestrado!

12 de julho de 2005

Na viragem do dia

O título poderia ser "na voragem do dia", mas o que me fez vir aqui foi a meia noite que se aproxima.

Para além dos posts hoje publicados, a casa esteve invulgarmente silenciosa. Não tem mal. O silêncio, sabemo-lo, é parte integrante e essencial da música.

Uma boa noite para todos. E um bom dia também.

depois admiram-se que o ceu lhes caia em cima....

nove trabalhadores iraquianos morreram depois de estarem encerrados 14 horas dentro de um contentor metálico, a uma temperatura ambiente exterior de cerca de 46 graus centígrados.
os trabalhadores da construção civil foram apanhados no meio de um fogo cruzado e foram detidos para averiguações.
dos doze que foram detidos, a polícia só teve o trabalho de interrogar 3
9 morreram antes disso.

eram apenas nove trabalhadores da construção civil iraquianos.

(algo me fez lembrar o 'deportees' do woody guthrie)

11 de julho de 2005

O Loky, o trabalho e as férias...

Ontem, não fui à praia… não espalhei creme hidratante em nenhum corpo.
Ontem, a noite, fui ao café… e perdi o meu cão. Entre filhos, primos, cunhados e sei lá quem mais, o cão ficou esquecido e, pequeno e apalermado como é, não soube voltar a casa.
Era meia-noite quando, ao me ir deitar, dei por falta dele.
Não estava em nenhum recanto da casa, nem no quintal. Era uma da manhã e lá andava eu, às voltas pelo bairro, a assobiar e gritar: Looooky!!… Looooky!!E nada… Eram duas da manhã e deitei-me, com uma sensação difícil de decrever.
De manhã, logo às oito horas, fomos ao café e veio o alívio: o sr. Oliveira (que não sei quem é…), ao vê-lo de ar perdido, tinha-o recolhido. Às onze da manhã, o nosso Loky tinha regressado a casa!

Entretanto, já voltei ao trabalho. Como tinha prometido a T, sexta-feira lá estava às nove da manhã em ponto. É verdade que ainda tenho um andar meio esquisito, que ainda me sento do um modo meio amaricado, que ainda solto uns “ais” meio a despropósito… mas, estóico, trabalho com alegria. Ou não me faltasse apenas uma semana para as férias.

E é assim… quinta-feira começa a Concentração de Faro. Sábado de manhã estarei no posto médico do recinto e, lá pelas cinco da tarde, zarpo para Matalascañas…

as palavras, a caligrafia e um filme que me apaixona

para a T:)

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'When God made the first clay model of a human being, he painted the eyes, the lips, and the sex. And then He painted in each person's name lest the person should ever forget it. If God approved of His creation, he breathed the painted clay-model into life by signing His own name.'

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Ir à praia... ou não

Chegar da praia e tomar um duche com a água a 37 graus. Secar a pele de quem nos acompanha. Deitá-la de bruços, braços abertos qual Cristo feminino, espalhar o creme hidratante pelas costas, pelos braços, pelas coxas… até aos pés. Depois dedicar a cada milímetro de pele a mesma atenção. Os polegares em círculo, as costas das mãos, o meu corpo, tudo serve para que a hidratação seja perfeita.
Deitar-me sobre ela fazendo coincidir a cristã posição, para chegar até à ponta dos dedos. Explorar-lhe a nuca com a ponta língua enquanto as mãos, em esforço moderado, vão massajando os ombros.
Erguer-me e concentrar-me nas nádegas e no interior das coxas. Com a suavidade de quem quase não toca.
Mudar de face, espalhar hidratante pelo peito e pelo ventre. Acariciar até à absorção total. Tudo como se o toque fosse proibido, como se bastasse aproximar as mãos até meio milímetro da pele.
Beijar apenas fazendo sentir a textura dos lábios, lentamente, como se o tempo fosse de quem o usufrui. Humedecer ainda mais as zonas onde o creme é desaconselhado, saborear, brincar com a ponta língua e voltar a acariciar. Até que o hidratante se misture com os outros fluidos e tudo possa acontecer…
Digam lá se há coisa melhor do que ir à praia?

Post forçado

Já reparei que, se dormir apenas 4 horas por noite durante uma semana, fico bastante indiferente ao que se passa à minha volta. Isto traz vantagens como desvantagens. As desvantagens são obvias: começo ligeiramente a cagar-me para o que as pessoas me dizem ou querem. A insistência leva à irritação. As vantagens surgem em situações que, potencialmente, poderiam provocar algum nervosismo, na mesma forma das desvantagens: estou a cagar-me na mesma. Um suicida não tem coisa alguma a perder.

Este é o resultado da chantagem. Um post sobre me estar a cagar. :) Risosss

Tangos e Paris e o nosso imaginário.




Ao Azinho....

E para a Maria...e para nós:)

Quase no 60.000

Os números fazem-nos pensar...
Estou sem andaimes, viva!!!!!
Sinto-me muito mais feliz com a casa cheia de sol! E de luz já agora:)
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10 de julho de 2005






Espuma de mar,fresquinho e vigoroso. É o mar do Guincho, é excelente e atira ao chão qualquer um. Adora dar rabanadas nas pessoas.
A areia é grossa. Lembra a do norte. Os pés doem de tanta intimidade com a dita.
Escaldada estou, ah pois estou, perfeitamente em paz depois da bela sapateira que foi devorada com muito prazer. Suja de sal e de areia, nada melhor do que ficar a cheirar a marisco:)
Vivam os prazeres.


9 de julho de 2005

disco a ouvir urgentemente

Lullabies from the Axis of Evil

On January 29, 2002 President George W. Bush delivered his State of the Union address in which he coined the term "Axis of Evil" for Iran, Iraq, North Korea "and their allies".
Norwegian producer Erik Hillestad was struck by that term and how these countries were labeled enemies. He felt that the stigma attached to the countries identified as the "axis of evil" was just one side of it and as a result decided to unite "East" and "West" through song, in the form of lullabies.

His intent was to record traditional lullabies from the contries that were now perceived by some as enemies. Over a few months, Hillestad had compiled the lullabies he intended to record, however it took him more than a year to gather the western artists. Many managers and artists declined, fearing the project was "too dangerous" to get involved.

The result is 14 beautiful, haunting duets, each paring an artist from countries including Palestine, Iraq, Iran, North Korea, and Cuba with US artists. The duets are soothing and peaceful: no hatred or evil. Hillestead proves our so-called enemies possess a remarkable capacity for love and warmth in the tradition of their lullabies. This album provides an eloquent reply to Bush's war-mongering rhetoric.


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8 de julho de 2005

A causa das coisas

Os atentados de ontem, em Londres, obrigam-nos a olhar a face do terrorismo, bem de frente. Mesmo assim, há que não queira olhar de frente e prefira um olhar de viés ou desfocado. Digo isto porque em diversos meios de informação, em fóruns disto e daquilo, em conversas de café e mesmo aqui no blog, transparece a ideia que o fundamento do terrorismo e a causa próxima dos atentados – de Londres e Madrid - é a atitute, bélica e imperialista, dos americanos e seus aliados...

Bush e amigos decidiram, unilateralmente, invadir o Iraque – e o Afeganistão – com o objectivo de tornar o mundo mais seguro, argumentando o perigo de apoio ao terrorismo e com a existência de armas de destruição maciça. Após as invasões, essas armas não existiam e o mundo não ficou mais seguro… o que exacerbou o natural descontentamento muçulmano e desencadeou o terrorismo fundamentalista.

Mas vejamos:

Bush e amigos invadiram o Iraque e o Afeganistão como corolário de uma política – contestável, é claro – desenvolvida após o atentado às torres gémeas de Nova York, em Setembro de 2001. Esse atentado terrorista, "a ignominea", não teve como génese nenhuma ocupação ilegítima de um país e, aceitou-se, que gerasse uma reacção.

Mas os atentados de Setembro 2001, ocorreram na sequência de uma política externa americana radical que apoiava incondicionalmente Sharon, em Israel, na restrição dos direitos civis aos palestinianos, que mantinha tropas "de ocupação" em países árabes após da 1º Invasão do Iraque, em 1991, e que mantinha um pesado bloqueio económico a este país. Compreendia-se a revolta árabe.

Mas a 1ª invasão do Iraque ocorreu porque este país era uma fonte de destabilização regional, possuia armas nucleares e químicas (anos 80), invadira o Irão e o Koweit. Na altura, foi universalmente aceite e contou com a participação de outros países árabes. E atitude israelita fundamentou-se em anos e anos de intifada, de sucessivos ataques terroristas às suas cidades e ao falhanço dos acordos com Autoridade Palestiniana, pelos recuos de Arafat.

Mas se o Iraque era essa fonte de destabilização regional foi porque, durante a guerra fria - anos 60 e 70 -, foi alternadamente apoiado e armado pelas duas potências mundiais, em função dos seus interesse regionais. E se os palestinianos não confiaram em Israel, foi porque estão sujeitos ao arbítrio judeu desde que os seus territórios foram ocupados – em 1967 - e as suas terras confiscadas, em 1948.

Mas se o Iraque tinha sido apoiado e armado foi porque, após a sua independência nos anos 40, era o país com uma maior identidade nacional, com uma sociedade civil mais consistente e parecia abraçar os princípios da democracia. E se Israel ocupou os territórios palestinianos foi porque, desde a sua independência em 1948, foi invadido três vezes por uma coligação de estados árabes.

E tudo isto não teria acontecido se as potências europeias, após a derrota do Império Turco na 1ª Guerra Mundial, não tivessem estabelecido protectorados de fronteiras artificiais e não tivessem determinado o estabelecimento de um estado judeu.
Ou, indo mais longe, nada disto tinha acontecido se o Turcos não tivessem derrotado o califado árabe… ou se os judeus não fossem "obrigados" a voltar à palestina devido ao holocausto nazi, aos pogroms do leste e às expulsões macissas – como ocorreu na Península Ibérica no século XVI.

Este longo arrazoado serve só para demonstrar que a razão (ou causa) das coisa se perde na história, numa intricada rede de causas e efeitos, cuja verdadeira génese é obscura. Olhar apenas para ontem, é uma ilusão…
E, para quem defende o diálogo como arma contra o terrorismo, deixo a entrevista de Omar Bakri Mohammed, um sheik de Londres conhecido como o Teórico da Al-Qaeda na Europa, em 18 de Abril de 2004, ao Público. Via Rua da Judiaria:

Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.


Nota: A teoria que o "Imperialismo Ocidental" contribuiu para a origem – e mantém - da pobreza e atraso do 3º Mundo, poder-se-á aplicar no caso de África mas não no mundo árabe. Aí, a génese da desvantagem, radica exactamente no fundamentalismo islâmico.

Gosto de estar na santa pasmaceira , fazer o almoço devagarinho.. e beber um gin tónico:)
Que boa que a vida é.
E fui ao talho, ao lugar e amanhã vou à praça.
As coisas simples dão muito gozo!

7 de julho de 2005

De Londres.

Impressionou-me a calma e o silêncio. Das vítimas, dos técnicos de emergência, da população que afluia.
Gestos rotinados e e eficientes, prontidão e cuidado.
Há que saber lidar com as tragédias.

Londres, hoje

Mais do que através das mil palavras do jornalista, a informação chega-nos de novas e imediatas formas: um londrino, apanhado no atentado, tira uma foto com o telemóvel, envia a um amigo e este publica-a num fotoblog. Horas depois chega à SkyNews!

Colecção Champõ-limão

Auctioning tomorrow at Cristina's:

- 1 set de perucas insufláveis da Madame Pompe-d'Or;
- 5 bolas de cotão de Karina da Prússia, removidas da 3ª prega abdominal, com certificado de autenticidade incluído;
- 2 quadros (um deles "ratado") com paisages do Danúbio castanho de Jehan de Piss, dito "El Canalito";

Et la pièce de resistance...
- 1 penico usado de W.A.Mozart mailo respectivo extrato seco, encontrado no dito cujo...

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P.S.: sim, acredito fervorosamente no humor como tábua de salvação... :)
Se por acaso se sentirem muito pacientes, podem ir aqui para se registarem e votar nas minhas fotos.
Se se sentirem muito pacientes, o registo é chato, eu sei...
E, claro, se gostarem das fotos.

London, UK, 07-07-05


NÃO VENCERÃO!



a árvore e a floresta

bom dia !...então maezinha, como está?
'ó filho... esta noite foi péssima... nunca estive tão doente'
a maezinha precisa de ter uma saúde de ferro para aguentar tanta doença.



por alguma razão auto-flageladora todos nós achamos que estamos cada vez piores.
que nunca estivemos tão mal.
que agora é que isto bateu no fundo.

já não vou ao extremo (mas ainda assim bastante recorrente) dos que dizem que no tempo do salazar é que era bom...

mas, mesmo sem datação, isto 'nunca esteve tão mau como agora'


mas... sejamos honestos!
vamos olhar para alguns números dos últimos 10 anos
não são assim tantos... todos se lembram de 1993... não lembram?... era o auge do cavaco...
na altura também dizíamos que estavamos pior que nunca e hoje dizemos que nessa altura é que era bom...



esperança de vida em portugal:
homens:
1993: 70,8 anos, 2003: 74 anos
mulheres:
1993: 78 anos, 2003: 80,6

taxa de mortalidade infantil:
1993: 8,6; 2003: 4,1

percentagem do gasto dos rendimentos familiares:
alimentação:
1993: 33,2%; 2003: 18,7% (isto significa que, comendo o mesmo, a importância da alimentação passou a ser menor.. e passámos a gastar o dinheiro noutras coisas...)
habitação:
1993: 18,3; 2003: 18,8%
transportes:
1993: 15,7%; 2003, 15% (sim... percentualmente gastamos menos em 2003 que em 1993)

bens:
fogão:1993: 98,3; 2003: 99,4%
frigorífico: 1993: 94,3%; 2003: 97,1%
computador: 1993: 9,1%; 2003: 38%
carro: 1993: 52,5%; 2003: 59,9%

trabalho:
população activa: 4 789 000; 5 460 300
desempregados: 331 300; 342 300
salário mínimo: 237 euros; 356,60 Euros

podia continuar com imensos outros exemplos....
como o das bibliotecas passarem em 10 anos de 740 para 1960 com o número de consultas quase a triplicar.
com o número de sessões de teatro a passar de 2 443 para 9 138, as sessões de cinema de 130 mil para 570 mil.... e por aí..

mas apenas gostava de concluir que, de facto, não estamos pior que nunca.
até acho que estamos melhor.

o que acontece que que para além desta mentalidade católica de 'quanto-mais-se-sofre-melhor-para-ganhar-o céu', também estamos mais exigentes.


e ainda bem !!!

Números e estatísticas

Já não ia, desde há muito tempo, dar uma espreitadela ao Geoloc. Passei por lá ontem e aqui ficam as últimas cifras do Dias que Voam:

Top Five

Portugal............ 27.988 visitas
Brasil...................1.887
Espanha...............1.204
EUA........................818
Grã-Bretanha..........200

Portugal continua destacadíssimo (somos os maiores!) e, na luta pelo segundo lugar, o Brasil destacou-se da Espanha. Em seguida, vêem os imperialistas do costume!

Last Five

Com 1 visita cada - Honduras, Vietnam, Bósnia, Cabo Verde e Oman. Extraordinário!

PP: Como lembrou a Luz (a malvada!) lá se passou mais um S. Firmin e eu aqui, com o rabo de molho!

Estatuto, Diagnóstico e Prognóstico para o Mês: Chasso

No país em que ter menos que Mercedes Classe E é ser pobre (Portugal) e em que chegar à faculdade com menos que Audi A3 2.0 TD é ser pobre (Portugal), eis que algo profana as vias luminosas deste país ensolarado (Portugal): um carro circula, estaciona, arranca, apita, combusta, ocupa dinamicamente o espaço sempre envergando despudoradamente o quadradinho côr-de-rosa da inspecção periódica obrigatória não aprovada. Que carro! (O meu).

Como fui à inspecção no final de Junho e tenho 30 dias para re-inspeccioná-lo, posso andar assim com ele, com o quadradinho côr-de-rosa, quase o mês de Julho completo!

Ah!... o prazer quase físico da profanação! Sim, sim, eu possuo um quadrado côr-de-rosa no pára-brisas e ostento-o desavergonhadamente! Sim, sim, parem e olhem, observem-no, fiquem chocados!! Sim, sim, é mesmo verdade: não foi aprovado e anda por aí!!!

A cêra do tejadilho está a desaparecer. Já pensei seriamente em repintar o tejadilho de côr-de-rosa. Ou então pintar-lhe em cima um Bob Marley fumegante... não, muito dejá vu. A melhor ideia é esta: ou deixá-lo como está ou escrever: SOU FELIZ!!!

6 de julho de 2005

A teia da vida

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A vida assemelha-se à teia, lentamente feita pela aranha: é um emaranhado de frágeis laços que se podem desfazer num sopro.

A Gena ficou classificada em 3º lugar - no 3º ciclo do ensino básico - e ganhou um leitor portátil de MP3. Lá se foi o computador… não sei se lhe hei-de dar uma sova ou um beijo!

Decidi-me, vou reiniciar o trabalho na sexta-feira. É o dia ideal para recomeçar…

Ganhou Londres. Destesto o cabrão do Blair!

Mitos creacionistas - secunda pars

- Ó papá, achas que tenho jeito pra cantar cançõezinhas como tu?
- Claro, filha, cançõezitas sobre tudo e nada, sobre casalitos enamorados, eu sei lá...
- A sério, papá?
- Ó filha, até podias cantar fadunchos, se te desse na real gana! Até o teu cabelo tem jeitinho! (risos)
- E não devia arranjar assim um nome artístico fabulástico?
- Não precisas nada disso. O nosso apelido já é mais que suficiente... só tens é de evitar Zoos a todo o custo!

==> E assim nasceu a cia Moniz, cantotaactrizcompositora e tudo e tudo :)

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Umm Kulthum

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A Amália egípcia!! Num documentário que vi sobre ela na tv2, lembro-me de um pormenor saboroso: ela a cantar, e numa parte sensual da música, com alusão ao orgasmo, prolongava indefinidamente uma nota...rindo-se no fim! a plateia a aplaudir muito!

Uma definição de...


«Então», disse Justino Navarro, «agarras-te ao que tens mais à mão: falas de ti mesmo. E ao escreveres sobre ti mesmo começas a ver-te como se fosses outro, tratas-te como se fosses outro: afastas-te de ti mesmo à medida que te aproximas de ti mesmo.»

Encontrei esta preciosa frase na página 137 de "O Mal de Montano", de Enrique Vila-Matas. É um livro para descobrir. Não para ler de rompante. Ou seja, é livro para ter à cabeceira durante um mês.


Mistério

Isto para mim é um mistério! Ontem postei sobre as férias da Lulu(que afinal não está de férias) da T e da Erre, mas o meu post não apareceu mais no blog. Ora eu não o apaguei, pelo menos que tenha consciência disso. Renovo assim os votos de Boas Férias.

o negócio do papel pintado e o seu 'uzo' para o negócio dos telemóveis

cegos são, e condutores de cegos
(mateus, citado de memória)


um molho de papel impresso vendido com o nome global de correio da manhã, noticiava ontem a todo o tamanho da sua primeira página que os portugueses perdem 100 euros por não escolherem a melhor tarifa de telemóvel.
até aqui nada de anormal, a não ser o facto de muitos milhares de pessoas nem sequer carregarem os seus cartões com 100 euros, quanto mais poupar essa quantia (a menos que as operadores lhes devolvessem dinheiro para atingir a mencionada poupança).


a questão é...a página 3 desse monte de papeis impressos:
um anuncio que abrange a totalidade da almejada e caríssima página 3, a anunciar um serviço de telemovel que se propõe fazer poupar a todos os seus aderentes, sejam que tarifa e operador tiverem.

o correio da manhã é um habitual nestes casos.
é famoso o seu apelo ao voto na ad nos anos 80, em que, num arrango gráfico de esperteza saloia, fazia com que se lesse 'votar ad é um dever'
uns anos depois vendeu a sua primeira página à procter & gamble para anunciar um seu detergente, sem indicação de publicidade
ontem é uma notícia de primeira página (notícia porque não é publicitada como publicidade) em ligação directa à página imediatamente seguinte onde está o anúncio que a completa.


a semana passada assisti a um debate onde participou o director destas folhas impressas e o director do jornal de distribuição gratuita 'metro'.
dizia o senhor joão que o metro jamais podia fazer bom jornalismo porque, sendo o seu jornal gratuito, estava preso dos anunciantes, enquanto que ele, joão, podia fazer livre jornalismo porque tinha a receita da venda do jornal.

serve a afirmação para ficarmos a saber que esta falta de ética jornalística nem era necessária do ponto de vista financeiro.
é mesmo falta de ética.


a edição de ontem do correio da manhã foi pornografia pura

Notas à solta

O meu computador regressou. Lentamente, está a recuperar. Já canta Daisy Daisy,/ Give me your answer do!/I'm half crazy,/All for the love of you!.

O que mais me impressiona sempre num instrumento de cordas é a alma. Quando espreito com uma lanterna e vejo as inscrições sinto-me a viajar no tempo. Obrigado, Luz pela imagem. E pelos pregos de ébano. E pelo Dürer. A talho de foice, Lisboa está também em obras constantes. Acho que é uma sina das cidades grandes. E eu também quero os Jogos Olímpicos bem longe, de preferência numa cidade que não tencione visitar - os preços, depois, sobem sempre estupidamente nesses sítios.

Tzinha, o meu comentário ao teu cabelo era um elogio. Espero ansiosamente para ver a nova versão. Por outro lado, a minha pontuação no teste da Maria foi baixinha, muito baixinha. A Frutuosa compreende-me, estou certo.

O cinema chinês tende a ser deslumbrante: não só por ser estranho aos nossos olhos, mas porque segue convenções que chocam a mentalidade vigente dos finais felizes. Não é, contudo, estranho para os apreciadores dos clássicos e da ópera. Filmes como Crouching Tiger, Hidden Dragon, Hero e este House of Flying Daggers, todos seguem a mesma linha de tragédia operática clássica. E, também por isso, são imperdíveis. Mas há outro cinema oriental de que devemos falar. Não agora.

É uma questão de tempo até termos o Ricardo secretário-geral do PDLP. Esperam-se entretanto textos sobre Locke, Hume, Mill, Keynes e afins. E sobre Bill Clinton, já agora.

...e as cinzas agarradas à t-shirt do fénix-fátuo são simbólicas. Esperemos que a Tapada de Mafra renasça entretanto das chamas.

Até ao fim do mês vai ser o inferno por aqui. Quem falou de férias em Julho?

How Pure are you

You Are 55% Pure!

0 - 19% Pure: If you haven't tried it, it probably hasn't been invented yet.

20 - 39% Pure: You haven't every kinky thing in the world, but you aim to!

40 - 59% Pure: You're a bit of a closet pervert. Who knows what else is in your closet? ;-)

60 - 79% Pure: There's a wild beast in you... somewhere. Let it free

80 - 100% Pure: You're not as innocent as you look - but still pretty innocent!



How Pure Are You?

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5 de julho de 2005

Dias que voam

O Manel foi à sua primeira viagem de finalistas. Pois, parece que agora a grande moda é fazer viagens de finalistas a torto e direito... E começam cedo, logo no 4º ano! Arrancaram ontem, foram ao Zoológico, dormiram no Oceanário e voltam hoje. Foi a primeira vez que se viu nestas andanças e andava excitadíssimo... na véspera, nem conseguiu dormir.

A Gena, no próximo fim de semana, vai fazer a promessa das Guias. Já tem a farda de gala e fica-lhe a matar. Amanhã vai receber o tal prémio do concurso literário regional... cada vez estou mais convencido que vou "ganhar" um lindo computador portátil.

A Nela anda totalmente absorvida com o exame da sua interna. É que, nesta coisa de exames de internos, acaba-se sempre por avaliar o tutor também!

Eu continuo em casa, a fazer nada... Acho que não aguento até sexta-feira!

Sublime! Visualmente deslumbrante!

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Já cheira a férias

Ahhh... o cheirinho a férias. Que inveja me deu... e que saudade, ao tomar consciência que a T e a Erre já andam a vadiar. E eu ainda aqui. O que me consola é que não será por muito mais tempo. Bebam uns copitos por mim, uns caracolitos também não calham nada mal, pois não senhor, já agora uma cadelinhas com muitos coentros. A minha vingança será que que quando voltarem, moi, je, irá vadiar também. Óptimas férias a quem está de férias.

Um bom dia

Hoje sinto-me muito bem. Faz hoje dois anos que comecei a namorar com o Hugo. Como o tempo passa!
Logo pela manhã, vi na Eurosport um jogo de voleibol de praia, um campeonato feminino. Descobri a também minha verdadeira vocação, já sei o que quero ser quando fôr grande: vou aprender a jogar voleibol de praia e ser uma grande jogadora! Quero um físico igual ao delas, quero poder usar aquele equipamento!
Agora tenho que ir, tenho um longo caminho pela frente :)
Escrevo enquanto vejo duas pernas pela minha janela. Parecem sólidas e servem para alguém retocar de tinta as paredes do prédio. Já me habituei a estes sustos repentinos. Pode aparecer uma cabeça romena a cada momento , pelo peitoril da minha janela acima.
Estive durante um bom bocado a tentar entregar uma TVbox na loja da TVcabo. Indescrítivel o ambiente. Já vi incêndios e derrocadas de prédios decorrerem de forma mais civilizada. O segurança amavelmente indicou-me outras lojas e disse que até era um dia "tranquilo".
Por isso peguei na dita cuja caixa, flanei pela zona e tomei café numa esplanadinha apetecível.
Reparei na quantidade de andaimes da minha zona. Desculpem a minha sensibilidade a esta temática. Mas Julho em Lisboa andaimada é o que está a dar. Continuo a não fazer nenhuma das tarefas de férias que tinha pré-destinado. Que horror, ò que pecadora!
Que defeito o meu de procrastinação...

a real southern belle

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4 de julho de 2005

A Bhianca

O desagradável cheiro a alcatrão que paira sobre a vila, deixa a Chris agoniada. Se fecho as janelas, o calor opressivo impede até os pensamentos; mas as janelas abertas enfermam o ar de um escuro perfume betuminoso que entra nos pulmões e aí fica a desencadear o gás venenoso das palavras. Ainda faltam alguns meses para que cesse este entusiástico negrume autárquico. Entretanto Chris padece com o calor e com os aromas, resmungando ódios e avolumando ainda mais as suas alvas, estáticas e contundentes formas.

É quase um paradoxo que esta renovada escuridão do asfalto me lembre Bhianca. Lembra-me Bhianca e lembra-me o ainda mais contrastante formato do arco-íris que a acompanhava na sua deslumbrada e livre confrontação com as variedades cromáticas da luz.

Conheci Bhianca no lugar que não era o seu. Na luz de Lisboa ela tinha no rosto o contraste total da cor do seu nome, que não nos olhos, e no brilho polido da pele reflectia-se a multiplicidade deslumbrante dos tons impossíveis. Nascera com a cor natural do lado de lá dos trópicos e viera adolescente na inesperada intenção de colorir o cinzento triste do nosso fado. Vaga intenção, digo eu que amei Bhianca na distância obtusa que a idade impõe. E no entanto...

Conheci Bhianca pelo rasto de cor e vento que deixava na vertigem do movimento provocado pela música: mola automática que saltava dos ritmos que lhe fizeram o corpo, na ancestralidade do seu continente. E mais não vi eu senão a cor que era feita de todas as cores que escassamente cobriam o negro fulgurante que no dizer dos físicos atrai e absorve toda a luz.

Conheci Bhianca como quem conhece a selva luxuriante, onde não é possível a um delicado corpo leitoso sobreviver. Destemida, na força de um corpo dotado - esse sim sobredotado - para projectar a evolução através de seres que valha a pena existirem, Bhianca ousava levar o movimento e a cor para os olhos dos incautos e taciturnos mirones que, como eu, procuravam ainda alguma alma no meio das derrotadas cinzas.

Conheci Bhianca, digamos assim, por uma espécie de exclusão de partes, como se na difracção da luz no prisma, numa escada de cores, eu tivesse, por acaso, aberto tanto os olhos que entre a ultra-violenta cor do medo e a infra-verdadeira cor da honra houvesse lugar para as mágicas cores que uma mulher carbono puro e cristalino pode emitir na dureza máxima do corte da ilusão.

Conheci e amei Bhianca, como a conheço e amo hoje, na arte suprema do que vejo e na combinatória infinita das nuances que desafiam a imaginação e a memória. Falo de Bhianca apenas do que vi e das emoções reflexas que brotaram perante a face de alegria feroz que se arrastava como a fúria de quem quer da vida mais do que promessas não cumpridas.


Ivo Cação

Burning days...

Há dias estranhos, uns mais que outros: hoje, quando regressava a casa do trabalho, reparei que o ar e o céu estavam estranhíssimos => um cheiro a queimado, uma quase-neblina, uma cor diferente da luz e até partículas de cinza, que se iam fixando à minha t-shirt de imaculado branco... [Não cheguei a saber o que se passava]

A tarde correu bem melhor: estive à tarde num café-bar maravilha perto do miradouro de Santa Catarina, chamado Noobai... e, a páginas tantas, a minha querida amiga Patrícia rabiscou um pouco e fez um retrato deste que vos escreve! Ora vede:

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Ná, ná ,ná!!!

Não Gasel, não me vou preocupar com a jurisprudência, direito natural e positivo ou o que quer que seja.Hoje.

Está uma noite bonita e sopra vento.
Estou de férias e de manhã esqueci-me que o estava.
Jantei bem, ri-me e estou bem disposta.

E Azinho mudei a cor de cabelo...Estava complexada com aquela tua frase!

É muito bom estar viva, quero lá saber de confusões.
Vou é desenrolar o cabelo, que tenho aqui uns drapeados na cabeça que não lembram. Ah e dormi ao fim da tarde. E amanhã vou fazer literalmente o que me apetecer .

Abeijo-vos anarquicamente.

Para esclarecer a T (.. e a mim também!)

O direito natural é definido como um conjunto de direitos e deveres superior e anterior ao quadro jurídico pela qual um Estado se rege sob a forma de leis e regulamentos, organizadas habitualmente no âmbito de constituições e códigos. A este quadro jurídico, inferior e posterior ao direito natural, chama-se direito positivo. O conceito de direito natural exprime a convicção de que a natureza racional humana, não dispondo de um direito positivo, é provida de “princípios jurídicos” Exprime a convicção de que há uma consciência inata do direito, de que existe uma razão natural, independente de qualquer tipo de organização em sociedade.

Esta noção de direito natural esteve sempre presente na civilização ocidental, desde os seus primórdios. Na Grécia clássica e no Império Romano estava presente na admissão que as leis divinas se sobrepunham às leis das cidades Na Idade Média, pela limitação do poder temporal dos monarcas através do poder espiritual. A partir século XVII, as novas correntes filosóficas identificam o direito natural com o direito da razão. É o que nos diz Locke (…) The state of nature has a law of nature to govern it, which obliges everyone; and reason, which is that law, teaches all mankind, who will but consult it, that being all equal and independent, no one ought to harm another in his life, health, liberty or possessions.(…)

Desta forma, admite-se uma superioridade do direito natural e aceitam-se limites à iniciativa legisladora dos Estados: o direito positivo deve estar conforme o direito natural. Desta forma admite-se que, em caso de conflito entre o direito natural e o direito positivo, o homem tem a legitimidade de se opor à lei vigente, ou seja, o homem tem um direito natural. E assim, se diferenciam, e se podem opor, os conceitos de legalidade – que advém do direito positivo – e legitimidade – que advém do direito natural.

É importante notar que existe uma estreita relação (ou quase total coincidência) entre o que se entende por princípios do direito natural e os valores morais. Isto, levado ao extremo, implicaria que todo o direito deve ser radicado no direito natural e este, por seu turno, na moral. Os direitos naturais “básicos”, constantes da Declaração dos Direitos do Homem, são quatro: o direito à liberdade, à propriedade, à segurança e à resistência à opressão.

No entanto, nem todas as correntes e concepções do direito assentam nestas permissas. O chamado positivismo jurídico elimina o direito natural e advoga que todo o direito é positivo, isto é, feito e decidido pelo Homem/Estado e sem qualquer vínculo a tradições ou princípios éticos e morais. E, quanto a mim, um dos riscos da nossa modernidade é este: um excessivo positivismo jurídico.

faltam 27 dias para eu estar aqui

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(o barzinho, infelizmente, já não existe)

Outros Algarves diferentes

Existem sempre outros Algarves diferentes… é só saber onde ficam:


a Rocha de Pena, perto de Salir...



... o Pego do Inferno, perto de Tavira...



... a Fonte da Benémola, perto de Alte...



... e a Ilha Deserta, aqui na Ria Formosa.



PP: Afinal, resolvi continuar doente...

O Algarve até pode ser diferente.

Acho que vou querer passar férias aqui!

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3 de julho de 2005

A Lau não tem www, diz ela, e assim não pode postar.

A falarmos do belissimo Jorge Costa a fazer paraquedismo com ar intrépido e encolhido, dizendo 50 "foda-se" enquanto ia pelo ar... pedi esta foto da Lau pequenina!

É linda, não é? Como linda é a Lau grande!


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Paisagens guardadas...

Ela há coisas! Isto é mesmo de fundo de baú! Ora, atentai para as obras desta Catarina Coelho:

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De papo para o ar...

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Fé??



Acerca da Fé... será isto fé?

está quase na hora disto

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Truth by Spanish...

Hoije, ao almocinho, comi pela 1ª vez bacalhau folhado: uma mistura do dito com batatas e grelos, coberta com massa folhada... bastante interessante! ; )
Mas ódespois apercebi-me: pensando em castelhano, o que estava mesmo a comer era bacalao follado...

The truth is out there!...

A formiguinha que não gosta de sexo...


Era uma vez uma formiga ,a Wasmannia auropunctata, que deixou de gostar de sexo ...
Ou seja, a evolução está a fazer as coisas de tal forma, que machos e fêmeas ( as rainhas, gosto do termo) parecem quase de duas espécies diferentes, ou seja os machos são os clones dos pais e as fêmeas as clones das mães.
No meio disto tudo a formiguinha aprendeu a prescindir dos machos, para conceber outras rainhas... e os machos esforçam-se por continuar a transmitir o seu património genético, fazendo umas tropelias aos ovos já fecundados.
No fundo continuam a precisar uns dos outros para sobreviver.
Para saber mais, é uma ideia irem ler um pouco em francês sobre o assunto ou até bisbilhotarem a Nature, que eu não me chamo CPC para vos traduzir os artigos assim de bandeja.
O estranho mundo das formigas tem graça.

2 de julho de 2005

Gaspacho à Maria (post em modo Maria de Lurdes Modesto)

Ingredientes

1 kg de tomate maduro
1 pimento vermelho
1 pepino médio
1 cebola muito pequena
2 dentes de alho
Sal grosso
Azeite
5 colheres de sopa de vinagre
Orégãos

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modo de fazer:

Reduzir a puré, batendo num copo misturador, os tomate, o pimento, o pepino e a cebola juntamente com o alho, uma pitada de sal grosso, o azeite, e o vinagre
Mexer e verificar a quantidade de líquido, se estiver muito espesso juntar um bocado de água fresca .
Levar ao frigorifico até à altura de o comer/beber.
Antes de servir polvilhar o gaspacho com orégãos.

E aqui está a receita do meu jantar de hoje.

Arrumações




















Nunca consigo arrumar nada de livros, porque me distraio com tudo. Este é bastante interessante.
E foi comprado em 1940 pelo meu pai.




Gosto da ideia da contracapa . É uma versão tipo reader´s digest, do Imoralista.
Deve ter servido de aperitivo, porque tenho a versão inteira do dito cujo livro, igualmente herdada do meu pai.
Já sei, é má ideia arrumar livros.
Vou contratar um mercenário para o fazer!

Sim, estamos no Verão!

Sim, a vida não é só queixumes e doenças… Apesar de convalescente, o Verão trás-nos outras coisas! Hoje, o Live 8 abriu com Paul McCartney e Bono – com os U2 – a cantar Sargent Pepper's Lonely Heart's dos Beatles. Seguiu-se Beautiful Day… Foi um bom começo!
E estou muito entusiasmado com 2 acontecimentos que vão ter lugar este mês: a 24ª Concentração do MotoClube de Faro e o 1º Encontro de Bloggers do Algarve. Há que estar em forma!

PP: A nossa jantarada dos 2 anos é dia 29 de Julho, não é? :)

Sobre Faro

Apesar de tudo... sim, apesar de tudo, uma das cidades mais feias do mundo tem melhorado muito nos últimos anos. O novo Largo da Pontinha e o Teatro Municipal de Faro, muito contribuiram para isso. Faro2005, também. Aqui fica uma vista panorâmica (clicar na foto!):


E, por acaso, descobri que o concelho tem uma zona de indefinição: não é pertença de nenhuma freguesia. Será que vai haver alguma disputa de fronteiras?

Comentário

Bom dia a todos. Alto blogue. Cheira bem.
apetece espetar o chapéu de sol no monitor e ficar à sombra a olhar o mar.

Arquitectura singular


Estas obras engenhosas e artisticas , ditas decorativas, sempre me encantaram.

Vivam as cervejarias !!!

O problema dos 0.12, perdão ... 0.10, ...humm, é fazer as contas !

"Correcção conduz a défice de 6,72 por cento em vez de 6,83 - Relatório Constâncio tem "gralha" que lança dúvida sobre défice."

Decididamente os portugueses não se ajeitam com a matemática.

O Mistério da bancada desaparecida...

A Bancada da Luz?
Que é feito dela?? Desapareceu?
Querem lá ver que os tipos da AI a retiraram com receio de ser usada por métodos ao estilo Torquemada!?!?...

1 de julho de 2005

Hamilton Naki

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Cape Argus-Trace Images

Numa época de orgulhos vários mais ou menos indigentes, recordemos um ser maior que alguns poucos reconheceram. Hamilton Naki saiu de cena há umas semanas. Fica irreversivelmente para a história, não só como um exemplo para a humanidade no seu todo, como um aviso contra a irracionalidade.

A ler aqui e aqui, por exemplo.

Quem descobre o bichinho??

Aqui deixo esta imagem mistério.

Podem imprimi-la, copiá-la para o PC ou tentar ver se descobrem, aqui no Blog, a imagem escondida neste postal.

O truque para visualizar o animal que lá está "escondido", é simples, mas requer concentração. Para ver, concentrem-se na parte central da imagem, a uma distância de cerca de 50 cm e tentem focalizar a imagem de forma a que se forme o desenho. É muito interessante; pode demorar muito tempo, ou simplesmente alguns segundos, mas acreditem que o efeito é realmente muito giro. Uma vez conseguida a forma de focalizar a imagem, será sempre de forma natural que visualizarão o bicho. Não tenham medo que não é daquelas brincadeiras parvas nas quais surge uma carantonha aos berros ou coisa do género.

Divirtam-se.


Uma semana

Uma semana... Passou uma semana inteira e eu em casa, convalescente. Por mais que procure no passado, não me lembro de outra semana assim. Assim, sem fazer nada... mesmo em férias, ali em Espanha, aqui no Algarve ou lá em Portalegre existe sempre o tempo, existe sempre algo para fazer, existe sempre algum horário. Nesta semana não... o tempo entrou numa 5º dimensão, o tempo deixou de contar.
E é bom não fazer nada. Mas, é preciso saber não fazer nada porque, senão, aborrecemo-nos...




... O meu “não-fazer-nada” repartiu-se entre os posto de comando FX-5B do Dias Que Voam...









...o lindo sofá preto, onde me espojei e ressonei, li livros e jornais, vi muita televisão...









...e o jardim, onde fingi que fazia alguma jardinagem. Da “alta”, claro, porque a “rasteira” ainda não consigo.





Segunda-feira já devo ir trabalhar. Talvez... se me apetecer! Só se me apetecer.

PP: Desapareceram alguns posts!

Mitos creacionistas - prima pars

- Eh pá, já temos tudo pronto...
- Tudo não... ainda falta um vocalista!
- Mas isso é simples, pá: arranjamos praí um mitra qualquer com uma voz rouca, como quem emborca vodkas uns atrás dos outros
- Uma cena tipo Waits, né?
- Ya, uma cena bué pós-pós-moderna; juntamos as melodiazecas da treta que já temos...
- E prontos!

==> E assim nasceu a Filarmónica Gil ;)

Café x 5

Esta semana bebi cinco bicas, todas elas cheias. Dormi sempre 6 horas. Ao longo da semana a qualidade do café variou ciclicamente: começou assim-assim na Segunda-feira, foi melhorando até Quarta-feira, dia em que o café soube muitíssimo bem. Depois a qualidade deteriorou-se e hoje o café já foi muito mau.

Ter períodos prolongados em que não se bebe café permite torná-lo especial quando se lhe regressa. E o mesmo se passa com o chá-preto. É como recriar a virgindade da cafeína, permitir que haja muitas primeiras-vezes sempre diferentes e sempre novas.

Os principiares são sempre a parte mais interessante dos percursos.

99

"JOSÉ ALVALADE deu o nome ao estádio mas também traçou a filosofia do clube. "Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa". Quase um século depois, pelo menos, no que a títulos conquistados nas mais diversas modalidades diz respeito, o desejo está cumprido. Parabéns, Sporting!
Foram muitos os passos desde a fundação até hoje. São 99 anos de aventuras e desventuras, alegrias e tristezas, risos e choros, glórias e frustrações e, sobretudo, de muitas paixões. O Sporting nasceu com o estigma do clube da fidalguia lisboeta, mas cedo começou a despertar paixões e a arrecadar títulos. O futebol foi, desde os primórdios, a mola real do clube, mas é no ecletismo que se encontra a verdadeira dimensão do grémio de Alvalade. Os leões dizem à boca cheia, com os olhos a brilhar de orgulho, que na Europa apenas o Barcelona os bate em termos de títulos conquistados em todas as modalidades. As contas não estão todas feitas, a estatística não é completamente comprovada, mas se atentarmos apenas e só ao atletismo, com 238 títulos no seu conjunto, é bem capaz de ser verdade esta afirmação que sai refulgente da boca de cada leão. Esforço, dedicação, devoção e glória são o lema inscrito no emblema do clube. E quem cumpriu todos estes predicados nunca mais saiu da memória dos sportinguistas e dos portugueses. No futebol foram imensos os que deram tardes e tardes de alegria aos sportinguistas, mas noutras modalidades é inevitável falar-se de nomes como Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, Fernando Mamede e, mais recentemente, Rui Silva e Francis Obikwelu. São apenas uma pequena amostra de todos os que fizeram a grandeza leonina."

in A Bola, 1 Jul 2005

Bubudeiras

(10) Decorre da perfeição suprema de Deus, que produzindo o universo escolheu o melhor plano possível, no qual há mais variedade, com o máximo de ordem: o terreno, o lugar, o tempo, mais bem ordenados: o máximo de efeito produzido pelas vias mais simples; o máximo de potência, o máximo de conhecimento, o máximo de felicidade e de bondade nas criaturas, que o universo podia admitir. Porque pretendendo todos os Possíveis à existência no entendimento de Deus, na proporção da sua perfeição, o resultado de todas essas pretensões deve ser o mundo actual mais perfeito que seja possível. E sem isto não seria possível dar a razão pela qual as coisas foram assim e não de outro modo.

(13) Porque tudo está regulado nas coisas de uma vez por todas e com tanto de ordem e correspondência quanto é possível, não podendo a suprema sabedoria e bondade agir senão com uma perfeita harmonia: o presente está prenhe de porvir, o futuro poder-se-ia ler no passado, o remoto exprime-se no próximo. Poderíamos conhecer a beleza do universo em cada alma, se nos fosse possível desdobrar todas as suas dobras, que só com o tempo se desenvolvem sensivelmente. Mas como cada percepção distinta da alma compreende uma infinidade de percepções confusas, que envolvem todo o universo, a própria alma não conhece as coisas das quais tem percepção a não ser na medida em que delas tenha percepções distintas e reveladas; e (a alma) tem perfeição, na medida das suas percepções distintas. Cada alma conhece o infinito, conhece tudo, mas confusamente; como ao passear-me no litoral do mar, e ouvindo o grande ruído que ele faz, ouço os ruídos particulares de cada vaga, cujo ruído total é composto, mas sem os discernir; mas estas percepções confusas são o resultado das impressões que todo o universo faz sobre nós. O mesmo se passa com cada Mónada. Só Deus tem um conhecimento distinto de tudo, pois é a sua origem. Disse-se muito bem, que está como centro em toda a parte; mas a sua circunferência não está em parte alguma, embora estando-lhe imediatamente presente, sem nada se afastar desse centro.

Leibniz – «Princípios da Natureza e da Graça»


(60) (...)Não é no objecto, mas na modificação do conhecimento do objecto, que as Mónadas são limitadas. Todas se dirigem confusamente para o infinito, para o todo, mas são limitadas e distinguem-se pelos graus das percepções distintas.

Leibniz - «Monadologia»

Ninguém se atreva a citar o Cândido. À sexta cerveja, e com a Billie Holiday em repeat, Leibniz tem razão.

Vocábulos à pressão: tomo I


HAVIANA : havaiana "ululante" de ouros-muitos
e de saias pretas com folhos...






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