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9 de outubro de 2013

Os morangos de Ingmar Bergman



«O que é ser realizador?» – perguntaram a Bergman em entrevista, corria o ano de1964: «Oito horas diárias de trabalho árduo, para conseguirmos 3 minutos de filme». Mas fazer um filme é também a escrita de guiões elaborados pelo realizador, na remota ilha de Farö, na Suécia. Ao longo de décadas, a mesma rotina : depertar às 8h, escrita das 9h ao meio-dia , seguindo-se a parca refeição. «O almoço era sempre o mesmo» - lembra a diva Bibi Andresson- «uma espécie de leite azedo e compota de morango: singular mistura, a lembrar comida para bebé, à qual adicionava Corn Flakes». Após a refeição, Bergman trabalhava das 13h às 15h, para depois fazer a habitual sesta de uma hora. No final da tarde,  a caminhada ou, em alternativa,  o ferry para uma ilha vizinha, a fim de comprar jornais e recolher a correspondência. Ao serão lia, encontrava-se com amigos, assistia a uma longa metragem ou a uma série televisiva (era fã de Dallas). «Nunca consumi álcool ou drogas» - afirmou- «ocasionalmente, bebo um copo de vinho, o que me deixa incrivelmente feliz.»

Excerto de Daily Rituals, de Mason Currey

(fonte: The Guardian, 5/10/13, tradução informal para este blogue)

24 de fevereiro de 2013

And the oscar goes to...


 

 Um investigador fez uma previsão surpreendente para as últimas presidenciais nos Estados Unidos. Para tal, recorreu a algoritmos. Desta feita, aplicou a técnica à atribuição dos Óscares. São as seguintes as previsões, de acordo com a técnica: «Argo», melhor filme, Spielberg, melhor realizador , Daniel Day-Lewis, premiado pelo desempenho no papel do presidente que pôs fim à escravatura, Jenifer Lawrence, galardoada pelo desempenho em «Hapiness Therapy». A previsão é assinada por três organismos especializados neste tipo de análise alicerçada numa pesquisa atenta em fóruns e redes sociais. Recorrendo a um considerável número  de artigos, críticas e prognósticos e utilizando um potente algoritmo, os três analistas mediram, ao longo das últimas semanas, a expressividade de cada nomeado. Os resultados apurados revelaram ligeiras diferenças, mas os favoritos destacaram-se em todos os estudos: Daniel Day-Lewis, Cristoph Waltz ou Tommy Lee Jones deveriam receber o prémio pelo melhor desempenho secundário. Anne Hattaway, a distinção para o melhor papel secundário feminino e «Amor», de Michael Haneke, deveria receber Óscar para o melhor filme estrangeiro. Fica a referência, a fim de se poder aferir o rigor do método utilizado.

(fonte: L’internaute magazine)

3 de fevereiro de 2013

Django Unchained





Gostar de Tarantino sem acanhamento ou preconceito, encontra explicação na impressão digital deixada pelo realizador, na aparente simplicidade da dicotomia bons/maus; preconceituosos/mentes livres, requintados/boçais…Perpassa uma violência não gratuita, a conduzir os destinatários das imagens (dois momentos do filme levam a desviar o olhar, mas só esses). Sente-se ainda o gozo – para o realizador e alguns destinatários cúmplices – da escolha da banda sonora que, em alguns pontos, quase nos transporta a momentos altos da nossa  autónoma (a outra pertence a um departamento bem menos empolgante) educação musical, apetecendo pedir: «interrompa-se o filme, vamos passar, por momentos,  a ver e ouvir Richie Havens em “Freedom”... para não mencionar Johnny Cash... "there ain't no grave..."». Um filme extenso? Não se dá pelo correr do tempo…
Fica-se a rir por dentro, sabendo que – vide a última grande digressão americana dos clássicos Crosby, Stills, Nash & Young e o modo como foram recebidos em Atlanta  - a película será mais uma pedra bem colocada em alguns sapatos.

(opção para não traduzir o título do filme: «unchained» não equivale, na totalidade, a «libertado»)

Django Unchained

Foto: blog soinlovewiththemovies

15 de julho de 2012

De Manoel de Oliveira a António Vieira - notas soltas

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Tudo o que se possa escrever sobre figuras conhecidas por bons motivos, cairá sempre na repetição de uma qualquer enciclopédia ao acesso de um “clique” de motores de busca . Manoel de Oliveira é um dos orgulhos nacionais – preze-se mais ou menos a sua obra, já que gostos são subjetivos. Conhecendo de modo parcelar o trabalho do realizador – há que selecionar num mundo com tanta oferta e quando se tem tantas paixões – recordo-o, há meia dúzia de anos, enquanto vizinho de férias: hospedados no mesmo local, na ilha de Porto Santo, era vizinho de mesa ao pequeno almoço onde permanecia por poucos minutos, ausentando-se com um frasco onde preparava um café instantâneo que levava consigo, não voltando a ser visto em público até à manhã seguinte. Acompanhado de sua mulher, senhora bonita e eternamente jovem, e por um outro casal, olhava-o de modo discreto : sempre me fez confusão que as figuras públicas sejam incomodadas no seu tempo de lazer, como se de nossos vizinhos de sempre se tratassem. Desejando que regresse por longo tempo à energia com que nos surpreende, destaco Palavra e Utopia, sobre a vida do Padre António Vieira, uma outra figura que, a título pessoal, não me deixa de surpreender pela lucidez e atualidade do verbo.

Palavra e Utopia

31 de março de 2012

absolutamente a não perder esta noite na rtp2!!!: fome, de steve mcqueen

esta noite, pelas 22H42, na rtp2 passa um filme absolutamente a não perder.
há uns tempos falei dele aqui.
fome, de steve mcqueen é um dos mais poderosos filmes feitos sobre a luta dos presos nas cadeias da irlanda do norte por coisas tão simples como o direito a vestir a sua própria roupa,
esta luta, que começou por deixarem de vestir qualquer roupa até à recusa de limparem as suas celas, acabou numa das mais violentas greves de fome da história da luta política.
o filme gira à volta de bobby sands, mais vai muito para além desse símbolo.
é um filme duma beleza extrema (estranhamente belo) e duma crueza violenta.
é um filme absolutamente a não perder !!!

5 de outubro de 2011

Céu sobre o pântano

Um homem assim anotava numa agenda os livros que tinha visto nesse ano de1947.


Clicar para ampliar.

18 de setembro de 2011

Num mundo melhor



Após uma semana preenchida e numa época em que ir ao cinema nos faz pensar no slogan publicitário «a tradição já não é o que era», vai-se em corrida ao clube de vídeo para trazer um filme dinamarquês cujo título , «Num mundo melhor», se revela surpreendente tradução do título original «A vingança», galardoado com diversos prémios. Após leitura de algumas críticas – a do uso e abuso do recurso a cenários povoados de alpendres, casas de enormes paredes envidraçadas , multidões de pássaros a preencher o espaço ao entardecer, campos a perder de vista e calmos espelhos aquáticos -como se a fotografia se substituísse ao entretecer do enredo, vai-se digerindo uma longa metragem inquietante por nos levar a pensar em problemáticas do nosso tempo.
Por deformação profissional, salta à vista a questão do bullying e o modo como a escola nórdica de uma localidade aparentemente pacata o encara, ou seja, pegando no problema «com pinças», ao contrário do que se pensaria na nossa visão pessimista do sul da Europa, sempre a remeter-nos para um lugar mais sombrio do que o dos restantes -  no filme a violência continuada e exercida sobre os jovens mais pacíficos é algo banalizada pelas hierarquias da escola, em aparente tentativa de evitar atritos que ultrapassem o espaço físico da instituição.
Mais do que esse preocupante problema a ensombrar os tempos atuais – não será por acaso que a expressão «indisciplina na escola» terá dado lugar ao conceito de «violência no espaço escolar» - muitas questões acabam por ser levantadas ao longo dos acontecimentos: a dificuldade encontrada por um adolescente de classe média durante a perda da mãe (tema bem entendido pelos especialistas que a designam por «não ter feito o luto») a servir de motor a parte significativa da ação, a par da vivência de outra personagem central: o médico sueco, radicado na Dinamarca, a desdobrar-se entre uma família fragmentada e uma localidade perdida no continente africano onde tem de cuidar, em situações algo precárias, de vítimas de um bando que instaura o terror, semeando a violência gratuita.
Correndo-se o risco de muitos terem visto o filme e de eventuais interessados perderem pela descrição detalhada dos acontecimentos, o que não se fará por motivos óbvios, fica a referência sempre arriscada pela subjetividade da interpretação. De modo lato, conclui-se com a seguinte ideia: pelo mesmo motivo que se torna complexa a apresentação em contexto escolar do filme «Inteligência Artificial» pela multiplicidade de assuntos para os quais remete (testemunho de professores de Inglês que o podem utilizar em turmas a finalizar a escola secundária), a título individual esta película dinamarquesa, a ser pensada à distância de algumas horas e mais afastada da ficção da atrás referida aponta, ela também, para uma diversidade de questões inquietantes, destacando-se a violência sob diversas formas e em diversos espaços do planeta, a par de uma frustrante incapacidade na sua resolução, paisagens idílicas à parte.

aqui com as legendas possíveis

27 de julho de 2011

Z, a orgia do poder



Divulgado em Portugal em 1976, mas não aconselhável a menores de 13 anos. Porquê treze?
Clicar nas imagens para ampliar.

16 de junho de 2011

11 de abril de 2011

Sidney Lumet (1924-2011)

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Deixou-nos o realizador de Serpico, Gloria e de Um dia de cão, para citar algumas das longas metragens que realizou. Dele haveria muito a referir, ficando um dos muitos links para a notícia, opção feita por conter, para além da referência, alguns excertos em vídeo.

aqui

10 de abril de 2011

Evasões ou pequenos grandes gostos

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Entrada num grande espaço, lembro-me de procurar um livro referido por uma amiga: Temor e Tremor, de seu título em português, traduz a experiência de uma competente executiva japonesa acabada de se radicar nos Estados Unidos.
Sendo o choque de culturas tema de particular interesse parece, o enredo, conter ingredientes bem condimentados, dado a protagonista, na tentativa de implementar parâmetros apreendidos no país natal, terminar funções na qualidade de empregada de limpeza das instalações sanitárias da firma.

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Não se encontrando o livro disponível no momento da procura, fixo-me nos DVDs. Fugitiva de locais fechados e sobrelotados e, algo limitada pela oferta do momento, acabo por fazer duas rápidas escolhas ditadas por boas memórias: Sunset Boulevard e A Rosa Púrpura do Cairo.
Ao chegar a casa, não posso deixar de sorrir ao estabelecer associação com as opções repentinas de compra. Sem o ter pensado, verifico que ambas se prendem com o fascínio exercido pela sétima arte, mesmo que de perspectivas diversas: no primeiro caso, a das estrelas (mesmo que decadentes), no segundo, a  da espectadora enquanto evasão para um mundo (aparentemente) mais apelativo.
O filme de Wilder continua inabalável ficando a pairar, por algumas horas, a expectativa em relação ao de Woody Allen.

17 de fevereiro de 2011

No escurinho do cinema

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Universo paralelo ainda sonhamos, rimos , choramos a olhar o ecrã e quase acreditamos atravessá-lo, qual Mia Farrow em Rosa Púrpura do Cairo… No presente, fica-se comodamente em casa ou permanece-se em pequenas salas de estúdio, muitas vezes desertificadas ( sempre que povoadas de gritos e vozes têm igualmente algo de  hostil)… Os espaços a perder de vista com plateia e balcão deram lugar a áreas restritas… Assistir a um filme era, no passado, empolgante acontecimento. Os mais velhos da família costumavam contar-nos sobre o aparecimento do sonoro a dar azo a temas musicais como o famoso Teodoro... Em volta da mesa do jantar, com a então numerosa família, ríamos ao ouvir sobre as falhas técnicas dos primeiros filmes sonoros exibidos. Entre diversos relatos hilariantes, ficámos a saber que, muitas das vezes, a vítima morria baleada em patético revirar de olhos e arrepiantes trejeitos de dor e só após o fatal acontecimento se ouvia o disparo da arma de fogo…

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O avanço dos recursos técnicos quase deixou de nos surpreender e algumas longas metragens vivem – atrever-me-ia a dizer que quase em exclusivo -  de efeitos especiais, sem uma história a contar … Algumas produções muito alicerçadas na técnica deixam pessoais sensações de vazio. Sem querer construir uma opinião dual e simplista a defender outras eras da sétima arte, pensa-se que a força residia muito no talento: quando a técnica era incipiente e pregava partidas, muito mais se exigiria, decerto, aos actores , isto genericamente falando...

Para concluir, pergunta-se se identificam os actores nas imagens.

24 de janeiro de 2011

Air France


A Air France promovia assim a sua imagem. com alguns dos grandes nomes do cinema mundial. Identificais?
Clicar para ampliar.

23 de janeiro de 2011

4 de dezembro de 2010

Um filme, um realizador...



(Fonte: Getty images)

Olhando para a imagem, não será complicado responder a que filme pertence e quem foi o seu realizador. Conseguirão adivinhar?

Acertou o Rui da Bica: título do filme - The Men (em português, Desesperado) -realizador - Fred Zinnerman

14 de novembro de 2010

A dança das cadeiras...

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(recebido por mail, fonte não indicada)

Sem deixar de acrescentar - opinião pessoal e´, como tal, discutível - que os genes latinos da actriz (por muitos considerada das mais belas) fazem com que fique mais favorecida com a sua cor de cabelo natural...