
Morreu Óscar Lopes. Guarda-se, dos tempos de juventude, a
obra de autoria conjunta com António José Saraiva, História da Literatura Portuguesa, sempre rigorosa e um título de referência para professores e alunos de Língua e Literatura. Seria exaustiva a listagem do grande legado que ficou, correndo-se o risco de diversos lapsos. Ficará a
menção ao contributo dado às publicações Seara Nova, Vértice e Mundo Literário.
Sem tempo para ler o jornal, acabo de me deter, sem entusiasmo, no noticiário televisivo… Nem
uma palavra sobre o seu desaparecimento, quase após uma hora de emissão pouco profícua (desiste-se da espera...). Ao invés, desfilam, nos destaques, a referência ao comentador da RTP
prestes a entrar em funções (e petições pró e contra...), aos candidatos às eleições num clube de futebol, a
um cantor que comemora 50 anos de carreira (e cujo nome também terá a ver com a
dita), às discussões acesas em torno de uma moção de censura ao governo, a par de dois nomes sonantes de Holywood, hoje na invicta…
Estranhos tempos, os que vivemos. Há dias, comentava-se o facto de uma nota de
imprensa divulgada a órgãos de comunicação que, por vezes, batem à porta pedindo opiniões técnicas, ter ficado na gaveta (houve quem telefonasse no dia do evento, a demonstrar confusão de datas, embora a mensagem tivesse sido clara e enviada com a devida antecedência)… Nela se apresentava um
evento cultural com interesse para… professores. Um dos participantes, de inquestionável
currículo, ao ouvir o desabafo, afirmou «se os professores, ao invés de
discutirem questões técnicas e científicas, estivessem a experimentar, em abundância, todos os vinhos, à hora do almoço, aí, sim, teriam visibilidade». Fica-se em
silêncio, ouvindo silêncios que gritam mais do que as manchetes.
P.S: pensamentos que deveriam ficar só com a própria : será que a escolha de notícias se prende com quem tem a responsabilidade de as tornar destaque, ou com o que se interpreta como sendo o gosto dos destinatários?
Imagem: blogue «A inocência descompensada»