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2 de junho de 2016

the last internationale



os the last internationale são uma das bandas mais promissoras do 'pós-grunge-, que mistura a temática dos velhos cantores folk politicamente comprometidos, com a atitude mais enérgica vinda do grunge e do hardcore.
formados originalmente por delila paz e por edgey pires (um descendente de portugueses de arcos de valdevez), tiverem depois o contributo poderoso do baterista dos rage against machine, que lhes deu mais solidez sonora.



the last internationale, workers of the world - unite!

22 de abril de 2016



a will rogers highway é pouco conhecida como tal.
mas é também a (essa sim) famosa route 66
e normalmente esta canção não entra nas compilações sobre essa estrada. 
will rogers foi um descendente de nativos americanos que se tornou um politico destacado do partido democrata (chegou a participar nas primárias na década de 20) e, pelo meio, realizador de muitos filmes, director de muitos jornais, actor de muitos géneros e tudo e mais alguma coisa...
will rogers é dos primeiros (descendentes de) nativos americanos a não ser tratado como tal e mesmo tendo nascido numa reserva índia é reconhecido como 'o elhor filho de oklahoma.
a ele se atribui a frase: 'todos as pessoas são ignorantes, mas em assuntos diferentes'

woody guthrie, que também escreveu sobre tudo e mais alguma coisa, dedicou esta canção ao seu conterrâneo

woody guthrie, will rogers highway

20 de abril de 2016


a 20 de abril de 1914, faz hoje 102 anos..
os mineiros de carvão do colorado estavam em greve.
a greve, organizada contra a fuel & iron company (da família rockfeller), a rocky mountain fuel company e a victor-american fuel company, procurava melhorar as condições de insegurança, e os salários miseráveis, num negócio que dava lucros elevadíssimos com a construção do caminho de ferro.
concentrados num acampamento na cidade de tendas de ludlow, os mineiros foram atacados pela guarda nacional do colorado e um conjunto de 'detectives' da baldwin–felts detective agency (um bando de arruaceiros especializados em combater grevistas que entravam nas tendas a disparar indiscriminadamente).
até ao final desse ano, a colorado coalfield war continuou a produzir mortes, até a completa aniquilação da luta dos mineiros pelos seus direitos, que ficaram ainda mais reduzidos em consequência da derrota.

woody guthrie, ludlow massacre

3 de janeiro de 2014

home lads home





o refrão desta canção deu origem a (pelo menos) dois poemas sobre a primeira guerra mundial.
este, feito por um soldado do hampshire saudoso da sua terra natal, serviu para sarah morgan compor a música que o acompanha.
existe uma outra versão da história que põe cicely fox smith com autora do poema (existe um poema no seu livro songs and shanties chamado homeward que usa o mesmo refrão).
outras versões foram feitas do estilo 'home boys home', mas todas mantendo a ligação às saudades de casa de alguém que está na guerra.
tropecei nesta música através de um hoje raríssimo disco de roger watson (chequered roots) em que charlie watts (não é esse...) tocava.
aqui volto a apanhar charlie watts (não é esse..)  com a sua mulher nos frayed knot...
é uma canção de fim de tarde..  e de saudades 'da terra'

29 de novembro de 2013

George Harrison 12 anos após a sua morte


Dia 29 de novembro de 2001. Entro no carro, rumo ao trabalho. Na rádio, fico a saber pela abertura do noticiário que ficámos mais pobres. Entre um legado muito próprio deixado pelo músico, o filme documental de Martin Scorsese reaviva-nos a memória…

“Revolver” é o primeiro álbum de viragem na carreira dos Beatles, explicado pelo interesse de George pelo Oriente. O trabalho discográfico que se lhe segue, “Sargent Peppers”, apresenta um único tema de sua autoria, “Within you without you”, peça emblemática da corrente que inaugura. A principal temática das composições – amor e sociedade – corresponde à dos restantes compositores do grupo, fazendo a diferença pela preocupação evidenciada  em se afastar de meras constatações, com a marca de uma visão do oriente que tenta ir além do ego, visível no lamento expresso em “I Me Mine”. A partir de 1970, com carreira independente, Harrison vê editado o trabalho “All things must pass”, cujas composições realçam a vontade pessoal e a liberdade individual, com destaque para o tema “Run of the mill”. Estereótipo, enquanto beatle, de se preocupar em excesso com questões financeiras surge, no entanto, a anedota contraditória, vinda dos tempos do “Cavern Club” de Liverpool: uma jovem fã deseja entrar, não tendo dinheiro. George passa discretamente, a um empregado, a quantia, dizendo-lhe “dá-lho, mas não lhe digas de onde veio”.


Como destaque, a organização do concerto para Bangladesh, que por cá passou em longa metragem. A origem da iniciativa deve-se a uma visita do seu velho amigo Ravi Shankar “my friend came to me with sadness in his eyes/said he wanted help before his country died.”. Para realizar o concerto, George consegue arrancar Eric Clapton e Bob Dylan ao parcial afastamento em que então se encontram. Pouco mais se ouve falar em George, até ao início de uma digressão norte americana, com Shankar e a sua orquestra de 18 músicos indianos, Billy Preston, Willie Weeks e Tom Scott (músico que acompanha Joni Mitchell nos seus concertos em LA). Os concertos norte americanos de George são então apresentados em 27 cidades lançando-o, de novo, para a ribalta.

I me mine
Bangla Desh Song

Imagens e informação: The fabulous story of John, Paul, George and Ringo, Octopus Ed. in association with Phoebus

8 de outubro de 2013

à memória de phil chevron



philip chevron foi um dos mais criativos músicos irlandeses e um dos seus maiores conhecedores.
subvalorizado até há muito pouco tempo, mas ainda a tempo de poder participar num enorme concerto em sua homenagem por quase todos os grandes nomes da música irlandesa.
com os radiators, os pogues, com amigos de circunstância, ou na sua loja de música, philip chevron foi um exemplo de discrição (até pelo contraste de alguém que andou pelo punk e depois o fundiu com a música tradicional irlandesa).
esta noite, depois de uma prolongada doença, philip chevron morreu.
ficamos com a sua memória.
e a sua música.

phil chevron & spider tracy

23 de abril de 2013

richie havens



"i didn't know what i did.
i just did it and didn't call it anything except music."

pode ter sido 'apenas' música.
mas seguramente richie havens foi das vozes mais importantes na luta pelos direitos humanos.
já aqui falamos muito sobre a importância da música de richie havens, mas todas as vezes são pouca.
agora, que não vai poder cantar mais em nossa defesa, resta o agradecimento pelo que fez e pelo que foi.
e fica uma obra imensa, mesmo que sempre ao lado do grande reconhecimento.


richie havens, freedom

1 de fevereiro de 2013

paco ibanez e sasha waltz na gulbenkian

não juntos!!
mas ainda assim, os dois.



este domingo, paco ibanez vai à gulbenkian cantar os poetas da américa latina.
de nicolás guillen, césar vallejo, pablo neruda.
a lotação está esgotada e não me vai ser possível rever um dos maiores cantores da lingua castelhana.
relembro uma noite mágica no largo central do seixal em que paco ibanez mostrou como continua a ser uma voz cada vez mais necessária.
no domingo seguinte, dia 10, é a vez da companhia de sasha waltz regressar a portugal.
aqui falei dela a propósito do deslumbrante 'dido and aeneas'.
desta dez, a sua proposta é, com mark andre, realizarem um concerto coreográfico (gefaltet) onde exploram os sons e os silêncios na música de mozart e do próprio mark andre.
o resultado só pode ser algo a absolutamente não perder!!!


paco ibanez, andaluces de jaen


sasha waltz, mark andre, gefaltet





20 de dezembro de 2012

gareth malone, ou a música como serviço público




o meu conhecimento de gareth malone não vem, ao contrário da maioria das pessoas, da premiadíssima série ‘the choir’, mas dum programa que em tempos realizou sobre as canções de marinheiros: shanties and sea songs with gareth malone'.
um excelente programa que parte de portsmouth, no canal da mancha e vai até gardenstone no norte da escócia para aí perceber a participação das mulheres na vida e nas canções sobre o mar.
pelo meio é uma lição sobre este património notável que os britânicos souberam preservar como ninguém.

mas os shanties são apenas uma das paixões de gareth.
a sua maior paixão parecer ser uma espécie de vontade indomável de por o reino unido a cantar e realizar essa enorme tarefa como uma espécie de serviço público.
a sua obra mais visível e premiada, é o programa ‘the choir’, onde gareth cria coros a partir de gente pouco provável para cantar em grupo.
a primeira experiência começou em 2007 numa escola nos subúrbios de londres (northolt high school), depois a série continuou com ‘boys don’t sing’, ‘unsung town’, gareth malone goes to glyndebourne, military wifes ou sing while you work.
nestes programas trabalha com jovens problemáticos, mulheres de militares no afeganistão, trabalhadores de hospitais, correios ou aeroportos.
dois programas têm para mim uma especial importância: ‘the big performance’, onde trabalha com 10 adolescentes vítimas de gozo e violência na escola e com dificuldades de auto-estima e os prepara para um concerto com milhares de pessoas ao vivo e uns milhões na televisão.
outro, com pouca música envolvida, ‘extraordinary school for boys’, é um trabalho notável de recuperação de um grupo de quase 40 miúdos dos 5º e 6º ano de uma escola pública com dificuldades na leitura e na expressão oral, e com um atraso significativo relativamente às raparigas da mesma idade da mesma escola.

gareth malone tem um ar de puto simpático contagiante e uma notável capacidade de gerar confiança naqueles que o rodeiam.
gareth malone fez serviço público!!!
ainda bem que o faz.

extraordinary school for boys, ep.1   

(os dois restantes rapidamente se encontram no youtube junto a este, bem como de todos os seus programas e ter uma noção do notável trabalho realizado por gareth malone)

14 de dezembro de 2012

f, de flamenco




a minha relação com o flamenco tem 3 episódios marcantes:
a primeira vez que me cruzei verdadeiramente com ele foi a falar sobre ele.
estava eu numa discoteca (entenda-se loja onde se vendem discos) em zamora nos idos de 70 e, ao mesmo tempo que fazia um ‘download ilegal’ duma cassete dos beatles com o seu último trabalho, ‘dejalo así’, a minha conversa com a funcionária da loja versava sobre uma cassete de flamenco que estava a tocar.
à minha afirmação de não gostar daquele estilo, ela me respondia que para gostar era preciso compreender.
ainda hoje lhe estou grato.
não por estar distraída para com a edição em castelhano do ‘dejalo así’, mas pelo sábio conselho que me deu.
o segundo encontro com o flamenco foi na década seguinte no filme de carlos saura, carmen.
carmen é uma espécie de aula prática sobre o flamenco, a postura, a intensidade, a entrega, a emoção. um elenco de luxo com antónio gades, laura del sol, paco de lucia, cristina hoyos e pepa flores (essa mesmo, marisol).
antónio gades, ao explicar como se deve dançar fez-me finalmente compreender o flamenco e aquela atitude ‘de galo’ que eu odiava.
as companhias de teatro, dança e os músicos, deviam vender bilhetes para os ensaios, que normalmente são muito mais interessantes que os concertos.
o terceiro, um pouco mais tarde, foi o primeiro verdadeiro concerto ao vivo de flamenco a que assisti:
o enorme el pele.
lembro o ar entusiasmado com que el pele apresentou um rapaz que estava a tocar com ele e de quem prometeu um enorme futuro, vicente amigo. tinha razão! é seguramente um dos melhores guitarristas de flamenco de sempre.
depois foi a descoberta natural de nomes como cameron de la isla, paco pena, tomatito, diego el cigala, enrique morente, os pata negra.
devo â funcionaria da discoteca de zamora, a antónio gades e a el pele o meu gosto pelo flamenco.
bem hajam.
em 2010 a unesco declarou o flamenco como património da humanidade.

aqui podem ouver um dos programas da série que a televisão da andaluzia realizou sobre o flamenco.
é uma excelente porta de entrada.

el sol, la sal y el son

13 de dezembro de 2012

o frevo, património da humanidade


na reunião realizada em paris de 3 a 7 de dezembro (sim, deste dezembro de 2012), a unesco declarou o frevo como património imaterial da humanidade.
o frevo é, na sua essência, a música do povo do recife.
a mistura dos géneros musicais que lhe estavam nos ouvidos: as marchas, as quadrilhas e as polcas que as fanfarras tocavam no final do século passado.
dessa mistura de sons com os passos de capoeira que o povo pernambucano tinha nas pernas nasceu o ‘passo’, que é a dança com que exteriorizam o efeito que aquele ritmo tem no povo.
originalmente o frevo era apenas isso: uma banda tocando e o povo atrás dançando.
depois, a criação de grupos fez com que as lutas entre bairros se tornassem demasiado comuns a cada desfile de carnaval.
o frevo faz ferver.
como acontece sempre nestes casos, os desfiles organizados com uns a dançar e outros a assistir não tardaram.
felizmente o povo pernambucano é sábio e tratou de organizar a ‘galo da madrugada’: um imenso desfile onde todos dançam desde as 7 da manhã até ao final do dia com uma imensidão de trios eléctricos.
 estes trios começam de facto com um duo electricamente amplificado (dodô e osmar macedo) em cima duma fobica, ou velho ‘ford a’, e sim, no ano seguinte, em 1951, com mais um membro, os 3 a formarem o primeiro verdadeiramente trio eléctrico.
hoje os trios não são trios e têm muito mais electricidade em cima de enormes camiões.
mas o galo da madrugada é, sem dúvida, o garante para o frevo continuar nas mãos, nas pernas e nas gargantas do povo.
‘atrás do trio eléctrico só não vai quem já morreu’ cantava o caetano veloso nos idos de 60.


spok frevo orquestra - as três modalidades do frevo (uma verdadeira aula !!)


12 de dezembro de 2012

Ravi Shankar: um sitar a ecoar na memória

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Deixou-nos Ravi Shankar, deixando-nos descendência musical em Norah Jones. De uma geração em que ainda permitiu o relance (em filme) do festival de Woodstock, a lembrança de um tema com que se cresceu. O seu sitar, esse tocará sempre.

Ravi Shankar, family and friends

30 de novembro de 2012

as polifonias, danças e rituais de shoplouk




as muito popularizadas ‘vozes búlgaras’ devem grande parte do seu reconhecimento na europa central e ocidental após a divulgação nos anos 80, pela famosa editora inglesa 4ad, de um álbum chamado ‘le mystère des voix bulgares’ (a ‘lenda’ diz que foi peter murphy, dos bauhaus, que levou um dia uma fita à editora inglesa).
o nome em francês deve-se seguramente a uma primeira edição feita pelo etnomusicólogo marcel cellier nos disques cellier.
após essa divulgação por uma reputada editora virada para os sons rocks alternativos, a atracção pelos sons modais e as harmonias dissonantes da bulgaria tornaram-se uma moda na europa.
esta maior popularidade desta música ajudou a que outras tradições mais ‘escondidas’ pudessem vir a lume.
o reconhecimento pela unesco, como património da humanidade, das polifonias, danças e rituais de região de shoplouk, vem salvaguardar esta tradição menos exposta que os grandes grupos ‘sinfónicos’ da polifonia búlgara.
hoje, na bulgaria como na maior parte do mundo, grande parte destas músicas já não não estão associadas a rituais antigos pré-cristãos ou aos trabalhos agrícolas que lhe estiveram na origem e sobrevivem no roteiro das 'músicas do mundo'.
a babi bistritsa constrói-se sobre uma base diafónica (duas vozes a cantar uma melodia em jeito ‘gritado’ próprios das canções de ar livre) com duas ou três linhas de sons monótonos e constantes que serve de base harmónica (por vezes dissonante)
claramente menos espectacular que os grandes coros polifónicos búlgaros, a beleza destes sons não deixa nunca de surpreender pela ‘voltas’ escondidas.

bistritsa babi



29 de novembro de 2012

el cant de la sibil.la




como penso que acontece com a esmagadora maioria das pessoas fora da ilha de maiorca e do resto dos paisos catalans, o meu conhecimento do canto da sibila vem de jordi saval e de montserrat figueras.

o canto da sibila é uma tradição originalmente de mallorca cantada na noite de natal.
é uma drama catastrófico sobre o fim do mundo e as penas dos pecados, saído da apropriação pelo cristianismo da profecias de sibila, uma personagem comum no universo grego e romano.

al jorn del judici
parrà el qui haurà feyt servici.

assim começa o canto.
sibila, do alto do presbitério canta, sobre uma música gregoriana, o dia do juízo final, ao que o povo vai respondendo no final de cada estrofe com aquele primeiro fragmento.

os textos podem variar conforme os locais, mas a base é a mesma:
 no final as contas serão feitas e a coisa não vai sair barata…

no ano de 2010 a unesco classificou como património imaterial da humanidade esta tradição que vem da idade média e sempre se manteve por aquelas partes ininterruptamente, não obstante as diversas proibições ou entraves que a igreja lhe foi colocando.

el cant de la sibil-la, na igreja de sineu, mallorca, biel mas


el can de la sibil.la, barcelona (cor francesc valls, eulalia fantova)

28 de novembro de 2012

a polifonia albanesa, um património da humanidade




pelos anos 70 tropecei na música polifónica albanesa por via do meu interesse pelo país e pela descoberta do festival de gjirokastra.
na sequência de umas perguntas feitas e de uns livros sobre tradições populares trocados com a academia de ciências da albânia, passei a receber regularmente algumas publicações daquele organismo no que às tradições populares diziam respeito (e mais umas sobre arqueologia… em albanês, que é um pouco como chinês para mim).
a verdade é que o meu primeiro contacto com as polifonias balcânicas foi com a música tradicional da albânia, através de uns ep’s editados pela provavelmente defunta artimpex, de tirana, e seguramente prensados na china.
tirando algumas óbvias alusões laudatórias ao partido e à defesa da pátria (coisa que não me incomodava nada...) as polifonias albanesas eram de uma riqueza imensa.
normalmente em 2 partes (como acontece em muitas músicas da bacia mediterrânica): um solo e resposta polifónica sobreposta ao solo, variam no entanto na forma, contínua ou não, conforme os cantores utilizam respirações alternadas ou simultâneas.
fundamentalmente cantado por homens, com poucas exepções (um pouco divergente  da vizinha bulgária onde as polifonia femininas são muito comuns), estas canções continuam a manter a tradição de, ao temas naturais da vida do campo, juntar as temas patrióticos.
no entanto, ao contrário de outros locais onde o circuito das chamadas ‘músicas do mundo’ tem permitido o desenvolvimento e salvaguarda destas tradições musicais, as polifonias albanesas não conseguiram penetrar nesse tão apetecido mercado.
o risco de desaparecimento, não obstante a declaração, em 2008, de património imaterial da humanidade, é cada dia maior.
é tempo de ouvir antes que apenas restem umas memórias do que foi.


Flaka Mbuloi Fshane



um ano depois do fado, vamos a outras músicas




há um ano por esta altura estavam os portugueses inchados com a classificação do fado como património imaterial da humanidade.
como acontece normalmente com os portugueses, inchamos, desinchamos e passamos.
o fado não ficou nem mais forte nem mais fraco por via da classificação, as prometidas edições dos clássicos do começo do século não viram a luz do dia e os imensos estudos sobre a guitarra portuguesa não tropeçaram no prelo.
mas se o fado manteve a sua vitalidade sem isso, não irá morrer por falta disso, seguramente.
para comemorar a classificação fadista, e ao jeito aqui da casa, iremos inaugurar a semana (que como a guerra dos 100 anos não tem que durar exactamente o tempo que o seu nome indica) das músicas classificadas pela unesco.
falarei daquelas que eu gosto mais ou que conheço melhor, como está bom de ver.
serviço público tem limites…




há uns tempos (em 2006..) falei aqui do ‘canto a tenore, da sardenha, da sua classificação e da não classificação do fado e do cante alentejano. uns anos depois o assunto foi tratado e alcançado parcialmente. falta o cante, já que as polifonias minhotas parecem estar perdidas para sempre e os lhaços mirandeses continuam enredados no meio dos paulitos do esquecimento.
hoje volto ao assunto do 'canto a tenore'.
este é o canto tradicional dos pastores da sardenha.
uma polifonia a quatro vozes (bassu, contra, boche e mesu boche), cantada em círculo e um pouco como no cante alentejano, o solista lança o começo da quadra e os restantes abrem a polifonia, com o bassu e o contra num estilo muito próximo do que usam os cantores de tuva com o seu canto gutural.
a forma de canto em círculo dá um som mais compacto para quem ouve e melhora a afinação para quem canta. o som grave do bassu serve de apoio e dá o ´tom' de terra à música.
o ‘cante a tenore’ mantém-se vivo nas tascas da sardenha e ganha a vida, felizmente, nos circuitos da chamada música do mundo.
nós agradecemos.

tenores di bitti, explicação do processo de canto


tenores de bitti 'mialinu pira', ballu lestru


25 de outubro de 2012

Paris: Rolling Stones dão esta noite concerto surpresa

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(imagem: make-up-addict.over)

Os Rolling Stones vão apresentar-se hoje em Paris, num breve concerto, revelou o grupo no Twitter, provocando enorme agitação. O concerto de curta duração, terá lugar no Trabendo, sala do nordeste parisiense (La Villette), com capacidade para 700 pessoas. Só 350 bilhetes foram postos à venda, deixando antever um elevado número de convidados. O guitarrista Ronnie Wood referiu à publicação britânica NME, que a banda se deslocaria a Paris e tencionava surpreender com concertos surpresa em pequenos auditórios. Os bilhetes, com o preço de 15 euros, foram vendidos em número limite de dois por pessoa. Tudo isto foi preparado em secretismo «há 10 dias, recebemos a visita surpresa do responsável pela tournée dos Stones e do produtor, ligado às Encore Productions» - disse à APF Alexis Bernier, co-diretor do Trabendo, «ficámos a saber que tinham visitado todos os auditórios parisienses com uma capacidade de 300 a 800 lugares. Contactaram-nos alguns dias mais tarde, para nos informar que a sala correspondia ao universo artístico, sem mais nada dizerem»- acrescentou. Quanto ao perímetro de segurança, tudo é controlado pela comitiva dos Stones« eu encontro-me nos escritórios do auditório, mas não tenho sequer acesso à sala!», acrescentou Bernier. Na manhã de hoje, um perímetro de segurança tinha sido instalado nas imediações do Trabendo, sala carismática onde se apresentam os novos talentos. Os fãs esperavam juntavam-se junto à megastore da Virgin, na Av. dos Campos Elíseos, único ponto de venda dos bilhetes. A notícia só foi posta em circulação à meia noite de quarta feira. Desde então, formou-se uma pequena multidão a tentar conseguir ingressos. À chegada era distribuída uma senha com um marcador indelével, o que permitia a compra dos bilhetes. «É excecional poder vê-los nestas circunstâncias»- exclamava Juan, um sexagenário que correu para as instalações da Virgin, assim que ouviu a divulgação na rádio. Na segunda feira será diferente o público que vai assistir ao espetáculo da banda -  convidados privilegiados da Carmignac, uma sociedade francesa de gestão que cresceu de modo significativo nos 10 últimos anos encontrando-se, na atualidade, entre «os pesos pesados» do continente europeu. Gerindo fundos superiores a 53 bilhões de euros, a Carmignac possui  meios para oferecer aos seus clientes como “prenda” a mítica banda de rock. Depois de Paris, os Stones devem dar, até ao fim do ano, 4 concertos em Londres e nos Estados Unidos, mas com entradas que irão ascender a cerca de 500 euros.

Fonte: L'internaute magazine

21 de outubro de 2012

rokia traore hoje na gulbenkian !!!

hoje, 21 de outubro, estará no grande auditório da fundação gulbenkian aquela que é seguramente a maior voz feminina da musica do mali.
aqui falei dela a propósito de questões laterais.
volta aqui hoje à casa exclusivamente por si só e pela qualidade da sua música.
numa terra cheia de excelentes músicos masculinos, rokia traoré ousou desafiar os preconceitos e começar a cantar no feminino.
a sua vinda a lisboa, dentro do ciclo 'músicas do mundo: roots' da temporada de música da fundação, será um retorno à tradição mandinga.
será um oportunidade excelente para ver e ouvir, a preços razoáveis, uma das mais importantes vozes de áfrica.
a ir !!



18 de janeiro de 2012

gustav leonhardt, smooth rage against the machine

gustav leonhardt foi um daqueles músicos que, não sendo um criador no sentido da composição, ombreou com os maiores criadores porque a forma como os tocava era como se una nova criação se tratasse.
tive a imensa sorte de ter assistido ao vivo à maioria dos músicos que admiro (e gosto de muitos em muitos géneros muito diferentes).
com alguns deles, muito poucos, a sensação que se tem na sala é de uma espécie de aura musical que começa mal o músico entra.
é como se a música começasse logo naquele instante da aparição e se mantivesse como magia ao longo do concerto (mesmo que nalguns a energia possa fazer cair o suor em bica).
gustav leonardt tinha essa aura.
a música era muitíssimo mais que aquele conjunto de acordes. era magia pura.
como li algures, era smooth rage against the machine...