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24 de julho de 2013

Campanha da cal


Quase sempre na vida quotidiana, e na política também, são as coisas simples que melhoram a nossa qualidade de vida.

23 de junho de 2013

Festas Populares


De Norte a Sul de Portugal, aldeias, vilas e cidades enfeitam-se para as suas gentes festejarem o seu santo padroeiro.
A tarde está a cair, a festa vai começar!

10 de março de 2011

louvor da comissão para o património cultural imaterial


no começo deste ano foi publicada no diário da república a constituição de uma comissão para o património cultural imaterial.
muitas vozes se têm levantado nos últimos dias contra a falta de material apresentado pela comissão que tem como missão inventariar o imaterial.

discordo completamente!!!

esta foi uma comissão que atingiu em pleno as funções para que foi criada, mal entrou em funções.

os bens imateriais dum povo são aqueles que, vindo da tradição e da herança cultural dos povos, não se podem materializar como uma qualquer obra de arte ou obra palpável.

mas são aquelas que constituem a base dos nossos genes enquanto povo.
um dos nossos traços mais característicos e definidores enquanto povo, é a capacidade de criar comissões como azedas na primavera.
aquilo que os anglófonos definem como brainstorming quando começam a pensar em qualquer coisa, existe em português como ‘comissão para’.
e se uma comissão criada para inventariar o património cultural imaterial português colocou do topo e na primeira linha das suas obras precisamente a imaterialidade do seu próprio trabalho, é uma comissão constituída por génios.

a eles me curvo (não muito porque eles podem ter ideias parvas, já que não têm nada que fazer...)

29 de dezembro de 2010

o mundo visto de fajão, ou o que dava conto das abelhas e não das colmeias




um dia o pascoal foi ao val'da cal contar as suas 27 colmeias.
contava, recontava, voltava a recontar e não lhes dava conto.
como não dava conto das colmeias decidiu contar as abelhas.
tantas abelhas contou e recontou que lhe faltava sempre uma.
saiu à cata dela pela serra e encontrou-a nas pedras d’hera com 7 lobos de volta dela a comer-lhe os bocados.
agarrou no cajado e atirou-o aos lobos que fugiram e deixaram os restos da abelha, mais morta que viva, no meio do mato.
o pascoal apanhou os restos da abelha e espremeu-os tão bem que deitaram 7 canadas de mel.
como não tinha onde colocar o mel, tirou 2 piolhos das costas e, com a pele dos piolhos, fez dois odres para guardar o mel.
o pascoal tentou colocar os odres de mel às costas mas, cansado da busca pela abelha, não lhes pôde com o peso.
olhou em volta para ver o que lhe podia acudir, apanhou uma carriça e colocou-lhe os odres com as 7 canadas de mel em cima para os transportar para fajão.
quando sentiu a carga em cima, a carriça voou para cima dum carvalho.
o pascoal, ao ver o mel a voar no lombo da carriça, atirou-lhe com uma machada que desapareceu no mato.
sem mel nem machada, o pascoal deitou fogo ao mato.
a carriça voou com o mel.
ardeu o mato, o carvalho e a machada e o pascoal ficou com o cajado
(para os não fajaenses, o 'pascoal' é o contraponto popular ao 'juiz' e aos 'fidalgos'. muitas das histórias de fajão se centram nestes 3 grupos: os do juiz com a esperteza de um 'magistrado' cheio de sabedoria popular, os fidalgos com o surrealismo do 'só génios somos 5' e o 'pascoal' com um surrealismo fantástico cheio de inocência.. o meu preferido e o meu conhecido.. espero que os fajaenses não me matem por esta 'fixação' em escrita da história do mel

21 de dezembro de 2010

Insólito baptismo



Admirei-me com o bizarro nome do barco e fui ao dicionário online Priberam confirmar o significado.

galdéria
(feminino de galdério)
s. f.
Pop. Mulher dissoluta. = PROSTITUTA

galdério
(origem obscura)
adj. s. m.
1. Pop. Vadio.
2. Esbanjador, gastador.
3. Intrujão, trampolineiro.

http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=galdéria

Que história estará por detrás deste insólito baptismo?

Quem adivinha onde foi tirada esta foto?

27 de outubro de 2010

Nem só de cantochão vive o Alentejo: divulgação cultural


Dando prova de grande coragem e determinação, três indómitos pesquisadores confirmam na publicação anexa que no Alentejo se dançava, dança e dançará.
O lançamento será no Museu da Música Portuguesa, no Monte Estoril, e teríamos o maior prazer em vos ter como testemunhas desta arrojada afirmação, que contraria o falsa ideia que por aquelas terras apenas se bandeavam alguns cantadores nas deslocações entre tabernas.
Com amizade,
Domingos Morais

Museu Verdades de Faria,  Monte Estoril, na próxima sexta-feira às 18h30.

6 de maio de 2010

Quem pintou assim?

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Autoria de D. Carlos I de Portugal ( o Martirizado )- que para além de pintor, tb era cientista e agrário.
Em muitas pinturas assinava como "Carlos Fernando"

António Lino acertou: "Era um excelente pintor, ao nível dos nossos naturalistas "maiores", cujo trabalho merece ser divulgado."
Parabéns!

12 de novembro de 2009

confraria das quê???

esqueçam tudo o que já pensaram sobre a confraria dos nabos....

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trocarão receitas?
lutam pela preservação e divulgação das almas?
terão feito uma petição para anular o decreto do bento 16 que determinou o fim do limbo (tornando inúteis as rezas pelas almas do purgatório...)?

11 de novembro de 2009

Preservar a nossa identidade: o S. Martinho

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... e porque os jovens só aprendem a valorizar aquilo de que se lhes fala de modo entusiástico, um dos motivos para apreciar o local de trabalho é ver pessoas como a A. Desde sempre a vi transmitir magia a tudo em que se envolve, passando este gosto aos jovens do curso profissonal de hotelaria. Na minha escola sempre se comemorou o S. Martinho... e acredito que será uma prática a continuar ao longo dos tempos.


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27 de agosto de 2009

são joão d'arga

ou a grande festa do minho está de volta !!!!!


a noite de amanhã, dia 28 de agosto, vai ser seguramente a grande noite do minho.
já aqui vos tinha falado daquela que eu considero ser a verdadeira festa popular minhota: o são joão d'arga.

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para quem estiver por aqui, deverá obrigatoriamente juntar-se aos que sobem desde vila praia de âncora até ao cimo da serra d'arga numa romaria genuinamente popular com centenas de tocadores e cantadores e com paragem obrigatória em muitas 'capelinhas' do caminho para lubrificar as gargantas.
e chegar ao cimo bem embebido no espírito da festa:
preparado para uma desbunda frenética de música regada a copos de aguardente com mel.
mesmo que não tenham verrugas, não estejam encalhados ou a potência não vos falte, esta é uma daquelas festas em que devemos participar obrigatoriamente. a thing to do before you die, como diriam os algófonos.
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se gostam de vocês, não se esqueçam do são joão d'arga:
é na noite de 28 de agosto (saida da a28, arga (s.joão)/dem).

não se perdoem se a perderem!!!!

1 de agosto de 2009

as gerações ramalho e o futuro dos barristas de barcelos, parte 2

há uns tempos falei aqui sobre as várias gerações de descendem de rosa ramalho.
a neta, júlia ramalho, é hoje o nome mais marcante da olaria barcelense, o que, numa zona que conta as irmãs côta (nomeadamente a júlia, que me perdoe a emília), a conceição sapateiro ou uma infinidade de excelentes artistas do figurado descendentes de famílias tão ilustres no barro como os mistério ou os baraças, continuar a manter na família uma espécie de legado de referência do figurado é obra de monta.
júlia ramalho já há muito deixou continuidade na obra nos seus filhos teresa e antónio, hoje com trabalho perfeitamente autónomo e caminho seguro pela frente.

mas ontem tive a grata surpesa de ver a novíssima geração ramalho.
uma das netas de júlia ramalho, inês, ao que parece por indicação do tio antónio, decidiu fazer umas peças para a mostra de artesanato.
a inês parece tem aproximadamente a idade da avó júlia quando vendeu a primeira peça (aos 10 anos, a antónio quadros, o mesmo que 'descobriu' rosa ramalho há muitos anos).
não faço ideia se as peças que lhe comprei ontem foram as primeiras que vendeu.
gostaria de acreditar que sim, embora isso seja pouco importante.
o importante aqui é que as peças da inês são lindíssimas.
se a tetravó rosa fazia 'os bonecos' com o que tinha na sua riquíssima imaginação, a inês faz os bonecos com aquilo que são as suas referências diárias.
pode ser que alguns puristas se escandalizem, mas eu acho absolutamente deliciosos estes bonecos directamente influenciados pelos desenhos animados japoneses, das pukas aos pokemons.



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ontem, em conversa com júlia ramalho (e um padre local pelo meio), aprendi também imenso sobre a sua avó rosa.
e fiquei muito contente por saber que um post meu chegou até uma parte da família que emigrou para o brasil nos anos 20 e os actuais primos estão em contacto.

28 de julho de 2009

guimarães, pela noite



há uns dias, antes do concerto dos
bishop allen no centro cultural vila flor, respondi a um longuíssimo inquérito sobre a vida cultural de guimarães e outras questões acessórias para fazer contas ao dinheiro que as actividades culturais podem trazer para a cidade.
numa dessas 300 perguntas sobre tudo, questionavam-me sobre 3 coisas a que associava o nome de guimarães.
escrevi 'centro histórico' rapidamente e pensei algum tempo até escrever 'vitória', 'o vitória'.
não consegui encontrar o terceiro.
no domingo regressei. jantar com o meu irmão e a minha cunhada.
coisa difícil ao domingo à noite, com (quase) tudo fechado.
queria ver o concerto dos
mu e ter um jantar
tive um excelente jantar, mais pela companhia que pela comida e assisti ao concerto... da janela do restaurante.
os mu são excelentes músicos, embora um pouco 'curtos' de criatividade. lá chegarão. espero.


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desculpem.... abre-se abrindo e fecha-se fechando?
quem terá sido a ave rara que mandou colocar estes sinais?

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é sempre bom saber que a menina transmontana andreia rio conta com o apoio das farturas brunato...
a informação é indispensável para o progresso das nações

23 de junho de 2009

o são joão volta a atacar

como sabem os que aqui me conhecem, entre o são joão do porto e o de braga, eu escolho o de barcelinhos.

e hoje é noite do dito.

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começou esta tarde com a inauguração da cascata sãojoanina com direito a bombos e gaitas de foles.
e como qualquer boa inauguração, ainda com os acabamentos a meio.

logo será a noite da banda plástica. a mítica banda de barcelos, que os de barcelinhos reivindicam para si a origem.

3 de janeiro de 2009

O padrinho


Vi-o na loja com um ar bocado triste e adoptei-o. Já está. Entre outros vícios tenho os dos bonecos de barro.

20 de julho de 2008

1 de julho de 2008

o galo de barcelos


o galo de barcelos é, seguramente, a principal personagem do ‘figurado’ barcelense.
não sendo claro quando se começou a fazer este ‘figurado’ galináceo, duma coisa podemos ter a certeza: só tem o apelido de barcelos há, relativamente, pouco tempo.
a razão é simples: a principal zona do actual concelho de barcelos onde se produz o figurado fazia parte do concelho do prado até 1855.
daí que o figurado, ainda durante o começo do século passado, fosse conhecido como a ‘olaria do prado’.
e durante muito tempo o galo não teve um tratamento preferencial relativamente aos outros animais que acompanhavam a vida dos barcelenses e que serviam de modelos naturais para os oleiros: os galos, os bois de trabalho, as cabras, os cães, os sardões, tudo o que rodeava os oleiros lhes servia de modelo.
a autoria do actual galo de barcelos é um assunto bastante discutido e com defensores de diferentes paternidades.
um dos mais citados como sendo o ‘pai do galo’ é joão domingos rocha, pai da conhecida ceramista rosa cota e avô das irmãs júlia e emília cota, hoje figuras incontornáveis do figurado barcelense. rosa cota várias vezes reivindicou essa condição para o seu pai (que nunca se terá preocupado em reivindicar coisa alguma), e no mesmo sentido seguiram as suas netas.
joão macedo correia, um dos maiores estudiosos do figurado de barcelos, afirmava em 1960 que o ‘primeiro galo tinha sido modelado pelo emílio do parral, irmão do mudo do parral’, para o qual francisco de sousa, ainda muito novo, ‘apenas abriu na roda o pedestal e o corpo’. no entanto, anny tual-bordier escreveu no seu ‘premier rencontre avec la poterie de barcelos’ que 'foi em 1927, em braga, na feira de amostras do minho’ que o seu formato e decoração mudaram’ e que ‘o seu primeiro autor teria sido afinal francisco sousa, o popular ti francisco do monte’ e que o seu amigo, irmão do mudo do parral, desolado por ver muitos dos seus galos partirem no forno, teve a ideia de fabricar a base e o corpo do galo na roda. como não sabia trabalhar na roda, terá pedido a francisco sousa que o fizesse.
não andamos muito longe uns dos outros: de joão domingos rocha, ou coto como toda a sua familía ainda hoje é conhecida: cotos e cotas (ao que parece devido a um antepassado a quem faltavam algumas pontas dos dedos), ao mudo do parral, ou o irmão emílio, ou a francisco sousa, andamos sempre num circulo fechado de pessoas em redor das quais o galo, que sempre fez parte do figurado barcelense, se começou a encaminhar para aquilo que é hoje.

mas o que transformou aquilo que poderia nunca ter passado de um dos temas do figurado barcelense num ícone nacional?

duas pessoas foram determinantes para essa transformação:
antónio ferro e gonçalves torres.

antónio ferro foi um dos principais arquitectos do fascismo. e um dos seus homens mais perigosos.
perigoso porque, ao contrário da imensa maioria dos fascistas, era inteligente e culto.
e usou essa inteligência e cultura para a construção da imagem do fascismo português.
era necessário criar o estereotipo do português honesto e trabalhador; pobre mas honrado, de muitas graças a deus e poucas graças com deus e uma postura um pouco altiva e orgulhosa em coisas que não fossem realmente importantes para a sua emancipação, liberdade e afirmação enquanto povo: orgulho no império do minho a timor, orgulho na ilusão de ter o melhor vinho, a melhor comida, a música mais melodiosa, as paisagens mais bonitas, as aldeias mais bonitas... tudo coisas que a imensa pobreza do povo português não tinha oportunidade de comparar.
em 1933, antónio ferro, cria o secretariado da propaganda nacional e rapidamente passa ao ataque.
no ano seguinte avança com a 1ª exposição colonial portuguesa, no ano seguinte levou a genebra uma enorme exposição de arte popular e a partir daí nunca mais parou.
em 1938 realiza o concurso da aldeia mais portuguesa e escolhe para troféu um galo de prata. mas se estava escolhido o símbolo, ainda não estava determinada a forma.
fazia parte da estratégia de antónio ferro a construção de uma série de elementos que servissem de icones históricos e culturais duma identidade nacional única.
e nada melhor que as comemorações centenárias (onde se cometeram alguns crimes com a alteração do castelo de guimarães ou do paço dos duques de bragança, já que era necessário que o local ‘onde nasceu portugal’ tivesse a dignidade do começo dum império, e o mesmo se passou no castelo da capital do império) para a massificação da divulgação do objecto escolhido.
como não existia um símbolo da cultura popular (já que a ‘aldeia mais portuguesa de portugal’ não era fácil levar às costas) era necessário pegar num e promovê-lo massivamente.
e essa escolha caiu sobre o galo de barcelos, no qual antónio ferro viu potencialidades para os seus propósitos.
o destaque que teve no pavilhão do centro regional e na reconstituição das aldeias portuguesas (e que mais tarde serviu de base para o museu de arte popular no final da década de 40) foi determinante para esse efeito unificador de símbolo da arte popular cheia de cor e vida e que fosse possível apresentar como representante nacional e não simplesmente de uma região.
mas quem visitar hoje o museu de arte popular ou qualquer outro museu de arte popular onde os galos estejam representados, não vai encontrar com facilidade o modelo que hoje conhecemos. vai encontrar muitos galos vagamente parecidos mas ainda não com a forma e as cores de hoje.
a forma e as cores que hoje lhe conhecemos são-lhe dadas por gonçalves torres e um seu cartaz da festa das cruzes em 1955 dá a conhecer essa forma:
policromado, porte altivo, crista bem levantada, corpo gordo. E como dizia um seu conterrâneo e contemporâneo no jornal de barcelos em 1957 ‘há tempos, o gonçalves torres, meteu-se a aperaltar este nosso galo, e, saiu-lhe então das mãos o moderno galo de barcelos’.
estava então criado o simbolo no modo que hoje o conhecemos, já que pelo meio houve (e ainda hoje se produzem em reduzidíssimas quantidades) muitos outros galos, como o galo da felicidade, ou do noivado com a base em braco, ou ainda versões onde predomina o azul.
a necessidade de reproduzir muitas cópias também parece ter sido a razão porque a forma original de colocar as flores em barro moldado hoje caiu em quase completo desuso (na minha última incursão pela feira apenas vi um exemplar, que comprei) para ser substituido pela pintura policromada sobre a base preta.

talvez volte ao assunto que isto ja vai (bastante) longo....

24 de junho de 2008

são joão de braga ou do porto?

de barcelinhos, claro.

o são joão é, provavelmente o santo mais popular dos santos populares.
e o mais politicamente correcto, que hoje isto de andar com a mão a servir de assento a um menino tão imberbe não fica bem a um homem adulto e com responsabilidades morais.
o são pedro com aquela coisa das chaves e dar ar de dono de pensão também não fica muto bem.
o são joão é também o que tem direito às canções mais dadas a moçoilas viçosas.
jamais imaginaríamos ouvir dizer que o santo antonio ou o são pedro tinham feito fontes de prata para ver as moças, a dar bagos às solteiras ou as mais variadas formas de chamar as meninas à sua beira.
está bem que o seu vestuário parece retirado do catálogo dos village people. mas nunca é de fiar quando os lobos vestem, literalmente, a pele de cordeiro.

o difícil por aqui é escolher a melhor festa de são joão.
do porto a braga, cada terra reivindica o seu são joão como o melhor.
por mim, escolhi o mais perto: o de barcelinhos.
não só é o mais perto, como o de dimensão mais aconselhada.
e teve de tudo: do original pimpa emanuel ao xunga pimba da 'tia maria da peida'; orquestra plástica à dj da moda.
e marchas. das populares.

eu faço a minha declaração de interesses:
para mim, as marchas populares estão no mesmo capítulo dos desfiles carnavalescos, tirando a parte que me parece absurdo de em junho andarem todos vestidos e em fevereiro andarem despidos.
alguém lhes explica aquela coisa simples das estações do ano?
e depois as marchas (como os desfiles) deviam ter uma etiqueta como alguns acessórios de roupa americanos: 'one size fits all'.
eu sei que há nesta casa amantes confessos e devotados das marchas. mas para mim a coisa é mesmo mais do mesmo. sempre.
sempre os mesmos ardinas, as varinas, os marinheiros, os saloios das quintas.. seja na madragoa ou em santa maria de galegos.
a inovação veio da marcha de s. tiago maior: um dos 'front man' na marcha transportava um 'tijolo' que debitava a música, por acaso em completo desrespeito pelos que no fundo da marcha tocavam os instrumentos que afinal apenas serviam como acompanhamento do tijolo. segundo me disseram, era para os da frente também ouvirem... como se do outro lado do rio não se ouvisse suficientemente bem.

mas tinha farturas, algodão doce, picocas (lhac..) e quemesse para o clube de montanhismo com roupa a 1 euro (eu comprei 3 sem precisar delas para coisa nenhuma...)
e, mais importante que tudo isso, tinha uma deliciosa cascata sanjoanina:

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23 de maio de 2008

as imagens do cruzeiro do senhor do galo

1.
o (original) lado nascente



de acordo com as memórias paroquiais de alvelos de 1758, o cruzeiro tinha a sua face principal (a do milagre do enforcado) virada a nascente e bem de frente para a forca.
esta localização de um cruzeiro com um enforcado amparado pelo santiago e salvo pelo galo cantor podia ser uma espécie de provocação, ou de tentativa de incentivo a ‘look at bright side of life’ para os condenados à forca.
afinal podia ser que tivessem sorte e aparecesse por ali o tiago a dar uma ajuda.



do lado nascente, o principal, o cruzeiro tem em cima um cristo crucificado (daí que seja mais correcto chamar cruzeiro e não padrão).
na base tem o são tiago que segura na mão direita o bordão e tem a mão esquerda levantada levantada a segurar o enforcado.
este aparece de mãos atadas, corda ao pescoço e cabeça pendida para o lado esquerdo (dele).
no cimo, entre o enfocado e o cristo crucificado, está o galo cantor. e é, provavelmente, a mais antiga representação gráfico do galo de barcelos.
na verdade, deste lado do cruzeiro temos toda a história do pobre galego que ia para compostela e se viu pendurado numa corda em barcelos.

2.
o lado poente

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o lado poente parece ter sido esculpido ao estilo ‘já que aqui estamos, o melhor é acabar a coisa’.
no entanto, pode ser bem mais que isso.
a figura da base parece ser o são bento.
na maior parte dos casos, só conseguimos identificar os santos, ou as diversas versões da maria (assunção, conceição, sagrado coração, etc), pela forma como estão vestidos, ou a posição dos membros ou algum acessório (o santo antónio tem sempre aquela coisa meio estranha de andar sempre com um menino ao colo e com a mão onde não deve...).
é esta forma de identificação que leva a considerar ser o são bento: o bordão e o livro.
a grande devoção ao são bento no alto minho também ajuda.


por cima do são bento está a maria e, estranhamente, a cada canto superior da sua ‘zona de influência’, um sol e uma lua.
a importância de maria e do culto mariano é mais que conhecida. o facto de, ao tempo, naquelas zonas, o povo não ter apagado da memória de terras de santa maria, tambem ajuda bastante.


o sol e a lua, tendo muitas interpretações de muitos dos que já olharam para o cruzeiro.
se, como calculam, tudo o que já aqui disse sobre o milagre e o cruzeiro tem por base o que já li sobre o assunto e nada disto é de minha exclusiva lavra (exceptuando a parte de escolher entre opiniões diversas aquela que considero mais justa), com a explicação da razão da inclusão do sol e da lua numa espécie de plano secundário naquele rectângulo dedicado a santa maria, a minha teoria é nova.
o que está longe de poder estar certa.
mas é a minha (finalmente)
os livros sagrados da tradição judaico-cristã já tiveram muito mais importância do que hoje têm para nós e o seu conhecimento era muito generalizado. assim, fazer uma qualquer alegoria a uma sua passagem era coisa mais que natural.
no livro do apocalipse diz-se que ‘a cidade não necessita de sol nem da lua para a iluminar, porque é iluminada pela glória de deus..’
esta sobreposição da claridade de maria sobre a luz do sol e da lua parecem-me muito mais uma metáfora associada a esta definição da comparação da luz divina com a das forças astrais (e ainda com uma grande aceitação e temor por parte dos povos), do que com qualquer outra das muitas teorias formuladas para o aparecimento do sol e da lua naquele local.

Por cima da maria e por baixo de novo cristo crucificado (cada uma das faces do cruzeiro tem um cristo) está um dragão.
Este dragão simboliza o mal, do mesmo modo que, do outro lado, o ‘serafim’ (galo) simboliza o bem.


(espero que os meus amigos ‘andrades’ não achem que esta interpretação sobre o dragão é uma perseguição doentia... mas antes isso que 'cordeiros de deus', por muito que seja muito mais favorável do ponto de vista teológico)

22 de maio de 2008

o cruzeiro do senhor do galo



o 'museu arqueológico de barcelos' é uma coisa surrealista.
na verdade não é mais que um amontoado de pedras dispostas em redor do antigo paço ducal com a estranhíssima particularidade de ter as informações incrustadas em azulejos cimentados nas pedras que foram escavadas para a sua inserção.
esta absurda incrustação dos azulejos na pedra, que torna irreversível os danos causados, deve ser a razão porque ainda hoje ninguém os mandou retirar.
lá estão, para dor de quem os vê.

mas estamos aqui para falar do cruzeiro (ou padrão) do senhor do galo.


este cruzeiro é uma espécie de livro em pedra.
retrata todas as partes importantes da lenda do galo ressuscitado cantor, do peregrino galego e do santo que o salvou.

originalmente o cruzeiro estava no lugar de areal de cima (mais ou menos no local onde hoje fica uma urbanização chamada ‘loteamento dos galos’), em barcelinhos.
bem próximo da última forca que funcionou em barcelos. bem junto da estrada para o porto, o mais à vista possível do povo, como que em sinal de aviso (os enforcados ficavam ali muito tempo antes que alguém os removesse).

é esta localização junto à última forca de barcelos que anula a afirmação (aliás incrustada na base do cruzeiro) deste ter sido construido no século XIV e de vir do local da forca velha (que estava na margem norte do rio e não em barcelinhos).
e, obviamente, a de ter sido esculpida pelo peregrino galego que sobreviveu ao enforcamento e originou a actividade canora do galo assado.
aliás, se a forca fosse do século XIV e os acontecimentos da lenda do galo cantor se passam alegadamente no século XV, não é crível que as lendas provoquem efeitos por antecipação.
a forca, em consequência da expansão do burgo para as zonas hoje ocupadas pelo campo da feira, a misericórdia ou a igreja do bom jesus da cruz, teve que mudar, nos finais do século XVII começos do século XVIII, para a margem sul do rio, ao tempo um local de mato, como era costume, embora perto de um lugar de passagem obrigatória das pessoas (neste caso a estrada que fazia a ligação a sul (porto, lisboa..). seguramente o cruzeiro que foi construído junto à forca só o foi naquela altura.

sendo então claro que o cruzeiro não foi, de facto, construido pelo ‘senhor do galo’, é irrelevante saber quem o fez.
o que importa para agora é que está feito e é sobre o que está feito que vamos falar
da próxima vez.

20 de maio de 2008

santiago, barcelos, os galos cantantes e o milagre dos enforcados


parte 1, a 'originalidade' do milagre barcelense

a devoção a santiago e os seus diversos caminhos são uma fonte inesgotável.
o facto de povos de toda a europa convergirem para um determinado ponto fez com que imensas culturas e tradições se dessem a conhecer, se misturassem e dessem origem a novas formas, mais ricas, de expressão cultural.
do ponto de vista musical, a produção resultante dessa mistura de culturas deu-nos o maior legado de toda a idade média.

mas foi, sobretudo, nas lendas geradas à volta dos milagres do santo que se criaram mais histórias e muitas delas marcaram definitivamente algumas das terras atravessadas pelos caminhos de santiago.

como acontece muitas vezes quando existe muita troca de informação, algumas dessas histórias são comuns em parte ou na sua totalidade.
o caso do milagre dos galos que cantam para salvar os condenados à forca é uma das mais recorrentes.

desde o primeiro caso relatado no 'codex calixtinus', no século XI, até à do peregrino de barcelos uns 4 séculos depois, são, pelo menos, 30 casos semelhantes em tantos outros locais do caminho francês (e os que do centro da europa entroncavam em frança neste), do norte, ou o
português.

de utrecht (relatado no 'liber miraculorum') a toulouse e ao milagre do 'pendu dépendu'; de barcelos a santo domingo de la calzada; dos relatados por afonso X nas canções de santa maria a jacobus de voragine no 'legenda aurea' ou o que berceo nos conta nos milagres de nustra sennora, são imensos os casos com uma semelhança notável.

as histórias, de facto, variam pouco (muito pouco mesmo...):
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o milagre quinto do codex calixtinus
o papa calisto II relata no seu codex que no ano de 1090 um homem e o seu filho vinham em peregrinação desde a alemanha para santiago.
pararam para dormir na cidade francesa de toulouse na casa de um rico proprietário. como os peregrinos mostravam ares de homens abastados, o hospedeiros colocou uma taça de prata no seu alforge para que, ao serem acusados de roubo, ele pudesse ficar com todos os seus bens em troca do perdão.
quando os dois alemães já estavam no caminho, o homem que os hospedeu mandou alguns homens atrás deles para os prender e levar à justiça.
o juiz confiscou-lhes todos os bens e mandou enforcar o mais novo.o filho ficou enforcado 36 dias. o tempo do pai ir a santiago e regressar.
no regresso, quando lamentava a sua sorte em frente ao filho morto na forca, este responde que ele podia estar descansado que o santiago o tinha amparado durante todo este tempo.
o povo que tinha assistido àquele milagre decidiu ir buscar o homem que injustamente o tinha acusado e enforcou-o.

este é o primeiro 'milagre' do enforcado que dá o mote para todos os outros.

na versão mais popular em espanha, a de santo domingo de la calzada, tudo se passa de um modo parecido, só que aqui é por culpa de uma jovem (filha do hospedeiro ou criada, conforme as versões) que, despeitada pela recusa do jovens aos seus favores, se decide vingar também colocando uma taça no seu alforge.
aqui os pais (também alemães) vão a santiago e regressam deixando o filho pendurado na corda. no regresso encontram o filho vivo na força e levam-no à presença do juiz que o condenou.
este, que estava a jantar galo assado, diz que só o perdoaria se aqueles galos cantassem.
e os galos assados começam a ganhar penas, levantam-se e cantam permitindo a libertação do jovem.

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na versão mais popular de barcelos (há várias...) dois peregrinos galegos, pai e filho, vinham do porto para santiago e param numa estalagem.
repete-se a história da jovem estalajadeira que quer os favores amorosos do jovem. este, resistindo à tentação no caminho para santiago, nega-se à jovem.
a dita coloca uns talheres no seu alforge e o resto é o do costume com o final na forca.
o pai vai a santiago, regressa e vai ter com o juiz a jurar a inocência do filho.
este diz que só acredita na inocencência do jovem quando os galos assados no forno cantarem. coisa que, obviamente, estes fizeram.
foram então ao local do enforcamento e lá estava o jovem vivo e de boa saúde aos ombros do santo que o salvou da morte.

uma outra versão do milagre barcelense fala num crime que tinha ficado impune e o galego ao passar por ali foi acusado de culpado, à falta de melhor já que sempre era preferível acusar um desconhecido.
o resto da história é a mesma do jovem peregrino.
outra, muito parecida, fala de uma série de roubos que estavam a acontecer na zona e que trazia os habitantes do burgo muito assustados. como sempre a culpa cai em cima dos estranhos.

como se vê, a originalidade do milagre barcelense é nula.
no entanto, para além de produzir uma das lendas mais famosas de portugal, de ter originado um símbolo que qualquer português já não pode ver à frente, ainda produziu o cruzeiro ou padrão do senhor do galo.
e ele iremos.