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2 de outubro de 2013

como um suborno era pago pelo erário público

phillipe ubert queria ser abridor ao serviço da princesa e para isso mandou, em gênero de ‘cunha abridora’, 3 camafeus à princesa.
a princesa, que já tinha um abridor ao seu serviço, mandou avaliar, através do dito abridor, os ditos camafeus para que o erário público pagasse, ao que a tentou subornar, o valor dos camafeus, que a princesa para si guardou....




o príncipe regente nosso senhor, querendo indeminizar o abridor que ofereceu a s.a.r. a princesa nossa senhora uns camafeus; e não parecendo justo ao mesmo senhor dar-lhe o emprego que solicitava, visto que actualmente tem um excelente abridor português do mesmo género ao seu real serviço; houve por bem determinar que vossa mercê procurando a d. maria moscoso, para que confie os mesmos camafeus os faça avaliar por josé antónio do valle, que é o sobredito abridor português; e informe sobre o seu justo valor, a fim de se fazer pelo real erário a competente gratificação que s.a.r. tem ordenado. o que participo a vossa mercê para assim executar.
deus guarda e vossa mercê.
paço de queluz em 2 de dezembro de 1802

d. rodrigo de souza coutinho

26 de setembro de 2013

uma carta da extremosa mãe ao seu amado filho


a 29 de outubro de 1826, carlota joaquina escrevia em queluz mais uma carta ao seu filho miguel avisando-o que tinha um pouco mais inimigos que amigos.

‘ainda que não tenha tido resposta nenhuma tua a três cartas que te escrevi, uma em 7 de julho, outra em 28 de agosto e a terceira em 23 de setembro, não hei-de deixar de te avisar de tudo o que saiba a teu respeito, para que estejas prevenido e não caias nos laços que te querem armar, para tua e nossa desgraça.

peço-te que ainda que te preguem e pintem com todas as boas cores que eles possam a tua ida para o rio de janeiro, que não vás, porque eu sei que é para te agarrarem lá e darem cabo de ti; nem metas o pé em nenhuma embarcação e muito menos na nau que vier do rio de janeiro buscar-te…’

dois anos depois o rei absolutista tomava posse

7 de maio de 2012

Portugal

Assim eram as exportações portuguesas em 1959: Portugal fabrica e exporta produtos de qualidade de renome nacional.

18 de março de 2012

Deficit tarifário


















Os gajos de História são uns chatos, eu que o diga que sou de História. Têm a mania de remexer no passado para explicar o presente.
Há já algum tempo que esta coisa do ‘deficit tarifário’ me anda a provocar comichão.
Ora bem, a EDP não surgiu do nada, foi criada com a transferência de património de diversas sociedades e dos antigos serviços municipais de electricidade, ficando por isso, com a incumbência entre outras, de distribuição da energia eléctrica de baixa tensão a nível nacional  (Decreto-Lei n.º 502/76, de 30 de Junho).
Anda agora a EDP a querer acertar contas com os portugueses que lhe cederam o património e lhe deram o encargo de prestar um serviço público, afirmando que existe um deficit tarifário.
Pois bem, reavalie-se o património transferido e acertem-se as contas, mas desde o início, para que fiquem de uma vez por todas acertadas. 

21 de fevereiro de 2012

o mês da lampreia e o foral novo manuelino de barcelos



continuando a saga do delicioso diclóstomo pelos anos de quinhentos, encontramos no foral novo manuelino de barcelos, de 1515 uma detalhada regulamentação da pesca, comercialização e taxação da lampreia.

alguns dados interessantes da distribuição do produto pescado (3 partes para o senhor do lugar e 1 parte para os pescadores) que ainda eram observados em muitas zonas do país em 1974 na terras agrícolas, bem como o facto de a ‘legislação aplicável à lampreia apenas ser válida entre janeiro e a páscoa (no resto no ano era inútil andar à pesca dela) . e o senhor da terra ser literalmente o senhor da terra (e do rio..)

os títulos são do foral, sendo que estão colocados na margem do bloco de texto e não por cima como aqui tive que fazer.

Estacada

E declaramos que a estacada que se costuma de poee ou lançar no dito rio pollo senhorio se nan há de lançar per outras pessoas outras pessoas (repete do original) nem em outro nome na qual se há de teer a maneyra seguynte segundo fomos certo per imquiryçam que sobre ysso mandamos tirar. Convem a saber; a dita estacada se poera no mês de Janeyro quando ho ryo pêra ysso deer lugar e durara atee Pascoa de Ressureyçam em qualquer tempo que vyer. E amte do dito mees de Janeyro ou passada a Pascoa pescaram quaaesquer pescadores e muitas outras pessoas no ditto ryo sem nhûa penna.

As lampreae posto que a estacada estevese posta passado o qual tempo mandamos que nan dure mais a dita estacada. A qual ham de poer os pescadores que nella ouverem de pescar pêra a qual porem o senhorio que for dos ditos direitos reaes será obrigado de daar e dará a madeyra e estacas e malhos com que se fez tancha. E assy os candieyros e cortiça e lenha que lhes comprirem pêra allumyar de noute a dita pescarya e se aquentarem. E os ditos pescadores somemte sam e seram obrigados de poerem ho barco e redes e pescarem na dita estacada.

Lamprea

E de todallas lampreae que pescarem na dita maneyra levará o senhorio as três partes e os ditos pescadores hüua, nas quaes três partes emtram as dizymas nova e velha e qualquer outro direito ou tributo real a que as ditas lampreae podessem ser obrigadas. E passado o dito tempo da Pascoa ou ante o dito mees de Janeyro nem se pagara nhuum direito das ditas lampreas em qualquer maneyra que sejam tomadas.

E decraramos que qualquer yrez ou sollo que se tomar ou ballea que morrer na costa he em solydo do senhor da terra e os pescadores nam levam delle nada.

E dês que o pescado foor dizymado os pescadores o poderam levar por mar e per terra sem delle pagarem outra dizyma nem portagem. E as outras pessoas que ho comprarem pagaram delle o real por carga mayor e das outras a esse respeito se for por terra e se for per maar pagaram o que sempre pagaram atee ora pescadoresm outra emnovaçam.

E as ditas duas dizymas se pagaram de qualquer pescado que pescadores tomarem atee Barcellos com barca e rede. E nam ho tiraram em terra sem primeyro ho manifestarem aos oficiaaes dos ditos direitos. E porque atee ora nom ouve lugar certo onde os ditos pescadores devessem de sayr decraramos que seja nos lugares mais convenientes que parecer aos pescadores e aos oficiaaes dos ditos direitos.

8 de fevereiro de 2012

o mês da lampreia, parte 2 - a idade média


em agosto do ano passado, aproveitando a minha peregrinação anual ao festival de paredes de coura, regressei a barcelos e à sua biblioteca (e também aos amigos).
andava à procura de mais informação sobre o grupo de amigos do castelo de faria, uma ‘nobre’ associação entre o desejo sincero de recuperação do passado e a exaltação nacionalista, e do que mais tropeçasse pelo caminho.
como quase sempre me acontece quando procuro uma coisa, outra me aparece pelo caminho como se fosse uma ponta de um fio pronto para ser puxado.
e se há coisa que sempre sabe bem puxar por um fio, é uma boa lampreia...

no inventário dos bens do mosteiro de guimarães de 1059, aparecem as zonas pesqueiras de travasso (luzim, penafiel), terras doadas provavelmente por mumadona dias por alturas da sua doação em testamento da villa de luzim no final do primeiro milénio.
é nesta zona, e principalmente em rio de moinhos, onde o rei possuía muitos casais, reguengos e terras foreiras, que o dito foro era pago com metade (sim, 50% de imposto...) das lampreias pescadas.
em canelas (que tinha os seus bens divididos pelos mosteiros de paço de sousa, bustelo, salzedas, alpendurada e vila boa do bispo e ainda pelo omnipresente rei), o rei ficava com 1/4 de todo o pescado e, claro a primeira lampreia e o primeiro sável.
ainda nos mais antigos registos que encontrei sobre o nobre ciclóstomo, nas inquirições do rei afonso III de 1258 o assunto era mencionado.
nelas, o dito rei, mantendo a proibição que viria de afonso I, de proibir que fossem tomados aos barcelenses as suas embolhas (sacas de couro para o transporte de vinho) e as roupas das camas, decretava que as primeiras lampreias que se pescassem no cávado seriam para a sua mesa.
o concelho pagaria uma renda anual de 205 morabitinos e não se falava mais nisso.. excepto em janeiro por altura das lampreias, porque a primeira (e aqui o singular seria seguramente metafóricos) lampreia era mas as mesas reais.
ou seja, mesmo nos idos do século 13, o rei sabia que as coisas importantes eram aquelas com que se devia preocupar...

6 de fevereiro de 2012

a lampreia mudou pouco, e o nosso gosto por ela também



há uns tempos publicamos aqui uns links para uns estudos sobre o reconhecimento do facto da lampreia ter mudado muito pouco ao longo dos últimos 100 milhões de anos.
também ao longo da nossa história (e aqui refiro-me à história do nosso portugal, que sendo longa é contudo bem mais curta que os tais 100 milhões), a apetite pela lampreia não mudou.
o primeiro registo que tenho do assunto é da gula do rei afonso III pelo delicioso ciclóstomo.
desenganam-se aqueles que acham que agora é que a coisa está cara e quando eram pequeninos as lampreias eram dadas.
seguramente eram muito mais baratas, mas também todos ganhávamos incomparavelmente menos, mesmo todos nós que estamos a ganhar menos do que ganhávamos há relativamente pouco tempo.

estes são os meses da lampreia, e eu um seu dedicado e devoto admirador, mesmo que os rigores da austeridade me aconselhem a ter mais cuidados.
este mês aqui falarei do dito ciclóstomo

16 de outubro de 2011

Tempos de Guerra

Talvez eles nem se recordem desta foto, tirada em 1961 no Negage: eram eles  os jovens tenente Gonçalves, os alferes Costa e Morais, os tenentes Sobrinho, Coelho e Sequeira e o capitão Ferreira.

14 de outubro de 2011

20 de julho de 2011

Aristides da Sousa Mendes

Preservar a memória e o generoso legado de um dos grandes heróis da nossa história


Ver AQUI

20 de junho de 2011

Repete-se

No ano da penúltima grande crise internacional, 1929, manifestava-se
publicamente a preocupação de não deixar sair do país o ouro que deu
actualmente lugar às célebres divisas.
Os Champanhes, evidentemente caros à época, eram o mote.

Passaram mais de oitenta anos, e uma vez mais...a História repete-se.


Por José Quintela Soares

30 de maio de 2011

Guiné, 1962


Cartas eram lidas e escritas, tentando amenizar uma saudade crescente. Eram tempos tristes os da Guerra Colonial.

10 de março de 2011

Madrinhas de Guerra

Um postal Oferecido pelo Zé da Loja do Mercado de Santa Clara.
Quando a Madrinha de Guerra era uma figura central na sociedade portuguesa.
Clicar para ampliar.

30 de novembro de 2010

Geografia de Portugal



Para o ensino primário e admissão aos liceus e da autoria do Professor Pedro de Carvalho.
Assim se aprendia, sobre Fauna e Flora de Portugal.
Clicar na imagem para ampliar.

17 de outubro de 2010

Viajar entre colunas



No renovado Terreiro do Paço, bem perto do enigmático Cais das Colunas, no Torreão Nascente, está uma exposição a ver; “Viajar, Viajantes e turistas à descoberta de Portugal, no tempo da I República”, que em si traz pouco que ainda não tenha sido visto.
Contudo, a concepção da mesma naquele espaço está conseguida com êxito. Quem a percorre esquece-se de que está num espaço de planta quadrada, com pés direitos altíssimos e os elementos pré-existentes são muito bem integrados no discurso expositivo, como, por exemplo, as colunas de mármore. O mesmo já não achei dos nichos das janelas.



De realçar o belo efeito cenográfico do navio de passageiros, muito bem conseguido e integrado no resto da exposição. Talvez o melhor efeito, a par da engraçada vitrina do comboio em movimento. É pena o mergulhador na prancha de saltos passar despercebido ao visitante pela maior chamada de atenção à aplicação multimédia projectada no chão.



Esta mostra tem um sintoma que outras, ultimamente, insistem em apresentar: O excesso e a elevada concentração de informação gráfica. Falta-nos o ar para respirar a informação! Desiste-se à segunda tentativa. Tanta imagem, tanto texto, tanta colagem, tanta legenda, só pode interessar à gráfica que as produz.
Outra questão, relacionada com esta, é a colocação de informação visual a uma altura exagerada, provocando uma postura incómoda a quem a tentar ler/ver. Para aquele espaço, onde a hipótese de afastamento do visitante é quase nula e de forma a não causar torcicolos aos visitantes, a colocação da informação não deveria ultrapassar, em altura, a linha dos dois metros, dois metros e pouco.
São de bom efeito e interessantes as grandes malas de viagem que indicam e ponteiam o caminho para a exposição.



Não apreciei, muito sinceramente, não poder comprar ou consultar o folheto ou o catálogo da exposição no próprio espaço. A sua aquisição é feita em instalações apartadas, onde existe um ponto de venda, tipo ‘loja de museu’, com diversos produtos de aspecto interessante que, a meu entender, pouco têm a ver com a exposição, a República ou com o espaço.

Comece ou acabe com uma visita ao Cais das Colunas.

4 de outubro de 2010

Uma exposição a visitar


 

Apreendidos, assaltados, suspensos, empastelados, proibidos e censurados.

 

 No Palácio da Independência, entre os dias 4 e 15 de Outubro, a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” A entrada é gratuita, sendo ainda oferecido o catálogo da exposição.

3 de outubro de 2010

Cheias

 

 

Retenho estes registos e imagino o que as cidades e os seus habitantes já passaram.

Clicar para ampliar.

13 de setembro de 2010

Eu roubei o Santa Maria







































Assim nos conta José António Barreiros:
"O livro promete polémica. Escrito em 1972 pelo galego Jorge Soutomaior. Integrou o DRIL e no quadro desse movimento revolucionário tomou de assalto, com Henrique Galvão, em Janeiro de 1961 o navio "Santa Maria". A sua narrativa traz revelações inéditas e escandalosas. Encontrei a obra há uns anos e traduzi-a agora. Para a semana será apresentada. A seu tempo circularei o convite. Agora eis o rosto da narrativa".


Livro novo para ler, pois então.

23 de agosto de 2010

viva a república !!!




na cordoaria está a melhor e mais completa exposição que já vi em portugal sobre um determinado período da nossa história.
'viva a república' é uma enorme fonte de informação sobre o nascimento dos sentimentos republicanos, a deliquescência da monarquia e os anos da república em portugal até ao estado novo.
ontem demorei 3 horas para a ver e a segunda metade foi vista quase na diagonal a exigir que lá volte rapidamente.
a república precisava de uma exposição assim e nós também.

mas a dimensão e a qualidade desta exposição merece ser transformada na base do museu da república.
será um crime se for simplesmente desmontada no final das comemorações do centenário.
não a percam, pois crimes é o que mais temos em portugal.