2 de outubro de 2013
como um suborno era pago pelo erário público
26 de setembro de 2013
uma carta da extremosa mãe ao seu amado filho
a 29 de outubro de 1826, carlota joaquina escrevia em queluz mais uma carta ao seu filho miguel avisando-o que tinha um pouco mais inimigos que amigos.
dois anos depois o rei absolutista tomava posse
7 de maio de 2012
Portugal
18 de março de 2012
Deficit tarifário
21 de fevereiro de 2012
o mês da lampreia e o foral novo manuelino de barcelos
continuando a saga do delicioso diclóstomo pelos anos de quinhentos, encontramos no foral novo manuelino de barcelos, de 1515 uma detalhada regulamentação da pesca, comercialização e taxação da lampreia.
alguns dados interessantes da distribuição do produto pescado (3 partes para o senhor do lugar e 1 parte para os pescadores) que ainda eram observados em muitas zonas do país em 1974 na terras agrícolas, bem como o facto de a ‘legislação aplicável à lampreia apenas ser válida entre janeiro e a páscoa (no resto no ano era inútil andar à pesca dela) . e o senhor da terra ser literalmente o senhor da terra (e do rio..)
os títulos são do foral, sendo que estão colocados na margem do bloco de texto e não por cima como aqui tive que fazer.
Estacada
E declaramos que a estacada que se costuma de poee ou lançar no dito rio pollo senhorio se nan há de lançar per outras pessoas outras pessoas (repete do original) nem em outro nome na qual se há de teer a maneyra seguynte segundo fomos certo per imquiryçam que sobre ysso mandamos tirar. Convem a saber; a dita estacada se poera no mês de Janeyro quando ho ryo pêra ysso deer lugar e durara atee Pascoa de Ressureyçam em qualquer tempo que vyer. E amte do dito mees de Janeyro ou passada a Pascoa pescaram quaaesquer pescadores e muitas outras pessoas no ditto ryo sem nhûa penna.
As lampreae posto que a estacada estevese posta passado o qual tempo mandamos que nan dure mais a dita estacada. A qual ham de poer os pescadores que nella ouverem de pescar pêra a qual porem o senhorio que for dos ditos direitos reaes será obrigado de daar e dará a madeyra e estacas e malhos com que se fez tancha. E assy os candieyros e cortiça e lenha que lhes comprirem pêra allumyar de noute a dita pescarya e se aquentarem. E os ditos pescadores somemte sam e seram obrigados de poerem ho barco e redes e pescarem na dita estacada.
Lamprea
E de todallas lampreae que pescarem na dita maneyra levará o senhorio as três partes e os ditos pescadores hüua, nas quaes três partes emtram as dizymas nova e velha e qualquer outro direito ou tributo real a que as ditas lampreae podessem ser obrigadas. E passado o dito tempo da Pascoa ou ante o dito mees de Janeyro nem se pagara nhuum direito das ditas lampreas em qualquer maneyra que sejam tomadas.
E decraramos que qualquer yrez ou sollo que se tomar ou ballea que morrer na costa he em solydo do senhor da terra e os pescadores nam levam delle nada.
E dês que o pescado foor dizymado os pescadores o poderam levar por mar e per terra sem delle pagarem outra dizyma nem portagem. E as outras pessoas que ho comprarem pagaram delle o real por carga mayor e das outras a esse respeito se for por terra e se for per maar pagaram o que sempre pagaram atee ora pescadoresm outra emnovaçam.
E as ditas duas dizymas se pagaram de qualquer pescado que pescadores tomarem atee Barcellos com barca e rede. E nam ho tiraram em terra sem primeyro ho manifestarem aos oficiaaes dos ditos direitos. E porque atee ora nom ouve lugar certo onde os ditos pescadores devessem de sayr decraramos que seja nos lugares mais convenientes que parecer aos pescadores e aos oficiaaes dos ditos direitos.
8 de fevereiro de 2012
o mês da lampreia, parte 2 - a idade média

em agosto do ano passado, aproveitando a minha peregrinação anual ao festival de paredes de coura, regressei a barcelos e à sua biblioteca (e também aos amigos).
andava à procura de mais informação sobre o grupo de amigos do castelo de faria, uma ‘nobre’ associação entre o desejo sincero de recuperação do passado e a exaltação nacionalista, e do que mais tropeçasse pelo caminho.
como quase sempre me acontece quando procuro uma coisa, outra me aparece pelo caminho como se fosse uma ponta de um fio pronto para ser puxado.
e se há coisa que sempre sabe bem puxar por um fio, é uma boa lampreia...
no inventário dos bens do mosteiro de guimarães de 1059, aparecem as zonas pesqueiras de travasso (luzim, penafiel), terras doadas provavelmente por mumadona dias por alturas da sua doação em testamento da villa de luzim no final do primeiro milénio.
é nesta zona, e principalmente em rio de moinhos, onde o rei possuía muitos casais, reguengos e terras foreiras, que o dito foro era pago com metade (sim, 50% de imposto...) das lampreias pescadas.
em canelas (que tinha os seus bens divididos pelos mosteiros de paço de sousa, bustelo, salzedas, alpendurada e vila boa do bispo e ainda pelo omnipresente rei), o rei ficava com 1/4 de todo o pescado e, claro a primeira lampreia e o primeiro sável.
ainda nos mais antigos registos que encontrei sobre o nobre ciclóstomo, nas inquirições do rei afonso III de 1258 o assunto era mencionado.
nelas, o dito rei, mantendo a proibição que viria de afonso I, de proibir que fossem tomados aos barcelenses as suas embolhas (sacas de couro para o transporte de vinho) e as roupas das camas, decretava que as primeiras lampreias que se pescassem no cávado seriam para a sua mesa.
o concelho pagaria uma renda anual de 205 morabitinos e não se falava mais nisso.. excepto em janeiro por altura das lampreias, porque a primeira (e aqui o singular seria seguramente metafóricos) lampreia era mas as mesas reais.
ou seja, mesmo nos idos do século 13, o rei sabia que as coisas importantes eram aquelas com que se devia preocupar...
6 de fevereiro de 2012
a lampreia mudou pouco, e o nosso gosto por ela também

há uns tempos publicamos aqui uns links para uns estudos sobre o reconhecimento do facto da lampreia ter mudado muito pouco ao longo dos últimos 100 milhões de anos.
também ao longo da nossa história (e aqui refiro-me à história do nosso portugal, que sendo longa é contudo bem mais curta que os tais 100 milhões), a apetite pela lampreia não mudou.
o primeiro registo que tenho do assunto é da gula do rei afonso III pelo delicioso ciclóstomo.
desenganam-se aqueles que acham que agora é que a coisa está cara e quando eram pequeninos as lampreias eram dadas.
seguramente eram muito mais baratas, mas também todos ganhávamos incomparavelmente menos, mesmo todos nós que estamos a ganhar menos do que ganhávamos há relativamente pouco tempo.
estes são os meses da lampreia, e eu um seu dedicado e devoto admirador, mesmo que os rigores da austeridade me aconselhem a ter mais cuidados.
este mês aqui falarei do dito ciclóstomo
16 de outubro de 2011
Tempos de Guerra
14 de outubro de 2011
20 de julho de 2011
20 de junho de 2011
Repete-se
publicamente a preocupação de não deixar sair do país o ouro que deu
actualmente lugar às célebres divisas.
Os Champanhes, evidentemente caros à época, eram o mote.
Passaram mais de oitenta anos, e uma vez mais...a História repete-se.
Por José Quintela Soares
30 de maio de 2011
Guiné, 1962
Cartas eram lidas e escritas, tentando amenizar uma saudade crescente. Eram tempos tristes os da Guerra Colonial.
10 de março de 2011
Madrinhas de Guerra
17 de fevereiro de 2011
30 de novembro de 2010
Geografia de Portugal
Para o ensino primário e admissão aos liceus e da autoria do Professor Pedro de Carvalho.
Assim se aprendia, sobre Fauna e Flora de Portugal.
Clicar na imagem para ampliar.
17 de outubro de 2010
Viajar entre colunas
No renovado Terreiro do Paço, bem perto do enigmático Cais das Colunas, no Torreão Nascente, está uma exposição a ver; “Viajar, Viajantes e turistas à descoberta de Portugal, no tempo da I República”, que em si traz pouco que ainda não tenha sido visto.
Contudo, a concepção da mesma naquele espaço está conseguida com êxito. Quem a percorre esquece-se de que está num espaço de planta quadrada, com pés direitos altíssimos e os elementos pré-existentes são muito bem integrados no discurso expositivo, como, por exemplo, as colunas de mármore. O mesmo já não achei dos nichos das janelas.
De realçar o belo efeito cenográfico do navio de passageiros, muito bem conseguido e integrado no resto da exposição. Talvez o melhor efeito, a par da engraçada vitrina do comboio em movimento. É pena o mergulhador na prancha de saltos passar despercebido ao visitante pela maior chamada de atenção à aplicação multimédia projectada no chão.

Esta mostra tem um sintoma que outras, ultimamente, insistem em apresentar: O excesso e a elevada concentração de informação gráfica. Falta-nos o ar para respirar a informação! Desiste-se à segunda tentativa. Tanta imagem, tanto texto, tanta colagem, tanta legenda, só pode interessar à gráfica que as produz.
Outra questão, relacionada com esta, é a colocação de informação visual a uma altura exagerada, provocando uma postura incómoda a quem a tentar ler/ver. Para aquele espaço, onde a hipótese de afastamento do visitante é quase nula e de forma a não causar torcicolos aos visitantes, a colocação da informação não deveria ultrapassar, em altura, a linha dos dois metros, dois metros e pouco.
São de bom efeito e interessantes as grandes malas de viagem que indicam e ponteiam o caminho para a exposição.
Não apreciei, muito sinceramente, não poder comprar ou consultar o folheto ou o catálogo da exposição no próprio espaço. A sua aquisição é feita em instalações apartadas, onde existe um ponto de venda, tipo ‘loja de museu’, com diversos produtos de aspecto interessante que, a meu entender, pouco têm a ver com a exposição, a República ou com o espaço.
Comece ou acabe com uma visita ao Cais das Colunas.
4 de outubro de 2010
Uma exposição a visitar
Apreendidos, assaltados, suspensos, empastelados, proibidos e censurados.
No Palácio da Independência, entre os dias 4 e 15 de Outubro, a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” A entrada é gratuita, sendo ainda oferecido o catálogo da exposição.
3 de outubro de 2010
Cheias
Retenho estes registos e imagino o que as cidades e os seus habitantes já passaram.
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13 de setembro de 2010
Eu roubei o Santa Maria
Assim nos conta José António Barreiros:
"O livro promete polémica. Escrito em 1972 pelo galego Jorge Soutomaior. Integrou o DRIL e no quadro desse movimento revolucionário tomou de assalto, com Henrique Galvão, em Janeiro de 1961 o navio "Santa Maria". A sua narrativa traz revelações inéditas e escandalosas. Encontrei a obra há uns anos e traduzi-a agora. Para a semana será apresentada. A seu tempo circularei o convite. Agora eis o rosto da narrativa".
Livro novo para ler, pois então.
23 de agosto de 2010
viva a república !!!
na cordoaria está a melhor e mais completa exposição que já vi em portugal sobre um determinado período da nossa história.
'viva a república' é uma enorme fonte de informação sobre o nascimento dos sentimentos republicanos, a deliquescência da monarquia e os anos da república em portugal até ao estado novo.
ontem demorei 3 horas para a ver e a segunda metade foi vista quase na diagonal a exigir que lá volte rapidamente.
a república precisava de uma exposição assim e nós também.
mas a dimensão e a qualidade desta exposição merece ser transformada na base do museu da república.
será um crime se for simplesmente desmontada no final das comemorações do centenário.
não a percam, pois crimes é o que mais temos em portugal.












