Mostrar mensagens com a etiqueta tm. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tm. Mostrar todas as mensagens
4 de março de 2014
O imbondeiro
Viajar através de fotografias é também viajar no tempo. Uma passagem por África, os inúmeros alunos, os passeios com as turmas pelo parque, em frente à escola, a terra vermelha, uma manada de elefantes que, de súbito, decide atravessar-se no asfalto, palavras incompreensíveis em línguas locais (como ensinar em Português?). Canções, jogos de ritmo, palmas a marcar cadências, muitos risos. Lembranças de uma cidade perdida, junto ao mar. A acentuar a distância, o isolamento, voos domésticos cancelados, dias a fio. Permanece na lembrança a árvore, testemunha silenciosa, quase perene.
16 de fevereiro de 2014
Como a Praia Grande se torna pequena
Mudança repentina na paisagem, domingo em que tudo se povoa de azul, com ondas gigantescas, de uma neve marítima (imagem que chega ao pensamento). A Praia Grande , quase sem areal, deixa entrever uma faixa de areia negra.
28 de janeiro de 2014
Pete Seeger : "this train is bound for glory" (forever and ever)
Na adolescência, a minha amiga Paula ofereceu-me uma cassete BASF gravada em casa, uma das formas através das quais então ouvíamos música. De longa duração, continha todos – ou quase todos – os temas de Pete Seeger. Ouvi-a vezes sem conta, na impossibilidade de ter os discos. Foi sempre esta a melhor forma até hoje encontrada para, por conta própria, aprender inglês, a procura de sentidos presentes em grandes temas (a par dos de Woody Guthrie). Através deste método de aprendizagem (mais apelativo do que o escolar) deu-se a empolgante descoberta de todo um imaginário comum à canção folk e ao country: ouvi-las quase que fazia desfilar, como num cenário real, o verde das pradarias, viagens em comboios sem pressa de chegar; histórias de homens de caminhos de ferro cruéis, que bebiam o sangue em vez de vinho (a railroad man, will kill you if he can, he'll drink your blood and will drink it like wine) a par da despreocupação do amor fugaz (careless love) ; a cor negra de uns cabelos de alguém especial (black is the color of my true love's hair); as palavras de Luther King (we shall overcome), tornadas canto alargado de protesto contra a injustiça . Há cerca de um ano, fiquei surpreendida ao ter visto um postal escrito pela mão do próprio Pete Seeger ao Jorge, amigo de longa data - tratava-se de uma resposta pessoal a uma carta que este meu vizinho lhe havia enviado, o músico tratava-o pelo primeiro nome e não era um texto estereotipado, referia-se mesmo a Sintra, à vida neste pequeno país. Fiquei a admirar ainda mais o músico, é assim que o tenciono recordar, caso a memória não pregue partidas: simples, vertical, a conduzir-nos através das pradarias americanas. E sim, o título do post é também para dizer que Guthrie (a par de Seeger) se mantém vivo no pensamento.
21 de janeiro de 2014
Associações em dia de chuva
Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é. -Alberto Caeiro
Olho o dia que amanhece cinzento e , em liberdade verbal, associo “amanhecer” a manhoso… mesmo os versos do heterónimo do campo não convencem , “o poeta é um fingidor”… e começo, devagar, a pensar que só as algas gostam de tanta água.
2 de janeiro de 2014
A primeira manhã
Como as aves migratórias se foge para sul, numa demanda que se inaugura, como na primeira manhã de Almada Negreiros: «A terra inteira
era estrangeira
mais este pedaço onde nasci.
Não me deixaram nada
nada mais do que o sonhar.»
20 de dezembro de 2013
Momentos melhores
Tempos houve em que por aqui, na presente ´época, deixávamos inúmeras referências à quadra festiva que se avizinha. Pensando que Natal pode ter diversos sentidos , despertou a atenção a imagem retirada de uma rede social, do mural de uma amiga dos tempos de escola e que, há alguns anos, vive noutro continente. Natal tem diversos significados: para alguns, desde que haja emprego , temporada de curtas férias que, quando possível ,se reservam para a época; para outros, surgem ainda mais nítidas as agruras dos tempos. Tentando recorrer a textos de síntese , ficam votos de momentos melhores para todos e, para quem se inscrever na situação, bom e merecido descanso, após a azáfama que, apesar da crise, se faz sentir no trânsito e nos locais onde se entra, a fim de se comprar o que vai fazendo falta no quotidiano. Que, para todos, venham momentos melhores.
8 de dezembro de 2013
Dezembro é o mais cruel dos meses *
“Dezembro é o mais cruel dos meses”, ouso afirmar, subvertendo os versos de abertura do fantástico poema The Waste Land. A claridade de cada manhã de sol no presente mês, ilude sempre que, quase sem gradações, cai a opacidade da noite. Tomando a luz enquanto metáfora do conhecimento (tarefa inglória por em construção permanente se encontrar o mesmo ao longo da/s vida/s) fico a pensar que conhecer , no limitado entendimento pessoal, não será o enciclopedismo iluminista (embora a corrente o possa, em parte, explicar). Observando cada dia que, num ápice, se extingue, valorizo o momento, como o ritual das gaivotas , junto à praia, pousadas no telhado da capela, nos minutos a anteceder um ensaio de cânticos natalícios. A terminar a leitura de A sombra do vento, romance desenrolado numa Barcelona do pós guerra, passo, por diversas vezes, pela referência à basílica de Santa Maria do Mar, na sua grandeza gótica. Admiradora assumida de todo um imaginário que , ao longo dos tempos, fui associando à Idade Média, viajo na velocidade do tempo e olho, por momentos, a branca capela de Santa Marta , também ela fronteira ao espelho marítimo e, fascinada pelas gaivotas que compõem o cenário cortado por um trago fresco de maresia, retenho a nitidez da imagem esquecendo, num instantâneo, o repentino cair da noite que, momentos depois, irá acontecer.
* adaptação livre do verso de abertura do poema The Waste Land de T.S. Eliot
6 de dezembro de 2013
Lisboa sob o sol de outono
A surpresa da saída. De um espaço interior, frio, abro a porta para a cidade. Calor de aconchego que traz para a rua, sem pressas, moradores junto aos caixotes de fruta, dispostos ao longo do passeio; alguns conversam em bancos de jardim, relegando relógios a uma inutilidade absoluta.
Decido regressar a pé, caminhada de uma hora, para saborear a temperatura amena (já que – pasme-se – é o tempo de espera para o autocarro). A luminosidade da tarde, ouro líquido, apazigua. Consegue-se viver a sensação (não pensamento) do sol de outono. A tarefa menos conseguida é cessar ideias, ao olhar as árvores, testemunhas imperturbáveis dos tempos. É apaziguadora a forma como elas mudam a coloração das folhas, como as deixam cair, despojadas e, meses mais tarde, se deixam visitar por pássaros que quase nascem dos seus ramos, prolongando-os, como um dia escreveu o poeta.
Ouro líquido – penso – cessando em consciência posteriores associações.
29 de novembro de 2013
George Harrison 12 anos após a sua morte
Dia 29 de novembro de 2001. Entro no carro, rumo ao trabalho. Na rádio, fico a saber pela abertura do noticiário que ficámos mais pobres. Entre um legado muito próprio deixado pelo músico, o filme documental de Martin Scorsese reaviva-nos a memória…
“Revolver” é o primeiro álbum de viragem na carreira dos Beatles, explicado pelo interesse de George pelo Oriente. O trabalho discográfico que se lhe segue, “Sargent Peppers”, apresenta um único tema de sua autoria, “Within you without you”, peça emblemática da corrente que inaugura. A principal temática das composições – amor e sociedade – corresponde à dos restantes compositores do grupo, fazendo a diferença pela preocupação evidenciada em se afastar de meras constatações, com a marca de uma visão do oriente que tenta ir além do ego, visível no lamento expresso em “I Me Mine”. A partir de 1970, com carreira independente, Harrison vê editado o trabalho “All things must pass”, cujas composições realçam a vontade pessoal e a liberdade individual, com destaque para o tema “Run of the mill”. Estereótipo, enquanto beatle, de se preocupar em excesso com questões financeiras surge, no entanto, a anedota contraditória, vinda dos tempos do “Cavern Club” de Liverpool: uma jovem fã deseja entrar, não tendo dinheiro. George passa discretamente, a um empregado, a quantia, dizendo-lhe “dá-lho, mas não lhe digas de onde veio”.
Como destaque, a organização do concerto para Bangladesh, que por cá passou em longa metragem. A origem da iniciativa deve-se a uma visita do seu velho amigo Ravi Shankar “my friend came to me with sadness in his eyes/said he wanted help before his country died.”. Para realizar o concerto, George consegue arrancar Eric Clapton e Bob Dylan ao parcial afastamento em que então se encontram. Pouco mais se ouve falar em George, até ao início de uma digressão norte americana, com Shankar e a sua orquestra de 18 músicos indianos, Billy Preston, Willie Weeks e Tom Scott (músico que acompanha Joni Mitchell nos seus concertos em LA). Os concertos norte americanos de George são então apresentados em 27 cidades lançando-o, de novo, para a ribalta.
I me mine
Bangla Desh Song
Imagens e informação: The fabulous story of John, Paul, George and Ringo, Octopus Ed. in association with Phoebus
18 de novembro de 2013
Doris Lessing em cinco romances
(foto: Kieran Doherty/Reuters - 2007, à porta da sua residência em Londres, a falar com os jornalistas, após ter sido galardoada com o Nobel)
Após a morte da escritora Doris Lessing ontem ocorrida, o periódico The Guardian apresenta uma lista dos que classifica como os cinco melhores títulos* da romancista britânica, sendo a seguinte a seriação proposta:
1 – The grass is singing (1950)
Lessing chega a Londres na primavera de 1940 com 20 libras no bolso e o manuscrito deste romance, construído a partir da sua vivência no continente africano. O enredo oscila em torno do medo e do poder associados ao colonialismo. A protagonista, Mary Turner, vivendo na Rodésia, numa quinta em decadência financeira, passa a gerir a propriedade por doença do marido. Dá então início a um relacionamento com um dos criados negros, situação conducente a um desfecho trágico.
2 – The golden notebook (1962)
Obra-prima do feminismo, o romance retrata a vida atribulada das mulheres no pós-guerra.
3 – Shikasta (1979)
Estreando-se com este título na ficção científica, trata-se de uma narrativa sobre um paraíso em declínio, planeta à deriva por influência de uma civilização avançada onde haviam sido instauradas paz, prosperidade e desenvolvimento acelerado. À época, a crítica comentou a mudança súbita de temática, o que então levou a escritora a afirmar: “a ficção científica é a melhor ficção social da nossa época.”
4 –The good terrorist (1985)
A narrativa é protagonizada por Alice, revolucionária de boas intenções, a viver no norte de Londres. Inserida num grupo heterogéneo de militantes, esta mulher é gradualmente conduzida à violência, culminando em assassinato as suas fantasias revolucionárias de burguesa.
5 – Alfred and Emily (2008)
Combinação de ficção e não-ficção, o romance baseia-se na biografia dos pais da escritora. Na obra divaga-se sobre o que teria sucedido, caso os pais de Lessing nunca tivessem casado e quais os reflexos de tal decisão na carreira de escrita desta Nobel da Literatura.
* Por opção , os títulos são mantidos na língua original.
14 de novembro de 2013
Um carro com vontade própria
A vida nas pequenas localidades também reserva surpresas - no caminho, um carro com personalidade própria . Antes do café que desperta para o dia, fica-se na dúvida se será miragem ou simplesmente uma viatura 'bucólica', a sentir o apelo campestre.
6 de novembro de 2013
O elevador do Lavra
Belíssimas edições, estas dos correios. Atraída por um título que acabo de percorrer, detenho-me na referência a um elevador que fez parte da minha juventude. Muito o utilizei, para aceder ao Campo dos Mártires da Pátria. Refiro-me ao elevador do Lavra, inaugurado no ano de 1884. Desconhecia a origem da toponímia. A mesma encontra explicação num carniceiro e marchante estabelecido no Campo Grande. O descendente desse comerciante, de seu nome Manuel Lopes do Lavra, tornou-se próspero cidadão, com queda para os números, tendo acabado como tesoureiro da rainha D. Francisca Isabel de Sabóia. O ascensor do Lavra foi o primeiro da cidade, desconhecendo-se o que terá conduzido a tal decisão — existiam zonas mais populosas e igualmente íngremes em Lisboa: Bairro Alto e Calçada da Glória, mais tarde contempladas com ascensores, o que tornou mais simples a vida dos lisboetas.
Fonte: Jaime Fragoso de Almeida, Elevadores, ascensores e funiculares de Portugal (adaptado)
Imagem: Luís Ferreira Alves, 'elevador do Lavra'
29 de outubro de 2013
Ó vizinha, dá-me salsa? (em três andamentos para abreviar)
1 (Allegro) - Sem família próxima, muda-se para uma casa das proximidades. Fecha-se numa oficina, a criar peças fantásticas. Começam, pela vizinhança, a estranhar a ausência prolongada. Batem-lhe à porta, aparece debilitado, febril, embrulhado num cobertor. Desdobram-se em cuidados de canja quente, de bolos saídos do forno, de fruta colhida no quintal. Dispõem-se ainda a acompanhar a uma ida ao médico. Volta a desenhada rotina, pois há que perceber que há ocasiões para se bater à porta.
2 (Largo)- Conhecimento de longa viagem de férias, pessoa afável e de interessante conversa. Vive num anónimo 7.º andar com letra (o prédio não se fica por ‘esquerdo’ e ‘direito’). «Não conheço ninguém por aqui, já cá moro há uns 5 anos»- confidencia num jantar oferecido aos conhecimentos de verão. Já há muito que por ali não vive, mas as coisas não terão mudado muito, ao longo dos tempos.
3 (Presto)- Prédio de vinte apartamentos, anterior morada a anteceder a fuga para o campo. Quatro horas da madrugada, tocam, com persistência, à campainha .Despertar súbito, pulsação descompassada «que desgraça anuncia o alarido?». Num repente, receia-se o pior. Voz desconhecida, pelo intercomunicador «é para abrir a porta, os nossos primos não têm como abrir a porta exterior, há uma avaria no trinco do apartamento». No dia seguinte, tentando evitar conflitos, bato à porta, a horas aceitáveis, voltando à situação inesperada, que não desejo ver repetida. À pessoal interpelação de as 4h da manhã não serem um momento conveniente, ouve-se, como num filme de Almodovar «não eram 4h, ainda faltavam quinze minutos!». Vizinhos: solidariedade, indiferença, estranheza […](quem não tiver histórias com vizinhos, que levante o braço)
19 de outubro de 2013
Manuel António Pina : «Chamo-lhes crónicas porque não sei o nome disto»
Desde o início do verão a saborear
Crónica, Saudade da Literatura, textos de imprensa do presente século, da
autoria de Manuel António Pina, editados há 5 meses pela Assírio e Alvim.
Saborear será, decerto, o verbo acertado para os pedaços de prosa legados pelo
poeta-cronista , consciente opção no intuito de o sentir mais presente em cada
dia que, com maior ou menor vagar, se sucede. Palavras que surpreendem pela
atualidade lúcida: um sentido de humor único, mesmo na abordagem a temas muito
sérios (humor, sobretudo em tempos mais árduos, equivale a inteligência). Atrai a leveza
da escrita. Do conjunto de textos, destaca-se a ênfase dada aos tempos de
crise, a denúncia da (in)cultura de muitas figuras com responsabilidades
nacionais, as considerações sobre o cinema com maiúscula (arte e não mero
fogo de artifício), as ideias sobre a beleza (ou sua ausência), sobre o sentimento de
felicidade, passando ainda pela
música, pela BD, por poetas próximos ou mais distantes, o apontar do dedo a
preconceitos, a denúncia a ideias feitas, a formatar uma realidade chata. Pina
situa-se nos antípodas do chavão, do lugar-comum. Fica a gratidão por quem nos
torna mais interessante a existência.
A preparar uma recensão sobre este
conjunto de crónicas, ficam algumas linhas soltas quando, por coincidência, se
completa um ano da sua morte.
«Tintin e os outros […] chegaram à
minha vida na infância como o Cavaleiro Andante e, como na canção de Maria
Bethânia, instalaram-se para sempre feitos posseiros dentro do meu coração. Com
eles fui à Lua e viajei por todos os
mares do mundo, subi aos Himalaias e desci aos negros porões da alma humana […]
defendi os fracos e enfrentei opressores e ricaços sem escrúpulos […] convivi
com guerrilheiros, com tiranos, com comerciantes, com sábios, com iluminados…
Se algo de essencial aprendi […] das minhas aventuras com Tintin foi o desprezo
da infâmia e a “linha clara” da coragem e da justiça.» - Manuel António Pina,
JN, 24/5/2007
18 de outubro de 2013
VI .ª edição do Prémio da Academia das Ciências
O prémio , na sua sexta edição, destina-se a alunos que, no presente ano, tenham ingressado no ensino superior e tenham concluído, com mérito, o ensino secundário. Para concorrer, será necessário enviar um ensaio na área do Português – prémio Padre António Vieira; da História – prémio Alexandre Herculano ou da Matemática – prémio Pedro Nunes. Devem consultar os requisitos na Academia das Ciências de Lisboa ou através da página desta instituição. Para além de valorizar o mérito , a distinção constitui ainda um auxiliar para o prosseguimento de estudos.
14 de outubro de 2013
«Primária» ou um merecido prémio
Escola de 1.º ciclo, não muito longe de Lisboa. De seu nome, o de um arquiteto que deixou património (não um pardieiro impessoal, com nome de EB1). Um grupo de crianças do 4.º ano, antiga 4.ª classe, a poucos dias do final do ano. Aproximam-se os exames, até lá, a preparação rigorosa, as contas com números decimais, alguns sonhos vividos durante o recreio, nos baloiços, em jogos de ritmo e palmas, em acrobacias. «O meu defeito é ser resmungona»; «gostaria de ser ensaiador da marcha de Alcântara» - respostas lidas perante professor e colegas. Os dias passam, chega a classificação final (com a possibilidade de melhoria na 2.ª fase das provas nacionais para quem não passou). Sabem-se os resultados, quase todos concluem um ciclo de ensino. À vez, o professor anuncia a classificação final. Batem palmas, após sucessos divulgados. Um pequenito não conseguiu acompanhar os restantes, dizem-lhe os colegas «também merece palmas», um outro, de palavra eloquente, fica para aulas de reforço, a fim de repetir os exames de Português e de Matemática: uma lágrima teimosa, a correr, a força (que muitos adultos não conseguem), presente nas palavras súbitas «professor, mesmo assim, foi um prazer ter trabalhado consigo». Na sala de cinema, o público solta, em coro, uma exclamação de surpresa. Termina o documentário com uma dança na festa de final de ano, coreografia a anteceder o esperado (e merecido, atendendo ao que de espontâneo se desenrola aos nossos olhos e ouvidos) afastamento de contas, escrita, leitura: música de ritmos e percussão, malas coloridas que , em movimentos sincronizados, compõem o momento festivo. «Primária», filme de Hugo Pedro, estudante do curso de cinema, foi – esclarece o realizador – filmado sem preparação prévia, a captar instantâneos. Haverá, na curta, alguma mensagem implícita no que diz respeito aos exames? O autor explica que não, a ideia surgiu por se lembrar, com agrado, dos tempos de menino. O filme? Prémio do público e do júri, nesta 4.ª edição do "Córtex", festival de curtas-metragens que ontem terminou em Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval.
Imagem: blogue da Escola Básica n.º 1 Raul Lino, “plantar aos sábados de manhã na escola”
9 de outubro de 2013
Os morangos de Ingmar Bergman
«O que é ser realizador?» – perguntaram a Bergman em entrevista, corria o ano de1964: «Oito horas diárias de trabalho árduo, para conseguirmos 3 minutos de filme». Mas fazer um filme é também a escrita de guiões elaborados pelo realizador, na remota ilha de Farö, na Suécia. Ao longo de décadas, a mesma rotina : depertar às 8h, escrita das 9h ao meio-dia , seguindo-se a parca refeição. «O almoço era sempre o mesmo» - lembra a diva Bibi Andresson- «uma espécie de leite azedo e compota de morango: singular mistura, a lembrar comida para bebé, à qual adicionava Corn Flakes». Após a refeição, Bergman trabalhava das 13h às 15h, para depois fazer a habitual sesta de uma hora. No final da tarde, a caminhada ou, em alternativa, o ferry para uma ilha vizinha, a fim de comprar jornais e recolher a correspondência. Ao serão lia, encontrava-se com amigos, assistia a uma longa metragem ou a uma série televisiva (era fã de Dallas). «Nunca consumi álcool ou drogas» - afirmou- «ocasionalmente, bebo um copo de vinho, o que me deixa incrivelmente feliz.»
Excerto de Daily Rituals, de Mason Currey
(fonte: The Guardian, 5/10/13, tradução informal para este blogue)
8 de outubro de 2013
Mentes criativas, rituais diários
Rotinas quotidianas de grandes vultos da Literatura: café de Balzac, madrugadas de Hemingway.
Um recente artigo do The Guardian revela rituais de personagens da História e da Literatura. Nele podemos conhecer algumas «estórias da História», tais como as seguintes:
- Hemingway levantava-se, todos os dias, às 5.30 da madrugada mesmo, quando na véspera, o consumo de álcool tinha ultrapassado os limites da sobriedade;
- Marcel Proust despertava entre as 3h e as 6h da manhã, começando o dia com uma dose de ópio para aliviar a asma, seguindo-se um croissant e uma chávena de café (que também é broncodilatador e, como tal, minimiza dificuldades respiratórias);
- Beethoven também consumia o café matinal, só que excessivamente forte : ele próprio contava 60 grãos para moagem, sendo essa a quantidade a seu gosto;
- Balzac ingeria 50 cafés diários;
- Flaubert mergulhava em banhos de imersão a elevada temperatura.
Informação detalhada em Rituais diários, mentes criativas The Guardian, 5 de outubro de 2013
Fonte: Gallimard, tradução livre para este blogue
6 de outubro de 2013
O 21.º aniversário do Renault Twingo
6 de outubro de 1992 : A Renault em busca de um conceito menos ‘quadrado’
Nesta data, a Renault decide apresentar, no Mundial de Paris, um segundo modelo utilitário de pequenas dimensões. O Twingo (depois da 4L e do R5 o lugar não tinha sido verdadeiramente ocupado) é então lançado como veículo popular dos anos 90. O design surge como inovador, com o formato de monovolume, aplicado a um veículo de reduzidas dimensões. O sucesso irá perdurar ao longo de 10 anos, sem sofrer alterações significativas e passando a fazer parte dos 10 modelos mais vendidos em França.
Fonte: l’Internaute Magazine/ Imagem: quatrorodas1volante.com
2 de outubro de 2013
O 'gamanço': divagações ao correr das teclas
1.
Um estudo de há uma semana divulga que Lisboa é
a capital onde há maior número de carteiristas;
2.
Há precisamente quinze dias, um alemão vem a
Portugal por motivos de trabalho que envolvem alguém próximo da autora destas linhas. Paga a
corrida de táxi, solicita fatura (que guarda na algibeira das calças) e, já na
reunião onde se encontra, descobre que se esqueceu da carteira no veículo. Pede
auxílio aos presentes. Um telefonema para a companhia de transportes , traz-lhe de volta o que
tinha perdido: documentos e cerca de duzentos euros. Louva a honestidade que ,
segundo afirma, se tratava de valor em descrença;
3. Há cerca de 2 anos, uma
holandesa vem à capital, igualmente por motivos de trabalho. O mesmo familiar
próximo recolhe-a num hotel da baixa, junto ao balcão de receção. A senhora vai
buscar a mala que tinha deixado num sofá à entrada, ficando em desespero ao
descobrir que alguém, sub-repticiamente, terá entrado no local, com planos de se apropriar dos bens alheios. A caminho da esquadra, dois
velhos amigos do português que a acompanhava, ouvem o episódio. Um deles diz
que algo de semelhante lhe aconteceu em Amesterdão, nos transportes públicos.
Como nota solta e a fugir à lógica, lembro outro episódio próximo, a envolver um jovem estagiário de jornalismo. A
sua primeira tarefa no jornal, foi a de analisar as estatísticas da
criminalidade nos comboios da linha de Sintra. No dia seguinte, não tendo outro
meio de transporte a não ser o dito comboio, viu o trabalho prolongado no mesmo
periódico, até às 23h (estava previamente estipulado que o horário de saída seria às
18h). Apanhou transporte por volta das 24h, talvez para testar in loco a
fiabilidade das estatísticas.
Imagem: ‘Bartoon’ de Luís Afonso, Público, 29 de setembro de
2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















