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3 de fevereiro de 2026

a construção em xisto

 


as construções em xisto da serra do açor são um testemunho material das condições de vida das classes trabalhadoras rurais da região. 

longe de serem escolhas arquitetónicas conscientes no sentido estético ou funcional moderno, estas casas refletem a precariedade dos recursos disponíveis e as necessidades mínimas de sobrevivência das populações serranas.

o xisto, material abundante ma serra, foi utilizado por ser o único economicamente viável. 

apesar de frágil, de fácil quebra e com baixa resistência ao impacto, era extraído manualmente e transportado de curtas distâncias, tornando-se o alicerce da construção local. 

as casas eram, regra geral, de reduzidas dimensões, muitas vezes compostas por apenas dois pisos: o rés-do-chão destinado aos animais e à arrumação de alfaias agrícolas, e o andar superior para habitação.

no interior, a compartimentação era feita com tábuas de madeira finas, sem isolamento térmico ou acústico, servindo apenas para separar os poucos espaços funcionais, como a cozinha e o quarto. 



a prioridade era o abrigo mínimo.

as janelas, quando existiam, eram pequenas e escassas: um metro quadrado de abertura envidraçada era significativamente mais dispendioso que um metro quadrado de parede em xisto, o que condicionava fortemente a presença de luz natural nas casas. 

as casas eram feitas com os materiais disponíveis na serra e o vidro tinha que ser comprado.

as janelas existentes tinham apenas um taipal de madeira como protecção para o frio e o vento.

a habitação não era concebida como espaço de conforto ou lazer. servia apenas para comer e dormir. os habitantes passavam a maior parte do tempo ao ar livre, trabalhando de sol a sol em atividades agrícolas ou de subsistência. 

o espaço doméstico refletia esta realidade: funcional, mínimo e moldado pela escassez.

a maioria das casas tinha, e tem, áreas de implementação na ordem dos 30m2, com paredes de 50cm, o que reduz o espaço interior para 25m2,, sendo (originalmente) um piso para animais, outro para a família (famílias com 5 ou mais filhos) e o "forro" para secar os alimentos e, sobre a cozinha, para "fumar" os enchidos.

o aspecto de xisto exposto não era uma escolha estética, mas uma consequência da pobreza. 

nas aldeias com menos recursos, as casas não eram rebocadas nem pintadas por simples impossibilidade económica.

 nos núcleos com maior poder monetário, as mesmas construções em xisto eram revestidas, o que muitas vezes leva hoje à falsa perceção de que uma casa rebocada não pertence à tipologia tradicional da região.

muitas vezes em tenho que mostrar a quem acha que fajão não deveria ser considerada uma aldeia de Xisto porque, ao contrário de algumas aldeias que estavam abandonadas na serra da lousã e agora estão cheia de turistas, tardo-hippies e novos rurais, tem muitas casas rebocadas e pintadas.

a questao central é que em fajao, mais de 90% do edificado usou o xisto como material de construção e dou o exemplo das minhas casas: uma tem parede exterior de xisto, mas a estrutura que a sustém é de betão; outra é pintada de branco e tida a sua estrutura é xisto.



a localização das aldeias em encostas ou terrenos acidentados reflete a lógica de aproveitamento do território: os poucos solos férteis e planos eram preservados para a agricultura, relegando os espaços menos produtivos à edificação de habitações.

a arquitetura em xisto da serra do açor constitui não apenas uma expressão do meio físico, mas sobretudo uma manifestação das estruturas sociais e económicas que moldaram o quotidiano das suas gentes.


aquilo que muita gente hoje acha "maravilhoso" era, para os meus pais e todos os da sua geração, sinónimo de pobreza e miséria.

a um familiar meu, quando lhe perguntava porque não ia mais vezes a fajão, ele respondia que aquilo só lhe lembrava fome e frio.

15 de janeiro de 2026

justa, de teresa villaverde

em 2017, na ressaca dos incêndios de junho e outubro, a teresa villaverde atravessou parte da zona ardida e sentiu que, muito para além dos hectares contabilizados de árvores queimadas, estava muito mais perdido sob essa camada que se vê à superfície. 

nesse momento começou a formar-se na sua cabeça uma ideia de filme que acabaria por se tornar o recém estreado justa. 


o filme é um retrato duro e silencioso de um país ferido, onde a dor não se manifesta apenas em grandes gestos, mas sobretudo naquilo que se perde sem ruído. 

a experiência dos incêndios atravessa o filme como uma ferida aberta: não apenas enquanto catástrofe física, mas como destruição profunda dos referenciais que sustentam a vida das pessoas. 

ardem as casas, os campos, os objectos, mas ardem também as memórias, os laços e os pontos de apoio que davam sentido à existência quotidiana, que dão sentido ao levantar de manhã da cama e ter um propósito. 

nestes incêndios, e falo de fajão porque conheço muito bem o terreno e também porque o filme foi rralizado parcialmente ali, a perda é total porque não se limita ao que é visível. 

quando o fogo passa, o que fica é um território estranho, quase irreconhecível, onde os habitantes já não sabem onde se situar. 

o chão familiar transforma-se num espaço de desorientação, e a identidade, que era fortemente ligada aos pequenos lugares, fragmenta-se. fica destruída.

a teresa villaveerde procurou filmar esta condição com uma contenção que amplifica o sofrimento: os corpos parecem suspensos, os gestos contidos, como se a dor fosse demasiado grande para ser expressa.

nos dias a seguir ao incêndio de outubro de 2017, em fajão,  as pessoas tinham perdido por cometo a capacidade de reagir, incapazes de chorar, de gritar. secos.

uma senspersistente de impotência, uma incapacidade de agir perante uma força que tudo consome. 

a impotência aproxima-se da experiência de um cego: alguém que, privado da visão, tenta apalpar o mundo à sua volta sem conseguir apreendê-lo por completo, levando as pessoas a moverem-se assim, tateando um destino que já não controlam, procurando restos do que foram, sem saberem se ainda lhes pertencem. 

o futuro deixou de ser uma linha visível, ou vagamente expectável, e transforma-se num espaço opaco, ameaçador.

o propósito da teresa villaverde é um olhar ético sobre a dor, recusando o espetáculo da tragédia para se concentrar na sua dimensão humana e íntima.  



depois dum grande incêndio,  as árvores voltam a nascer, as casas recuperam-se, os currais, as colmeias, os galinheiros renascem.

o que que perde para sempre é o que não se vê: o que liga as pessoas à terra e à vida.

6 de junho de 2016

le temps des cerises

as cerejas este ano andam entre o atrasado e o já estragado.a falta de frio quando dele precisavam e a abundância de chuva quando do que precisavam era de sol, estragou duplamente as cerejas.tam bém em fajão, onde o atraso tem pelo menos um mês.mas existe uma cerejeira em fajão que funciona como o pré-eco para os discos de vinil (eu sei que muita gente não sabe o que é isto, mas é boa altura para regressarem aos vinis).é a primeira de todas.quando todas as outras ainda têm uns protótipos de promessas de cerejas (uma espécie de proto-cerejas, ou putativas, como agora também se diz), a cerejeira do augusto fernandes ali para os lados do lavadouro já ostenta umas coisas comestíveis.haja esperança!mesmo que em junho já quase devesse estar a acabar a época...

10 de março de 2016

o mundo visto de fajão, ou o regresso às suas personagens chave

o 'arninha era o principal objecto da chacota das crianças de fajão e a quem este respondia atirando com tudo o que tinha à mão (o que era sempre muito), acompanhado de insultos na sua linguagem quase ininteligível e uma corrida desengonçada de quem não tinha a mesma altura e a mesma agilidade nas duas pernas ainda mais dificultada pelo saco que quase nunca saía dos seus ombros.
o 'arninha só queria que não o chateassem.. e 'arninha
por isso o 'arninha reclamava de só lhe darem farelos e não a saborosa 'arninha, que faltava a todas as casas de fajão.
durante algum tempo o 'arninha desapareceu se deixar rasto.
passado algum tempo voltou afirmando ter morrido e que tinha estado 3 dias no céu.
quando lhe perguntavam porque não tinha lá ficado, respondia:
-o céu só é bom prós ricos, comem 'arninha todo o dia.
os pobres é só rezar, só rezar e 'arninha nada

30 de agosto de 2013

fajão e o seu termo, parte 1 da urbe



fajão e o seu termo

hé província da beyra, hé villa comarca da cidade da guarda, he byspado de coimbra, e parochia
são senhores da ditta villa o reverendissimo padre reytor e mais conegos regulares da congregação reformada de santo agostinho do colegio novo do leal mosteiro de santa crus de coimbra como taobem do lugar dos cavalleiros, ceiroquinho, ceiroco e covanca. os mais lugares da ditta freguezia são de termos de outras villas, - como o lugar das bouças que é do termo da villa de góis, porto das balças, castanheira, ponte de fajao são do termo da villa de coja.
a villa tem trinta e cinco vezinhos, sobrais três, cavalleiros de sima seis, cavalleiros de baixo seis, bouças nove, ceiroquinho, outo, ceiroco sette covanca três, camba dous, porto das balças dous castanheira treze, val do pardieiro dous e todos os vezinhos da freguesia são noventa e nove e o numero das pessoas são trezentas e quarenta e duas
esta villa esta situada em uma serra metida em um valle e não descobre povoacao alguma, e dellas esta destante muytas legoas
a villa hé chamada fajao os lugares ou aldeias são as seguintes – sobrais – cavalleiros de sima – cavalleiros de baixo – ceiroquinho – ceiroco – covanca – cambas – e os mais que vao nominados asima na quota (?)  ao primeiro interrogatório que sendo desta freguesia são do termo de outras villas
a igreja parochial esta distante da villa vinte passos a um lado
o orago da ditta egreja h nossa senhora da assumpçao, tem três altares. No altar esta a senhora da assumpção e sancto antonio, em um dos collatrais esta nossa senhora do rozario, o sancto antonio adonde taobem esta colocado o sacrário ao lado esquerdo em outro altar esta sancto symao, e santo caettano e o mártir sancto sebastião
tem uma irmandade de nossa senhora da assumpcao e outra do santissimo sacramento
o pároco hé cura cuja apresentação pentence ao reverendissimo reytor do collegio das (…) dos conegos regulares de sancta cruz de coimbra. a renda que tem são onze mil reis de congroas e o reverendo prior de villa cova de cernache com mil e quinhentos reis e de prezente por novo decreto dizer as missas dos domingos e dias sanctos /para popuo/ me da o reverendissimo reytor do ditto collegio cinco mil reis e de funeraes poderá render um anno por outro vinte mil reis
não é colegiada, nem tem beneficiados
não tem conventos
não tem hospital
não tem misericordia
fora da villa em pouca distancia esta uma hermida da transfiguração do senhor – no lugar dos cavalleiros de sima esta outra hermida de sancto domingos – e no lugar dos cavalleiros de baixo outra hermida particular do padre francisco gomes nogueira da invocação de nossa senhora da graga; -- no logar das bouças esta uma hermida de sancto antonio no logar de ceyroquinho esta uma hermina de sancto antonio; - no logar da ponte esta uma hermida de nossa senhora da paz; - no logar da castanheira esta uma hermida de santiago – no logar do porto de balça esta uma hermida nossa senhora da natividade; - no logar da covanca esta uma hermida de sancto amaro – no lugar de ceyroco esta uma hermida de sancto antonio nas quais dá missas sanctas nos dias (…) e não tem (…)
os fructos da terra são castanhas, pão e algum milho e mel
tem juis ordinário e camara que (…) o doutor corregedor da cidade da guarda
não hé couto mas sim cabeça de concelho
não há memoria que nellas (…) homens por virtude, (…) ou axmas
não tem feyra
não tem correyo égua, distante dés léguas da cidade de coimbra a onde elle chega e da cidade de lysboa fica distante quarenta léguas – alguns previlegios tem dos conegos regulares do collegio (…) de santa crus de coimbra
nesta freguesia á muitas fontes sem apparato algum, a qualidade das aguas é muito fria
não há porto de mar
não hé terra murada

não padeceu ruina alguma no terramoto de mil sete centos e quarenta e cinco digo de cinquenta e cinco

13 de março de 2013

o espírito dos dias que correm

cada vez mais esta é a sensação:

muitos a espreitar o banquete de poucos


(quadro de guilherme filipe, no restaurante o pascoal, em fajão)

31 de julho de 2011

especialmente para os amantes de gadgets

durante muitos anos tive uma espécie de paixão pelos cintos que os carpinteiros americanos usavam nos filmes e nas séries.
aquilo parecia que a sua colocação na cintura dava logo uma espécie de super-poderes.
há uns anos, pelo natal, e quando repetia que o meu sonho era um daqueles cintos maravilha, foi presenteado com o exemplar abaixo mostrado:





(claro que à primeira utilização, e quando ao ajoelhar-me o martelo raspava pelo chão, deixei-me de coisas e voltei a usar todos os bolsos disponíveis para alicates, chaves de parafusos e martelos, deixando a boca para preços e parafusos)

esta semana, olhando para a inutilidade sob a influência do ar de fajão, encontrei a sua nova utilização, que pode vir a ter imenso futuro:
suporte de gadgets

hoje, qualquer adolescente a jovem adulto anda carregado de tablets vários (i-pads e semelhantes), i-phones e outros 'smart phones), i-pods e outros leitores de mp3/4, pens várias, discos externos, bandas largas e menos largas, etc..
este cinto maravilha, que é mafifestamente pouco útil para as bricolages caseiras, tem o seu futuro garantido com suporte de gadgets para os amantes dos ditos.
o conselho é gratuito, que em fajão somos todos muito generosos...

o mundo visto de fajão

em fajão, uma ruína não é apenas uma ruína

para um urbano como eu, geralmente, uma ruina é apenas isso: uma ruína.
mesmo que para mim ‘esta’ ruína seja a casa do ‘marechal’ e que antes tenha sido a casa do ‘tabaínha’ ou ‘antónio grande’, como era conhecido o seu pai.
não são para aqui chamadas as histórias do tabaínha, homem enorme, bom cantador de fado serrano e um moiro de trabalho ou do seu filho, o ‘general’, coisa um pouco menos saudável, principalmente para o próprio que morreu cedo e doente.
a casa ardeu, por razões que não são para aqui chamadas, pelo menos por agora.




passo nesta ruína muitas vezes ao dia, porque fica no caminho para a minha casa.
para mim é uma ruína, cheia de lixo e com umas ervas já a crescer lá dentro.

para um fajaense (no caso, uma fajaense) o assunto é muito mais rico.
estávamos no passadiço a fazer misturas experimentais em aguardentes e licores e veio à conversa as ervas que os de fajão usavam para os seus tratamentos e uma fajaense presente, preciosa em muitas coisas e também no conhecimento das ervas, diz que a ‘erva tal’ até havia ali ao lado na casa do marechal.
fala-se de outra, e também havia ali na ruína.
proponho uma visita guiada à ruina e, tirada a foto, vem a explicação:

nesta foto pode ver-se, entre chão e paredes, o seguinte (para além do lixo e madeiras ardidas):
sabugueiro, avenca, erva de s. roberto, freixo, hera, erva terrestre, concelhos, alfavaca da cobra, abrunheiro.
quanto às suas utilidades:
sabugueiro (flores): constipações, gripe, tosse, dor de barriga, estômago, infecções externas.
para todas (excepto para as infecções externas, em que se coze a rama e se lava a zona infectada com a infusão) faz-se e bebe-se o chá resultante da infusão das folhas.
avenca: tosse, constipações, gripes, rouquidão: fazer chá com as folhas e beber.
erva de s. roberto (a mais generalistas das ervas, porque faz bem´’a tudo’): dores de estômago, intestinos, fígado, má disposição, barriga, bexiga, diabetes, inflamações internas.
para todas, beber o chá da infusão das partes aéreas da planta.
freixo: a casca e as sementes são adstringentes e febrífugas. as sementes contêm um óleo semelhante ao do girassol. o freixo é laxativo e sudorífico, utilizado para problemas de gota e para emagrecer. as folhas são usadas para baixar o ácido úrico no sangue, fazendo uma infusão numa proposrção de 30gr para 1 lt de água.
hera: desinfectar a boca, frieiras, queimaduras.
para as frieiras e queimaduras, fervem-se as folhas e banha-se a zona afectada com a infusão e colocam-se as folhas cozidas em cataplasma.
para desinfectar a boca, bochecha-se com a infusão.
erva terrestre: febre, gripes, garganta, tosse, coração.
faz-se infusão com a folha, rama com folhas e flores e bebe-se.
concelhos (ou concilhos): feridas, queimaduras, frieiras, furúnculos.
a utilização é muito varias, mas a mais comum é com aplicação directa sobre a zona afectada (directamente, esfregada, esmagada e aplicada, aquecida e untada com azeite. etc..)
alfavaca da cobra:rins, bexiga, diabetes, fígado, infecções internas, infecções ou irritações genitais, inchaços, hemorroidas, infecções externas, feridas.
para as questões internas, bebe-se o chá; para as externas, o valor resultante da cozedura sobre a zona afectada.
abrunheiro: comem-se os abrunhos que são muito bons (outras aplicações as minhas fontes não mencionam)

não respondo pela eficácia destes tratamentos e não pretendo convencer ninguém que são eficazes, mesmo que por vezes utilize alguns dos que vou aprendendo.

mas a verdade é que, em fajão, uma ruína não é apenas uma ruína: pode ser um local cheio de vida

fontes:
‘plantas medicinais da serra do açor’, editado pelo instituto de conservação da natureza e da autoria de joana salomé camejo rodrigues, com base nos testemunhos locais
‘plantas aromáticas e medicinais do parque natural da serra da estrela’, também do icn, da autoria de ana sofia baptista oliveira e rafael ferrão neiva
‘plantas aromáticas e medicinais da reserva natural da serra da malcata’, edição do icn e de autores vários com coordenação de paula gonçalves e fernanda mesquita

28 de julho de 2011

o mundo visto de fajão




há muitos anos, na minha primeira viagem adulta a fajão, antes de vir para os 12 dias de férias a que se tinha direito mesmo depois de muitos anos de trabalho, decidi passar pelo ‘república’ para fazer uma ‘assinatura’ do jornal, já que as notícias aqui eram inexistentes.
e vim carregado de livros que ao tempo achava indispensáveis (um deles, a arteriosclerose ainda me deixa lembrar, era sobre as divergências entre a china e a união soviética, visto pelo lado chinês, obviamente).
chegar a fajão tinha sido um longo calvário de comboio de queluz para lisboa, caminho a pé até santa apolónia, comboio até coimbra, automotora até à lousã, camioneta até ao rolão e os últimos 15 quilómetros na estrada de ‘borralho’ no táxi do zé maria, a figura mais merecidamente carismática de toda a beira interior.
fajão era no fim do mundo.
e demorávamos um dia a lá chegar.
percebi porque quem lá estava queria fugir e quem de lá tinha fugido tinha pouca vontade de regressar, excepto no dia da festa senhora da guia, que não é a padroeira, mas funciona como tal (uma espécie de padroeira ‘honoris causa’ se é que existe honoris na causa das padroeiras).
alguém me dizia quando lhe perguntava porque não gostava de ir a fajão: ‘porque a tua memória de fajão é de férias e a minha é de fome e frio’.
o mundo visto de fajão era como se mudássemos de fuso horário, mas em vez de mudar uma hora, mudássemos muitos anos.


há uns dias, pelo lusco-fusco, estavam num banco corrido na minha frente 4 dos jovens que ajudam a que fajão esteja vivo o ano inteiro com 3 ‘tablets’ (um era partilhado) e o pai de um deles a navegar na net pelo telefone.
agora o jornal é lido como eu leio os meus todos os dias quando estou aqui, online. na hora.
por vezes sabem, pelo facebook, mais rapidamente coisas dos meus filhos do que eu.
um pouco mais tarde, no fresco do passadiço, oiço a melodia irritante que anuncia um dos melhores ‘curtos’ de animação que passam na televisão (na fox fx): ‘the happy tree friends’ e soa um despertador na minha cabeça!!!
'quem está a ver aqui esta maravilha??' e logo oiço a voz do presidente da junta:
-'carlos!, anda aqui ver estes bonecos!', enquanto ria generosamente.

já tinha estado nos meus planos escrever sobre esta delicia que passa quase clandestinamente no fox fx.
foi preciso fajão me despertar para o fazer..


vejam aqui os videos (são curtos e grossos, como se costuma dizer, e não aconselháveis a mentes sensíveis):

27 de julho de 2011

400 passos

‘too much information’
é o que parece que temos nas nossas cabeças.



hoje, ao sentar-me no bar da piscina de fajão, dei conta (olhando para o telefone que conta passos antes de fazer com ele esta foto) que de minha casa à entrada da piscina são 400 passos (475 até ao bar).
não 100, como a distância entre a casa de peppino impastato e a de gaetano badalamenti no filme de marco tullio giordana
entre a casa do jovem que se recusava a viver sob a tirania da mafia e a de um dos seus padrinhos mais poderosos.
lembrei-me das perguntas de peppino ao seu irmão: ‘sabes contar? sabes caminhar?’
e revi o filme. e lembrei-me da canção dos modena city ramblers.
se a nossa cabeça não andasse tão cheia de informação (até a inutilidade de ter um telefone que conta, no nosso bolso, os passos que damos), estaria no bar da piscina de fajão, numa quente manhã de julho simplesmente a saborear o café, ainda molhado do banho recentemente tomado, olhando a água que me refrescou a as montanhas que o testemunharam.
a felicidade são pequenos momentos, que demasiada informação pode complicar.

14 de maio de 2011

o centro do mundo



conta uma das muitas lendas da terra que um dia, ao chegar ao cimo da rocha (a serra em frente à aldeia), um dos de fajão exclamou:

- o mundo é tão grande !!!

hoje, se por acaso soubesse ler, diria ao olhar para este marco:

- o mundo é tão alto !!!

mas a verdade é que fajão, para os seus, continua no centro do mundo

7 de abril de 2011

fajão county choppers




as oficinas de transformação de carros, motos e outros veículos motorizados nas suas diversas formas e feitios estão muito na moda nos canais por cabo.
que eu saiba, começou nos famosos orange county choppers, no estado de new york.
de uma pequena oficina acessória ao seu principal negócio de aço na primeira série, transformou-se numa enormíssima ‘fábrica’ e agora dividida em dois para o peixe render melhor.

os ‘choppers’ de fajão são mais ecológicos.
utilizam materiais reciclados de velhos frigoríficos, fogões, tubos abandonados e, claro, rolamentos que já tiveram melhores dias e outras utilizações.
os choppers de fajão funcionam na antiga ‘tele-escola’. na mesma onde em putos andaram a aprender, andam agora a fazer.
a última novidade é uma carro que, acionada a ‘mudança’, vira com os 4 rolamentos ao mesmo tempo.
estará pronto para a descida programada para o mês de maio.
até lá, muita solda, muito martelo e muito parafuso vai correr com os fajão county choppers...

17 de janeiro de 2011

surrealismo no vale pardieiro


este sábado regressei ao vale pardieiro.

já aqui escrevi algumas vezes sobre o vale pardieiro e, nomeadamente, sobre a minha admiração pelos antepassados dos seus actuais naturais.
a tenacidade que demonstraram ao rasgar o monte sobre o qual assentam as suas casas para fazer passar a corrente do rio ceira sem inundar as margens da curva apertadíssima que debrua a aldeia é sinónimo de um povo que sabe que consegue os seus objectivos se se unir.
estranhamente pouca gente que normalmente vai a fajão conhece o túnel do vale pardieiro e, talvez por isso, eu passe a vida a recomendar que o visitem.
no sábado à tarde regressei mais uma vez ao vale pardieiro para mostrar o tunel.
ao descer pelo lado oposto ao que normalmente desço, perguntei a uma pessoa que ali estava, qual o acesso, porque nunca tinha descido por aquele lado.
o bafo que veio com as perguntas sobre quem eu era, de onde vinha e ao que vinha deixaram-me um pouco atordoado, tal a quantidade de vapores etílicos que jorravam a cada frase.
mas lá se disponibilizou a descer connosco enquanto voltava a perguntar sobre e mim e, mesmo respondendo-lhe eu a tudo, insistia que eu não lhe dizia quem era.
se esse fosse um diálogo em lisboa eu teria mandado o senhor meter-se na sua vida. mas estando numa aldeia e sendo natural a curiosidade e os receios sobre estranhos, fui respondendo a todas as parguntas.
e lá fui dizendo de quem era filho, onde tinha casa, como me chamava, quantas vezes costumava ir a fajão, o que fazia.
tudo, literalmente tudo.
mas toda a informação parecia que não chegava ao cérebro do questionador, talvez obnubilado pelos vapores etílicos.
pelo meio ia-se queixando da junta de freguesia que nada fazia, que teve que 'abrir' a estrada para a sua casa (coisa que verificar ser mentira, porque foi 'aberta' pela câmara municipal), mais o caminho que descia para o vale que estava nos seus terrenos (coisa que também fui informado tratar-se de caminhos públicos).
tudo dito e explicado, com mais e mais perguntas sobre mim e, não obstante as respostas, a obnubilação cerebral não lhe permitir processar a informação, chega-se a hora e dizer adeus, ao que vem um estranho e inusitado convite para lanchar em sua casa, que recuso agradecido por ter à minha espera uma festa de aniversário em fajão, com porco assado no espeto,
mas prometi, logo que chegasse a fajão, fazer eco junto do presidente da junta, de todas as queixas e lamentos.
quando estava meia aldeia no passadiço a jantar o porco e o arroz de feijão, chegam dois militares da gnr com ar de quem tem um serviço sério para tratar e todos brincámos sobre a falta de licença para jantar na via pública...
eis senão quando o presidente da junta, pessoa pela qual pergutaram os militares da gnr, me chama e me pergunta se eu tinha ido naquela tarde ao vale pardieiro.
claro que tinha ido.
mas qual era o motivo que tinha feito dois militares da gnr andarem 50 quilómetros à procura de quem tinha ido naquela tarde ao vale pardieiro?
apenas que o tal senhor com quem tinha falado durante a tarde e me tinha confessado ser agente principal da psp, tinha telefonado para a gnr da pampilhosa da serra e dizer-e com medo de um casal que tinha andado a passear pelo vale pardieiro e deu todas as indicações que eu lhe tinha dado, mais o facto de achar que eu teria '40 e poucos anos' e que, só por si é demonstrativo do mal que o vinho pode fazer ao cérebro...
os militares da gnr, após falarem comigo, desculparam-se e pediram-me desculpa pelo incómodo e quando questionados sobre se queria juntar-se a todos e comer alguma coisa, responderam educadamente que tinham mais coisas que fazer.
eu pedi desculpa pelo incómodo e lamentei que um agente principal da psp, que tem todo o direito a beber todo o vinho que quiser nos períodos em que não está a trabalhar, tenha obrigado dois elementos da gnr da pampilhosa da serra a conduzirem 50 quilómetros por causa de alguém que, obviamente, naquele dia nao estava com todas as suas capacidades cerebrais a funcionar.
eu acharia normal que um qualquer casal com 90 anos a viver isoladamente numa aldeia se assuste por ver um estranho na sua terra... mas um polícia vai telefonar para a gnr ????? se tinha dúvidas e medos porque não mo disse directamente?
tal como alguém lhe perguntou à noite quando ele foi a fajão e se justificava que me tinha perguntado 30 vezes quem eu era e eu me tinha recusado a identificar (primeiro porque ninguém me pediu, segundo porque não o costumo fazer a pessoas em chinelos e a tresandar a vinho): se eu não tinha dito quem era, como é que ele sabia onde era a minha casa ou quantas vezes ia a fajão e mais todas as informações pessoais que passou para a gnr?
o que me preocupa nisto, é que gente desta anda armada legalmente...
e o que eu gostava, era que após o dito agente principal ter saído à noite de fajão, ninguém tivesse telefonado para a gnr para o fazer soprar no balão...
o que me chateia mesmo muito, é que não sei se tenho coragem de aconselhar mais alguma pessoa a visitar o vale pardieiro...

29 de dezembro de 2010

o mundo visto de fajão, ou o que dava conto das abelhas e não das colmeias




um dia o pascoal foi ao val'da cal contar as suas 27 colmeias.
contava, recontava, voltava a recontar e não lhes dava conto.
como não dava conto das colmeias decidiu contar as abelhas.
tantas abelhas contou e recontou que lhe faltava sempre uma.
saiu à cata dela pela serra e encontrou-a nas pedras d’hera com 7 lobos de volta dela a comer-lhe os bocados.
agarrou no cajado e atirou-o aos lobos que fugiram e deixaram os restos da abelha, mais morta que viva, no meio do mato.
o pascoal apanhou os restos da abelha e espremeu-os tão bem que deitaram 7 canadas de mel.
como não tinha onde colocar o mel, tirou 2 piolhos das costas e, com a pele dos piolhos, fez dois odres para guardar o mel.
o pascoal tentou colocar os odres de mel às costas mas, cansado da busca pela abelha, não lhes pôde com o peso.
olhou em volta para ver o que lhe podia acudir, apanhou uma carriça e colocou-lhe os odres com as 7 canadas de mel em cima para os transportar para fajão.
quando sentiu a carga em cima, a carriça voou para cima dum carvalho.
o pascoal, ao ver o mel a voar no lombo da carriça, atirou-lhe com uma machada que desapareceu no mato.
sem mel nem machada, o pascoal deitou fogo ao mato.
a carriça voou com o mel.
ardeu o mato, o carvalho e a machada e o pascoal ficou com o cajado
(para os não fajaenses, o 'pascoal' é o contraponto popular ao 'juiz' e aos 'fidalgos'. muitas das histórias de fajão se centram nestes 3 grupos: os do juiz com a esperteza de um 'magistrado' cheio de sabedoria popular, os fidalgos com o surrealismo do 'só génios somos 5' e o 'pascoal' com um surrealismo fantástico cheio de inocência.. o meu preferido e o meu conhecido.. espero que os fajaenses não me matem por esta 'fixação' em escrita da história do mel

18 de agosto de 2010

meu querido mês de agosto, parte 2: a piscina de fajão

a piscina de fajão em agosto é uma espécie de inferno, sem ser no sentido metafórico da teologia religiosa.
é um inferno mesmo.
dos imaginados pelo dante alighieri.

por uma razão estranha que a minha capacidade de discernimento não consegue descortinar, alguns dos utentes de agosto da piscina de fajão comportam-se como uma espécie de porcos em pocilga, ou têm aquele atitude parva dos meninos cujos pais babados acham que são hiperactivos, mas que são apenas muito mal educados.
e como estão de férias, tudo lhes é permitido e exigível.
e têm alguns defeitos de fabrico:
o principal defeito de fabrico é a falta do botão do controlo do volume de som: falam aos berros para pessoas que estão a dois metros deles e contam a sua (deles) vida, como se aquela coisa interessasse a mais alguém para além deles mesmos, ou para gritarem que vão fazer mais uma 'bomba', ou para berrarem 'olha para mim', como se o mundo existisse apenas num raio de 1mt em volta do seu umbigo.
como gostam de dar nas vistas, fazem campeonatos de 'bombas', que é uma espécie de campeonato de saltos para a água para deficientes mentais.
não lhes passa pela cabeça que a água que salta para as lajes em volta da piscina as torna demasiado perigosas para quem anda por elas (especialmente as crianças que correm mais do que andam), e até para eles próprios, que saltam mais do que pensam.
tomam banho (com shampoo, claro) nos chuveiros da piscina para que todos vejam que são limpinhos (outra hipótese é pouparem água e gás em casa), mesmo que a espuma que cai para as lajes seja demasiado perigosa (a questão da estética do banho em público é coisa que não lhe cabe naquelas cabecinhas pequeninas..), e mesmo existindo balneários com chuveiro a uns 30 metros de distância onde podem fazer exactamente o mesmo, com a porta fechada.

a piscina de fajão tem o grande defeito de ser gratuita, estar limpa, ter balneários limpos, duche de entrada com água quente e de ter as suas regras de utilização escritas em português, que é uma língua não falada pelos invasores de agosto.
falta o tradutor em forma de cacete para os analfabetos funcionais.

felizmente que existem todos os outros meses entre maio e setembro para a piscina de fajão ser... uma piscina excepcionalmente bonita.

os aduf de volta à terra dos adufes




no último sábado os aduf deram um concerto em monsanto.
uma espécie de regresso ao local da influência.
depois de terem trabalhado na expo 98 com algumas adufeiras de monsanto, os aduf regressaram agora para um concerto na terra dos ditos.

um concerto preparado ao pormenor, seguramente para posterior edição em video, e com um alinhamento diferente do que seria o normal num outro concerto dos aduf.
aqui, o aproveitamento das gravações feitas com a população de monsanto, mais a participação das adufeiras de monsanto, deram ao concerto uma unidade formal que o tornou numa espécie de marco para a fase seguinte do projecto: mais coeso e com mais esperança que realmente continue.
a música de influência da tradição popular, está em portugal numa fase excelente, quer de qualidade quer de diversidade.
os aduf são uma prova disso.

aduf, monsanto 14 agosto 2010

pena é que para chegar de fajão a monsanto (uns 100km, pouco mais) tenha que demorar mais de 2 horas (sim. para cada lado).
a grande vantagem é que num sabado de agosto há sempre uma festa à nossa espera para alimentar o estômago, mesmo que sejam 2 e meia da manhã. e lavacolhos acolheu-me com umas deliciosas bifanas acabadas de grelhar...

meu querido mês de agosto, parte 1: os incêndios de fajão




o ano em fajão divide-se em duas grandes épocas:
agosto e o resto do ano.
o 'resto' do ano é tão bom que lhe 'desculpo' o agosto.

o agosto em fajão são os incêndios ou os medos deles;
a 'tradição' diz-nos que os grandes fogos em fajão são um assunto de década.
com uma pontualidade quase absoluta, as chamas chegam junto à aldeia a cada década, no ano 5º.
o último teve o seu pico mais intenso a 15 de agosto de 2005.
pelo meio são incêndios mais pequenos, como uma espécie de pré-aviso de catástrofe.
depois de 2005, principalmente com os sapadores, tem havido uma imensa preocupação com a abertura de corta-fogos, limpeza de bermas e de matos junto às aldeias da freguesia.
provavelmente evitará males maiores que seguramente virão.
este fim de semana o incêndio atacou na encosta em frente, na cota superior das gralhas, onde há uns 15 dias dias tinha havido um outro provocado por um 'incidente acidental': uma fagulhas duma serra a cortar madeira.
a rapidez do ataque foi assombrosa e a eficácia também: uns rápidos jactos vindos de um avião apagaram o fogo com uma velocidade que parecia ficcionado para material de propaganda.
em menos de meia hora estavam no local 2 helis, 1 avião, os sapadores e o fogo apagado.
desta vez, pelo menos por uns dias, o medo dum grande fogo está adiado.
mas a questão em fajão parece ser sempre essa:
está adiado.
apenas.

23 de julho de 2010

o juiz não morreu...

...mas viva o pascoal !!!



(quadro de guilherme filipe, no ´pascoal')

o juiz de fajão e pascoal fernandes são as figuras centrais dos contos de fajão.
o humor do juiz é muito do humor das pessoas de fajão (dizem-no de mim).
arrevesado e com voltas e travessas.
o pascoal era mais o homem da luta popular. pelo menos a atestar a sua fama de ter encabeçado a luta pela aplicação dos privilégios de isenções aquando da passagem do domínio de fajão do mosteiro de folques para o de santa cruz, em coimbra pouco condizente com o que lhe é igualmente atribuído séculos mais tarde.
mal ao pascoal são-lhe atribuídos todos os feitos dos da terra.
é uma espécie de alter-ego colectivo dos fajaenses.

'fechou' o juiz de fajão, seguramente o restaurante mais famoso da serra do açor.
fechou, ou melhor dito, passou a, como dizem os anglófonos, ter o papel de 'supporting actor' na restauração fajaense.
e o papel principal passou, a partir de ontem para o 'pascoal', mesmo na esquina em frente.
se o pascoal já servia para quando o juiz estava cheio, agora vai passar a servir o juiz para quando o pascoal estiver a rebentar pelas costuras.

és estranho passar pela porta do juiz e vê-la fechada.
existe uma espécie de sentimento de orfandade na terra.
na verdade, desde os tempos do zé maria (uma 'personagem' completamente ao nível do pascoal) que aquele era o centro de fajão.
agora passa a ser o passadiço, bem mais perto da minha casa...


'morreu' o juiz?
viva o pascoal !!

6 de julho de 2010

tempo de recolectar em fajão

este tempo de canícula encerra um período de recolectagem em fajão.
as últimas semanas foram de cerejas.
a quantidade de cerejas em fajão nos últimos anos não pára de crescer. as árvores inundam as margens das estradas e os campos. e o tempo parece que as tem ajudado a crescer (por vezes de de formas pouco convencionais).


mas esta também é a época dos sabugueiros darem flores (as flores secas em chá são excelentes, entre outras coisas, para o estômago (o que, a seguir às toneladas de cerejas comidas, é sempre aconselhável) e da lucia-lima estar com as folhas prontas a serem apanhadas.



os próximos tempos serão de peras (já com razoável tamanho no caminho para a piscina), das ameixas (excelentes as primeiras amostras numa pequena árvore na escola) e uns abrunhos a mostrarem-se já para o próximo mês que, com este tempo de chuva e a canícula antecipa umas amoras de criar baba ao estilo cavaco a comer bolo-rei....
uma das grandes vantagens de fajão é que, seja em que época do ano for, existe sempre alguma coisa a jeito de ser apanhada

30 de junho de 2010

os novos caminhos de fajão

já em tempos aqui falei dos antigos caminhos que levavam a fajão.
eram os únicos, os que tinham mesmo que se percorrer para fugir do isolamento quase total em estavam aquelas aldeias no meio da serra do açor.
hoje, a recuperação desses antigos caminhos é feita para aqueles que querem sentir, por nostalgia ou pela experimentação do novo, as veias por onde circulava a vida dos que habitavam a serra.
a semana passada foram inaugurados 'novos' caminhos (na verdade estavam completamente tapados por mato e silvas) a prometer muitas caminhadas nos próximos tempos.
a recuperação das aldeias faz-se também de pequenas coisas.
dar vida àquelas aldeias é também permitir que a vida as percorra e as calcorreie.