23 de janeiro de 2007

Palavras para Jasmim e para todos...


"este foi o ano em que nasceste
e prolonga-se este ano os seus
meses muito grandes por ti
este foi o ano que te fez nascer
e chegaste no seu leito como
em barco carregado de rosas
um barco sem leme sem remos
que chega na força serena do rio
e na força de um dia demasiado
forte na vida na minha vida
na vida da tua mãe que te
troxe como um barco perfumado
de pétalas a descer um rio
uma vida demasiado forte e
a nascer e a chegar no dia
exacto deste ano em que nasceste
para nós para dias e anos
de auroras e noites distantes
dias longos a nascerem como o
teu sorriso de criança a
ensinar-nos o que esquecemos ao
crescer a ensinar-nos a sorrir
de novo na vida na tua
vida que começou e se estende
neste ano sem noite sem foz
em que chegaste como um barco
de rosas na primeira luz da
madrugada"

José Luís Peixoto

Este moço escreve coisas bonitas. Muito bonitas. Estas palavras sinto-as como se fossem minhas, para a minha Jasmim, nascida há 20 dias, aqui no quente desta casa. Apropriei-me delas, é a vantagem das palavras...
E o prazer, também. Nesta última semana tive o prazer de ler o último livro deste moço. Chama-se "Cemitério de Pianos" e é um fenómeno. Ainda estou azaramboada por tanta intensidade e beleza...
impossível não partilhá-la convosco. Comprem-no, roubem-no, peçam-no emprestado...
Devorem-no.

;o)

beijos e abraços

No dia dos Desposórios ...




Duas páginas da Agenda para 1853 de Castilho.
Sobre o calor na Noruega e sobre os produtos que vinham do Brasil:
"Grumixamas delicadas,
e temos posto em latadas.
Mimoso maracujá,
Temos áta, jaca, cocos.
Caracinhas amarelas
Ananás e outras belas".

Parece-vos bem?
"Também fazemos em tempo
Do milho verde o corá,
Mojanguês e vatapá,

Pés de moleque e cuscus."
Muito especialmente para a Cravo e Canela, carioca e lisboeta de gema.
(clicar na imagem para ler melhor)

Para começar bem o dia!

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Jorge Listopad, Secos e Molhados, Numar Edições

22 de janeiro de 2007

Transversalidades e Crusoe

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No domingo, por motivos profissionais, conheci um prédio construído em 1909. Tem uma vista magnífica sobre o rio e já foi um belissimo e invulgar imóvel. Retenham.

Não sei porquê hoje, acordei a pensar no Robinson Crusoe. Foi dos meus grandes heróis de infância, sobrevivendo a todas as desgraças, mesmo aos canibais glutões que o rondavam e todos os filmes que vi inspirados neste filme me decepcionaram. Penso que sei porquê: Defoe despoleta um imaginário fortissimo, assim como as gravuras que acompanhavam a versão que li em miúda.
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Outro dia na abençoada Feira de Algés, encontrei um exemplar em espanhol do Robinson Crusoe.
Matei saudades . Mexe comigo aquela auto-suficiência conquistada, a amizade com Sexta Feira, a redescoberta de ser um homem.
O livro de que digitalizei estas gravuras foi ilustrado por Walter Paget e pertencia a um senhor. Manuel Borges D`Avila, Ilha Terceira, Açores. Foi vendido na Livraria Férin, Rua Nova do Almada.

O livro foi editado em Barcelona.
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Tudo isto, para usar o meu primeiro parágrafo:o livro tinha uma marca, uma página de bloco de calendário de mesa. Ano de 1908/1909. Os meses de Dezembro e de Janeiro.
Tem que existir uma lógica qualquer para isto, não? Ou talvez o encanto de tudo, seja a total arbitrariedade de factos e objectos
. Mas fico com a impressão, de que há algo por escrever nessa folhinha sobrevivente.
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Babel

Foi ontem que vi Babel e gostei muito.
No entanto, ao reflectir sobre o filme, não pude de deixar de considerar a mensagem algo contraditória.
Se todo o filme é um libelo contra a incapacidade de comunicação entre pessoas de “falares” diferentes – pessoas diferentes mas com os mesmos anseios e expectativas – acaba por dizer, no final, que o que é importante e o que nos redime é a família, ou seja, os que “falam” como nós.

PP: O Haloscan tem algum problema ou sou só eu que vejo os comentários todos brancos?

21 de janeiro de 2007

É uma casa brasileira com certeza...

Algum dia tinha que ser,T!
A gula e o gosto pelas artes da culinária,assim como o facto de ser brasileira e gostar da gastronomia do meu país(bom...um dos meus países,na verdade),incentivaram-me hoje a escrever e a recomendar-vos o blog http://www.rainhasdolar.com/
Enfim,hoje tou para aqui virada...Seria tão bom ter um rei do lar...
Desculpa querida T!Logo agora que tens uma alimentação tão saudável(e ainda bem!).

E ainda a avenida da Liberdade





Essa foto é este primeiro postal não é? Só que o tenho a sépia. Foi escrito em 1922.
Estava entre os postais que tenho.
E já agora, mais dois postalinhos de Lisboa. Editados na Alemanha, coisa fina.Foto de Otto Auer, tiragem com pelicula Perutz Balda Camera, Schneider Xenar, Foto autentica e Made in Germany(rezam os dois outros postais assim).
Clicar na imagem para ver melhor. E pronto, já está.

A mais jovem leitora do Dias

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"Ena! Já consigo subir sozinha prá cadeira do computador!
Se eu carregar nesta barra que chocalha, vejo uma data de coisas diferentes.Isto é muito giro, vou bater nas teclas com mais força!"
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"Sapristi! Chegou a repressão! Mas ninguém me tira daqui sem eu querer, já me agarrei à cadeira e tudo. Unidas venceremos!!"

20 de janeiro de 2007

Da Esmeralda (II)

Ora bem, cá volto eu ao caso da Esmeralda perdida.
Por diversas razões, diversas mesmo, tenho-me interessado bastante por este caso e tenho procurado manter-me informado para além do habitual ruído de fundo. Hoje, o meu objectivo é só expor aqui alguns factos que me parecem menos bem explicados. Considerações, poucas…

Em primeiro lugar, a causa disto tudo. Em 2001 Aidina Porto ficou grávida – numa chamada “relação fortuita” -e procurou o presumível pai da criança. Este, Baltazar Nunes, não acreditou, não quis saber e não se preocupou nada com o decorrer da gravidez e com o nascimento da criança. A criança nasceu em 12 de Fevereiro de 2002 e foi registada como Esmeralda Porto, filha de Aidina Porto e “pai incógnito”.
Nos primeiros meses, Aidina contactou novamente Baltazar e este manteve a atitude de não se querer responsabilizar por não saber se era o pai ou não, não assumindo qualquer encargo com a criança e deixando a mãe completamente desamparada.

Em 28 de Maio de 2002 (três meses) Aidina entregou a filha – por intermédio de terceiros – ao casal Luís e Adelina Gomes, juntamente com uma declaração onde declara extintas as suas relações filiais e autoriza a adopção da Esmeralda. O casal acolhe, cuida e trata da Esmeralda como filha.
O que é aqui um pouco estranho é a forma e condições em que se processa a “entrega”: através de terceira pessoa: Aidina não conhecia o casal.

No decurso de um Processo Averiguação Oficiosa de Paternidade. Baltazar Nunes é ouvido em 11 de Julho e disponibilizou-se para realizar a confirmação de paternidade. Nos autos é referido que Baltazar se disponibilizou livremente e declarou a intenção de perfilhar a criança caso se confirmasse a paternidade. Em Outubro de 2002 os testes foram efectuados em Coimbra.
Notar que, apesar de já viver com o casal, foi a mãe que levou Esmeralda a Coimbra. Aqui escapa-me outro pormenor: porque é que foi desencadeado este processo oficioso para determinar a paternidade? Mão foi por causa de eventual adopção, porque o processo ainda não tinha sido desencadeado. Decorre da lei, ao ser registado “pai incógnito”?

Em 20 de Janeiro de 2003 (11 meses) o casal Luís e Adelina iniciaram um processo de adopção no Tribunal da Sertã. Deve-se notar que este não é a forma correcta para requerer adopção, mas sim junto da Segurança Social. No entanto o casal, apesar ter a criança à sua guarda desde há 5 meses, não estava inscrito como candidato a adopção da Segurança Social de Santarém.
O casal invocou ter sido juridicamente mal patrocinado nesta altura, mas não deixa de ser estranho que tenha sido precisamente em Janeiro de 2003, altura em que chegou o resultado do teste de paternidade ao Tribunal da Sertã.

Em 24 de Fevereiro de 2003 (12 meses), após ser notificado do resultado do teste, Baltazar perfilhou Esmeralda. Em 27 de Fevereiro deu inicio a um Processo de Regulação do Exercício do Poder Paternal, no M.P. da Sertã. Em 9 Maio de 2003 foi averbada a paternidade na certidão de nascimento.
É certo que Baltazar mostrou intenções de assumir o poder paternal quando a filha tinha 12 meses. Também é certo que nos meses subsequente contactou Luís Gomes e tentou ver a filha, por diversas vezes, o que lhe foi negado.

Em Setembro de 2003 (19 meses) o casal Luís e Adelina candidatou-se para a adopção de Esmeralda junto da CRSS de Santarém. Nesta altura, tinham conhecimento pleno que o pai biológico já requerera o poder paternal. Tinham também já mudado o nome de Esmeralda para Ana Filipa e continuaram a impedir os contactos com os pais biológicos. O Processo de Regulação do Exercício do Poder Paternal continuava a correr e deu entrada, em Outubro de 2003, no Tribunal Judicial de Torres Novas.

No Processo de Regulação do Exercício do Poder Paternal são ouvidos os pais biológicos da Esmeralda, em 27 de Novembro de 2003, e o casal Luís e Adelina Gomes (ao contrário do que foi noticiado), em 15 Dezembro de 2003, estes na condição detentores da guarda [de facto] da criança.
Neste processo foram ouvidos diferentes técnicos com opiniões divergentes. Se existiu consenso que o pai biológico possuía todas as condições para assumir a tutela de Esmeralda, também se apontou o risco existente em forçar a sua separação da família que conhecia até então. De notar, no entanto, que muitos pareceres foram emitidos sem qualquer observação da Esmeralda. [Nomeadamente o do mediático Eduardo Sá]

Em Janeiro de 2004, na sequência do processo de adopção junto da CRSS de Santarém, esta intentou um processo de confiança judicial da menor ao casal Luís e Adelina, alegando abandono por parte do pai biológico. Estas alegações não são dadas como provadas e o processo foi suspenso. Baltazar, o pai biológico, nunca foi ouvido pela CRSS de Santarém.

Em 13 de Julho de 2004 (2 anos, 5 meses) foi proferida a sentença de regulação do poder paternal que foi atribuído ao pai biológico, Baltazar Nunes. Ao contrário do que também foi noticiado, não é uma sentença cega que retira a Esmeralda a Luís e Adelina sem mais nada: prevê a não entrega imediata (ou faseada) e envolve técnicos de pedopsiquiatria e assistência social.
Luís e Adelina tentam recorrer da sentença para o Tribunal da Relação mas – formalmente – não o podem fazer, pois não são considerados parte no processo. Recorrem desta decisão para o Tribunal Constitucional e ainda hoje se espera uma decisão.
É sabido que desde essa data Luís e Adelina se recusam a cumprir a sentença, invocando o superior interesse da criança. Por três vezes, existiram ordens de comparência em tribunal com a menor, nunca obedecidas e, várias vezes, agentes que se dirigiram à presumível morada nada encontraram.

Em Janeiro de 2007 (quase 5 anos) Luís Gomes é preso preventivamente, julgado e condenado por sequestro. Seis anos de pena, absurdamente excessiva! A sociedade civil mobiliza-se…

Considerações

O grande erro de Baltazar foi não ter assumido a paternidade quando devia ter assumido. Um erro terrível, enorme. Mas, imperdoável? Não, eu acho que não, que não é imperdoável, e todos os seus passos para assumir a tutela da filha – iniciados quando ela tinha 1 anos – são legítimos.
Não creio, como é passado pelos média e assumido pela opinião pública, que a tenha abandonado, nem que o seu erro inicial lhe tenha automaticamente feito perder “direitos”. Também não me parece que haja, claramente, uma procura de beneficio material ou de notoriedade pública. O processo já corre há dois anos e meio e, a não ser agora, a questão nunca se colocou.

O casal Luís e Adelina têm naturais aspirações em continuar a ser “pais”. Amam a Esmeralda, com certeza, e durante todos estes anos deram-lhe tudo o que uns pais dão: amor e protecção. No entanto, isso não lhes concede direitos especiais e cometeram muitos faltas durante todo o processo. Ao avançarem com o pedido de adopção quando já sabiam que o pai biológico pretendia a tutela, não me parece muito legítimo. Impedir o contacto da Esmeralda, durante todos estes anos, com os pais biológicos e mudar-lhe o nome, não é razoável. Sinceramente parece-me que toda esta recusa em cumprir a sentença judicial revela mais preocupação com o seu “querer a criança” do com os naturais interesses desta.

Por fim, o que realmente é importante, o acautelar dos interesses da Esmeralda. Julgo que a sentença de Julho de 2004 era justa a acautelava esses interesses: A esmeralda tinha dois anos e meio, poderia suportar [com sofrimento, é evidente] o afastamento dos “pais adoptivos” e estavam previstas medidas transitórias e de acompanhamento. Não era um arrancar abrupto e tinha toda a infância para viver, para criara as suas referências. Não foi feito…

Agora, com 5 anos, já é tudo diferente… o afastamento da família com que vive já não é só doloroso: é o corte com tudo o que ela conhece, é acabar com a Esmeralda que ela hoje é. Em troca de quê? Da estrita legalidade jurídica? Valerá a pena? Não sei, sinceramente… Acho que não se pode penalizar a criança para castigar os erros de muitos adultos.
Mas também sei que pactuar com o facto consumado é péssimo… E é isso que Luís e Adelina querem impor; aceita o facto consumado que eles – só eles –criaram!

Só nos resta esperar que surja uma alma iluminada que promova uma decisão final sensata. Pelo barulho[e paixão] que por aí vai, não me parece!

O discreto namoro

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Um namoro discreto que iria dar num casamento feliz, cortado pela doença e pela morte. Ele assina M e sei que a tratava por Maria. Simplicidade absoluta. Um homem que sempre quis conhecer e de quem venero as recordações. O meu avô M . Um engenhoso esteta e um homem seguro dos seus afectos.


O telefone, o postal e o afecto




"É tão engraçado falar-se para uma tão grande distância e ouvir-se" escreve uma amiga da minha avó.
No entanto, o postal que ela escolheu é lindo e por isso o reproduzo. Preciosa ainda para nós, é esta escrita que nos devolve o que se passava em 1914.
Li muitos dos postais das amigas da minha avó e acho bonito ver registado este afecto feminino, que se traduz em carinho, a troca de ofertas surpresa, um prazer sem qualquer tipo de pudor social. Somos muito mais frios agora, ou é impressão minha? Deixou de estar na moda o mimo.

E sim, continua a ser muito bom ouvir as pessoas ao perto e ao longe.

(clicar na imagem para ampliar)

A Crónica


“Não há uma só linha em nenhum dos meus livros que não tenha a sua origem num facto real”. Gabriel Garcia Márquez, a propósito de Crónica de uma Morte Anunciada.

19 de janeiro de 2007

Ao blog do vizinho do lado, obrigada Senhor Bic



Um bom blog faz-nos olhar para a vida e para as coisas de modo diferente? Ou seja, mudar e aprender. Verdade? A leitura deste blog, assim como o deslizar pela Almirante Reis hoje cedinho, fez-me sacar da máquina e registar.

Um: Verificar o edifício da Rua José Falcão nº 47 e ver se era o mesmo que em 1909. Porquê a curiosidade? Ver aquiEu acho que é. Mas a volumetria parece-me diferente. Olhem, não sei.

Dois: O nº 86 da Almirante Reis que estava fresquinho no início do século e agora, pelo menos está de pé (ainda). Está um lar de idosos a funcionar lá . Se espreitarmos com atenção está uma senhora a devolver-nos a espreitadela. Ver aqui para perceber porque o fotografei.

Deram cabo do lindo prédio do lado e plantaram um monstro reluzente. Dificilmente podia ser pior. Aqui apetece-me dizer asneiras.
E é isto.
Para visualizar melhor, clicar nas imagens.
Diz-se que com o tempo diminui… Mas não é verdade.
Todos os dias a saudade dói mais!

Os postais dos anos 70

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Quem não tinha destes postais tenebrosos( cartolina com occhi fisforescenti) quando era miúda?
Big dog is watching you:)
O almoço ontem foi óptimo, pena não termos mesa redonda como disse o Kino. Comeu-se, bebeu-se e conversou-se. Temos que repetir mais vezes e pronto.

Para o Gasel e para o algarvios



O Obelisco de Faro.

Cliché de David de Freitas
1940?

(clicar na imagem para a aumentar)

18 de janeiro de 2007

Narcisos de trazer por casa

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Os meus narcisos estão a rebentar com um viço espantoso!
(eu sei, tenho livros de pernas para o ar)

Que cidade tão cheia de gente!

Gosto tanto, mas tanto, desta perspectiva da Avenida da Liberdade e Restauradores...
" A mais bela e vasta avenida da capital.No espaço que se prolonga desde a Praça dos Restauradores à Rua das Pretas, foi outrora o Passeio Público e as duas ruas que o ladeavam, chamavam-se Oriental e Ocidental do Passeio Público, as quais foram extintas por edital da Camara Municipal de 22 de Junho de 1884, bem como o largo do Passeio Público onde começa hoje a Praça dos Restauradores.
Há nesta avenida grandiosa, edíficios e dois teatros populares, Rua dos Condes e Avenida".
Para ver melhor, clicar na imagem
Almaque Palhares, 1910
Postal de 1920

Eu pecador me confesso

Eu dormia, mas o meu coraçäo velava;
e eis a voz do meu amado que está batendo:
abre-me, meu amor, pomba minha,
porque a minha cabeça está cheia de orvalho,
os meus cabelos das gotas da noite.

Já despi a minha roupa;
como as tornarei a vestir?
Já lavei os meus pés;
como os tornarei a sujar?

O meu amado pós a sua mäo pela fresta da porta,
e as minhas entranhas estremeceram por amor dele.

Eu me levantei para abrir ao meu amado,
e as minhas mäos gotejavam mirra,
e os meus dedos mirra com doce aroma,
sobre as aldravas da fechadura.

Eu abri ao meu amado,
mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido;
a minha alma desfaleceu quando ele falou;
busquei-o e näo o achei,
chamei-o e näo me respondeu.


De noite, em minha cama,
busquei aquele a quem ama a minha alma;
busquei-o, e näo o achei.

Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade;
pelas ruas e pelas praças buscarei
aquele a quem ama a minha alma;
busquei-o, e näo o achei.

Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade;
eu lhes perguntei:
Vistes aquele a quem ama a minha alma?

Apartando-me eu um pouco deles, logo achei
aquele a quem ama a minha alma;
agarrei-me a ele, e näo o larguei,
até que o introduzi em casa de minha mäe,
na câmara daquela que me gerou.

Sim, na verdade persisto em assistir às missas na esperança de, um dia, escutar esta leitura! Não tenho remédio...

[Cântico dos Cânticos, 5 e 8]