20 de novembro de 2006

Hotel ou chapéu?

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Quer um hotel para ficar no centro de Lisboa? Quer comprar um chapéu?Uma mala? Um restaurante?
Todos esses problemas são resolvidos pela eficiente publicidade do início de século. Em visão integrada.

Camisaria Parisiense


Apesar dos rigores da 1ª Guerra Mundial, a Camisaria Parisiense vende pelos preços antigos.

Gosto da nota final: De todas as fazendas anunciadas há todo o cuidado em não dizer ao freguês: - Já acabou.

A colher

E então, dona Maria... tem andado melhor dos intestinos?
Sim, doutor! Um bocadinho melhor...
Já vai à casa de banho com mais facilidade?
Sim, quase todos os dias... E estou muito menos dureira!
Está a ver! Isto está quase bom...
Sim, doutor está um bocadinho melhor.
...
Mas ainda não está o normal!
Ora, dona maria, nisto de obrar não há o normal!
Pois, mas ainda não estou normal.
E toma o medicamento certinho?
Qual? O granulado?
Sim... ora deixe cá ver... Sim, o granulado, Agiolax!
Todos os dias, doutor... tomo todos os dias, sem falhar!
E toma uma colher de quê?... de sobremesa?... de sopa?
De sopa, doutor. Todos os dias!
É que se acha que não está bem de todo, ainda pode aumentar... Tomar mais!
Ai posso? Uma colher de sopa não chega?
Pode não ser suficiente, pode tomar mais. A dona Maria é que tem que regular a dose...
Ahhh... Eu achava que era suficiente. É que a colher vai cheia. E é grande... tomo tudo!
Pois, mas mesmo assim pode...
Quer ver?
Ver?
Sim!
...
Ver a colher que tomo!
Ahhh, a colher!
Sim... é que a tenho aqui!
Tem?
Sim... é que os sapatos me ficam apertados e se me descalço, preciso de uma calçadeira!
Ahhh!

19 de novembro de 2006

Não há muito para dizer num momento tão triste como este.
Um grande abraço à nossa querida Errezinha.
Gostamos-te muito e muito e sempre (tu já sabes isso, mas nunca é demais dizê-lo).

Luzes

09:45. O nevoeiro cobre Lisboa de uma luz húmida e fria. Mantas e chá precisam-se.
Alternativamente, ir para a rua e trabalhar, que a vida continua, mesmo aos Domingos.

Quem puder que aproveite para ficar no quentinho.

18 de novembro de 2006

A papelaria Palhares


J. Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa

Uma justa homenagem à Papelaria Palhares, que editou estes magníficos almanaques.
Obrigada CP.


Somos o que comemos

Estava aqui a terminar o post do mar, toca a campainha. É o Rui, abro a porta e continuo a rever o post.
O Rui sorridente diz: agora não me fales mais em dietas ou em doenças. E zás saca deste livro.Quando tínhamos ido de manhã cedo ao biológico, eu tinha-lhe falado nele.
O livro nasceu dum programa de TV inglês e foi um êxito nacional. Eu que sou doutorada em dietas, mas que não exerço, folheei-o em casa duma amiga e achei-o muito sensato e prático. Completamente anti comida de plástico.
You are what you eat. Elementar, meu caro Watson. Mas seriamente: mesmo para os abomináveis magros é um livro interessante , que até nem é caro e onde se aprende muita coisa útil.
Eu vou oferecê-lo no Natal.

O passado pulsa dentro de mim como um segundo coração


Tudo aquilo que realmente sempre desejei foi sentir-me defendido, protegido, resguardado, refugiar-me numa toca de tepidez uterina e ficar acocorado lá dentro, escondido do olhar indiferente do céu e das asperezas do ar agreste. É por essa razão que o passado constitui para mim um refúgio, que regresso a ele ansioso, a esfregar as mãos para afastar o frio do presente e o gélido futuro.

"O Mar" foi Man Booker Prize em 2005. É como se ao ler este livro mergulhássemos até ao fundo. Avaliação de vida? A proximidade da morte? Voltar ao passado?
Talvez sim . Quando leio alto algumas passagens parece um outro eu a falar, tal a proximidade que se estabelece. O mar sempre presente, como deve ser.
O que será que tem a Irlanda para ter escritores como este? John Banville é de facto um excelente escritor mas é este factor indefinível, misto de afecto e de condição humana , que transcende a forma e nos devolve lembranças únicas.

Figuras de Presépio de Natal: como fazer




Nossa Senhora, o Menino Jesus (sem palhinhas) e São José.
A pedido, seguem as figura de molde para presépio do livro de que falei em post anterior. Cliquem e aumentarão as imagens. O Anjo, o rei mago, o pastor e a célebre mulher da bilha. Podem ser recortadas à escala real, ou coloridas, ou sei lá. Eu adoro bonecos e bonecas de papel.
E acho estas figuras minimalistas e bonitas. A Nossa Senhora até é muito tipo Tenente (o estilista, não o francês).
Desenhos de Jorge Escalço Valadas

How to set up a Nativity Scene. Templates: Angel, Joseph, Mary, Baby Jesus, Sheperd, kings

17 de novembro de 2006

Cinema Pathé

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Vê-se uma pontinha do meu prédio. O cinema é que já não funciona. Emparedado e abandonado, lá está. Como o Hospital de Arroio. Não sabem o que hão-de fazer com estes espaços.
Eu nunca conheci o Cinema Pathê em funcionamento. As riscas são verde alface mas muito diluídas pelo tempo. Tenho que lhe tirar uma foto actual. Outrora já se chamou Cinema Imperial.

não te esqueças de regressar....

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16 de novembro de 2006

O Bonito ou Bonita à solta em Coimbra



Um terrível criminoso..à solta em coimbra...

Aletria, uma receita culinária completa


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O Cozinheiro completo. Oferecido pelo bisavô de C. P. à Avó Palmyra. Do meu querido pai, escreve ela. O livro resplandece com boas receitas recheadas de afecto.

Receita de Pão de Ló




E como eram as ligas de Madame Bovary?

Quando Flaubert decide que a arte é a minúcia, que a literatura é o detalhe - uma experiência mais entre as suas experiências - escreve Madame Bovary para consagrar a vulgaridade como culto e a minúcia como realidade última do romance. Assim a senhora-menina Bovary e toda a sua envolvente humana e geográfica estão detalhadamente miniaturizadas, até ao último suspiro do adjectivo, mas o autor, que me lembre, nunca nos diz, ao longo de todo o romance, como eram as ligas de Madame Bovary, uma heroina que cria com primor, vagar minúcia e amor

Francisco Umbral , E como eram as ligas de Madame Bovary?

Um livro surripiado mas para devolver a uma estante dum amigo, um livro para quem gosta de ler e saber mais um pouco sobre os homens e as mulheres por detrás da escrita. Se Flaubert amava Ema, eu duvido. Muito até. Que eu adoro Flaubert, Simenon, Breton, Wilde e outros mais, não restam dúvidas.
Leiam ou comprem, deliciem-se com este excelente e leve livro de crónicas e de rabiscos.
Talvez fiquemos a saber mais sobre a lingeria da querida e falecida madame. Ou não.

arredondamentos e transparência



a propósito da legislação governamental sobre os arredondamentos nos juros dos empréstimos bancários, temos ouvido quase diariamente o presidente da associação dos banqueiros afirmar, com um ar displicentemente arrogante, que os clientes se não pagarem assim pagam assado e que até compreende que o governo queira ser simpático para os consumidores.

duma coisa nenhum de nós pode ter dúvidas:
o que vamos pagar pelo dinheiro que necessitamos é rigorosamente o mesmo (no mínimo) que pagamos até agora.

mas duma outra coisa eu não tenho dúvidas:
gosto que sejam claros comigo.

e claro é uma coisa que os bancos não são.



um banco diz que empresta dinheiro com, por exemplo, um spread de 0,5%.
nós fazemos as contas, achamos que é favorável e aceitamos o negócio.
aí o banco diz-nos que para ter aquele spread temos que domiciliar vários pagamentos de serviços (que ele taxa, naturalmente), que nos oferece um cartão de crédito (que ele, naturalmente, taxa), que temos que manter um determinado saldo na conta à ordem (que ele, naturalmente, aproveita)....

todos estes serviços são taxados,
naturalmente.
mas todas estas taxas servem para acrescer ao célebre spread.
um spread de 0,5, feitas as contas 'ao tostão', já vai em bem mais que isso.
o mesmo se passa com o não pagar as primeiras 6 prestações... que serão pagas no final.
que é como quem diz... pagamos o mesmo (publicitando que não pagamos)

o mesmo se passa no arredondamento:
se o spread com o actual arredondamento é de 0,49 e com as novas regras é de 0,50, eu prefiro que me digam claramente que 0,50 é quanto tenho que pagar.

se eu for ao banco pedir 100 000 euros, o banco não espera (nem aceita) que eu diga que afinal é 100 mil..... mais iva e com o imi a adicionar à coisa

não fico à espera que a nova legislação faça os bancos ganhar menos dinheiro,
mas espero que o nova legislação obrigue os bancos a serem claros.


não é pedir muito...

Chiado Terrasse

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Benoliel, Joshua
Cinema Chiado Terrasse
Rua António Maria Cardoso

(anteriores a 1911)
Arquivo Municipal de Lisboa


Vamos ao cinema? Era início de século. Espaço para a novidade.
Benoliel atento, não deixava escapar nada. A ele devemos o privilégio destas memórias de Lisboa. E ao almanaque Palhares.
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Chiado Terrasse
Autoria
Tertuliano Lacerda Marques
Data
29 de Outubro de 1908
A 29 de Outubro de 1908, o Chiado Terrasse, da responsabilidade de Sabino Correia Júnior, abria as suas portas na antiga Rua do Tesouro Velho, já então chamada Rua António Maria Cardoso.
Logo desde o início, será uma das mais importantes salas de Lisboa, quer pela amplitude das suas instalações, pelos seus programas, ou ainda pela sua variedade, não esquecendo o êxito do animatógrafo “falado”.
Em 1910, Sabino Correia inicia obras de melhoramento na sala, construíndo ainda um espaço exterior, que designou por esplanada, funcionando assim como mais um elemento de atracção.
António Augusto Tittel e Alberto do Valle Colaço passam, em 1916, a ser os responsáveis do espaço. Desde logo começam as transformações no edifício, dando-lhe o aspecto exterior que manteria até ao seu desaparecimento, bem como a construção de um pequeno palco, que seria utilizado mais tarde por uma companhia de revista.
Pouco tempo depois, muda novamente de mãos, passando para a responsabilidade de Arthur Emúz.
Em 1921, no início da época de verão, passa a apresentar também números de variedades.
Nos anos 70, o edifício será vendido ao Banco Fonsecas & Burnay, para a instalação de uma agência bancária.


Texto retirado daqui.

Era linda a Praça do Chile

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Sempre achei que a Praça do Chile pedia água. Ou que faltava algo.
Enerva-me muito esta política urbana de mudarem estátuas de Neptuno dum lado para o outro. Acordem. Isto era o leito duma antiga ribeira.Devolvam-nos o Neptuno desterrado desde 1950 para o largo duma rainha qualquer.
Estou irritada. Ou talvez com sono. O que quer que seja.
Vou sonhar com peixes chilenos.

Benoliel, Judah
Arquivo Fotográfico Da Câmara Municipal de Lisboa

15 de novembro de 2006

Admirável mundo velho

Faltam-me o peso no nariz e nas orelhas. A moldura desfocada da armação sempre presente mas nunca notada e as astes a roçar nas têmporas... Sinto-me nu!

o custo da electricidade e o custo da sua factura


recentemente todos fomos informados que a (nossa) factura da electricidade deveria aumentar em 2007 cerca de 15%.
de acordo com as informações do ministro, a culpa era dos anteriores governos do psd que, populisticamente, mantiveram os preços da electricidade doméstica artificialmente baixos e que, agora, com a liberalização do mercado eléctrico os preços teriam se corresponder aos valor do seu custo no mercado.
mais tarde veio aquele epísódio caricato da abencerragem travestida de secretário de estado informar que a culpa era dos consumidores porque andavam a pagar de menos.


a razão base era, no entanto, o facto de o custo da electricidade ser mais caro que o preço que pagamos por ela.

os portugueses, crentes em fátima e noutras alucinações solares, acreditaram.

eu não sei em que se baseiam estas almas os seus cálculos para o custo de produção e distribuição de electricidade.
nem me interessa saber, para ser honesto.

interessam-me apenas algumas contas de merceeiro de bairro.
a saber:

a edp, com os actuais custos de produção e distribuição e o actual preço de venda aos consumidores, obteve nos primeiros 9 meses deste ano um lucro de 649 700 000 euros.
um aumento de 83,8% relativamente ao mesmo período do ano passado.

igualmente, de acordo com a obrigatória informação da edp á bolsa de valores de lisboa, os custos operacionais de distribuição baixaram 4%;
o resultado operacional antes de amortizações (ebitda) subiu 25,% para os 1 676 000 000 euros;
o ebit (lucros antes dos impostos e juros) subiu 41,1% para 1 018 600 000 euros.

a valorização em bolsa do título da edp foi, nos últimos 12 meses de 50,85%

eu não sei em que se baseiam estas iluminárias para determinar que a electricidade deveria aumentar 15% (ou mesmo os 6% que afinal aumentaram).
o que eu sei é que não há nenhuma razão económica que o sustente.

uma empresa com estes resultados e que argumente que deve aumentar os preços do bem que comercializa devia ser presa.

não podendo prender a empresa, talvez se podesse fazer alguma coisa aos governantes que em nome dela falaram.