22 de abril de 2005

Escolhas várias

Este foi o post que me fez melhor em termos terapêuticos. A escrita pode ser um exorcismo.

À Z que morreu hoje.


Une fenêtre ouverte
La mort n'est jamais complète,
il y a toujours puisque je le dis
puisque je l'affirme
au bout du chagrin
une fenêtre ouverte
une fenêtre éclairée.
Il y a toujours un rêve qui veille,
désir à combler,
faim à satisfaire,
un cœur généreux
une main tendue
une main ouverte
des yeux attentifs
une vie, la vie à se partager.

Paul Eluard.

Que aquilo que não disse ou fiz, que tu saibas. De certa maneira sei que o vais saber.
Os teus filhos vão cumprir mais além de ti. Eles vão ser o teu prolongamento.
Como amante de informática e da net que eras, sei que compreendes este meu desabafo.
E aquilo que nunca soube transmitir.
Só consegui chorar agora. Que as lágrimas se transformem numa plataforma qualquer. Mereces tudo.
Que as pessoas minhas queridas que já morreram te acompanhem nesse destino desconhecido.A minha mãe, que tu conheceste, tomará conta de ti.
Não é justo morrer aos 40 anos.
Também nunca ninguém falou em justiça quando nascemos.
Do que te conheci....acho que acharias graça a ser revivida assim.
Abeijos e braços amiga alentejana Zé.
Por tudo...pelo Instituto..pelos putos... a associação de estudantes ..pelas conversas, pelo dito e pelo não dito.
Qualquer coisa que precises, por agora ainda estou aqui.
Depois lá nos encontraremos....onde quer que seja.
Com alegria.
Fevereiro de 2004/T


Tenho dois ou três posts ou até mais de que gosto muito:

Desculpa não saber o teu nome minha querida”


sei que vão dizer que os homens são todos iguais.
que as nossas paixões são tão 'grandes' e tão 'intensas' que passado algum tempo tudo o que nos fica é, ás vezes, com sorte, uma vaga ideia do nome...
podia fazer aqui um parentese culto para vos lembrar o conto 'the dead' (fica melhor ser citado em inglês, não fica?) do james joyce, para vos fazer notar que as marcas que alguém nos deixa não tem a ver com coisas tão facilmente mensuráveis... mas adiante.

adiante o tanas... ia lá deixar escapar a oportunidade de citar o joyce. aqui vai ela..:
His curious eyes rested long upon her face and on her hair: and, as he thought of what she must have been then, in that time of her first girlish beauty, a strange, friendly pity for her entered his soul. He did not like to say even to himself that her face was no longer beautiful, but he knew that it was no longer the face for which Michael Furey had braved death.

se isso é importante para vocês, acho que se chamava (espero que ainda se chame) helena.

teria eu uns 5 anos. ela outros tantos.
morava uns prédio um pouco mais abaixo de mim.
jurámos amor eterno e decidimos casar (apenas nos faltavam as luvas para ter tudo o que achavamos necessário para o efeito).
passeávamos de mãos dadas pelo parque
existe um foto, que a minha irmã expropriou, em que estou com ela de um lado e uma bola do outro (imagino que fossem os meus dois amores ao tempo). se conseguir obter a dita foto prometo postá-la. mesmo que a despropósito.
não vejo essa foto há mais de 20 anos... mas sei-a de cor (by heart, utilizando a expressão inglesa, para quando se refere, pelo menos.. a cantar sem ajuda de partituras..)
os dois sobre o lancil, os totós dela. a saia. um sorriso lindo. a minha t-shirt apertado no pescoço com um elástico (deviam usar-se assim ao tempo, no século 16) uma casaco de malha sobre a t-shirt. uns calções. uma especie de sandálias com meias.. lhac... a bola numa mão. ela do outro lado. linda :)
imensas vezes ao longo da minha vida tento imaginar o que fará essa senhora hoje.
onde vive. o que faz. do que gosta.
não tem a ver com paixões (como espero que calculem...), mas com a curiosidade de saber o que a vida fez distanciar duas pessoas que acharam tão perto aos 5 anos.
será que alguma vez mais nos cruzámos?
onde?
gostaremos de coisas opostas?
é o mais provável...
afinal gosto de coisas estranhas. e sou um tipos estranho
(digo eu, que digo coisas.)

Ideias para dias quentes de verão (3)
Viajar.
Ser viajante!
Gosto de viajar, ver novos lugares, olhar caras desconhecidas, comer comidas nunca antes comidas, falar línguas mal faladas, fazer coisas que antes nunca tinha feito...
Devia ser obrigatório viajar. Faz parte de um conceito que li num livro recentemente: as pessoas andam a correr de um lado para o outro para chegarem mais cedo ao ponto de partida, porque se esquecem que nunca se chega, está-se sempre a partir! O viajar dá-nos melhor esta noção, este contínuo partir. Devia ser obrigatório viajar, pelo menos para os funcionários públicos: não se podia entrar sem conhecer bem os hábitos e costumes de pelo menos cinco países. E Espanha não conta!
Viajar. Abre-nos a mente, ilumina-nos o espírito e engrandece-nos a alma. Quem nunca viajou nunca saberá o que poderia ter feito ou o que poderá vir a fazer, nunca conIhecerá alguns dos seus limites. Quanto mais viajo, mais quero viajar, mais coisas quero fazer.
Já andei por muitos lados: já calcorreei Lochs e Glenns da Escócia, já subi ao Empire State Building e deambulei pela Times Square, já bebi Schnnaps em Dezembro em Viena e tintos de verano em Agosto em Cádiz, já subi o Mississipi num barco de roda, já me maravilhei com o Alhambra de Granada e espreitei a Gioconda entre dúzias de japoneses...
Estas férias estive em Florença, na Toscânia. E gostei, gostei muito, fiz pequenas coisas extraordinárias. Passeei nas ruas de “Firenze”, vi os frescos de Filipino Lippi na Capela Brancacci, a Sagrada Família de Miguel Ângelo nos Uffizi e a Trindade de Masaccio em St. Maria Novella. Molhei os pés no Tirreno, subi à Torre Grossa de S. Gimignano e jantei no Il Campo de Siena. Ouvi cantos celestiais na capela de St. Margherita (onde Dante casou e conheceu Beatrice Portinari) e vi a ópera Turandot na Torre del Lago Puccini, perto de Lucca.
Estou um pouco melhor!
Mas quero muito mais: quero assistir ao Palio em Siena e correr à frente (ou atrás) dos touros no S. Firmin de Pamplona, quero atravessar os EUA de carro e ir à muralha da China gritar qualquer coisa em chinês, quero ver o sol da meia-noite em Narvik e ouvir o Muni a chamar os fiéis na Mesquita de Istambul...
Quero viajar!

PP: Por viajar não incluo ir oito dias para Varadero, comer muita melância, beber mais Baccardis e dar alguns mergulhos na piscina....bahhhhh!
Gasel, Agosto de 2003

REFLEXIVO

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.

Affonso Romano de Sant'Anna

J., sobrinha de T.
escrito por joana às 19:41
Outubro de 2003

Coisas de puto
.
Sou novo, é verdade. Sou curioso também.
Quando crescer um pouco mais, vou arrepender-me de ter sido tão curioso sobre como é ser adulto.
Será divertido?
Tenho estas perguntas de miúdo. Não sei o quanto posso confiar em mim hoje.
O arrependimento, será um medo passageiro?

Enfim. Será divertido?
E justificável? Vale a pena a espera?
escrito por zoe às 12:05
Outubro de 2003

A premissa

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. E eu digo: alguém que Lhe dê um caderno pautado.
escrito por Alexandre
Outubro de 2003


Cachaça, Gírias e Mortes
Teresinha de Jesus, muito grato pelas cervejas virtuais. Hei-de entornar uma em tua intenção. Se fosse cachaça, derrubava um tantinho no chão. Pro santo, como se diz, ou pra santa: Santa Teresa dos Descervejados. Mas a cachaça dá um calor danado. Misturada com vermute (os finos) ou com licor de alcachofras (os bárbaros), a cachaça rende um belo rabo-de-galo. Curitda por seis meses dentro de um coco, fica deliciosa. Misturada com sumo de limão ou de abacaxi, rende a caipirinha. E pura rende porres tremendos, geralmente tristíssimos: o encachaçado é mestre em lamuriar-se, e chamar a qualquer poste elétrico de amigão.

Paulo Coelho é mestre no que o Lobato chamava de "livro pau": lê-lo é como levar uma paulada na cabeça, adormece-se instantaneamente. Prozac em letrinhas.

Gasel, se você quer exemplos de rebuscamento daqueles que nem o João de Barros seria capaz, precisa ler os despachos dos delegados de polícia daqui. O diabo é que eles vêm a mim e dizem: Orlandão, você que é professor, veja aí se está tudo certinho. E toco eu a ler tijolos verbais do quilate de "indigitado", "como sói acontecer", "via de regra", "outrossim", "eis que" (fumaças bíblicas), "o ora requerente", "consubstanciado", "propedeuta", "o nobre causídico", "dar azo", "supedâneo" e outras tais. Isso quando não vêm de dura lex...

Pois borregar, então, é balir? Aqui o meu dicionário Houaiss traz a conjugação, mas, esquisitamente, não dá a acepção. Certamente porque é eletrônico e pirata. E SPC, aqui, é o temidíssimo Serviço de Proteção ao Crédito: entrar na lista negra dele é ficar impedido de comprar qualquer coisa no crediário; é ter o chamado "nome sujo". E dar à sola é certamente o mesmo que dar às de Vila Diogo (eu tenho o poeminha em algum canto), o que chamamos de se mandar, picar a mula ou simplesmente vazar, isto é, fugir? Já vês que o idioma é quase o mesmo... :)

E Ni, você não é a primeira que elogia o Peixoto. Preciso dar um jeito de o ler, sei lá como.

A respeito de mortos, morreu aqui o Roberto Marinho. É como se, na Inglaterra, morresse o Rupert Murdoch; ou como se fôssemos americanos dos anos 40 e morresse o Randolph Hearst; ou como se fôssemos italianos e morresse o Berlusconi (supondo que Berlusconi não fosse chefe de estado). Era o fundador e o dono da Globo. Tinha 98 anos e ainda mandava. Agora, claro, vai dar um jeito de se meter na gestão do undiscovered country de que falava o Hamlet.
escrito por Orlando às 04:00
Agosto de 2003


Post clínico a falar do tempo

Uma das vantagens de ter esfriado é que não está calor. Ok, concordo que esta entrada soa a algo que poderia ter sido dito pela astróloga Maya, mas invoco bons motivos para ela. Existem várias vantagens, incluindo não ter de me preocupar com os meus velhinhos desidratados e com as tensões nas botas, e conseguir em pensar em qualquer coisa menos obsessiva que água e líquidos diversos por dentro e por cima. A água é por cima. Os outros líquidos é por dentro. A água às vezes também é por dentro, que convém manter as aparências.

O vento, contudo, não facilita. Há poeira a rodos no ar, bem como uma razoável carga de pólen, ainda que este esteja já em fase descendente. À conta destes pequenos pormenores metade de Lisboa está a tossir e a outra metade já teve tosse ou vai começar hoje. E vão todos, rigorosamente todos, à minha consulta.

O Euro 2004 é hoje história. O meu querido colega de ofício refere que, terminada a bola, voltámos ao Prozac e Xanax. Dou-lhe alguma razão, com uma ressalva: alguns dos piores episódios depressivos dos últimos tempos apareceram-me nos dias imediatamente a seguir às vitórias portuguesas. Isto não é de surpreender, mas mói um bocado. Nada como uma alegria colectiva para que as estruturas mentais mais fragilizadas se vão abaixo.

E o Natal vem aí, no comboio descendente.
ABS,
Julho de 2004

E pelo divertido que foi:

Pilosidades e outras ventosidades

Image Hosted by ImageShack.us

Alexandre Dez 2003

Sobre a inconfidência

Vim tarde, mas vim. A inconfidência, antes de mais nada, visava libertar apenas as Minas Gerais, e não o Brasil. E tão somente porque as Minas não queriam pagar a derrama, que foi decretada porque o quinto real não chegava ao mínimo exigível de arrobas de ouro. Tiradentes era alferes, um posto do exército que hoje não existe mais, e portanto não podia ser o mártir barbudo que se vê - essa foi uma imagem inventada, para aproximá-lo de Cristo, feita numa das épocas em que o Brasil achou que carecia de heróis (inventaram também um Judas para ele, na pessoa de Silvério dos Reis, que foi um canalhinha apenas, não o canalhaço que dele fizeram; foram descobertos mais por suas imprudências que por qualquer delação). Sim, os inconfidentes foram tratados com absoluta brutalidade, mas nem todos: sujeitos houve que, tão implicados quanto o Tiradentes, puderam subornar autoridades e seguir a vida. O dístico deles, Libertas quae sera tamen, liberdade ainda que tardia, orna até hoje a bandeira de Minas Gerais. É duro para todos dizerem, mas o verdadeiro libertador do Brasil, indireto que seja, foi Napoleão: por culpa dele D. João VI veio, e o resto todos sabemos.

As Escolhas Minhas

Este é o meu post preferido de entre os meus. É preferido por ser dos mais autênticos e típicos. Depois de viver na vida real vivida, escrevi de jacto baseando-me nessa vida real a coisa de alguns minutos depois. Escrevi o que pensei tal e qual como o senti. Depois corrigi aqui e ali, reli e pensei que as pessoas me diriam: "Ai Ricardo... como eu te compreendo!" e "Tens toda a razão, há pessoas que são mesmo chatas e tal" ou ainda "É que a vida é mesmo assim!"... Qual quê! Este post provocou algumas das reacções mais extremadas, absolutamente imprevistas por mim. Aqui fica então o meu post de Terça-feira, Março 02, 2004

Lost in Translation
Eu tinha decidido que não ia falar de coisas infantis e desinteressantes: tinha acabado de me persuadir de que não ia puxar nem o assunto do cinema, por exemplo dos Oscars, nem um qualquer assunto de política, não ia falar no novo cd de ninguém e muito menos no facto de que os Tribalistas ainda estão no top ou de que o primeiro disco de Norah Jones reentrou nele. Também não ia falar do livro que ando a ler. E com esta determinação íntima pensei que as outras (colegas de trabalho com "a") não iam puxar de assuntos impróprios para a minha maturidade, pensei que houvesse um qualquer acordo tácito de não enfadonhamento mútuo.

Pois não é que mal acabo de pensar isto uma delas começa a dizer que a outra que ainda não tinha chegado com o tabuleiro tinha ficado a discutir porque não se podia substituir batatas fritas por arroz? E não é que a referida outra chega a reclamar que é injusto e coisas piores já não se poder substituir batatas por arroz? Mas se fosse só isto...

O pior é que a seguir ao arroz veio a conversa desnecessária sobre aqui nem se come mal de todo mas lá em cima às vezes é melhor mas aqui em baixo às vezes também é melhor só que lá em cima... e é claro que abruptamente a conversa mudou para uma inutilidade qualquer como nascer um dente a uma filha de que se fala sistematicamente por tudo e por nada e que aparece abruptamente por tudo e por nada.

Mas tudo isto seria bom se acontecesse uma vez por outra. Só que não acontece uma vez por outra. Acontece sistematicamente todos os dias da semana de trabalho ao longo de todas as semanas de trabalho ao longo do eterno. E acontece fora do trabalho quando aquelas pessoas que só sabem falar de coisas normais e adultas se encontram.

Mas mesmo tudo isto acontecendo sistematicamente sempre e em toda a parte ainda assim não seria mal nenhum se isto fosse a excepção das gentes. O pior e inelutável pior é que isto é que é a normalidade.

escrito por Ricardo às 13:10


Gosto muito do post seguinte. É um post intemporal, pelo menos para mim: penso estas coisas todos os dias, tanto de uma forma séria e sentida como de uma forma irónica também. E simpatizo com o boavisteiro. Gosto da "regularidade" dele: quando menos se espera, eis que surge com o seu post irónico. Gosto de mistérios e acho o boavisteiro o blogador mais misterioso do blog. Quem é ele afinal?

Quinta-feira, Abril 01, 2004
QUERO UM TOTOLOTO SÓ PARA MIM
Quero ficar rico depressa sem trabalhar.
Detesto trabalhar. É uma grande maçada, trabalhar. Dá muito trabalho. Cansa.
Eu devia ter nascido rico. Mas daqueles ricos que só vivem dos rendimentos. Não queria ser daqueles que se esfalfam a trabalhar para ficarem ainda mais ricos, senão não tinha piada nenhuma.
Por acaso, acho incrível esta mania de que se deve trabalhar.
"Quem não trabuca, não manduca." Ai sim? Por alma de quem?
Para já, comer dá trabalho a outros, não é? Atão, eu devia de ser dos que só comem, para dar emprego a muitos trabalhadores. Sim, que eu como alarvemente. Só à minha conta, muita gente tinha trabalho.
Eu acho que devia era ser TUDO de borla.
Era mais fácil ganhar-se a vida assim.

boavisteiro
escrito por Paulo às 23:53


Ainda cinco outras referências:

O post do Zoe a partir de um livro do Vergílio Ferreira, alguns dias atrás: gostei muito desse post por me identificar com ele. Isto é uma justificação muito egotista mas a sinceridade tem destas coisas.

O post da Lau com figura a dar machadada noutra figura: este é o post que mais me marcou. Para mim a arte mais elevada é a escrita, depois o teatro, depois a pintura, depois a música, depois a dança contemporânea. "Explicar" poeticamente experiências e sentimentos é muito difícil, para simplificar essa tarefa apontam-se experiências comuns, faz-se referência àquilo que sabemos que os outros sabem em vez de se "explicar". Mas quando se "explica" de uma forma poética e directa, então sim a arte é elevada. Esta imagem, postada a tantos do tantos, "explica" poeticamente e de modo directo e intenso muita, muita coisa. Há aqui sentimentos muito marcantes e muito bem "explicados" poeticamente.

Gostei muito dos vários poemas do g2, sobretudo de um que era do tipo marcha nacionalista.

A própria experiência de blogar aqui é marcante. É muito melhor do que a experiência de escrever num qualquer blog individual. Ler estes posts e comments todos, sempre, tem sido muito marcante, ou seja, muito bom. E vasculhar os arquivos e ler de maneira diferente coisas de que mal nos lembrávamos é... gratificante.

Agora vou tirar as lentes para apaziguar a pieguice!
E os vencedores do prémio de posts preferidos da Maria Leia Organa são:



Rufam os tambores


A apresentadora pigarreia



Em primeiro lugar e empatados estão

este post do Carlos


um dia não são dias...

hoje (dia 20) é o dia mundial do refugiado vi isso agora num daqueles canais de nomes estranhos que não decoro quando li o post do g2 a propósito do Aristides Sousa Mendes não pude deixar de me lembrar as minhas duas experiências com campos de refugiados.
esta notícia levou-me a escrever este post a primeira experiência foi em Jerusalém, junto ao monte das oliveiras. Por razões que têm a ver comigo e a minha vontade de não deixar de visitar os locais que me avisam para não o fazer, decidi visitar e atravessar aquele campo de refugiados. A qualidade de vida daquela gente, as metralhadoras apontadas na colina em frente, o arame farpado á volta.. e o sorriso que ia recebendo como cumprimento enquanto atravessava aquele campo deixaram-me uma sensação de culpa muito incómoda (afinal, estava instalado 'do outro lado'). sensação ainda aumentada depois do interminável inquérito do exército israelita quando cheguei a um 'check point...
sentir que a separação vai ao ponto daquela gente ter as chapas de matrícula de cor diferente.. para serem melhor identificados á distância...
A segunda, foi depois de chegar de um passeio de barco a uma ilha na costa sul do Quénia.o porto de saída não foi o mesmo da chegada.... por isso não estava de todo á espera do que me esperava.um enorme amontoado de barracas de lona e pessoas esfomeadas e tristes e abandonadas que faziam aquele campo de refugiados de zanzibar...
atravessar aquele longo campo depois de um confortável passeio a uma ilha e antes
de entrar no autocarro que me levava de regresso ao hotel de luxo, é uma espécie de longo murro no estômago e no corpo todo seja pelo que for, nenhum daqueles grupos de pessoas tem um qualquer Aristides Sousa Mendes que os ajude a atravessar a porta da liberdade (talvez mesmo algum filho de algum dos que atravessaram a porta da liberdade com o Aristides Sousa Mendes.. esteja agora a fechar essa mesma porta aos que estão no sopé do monte das oliveiras.. e noutros montes perto, ou longe....) se ver um campo de refugiados na televisão não é agradável e atravessar um, não é fácil de todo.... ter que viver lá é um inferno


e este do Ricardo

Lisboa Só

Não, Lisboa ainda não é uma amesterdão em que as pessoas encontram-se para ter sexo sem dizer o nome e não chegam depois a dormir juntas. Lisboa é de grupos de pessoas, a dois no mínimo. Mas há aquela figura estranha a dizer adeus ao pé do Monumental. Quem é ele? Não, não me respondam!: não quero a verdade que veio numa dessas revistas! Deixem-me as revistas só para quando eu for ao médico (ou às radiografias, o que é quase a mesma coisa). O que faz uma pessoa em pose a dizer adeus? Quer ser famoso e lembrou-se de armar em esquisito? A teoria será esta: quer passar por figura popular pois se for popular então não pode ser só, por definição. É isso que ele quer: não ser só. Um cientista em Lisboa fez a experiência (há bocadinho mesmo): dizer-lhe adeus quando ele menos esperava. É verdade, atirei-lhe um adeusinho de dentro do carro sem ele dar pelo início do gesto, quando compreendeu já o adeus lhe tinha poisado. Então veio a prova, a evidência: ele apanhou o adeus como se fosse precioso e replicou-o de uma forma autêntica. Um adeusinho só é precioso se se for só...


e dos que eu escrevi

Escolinha

De bibe castanho e branco feito pela minha avó e amuadíssima, lá fui eu para a escola primária, para a sala da dona Mariazinha.
Estava revoltada porque em vez continuar a passar os dias a brincar, ia começar a ter que passar as tardes na escola. É claro que odiei a escola, estavam lá as minhas amigas todas, mas não podíamos sair e ir passear para o campo como fazíamos antes, as cadeiras de madeira eram desconfortáveis e a sala era fria.
A professora era rígida e ríspida sempre com a régua comprida em riste, berrava muito mas não sei porque carga de água engraçou comigo.
Sim, eu, a menina que se esquecia que estava numa sala de aulas e começava a falar alto com as amigas; a que inventava dores de barriga dolorosas quando tinha aulas de picotar (a manha aguentou-se até o meu pai começar a desconfiar).Dos tempos da primária lembro-me acima de tudo que odiava as aulas de picotar e de desenhar, de gostar imenso de ler e fazer contas, e de me ter enganado na récita da escola:

A barata diz que tem
Um sapato de fivela.
É mentira da barata
O sapato é da mãe dela.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
O sapato é da mãe dela!

(agora dei por mim a cantarolar a cançoneta)

21 de abril de 2005

Os escolhidos...

Respondendo ao repto da chefinha, aqui ficam as minhas escolhas:

O post que eu mais gostei de postar

Já não estava habituado...
Já não estava habituado e cansei-me muito. Voltar ao trabalho depois de três semanas de boa vida é terrível... só volto a fazer isto para o ano que vem!Como não estava habituado e me cansei muito, fiquei meio vazio e sem ideias... com o cérebro esgotado. Estive meia hora a olhar para esta página em branco e nem uma frase fui capaz de articular, nem duas palavra seguidas me saíam a jeito. Até que duas horas depois um colega meu veio dar comigo a olhar feito estúpido para o écran do computador e me perguntou - O que é que tens, pá? - ao que eu respondi que já não estava habituado e me sentia muito cansado... Ele foi porreiro e disse-me - Vai para casa, vai descansar um bocadinho! - E eu vim para casa descansar. Quando vinha pensei que ele tinha sido muito meu amigo, a notar que eu estava muito cansado, provavelmente por falta de hábito, e me tinha mandado repousar.Foi aí que me lembrei de um verso do F. Pessoa (julgo, não tenho a certeza... e se não for desculpem porque estou desabituado e bastante cansado) que aqui deixo:

"Amigos,
De tudo, ficaram três coisas.
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro..."

Postado por mim, no longínquo dia 1 de Setembro de 2003, uma segunda-feira.

O post que mais me marcou

Este é o meu primeiro post.
Momento tremendo de emoção.
A net aguentará os desvaneios de mais uma bloguista faladeira?

Postado por T Vader, no ainda mais longínquo dia 29 de Julho de 2003, uma terça-feira.
.

Também quero...

Jabbagasel, the Hutt

Rendez-vous

Domingo, 19.15 h, Estádio do Algarve, Bancada Central Oeste, fila 3AB.
Se não puderem lá estar, mandarei fotografias!

Estamos lá quase. Faltam seis...?

Para a T

Apesar de me teres chamado CABRÃO... :-)

Ainda os 50.000

O poder dos números é interessante.
Gostaria que cada um de nós, para festejar este"evento" fizesse um pequenino exercício: escolher o post seu que mais gostou de escrever aqui e ainda outro segundo post ,escrito por outra pessoa , que igualmente o tenha marcado.
Vamos a isso?
Beijos:)

Dedicado ao Efe.

A verdadeira essência do caracol.


a pedido do Carlos... ;-)

Carlos Lucas & Ricardo C3po
Image Hosted by ImageShack.us
ABS Kenobi
Image Hosted by ImageShack.us

a minha vida no ic19

há uns dias tinha reparado que estava colocado um cartaz à entrada do ic19 em queluz (sentido sintra-lisboa) que diz (aproximadamente) o seguinte:

'trânsito demorado no troço queluz-cacém'


achei estranho que estivesse colocado à entrada do acesso ao sentido oposto.
mas podia ser uma questão de informação para a cultura geral dos automobilistas...


ontem, ao seguir de carnaxide para queluz, reparo no cartaz que está à entrada do acesso da direcção sintra (e, igualmente, do cacém):

'trânsito demorado no troço queluz - hospital'

afinal uma parte do mistério estava explicado:
no sentido lisboa-sintra colocaram a informação que interessa a quem se desloca no sentido sintra-lisboa... e vice-versa.

esta colocação de cartazes coloca-me algumas dúvidas, saber:

1.
quem coloca os cartazes está sempre completamente bêbado?
2.
quem coloca os cartazes atira a moeda ao ar para saber qual há-de colocar onde?
3.
quem coloca os cartazes é um moldavo e um ucraniano, para os quais queluz, palácio, hospital e cacém lhes dizem o mesmo que um lagar de azeite?
4.
os cartazes estão colocados daquela forma, propositadamente, como informação genérica sobre a situação do trânsito no país?
5.
a colocação de um cartaz a indicar a demora num sentido que não é aquele em que nos deslocamos tem em vista animar os condutores que sem necessitarem de cartaz nenhum já tiveram que parar e verificar por experiência própria que o trãnsito está lento?
6.
é um teste para saber se os condutores reparam nos cartazes que estão na estrada?


a dúvida assalta-me

Não resisti... foi mais forte que eu!

Lady T Vader & Princess Maria Leia
Image Hosted by ImageShack.us
Emperor Tiago (do) Mal
Image Hosted by ImageShack.us
Jedi Zoe Skywalker
Image Hosted by ImageShack.us
Mestre Lau Yoda
Image Hosted by ImageShack.us
Lulu Chewbacca
Image Hosted by ImageShack.us

Acerca de uma conversa com a T...

Tenegashima-Kagoshima アドレス変更のお知らせ

???????????????




Um tufão empurrou uma nau portuguesa, há 449 anos para esta ilha.É conhecida como a ilha da espingarda portuguesa.
O arquipélago do Japão tem 4000 ilhas...
Festa em Julho comemora a chegada da nau com desfile
No Museu da espingarda, em Nishinoomote, evoca-se a história e tem, no 1º andar uma sala dedicada á relação com Portugal.
Primeiro contacto com a gente do Ocidente.
O tabaco foi introduzido no Japão pelos Portugueses nesta ilha, mas para curar ferimentos...
Junho a Agosto são meses de chuva, calor e humidade.
O mais grandioso monumento da ilha, dedicado ao Homem do Mar, representa a figura do Infante D.Henrique.
Clima tropical, vegetação luxuriante, temperatura média anual de 19 graus, esta ilha produz arroz, cana de açucar, e é um centro piscatório.
Alberga o único centro espacial do Japão, e está situada praticamente na linha do Trópico de Cancer.
Tem 40.000 habitantes.

Para o Orlando e para nós.

Image Hosted by ImageShack.us

Hoje parece que no Brasil é feriado...Pois é, um amigo lembrou-me o Dia do Tiradentes e da Inconfidência Mineira. Foi o grande mártir da independência do Brasil, segundo reza a história.
Para não alimentarmos o nosso ego português com a nossa benevolência com os colonizados, saibam que os governantes da época o mandaram enforcar, esquartejar e pendurar a cabeça num poste. Ostracizaram-lhe a família e queimaram a sua casa.
Isto aconteceu em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.
Mas o Orlando pode e deve completar mais esta informação.
Para já pese-nos a consciência. Nunca fomos assim tão inocentes.
Lembrava e bem o Professor Borges Coelho, que nas grandes praças das cidades portuguesas deveria constar uma placa a dizer: Aqui, em x data, foram mortas pela "Santa" Inquisição x pessoas". Porque a História se torna morta, se não for alimentada pela memória colectiva.
E é isto.

NOITE (hoje apetece-me poetizar)

Noite...
não durmo,
não sei porquê!

Penso...
sim, penso,
a minha mente,
turbilhão de pensamentos,
procura coordenar
a mensagem que cada um trás,
não me deixa parar!

Aqui estou...
sim, aqui estou,
procurando saber,
tentando responder
às perguntas por fazer.

Procuro...
sim, procuro,
não sei o quê!
talvez o porquê dos porquês,
aquilo que não sei!

Porventura, procuro soluções,
ou, tão simplesmente,
aquilo que sou.
Navego num oceano de incertezas
à espera de encontrar outrem,
que nele navegue como eu,
que se encontre perdido dentro de si,
tal como eu me encontro.

Imagino...
sim, imagino!
imagino e sonho,
fabrico desejos e imagens,
realizações fantasmas,
imagens egoístas, de mim,
só para mim,
objectos telúricos, que povoam a minha mente,
deixando cada vez mais este mundo material
e fazendo parte do meu tesouro,
tesouro do meu imaginário,
perlavado de sentimentos insanos.

Escuto...
sim, escuto este silêncio,
duro e envolvente,
enredando-me na sua zunideira,
fazendo-me parecer único,
convidando-me à introspecção
e a fazer sair de dentro de mim
o que dentro de mim tenho.

Sinto...
sim, sinto que sou,
sinto como sou,
mas não me compreendo.
Sinto que há tanto para mudar,
tanto para fazer,
tanto para Amar!
Oh! meu Deus!
tão ignóbil pode ser este ser,
que gasta a vida,
esbanja o seu esforço
nos mais fúteis artifícios,
na procura do inútil,
engendrando conceitos pejados de mentiras,
alimentando dúvidas e ódios,
suscitando desavenças,
com o único objectivo de alcançar o prazer?

Espero...
sim, espero!
Espero ver perdoar,
sentir espontaneidade
ao ouvir desculpar,
sabendo que há calor,
que há verdade
em quem perdoa
e humildade no que toma o perdão.

Que bom!...
sim, que bom saber,
que mesmo no meio da solidão,
mesmo com todos os meus defeitos,
tenho ainda Amigos,
mesmo com defeitos,
não sendo perfeitos
os quais são, muito sinceramente,
verdadeiros Irmãos.

Pensei...
assim pensei,
não sei porquê,
sonhando acordado
durante essa noite,
depois...
depois, dormi!...
Dia enevoado. Nem uma pinguinha de chuva ou de sol.
Sem comentários, ao que parece...Resta-nos postar:) Mas deve ser só temporário, luz não te enerves.!
Estava a recordar a Lynne Truss e os seus célebres exemplos sobre o incorrecto uso das apóstrofes.
"Nigger´s out (a sign seen in New York, under which was writen , wickedly : " But he´ll be back shortly"
Eles vão voltar:)

alexandra elene mclean denny aka sandy denny

Image Hosted by ImageShack.us
(6.1.1947 - 21.4.1978)



sandy denny foi, provavelmente, a melhor voz da música folk.
se, tal como no sistema métrico, fosse possível colocar uma medida padrão para a excelência da voz feminina no museu do homem, essa voz seria a da sandy denny (digo eu que sou um pouco exagerado...)
sendo muito difícil fazer comparações entre coisas incomparáveis, a única copisa que me ocorre sobre a sandy denny é que ela era imcomparável.
e excelente
e única


obviamente hoje só me apetece ouvir a sua voz.

Rua Augusta Hoje

Manhã hoje quase sem pessoas. Já quase só turistas, poucos. Já quase sem pedintes, os mesmos, menos. Um sentado num pequeno mocho: uma música muito triste, com pausa dolorosa entre cada compasso.

Vão restando os pombos.

Lisboa Só

Não, Lisboa ainda não é uma amesterdão em que as pessoas encontram-se para ter sexo sem dizer o nome e não chegam depois a dormir juntas. Lisboa é de grupos de pessoas, a dois no mínimo. Mas há aquela figura estranha a dizer adeus ao pé do Monumental. Quem é ele? Não, não me respondam!: não quero a verdade que veio numa dessas revistas! Deixem-me as revistas só para quando eu for ao médico (ou às radiografias, o que é quase a mesma coisa). O que faz uma pessoa em pose a dizer adeus? Quer ser famoso e lembrou-se de armar em esquisito? A teoria será esta: quer passar por figura popular pois se for popular então não pode ser só, por definição. É isso que ele quer: não ser só. Um cientista em Lisboa fez a experiência (há bocadinho mesmo): dizer-lhe adeus quando ele menos esperava. É verdade, atirei-lhe um adeusinho de dentro do carro sem ele dar pelo início do gesto, quando compreendeu já o adeus lhe tinha poisado. Então veio a prova, a evidência: ele apanhou o adeus como se fosse precioso e replicou-o de uma forma autêntica. Um adeusinho só é precioso se se for só...