Numa esquina qualquer da cidade, um encapuçado misterioso aguarda-nos.
25 de abril de 2007
33 anos
Eu ainda andei à procura de textos e coisas assim. Arranjei umas fotografias de cravos, e do Salgueiro Maia. Depois desisti.
A verdade é que, por cada ano que passa, fico mais siderado. O que sinto sobre o que aconteceu há trinta e três anos é, para mim, cada vez menos exprimível por palavras. Nem sequer dizer "obrigado" me parece fazer justiça àqueles homens.
Cada um de nós, individualmente, é responsável por aquilo que nos foi entregue há trinta e três anos. Honremos essa responsabilidade.
A verdade é que, por cada ano que passa, fico mais siderado. O que sinto sobre o que aconteceu há trinta e três anos é, para mim, cada vez menos exprimível por palavras. Nem sequer dizer "obrigado" me parece fazer justiça àqueles homens.
Cada um de nós, individualmente, é responsável por aquilo que nos foi entregue há trinta e três anos. Honremos essa responsabilidade.
Pouca Sorte com Barbeiros
"Ao tempo em que eu chupava o meu primeiro cigarro clandestino, a Campo de Ourique, namorando uma loirinha da mansarda em frente, e a barba começava a dar-me a aparência dum fruto peco, descobri à Rua Ferreira Borges o maior de quantos barbeiros jamais me assentaram a mão nas faces: o Rego. Dessa vez tive barbeiro para um ror de anos, uns bons dez. (...)
Tinha o Rego uma filha casadoira, bem comportadinha, coitada, um modelo de virtudes a Campo de Ourique. Com uns arzinhos de sonsa, quem te vê não quebras um prato, deu-lhe para se apaixonar perdidamente por um vizinho, homem casado e, ao que parece, muito sério (todos nós somos sérios até à primeira), com laboratório de análises químico-farmacêuticas à referida Rua Ferreira Borges; e um belo dia à hora em que as fábricas do bairro apitavam e ela devia levar o almoço ao pai, num cabaz, fugiu com o homem das pipetas. Uma menina tão bem comportada. Nesse dia o Rego -barbeiro jejuou, coitado, e nunca foi possível averiguar que destino levou o cabaz com o almoço: os dois ternos amantes foram talvez comê-lo, em mavioso piquenique, para o Parque Silva Porto ou as furnas de Monsanto.
O caso provocou muita emoção. O Rego chorava, metaforicamente falando, ao meu pescoço, que me roia e danava interiormente por eu não ter aproveitado a garota. (...)
O Rego-barbeiro , coitado nunca mais se refez do abalo: ainda durou coisa de dois anos(....)
Lentamente afundou-se . A pele cerosa. Cuspia sempre, muito engasgado. Dava dó vê-lo. Tinha qualquer coisa no insófago(...) e uma tarde morreu serenamente, sem dor, de inanição, como ainda hoje se morre a Campo de Ourique.
Foi uma grande perda para mim, mas como o cabelo não parou de me crescer, comecei logo a procurar outro barbeiro(...) "

In Leah e outras histórias, José Rodrigues Migueís ,Estúdios Cor
Foto : Cortesia do Arquivo Municipal de Lisboa
Tinha o Rego uma filha casadoira, bem comportadinha, coitada, um modelo de virtudes a Campo de Ourique. Com uns arzinhos de sonsa, quem te vê não quebras um prato, deu-lhe para se apaixonar perdidamente por um vizinho, homem casado e, ao que parece, muito sério (todos nós somos sérios até à primeira), com laboratório de análises químico-farmacêuticas à referida Rua Ferreira Borges; e um belo dia à hora em que as fábricas do bairro apitavam e ela devia levar o almoço ao pai, num cabaz, fugiu com o homem das pipetas. Uma menina tão bem comportada. Nesse dia o Rego -barbeiro jejuou, coitado, e nunca foi possível averiguar que destino levou o cabaz com o almoço: os dois ternos amantes foram talvez comê-lo, em mavioso piquenique, para o Parque Silva Porto ou as furnas de Monsanto.
O caso provocou muita emoção. O Rego chorava, metaforicamente falando, ao meu pescoço, que me roia e danava interiormente por eu não ter aproveitado a garota. (...)
O Rego-barbeiro , coitado nunca mais se refez do abalo: ainda durou coisa de dois anos(....)
Lentamente afundou-se . A pele cerosa. Cuspia sempre, muito engasgado. Dava dó vê-lo. Tinha qualquer coisa no insófago(...) e uma tarde morreu serenamente, sem dor, de inanição, como ainda hoje se morre a Campo de Ourique.
Foi uma grande perda para mim, mas como o cabelo não parou de me crescer, comecei logo a procurar outro barbeiro(...) "
In Leah e outras histórias, José Rodrigues Migueís ,Estúdios Cor
Foto : Cortesia do Arquivo Municipal de Lisboa
Portugal visto pelos outros
No Almanaque Hachette, que se apresentava como uma enciclopédia prática e popular, Portugal era visto assim em 1907. Engraçado o prognóstico para o futuro. Há 100 anos atrás.
E a importância dada à língua portuguesa e ao império colonial.
Clicar na imagem para conseguir ler. Ah e vê-se Zamora no mapa!

E a importância dada à língua portuguesa e ao império colonial.
Clicar na imagem para conseguir ler. Ah e vê-se Zamora no mapa!
25 de Abril, sempre.
Todos os anos passa mais um . Pensamos que podia ter corrido melhor ou ter acontecido pior.
O caso é que é mais um ano. Trinta e três já, a conviver com a liberdade de pensar e dizer. Por maior que seja o desencanto com a conjuntura actual, o 25 de Abril continua a ser uma data mágica.
E no fundo falta-nos o encanto da primeira vez, do dia mais puro, daquele de todas as interrogações. Aquele em que aconteceu o desejado de forma inesperada. Uma qualquer nostalgia irrompe. O que veio depois nunca foi igual. Nunca será nem corresponderá ao sonho.
De qualquer forma é a nossa data. Em que começámos a viver. Ou pelo menos para os que concebem a vida a par da liberdade.
25 de Abril sempre.
O caso é que é mais um ano. Trinta e três já, a conviver com a liberdade de pensar e dizer. Por maior que seja o desencanto com a conjuntura actual, o 25 de Abril continua a ser uma data mágica.
E no fundo falta-nos o encanto da primeira vez, do dia mais puro, daquele de todas as interrogações. Aquele em que aconteceu o desejado de forma inesperada. Uma qualquer nostalgia irrompe. O que veio depois nunca foi igual. Nunca será nem corresponderá ao sonho.
De qualquer forma é a nossa data. Em que começámos a viver. Ou pelo menos para os que concebem a vida a par da liberdade.
25 de Abril sempre.
24 de abril de 2007
morto e enterrado
Os Vampiros
No céu cinzento Sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Consta que todas as minhas canções de embalar pertenciam ao repertório do Zeca. Esta era uma das preferidas, e muitas vezes adormeci ao som da voz do meu pai a cantá-la.
23 de abril de 2007
Dia do Escoteiro
hoje, cerca de 28 Milhões de escoteiros estão no activo mas muitos mais estão hoje de parabéns.
A Horta do Tomé
Era uma vez outro livro. A Horta do Tomé. Era didáctico e pretendia explicar a tratar da terra e das plantas. Segundo o autor, quem o soubesse fazer, nunca seria verdadeiramente pobre. Por isso, o exemplo dado era da horta do Tio Salomão (que até era vegan).
O elogio da terra e dos seus produtos e o apelo à ruralidade, foi de facto uma das características do Estado Novo. Que agora está a ser ressuscitado pelos ambientalistas, com outras fundamentações.
Eu honestamente confesso: adorava ter uma horta como a do Tio Salomão e aprender como o Tomé aprendeu.
Obrigada VV:)
Clicar para ampliar nas imagens pequeninas.
Traga Balas
Desta feita, é o VV que me presenteia com uns regalos para digitalizar.
O primeiro deles, é o livro infantil "Aventuras do Traga- Balas" de Maria Figueiredo e ilustração de José Félix, editado pela Parceria António Maria Pereira em 1938.
Traga-Bolas era um bandido brasileiro rival deo célebreLampeão.
Porquê este nome? Porque ao acertarem-lhe com as balas na boca, ele engolia-as. Este livro é a sua história e a da sua família. O bem é recompensado e o mal castigado.
22 de abril de 2007
Para o Senhor Bic
Para o caríssimo vizinho do lado:
"A meio caminho entre Xabregas e Chelas encontra-se do lado esquerdo, uma casa setecentista de boa aparência,se bem que muito mal conservada e que serve hoje de habitação a numerosas famílias.
Sobre cada uma das janelas que encimam os dois elegantes portais, vê-se uma pedra de armas, ao gosto do século XVIII, onde está lavrado o brasão da familia Portugal, com o respectivo elmo, mas sem timbre"
Luiz Ferros Ponces de Leão
Portas e brasões de Lisboa, Edição da CML (1965?)
A Papelaria Palhares
Acho bonita esta publicidade. A pequena nota de rodapé "esta loja fica junta ao "Rendez Vous des Gourmets", não confundir com a da esquina".
E depois o senhor, un monsieur comme il faut, com a sua caneta Excelsior, a que não suja a algibeira! Pelas fotos que vi, lembra-me um pouco o proprietário da Papelaria e pai do meu amigo P.
E é uma loja arrojada: enviavam pelo correio a caneta, acrescendo de de 10 centavos para portes!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
