Procurai bem que a encontrareis...Almanaque de Lembranças Luso Brasileiro, 1908
25 de setembro de 2012
24 de setembro de 2012
«Tomai lá do O'Neill» ou breve interlúdio musical
Depois de inúmeras referências ao "fait divers", lembremos Alexandre O'Neill e em jeito de breve interlúdio musical, e mais será desnecessário acrescentar:
Assim devera eu ser
e não esta cigarra que se põe a cantar
e me deita a perder. – Alexandre O’Neill
Formiga Bossa Nova
A versão não é a clássica da Amália, por se comemorar o ano de Portugal no Brasil.
Assim devera eu ser
e não esta cigarra que se põe a cantar
e me deita a perder. – Alexandre O’Neill
Formiga Bossa Nova
A versão não é a clássica da Amália, por se comemorar o ano de Portugal no Brasil.
21 de setembro de 2012
20 de setembro de 2012
18 de setembro de 2012
O rei das Meias
Sempre gostei da ideia de existir um Rei das Meias. E de comprar lá. Bem que gostava de ter este leque. À venda no ebay
Liebig
Um pequeno cartão publicitário da Liebig, 1910.
O verdadeiro extracto de carne. Primo do Bovril, sem dúvida.
O verdadeiro extracto de carne. Primo do Bovril, sem dúvida.
17 de setembro de 2012
Um assumido fascínio
O fascínio por esquilos deve-se, decerto, à raridade da sua presença perto de casa. Desta forma, é fácil descobrir quem é estrangeiro (à semelhança dos japoneses que passam cada minuto a olhar através da lente da máquina e a clicar, lembrando o cáustico romance Morte de Sevilha em Madrid, que me diverte quando volto à sua leitura )… Com a possibilidade – ao fim de muitos anos – de conseguir uns dias de lazer em setembro, corro através do parque a fotografá-los sob diversos ângulos. Apesar de esquivos não são muito fugidios, acredito que por não serem incomodados na sua rotina diária. As pessoas que passam, quase todas em direção ao trabalho e a cortar caminho entre a relva e as árvores centenárias, olham-me com um ar entre o espantado e o divertido, já que estes simpáticos animais fazem parte do seu quotidiano. Não me importo com o facto, embora acredite que os fotografados tenham suspirado de alívio quando deixaram de ver a fotógrafa amadora, de telemóvel em riste, a tirar dezenas de instantâneos .
14 de setembro de 2012
Passos perdidos e achados
Por vezes os dias passam-se a cumprir preceitos. A ter de andar, ténis e em terreno plano (pobre joelho), a fazer fisioterapia, a escolher alimentos saudáveis. Vou adaptando os ditos à minha maneira de ser. Para a caminhada a pé, a bem do coração, faço um percurso que engloba quatro lojas que vendem livros velhos. Quem mandou fazer a Feira da Ladra tão inclinada? Uns são recantos de prédio, outros de rua, outros de livros a granel entre recheios de casa, apenas um alfarrabista a sério, aqui na Actor Isidoro. Foi neste que encontrei esta engraçada colecção editada pela Verbo nos anos 70, com a adaptação portuguesa de Maria de Lurdes Modesto. Chama-se o meu livro de Cozinha e faz conjunto com dois livros de lavores. Quando eu era pequena lembro-me de os ver em casa de amigas e invejá-los. Mas eu preferia gastar o dinheiro da semanada em livros dos cinco e dos sete, além disso a minha avó e a minha mãe cozinhavam maravilhosamente.A ver o livro com a Isabel ali no quintal, ela sorriu-se toda a recordá-lo, sugerindo que eu execute estas receitas com as minhas pequenitas sobrinhas-netas. A ver vamos. Entretanto vou folheando os livros e achando graça à estética dos anos 70 e ao cuidado da Maria de Lurdes Modesto nas suas recomendações aos mais pequenos.
13 de setembro de 2012
de que matéria é feito o governo?
esta é a matéria:
cor de corante laranja, gelatinosa, adaptável à forma, sem sabor próprio mas apenas do que lhe colocam.
e muitos, muitos aditivos.
não feita de ossos ou pele animal, mas de agarose das algas igualmente gelatinosas e escorregadias.
não tem forma própria e adapta-se ao molde onde a colocam.
se lhe sopramos, abana.
mas gelatinosa como é, lá fica imune.
parece muito resistente, mas basta um pouco de água quente para a desfazer.
é desta matéria que o governo de portugal é feito.
12 de setembro de 2012
Mãe, não aturo mais isto!
Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, estranha aldeia aninhada perto duma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos ( a Floresta-De-Todos-Os-Espantos ) que, ali a quinhentos metros, ninguém contudo se atrevia a devassar, não só por se encontrar protegida por um muro de altura descomunal, mas principalmente porque os habitantes dessa povoação — infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite — mal tinham coragem para arrastar a sombra quanto mais para irem combater bichas de sete cabeças, gigantes de cinco braços ou dragões de duas goelas ! Preferiam choramingar, os maricas, agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora chovia com persistência implacável (como se as nuvens estivessem forradas de olhos) e milhares e milhares de chorões - as árvores predilectas,dessa gente — pingavam folhas tristes. Tudo isto incitava os choraquelogobebenses a andarem de monco caído, sempre constipados por causa da humidade e a ouvirem com delícia canções de cemitério ganidas por cantores trajados de luto ao som de instrumentos plangentes e monótonos. O único que, talvez por capricho de contradizer o ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira era o nosso João que, em virtude duma contínua ostentação de 'bravata alegre e teimosia na luta, todos conheciam por João Sem Medo. Ora um dia, farto de tanta chorinquice e de tanta miséria que gelava as casas e cobria os homens de bolor, disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrime-java no seu canto de viúva : Mãe : não aturo mais isto ! Vou saltar o Muro."
Aventuras Maravilhosas de João Sem, Medo de José Gomes Ferreira, Portugália, 1963
Capa de João da Câmara Leme.
Aventuras Maravilhosas de João Sem, Medo de José Gomes Ferreira, Portugália, 1963
Capa de João da Câmara Leme.
11 de setembro de 2012
Beber ou não beber
Assim se inquietava o almanaque Hachette com o elevado consumo de álcool no mundo. Reinava o ano de 1893. E lá está um pequenino Portugal agarrando um jarrinho:)
As diversas raças de gatos
Era esta uma edição sumptuosa do Almanaque Hachette de 1897, que teve o seu émulo português no Almanaque Lello, alguns anos mais tarde.
Aqui mostravam-se as diferentes raças de gatos desenhados por Steinlein.
Clicar na imagem para a aumentar.
Aqui mostravam-se as diferentes raças de gatos desenhados por Steinlein.
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10 de setembro de 2012
Sabedoria índia
«As pessoas não vendem a terra onde vivem» - frase Sioux
Imagem: entrada do «Boston Fine Arts Museum»
8 de setembro de 2012
Farta!
Estou farta, fartíssima, fartérrima do Passos Coelho e equipa mais as suas contas de merceeiro. E penso que o Manelinho formula bem o postulado base do seu discurso. Não se pode exterminá-lo ?
Favela da Telha
'Cá pegou de moda' o biquíni com corte brasileiro, e ainda bem! Mas este perfil peri-urbano favelado desfeia qualquer praia, faz-nos sentir despidos de identidade. Nem a veraneante pseudo-brasileira, que se baloiça a caminho das águas, a transforma numa das 7 Maravilhas.
6 de setembro de 2012
Jardim de Lisboa
Lisboa, por mais que se a percorra, continua por descobrir e nos surpreender!
Este jardim estava vazio, nem flores, e eu apressei-me a sair, sem que antes a minha filha fotografasse o momento.
Mensagem
Recebemos mensagens de muitas formas.
Esta não veio propriamente dentro da garrafa, enrolhava-a!
Infelizmente tenho de concordar que lhes temos dado maus vinhos. Mas vamos melhorar.
5 de setembro de 2012
2 de setembro de 2012
1 de setembro de 2012
Mudam-se os tempos...
Imagem: Robert Moore, "Lisboa, anos 40"
Quando nos damos conta os tempos correm, era verão e chega o natal, deixam os mais crescidos de pensar por nós e passamos a tomar as grandes decisões, assistimos a mudanças nem sempre animadoras… Reparo que os mais velhos vivem de memórias, o que não surpreende, por já terem na bagagem mais passado que futuro. Apesar desta incessante correria e de tudo a que se assiste, fica a tentativa de rejeitar a expressão «tempo perdido».
the times they are a changing
31 de agosto de 2012
Gaivotas em campo de golfe
Lá estavam elas, a tornar original um campo de golfe. Fica-se a pensar que um desporto reservado a uma minoria, começa a acolher maior diversidade de participantes. Em assembleia, a contrastar com o verde, poderiam ser protagonistas de uma fábula do século XXI.
No Q Garden, Odiáxere
No Q Garden comprei duas árvores: um jacarandá e uma passiflora edulis
E com elas veio esta Punica Granatum Pomegrate:)
Mais este caixotinho de suculentas e diversos. Realce para os amores perfeitos:)
E com elas veio esta Punica Granatum Pomegrate:)
Mais este caixotinho de suculentas e diversos. Realce para os amores perfeitos:)
Pedacinhos
O produto das colectas dos pequeninos passeios que tenho feito. Andar de canadiana não é nada agradável, nem para tirar fotos, nem para galgar espaços.
29 de agosto de 2012
28 de agosto de 2012
Os nomes das ruas de Lisboa
“A toponímia lisboeta tem atravessado fases evolutivas que marcam,
evitavelmente, o espírito de cada época. No século dezasseis predominavam, na
denominação dos sítios e das serventias urbanas, a visão característica dos
locais, e nomes, profissões ou alcunhas dos moradores. Seguia-se o espírito
tradicional do século anterior. O relevo orográfico, a configuração ou a orientação
da rua, a minúcia utilitária ou decorativa, o documento vegetal orientador, a
categoria, profissão, cargo, nome ou alcunha, a natureza dos pavimentos, a instituição
religiosa ou civil, tudo servia de útil referência para o público. Era o
Público quem baptizava e crismava as artérias e os recantos cidadãos, e, como
era ele, o nome era sempre inteligente.
Chega o século XVII. A inteligência começa
a obscurecer-se. Sobre os nomes postos pelo vulgo caiu o influxo da instituição
religiosa, e a corte do céu espalhou-se pelas ruas da cidade nos últimos anos
da centúria, com tal impetuosidade que por pouco os roteiros se arriscam a
parecer urna reedição do «Fios Sanctorum». A toponímia entra a confundir-se e
os Santos Antónios e os São
Franciscos proliferaram, repetindo-se em bairros afastados ou vizinhos dos
templos e dos conventos que os originavam.
Com o século XVIII o exagero
cresceu, e post-terremoto, quando frades e freiras dos bairros excêntricos,
compelidos pela necessidade da urbanização ou tentados pelo lucro, encararam o
negócio do aforamento das cercas e terras atinentes a suas casas, eram já eles
quem nomeavam as novas serventias, impondo ao povo os Santos da sua Ordem.
Sucedeu isso no bairro da Lapa, com as Trinas, e na «Nova Colônia», com os
Beneditinos. O povo começou a ser usurpado do seu direito secular, e para os
alfacinhas começaram as grandes confusões toponímicas.
Com o século dezanove
veio a sanção municipal e a usurpação definitiva da regalia popular. O bom
senso das sinonímias acabava. Começava, em contrapartida, o desconchavo, a
incoerência, a falta de lógica, e, para que não dizer-se, a parvoíce da
homenagem. Os cunhais decorados com um rectângulo preto, passaram a pedestais
de estatuas baratas: rua do Senhor Fulano, travessa do Senhor Cicrano, largo do
Senhor Beltrano. Primeiro foram os generais e os políticos, depois os
conselheiros e comendadores, a seguir Ou escritores, mais adiante aos
revolucionários vagos e uns, ainda mais vagos, cidadãos. Vinte por cento das
pessoas ilustres que se rememoram nos cunhais da cidade, são totalmente desconhecidos
da população. E chegou-se a este estado de coisas. Em vez de nomes que as distingam,
as ruas têm títulos que as confundem. A função designativa perdeu-se,
sacrificada a urna louvaminha sem sentido nem utilidade. O disparate está tão
generalizado que até do espirito das denominações se não cuida. Um exemplo. Há
duas ruas novas em Lisboa que descem do Norte para a estrada dos Prazeres. Por
fundo tem o Cemitério. Formam o cenário obrigatório ciprestes, cruzes e
jazigos.
Sabe o leitor conto se chamam ?
«Gervásio Lobato»
e «André Brun», os dois grandes humoristas portugueses. Os comentários
dispensam-se. Pois os velhos nomes eram evocadores; localizavam, aspectos,
factos e figuras, confidenciavarn minúcias da vida urbana, sugeriam quadros
perdidos, e auxiliavam a investigação. Os de hoje são abstracções sem
significação, homenagens sem alicerce, feitas ao sabor da maré politica.
Oedipo, feito edil, semeia charadas pela cidade, arma logros a cada esquina,
«partidinhas» de bom humor feitas a posteridade. O «João Vaz» de certa rua,
suporão todo que é o nosso grande pintor, o do Grupo do Leão, o apaixonado das
águas tranquilas do Sado. Pois não é. O João Vaz que se comemora ali, é um mestre-de-obras,
construtor ou proprietário, que ergueu o primeiro prédio da serventia. Os
exemplos multiplicam-se. De outros tempos ficaram nomes de uma sugestão impressionante.
Dão-lhe fisionomia, pitoresco, carácter”
Pastor de Macedo e Gustavo Matos Sequeira no livro " A nossa Lisboa"
Mono
Encantam-me estes concursos populares de Verão dos anos 30. Dar o nome a uma imagem. E na realidade, hoje em dia o chapéu de palha não passa de um mono...
A toilette de Lisboa
E eis um potente camião de limpeza urbana em 1935. Lisboa parece que fechou e foi de férias. Eu não consigo identificar o local de forma segura, embora tenha uma ideia. Alguém ajuda?
Lisboa
Se há trabalho que respeito é o do cantoneiro de limpeza. Vejo-os incansáveis e briosos, atentos a cada tarefa que executam. Se Lisboa anda menos limpa decerto não é por culpa destes profissionais. Precisávamos de ter um lixo de forma mais educada. E assim o pensava o jornalista do Magazine Civilização em 1935.
27 de agosto de 2012
Nem cá nem lá
Acho graça a este ex-libris de Heitor de Campos Monteiro. O desenho é de Jarmelo. Do primeiro sei que foi director do Magazine Civilização e dirigiu o Almanaque do Porto. Do segundo nada sei. Mas adoro o lema: nem cá, nem lá. Retirado do Almanaque Civilização Junho de 1936.
26 de agosto de 2012
O parque
Em toda a minha vida fui só ver uma revista ao Parque Mayer. Mas ia lá jantar, comprar livros ao senhor do quiosque e ver o bulício. Ainda outro dia, lendo as cartas de meu pai datadas de 1943, pensava como deveria ter sido buliçoso e divertido este espaço. Agora é uma imensidão triste. Parece que senti de forma especial o silêncio. E os artistas que aqui já não entram.
25 de agosto de 2012
A ilha
A ilha, espaço primordial povoado pela transparência de um
mar único, vaga evocação de águas matriciais, regresso a uma infância onde tudo é novidade,
aconchego materno a acolher quem a povoa em espanto.
24 de agosto de 2012
23 de agosto de 2012
22 de agosto de 2012
21 de agosto de 2012
Regresso às aulas
No tempo em que as crianças não pareciam burros de carga a transportar material escolar...1972. Lembro-me de ter uma pasta igual.
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