Edifícios abandonados são memórias a definhar, quase que condenadas a uma amnésia colectiva… No caso presente, algumas lembranças de juventude: evoco vagamente um espectáculo com uma banda de garagem (tinha bons músicos) na companhia de amigos…
Curiosamente e apesar de passar com frequência no local, só há pouco me dei verdadeiramente conta do estado de degradação a que se encontrava votado o edifício. Há alguns anos, cá pelo concelho, ouvi a um presidente de uma junta de freguesia que as sociedades recreativas constituíam – na sua esmagadora maioria - símbolo de mau aproveitamento na região, muitas delas não passando de amplos espaços que de «cultural» só ofereciam jogos de sueca e bailes descaracterizados de quando em vez… Acrescentaria ainda que as mais recentes ignoram inserir-se numa região considerada património mundial, ficando-se mesmo a pensar o que será isso de plano director municipal: tratar-se-á de mera sugestão? É que falamos de edificações monstruosas, a provocar feridas na paisagem.
Não há muito, recordo uma sociedade do concelho – a de Sabugo - que tinha um grupo de teatro com tradição: tendo assistido a um ensaio e, posteriormente, a alguns dos seus trabalhos, fiquei impressionada por ver gente de todas as gerações envolvida no projecto, prescindindo as pessoas do falso conforto de serão, em pantufas ou em frente à tv … Muitas suas peças foram premiadas em mostras de teatro amador.
A que aqui se apresenta em imagem, não se inscrevendo na categoria de mamarracho, encontra-se tristemente abandonada, ostentando o letreiro de uma agência imobiliária da moda… De aspecto reluzente, só o painel em azulejo que lhe dá nome…
Soluções para dinamizar estes locais, não as irei listar, embora ainda sonhe de quando em vez (o que rapidamente se dissipa)…
Resta-me ficar atenta a este desfecho que receio fatal , perguntando se a identificam e lamentando o aspecto descurado que hoje ostenta.