23 de outubro de 2005

Dia de urnas

Agora há pouco, no metrô, indo votar, vi que o sujeito sentado ao lado da minha filha, à parte as tatuagens em forma de teias de aranha em seus cotovelos, trajava uma camiseta de propaganda da Glock. A Glock, saibam os que não souberem, é uma fábrica austríaca de armas de fogo cuja especialidade são pistolas. Dizem que está em vias de se instalar por aqui, e que, parece, já tem um escritório em São Paulo.

Desnecessário especular o voto do cara.

* * *

Segurei uma arma de fogo pela primeira vez aos 35 anos, no stand de tiro da Academia de Polícia aqui de São Paulo. Era um revólver 38, marca Rossi. Cabo de madeira e o metal da cor escura a que se chama "oxidada", embora nada tenha a ver com ferrugem. Éramos seis ou sete para dar nossos primeiros tiros oficiais; eu estava muito nervoso.

Sobre a bancada, diante de cada um de nós, estavam os revólveres e seis cartuchos. Um stand de tiro é um lugar de regras poucas, mas que têm de ser seguidas à risca: nunca virar a boca do cano na direção de ninguém, mesmo com a arma aberta e descarregada; nunca deixar de usas protetores visuais e auriculares; cumprir qualquer instrução exatamente da maneira determinada, e não de outra.

O que deveríamos fazer: tomar a arma com a mão direita, segurando o tambor entre o médio e o anelar; colocar um cartucho, com a mão esquerda, na cavidade esquerda superior; fechar o tambor, e depositar a arma sobre a bancada, com o cano virado para o alvo lá longe. Cumprida essa etapa, o professor, muito rigoroso, nos mandou ficar em posição de tiro: a arma segura com as duas mãos, a esquerda servindo de apoio para a direita, que dispararia (no meu caso, que sou destro); os braços estendidos, mantendo a arma à altura do rosto; as pernas afastadas e levemente flexionadas.

Ao comando, disparei. A arma era pesada e quase pulou das minhas mãos com a força do coice, que eu havia subestimado. Mesmo com os protetores de ouvidos, os estampidos, assim de perto, eram ensurdecedores, e o cheiro de pólvora imediatamente se espalhou.

Minha sensação foi muito ruim. Ficou evidente, de forma física, aquilo que eu presumia de modo apenas intelectual: o de que uma arma é uma coisa poderosa. Sim, a palavra que me veio à mente foi essa: poder. "Isto", pensei comigo, "pode mesmo matar".

De lá para cá, não venço minha aversão pelas armas. Tenho uma e sou um atirador razoável: me dou melhor com pistola que com revólver, e melhor com carabina que com pistola. Passei com nota 8,5 numa prova em que a aprovação se dava com um 7. Mas nunca usei a minha, e faço votos fervorosos de não usar jamais, mesmo sendo a minha profissão das mais filhas-da-puta que há.

Votei, como se sabe, pela não proibição. Pelas razões já discutidas e esculhambadas em muitos lugares. Não cogito ter uma outra arma e devolverei essa que tenho com alegria quando deixar essa profissão, o que espero fazer o quanto antes. Mas digo e repito: quem quiser, deve poder. "Direito", essa palavra que desgosta a gente quando não fecha com as nossas vontades nem com as nossas idéias, é um termo esquisito, mas representa, dizem, um estado, com o qual devemos conviver.

O próximo - sim! sim! - é para acabar com essa porqueira de voto obrigatório.

E que tal abrir uma loja de Amigos ?

Os homens compram tudo pronto nas lojas...
Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos
Saint-Exupéry

Ser cabeleireira, talvez.

Quem disse que quanto mais velho se ficava, menos necessidade se tinha de dormir?

Bem vou tomar banho e lavar a trunfa, é dia de ir ajudar!

Quando for grande, vou ser cabeleireira!

Abeijo-vos.

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22 de outubro de 2005

A Marca dos Avelares, ou a propósito de sexo e literatura

a consulta dos contos do post do manuel fez-me recordar esse monumento da literatura anínoma portuguesa que é “a marca dos avelares", ou a inocência do menino carlinhos.

aquelas folhas impressas em stencil, que metade da população adolescente da minha idade leu religiosamente, ajudaram durante algum tempo a alimentar o meu ego em virtude do herói ser meu homónimo (depois a vida nunca é como os romances, mas enfim... é a vida, e também a homonomia não trás nenhuma outra vantagem adicional para além da curiosidade da coincidência nominal).

se conseguirem tropeçar nesse marco da literatura portuguesa do século xx, conseguirão perceber do que falo.

a literatura portuguesa (e a minha mão esquerda) nunca mais foi a mesma depois disso

Cavaco Is 69% Gay

your taboo desires will trap you...

Hagios-log

Os astros com
Ânsias de

S
A
B
R
E

Dardejando gamelas
Ou solanáceas, d’encontro

Nuvens de punhos
Em possessão intermitente

Aiuta!
Sinior, siniora,
La lluvia tem-e hambre
E cá vamos escorrendo
Por entre peles e pedras...

Fénix is 56% Gay!

De facto, ele há coisas... Aprender até morrer!

Ler é melhor que sexo? II

T, já que achas o debate interessante, deixo aqui o link que tinha postado.

Ler é melhor que sexo? Interdito a menores de 18 anos.

21 de outubro de 2005

Tiago is 46 percent gay!

Por acaso pensei que ia dar mais... fiquei um nadinha desiludido! :)

he's back

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qual sebastião saído das névoas, ou politics terminator, he's back.

el rei d. sebastião cavaco terminou ontem o seu 3 986 567º tabu e anunciou que se vai candidatar às próximas eleições presidenciais.

segundo o seu estilo tradicional,

candidata-se a um cargo exclusivamente politico dizendo que não é politico e que não precisa da política.


candidata-se apenas porque o país precisa dele, santo redentor, neste momento dramático da vida nacional.
como já é a segunda vez que se candidata, imagino que o país ande a precisar muitas vezes dele, porque ele jamais precisa da política.
foi primeiro ministro de portugal 10 anos apenas porque precisava de fazer a rodagem ao carro.
depois da história do espírito santo, é a desculpa mais esfarrapada da história universal.
isto é como o próximo candidato a bastonário da ordem dos médicos dizer que não precisa da medicina para viver e que até nem gosta dos médicos.

não vou fazer comparações entre ele e um outro político que também era economista, não precisava da política e odiava os politicos.
que também não precisava da política, mas esteve quase 40 anos no poder.

este el rei dom sebastião cavaco apresenta como notas fundamentais da sua pessoa o facto de


ter uma profissão e não precisar da política
ser um homem estruturalmente honesto
ser competente naquilo que faz
ser confiável
ser incorruptível

lamento, mas isso, felizmente, é a maioria do povo português que trabalha.
gente séria e honesta, que paga os seus impostos e em quem se pode confiar.

o paulinho do sporting também
tem uma profissão e não precisa da política
é honesto
é competente naquilo que faz
é confiável
não consta que se deixe corromper

tem a mesma fluência verbal do cavaco, embora nunca o tenha visto a falar com a boca cheia de comida
pode a sua perna não o deixar subir a coqueiros em são tomé, mas seguramente dá mais toques com a bola.
tem reconhecimento internacional, a avaliar pela medalha que a fifa lhe concedeu

as mesmas razões que o cavaco invoca para pedir o voto dos portugueses,
podiam ser pedidas pelo roupeiro do sporting


perante tal empate de capacidades, se o paulinho e o cavaco se juntarem na segunda volta, voto paulinho.
é do sporting.



p.s.:
qual será o próximo tabu do cavaco?
se vai ou não à casa de banho?

Nyhavn, Copenhaga

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Gasel is 33% Gay!

Nhoc, Nhoc :)

o teste

Lau is 63% gay..

Careful! You may be straight-laced, but any more butch and you'll have to fight off the girls!

ora aqui está um resultado absolutamente inesperado!
Ando a postar aos soluços..eu sei.
Mas esqueci-me de referir uma coisinha. Já saiu traduzido em português, um blog que está nos nossos links, o Belle de Jour...Não sei como está a tradução. Mas O ABS pode verificar isso numa das suas idas à Fnac.

T is 50%gay

Congratulations!
You´ve scored right in the middle and you are a happy and well adjusted hetero babe!

Luisa is 33% GAY!


The Channel 4 Gay-O-Meter has calculated that Lone Ranger is 33 percent gay!
Find out just how gay you are with the Channel 4 Gay-O-Meter http://www.channel4.com/gayometer

conjunto pais & filhos: ou a propósito do loudon e do rufus, falemos dos buckleys

perguntava ontem a presidenta quem era o rufus wainwright.

procurei responder dum modo simples.
basicamente um tipo que ficou famoso por uma canção sua (na verdade um cover duma canção do leonard cohen) fazer parte da banda sonora do shrek.


ganhou depois algum culto por se afirmar publicamente como homossexual, como se isso fosse importante para a forma como canta ou compõe.
hà uns tempos li uma longa entrevista com ele onde esse parecia ser o tema central da coisa, ficando então a saber que o dito até aprecia ouvir os village people nos bares gay.
coisas importantes, como facilmente se pode ver.

depois, postou o tiago sobre a magna questão de se poder gostar da àgata e do jeff buckley em simultâneo (o que originou longo um comentário glosando o assunto)


a história da música está repleta de dinastias. umas em que os pais se podem orgulhar dos filhos ou netos; outras em que os mais jovens suportam nos ombros o peso dos progenitores.


tim buckley teve tudo para se ter transformado na lenda que é.
morreu muito novo.
produziu num curtíssimo espaço de tempo uma obra muito extensa.
e foi o autor de várias obras-primas.
para alguém que se suicidou com 20 e poucos anos é tarefa de monta.

este disco




é um dos maiores discos da história da musica pop/rock
não é apenas um eargasm. é uma obra histórica.
numa altura em que a costa oeste do estados unidos ainda andava a ver cogumelos a voar, tim buckley conseguia, logo à sua segunda obra, impor um novo desafio á musica popular.



mais ou menos por esta altura tim buckley participou numa outra obra conjunta:
o seu filho jeff.

tal como o pai, o jeff teve uma vida curtíssima e produziu apenas um cd de originais (tem para além disso uma extensa lista de gravações de concertos e mais uns de gravações encontradas em casa e na sua editora).
ao contrário do seu pai não se suicidou, mas foi vítima de um acidente estupidamente surrealista em que foi 'atropelado' por um barco a motor enquanto tomava banho no rio junto do estúdio onde estava a gravar o seu segundo disco.

um dos seus discos de concertos é este




um disco absolutamente deslumbrante.
um guitarrista único.
um concerto fabuloso.
um eargasm puro e duro
comparando aqui a sua versão da canção que tornou famoso o acima citado rufus, é fácil entender a diferença entre um grande músico e um músico menor.


esta casta deu vinho do melhor !!!!
a deixar um rasto de sabor.... nos sentidos

Pequeninas decisões.

Comprar rato novo.
Comprar papel para Joaninha e Pedro.
Ir à Biocoop.
Ler uns livrinhos e ver uns CSI.
Passear. Apetece-me andar.
Ver amigos que não tenho tempo de ver durante a semana.
Fazer umas coisinhas no blog.
Pensar como organizo as fotos.
Tricotar o meu cachecol novo.
Já estou a ficar cansada de tanto trabalho:)
Bom dia e abeijo-vos e braço-vos.

Post apagado e desapagado:P

Não sei porque o Manuel o apagou...mas eu vou repô-lo, porque achei um post divertido!

"Ler não é melhor que sexo?

Eu acho que sim. A T diz que não.

Viva a literatura!

--
Posted by manuel to Dias que Voam at 10/21/2005 01:36:00 AM "

20 de outubro de 2005

expliquem-me assim a modos que eu compreenda, que sou muito estúpido

hoje tropeço no top de vendas de discos da fnac (seguramente o maior retalhista de cd's do país), e vejo no seu top


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olho para o conteúdo e vejo umas árias de haendel, scarlatti e caldara.
absolutamente normal para o reportório da muito mais que excelente cecilia (na verdade uma paixão minha....) e muito longe do seu melhor (ainda que a bartoli até a cantar a conta da mercearia é um heargasm...)


o que levará a que um disco de árias de ópera esteja no top de vendas em portugal?
o nome de operas proíbidas aliado ao ar arrebatado da senhora que abrilhanta a capa?

mistério.

mistério igualmente o facto de ter atingido o primeiro lugar na tabela bilboard classics.

vá lá a gente entender os compradores de música....

Gostos

Se uma pessoa encontra satisfação numa determinada coisa, como por exemplo, a ouvir Ágata, que direito tem outra pessoa que se satisfaz a ouvir musica mais complexa (não estou a discutir quanto), tal como, Jeff Buckley, de criticar os gostos da pessoa que ouve Ágata?
O unico ponto onde se pode argumentar será que Jeff Buckley é melhor que Agata. Mas o que interessa realmente, é o nivel de satisfação que se obtém.
Se a pessoa-Ágata passa-se completamente de extase a ouvir Ágata, tal como a pessoa-Jeff a ouvir Jeff Buckley, a pessoa-Jeff não tem bases para criticar os gostos da pessoa-Ágata. A pessoa-Jeff pode dizer que se obtem um prazer maior a ouvir Jeff do que Agata mas isso apenas será o ponto de vista dela, pois a pessoa-Agata achará que dá muito mais prazer ouvir Ágata.
Resumindo, os gostos e as satisfações que se obtêm são muito pessoais, pois eu posso enfiar à força chouriço de sangue pela minha goela abaixo e tenho a certeza que nunca vou gostar daquilo.
Reparem que se pode comparar musica com comida. As pessoas que adoram chouriço de sangue não compreendem como eu posso achar que tenho de ir vomitar se comer aquilo.

Eu e a minha Bimby

AH! A Bimby há-de ser fantástica! Vou fazer esparguete cozido e uma bolonhesa., bolo de chocolate, sumo de limão, tudo e mais umas botas.Vai ficar bestial e não demora nada - pensei eu. Claro que isto só acontece se as pessoas já souberem de cor o miserável livro de instruções. Foi este pequeno pormenor que me deixou de rastos. Demorei montes de tempo, mas lá consegui fazer a bolonhesasinha e o esparguete. Hoje parto para um novo encontro com a Bimby.
Hoje sinto-me assim:)


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Xavier Gorce é ilustrador do Le Monde e desenhou este meu sentir de hoje:)
Tem um blog bonito.

Cor e ritmo

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A "quadrilha" é típica do nordeste brasileiro e, através da dança, conta uma história sobre os costumes/tradições da época dos "coronéis".
É possível vislumbrar nos trajes influências das ocupações tanto portuguesa como holandesa, é divertido de observar e completamente impossível de dançar para quem não tenha, no mínimo, 5 anos de treino ;-)

O último Axtérix

Já viram o último álbum do Astérix, acabado de editar?
Que grande desilusão!
Extra-terrestres na aldeia dos irredutiveis gauleses?! Naves espaciais... super-clones?
Não, isto não pode ter sido erscrito pela mesma pessoa. É que não pega, não encaixa.
Goscinny volta, ressuscita!
E mudar o nome de algumas personagens (aí concerteza responsabilidade da edição nacional), a que propósito?
Felizmente restam os outros vinte e tal livros.

a minha vida no ic19

no longuíssimo período que demora a percorrer os longos 6 quilómetros que separam a minha casa do meu local de trabalho, ouvi hoje este album

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após muitos anos sem lhe tocar (principalmente porque os discos de vinil não cabem no leitor de cd's), ontem tratei de gravar a coisa para a re-ouvir.

é um dos melhores discos de sempre (ok. numa lista muito extensa).

pawn hearts não é um heargasm.
mas é um disco fantástico.
denso. nada fácil. intenso.
um pouco datado no som do hammond, mas enfim...

o entusiasmo dos vdgg após a sua publicação foi tanto, que anunciaram o seu fim por acharem que não conseguiriam fazer melhor e querer acabar da melhor maneira.
tirando estas tiradas de efeito fácil comuns na juventude, esté é de facto um disco excepcional.
um trabalho que contou ainda com a colaboração de robert fripp (aos tempo dos king krimson) nas guitarras.

o começo da década de 70 na música, prometia.
para o fim a coisa começou a descambar....

conselhos práticos

a tua mulher é uma chata?

nada como o exercício para acabar com isso !!!!

fá-la andar 5 km de manhã e outros 5 km ao fim da tarde.


no final de uma semana já estará a 70 km de distância.....

Vejam lá isto!!

19 de outubro de 2005

Já agora...

Num restaurante argentino...



Várias chaise-longues num restaurante!Ohhhhhhhhhhhhhh!!!!!



apologia da chaise-longue







Referências históricas sobre o aparecimento da chaise-longue AQUI

(role of the chaise-longue (daybed) in different cultures)

Yes!!!!!

ouvido na rua (frase roubada a um blog)

- Já não chegava a crise, os autarcas gatunos, a volta do Cavaco, e as outras desgraças todas, agora ainda temos que aturar o disco novo do David Fonseca...

msn

ele diz:
se eu dissesse algo como:"adoro mariah carey" isso é q seria totalmente fim do mundo
ela diz:
bloqueava-te

morreu o daciano da costa

durante anos usei as suas confortáveis cadeiras na biblioteca da gulbenkian.

como agora uso estas cadeiras



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na cafetaria do ccb


todos assistimos a muitos concertos nas cadeiras da aula magna, no restaurante do casino estoril (eu aqui menos espectáculos, mas enfim, sempre assisti a alguns), ou no teatro vilarett, ou lemos livros na bilioteca nacional (nos últimos anos não, que aquilo tornou-se um feudo de eleitos autorizados)

o daciano costa era um homem de criar ambientes.
coisa que fez como nenhum.
não era apenas um designer.
era um grande arquitecto de interiores.
um explorador de espaços e ambientes.
todos nós já nos sentimos bem em espaços seus.

o daciano da costa foi o pai do design em portugal.
pioneiro entre os pioneiros.
entendeu como nenhum o papel do design e da sua utilidade na vida das pessoas.

hoje, embora com pouco tempo, fui ao ccb num salto fotografar as cadeiras onde com mais regularidade me sento a almoçar nos últimos tempos.

obrigado daciano costa !

Quem nos lê:)

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A Dinamarca...hmmmmm...Cheira-me a Gasel:)

que filme sou:P

A espera das 4 horas...

... quando termina a sessäo de posters.
Tenho la' um pendurado: cerca de 80 pessoas passaram por ele, pelo menos uns 20 pararam para ler qualquer coisa, 4 herois fizeram alguma pergunta. Um marmelo passou, olhou e... arrotou, pareceu-me!

Simplesmente, Super Mário

Ao ler o Público, dei de caras com o anúncio deste novo blog.

Acreditem que é verdade...Acho que este momento de inspiração bloguística, ilustra bem aquilo de que o Carlos falava no post sobre as presidenciais.

Alea jacta est.

Citando o referido blog:
"A abrir
Este é um blog inteiramente livre feito por pessoas que querem ver Mário Soares ganhar as próximas eleições presidenciais. Para além desta convicção comum, aqui, cada um dirá o que entender. Existe, é claro, uma intenção persuasória, porque para ganhar eleições é preciso convencer o maior número de pessoas; mas este blog também pretende servir para pensar, informar e discutir sobre as próximas eleições.No nome do blog há uma ironia e uma homenagem. Uma ironia porque Soares não é, evidentemente, nenhum super-herói. Uma homenagem porque, numa situação generalizada de conformismo, depressão e apatia, Soares foi capaz de se elevar acima de circunstâncias e avançar para esta candidatura. É um esforço nobre, difícil, pessoalmente arriscado. Este blog é a nossa tentativa de, a uma pequena escala, corresponder com empenhamento e determinação ao gesto de Soares. Porque acreditamos que ele será de novo, nos próximos cinco anos, o melhor Presidente.
SUPER MARIO 12:05 AM"

Por Toutatis!

E que filme sou eu... lolllll

P_T_

De joelhos e de gatas,
Na Lisboa de belas matas,
Pelo Parque Eduardo Sétimo,
Encostada às paredes do Técnico.

Consigo estar toda a tarde naquilo! Tem é de ser à tarde!

Eu sou lixado!

lolllllllll

maus ventos pela manhã

o partido socialista decidiu, enquanto partido, apoiar a candidatura de mário soares.
manuel alegre, militante desse partido, decidiu candidatar-se à presidência da república.
nada de anormal.


ontem, a comissão política do partido socialista reuniu-se para discutir a estratégia de apoio à candidatura de mário soares.
alguns dos membros dessa comissão são apoiantes de manuel alegre.
nada de anormal.

pergunto-me sobre o que faria se, sendo membro da comissão política de um partido e apoiasse outro candidato, recebesse a convocatória para uma tal reunião.
minha resposta óbvia:
pediria escusa de participar por estar envolvido noutra campanha e não ser eticamente correcto estar a participar numa reunião onde se estaria a discutir o planeamento do apoio a um candidato contra o qual luto (em questões de economia é um crime configurado como utilização de inside information)..
nada de anormal.

esta madrugada, ao saíem da reunião da comissão política do partido socialista, alguns dos seus membros, apoiantes da candidatura que ali não estava a ser discutida, mostraram-se ofendidos por acharem que não eram bem vindos e, ò ingratidão suprema, alguns conselheiros lhes disseram literalmente isso.

se não existirem outros candidatos à presidência, o meu mais provável voto será para o candidato manuel alegre na primeira volta (na segunda será até para o paulinho do sporting se ele se candidatar contra o cavaco). não por escolha, mas sim por exclusão (o que é irrelevante para o caso em apreço..).

esta vitimização provoca-me urticária.
esta falta de ética também.

ouvir a helena roseta desafiar o seu partido, de cuja comissão política faz parte, a exercer sanções contra ela por estar numa reunião de um organismo onde se está a discutir a estratégia da candidatura adversária,

é repugnante.

ouvir os lamentos dos que, sendo membros de órgão e tendo inteira liberdade de actuar contra ele, se arvoram o direito de, adicionalmente, participarem nesta espécie de obtenção legal de inside information,
é vomitante.

ouvir estes senhores e estas senhores revoltarem-se porque o partido a que pertencem e que decidiu por maioria apoiar um candidato, os impediu de utilizar os meios do partido para apoiar outro candidato que não o que o partido escolheu,
é agoniante.

sim.
provavelmente votarei manuel alegre.


não obstante alguns dos seus apoiantes.
leio o jornal e passo os olhos pela página da necrologia.

não estou lá.

E que leader sou eu?




Bolas...vou ser assassinada!

Que filme sou eu?

Já custa...

Sair do quentinho da cama e saltar para o frio!
Bom dia!

E...no Le monde de hoje...

"Les ministres des affaires étrangères de l'Union ont appelé mardi 18 octobre à une "réaction internationale coordonnée" pour faire face à la "menace mondiale" que représente la grippe aviaire, à la sortie d'une réunion qui s'est tenue à Luxembourg. La veille, le premier cas suspect de l'Union avait été détecté, en Grèce.
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"Nous ne pouvons pas nous protéger seuls, il faut une action internationale", a renchéri le commissaire à la santé européen, Markos Kyprianou. Son idée est notamment d'aider "les organisations internationales" qui mènent le débat sur le sujet. L'Organisation mondiale de la santé (OMS), celle de la santé animale (OIE) et la Banque mondiale sont concernées. Une réunion de l'ONU sur la grippe aviaire doit avoir lieu à Genève du 7 au 9 novembre."

18 de outubro de 2005

Vontades

O texto abaixo não é spam.


Amigos,

A União Zoófila está na eminência de FECHAR. A primeira medida é despedir a pessoa que cozinha para os animais diariamente, já no fim deste mês.

Como sabem, é uma instituição que vive essencialmente da quotização dos sócios e até esses deixaram de pagar. Eles são 800 cães e não sei quantos gatos.

Então aqui vai o meu apelo: Eles necessitam de comida para os animais, sobretudo de secos para os cães. Solicitaram que cada pessoa leve um saco, para poderem "manter o barco". Claro, que o dinheiro também ajuda, mas se quiserem, convertam-no em COMIDA!

AGORA OUTRA AJUDA TÃO IMPORTANTE E URGENTE COMO ESTA!

AJUDEM-ME A PASSAR ESTA INFORMAÇÃO

Façam chegar este e-mail aos Directores de Redacção, ou a quem achem mais apropriado, para que todas as revistas e jornais FALEM DESTE ASSUNTO.

Uma boa reportagem, em todos os meios, dava certamente mais impacto e ajudava a dar a conhecer as dificuldades da UNIÃO ZOÓFILA.

Acredito que não estavam à espera deste meu "press release", mas façam circular este e-mail (não ofereço telemóveis nem viagens), pois estou convencida que vamos conseguir entre todos, contar SEMPRE com a UNIÃO ZOÓFILA para acolher os "nossos" bichinhos.


Um PEQUENO esforço de todos pode impedir isso!

Redireccionem, por favor, para os vossos contactos.

Todos juntos...não custa nada e é num instante.

Quando forem às compras, lembrem-se deste email e comprem um saco de ração para cão / gato. Ainda que seja o mais barato do LIDL. É melhor do que nada.

Cães e Gatos são SERES VIVOS, RESPIRAM, COMUNICAM, SENTEM, BRINCAM E TAMBÉM CHORAM.

Não falhem...


Serviços Administrativos: Av. Conde Valbom 82 - r/c Esq. 1050 -069 Lisboa

Tel: 217974198
Sede e Albergue: Rua Padre Carlos dos Santos - S. Domingos Benfica (detrás da Igreja Furnas)

A irmandadade da Bimby

Citações da nossa Manelzinha!

"Já que o Jp a quis comprar, ele vai ter que a gramar"


Momento glorioso da recepção da bimbyzinha no gabinete
.





(fotos da Bimby)

Ŝiru rozojn en somero, ĉar en vintro ili ne estas.

Pois é...um dia cheio de sol! Soube bem. Estava já a adaptar-me demasiado ao Inverno.
Agora o fungar da Multi, a alegria pela Bimby da Manelzinha, os cremes novos meus e da erre.

Entre o sol e o bem estar alguma inquietação. quando leio os jornais. Azinho era tão bom que escrevesses sobre a gripe das aves! A gente gosta TANTO de ti.

A história do carlos ontem, lembrou-me as histórias alentejanas da minha avó Maria Lúcia, uma senhora com uns surpreendentes e ternos olhos azuis. Tenho pena de recordar tão pouco delas. Mas a moralidade das narrativas era sempre escassa e o pragmatismo era sempre a força vencedora. Eu gostava bastante. A avó Maria fazia uma batota desgraçada para me ganhar à bisca. Em contrapartida, dava-me à socapa uma nota de vinte escudos. E pedia-me para ir à cozinha roubar um bocadinho de chouriço (estava a dieta rigorosa) e eu claro que ia a correr.
Engraçado que tive por avós duas mulheres completamente diferentes. Ambas interessantes e inteligentes, mas com formas de vida antagónicas, uma pautada pelo dever, outra pelo prazer de viver.

Estou a pensar em tudo isto talvez ...bem vocês sabem porquê.

Tudo tem o seu tempo...até as peras:)

E agora um mix dos melhores!

Quem em tudo sua mulher contenta, cornudo depressa se apresenta

Quem entende o que fala, não fala no que não entende.

Quem escorrega, também cai.

Quem escudela doutro espera, frio come

Quem escuta pelas beiras, ouve das suas manqueiras.

Quem escuta pelas cueiras, ouve das suas manqueiras.

Quem espera, cansa, mas quem cansa, alcança.

Quem está bem, deixa-se estar.

Quem está bem, deixe-se estar.

Quem está bem, não se mexe.

Quem está caído, mal dará a mão ao vizinho.

Quem está com fome, não escuta conselhos.

Quem está de fora, joga melhor.

Quem está de fora, racha achas.

Quem eu quero, não me quer; quem me quer, não me convém.

Quem eu quero, não me quer; quem me quer, não me faz conta.

Quem fala com os olhos fechados, quer ver os outros enganados

Quem faz o que quer, raramente faz o que deve.

Quem faz os borrões, que os leia, diz o prior da aldeia.

Quem faz, paga.

Quem faz para os outros, Deus não envida.

Quem faz pelas coisas, há-as.

Quem faz por comum, não faz por nenhum.

Quem faz tudo, não enche fuso.

Quem faz uma vez, faz duas e três.

Quem fez a cama, deite-se nela.

Quem foi à feira, perdeu a cadeira.

Quem foi à missa, perdeu a chouriça.

Quem foi a Portugal, perdeu seu lugar.

Quem foi ao mar, perdeu o lugar.

Quem foi ao vento, perdeu o assento.

Quem foi infiel uma vez, sê-lo-á duas ou três.

Quem foi infiel uma vez, será infiel duas ou três.

Quem foi molhado de chuva, não tem medo de sereno.

Quem foi mordido de cobra, tem medo até de minhoca.

(provérbios populares portugueses e brasileiros)

:)

Variações sobre a pimenta e ditados populares...

Pimenta-do-reino é preta, mas faz de-comer gostoso.

Pimenta no cu dos outros é refresco.

Pimenta no olho dos outros é refresco.

Pimenta no rabo dos outros não arde.

Pimenta nos olhos dos outros é colírio.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Pimenta nos olhos dos outros não arde

ferenc puskas e josé torres



ferenc puskas e josé torres foram glórias do futebol europeu nos anos 60.

sê-lo-ão por muitos anos.

puskas terá tido o seu momento de glória entre as glórias quando, na final da taça dos campeões europeus de 1960, marcou 4 golos ao eintracht de frankfurt, num jogo que terminou com a espantoso resultado de 7-3.

de josé torres não sei como estará financeiramente. espero que bem.
já que de saúde está bastante mal.
na última vez que o vi na televisão, foi doloroso assistir ao seu estado que, não sendo diferente de muitas outras pessoas com a sua doença, se torna mais estranho por estarmos habituados a guardar dele a sua imagem de desportista

de puskas, sabe-se que está muito mal de saúde e financeiramente.

para ultrapassar a falta de dinheiro para sobreviver, foi organizado um jogo de futebol em que a sua antiga equipa do real madrid se deslocou a budapeste.
o resultado desse jogo foi que o real madrid recebeu 1 299 000 euros de cachet, e a mulher de puskas 10 196 euros de receitas.
afinal o necessitado pareceu ser o real madrid.

volta-se agora o pobre puskas para a venda das suas recordações.
no dia 2 de novembro serão leiloadas em londres uma boa parte de tudo o que ganhou e guardou na sua longa carreira.

esperemos que isso o ajude financeiramente, já que a sua saúde pouco poderá ser ajudada.
Hermetíssimo
Canto incluso:
Inenarrarei, confidêncio

Liberdade:
a cada um, seu óbulo

ópio Ou o cálix e
o pedúnculo de maravilhas

Xamã-mento
Resvalar pelas paredes
Até cair de
Pé
em
tecto

Sentido!!!
Crepitar lento e
Certo, de cutículas
pálidas e prossigo

17 de outubro de 2005

Coragem

Aqui.

Sem mais palavras, que as palavras são inadequadas.

Com o Besugo na ideia, por motivos óbvios.

Com um agradecimento a Tânia Bernardes, enfermeira no IPO, que me chamou a atenção para o site.

MITRA

Comment!
De íncubos à pele,
Estravoando à dor
dAs crias
dos Anfíbios
Com um tratado da matriz…
Silviando fedras a-pulso:
“Más línguas o palpem,
Compadre Venâncio”

Ye-manjando integrais
Sérios e cristalinos


Escuto?

Esgares de fogo
Nunca purificarão
tónus humanus

[De pedintres a tâmaras,
Há o olivino esmaecer
dos minutos…

Haikus - VII

É pelos uivos
Que nos tornamos raízes,
Neve, prostração.


(Inspirado neste espectáculo redentor: Pedro e Inês)
TM,Inc.

Gosto de ver

As dinamarquesas, a andar de bicicleta!

como os de fajão afastaram os mouros dos penedos



conta-se em fajão que durante a ocupação árabe da serra do açor os mouros habitavam numas grutas nos penedos da penalva.
muitas vezes tentaram os de fajão desalojar os mouros do cimo dos penedos.
por muito que os cercassem, eles mantinham-se lá bem fechados e protegidos.
tinham escavado umas longuíssimas galerias que os colocavam atrás das linhas sitiadoras e lhes permitia recolher àgua do ceira e mantimentos.
e fazer as sortidas para os seus ataques.
cansados de tentar vencê-los pelo fome ou pela sede, e desejosos de chegar aos tesouros que os mouros guardavam dentro das grutas que jamais abandonavam, os de fajão tentaram vencê-los pela astúcia e pela curiosidade.
uma noite juntaram todas as cabras de todos os rebanhos da freguesia na aldeia das gralhas.
bem em frente dos penedos.
na cabeça de cada cabra colocaram uma vela acesa, formando uma imensa procissão (deve ter sido daqui que veio a ideia para fátima...) a descer encosta abaixo até ao rio.

os mouros, espantados com tal visão de luzes a descer a encosta, sairam todos para a raseira a fim de admirar o deslumbrante espectáculo.
enquanto se maravilhavam com as luzes, os de fajão taparam-lhes as entradas das grutas impedindo-os de lá regressar e guardando para sempre os tesouros.

até hoje, diz-se

little nemos in slumberlands

hoje é o dia internacional para a erradicação da pobreza.

leio as revistas portuguesas de todas as espécies e espanto-me.


qualquer reportagem de férias que seja menos que a polinésia francesa está completamente fora de questão.
não se faz uma crítica sobre um vinho que não tenha, pelo menos, 2 dígitos antes do símbolo do euro e, de preferência, que o primeiro deles não seja um 1.
não se escreve sobre um hotel que não lembre os luxos babilónicos.
não é feita uma única análise a umas míseres colunas de som que não tenham 4 dígitos antes do símbolo do euro.

quem ler as nossas revistas e os suplementos dos nossos jornais acreditará que está noutra dimensão.

segundo os dados divulgados nestes dias, 20% da população portuguesa vive no limiar da pobreza.
famílias inteiras vivem com rendimentos inferiores ao salário mínimo.
a fome nas nossas aldeias é um facto real.

a sub-nutrição nas nossas cidades é um facto surreal.
disfarçada pelo orgulho das pessoas.
disfarçada por algumas couves e batatas plantadas no quintal.
disfarçada pela entreajuda.
disfarçada pela habituação do estômago a ingerir menos.

olho para as revistas de economia (as que a tratam por tu e as que a tratam por você) e vejo que afinal é fácil ser rico e ter sucesso.
basta seguir os conselhos.
está tudo lá.
pago à linha, à página, ou ao delírio.


só ainda não percebi porque é que aqueles jornalistas ainda continuam a escrever em revistas de economia e não estão a fazer o sucesso que receitam.

portugal está um país bipolar.
estamos todos esquizofrénicos.
e autistas.
escrevemos sobre o que gostávamos que fosse, como se já tivesse sido.
sonhamos de noite e acordamos a acreditar que, de facto, vivemos e temos aquilo.

pobres little nemos in slumberlands

Passa num instante.

Pois é. Este fim de semana foi muito curto para tanta actividade.
Gostei muito de rever a sobrinha de Coimbra:) E de conhecer o nosso poeta dos haikus.
Passei o domingo a adorar a Mariazinha, que adorou cagar e soltar os ares que lhe pairavam na barriguita, ao meu colo. Sempre fui uma companhia muito inspiradora.
Gosto destes dias familiares à volta do ritmo de um bebé. Dão muita paz, sei lá porquê.
E gosto de reencontrar amigos. Tudo isto aquece a alma.

2ª

Uma das lâmpadas fluorescentes está a falhar de forma abusiva. Devia ter trazido o
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para voar até ao tecto e dançar com ela! Image Hosted by ImageShack.us

16 de outubro de 2005

Suspiro.

Depois de um dia a adorar a sobrinha pequenina, vou a correr para a Barraca, dar beijinhos à sobrinha mais velha, a de Coimbra:)

De Køpenhavn

Cheguei a Copenhaga... e, logo ontem, aconteceu uma coisa extraordinaria.
Era a sessäo inaugural do Congresso, uma sessäo de honra com ministros e princesa, e discursava o decano da gastrenterologia europeia. Nisto, entra um funcionario e segreda-lhe qualquer coisa ao ouvido. Passados uns segundos, o senhor, emocionado e de voz embargada disse - Meus senhores, Vamos interronper esta sessäo e comemorar... O Benfica ganhou ao Porto!
E, em unissono, toda aquela assistencia comecou a bater palmas e a gritar SLB SLB SLB... GLORIOSO SLB.. GLORIOSO SLB

Post de fim de semana sobre lingerie

(...inspirado nuns comentários lá em baixo)

Para o que me havia de dar. É o que dá ter trabalho para fazer e não apetecer fazê-lo.

Nota prévia: isto é um post sobre lingerie, ou seja, roupa interior de senhoras. Isto porque para mim dizer "lingerie feminina" é redundante. Nós, os machos, usamos apenas roupa interior. Os que usam lingerie fa-lo-ão por razões privadas que lhes dizem exclusivamente respeito. Os comentários que se seguem resultam de alguns anos de experiência a comprar prendas neste departamento, com resultados variáveis mas, habitualmente, muito positivos.

No dia a dia: há muita coisa de jeito. Triumph, Playtex e Sloggi, por exemplo, têm vindo cada vez mais a associar à sua abordagem no nonsense o material de qualidade e a boa estética. Excelentes equipamentos nas áreas desportiva e mais jovem, com bom suporte e pouco atrito.

No nível intermédio, alinhando já alguma sofisticação com qualidade e usabilidade, há muitas marcas interessantes no mercado. Intimissimi, Huit, Lejaby, Chantelle e Malizia (neste momento nas mãos da La Perla) assim de memória e a olho, são boas apostas. As minhas desculpas por não me lembrar de outras marcas boas, que as há. Metam nos comentários.

No nível alto há coisas estupendas. E caras, pois com certeza. Deixo apenas duas referências a que se pode chegar num momento especial e que se encontram cá pelo burgo: Andrés Sardá, da Catalunha, e a La Perla (italiana, naturalmente). Fantástica qualidade, fantástica estética, material que dá para vestir mesmo no dia a dia (à excepção de algumas peças de combate para ocasiões especiais), preço alto, mas boa relação preço-qualidade.

Na área do super-luxo estão os designers que, trabalhando no high-end, acabam por apostar numa sobriedade que não apela a todos, associada à qualidade máxima em conforto e materiais e, muito importante, à associação entre o design e padrões da roupa interior com o pret-à-porter que produzem. Dior, Lacroix, Sonia Rykiel e Miyake são exemplos. Estritamente para convertidos.

Uma nota para as fraudes. Como regra geral, todas as marcas que metam a palavra "Secret" são para esquecer, a menos que se procure objectivamente um look rasca. Há outras marcas fraquinhas por aí, frequentemente misturadas com lingerie boa. A de má qualidade (alguma mesmo péssima) fica frouxa à primeira lavagem, os padrões ficam bem nas fotos mas ao vivo dão um ar sórdido a quem os veste, as rendas são grosseiras ou impressas, os elásticos inconsistentes, as costuras às vezes assimétricas e desiguais. As inglesas adoram este tipo de lingerie, o que deveria ser um forte alerta para quem pensa no assunto. Boas para miúdas adolescentes a dar os primeiros passos na arte da sedução (costumam ser peças em conta), desde que alguém lhes explique que se ficarem por ali é muito mau sinal. O mesmo recado para os homens: enquanto gostarem daquilo têm muito que evoluir.

Um destes dias, se me sentir inspirado, dou mais umas sugestões ao pessoal sobre como escolher lingerie para a sua dama. Para que não cometam todos os erros que eu cometi ao longo dos anos, que alguns serão, sem dúvida, inevitáveis, necessários e educativos.

Pedagogia Policial I - Mestre Marques

No que ao trânsito respeita, nunca conheci alguém com uma postura tão radical e cumpridora como o Guarda Marques. Polícia por vocação, filho de um antigo agente da PVT, desde que ingressou na PSP nunca desenvolveu outra actividade que não fosse a de motorista de Carros Patrulha (CP). Era dos mais antigos motoristas do Comando de Lisboa e exercia essa actividade com prazer e dedicação, cumprindo escrupulosamente as regras. Aprendi muito com este decano dos motoristas e rapidamente passei a tratá-lo pelo nome que carinhosamente era conhecido e respeitado: Mestre Marques. Apesar dos cursos e instrução específica de condução de veículos policiais ministrados no seio da Corporação, muito daquilo que sei sobre esta actividade, aprendi com este camarada. Além de todos os predicados que lhe eram reconhecidos, Mestre Marques era um Guarda que gostava de participar nas ocorrências às quais a sua equipa era chamada a intervir, não se limitando à condução e guarda do CP. Claro que, onde se sentia mais à vontade era quando as ocorrências eram relacionadas com questões de circulação rodoviária. Aí, Mestre Marques, quase sempre aliava a sua capacidade de julgamento aos conhecimentos acerca da matéria exercendo o poder da autoridade de forma justa, pedagógica e muito... personalizada. É disso exemplo o que relato a seguir.

As coisas estavam complicadas para quem tinha de circular em Benfica. Era hora de ponta e chovia a cântaros. A noite aproximava-se arrastando as nuvens cinza chumbo que se abatiam em forma de chuva sobre a populaça apanhada à saída do trabalho. Os veículos circulavam em “modo lesma” e aconselhava-se máxima prudência na condução.

-Estamos aqui vai para 10 minutos e nunca mais chegamos ao Cemitério. Isto está bonito, está! – disse Vilela que estava ao comando do 24.08.

- Se não bateram nos Arneiros, deve estar algum “inteligente” estacionado em segunda fila, ou coisa que o valha – respondeu Mestre Marques.

Eu, sentado atrás dele, iria rendê-lo no turno de condução seguinte e dava graças por quando chegasse essa hora já não teria de andar a rodar o volante do pesado Ford-Sierra, ao qual por motivos de falta de verba, tinha sido removido o sistema de direcção assistida. Finalmente as coisas compuseram-se. O trânsito começou a fluir e fomos informados mais adiante, por um patrulheiro, que a confusão se instalara devido a uma família de ciganos que contendia com os condutores que protestavam pelo facto de os primeiros estarem sempre a parar a meio da passadeira, não se decidindo e permanecendo ali a conversar uns com os outros. Marques continuou por entre o limbo de escuridão, automóveis e peões com a mestria e perícia de piloto de barra do Tejo em plena tempestade. Quando chegou a hora de o substituir, o Mestre pediu que o levássemos junto do seu automóvel, estacionado no Bairro do Charquinho. A circulação era agora mais fluida. Quando ia iniciar a subida da Estrada dos Arneiros, deparei-me com um indivíduo já de certa idade, com uma criança ao colo e outra pela mão, parados sobre a passagem de peões. Parei para lhe ceder a passagem e o indivíduo avançou alguns passos ao longo da passadeira estacando de seguida mesmo em frente ao CP. Aguardei que continuasse, mas o homem não se decidia a tal coisa, antes voltou-se para trás e pôs-se a discutir com a mulher e outros membros do seu clã cigano. Fiz-lhe sinal de luzes ao mesmo tempo que, com um gesto o convidava a continuar o atravessamento. O patriarca não só ignorou o meu apelo como ainda não arredou pé.

- O tipo é burro ou então está a gozar connosco – ouvi Mestre Marques, que seguia atrás de mim.

- Ou passa ou então volte para o passeio – disse o Valente que seguia no comando do CP.

Por parte dos ciganitos, nem um “ai”. O Patriarca continuou a sua prosa com os outros e não arredava pé. Predispus-me a continuar a marcha e por isso, contornei-o devagar e continuei. Já ia começar a acelerar o veículo quando ouvimos atrás de nós um derrapar de pneumáticos no asfalto molhado, abafado por uma buzinadela. Olhámos para trás e vimos que fora o cigano que fizera o mesmo com o condutor que nos precedia. Logo o clã começou a gritar insultos e desaforos para com o pobre condutor. Definitivamente estavam ali para gozar o “pagode” e só poderia ser a “seita” de que o patrulheiro nos alertara nessa tarde.

- Pare o carro, Cruz – pediu Marques – deixem-se estar aqui dentro que eu já volto.

O Marques saiu do CP e dirigiu-se ao grupo de brincalhões. Estes ao vê-lo aproximar-se mantiveram um ar de desafio. Iria ele multar aquela gente toda?

- Há problema, Sr. Guarda?!... – atirou arrogantemente o patriarca.

- Deixará de haver quando passarem para o outro lado.

- Ai, Sr Guarda… mas quem lhe disse a si que queremos passar para o lado de lá?!...

- Pouca conversa. Não sabe que está a atrapalhar a circulação? Pare de gozar com as pessoas ou ainda alguém se magoa.

- Sabia lá a gente dessas coisas – continuou o velho, deliciado com a situação – a gente não aprendeu essas coisas; ninguém nos disse nada das passadeiras. A gente passa onde quer e eles só têm de parar.

- Pois, vai passar, a bem ou a mal passa você e passam os outros todos – o Mestre acabara de lhe agarrar a orelha direita – e vêm atrás de si, senão vai orelha a orelha.

Enquanto dizia isto, já se aproximava do outro lado da Estrada, com o cigano atrelado pela orelha e, para estupefacção geral, este nem tentara resistir.

- Como é? Vocês aí, passam ou é preciso ir buscar um por um?

Num ápice, como mandam as regras, a prole do patriarca, procedeu ao atravessamento, não fosse o cívico esticar-lhes os apêndices auditivos. O gajo não devia ser bom de “assoar” e se este era assim, ainda restavam mais três dentro do carro. Não convinha ver toda a equipa em acção.

- Espero não os voltar a ver por aqui hoje e muito menos não quero nenhum de vocês a passar a rua sem ser nas passadeiras, ou vão ter de se ver comigo, entenderam?

Foi remédio santo. Durante o tempo que fui motorista naquela área, a comunidade cigana da zona foi sempre um exemplo de urbanidade no atravessamento das vias de Benfica e raramente se via um dos seus membros parados à entrada das passadeiras, isto se não fosse para proceder ao atravessamento.

Às vezes, a pedagogia de choque pode ser mais efectiva que uma simples sanção pecuniária.

Obrigado Mestre Marques.

Casamento de homossexuais.

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Imagem recente de um casamento de homossexuais em Espanha.

15 de outubro de 2005

Idas e vindas com estares

Hoje acordei muito mas muito cedo: objectivo ir à Biocoop. Investi tal Rambo pelos legumes e demais produtos, fazendo uma colecta muito razoável. A mãe da tubaroazinha Maria tinha pedido uns docinhos. E quem disser que eu mimo demais as meninas, é parvo:)

De tarde tive que ir ao Colombo. Descobri que a Fnac é um local de engate desgraçado. Engraçado, só costumo ir à do Chiado e esta não é assim. Menos mal, não comprei o que queria, nas comprei um livrinho que um amigo aconselhou. Namorei uma série de écharpes. Ainda estou na fase de reconhecimento de terreno. Mas o Colombo é insuportável. Já durante a semana é. Reitero que ao fim de semana piora bastante.

Preguicei imenso hoje. Mesmo muito. Ressuscitei a mantinha de pelo para o frio. Os gatos adoraram. Li. Dormitei. Ontem fui jantar ao restaurante "Os Courenses": comida boa, bem servida, com simpatia. Preço bastante razoável. É de ir. É bastante parecido com o Escondidinho, aonde costumamos ir.
Depois deste pequeno relatório, vou-me:)

É muito bom fazer o que se apetece, ó se é.

A Maria vem cá amanhã:) Espero que consigamos aparecer e dar-lhe marretada na cabeça, para a convencer a.....

Abeijo-vos:)
Parabéns Francisco, rei das gadelhas, amigo do blog e relapso escritor:)
Um bom dia de anos!

Mecanismo Mau Misterioso

Há um mecanismo mau e misterioso que tento compreender. Às vezes acontece-nos uma coisa má, de cuja gravidade emocional nem sempre nos apercebemos logo no momento em que acontece. É uma coisa má do tipo dar-nos vontade de esquecer. E sempre que nos lembramos temos o desejo de voltar atrás no tempo para corrigir ou evitar essa coisa. Tipicamente, dá vontade de não nos lembrarmos. Por vezes, essa coisa má foi culpa nossa, ou foi uma má jogada da nossa parte. Tem quase sempre a ver com qualquer oportunidade mal aproveitada ou com qualquer coisa como perder a face num plano emocional. Sentimo-nos envorgonhados sozinhos.

Enquanto essa coisa não for resolvida, enquanto não voltarmos atrás no tempo e não arranjarmos tudo de uma maneira diferente e boa, não avançamos em nada. Procrastinamos em tudo. Não se sabe bem o que é que foi, o que é que ficou mal, ou sabe-se apenas em qual situação, em que dia ou com que pessoa é que a coisa, a “causa” ocorreu mas não se sabe o nexo, o detalhe, o ponto bicudo que nos magoou. E enquanto magoar lá no fundo, por baixo de almofadas e mais almofadas emocionais, são rotas mas pomos muitas umas por cima das outras, enquanto a coisa estiver lá em baixo e nós olharmos para cima, é o trabalho que não avança, a decisão importante que se hesita, o curso ou mestrado que nunca mais se acaba, a rotina em que se permanece, os horizontes para os quais se avança de lado sem querer mesmo avançar.

É como um castigo ou talvez melhor um incentivo doloroso auto-imposto: enquanto não resolver o que não sei ao certo e que ficou no passado irreversível (talvez), comprometo-me dolorosamente perante mim mesmo a não avançar em nada. Se avançar tendo “aquilo” por resolver, então nunca mais o resolverei. Portanto, para não me esquecer do que está no passado, não avanço. E por outro lado, se “aquilo” não ficou resolvido, de que adianta avançar?, que sentido tem avançar? É que “aquilo” é que era importante, só “aquilo” era verdadeiramente importante. Só a EMOÇÃO é importante.


Mas o que foi afinal ao certo “aquilo” de que não me lembro e não compreendo e sobre o qual não terei provavelmente poder nenhum???...

14 de outubro de 2005

Antecipando o 1 de Novembro: 250 anos.

"Lisboa, 1 de Novembro de 1755

“No primeiro dia de Novembro de 1755, um sábado, dia de Todos os Santos, pelas 9 horas e 40 minutos da manhã, Lisboa foi sacudida por um terramoto de extrema violência. Em poucos minutos, a cidade foi revolvilda; a seguir tornou-se pasto de um incêndio que durou seis dias. Ao fim, não restava grande coisa desta capital que vimos desenvolver-se durante seis séculos. A cidade de que se vangloriara de ser a mais rica do Ocidente era agora «como um deserto da Arábia».

Nunca catástrofe semelhante tinha caído, ao longo da história conhecida, sobre uma cidade cuja população se elevava a um quarto de milhão de habitantes. O mundo inteiro ficou profundamente impressionado, a grande desgraça que acontecia a Portugal foi assunto de especulações científicas e metafísicas, inspirou os filósofos e os poetas e alimentou toda uma literatura de reflexão e sensação. O seu alcance foi considerável: um vento de terror sacudiu as teorias optimistas que se forjavam na Europa, e Voltaire, depois do seu poema sobre Le Désastre de Lisbonne (1756), dirigido aos «philosophes trompés qui criez tout est bien», escrevia Candide ou l'optimisme.” (França, 1987)

O grande sismo de 1755, que é considerado por vários autores o maior sismo de sempre (é-lhe atribuída uma magnitude próxima de 9), teve o seu epicentro próximo do Banco de Gorringe, estrutura situada a SW do território, a cerca de 200 km de Lisboa. Por este motivo se explica que os seus efeitos se tenham feito sentir em Marrocos com a mesma violência com que foram sentidos em Portugal. Contudo, os seus efeitos foram sentidos muito mais longe: na Europa do norte (Finlândia, Escócia, Irlanda, Bélgica, Holanda), no norte de Itália, na Catalunha, no sul de França, na Suiça, nos Açores, na Madeira, nas costas do Brasil e até nas Antilhas. Segundo Pereira de Sousa, «foi o mais extenso que a ciência jamais registou».

Lisboa já tinha sofrido muitos tremores de terra. Enumeram-se oito durante o século XIV, cinco durante o século XVI (entre os quais os de 1531 - 1500 casas destruídas, e de 1597 - 3 ruas desaparecidas), e três no decorrer do século XVII. No século XVIII já se tinham sentido tremores de terra em Lisboa, em 1724 e em 1750, no próprio dia da morte de D. João V. Quando o sismo se deu, a cidade não estava preparada para o abalo. Desde 1750 que não se detectava qualquer actividade sísmica (existem relatos contraditórios - um manuscrito da época afirma que desde o dia da morte de D. João V, "a terra nunca mais deixou de tremer, como ensaiando-se para o que sucedeu em Sábado 1 de Novembro" - França, 1987).

Leia-se a descrição do fenómeno, seguindo dois testemunhos contemporâneos (Moreira de Mendonça, 1758):

« A manhã do 1º de Novembro anunciava-se calma e quente, na continuação dos belos dias de fins de Outubro: a temperatura era de 17,5 graus. O céu estava sem nuvens, brilhava o Sol; um vento ligeiro soprava na direcção nordeste. Pelas 9 horas e 40 minutos, depois de um grande ruído subterrâneo que aterrorizou toda a gente, a terra teve um primeiro abalo, vertical, depressa seguido por outro, horizontal, no sentido norte-sul. Os dois abalos não duraram mais de minuto e meio, mas, depois de um minuto de intervalo, um novo abalo, mais violento, prolongou-se durante dois minutos e meio, e logo um terceiro durou mais três minutos. Entre o segundo e terceiro abalos houve ainda um minuto de intervalo. Durante estes nove minutos, o rumor subterrâneo foi ouvido sem interrupção. O céu ficou escurecido pelos gases sulfúricos exalados pela terra (notaram-se fendas compridas e estreitas nas ruas) e sobretudo pela poeira, que tornava a atmosfera irrespirável. Ao mesmo tempo as águas retiraram, deixando ver o leito do rio - para se precipitrem em seguida, em enormes vagas, que varreram o Terreiro do Paço e as ruas e os terrenos próximos das margens. O capitão de um barco inglês ancorado no meio do Tejo contou, numa carta dirigida ao seu armador, como viu a água elevar-se e precipitar-se de 16 pés de altura, de três vezes seguidas, em cinco minutos. Pelas 11 horas, um novo tremor de terra fez ainda cair alguns edifícios.

Em seguida, houve um incêndio que durou cinco a seis dias, e que completou a obra do terramoto. Foi o fogo, de resto, o causador da maior parte dos prejuízos: «se a cidade o não tivesse sofrido, a sua ruína teria sido rapidamente reparada», escreve uma testemunha da catástrofe.»

Leia-se agora uma descrição mais "científica", baseada também em testemunhos contemporâneos:

«As igrejas estavam cheias quando, às 9,40h, se ouviu um ronco subterrâneo logo seguido por um abalo. As vibrações eram rápidas mas durante os primeiros cinco segundos, não alarmantes. A partir de então o nível de vibração aumentou bastante causando logo danos nos edifícios. Depois de uma pequena pausa, o movimento recomeçou menos rápido mas muito mais violento. Algumas testemunhas oculares referem que as casas abanavam como carruagens a passar em grande velocidade sobre uma calçada cheia de pedras. Esta parte do abalo que durou dois a três minutos fez colapsar muitas casas, igrejas e edifícios públicos. As tapeçarias a cair sobre candeeiros ou velas nas igrejas devem ter originado os variados incêndios que logo eclodiram por toda a baixa de Lisboa, e que vieram a transformar-se em fogo violento que grassou durante seis dias. Aos já elevados danos materiais e humanos provocados pelo colapso das construções é de adicionar muitas vítimas dete incêndio.

Às 10,00 horas sentiu-se uma forte réplica que alguns dizem ter sido mais violenta que o primeiro choque mas menos prolongado. Um terceiro choque, já mais suave, sentiu-se às 12,00 horas.

Cerca também das 10,00 horas, coincidindo com a primeira réplica, as vagas de um tsunami gerado aquando do choque das 9,40 horas, chegavam a Lisboa. As águas do Tejo desceram inicialmente, levando consigo os barcos ancorados junto ao cais. Em seguida, começaram a subir de nível, galgaram as paredes do cais e avançaram pela Baixa de Lisboa trazendo um mar de espuma e fazendo um ruído tremendo. Esta onda, avaliada em 15 metros de altura, entrou pela baixa mais de 500 metros. Quando o nível das águas regressou ao seu normal deixou a terra lavada. Muitos dos sobreviventes das casas colapsadas não puderam escapar às ondas do maremoto.

O tsunami sentiu-se não só nas costas portuguesas (no Algarve as ondas chegaram a atingir uma altura de 30 metros) mas também ao sudoeste de Espanha, norte de África, nas Ilhas Britânicas e na Holanda. Em Creston Ferry, perto de Plymouth (Inglaterra), as águas subiram às 16,00 horas: dois barcos que estavam a seco a metro e meio da água, ficaram "afundados" em lama. Demorou cerca de 8 minutos para a água voltar ao seu normal e para os barcos voltarem a flutuar. Também nas costas do continente americano o tsunami se fez sentir. Assim, em Antígua, a 6000 km de Lisboa, a primeira onda do tsunami chegou cerca de 10 horas depois (19,30h, hora de Lisboa). Aqui as variações do nível das águas sentiram-se durante 2 horas e meia, tendo a onda mais alta cerca de 3,50m.

Perto da Alfândega de Lisboa, um molhe construído com grandes blocos de mármore serviu de abrigo a alguns sobreviventes do primeiro choque. Como a primeira réplica e o tsunami ocorreram ao mesmo tempo o molhe afundou-se com a enorme multidão em cima dele. Pequenas embarcações também foram "chupadas". Dias depois, um exame ao local revelou que não havia o mais pequeno vestígio do molhe, barco ou pessoas. Isto é o chamado fenómeno de liquefacção de materiais lodosos e argilosos.

A distâncias superiores a 1000 km as ondas sísmicas embalaram as águas de lagos, rios e portos, de uma maneira rítmica. Observou-se isto na Suiça, Inglaterra, Escócia, Finlândia e Suécia. Na Escócia, a 2000 km de distância, as águas do lago Lamond oscilaram com amplitudes de mais de 60 cm durante mais de hora e meia. A 3000 km, no rio Dal a norte de Estocolmo, ainda se fizeram sentir estas oscilações.»

O número total de vítimas deste sismo cifra-se entre as 40000 e as 80000 pessoas. Só em Lisboa, pensa-se que dos 200000 habitantes da época, 20000 terão morrido. Das 20000 casas existentes, apenas 3000 podiam ser usadas a seguir ao sismo. Totalmente destruídos ou severamente danificados contam-se 32 igrejas, 60 capelas, 31 mosteiros, 15 conventos e 53 palácios.

Os danos no sul de Portugal e em Marrocos foram também grandes: Faro ficou totalmente em ruínas sendo alta a percentagem de população morta. O mesmo sucedeu em outras povoações algarvias: No sul de Espanha também houve grandes danos, se bem que não tão catastróficos.

Para o norte de Lisboa as intensidades sentidas atenuaram-se mais rapidamente. Em Coimbra, por exemplo, não se registaram danos sérios. Contudo na Corunha, a 800 km do epicentro, algumas chaminés altas tombaram, embora a população não se tenha apercebido da vibração.

O grau de perceptibilidade deste sismo foi cerca de 2500 km"

(transcrevo quase na íntegra o site dos nossos Engenheiros Sísmicos.)

Earthquake photos

Não, não é isso...


Nem tão pouco vou referir nada sobre a maioria destes nomes terem origem africana. Nem vou falar quantas paredes seriam necessárias para escrever os nomes de todos os civis assassinados pelo regime colonial português, cá, lá e onde lhes apeteceu.
É só para dizer que a minha febre já baixou.

Para o Ricardo

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Outubro Cinzento Claro

A cidade palpita a cento e vinte pulsações por minuto.

O trânsito do costume. Já está frio suficiente para andar tudo novamente carregado de roupas de marca.

Os universitários todos escolheram compraram vestiram propositadamente estas roupas para estes dias. Foi a sua decisão mais antecipada, melhor planeada. A roupa é de facto para muita gente o mais importante, a única coisa que não pode ser deixada um milímetro abaixo do horizonte da nossa satisfação (a deles, através dos outros).

Funcionários públicos chegam devagar ao almoço, chegaram calculadamente atrasados aos guichês, queixar-se-ão depois de almoço, chegarão nova e habitualmente atrasados a qualquer lado em que ficam sentados, sairão mais cedo como é costume, ... (carrocel)

Oh! Uma pessoa concreta!: respira ao mesmo tempo que anda, tem as calças demasiadamente (que lei foi essa?) para cima, sorri ao contemplar o vazio do ar que enche este lobi. Há ali outra pessoa concreta, mas como tem mais quinze anos do que a sua biologia lhe afirma (não, já não lhe afirma) deixou de ser concreta para mim. É uma mancha bidimensional aposta à atmosfera menos rarefeita que ela.

Vou esconder-me atrás dum livro. Luxo. Ou melhor, vou fechar-me debaixo destas páginas e desaparecer (espero que ninguém leve o livro!...).

(O meu amigo está atrasado e com isso provoca-me um acréscimo discreto de fome).

13:17

Aula

Meninas e meninos, toca a aprender!

Livro do deve e do haver ataca de novo.

O Orlando deve posts, a ni deve imensos, a lau deve assim assim, o fenix não anda a haikar, a Multicalorica e o caretaker andam nas emergências e nada de posts, assim como o nemo, o Paulo está muito em falta de posts assim como o zoe, a joana continua na árdua aprendizagem da maternidade, a Miss M e Cocoloco na completa ronha (sobrinhos miseráveis), o jose deve posts, o gajo idem aspas, o h nem se fala:), a Frutuosa está nas termas, o Pardal Suado deve muitos posts, o Zézinho também, o Jp feneceu ou desapareceu? (mistério) e chega.

Logo..escrevam...dêem notícias:)

Nic queres escrever com a gente?
E acho que chega de balanços por hoje. Está um belo dia. E vou passar o domingo a adorar a sobrinha neta:)

Não sou Leninista!

Não, não sou... Leninista nunca!
Só por uma vez me deixei levar em arroubos revolucionários, lá por volta dos meus 12-13 anos, fruto, quiçá, de uma adolescência precoce. Nesses dias, eu e um amigo meu, tentamo-nos inscrever na secção juvenil do MRPP de Portalegre mas não conseguimos. Não havia ou ainda eramos muito novos... De qualquer modo, apareciamos por lá - eu, o meu amigo e um outro rapaz vesgo - e participámos activamente em diversas actividades "revolucionárias": colocámos, na lapela, uns pins com a foice e o martelo; arengavamos, na escola, contra a burguesia e o capitalismo; espalhámos "MRPP" pelas parede e muros do bairro; editámos um jornaleco - que só teve 3 números - e que vendiamos aos nossos pais e vizinhos. Até particapámos numa gloriosa manifestação, à porta do Governo Civil, com cerca de mais 20 ou 30 destemidos camaradas. Seria para libertar o camarada Saldanha Sanches?
Mas, depressa passaram aqueles anos loucos e, ainda antes dos 15 anos, já me tinha deixado de madurezas!

Fiz uma descoberta científica?


Pois é, as constipações com infecção na garganta e febre dão para duas coisas: dormir e net. E que encontrei eu numa busca na net? Aquilo a que eu chamei uma descoberta científica. Ah pois, eu não vou lá por menos!
Pois é meus amigos a culpa da gripe das avezinhas pode muito bem ser culpa do sacana do coelho que deu uma rapidinha na capoeira do lado. Agora fica a curiosidade de saber qual vai ser a reacção do galo - se é que vai haver reacção.

13 de outubro de 2005

E ainda Harold Pinter...

Cancer Cells


"Cancer cells are those which have forgotten how to die".
(Nurse, Royal Marsden Hospital)


They have forgotten how to die
And so extend their killing life.

I and my tumour dearly fight.
Let's hope a double death is out.

I need to see my tumour dead
A tumour which forgets to die
But plans to murder me instead.

But I remember how to die
Though all my witnesses are dead.
But I remember what they said
Of tumours which would render them
As blind and dumb as they had been
Before the birth of that disease
Which brought the tumour into play.

The black cells will dry up and die
Or sing with joy and have their way.
They breed so quietly night and day,
You never know, they never say.

Harold Pinter, March 2002


Meeting

It is the dead of night,

The long dead look out towards
The new dead
Walking towards them

There is a soft heartbeat
As the dead embrace
Those who are long dead
And those of the new dead
Walking towards them

They cry and they kiss
As they meet again
For the first and last time

Harold Pinter, 2002

Nobel da Literatura para Harold Pinter

CAMERA PRESS / ROBIN NOWAKI

Finalmente um Nobel da Literatura atribuído a um escritor e dramaturgo que consegue fazer a diferença. Não acredita no imobilismo: é actor, poeta muito recentemente, político e irreverente e por isso tudo lhe dar muito prazer.

Hoje ao vê-lo na Televisão de bengala e style anos 60, como diz um amigo meu, só me apetece desejar-lhe que gaste a porra das coroas suecas todas nas coisas mais extravagantes do mundo. E fico contente . Que ganhe à merda do cancro. Que continue a contestar os políticos ingleses. E sobretudo que continue a escrever. Este senhor que odeia chegar atrasado a um encontro, e que segundo o artigo do Le Monde de hoje, en entretien au Financial Times (15 février 2003) : "Je craindrais fort, si je me trouvais face à Tony Blair, de lui cracher dans l'œil."

A ler sobre o assunto.



E relembrar em Portugal a mesma peça--o Birthday Party...

Feliz Aniversário (The Birthday Party)

Empresa Rey Colaço-Robles Monteiro, Portugal, 1967

depois do almoço


Depois do almoço, é aquela desgraça, ainda por cima estou a ouvir a T dizer que´...é assim um bocado mau... a propósito de acidentes, dói-me o estômago de rir. Bem o almoço foi um belo cozido, isto só comparado com aquilo que a Bimby é capaz de fazer. Vou trazer fotografias desta máquina milagrosa que faz pão com fiambre e queijo, faz lasanha para oito pessoas, ela faz sumo de limão, ela faz sorvete de pêssego, queijo ralado, pão ralado aromatizado etc, etc, etc, só visto, tudo isto em 1 h e 30 minutos, é fabuloso. Quem quiser uma demonstração em sua casa, é grátis e a Vitória é simpática, é tudo sem compromisso, é bestial e ela nem pressiona as pessoas para comprar nem nada, e é muito rápida. Posso dar o vosso contacto.

Uma taxista!

Hoje estiquei o braço. E parou Brrummmmmmmmmmm uma taxista!
Cabelo esticado, com o seu blusão de ganga, mão manicurada, ar enérgico.
Conversa despachada. Ainda dizem que quem guia mal são as mulheres, diz-me ela.
Chegada ao trabalho "Onde quer que eu a deixe, minha flor?"
A flor ficou ali mesmo à entrada. Estarrecida de riso. A precisar de café.
Um belo cozido ao almoço:) Agora uma soneira.

um pequeno poste para irritar a direita (ou apenas para pagar a divida de postar sobre os resultados eleitorais)


nas eleições autárquicas de 2001 o ps teve:

1 792 690 votos,

correspondentes a 34,12%
de que resultaram 825 mandatos
e 112 presidências de câmaras.

nas eleições de 2005 o ps teve

1 931 584 votos,
correspondentes a 35,84%,
de que resultaram 852 mandatos
e 109 presidências de câmaras.

como o psd concorreu em vários concelhos coligado, torna-se irrelevante verificar os seus votos isolados (baixou, mas repito, é irrelevante), devendo sim verificar o conjunto da direita.
a saber:

o conjunto psd/cds/ppm/mpt/pnd/pnr/ph/psn (sózinhos ou nas suas várias alianças cruzadas) teve em 2001:

2 286 917 Votos

o mesmo conjunto teve em 2005:

2 237 461 votos

o conjunto de esquerda (ps/cdu/be/pctp) teve em 2001:

2 429 501 votos

o mesmo conjunto teve em 2005:

2 696 780 votos

o conjunto de presidências de câmaras para o grupo da direita foi de:
2001: 163
2005: 159

para a esquerda:
2001: 141
2005: 142

assim sendo, a direita:
ganhou estas eleições (como tinha ganho as anteriores), porque teve mais câmaras.
não subiu a votação, porque desceu.
não subiu o número de câmaras, porque desceu
não têm a o apoio da maioria dos portugueses, porque têm menos apoiantes que a esquerda.

não percebo a origem da histeria vencedora....

(como não percebo a depressão profunda pela 'derrota')

... mas eu percebo pouco de muitas coisas

cançoneta para alegrar o dia



QUANDO AQUI CHEGUEI
MAL BRINCAVA COM AS PALAVRAS.
E LOGO QUE TE VI
QUIS SABER SE TU ME AMAVAS.
NÃO FALAVA PORTUGUÊS,
NEM LIA O QUE TU LÊS;
E ACHAVA ENGRAÇADO
TU FALARES INGLÊS!
JÁ SEI QUE
LOVE
TU ME ENSINASTE
É AMAR, É ACARINHAR
CANTA COMIGO, AMOR!
LOVE
SE EU ME ENGANAR NAS SÍLABAS
VAMOS RECOMEÇAR
JÁ SEI DIZER:
AMOR, É TÃO BOM ESTAR AO TEU LADO
TU RIS DO MEU FALAR,
APRENDER É UM MAU BOCADO.
FOSTE TU QUEM ME ENSINOU
A AMAR EM PORTUGUÊS.
FOSTE O DESPERTAR
DESTE MEU GRANDE AMOR!
JÁ SEI QUE...
LOVE
TU ME ENSINASTE...

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(letra de "Lição de Português" de Madi)

Parabéns

Parabéns linda niiiiiiiiiiiim.

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12 de outubro de 2005

Pois é. Chego a casa literalmente esgotada. Adormeço no sofá , enquanto a Marisete fala comigo de tarefas domésticas e coisas que tais.

Gostei da cara dos miúdos a verem o filme . Das suas intervenções. De serem os verdadeiros VIPS nessa tarde de apresentação oficial de um filme didáctico.

Acho que nunca tinham pensado em como se faz um filme de animação. O P. pacientemente mostrou-lhes as várias etapas. Depois cantaram uma canção. A escola Dr. João dos Santos merece bem o nome que tem. Os miúdos sabiam mais sobre sismos, que muitos adultos. Carinhas inteligentes a fitarem-nos. A aplaudir quando deviam.

Há dias em que vemos um projecto de anos, criar asas e voar sozinho. A ser por si só. Hoje foi essa largada.
Agora vamos ao próximo. É bom sentir que o nosso trabalho foi útil. É bom saber que foi executado com uma equipa óptima e que se venceu um desafio.

Vou adormecer a pensar naquelas carinhas satisfeitas e ávidas de informação.

"Quando a terra tremer, já sabes o que fazer?"
a sobrinha maria vem a Lisboa domingo. Propôe um lanche entre as 17 e as 21. Quem alinha?
Beijos