15 de setembro de 2005

Os antigos pós-modernos

Há mais de quatro mil anos a arte nas Cíclades era assim. Se me dissessem que isto era a criação de um suíço refugiado na serra do Caldeirão teria acreditado.

Foi por isso que uma das recordações que trouxe de viagem foi uma estátua de bronze assim. Olha para mim, a partir desta face sem olhos, num abraço a si mesma meio aconchego meio dor de barriga. Acredito que a vejo sorrir. Um destes dias fotografo-a e levo-a na carteira comigo. Ao lado de uma Bastet do Louvre.

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Figura feminina cicládica, 2800-2300 a.C. Mármore. Museu Nacional de Arqueologia, Atenas.
Agosto de 2005

se já foi escrito, melhor é transcrever....

há datas que nos matam mais que outras.
por auto-defesa tento esquecer-me (ou não me lembrar) de algumas datas dolorosas.
especialmente 3 datas de 2001 para cá.

outras há que, mesmo que queiramos, não conseguimos.

no dia 12 de setembro de 2001, o mundo estava a 'desabar'.
dizem.

pequenos mundos também....

porque já foi escrito pelo joão, ali ao lado, transcrevo.
mesmo a esta distância ainda não é fácil...



12.09.01
A porta da cela fecha-se e, por detrás dela, deixa todo um mundo de coisas doces e felizes mas, sobretudo, deixa ficar distante a verdade.
Não sei nem quero saber. tão pouco comemorar este dia, mas sou incapaz de o deixar passar sem lembrar a raiva que ainda me mói, me mastiga, me volta ao lebrar.
Não entro no jogo dos "ses"... "e se...!"... não há ses, há certezas e, apesar de tudo, sei, não fosse este dia ter acontecido, poderia ainda não dormir daquele quarto, que me acolhe agora a cada vez que chego à Serra.Não se apagam estas feridas que se abrem assim, não se ignoram simplesmente os erros dos que, de caneta na mão, decidem preventivas sem qualquer prova que fosse!
não sei passar para as palavras o que sinto hoje... tenho pena...
ainda hoje nos tentamos levantar... mas tão devagarinho...

14 de setembro de 2005

hoje, à hora de almoço, em repeat

você só pensa em grana
(zeca baleiro)

você só pensa em grana meu amor
você só quer saber
quanto custou a minha roupa
custou a minha roupa
você só quer saber quando que eu vou
trocar meu carro novo
por um novo carro novo
um novo carro novo meu amor

você rasga os poemas que eu te dou
mas nunca vi você rasgar dinheiro
você vai me jurar eterno amor
se eu comprar um dia o mundo inteiro

quando eu nasci um anjo só baixou
falou que eu seria um executivo
e desde então eu vivo com meu banjo
executando os rocks do meu livro
pisando em falso com meus panos quentes
enquanto você ri no seu conforto
enquanto você me fala entre dentes
poeta bom meu bem poeta morto

Lo que el agua me dio, Frida Kahlo

Apetece-me partilhar um quadro que me fascina.

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"I paint my own reality. The only thing I know is that I paint because I need to, and I paint whatever passes through my head without any other consideration."

acho eu...

os fascistas do partido nacional renovador vão realizar uma manifestação, no próximo sábado, para protestar contra a adopção de crianças por casais homosexuais.

eu acho que se devia fazer uma manifestação a protestar contra a adopção de crianças por casais de simpatizantes do partido nacional renovador.

13 de setembro de 2005

fajão, 15 de agosto de 2005

o1h15

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o fogo da pampilhosa acabou de atravessar a barragem.

09h00

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o som e o cheiro


12H00

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o fogo sobe dos cavaleiros

13H00
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cumprimenta os bombeiros e segue à sua vida

15H00
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encontra o fogo que vem da pampilhosa

16H00
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desce aos infernos

24H00
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a noite dos horrores....


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o dia seguinte

(Fotos de incêndio florestais)

fajão, agosto 2005

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12 de setembro de 2005

Liberdade, Televisão (Comment a “Pessimismos” de Zézinho)

Para mim a palavra é "Liberdade". A liberdade existe também em nome da estupidez. Esse programa de televisão, esse partido, esse blog existem porque há liberdade. Para acabar com o programa, com o partido e com o blog seria necessário reduzir a liberdade e, com isso, reduzir muito a nossa vida, em todos os aspectos. Reduzir a liberdade é mau. Só se deve fazer quando estritamente necessário. E não se deveria fazê-lo só porque a maioria ou mesmo a totalidade o deseja. Viva a Liberdade. E viva o lado económico da liberdade, esse sim em falta no Estado Novo, em falta no 25 de Abril e em falta nos dias de hoje. Liberdade de acesso, por exemplo, ao mercado televisivo em canal aberto. A televisão em Portugal é excelente quando se quer (e se pode) pagar por ela: a tv cabo tem de tudo para todos. A televisão que pagamos com impostos é lixo, a televisão privada que vive do privilégio de estar sujeita a uma concorrência limitada é também lixo. E a RTP2, que tirando os péssimos horários, é muito boa, é porém injusta e ineficiente: os poucos cultos que a vêem não justificam que a sociedade toda, culta e inculta, de bom e de mau gosto, pague por ela.

coisas que gosto (ou a propósito de zurbarán)

zurbarán é um dos grandes esquecidos da pintura espanhola em portugal.

nao sendo basco de nacimento, dizem que herdou dos seu nome basco a tristeza, as sombras, a obcessão por figuras torturadas e crucificadas.

talvez fosse por isso... ou pela necessidade de sobrevivência que, abrigando-se entre monges, os tenha pintado, a eles e ao mundo deles, como eles gostavam de ser pintados e ver pintado.

não sei.
não estava lá e nunca falei com ele.

existem ambas as teorias e ambas com argumentos válidos.
excepto as dos que dizem que a sua arte é menos grandiosa porque a vendeu para sobreviver, pintando a esmo monges e santos, com uma fábrica de pintura como suporte.
não fizeram rigorosamente o mesmo os celebrados pintores de espanha (e dos outros países todos...) ?


mas se me atrai o ar de sofrimento, dor e fé das suas figuras, o que mais me atrai em zurbarán são os tecidos, por estranho e menor que possa parecer.


pintou-os como ninguém.
cada dobra, cada sombra, cada pormenor, são de um assombro de beleza.

olhando cada um dos seus quadros parece-nos estar a olhar para um tecido real numa cara de sofrimento ou devoção irreal.
há um contraste imenso entre aquelas texturas e a expressão dos que as vestem.

visitando o prado e olhando para as multidões em volta das endeusadas uninimidades da pintura espanhola e europeia, espanta-me o vazio em volta das obras de zurbarán.

ainda bem que as posso ver descansado.


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virgem, mas de peito generoso

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Comics

Uma por domingo, do mais cómico que já vi online. Cliquem em qualquer uma das imagens para ir ter ao site.

Heaven

Reset

:)

11 de setembro de 2005

Pessimismos

Não quero parecer pessimista. Quero acreditar que não sou, mas a recente polémica sobre um (mais um) programa daqueles de mastigar e deitar fora, transmitido hoje, pela SIC (esquadrão G), deixa-me de cabelos em pé.
O dito programa, contratou uma série de "artistas" supostamente homosexuais, e que levam um homem, afinal o protagonista do programa, supostamente heterosexual, a modificar uma série de hábitos, desde o corte de cabelo, maneira de vestir, de se alimentar, etc.
Mais um programa da treta ... dizem vocês, e disse eu.
Pois bem, descobri que existe um abaixo assinado para acabar com o programa, de um partido (Partido Nacional Renovador (PNR), preocupado, com a crescente propaganda explicita ao modo de vida gay ...
Caiu-me o queixo, depois espreitei um blog, que continha a seguinte declaração :

"Mas que merda é esta!!! como é que estes palhaços dizem que vão mudar os homens portugueses, não têm espelhos em casa. Foda-se cambada de palhaços, ter uma imagem própria define a essencia de cada um, isto não é um regime totalitário, se todos fossem iguais áqueles palhaços mais valia mudar de país, a culpa disto é da industria cultural e a politica televisiva que continua a injectar mentalidades e costumes no povo, palhaçõs.....era matá-los a todos...."

Este país está perdido, digo eu ... será que a revolução ainda não aconteceu afinal ? será que ainda estamos no antigo regime e não dei por nada ?

O Insulto inconveniente...

Há muito que é discutida a falta de autoridade do Estado. Cada vez mais, a acção das autoridades policiais está sujeita a uma exposição quase em tempo real, com todos os benefícios ou desvantagens que daí possam advir. À cabeça de algumas das mais mediáticas acções policiais, surgem, cada vez com maior frequência, os policiamentos aos eventos desportivos. É sempre triste e criticável qualquer tipo de excessos quer sejam eles das claques ou das polícias. Não é nada agradável e quem não estiver de acordo com a situação, perde de imediato qualquer poder de argumentação contra o lado oponente. Contudo, há episódios que, vistos a uma certa distância, tornam-se de tal forma cómicos, diria mesmo jocosos, que levam o observador a sentir uma certa condescendência para com alguns excessos. Querem ver porquê?

Sporting e Leixões disputavam a final da Taça de Portugal. No Jamor fervilhava o calor dos adeptos. As claques, para não variar, marcavam presença nos sectores a elas reservados. O ambiente era o habitual na festa da Taça. Todos estavam a postos para o espectáculo. Só faltava a entrada dos principais intervenientes, jogadores e árbitros. Enquadradas e guardadas por fortes contingentes policiais, as claques de ambas as equipas aguardavam o momento da entrada dos seus amados heróis.

Por ser a mais numerosa e potencialmente mais problemática, ali estava eu, infiltrado entre a “lagartada” atento a tentativas de levar as manifestações clubistas para lá do permitido e identificar potenciais focos de disputas intra e inter claques. Eis que, enquanto observo a primeira linha de força constituída por hercúleos agentes do Corpo de Intervenção, colocada no muro de forma a impedir a passagem dos adeptos para o corredor de acesso ao relvado, reparei que um pequeno grupo de adeptos sportinguistas, membros de uma claque conotada (e assumida pelos próprios membros) com a extrema direita, fazia a sua deslocação para o espaço que lhe era reservado. Os tipos insultavam tudo e todos, provocando tanto os do Leixões como os seus próprios confrades felinos. Do meio deste grupo, composto por autênticos fanáticos, que faziam parecer os protagonistas de Feios, Porcos e Maus um autêntico bando de meninas, havia um, de medidas consideráveis. O jovem deveria medir uns bons 180 cm aos quais se juntavam uns 90 kg de massa muscular (sem apêndice abdominal visível); enquanto progredia, disparava em todas as direcções, pecando em todas as vertentes com palavras, actos (e pensamentos, pura lógica) como consta da oratória cristã, numa omissão dura e crua das mais básicas regras da educação e comportamento cívico. Os alvos preferenciais eram todos aqueles que não fossem de raça branca. Pois é, todo aquele que fosse mais acastanhado, lá estava a levar com os seus impropérios e provocações. Os negros e mestiços da claque da Juveleo e Directivo, estavam em brasa, mas também espartilhados e "protegidos" pela força policial e assim respondiam como podiam; sempre era melhor encaixar os desaforos racistas daquele animal que ser retirados do estádio, “comer umas pingas da bófia”, e claro, perder a partida.

No seu afã de ininterruptos ataques, foi-se deixando ficar para trás, enquanto o seu cone visual ia diminuindo, convergindo o seu olhar num mulatinho que não teria mais de 15 anos e tão magro que eu juraria pertencer a um desconhecido núcleo sportinguista do Bangladesh. A cada três palavras, lá estava o insulto “preto de merda”, “escarumba vai para a tua terra” ou “não tenho medo da pretalhada”, etc. etc. Nada de dignificante ou mesmo digno de sorrir sequer, ao contrário do que sucedeu então a seguir. O parvalhão - não encontro uma designação mais leve para este tipo de gente - sentiu uma firme e decidida “pancadinha” no seu ombro direito. Virou-se para enfrentar cara a cara o atrevido que lhe tocara, mas em vez disso, ficou a encarar o peito do Marques, digno representante do Corpo de Intervenção, que com os seus quase 2 metros, era agora uma parede de músculos frente a si. A cor do fato de macaco azul-escuro do tipo que estava ali à frente devem tê-lo posto a pensar para os seus botões algo do género “estou lixado”. E não se enganou; olhou para cima e o Marques, fulminando-o com o olhar, diz-lhe:

- Não gostas de pretos?... é que eu não gosto dos gajos que não gostam de pretos! – dizendo isto, o gigante azul, assenta-lhe uma palmada nos ombros, fá-lo rodopiar sobre si próprio aplicando-lhe, com uma técnica irrepreensível um par de algemas.

Perante isto, alguns dos do grupo do algemado, ainda tentam acercar-se do agente, pedindo satisfações ao Marques, sendo de imediato travados por outros elementos policiais.

- Como o vosso amigo não gosta de pretos e eu não gosto dos gajos que não gostam de pretos, aqui este preto, vai levá-lo arejar. Alguém quer acompanhá-lo?

E o tipo foi mesmo arejar!...

Mutts

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10 de setembro de 2005

Tempos de mitos

Micenas, mais ou menos 1300 anos a.C. Homens com instrumentos de bronze, que o ferro ainda estava por forjar, constroem uma cidadela com muralhas de blocos de pedra enormes. Os blocos são de tal dimensão que os vindouros creem terem sido transportados por ciclopes.

As muralhas ciclópicas de Micenas são um portento de engenharia. Os tholoi, sepulturas monumentais, são outro, com falsas abóbodas mais de mil anos antes das verdadeiras.

Agamémnon, Clitmenestra e afins viveram aqui, nestas pedras, debaixo deste céu. A dinastia Atreides reinou neste lugar. Deste nome, hoje, para os novos resta talvez uma impressão de dejá vu relacionada com uma das obras maiores da literatura do século XX. Mas essas são outras guerras e outros universos. Neste lugar, extinto há quase dois mil anos como espaço de vida, sente-se que algo grande aconteceu.

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Acrópole de Micenas - Porta dos Leões
Agosto de 2005


I

vejo-te na soleira da porta
hesitas. em cena apenas estou eu
penso em mudar-me mas entre erros
e desculpas falta-me espaço

se contares histórias serão daquelas que
ninguém quer ouvir
relatos de passeios de domingo onde há sempre ruínas
sim, restaram apenas ruínas escavadas no interior dos olhos

II

entras, não tens medo
rodeado de olhares com sono que ainda não sabem
Que as palavras são sempre as mesmas
(uma espécie de cerimónia onde te repetes para evitar a morte)

mentimos os dois sobre uma história feita de fragmentos

dizes que nem sempre o guião é o mesmo
mas repetes-me o teu monólogo ao ouvido

“deixa-me sair” vou abandonar a personagem
que balança no vazio

ultima tentativa: observo-te e tu já não me vês
conheces-me tão pouco, não, isto…
isto não é um dueto, é um duelo

friamente o silêncio cai sobre nós
não há vozes nem adereços
(a cena está vazia)

há apenas uma cortina de vento onde as palavras
nunca se moldaram

maria

BESLAN - 7 de SETEMBRO 2002

Mais de 330 pessoas morreram, na sua maioria crianças.

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"(...) Deus, não conseguiu salvar todas as crianças (...) (...) Ele, levou as melhores... as mais bonitas (...)

Já vivi episódios, ao longo da minha vida, que me puseram lágrimas nos olhos, mas choquei-me, talvez por estar cansado pelo dia e porque, porra, também tenho direito a ser lamechas, fiquei destroçado ao recordar o episódio de Baslan...

Hoje cheguei tarde a casa. Fui comer algo enquanto ligava a TV, para ver as novidades na SIC-Notícias. Passava uma reportagem sobre o massacre da Escola em Baslan. As palavras acima transcritas, não são as mais chocantes dos testemunhos de crianças apresentados no trabalho, duro e cru, realista, nada encenado, há laia de outro tipo de ressacas tardias a catástrofes, apresentadas como gritos de guerra ou exorcismos de dor, tal como estamos acostumados a ver de outro tipo de culturas, mas magoou-me por dentro, tal a violência com que me atingiram.
Há ali um verdadeiro SENTIR, nas ternas vozes de crianças que viveram um inferno e se dispõem a partilhar a sua macabra experiência. Não há frieza nas suas vozes... só verdade...

Uma cruel realidade que enoja e envergonha o ser humano...

Desculpem mas não posso deixar passar esta revolta.


Que MERDA de Humanidade é esta?!?!...

regresso ao futuro...


www.ecobebes.com


Ora se puderem fazer o obséquio e dar uma espreitadela... agradecem-se opiniões e sugestões!

Ah... e já agora... passem a palavra!

;o)

Beijos e abraços (muito repenicados e atarefados)

Correligionários trapezistas, vou de férias!
Bons voos para todos e até ao meu regresso ;-)

9 de setembro de 2005

Classificados: XY => XX

Gentilio burguêsomem
De hirsutez máscula
E tez bravia,
Pró-pança continente,
Retinindo humor
Alegrança resfolego

Rechercha:
a)Madame vintada
b)Madamona bojuda
c)Madamina fringida
d)todas as opções anteriores

Para:
z) futuros com plausibilidade certa

ass.,
Arménico

P.S.:elabora tissanas legendárias

Impressões de viagem

A Grécia é uma fonte inesgotável de reflexões. Nos próximos posts seguem algumas ideias. A primeira é a de que a nossa tendência para andar em círculos é notável.

Há quatro mil anos, descontados os gadgets, já estávamos completamente inventados. E o céu era igual.

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O céu sobre o Cabo Súnio
Agosto de 2005

os mitos são isso mesmo: mitos

a zambujeira é só pó!!!!!!!


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paredes de coura é um relvado irrepreensível.......


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que é como quem diz....
não acreditem em tudo o que vos dizem.


(de repente lembrei-me disto. dos mitos..... vá-se lá saber porquê....)
Quase De Férias

vou de férias!

nas próximas 2 semanas vou olhar o mar, o rio, o céu, as pessoas que passam, vou olhar em volta, vou sentir o vento, o frio & o calor!, vou estar longe de ambientes climatizados, de computadores, de conversas estéreis sobre o clássico da 2ª circular...

que bom que é ir de férias!

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Boas férias

Boa tarde a todos. Cá estou eu a postar para desejar boas férias à Erre que vai para o calor de outras paragens, tropicais e bem mais exóticas que o nosso cantinho ( apesar de bem apetecível e com lugares fantásticos também). Diverte-te ao máximo. A milady T desejo que continue a divertir-se e que os tornados permaneçam imperceptiveis. Comam e bebam do melhor, gozem o calorzinho e que os dias voem bem devagar para os aproveitarem ao máximo. Até à volta.

a mona, nada lisa, ou como a senhora seria se vivesse em miami...

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das coisas da vida....

nunca mudei muito de barbeiros.

o primeiro que me lembro era em frente ao mercado de queluz (em frente à praça, que mercado não coisa que eu chamasse por aqueles tempos)

'à inglesa curto', ordenava a minha mãe.

quando comecei a trabalhar na rua da rosa, aí pelos idos de 61/62, havia na esquina desta com a travessa dos fieis de deus o barbeiro onde trabalhava o senhor fernando.
julgo que nunca lá cortei o cabelo, mas era onde comprava religiosamente o 'conhecer'. que era uma espécie de enciclopédia juvenil ilustrada que eu li toda aí pelos meus 13/14 em substituição dos '5' que nunca li.
o senhor fernando era do sporting e de alcains.
solteio ou solitário invererado. achava eu ao tempo.
hoje aquela solidão a afastamento do feminino levar-me-ia a pensar outras coisas. mas ao tempo eu era inocente e agora sou mal-dizente
tinha um colega um pouco mais velho e pai de família, doente do benfica, que partia pequenos rádios aos murros quando o benfica perdia.
davam-lhe umas ganas....
gostava de ouvir os relatos ali sentado na cadseira junto à porta.

nesse tempo eu cortava o cabelo nas escadinhas do duque. ao fundo.
era mais barato.
durante os meus 8 anos de bairro alto assim foi.
umas pequenas incursões noutras barbearias, mas fiel aos princípios. e ao 'bon marché'

pelo começo de 70 movi-me para o chile.
e mudei de barbeiro para o 'toni'
junto à ponte na rua de arroios.
dois sócios, ambos benfiquistas dos 7 costados.
frequentadores de todos os bailes de colectividade de lisboa e arredores. cheios de 'jogo' e de esquemas. penteado a condizer.
quase rockabilly na armação da pôpa.
corte à segunda dava futebol.
corte perto do fim de semana antecipava os bailes e os engates previstos futuros.


-laca não!!!!! por favor.
-não seques. vai mesmo assim....

passados muitos anos volto a ver o toni numa festa de campo maior. tinha casado com uma senhora de lá.
cantadora de saias e contadora de histórias. boa gente.

no começo dos 80's mudei para o campo mártires da pátria.
respeitei o toni (que entretanto tinha mudado um pouco mais para junto da pereira carrilho) durante uns tempos, mas depois mudei para o barbeiro ao lado da 'primavera' (dos melhores pasteis de nata de lisboa...) e lá fiquei vários anos.
vários barbeiros de vários clubes a garantir duscussão acessa e piadas afiadas à segunda feira.

até ao beto.
vizinho de 50 metros de casa
companheiro do primeiro café da manhã.
sportinguista ele também. antigo jogador dos juniores. ex-colega de alguns ex.craques e outros que ainda o são, mas afastado por uma lesão no joelho.
seja qual for o dia da semana. o cabelo é cortado ao som de dizer mal do sporting como só os sportinguistas sabem e deixam.
a auto-flagelação clubística.
sempre fui fiel ao estabelecimento.
nunca ao profissional.

quando entrei desta vez no cabeleireiro onde por recurso decidi cortar o cabelo e me perguntaram se tinha preferência, nao resisti a pensar, olhando para as senhoras disponíveis, que 'a que me massagar melhor a cabeça'... mas respondi.
-não.
e escreveu. s.p. a significar sem preferência


tal como gosto de chegar de manhã ao café e, apenas a troco de um bom dia, me colocam o público em cima do balção com um café.
gosto de chegar ao barbeiro e ouvir:
-o costume?
-sim.

saí de lá com o cabelo penteado para trás, espuma a dar um ar lambido e jeitos de chuleco de algibeira...


cortar o cabelo não devia ser uma coisa simples?
tipo... cortar?
Portanto às 9.25 vou para ser entrevistado. Não tenho sono mas doiem-me os joelhos. É assim que uma directa se manifesta em mim. Durante os 15 minutos de entrevista, os dois tipos que me entrevistaram variaram entre olhar para o papel e olharem um para o outro com um sorriso como se eu estivesse incrivelmente enganado no que estava a dizer. Eu nem estava nervoso, mas quando isto começou comecei a achar que já não estava a correr 100% e a minha boca secou. Nem sabia que isto acontecia quando fico nervoso. Sempre a aprender.
Saio, conto aos colegas, vou até ao metro, saio no Marquês de Pombal, compro um livro na juventude músical portuguesa (não sei se cheguei a dizer aqui que estou a ter aulas de piano), desço até aos restauradores, compro bilhetes para coldplay na ABEP e desço até ao rossio. Aproveito para vos contar uma coisa engraçada: para verem o quanto não tenho sentido de orientação, demorei quase uma hora a chegar da praça da figueira aos armazens do chiado. E isto incluiu passar por alfama que eu nem sei onde é. Mas pelo menos reservei lugares não tão maus para Yann Tiersen.
Comboio às 12.40, estou em casa às 14, faço umas coisas e deito-me às 16. Acordo e a primeira coisa que penso é: devem ser umas 9 horas. Mas é uma da manhã e agora duvido que volte a dormir tão cedo.
Doiem-me os pés, não me lembro de ter andado tanto em Lisboa. Muito menos perdido.

A implosão!

Hoje, o país (quase) parou: as famosas torres de Tróia foram implodidas. Como acontecimento transcendental que era, milhares de pessoas foram - ou deixaram-se ser – mobilizadas:
O Engenheiro Belmiros e mais 300 personalidades relevantes convidadas, a bebericar.
O Engenheiro Sócrates, muitos ministros e secretários do governo, a opinar.
Um enorme corpo de engenheiros, técnicos e operários, a trabalhar.
Um batalhão inteirinho da Guarda Républicana, a patrulhar.
A habitual e barulhento mole de jornalistas, a reportar.
Toda uma frota de helicópetros e aviões, a observar.
Meia população de Setúbal, de balcão, a aplaudir.
Directos na tv e écrãs gigantes, para entreter.
…
Tocou a sirene dos bombeiros, a anunciar…
Soou um foguete, a espantar a passarada…
Contagem decrescente, três, dois, um…
Carrega no detonador…
Puuuumm!!
Já está!
Hum?

8 de setembro de 2005

De volta

Um dos melhores momentos da viagem é o regresso a casa.
Notícias, pormenores e fotos nos próximos dias.
Olá a todos.

coisas de que gosto

desde que me conheço, que conheço esta gravura em casa da minha avó.



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sempre me despertou imensa curiosidade e atração.
estava na sala de jantar da 'casa antiga' (antes de reformulação que os meus lhe fizeram hás uns 20 anos).
em frente ao meu lugar na mesa lá estava a gravura.
tentava adivinhar, como num quadro do bosch, cada um daqueles símbolos.
e perguntava à minha avó, que sendo católica não era muito dada a simbolismos.
a esponja, o sudário da verónica, a lança, a escada, a serpente... essas coisas de conchecimento global ainda lhe eram familiares.
mas ela sempre teve uma relação prática com a religião.
pedia o que tinha a pedir. agradecia as graças recebidas e, como regra de ouro:
muitas graças a deus e poucas graças com deus.
(eu sempre fui o oposto.... vá-se lá saber porquê...)

julgo ser o único da minha família a gostar desta gravura.
e recusar-me que saia da parede onde agora se encontra (tal como uma outra do 'sagrado coração de maria' rodeado de pequenas gravuras dos passos da sua vida, assim a modos de 'estações da paixão') de cada vez que há uma pintura ou arrumação.

com a idade e a curiosidade fui identificando cada um dos simbolos nela inscritos.

perdeu o seu mistério.
mas mantém o encanto.

gosto dela.

(a ele) Parabéns!

Ontem fui à inauguração da exposição fotográfica de um amigo.
Alguém a quem muito admiro, pessoal e profissionalmente, com quem muito aprendi e que tem sido uma influência nalgumas áreas da minha vida.
Desde sempre lhe conheci a paixão e o “jeito” pela fotografia. De tanto o saber... acabei por me esquecer.
Na estreia daquela que espero seja a 1ª de muitas exposições “recuperei” o seu talento para captar e eternizar momentos.
É muito bom poder partilhar os momentos de glória dos amigos!

falemos de coisas sérias !!!

a del rey produz os melhores pralinés do mundo.
digo eu, que não sou exagerado.

visitar a sua pequena loja em antuérpia é como ir a um santuário dos sabores e deve ser precedido do maior rigor de concentração sensorial.

ver cada pequeno praliné ser manuseado como se de um tesouro se tratasse.
as luvas. as pinças. os movimentos lentos e precisos.


um silêncio de galeria de arte.
um respeito de templo sagrado.



dentro desta caixa

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estão pepitas de ouro cosmetível castanho muito escuro, quase negro.

o cerimonial da abertura de um tesouro destes, faz do acto um momento único.

a antecipação do sabor.
a premonição da dificuldade da escolha.
a saliva que se vai formando na boca.
a fita que se remove,
o discreto papel creme que se abre
a desejada caixa que se vislumbra...
o papel-prata que re retira...
o paraíso de sabores à disposição....
o olhar de gozo na antecipação do sabor...

sim.
falemos de coisas sérias !!!
Às 9:30 da manhã tenho a minha entrevista para mudar de curso (sem perder um ano). Não estounervoso, não me sinto inseguro, alarmado, nada do género. De facto, nunca stresso nestas situações. Pelo menos das maneiras normais, porque são 6.37 e simplesmente não fui capaz de adormecer desde as 00.40.
Bom, mas uma directa involuntária nunca é bom antes de uma entrevista.
Venho aqui mais tarde. Agora é quase hora de acordar.

Ser português...

Pois é... como podem verificar a palavra "saudade" não é a única a não ter tradução noutras línguas...

Ora leiam o que se diz do nosso "Desenrascanço":

From : Wikipedia, the free encyclopedia
Desenrascanço (impossible translation into English): is a Portuguese word used to describe the capacity to improvise in the most extraordinary situations possible, against all odds, resulting in a hypothetical good-enough solution. Portuguese people believe it to be one of the most valued virtues of theirs.

7 de setembro de 2005

:I

estou com a neura.... Odeio este tempo incerto.

Como se Faz Sucesso?

É preciso ter talento artístico, é preciso. É necessário boa produção, boa divulgação, boas escolhas. Em Portugal, parece ser preciso as adequadas amizades. É necessário entronizar-se com os melhores, o artista rebelde está morto.

Mariza sabe cantar muito bem. E tem uma expressividade que vai muitíssimo para além do penteado: ela comunica pela voz, pelo rosto, pelo corpo. E fala bem, melhor e mais convincentemente que um político. (Também que na música é mais natural recorrer às emoções da plateia em momentos de discurso). A sua produção, divulgação, a “empresa” por trás do produto aparenta ser de grande qualidade.

E isto tudo deveria bastar para o sucesso.

Agora, qual seria o resultado se não fossem as adequadas amizades?

Desejo que fosse o mesmo. No entanto, eis a lista de convidados:

Fernando Pessoa (o vip dos vips)
Zeca Afonso (um camarada ao serviço de todos)
Carlos do Carmo (chatarrão prestigiado)
Paulo de Carvalho (a desproporção bizarra de nunca ter tido um disco de ouro)
Alexandre O'Neall (o prestígio é por vezes um estatuto póstumo)
Herman (...)
...

... e Mariza no fim, no meio, ao lado mas, para mim, antes de todos (na noite de ontem).

a porta da janela de ontem....

esta torre faz lembrar a defesa de algumas equipas...
é só remendos depois das fugas...





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palavras impossíveis de dizer quando se está bêbado....

transquê??????


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o fado feito música pop...ular



gosto imenso da mariza em disco


gosto bastante menos da mariza ao vivo.
tem uma tendência para a pirotecnia vocal que não faz exactamente o meu estilo...

mas, ainda assim...

ontem, junto ao rio..


um grande concerto da mariza.
com assistência a fazer lembrar os festivais de verão (em quantidade).


um certo ar de romaria popular à chegada.
misto de jogo de futebol, grande noite do fado e zambujeira

por estranho que possa parecer, uma esmagadora maioria de adolescentes para um concerto de fado.

um grande concerto a que até o tempo ajudou

Classificados: XX => XX | XY => XY

Procura-se alguém interessante
Alguém que se deixe estimular
Por um anúncio corriqueiro,
Alguém que beba água turquesa
Vinda expressamente da Suíça,
Alguém dormitando magicamente
À sombra duma picada arbórea,
Alguém que me abrace com ventos fortes
Que lhe saiam das guelras,
Com sonhos e raízes,
Com dias e janelas escarchadas...

Dá-se tudo, até banalidades
E outras minudências
Mais os olhares flutuantes
Passados a papel químico.
Dão-se toques de laranja, tipo...
...esculturas agridoces de sebes!
[É favor contactar a poeira do cometa + próximo,
Isso ou algum anel saturniano:
Costumo lá passar, às vezes...]

6 de setembro de 2005

Beatas (é preciso um desenho??)

Pode ser uma fotografia?

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Mario Giacomelli

a quantas fugas corresponde cada agrafe?

olhando para esta antiga janela, não podemos deixar de imaginar quantas vezes já aquele gradeamento foi rebentado.

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quanta gente já por ali se escapou... ou tentou entrar

há janelas que fazem adivinhar histórias só de as olhar.


esta é uma delas....
Chove em Lisboa
Amanheceu fosco.
A janela que me revela o rio, só neblina.
Fiz todo o percurso à chuva. Soube bem!
Agora pareço um cão d'água :)


pp: Ora aqui está uma informação perfeitamente dispensável!
pp2: Tzinha, nós portamo-nos sempre. risos

5 de setembro de 2005

O meu primeiro “Derby” em Alvalade ( Parte II)

Recomeçou a partida. Lagartos e Lampiões, mimavam-se com os pregões e gritos de guerra do costume, arrancando sorrisos entre a assistência e mesmo entre os polícias, que não perdiam a oportunidade de dar uma bicada na preferência clubista do camarada do lado. O Nogueira, rapaz do Marco de Canavezes, indefectível benfiquista, já me tinha lançado umas farpas e eu ia-lhe respondendo com umas bordadas dignas de leão, quando a nossa disputa verbal foi interrompida pelo comandante da força, informando que poderíamos ir comer algo assim que chegassem os agentes que já tinham ido fazê-lo. Agradecemos e aguardámos a sua chegada, para podermos aquecer a fornalha, que já pedia combustível. Enquanto vinham e não vinham, observávamos um colega, que de forma insistente se baixava e esfregava os gémeos. Era o nosso “sindicalista” – à data, ainda não havia liberdade sindical, nem mesmo associativa na PSP – um veterano na casa dos cinquenta e muitos anos, grande lutador, desde a primeira hora, dos direitos socioprofissionais dos polícias e precursor das primeiras lutas da classe em prol da causa e que além da alcunha de “sindicalista” era mui respeitosamente designado por “velhote”.

- O velhote anda mesmo nas últimas. É triste, com uma idade destas ainda se arrasta pelo piquete e na a bola! – disse o Nogueira em tom indignado.

- Sabes que a contestação, a maioria das vezes paga-se cara, cá na casa – respondi continuando – não sei porque não faz uma exposição ao comando a comunicar a situação; com esta idade já deveria andar mais resguardado. Mas parece que anda aqui por gosto, mesmo sem poder…

- Sacanice é o que é. Repara, já não deve poder com as pernas. Não pára de se baixar e mexer nos tornozelos e ninguém vê estas coisas, ou melhor, vêem mas estão-se nas tintas. Claro que o homem podia dar menos nas vistas. Em vez de circular no perímetro, insiste em andar ali, em círculos, ao alcance dos gajos da Juveleo. Não tarda nada, cai-lhe o gradeamento em cima ou sujeita-se a levar com um pêro!

Estávamos nós nesta conversa, e chegou a ordem:

- Quinze minutos, meus senhores – gritou o subchefe – nem mais um segundo.

Lá fomos nós, cinco agentes esfomeados a caminho da carripana das bifanas do Mário. O “sindicalista” foi connosco.

- Já aperta a fomeca, não!? - aventei eu.

- Já comia um boi; estes filhos da mãe não se calam! Logo eu que não gramo esta gaita nem um bocadinho! Andam para aqui a ganhar fortunas e a maioria desta gente toda a tinir sem cheta. O mais bonito é que aplaudem! Vão gozar com outro, valha-me Deus! Mas há pior. Vamos mas é à bifana…

- Deixe lá, não adianta esse protesto. Eles não lhe pagam o jantar, eh, eh, eh! – atiçou Nogueira; este sabia que o velhote, embora lhe fossem reconhecidos vários valores morais e rectidão, chorava cada tostão que gastava, em especial na hora de serviço.

- Estes cabrões vão pagar isto muito caro. – replicou o Sindicalista olhando pelo canto do olho para a claque em polvorosa que nos apupava e tentava atingir com mais uma variedade de objectos – até as bifanas, sacanas - terminou entre dentes.

- Ora esqueça isso, agora vamos comer, que já falta pouco. A propósito, essas pernas estão firmes?

- Como o aço, colega, como o aço…

Chegados à carrinha do Mário, onde num ápice, cada um devorou a sua bifana regada com sumo (para não parecer mal), quando nos dispúnhamos pagar a despesa, eis que o velhote, tira a mão ao bolso cheia de moedas de 50 e 100 escudos e dirigindo-se ao empregado do tasco ambulante diz-lhe:

- Pague a despesa toda daqui.

- Só paga as bifanas, “Sô” Guarda. As bebidas, o patrão oferece… é regra da casa.

- Nada disso. Pague tudo daí, que faço questão; fica para a próxima – voltou o velho.

De nada adiantou dizer-lhe para não fazer aquilo, que a vida custa a todos, etc., mas o homem insistiu de tal forma, que nos vimos obrigados a aceitar. Pelo menos ficava o alívio de não ter feito o choradinho para as bifanas serem oferecidas!

Tínhamos acabado de regressar ao local de serviço e já o nosso sindicalista tomava de novo o seu posto, não tardando a retomar o estranho exercício de acariciar os gémeos. Ou o velho fazia ronha ou então, dava-se melhor com as caminhadas, coitado. Aproximei-me dele e tentei moralizá-lo:

- Calma, não tarda nada, isto acaba. Não deve demorar e vamos embora descansar as pernas. As minhas também já estão a dar sinal.

O sindicalista olhou-me com cara admirada.

- Não me diga, que o Cruz já está derreado com uma idade dessas?

- Não é bem isso. Estou mais com falta de paciência para estar aqui a levar com estes tipos. Preferia estar ali, na parte de cima.

- Qual quê! Aqui é que é bom, rapaz. É melhor aqui… além disso, ainda tem muitos jogos pela frente, por isso vá-se preparando... e sempre tem a vantagem de comer uma bifaninha à borla, que quer mais?

- Ora, já agora, não faltava mais nada! Agradeço a bifana, mas para a próxima paga a malta.

- Paga lá agora. Enquanto vier à bola, quem está de piquete com o velho, não precisa de trazer guita para o jantar! – riu-se ele.

- Eh, pá! Saiu-lhe o totoloto, ou quê? A vida custa a todos. Você não tem de andar para aí a pagar bifanas aos colegas…

- Quem lhe disse a si que fui eu quem pagou?

- Eu vi-o pagar – ou estava a gozar comigo, ou o velho estava a passar-se da cabeça, pensei.

- Nada disso! Isso pensa você! – tornou enquanto pela enésima vez se baixava. Afagou languidamente o gémeo da perna direita, prolongou um pouco mais o gesto da mão em direcção ao tartan da pista, apanhou algo do solo – Aos anos que não gasto um tostão na bola, desde que esteja de piquete e venha para o topo sul. Nem eu nem os colegas que estão comigo… então nos jogos grandes, é uma maravilha.

- Bolas, está visto, você é um benemérito – gracejei.

- Nada disso seu maçarico! – abriu a palma da mão, mostrando-me uma moeda de 50 escudos; era o objecto que segundos antes tinha apanhado do solo – a bicharada aí atrás, encarrega-se disso. Pena que não enviem mais das de duzentos paus.


As férias passam a voar...Efectivamente.
Escrevam mais devagar...não tenho tempo para tanta leitura.
Beijos.
Errezinha, Lulu , Zézinho e Multi! Portai-vos!

About Katrina

Faz hoje exactamente uma semana que o furacão Katrina assolou o sul dos EUA. Após alguma apatia inicial, talvez por as consequências estarem dentro do esperado, o mundo despertou para a tragédia com as brutais imagens de New Orleans e as reacções não se fizeram esperar. Curiosamente, ao contrário do habitual em situações deste tipo, a maioria da opinião pública – especialmente na Europa - não se focou na solidariedade para com as vítimas e o país atingido pela tragédia mas sim em apontar os erros e insuficiências, do país e dos seus dirigentes, na prevenção e socorro às vítimas. Notou-se até, parece-me a mim, um certo tom de regojizo em muitos sectores de opinião, por o “mais poderoso país do mundo – e os seus dirigentes – não terem podido remediar ou evitar tamanha catástrofe.” As referências à famosa inépcia de Bush foram claras e motivadas, parece-me, por um certo preconceito político/ideológico. Fizeram-se analogias e inferência com a guerra do Iraque, com o incumprimento dos protocolos de Kioto, com o desinvestimentos na prevenção, com mecanismos de segregação de base racial... e muito mais, que me parecem algo descabidos.

Proponho-me, com calma, pesquisar e rever os factos:

De um modo geral:
A costa sul do EUA é atingida por mais de 20 tempestades tropicais ou furacões por ano, sendo que a sua formação e rota são seguidas ao milímetro/segundo. O investimento no estudo científico dos furacões e tornados, na construção de satélites e estações metereológicas, no equipamento de meios aéreos de monitorização das tempestades é brutal e ultrapassa, em muito, o orçamento de estado português (por expl). A rede americana de vigilância e monitorização de furacões é fundamental e dela dependem todos os países das Caraibas e América Central: já permitiu salvar milhões de vidas.
A experiência na formação e implementação de redes locais, estaduais e federais de protecção cívil é bem conhecida e já foi testada, por várias vezes, em situações idênticas: no caso do furacão Andrews, há 1 ano, foram evacuadas mais de 1 milhão de pessoas na Flórida sem problemas de maior.

No caso específicodo furacão Katrina:
Em 24 de Agosto, uma banal tempestade tropical, ao atravessar o sul da Flórida sem estragos relevantes, é classificada como furacão grau 1 (Katrina).
Em 25 e 26 de Agosto o furacão Katrina evolui no Golfo do México, progessivamente aumenta de dimensões e é classificado em grau 2 e 3. Nesse momento já é considerado uma ameaça a sua eventual entrada em terra uma situação muito perigosa.
No dia 27 de Agosto o furacão toma as suas dimensões máximas (grau 5) e é prevista a sua entrada em terra (landfall) perto a Nova Orleans (NO). As autoridades federais declaram o estado de emrgência e diversos institutos científicos aconselham a evacuação das zonas afectadas.
No dia 28 de Agosto - a menos de 24 h da chegada do furacão e não a 48/72 h, como habitual - é dada a ordem de evacução de NO pelas autoridades locais, a quem o compete. A evacuação terá sido mal coordenada: por impossibilidade de escapar ou por vontade própria, mais de 100.000 pessoas (20 a 25%) permaneceram em NO, bastante mais que os 10% inicialmente estimados. O risco dos diques de protecção de NO romperem era real e elevada: não era uma questão de falta de reforço – era impossível reforça-los em 3 a 4 dias –, a questão era que os diques foram construidos para suportarem ventos e cheias associadas a um furacão grau 3.
Por volta das 6 da manhã de 29 Agosto, o furacão Katrina faz o landfall, mais a este e mais longe de NO que o previsto, descendo ao fim de algumas horas para grau 4 e 3. As primeiras impressões das autoridades locais é que os efeitos não eram os esperados e pensa-se que as medidas de evacuação tinham sido exageradas.
No dia 30 de Agosto, apesar das dificuldades de avaliação dos estragos reais normais nestas situações - vôos impossibilitados pelo vento/chuva e radares avariados - tudo apontava que o pior já tinha passado: muitos habitantes saem dos seus abrigos e as forças de segurança e socorro começam o seu trabalho local.
Só na noite de 30 para 31 de Agosto, ocorre a quebra dos diques o que leva a uma inundação macissa de NO. A maioria das pessoas que permaneceu na cidade é apanhada desprevenida, fica encurralada nos sotãos e telhados das casas, fica sem provisões... Não existe água potável nem electricidade e o trânsito automóvel é impossível. Pelos mesmos motívos, em 31 de Agosto assiste-se ao aparente colpaso das forças de segurança e emergência locais. Torna-se claro que NO é uma zona de catástrofe total mas, no resto do mundo, a atenção é ainda reduzida – o show mediático só viria no dia seguinte.
Depois de 2 dias (1 e 2 de Setembro) de completo caos em NO, de descoordenação entre os diferentes niveis de autoridade e de declarações públicas intempestivas, mobiliza-se a guarda nacional do Estado, reorganizam-se as forças locais de socorro, inicia-se a recolha de sobreviventes espalhados por toda a cidade e a completa evacuação de NO para as cidades e estados limítrofes. Em 2/3 dias montou-se uma enorme ponte aérea/terrestre que permitiu transportar cerca de 100.000 a 150.000 pessoas presas em NO.
Esta é a situação no momento. Falta contabilizar os mortos e quantificar os estragos... e, ou muito me engano, passado o afã mediático sobre NO, vir-se-á a descobrir que o cenário no sul do Missippi é muito pior.

E então, o que é que se passou neste caso específico do furacão Katrina... qual a minha percepção? Houve uma má conduta das autoridades? Falharam os básicos mecanismos de vigilância, prevenção e socorro?
Não sei, é difícil de dizer... Que existiram erros, parece-me claro: a ordem de evacuação de NO podia ter sido dada 24 h mais cedo e devia ter sido melhor coordenada; o cenário de colapso dos diques devia ter sido melhor equacionado, os hospitais em risco evacuados, e o desvio de pessoas ser feito para zonas a salvo das cheias; o auxílio estadual/federal podia ter chegado mais cedo – 24 horas, talvez? – mas não podia estar lá, ou teria sido varrido como as estruturas locais.
...mas, apesar de tudo, gostava que, se um dia me visse numa situação destas, o auxílo fosse, pelo menos, tão célere com o foi nesta situação.

Finalmente, acho que muito do que por aí se diz, da “má” resposta das autoridades americanas, revela uma reacção emocional às imagens chocantes que nos foram atiradas à cara: no fundo, percebemos que podiamos ser “nós” a estar ali, que não estamos imunes à catástrofe, ao caos. Revela também alguma ignorância quanto ao grau de destruição que um furacão desta magnitude provoca e o desconhecimento das consequências da total e súbita disrupção das estruturas básicas de sobrevivência, numa cidade de meio milhão de habitantes. Revela, por fim, o tal preconceito “anti-governo americano”.

fajão, 15 de agosto de 2005, dia da sua padroeira

o fogo purifica, diz a bíblia...



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voltarei a este assunto.
brevemente.
ao 'fogo da pampilhosa'
à forma como foi combatido.
porque ardeu tanto.
ao sentimento de impotência.
ao cheiro.
aos sons.
à visão.

atirar beatas pela janela......

'atirar beatas pela janela é prejudicial para a floresta'

leio.

e já estou a imaginar nos locais de maior concentração de beatas, as senhoras a voarem das janelas dos carros... (terá sido por isso que ontem o trãnsito esteve cortado na a1, no troço fátima-torres novas?)...

sejamos honestos:
até para mim, ateu encartado e empedrenido, esta frase é duma infelicidade atroz....

não há que leia as frases antes de mandar fazer as campanhas publicitárias?

os publicitários são todos mentecaptos e não conseguem associar duas ideias por mais simples que sejam?

é muito difícil associar o vocábulo que genéricamente define (a sul do douro, pelo menos, que a norte dele se usa a 'pirisca' como equivalente) um cigarro meio fumado com uma ferverosa religiosa?...

.. é que o vocábulo é o mesmo...

é preciso um desenho??

Vai-se o verde, ficam as rochas...

À semelhança de outras áreas do país, vários concelhos do distrito de Castelo Branco ameaçam ser uma das áreas desérticas da Península Ibérica, nos próximos 50 anos. Temo que, muito em breve, estes afloramentos graníticos, tão característicos da minha Beira Baixa, sejam os poucos motivos de interesse na paisagem beirã. Dói imaginar aquela região plantada destes cogumelos de pedra, mesmo às portas da cidade sem a vida que a vegetação empresta à paisagem.

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Buffalo ’66 (Primeira Vez)

Já vi o Buffalo '66.
Gostei muito das mamas da Christina Ricci.
e gostei muito da personagem do protagonista
é uma óptima personagem. o filme tem algumas subtilezas muito fixes. Não é genial nem excelente nem muito bom mas é bom e para filme americano é mesmo bom,
eu já era para ver este filme há anos mas perdia sempre a vontade à beira de ir.
gostei mais do beautiful sunshine of a spotless mind.
eu comparo porque as duas personagens protagonistas têm muito que se lhe diga.uma das personagens podia evoluir para a outra e vice-versa.

Xutos & Pontapés (Outra Vez)

Vi-os outra vez este Sábado à noite. Já os vi muitas vezes, agora talvez umas dez ou mesmo mais. Mas parecem-me sempre uma novidade. Desta vez pareceram-me mais energéticos do que nunca. Imparáveis, sem momentos menos fortes, sempre a manter uma grande intensidadade, sem qualquer pausa, sem descanço. São de uma energia alegre que é permanente, que aumenta.

Os Xutos & Pontapés são excelentes.

4 de setembro de 2005

O meu primeiro “Derby” em Alvalade ( Parte I)

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Naquela noite, Alvalade dava a imagem das imediações de um circo Romano em dia de combate de gladiadores. O estádio estava a rebentar pelas costuras. O folclore da semana transferira-se para aquela zona da cidade e dentro daquele Coliseu dos tempos modernos, há muito que tinham começado os habituais mimos e “jogos florais” entre as claques de Sporting e Benfica. O cheiro das bifanas, coiratos, tabaco e maconha, embrenhados na roupa, misturavam-se com o colorido das cores dos clubes em disputa, enquanto milhares de almas, muitas delas toldadas pela cerveja consumida às litradas, procuravam a porta de acesso ao interior da arena, torneando os grupos de comentadores de ocasião, histórias visionárias acerca do resultado final, candongueiros, carteiristas e borlistas de ocasião. A visão deste ambiente não era para mim novidade. Não era a primeira vez que visitava o Estádio José de Alvalade e o ambiente não me era de todo desconhecido. Mas, ao contrário das visitas anteriores, esta era a primeira vez que ia a um jogo de futebol como agente de polícia, enquadrado num policiamento desportivo. Era o meu primeiro serviço de piquete na Divisão e como tal, estava afastado das escalas de remunerado, passando assim a integrar as secções destinadas a reforçar os acessos e posteriormente a reforçar o interior do recinto, prontos para acorrer a alterações graves da ordem.

Já estavam decorridos alguns minutos do início da partida quando o subchefe, comandante da secção, recebeu ordens para que nos dispuséssemos no interior do recinto, ao longo das vedações do topo sul do estádio. Pela primeira vez na minha vida a minha visão do interior de um grande jogo, ia ter uma perspectiva do relvado para a assistência e não ao contrário, como estava habituado. Se a imagem, em dias de jogos importantes, é por demais impressionante, com todo o clima gerado em volta de um acontecimento desportivo, a visão dali, a partir do relvado, faz com que nos sintamos pequeninos. Compreendi de imediato, de onde advinha aquela sensação de grandiosidade, quase impunidade que se sente, quando se está no meio daquela mole imensa de gente em relação aos minúsculos intervenientes no espectáculo que deambulam pelo recinto de jogo e área limítrofe. Só de olhar impressiona. Ali, bem à minha frente, encontravam-se uns milhares de furiosos adeptos, que há minha entrada me presentearam, juntamente com os meus camaradas, com uma monumental assobiadela, secundada de uma série de impropérios, insultos e ameaças, em tom de desafio e desfolhando um autêntico mostruário de gestos obscenos que iam da clássica representação fálica com o dedo às mais arrojadas referências a actos de sodomia, algumas com exibição dos atributos genitais. Animais, pensei eu para os meus botões; mas tinha que manter a calma e deixar pedidos de explicações para segundas núpcias. A ordem era clara. Não perder de vista o que se passava dentro das bancadas e evitar a todo o custo a tentação de apreciar a evolução dos jogadores em campo, sob pena de ser vítima de agressão e para controlar os mais atrevidos, evitando tentativas de invasão de campo ou detectar escaramuças entre a assistência.

À meia hora de jogo, já o terreno junto a mim estava pejado de todo o tipo de objectos possíveis e imagináveis. O espólio depositado na pista de tartan ia do mais banal dos isqueiros descartáveis aos mais variados tipos de rádio-transístores (melhor, o que deles sobrava), passando por uma variedade de peças de fruta, que dariam, passo o exagero, para fornecer a cantina dos sem-abrigo dos Anjos por várias semanas, garrafas de água, algumas com o resultado da destilação de bexigas mais aflitas, guarda-chuvas, etc. etc. Felizmente que entre estes “atletas”, dignos de helénicos discóbolos, esses atributos não se aplicavam a outro tipo de lançamentos, de cariz mais nojento, que se ficavam a meio caminho nas suas curtas trajectórias entre a boca e o ponto onde nos encontrávamos. Talvez com um caroço de abrunho ou ameixa fossem mais eficazes, mas essas munições, destinavam-se a fazer lastro aos frutos arremessados manualmente. Quanto ao restante do espectáculo, já que mal dava para espreitar a jogatina, ia apreciando o ambiente que se desenvolvia em redor. As caras transfiguradas a cada jogada perdida, os gritos a cada golo falhado, ondeavam pela massa adepta, ondeada a cada instante pelos chorrilhos decadentes e do mais baixo pasquim dirigidos em especial aos árbitros, jogadores e claro, aos adeptos adversários. Muito bem, assim, já não era o único a ser presenteado com tão graves espinhos à minha “entrada em campo". O ambiente era de inferno, um ensurdecedor inferno. A batalha estava no auge.

- Então pá, está tudo bem? – perguntou aos berros o subchefe, apercebendo-se da minha surpresa perante o espectáculo.

- Porra, esta merda mete medo, chefe!... Se saem dali para fora, aqueles tipos vão dar um trabalho do caraças!!... - gritei eu.

- Reza para que não saiam... reza...

O árbitro apitou para o descanso...



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mais Cortázar

Eu adoro este texto

Pensa nisto: quando te oferecem um relógio, oferecem-te um pequeno inferno florido, uma prisão de rosas, um calabouço de ar. Não te dão somente o relógio, muitos parabéns, que te dure muitos e bons, é uma óptima marca, suíço com não sei quantos rubis, não te ofereceram somente esse pequeno pedreiro que prenderás ao pulso e passearás contigo.
Oferecem-te - ignoram-no, é terrível ignora-lo – um novo bocado frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é o teu corpo, que tens de prender ao teu corpo como uma correia, como um bracito desesperado pendente do teu pulso. Oferecem-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de dar corda para que continue a ser um relógio; oferecem-te a obsessão de ver as horas nas montras das joalharias, o sinal horário na rádio, o serviço telefónico. Oferecem-te o medo de o perder, de seres roubado, de que caia ao chão e se parta. Oferecem-te uma marca, a convicção de que é uma marca superior às outras, oferecem-te a tentação de comparares o teu com os outros relógio. Não te oferecem um relógio, és tu o oferecido, a ti oferecem para o nascimento do relógio.

Júlio Cortázar

jitanjáfora

Apenas ele lhe amalava a noema, a ela acorriam-se-lhe em tropel o clémiso e caíam em hidromúrias, em selvagens ambonios, em sustalos exasperantes. cada vez que ele procurava reclamar as incopelusas, enredava-se num espanto lamuriante e tinha que envulsioanr-se de cara para o nóvalo, sentindo como pouco a pouco as arnillas se sepejunavam, se iam apeltronando, reduplimindo, até ficarem enfunados como o trimalciato de ergomanina dos quais de deixaram cair umas fílulas de cariaconcia. e no entanto era apenas o princípio, porque num dado moneto ela tordulava-se os hurgalios, consentindo que ele aproximasse suavemente os seus orfelunios. Mal se entreplumavam, algo como um ulucórdio os escrestoriava, os extrayustava e paramovia, de imediato era o climón, a esterfurosa convulcante das mátricas, a arquejabatida embocapluvia do orgumio, os esproemios do merpasmo numa sobrehumítica agopausa. Evohé! Evohé! Volpousados na crista de murelio, sentiam-se balparamar, perolinos e márulos. Estremecia o troc, venciam-se as marioplumas, e tudo se resolvirava num profundo pínice, em niolamas de argutendidas sedas, em carínias quase cruéis, que os ordopenavam até ao limite das gunfias.
Júlio Cortázar em Rayuela

Futebol - Guerras de Alecrim e Manjerona...

Viver as emoções de qualquer evento desportivo é, sem ponta de dúvida, um daqueles momentos que marcam pelo jeito como se reage, de forma quase impensada, às incidências do que se passa no campo de jogo onde individual ou colectivamente, os atletas evoluem dando largas à suas maiores ou menores capacidades para mostrarem as suas valências, habilidades, saber e força em prol do jogo, da equipa e claro, do espectáculo. As emoções que se transmitem do interior do recinto de jogo para o exterior quase atingem o estatuto de êxtase quando falamos de futebol e tratando-se de um jogo entre equipas rivais, o clima vivido dentro de um estádio de futebol acerca-se de autênticas disputas medievais nas quais os exércitos eram compostos pelos mais diferenciados extractos da sociedade. Não é à toa que estes torneios da era contemporânea são apelidados por alguns dirigentes de “guerras de mata-mata” – Felipe Scolari, recentemente dixit – salvaguardado claro está, o sentido figurado das palavras guerra e matar, o que prova serem os modernos descendentes dos torneios e justas de antanho. É comum usarem-se termos como defesa, ataque, conquista, disputa, confronto, etc., com vista a atingir a glória da vitória e a derrota, com mais ou menos honra, dos vencidos. Nestas “guerras” que se disputam por todo o planeta, a contenda entre os oponentes, à guisa de modernos infantes e cavaleiros que defendem os seus feudos, sob o olhar atento de “fidalgos” e “plebe” cegos seguidores dos seus brasões, podemos ver os resquícios das disputas da fidalguia de antanho, nas quais não faltam as candidatas a donzelas que se aperaltam para ver e apoiar os seus heróis, que evoluem no campo de batalha. O espectáculo, transfere-se de dentro do terreno de jogo para a plateia de adeptos, sedentos de assistirem ao embate entre os seus e o adversário – elevado por alguns à categoria de inimigo – e a disputa passa para a bancada, chegando a complementar-se com batalhas de bastidores. Os espectadores trocam a bola pelo uso do insulto, pelo abuso da provocação jocosa e gratuita e tantas vezes dos punhos; não poucas vezes, servem-se de tudo o que tenham à mão para manifestarem a sua ferocidade, dedicação e orgulho clubista numa autêntica demonstração de instintos violentos básicos, troglodíticos, potenciados pela impunidade que sentem pelo anonimato que a multidão enfurecida lhes confere. Ali no meio dos seus, qualquer trinca-espinhas se sente na pele de um super-homem, qualquer Veloso camoniano se transforma num virgiliano Eneias – até as frágeis ninfas coloridas se transformam por momentos em clones da Padeira de Aljubarrota e Joana d’Arc. Este espectáculo atinge o auge da loucura e quase histeria colectiva quando as massas que se batem são rivais da mesma terra, assumindo a peleja o nome de “Derby”, sendo que há um misto de tensão, nervosismos, paixão, no fundo uma amálgama de sentimentos, expectativas e convicções, frustrações reprimidas dentro do peito de cada um dos participantes que se libertam no momento proporcionado por esse orgasmo colectivo que é o golo.

Esta semana, temos “Derbyes”. Um a norte de cariz mais regional, entre minhotos, Guimarães e Braga e outro no centro, entre os lisboetas Sporting e Benfica. Embora no fundo não passem de disputas de alecrim e manjerona, faço votos para que estes embates sejam, acima de tudo, duas Justas nas quais os valores da verdade, da honra e respeito pelos adversários e público, sejam transmitidas pela boa interpretação das regras do jogo e claro, pela magia que os artistas consigam transpor no terreno de jogo, com a lealdade que se exige. Quanto aos espectadores, que se comportem com a grandeza com que os valores do espírito desportivo e a dignidade da espécie humana deveriam pautar a competição leal e positiva entre os seus pares. Estarei lá, entre a turba, para assistir ao espectáculo, não como interveniente de uma das partes, mas como árbitro atento aos desmandos dos que não sabem o valor e sentido da metáfora e assim cometem o dislate de dar o real sentido à palavra “guerra”, aplicando-a a um espectáculo que deveria ser de paz.

Ganhe quem merecer e a que a festa seja rija.

Classificados: XX => XY

Senhora
De irrazoabilidade estimanda
Ida de mares e volutas
E olhos de linho lume
E lábios de escorridão precoce

Procura:
Cavalleiro de retinta probidade,
Desfenestrante q.b.,
Garbo vervenil
De riso e de barba e de viço

Para:
Trofização rotunda

Sua, tão somente…
Ar-Mia

De Barcelona

Fala-se português.
O Borne é magnifíco. Os gimlet ao som de Miles também.
Agora bora para a praia, comer a dita paella nera.
Verdad,e a Vueling apesar de atrasada é porreira.

E mais um incêndio em Paris. Outra vez crianças a morrerem.
Só pode ser crime dos piores que há...

DEIXEM VOAR O MANTORRAS

Não é bem aquilo que alguns estão a pensar, em bora eu me tenha lembrado logo da célebre frase "deixem jogar o Mantorras".


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Vejam a notícia aqui

3 de setembro de 2005

Instantâneo (É Só Deitar Água)

ai ai
já tou com fome outra vez
hoje forrei a minha secretária com uma espécie de borracha amarela.
é uma cor forte que impele ao trabalho.
é uma cor quente
gosto de cores quentes, gostava que o meu quarto fosse como nos filmes do pedro almodovar.
e pq nao o pintas?
dá muito trabalho
hahahaha
não gosto de trabalho, não gosto de esforço, só de trabalho e esforço intelectual e de andar de bicicleta sem parar.
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2 de setembro de 2005

Pois é..

Vivam as férias!!!
A querida Maria vai assegurar aqui o estaminé.
Qualquer problema, resolvam com ela:)
E eu vou ter muitas saudades vossas, por isso de vez em quando, virei aqui espreitar e oscular-vos! E calhandrar claro está.
Amanhã não sei como é o dia, cheio de pontas penduradas talvez, por isso despeço-me já. Verdade, espero que os aviões da Vueling sejam bons. O Zé M. disse que sim. Têm boa programação musical, segundo ele...
Abeijo-vos e braço-vos.

(fiz este post segundo o novo update para Word do Blogger. Torna muito mais simples o postar e evita as desculpas esfarrapadas de alguns seres preguiçosos. Além do corrector, etc..etc..).É só fazer o download e ficarão com uma barrinha nova no vosso word:)
Vão ver aqui.

Jazz

Toda a gente tem a sua tara. A minha principal deve ser a palavra "jazz". Os meus amigos sabem que em cada 10 palavras que digo, essa palavra, "jazz", deve aparecer pelo menos 2 ou 3 vezes. Perguntem à maria.

Não quero ver telejornais.

Katrina na sua versão pós.

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À procura de ajuda
Lee Bemboom carrega o seu filho de 11 meses à procura de ajuda no meio de milhares de pessoas que estão dentro e fora do Centro de Convenções de Nova Orleães, à espera de autocarros que os transportem para outros locais. Foto: Melissa Phillip/AP/Houston Chronicle (público de hoje)


De tanto pensarmos nos USA como o pais mais poderoso do planeta, esquecemo-nos que lá existem pobres. Como em qualquer outro país. E também esquecemos que um furacão como o Katrina, pode provocar a anarquia total, como em qual outra parte do mundo.


A tragédia dos desalojados é sempre igual. Não carece de bilhete de identidade. E naturalmente, nas catástrofes naturais, quem mais sofre são os pobres.

E agora, resta deixar em paz o Iraque e tentar mantê-la na homeland.

É conseguir. 400.000 mil crianças sem casa é obra...


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A natural experience

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Poema do livro Rosa do Mundo

Primeiro post pós férias grandes e já saudosas. Grandes prendas que recebi hoje, para lá da publicação fotográfica dos brinquedos. Bem, já que o recebi cá vai e depois das férias e de um lauto almoço bem regado costumo postar duas vezes, mas hoje não, é só parte de um poema:

O sábio esquece-se de si,
só pensa na humanidade,
ignora os Paraísos,
as recompensas do outro mundo.(...)

é verdade o sábio não conhece o paraíso que é o escondidinho. Muito boas férias a quem vai (que inveja) de férias para outras paragens.

Os brinquedos da Manelzinha

No Geral

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No Detalhe

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Para o Manuel:)

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Gelsomina é das personagens que mais me fizeram gostar de cinema.
E o La Strada é sem dúvida um dos filmes da minha vida, como dizia o Bénard.
Fellini sabia o que fazia, quanto juntou o Anthony Quinn à Giulietta... Um par do mais tocante que existe..


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1 de setembro de 2005

La Strada

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Saquei a banda sonora do La Strada, com música do Nino Rota (não é este álbum). É absolutamente maravilhosa. Nunca vi o filme.

Diferenças de maturidade.

O Gore Vidal está a escrever o primeiro volume das suas memórias Chama-se Palimpseste.Diz ele, que ainda acredita na utilidade dos livros. Somos pelo menos dois a acreditar.

Engraçado que me lembrei dele, por oposto à imagem do Soares. Não sei que diferença de idade terão, mas é muito pouca. Logo a idade não explica tudo.


Esta compulsão pelo poder de M.S. é estranha, ao contrário da serenidade e inteligência do G.V. Há uma entrevista espectacular com ele, hoje no Le Monde, escuso de recomendar porque só gostam de prosa em inglês. (
eu recomendo na mesma)

Deus dê muita saúde a um para acabar a sua obra e a outro que lhe mande entregar um espelho. De preferência uma entrega expresso.


Acho que estou a concordar com o Gasel. Não sei se isso é bom sintoma:)

E só por acaso, fui checar a idade do Vidal. 79 anos!

Dois entre muitos...

Calhou ontem assistir, via TV, à apresentação pública de D. Mário.
Bom, antes do mais, confesso que esta candidatura me causa muita azia, que a parte que mais gostei foi quando o som pifou e que estou aqui para dizer mal, só mal!
Assim, de entre a pleiâde de gerontes e vedetas que por lá se mostraram, ressalto dois:
O presidente louco do Sporting... Numa das suas saídas precárias do hospital mental, e entre duas das famosas declarações onde tenta explicar os seus delírios, lá foi dizer que o "amigo" Mário está para durar. Esteve bem!
O Conde Castel-Branco... Conta o JN que "...Quando se achava que já só faltava ali o José Castelo Branco, eis que "o conde" está à porta do hotel. Mal vê Soares aproximar-se, começa a suspirar "Sr. Presidente!, Sr. Presidente!". Entre os beijos do filho João e de admiradoras cheias de calores, Soares toma outro caminho, mas Castelo Branco corta pela direita e, afogueado ("Não o esmaguem antes de ser Presidente!"), surpreende o casal com um beijo na mão de Maria de Jesus e um efusivo cumprimento que deixou o "pai da Pátria" sem fala "Faça muito por este País, que precisa muito de si. Não deixe ir [para Belém] a Maria Cavaco, qu'horror!" Esteve excelente!

PP: Ontem foi o dia do Blog! (Via Asul)
Luis Vaz de Camões

nos Jerónimos...

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Rua Rodrigo da Fonseca nº 2

Ontem fim de tarde de incêndio. É sempre triste ver morrer um edificio que conhecemos habitado , numa zona cada vez mais descaracterizada.

Dois detalhes insólitos: a coincidência do local do incêndio com a do Altis, de onde
fluiam personalidades jurássicas de todo o tipo. Descobri asssim que sou altissima, muito maior que o António Vitorino.

Outro pormenor do domínio do desacostumado: no meio do combate ao incêndio, auto-escadas montadas, entre agulhetas com pressões fortissimas e caliça a cair, numa chuva de fagulhas e cinzas intensa, um funcionário zeloso da Pt limpava com um paninho o vidro da cabine telefónica mesmo em frente da entrada do prédio.

Teve um policia que lhe ralhar e o tirar de lá...Isto há gente para tudo, dizia ele:) Caso nítido de excesso de zelo...
(fotos do tlm de fraca resolução)

Desanimação

Estou muito triste, desanimado mesmo... esta madrugada morreu o senhor D.
Tinha só 46 anos, mulher e filhos para criar. Desde há uns dias que o sorriso se tinha apagado e as palavras escasseavam. A cirrose ia-se agravando e a medicação pouco fazia.
Mas... não era preciso isto!