Ficou desde logo o interesse pelo facto de serem em significativo número anteriores à romanização – no Norte muitas localidades têm o seu nome associado à distante origem celta e não será por acaso que os topónimos de origem Árabe acabaram por ficar circunscritos na região mais a Sul, dado a reconquista cristã ter servido como barreira ao avanço muçulmano.
Estabelecendo a ponte com as crenças populares e os nomes de algumas terras, espreitei um livro utilizado há cerca de 10 anos quando tentava contextualizar os romances de cavalaria da corte do rei Artur chegados à Península Ibérica.
Pareceu-me curiosa a referência a nomes de localidades e a sua associação a crenças ancestrais:
Os vestígios da feitiçaria e da magia ilícita encontram-se (...) na toponímia, apesar de todos os esforços feitos pela Igreja para «rebaptizar» os diversos lugares, sobretudo com nomes de santos (...): é o caso da «Rybeira de Lucyfel», no concelho de Vila Pouca, que confronta com o termo da vila de Avô e da vila de Coja (...), da «aldea da Demoninho», no termo de Torres Vedras, da aldeia de Bemquerenças (termo de Castelo Branco), da vila de Salvaterra de Magos, do Terreiro das Bruxas (actual concelho de Meimão) ou de Janas (actual concelho de Sintra).
Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia
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