É de um tempo em que nos bairros de Lisboa havia lojas de brinquedos. E não havia rua da Baixa que não as tivesse, mais que uma até. Recorda-se da “Kermesse de Paris”, junto à estação do Rossio, emblemática casa de brinquedos e hoje é uma perfumaria, ou pensa que ainda é, a “Pinóquio”, nos Restauradores, junto ao quiosque de venda de postais e bilhtes para espectáculos, e hoje é uma cervejaria.
Uma das casas de brinquedos aqui do bairro é a “Trenó”, no gaveto da Rua Edith Cavel com a Carvalho da Araújo, ali à Morais Soares. Em 21 de Março foi tema de adivinha colocada pela T.
Mas já não mais será casa de brinquedos. Nas montras está o aviso: "Liquidação Total".
Há quantos anos está ali a “Trenó”?
Não faz qualquer ideia. Mas sempre poderá adiantar que o filho tem 37 anos e foi lá que comprou o cavalinho de madeira que balouça, balouça e antes disso já a casa existia.
As grandes superfícies puseram fim a todas estas pequenas e médias casas de brinquedos dos bairros. E não só brinquedos!... todo um comércio tradicional que está a ser varrido pelos tempos que correm, que não se compadece com tradições, gostos, o que quer que seja...
Nestas ocasiões gosta sempre de citar a frase do Orson Welles quando dizia que em tempo de grandes superfícies ainda chegará o de nos chegarem as saudades do merceeiro da nossa rua.
Esteve para entrar e perguntar que tipo de negócio vai substituir a “Trenó”. Mas não o fez. Sabe de antemão que estas coisas doem… doem mesmo muito!...
A quem pergunta e a quem tem de responder…
É assim que vamos envelhecendo…
6 comentários:
... e a acrescentar às referidas lojas de brinquedos, persiste uma esfumada memória da 'Panchito' perto da praça de Londres onde me compraram, na infância, alguns brinquedos de sonho (o favorito foi um quadro de escola de tamanho maior com um banco). A memória esfuma-se, mas localizo a loja para esses lados, oposta à igreja de S. João de Deus se não estou em erro, não conseguindo lembrar o que hoje lá se encontra em substituição.
Que saudades isto me dá. Foi aí no Trenó que eu ajudei a minha mãe a comprar o primeiro babygrow e botinhas para o meu irmão que estava para nascer. Já lá vão 35 anos que ele nasceu, a dia 18 de Outubro.
Faz pena ver todos estes locais a desaparecer. E pergunto...do lado direito do Trenó, como quem desce a Edith Cavel, existirá ainda a padaria onde eu todos as manhãs comprava aquelas deliciosas carcaças muito tostadas e estaladiças? Ainda quentes do forno!
No tempo de Orson Wells já havia "grandes superfícies"?
LT
São os cinemas, são as pequenas lojas, tudo neste rectângulo é abatido menos quem deve...
O vosso blog é para mim de leitura diária obrigatória porque me faz reviver a minha juventude
A frase de Orson Welles, citada de memória, reteve-a de um documentário, sobre o relizador, visto na RTP 2.
Se comsiderarmos que, em Portugal, o "Continente" abriu a sua primeira loja em 1985 e que Orson Welles morreu no mesmo ano, dará como quase certo que, pelos menos, grandes supermecados existiam já nos Estados Unidos.
Claro que existiam...
Enviar um comentário