17 de maio de 2005

algumas canções deviam vir com bula e indicar: tomar uma dose de 6 em 6 meses. pode provocar efeitos irreversíveis. não tomar sózinho.

hoje ouvi esta canção no caminho para o trabalho.
vinha a pensar no fernando magalhães e no poste que queria ter escrito ontem sobre ele e não escrevi.
há canções que deviam vir acompanhadas de uma bula a indicar que só devem ser tomadas de 6 em 6 meses. que podem provocar efeitos irreversíveis. que não devem ser tomadas quando se está sózinho.
ninguém pode ficar igual depois de ouvir algumas canções.

o bruce diz no seu mal amado 'no surrender' que "we learned more from a three-minute record, baby, than we ever learned in school".
retirando o exagero pop/rock, algumas sensações que nos provocam uma canção de 3 minutos podem valer por muitos e muitos livros de milhares de páginas...







quem dorme à noite comigo
(reinaldo ferreira/alain oulman, para amália)

quem dorme à noite comigo?
é meu segredo, é meu segredo!
mas se insistirem, desdigo.
o medo mora comigo,
mas só o medo, mas só o medo!

e cedo, porque me embala
num vaivém de solidão,
é com silêncio que fala,
com voz de móvel que estala
e nos perturba a razão.

que farei quando, deitado,
fitando o espaço vazio,
grita no espaço fitado
que está dormindo a meu lado,
lázaro e frio?

gritar? Quem pode salvar-me
do que está dentro de mim?
gostava até de matar-me.
mas eu sei que ele há-de esperar-me
ao pé da ponte do fim.

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