19 de setembro de 2005
Da Grécia
Do mar, Hydra surge escondida, o refúgio quase perfeito…
Cheguei!
Assustem-se desde já, trago 400 fotografias:)
E agora desfazer a mala e banhoca:)
amadeu e cenas
ps - também embirro com o surrealismo na pintura. Ah, conseguem pensar na Frida Khalo (ou mesmo na pintura dela) sem pensar no varão? Eu não. É como tentar pensar no Dali sem pensar no bigode. Impossível. : j
a propósito de coisa nenhuma (ou não se esqueçam de ver o 'green wing' na sic comédia, sob pena de excomunhão)
tom observava alguém a jogar na slot-machine.
o que nos faz gostar do que gostamos?
o que nos leva a procurar saber mais sobre o que gostamos e do que gostamos?
porque gosto muito da patrícia e pouco da agatha?
porque gosto muito do denis mcshade (sim, esse, o diniz machado) e nem por isso do sir arthur conan?
talvez pelas mesmas razões que sempre preferi o tex avery ao walt disney, a pilote à tin-tin.
ou os monty phyton ao restante mundo humorístico (sim !!!!! vejam o green wing, na sic comédia!!!!!!).
porque gosto pouco de moralidades e lições das ditas.
porque gosto pouco da previsibilidade
porque gosto da iconoclastia
porque gosto de quem subverte
mas as paixões explicam-se?
não.
e ainda bem.
back to normal
(devem andar a rogar-me pragas intermináveis...)
ontem,
depois de um mês com sucessivas desmontagens de todos os móveis de 3 divisões, arrumações intermináveis nos poucos espaços que sobravam,
depois do levantamento de soalho, colagem do dito, mais afagamentos com pó a infiltrar-se em tudo o que era sítio e vários envernizamentos,
depois de, novamente, desmontar, montar e arrumar tudo, incluindo uma prateleira que também decidiu desabar no meio da confusão,
a casa voltou ao normal.
e mesmo a maria, depois do salto suicida que fez criar uma poça de sangue à entrada do prédio e um susto enorme a todos, parece estar bem....
back to normal, parece
Uma Vaca na Avenida…
Ficam contudo belas histórias naquele local. Uma delas, a qual tenho pena de não ter assistido ao vivo, quase faz parte do anedotário policial nacional em especial porque aconteceu na realidade. Passo a contar:
- É verdade, sempre dava para levar algumas até à Esquadra e ficar por lá uma hora a preencher papelada – lamentou o Martins.
- Já “bamos” na quarta “bolta” ao giro e nem o subchefe da ronda apareceu! Não há meio de serem sete da manhã – lamentou o Santos.
- Temos de informar a Central – replicou de imediato o Martins enquanto mirava em redor, procurando um refúgio, nada interessado em garraiadas, muito menos aquela hora.
- “Bou” informar já – anuiu o Santos, fazendo chamada via Walkie-talkie para a Central rádio.
- Posto que chama 21, informe o que se passa – respondeu o operador.
- Oh, “bint’ um”, é para informar, que esta patrulha detectou, aqui na junção da “Abenida” da Liberdade com os Restauradores, uma “ baca”. A mesma anda a correr no meio da “bia” pública, mais concretamente, no meio da faixa de rodagem e “proboca” embaraço na circulação…
- Atenção para esse posto; mais atenção à linguagem via rádio – respondeu com ar enfastiado o operador de serviço – esse posto sabe as normas das comunicações e mormente quanto ao uso de linguagem inadequada. Mais respeito pelas comunicações; use o termo prostitutas quando se dirigir a “
- Ora essa, “vint’um”, é mesmo uma “baca” – tornou o Santos, apercebendo-se que o operador estava a fazer confusão com as meninas que por ali costumavam andar – mande uma Secção de Piquete que a gente aqui não dá conta dela. Andam ali dois homens a tentar apanhá-la, mas ela foge-lhes e tenta marrar-lhes.
- Mais uma vez, 21 informa esse posto para usar mais moderação na linguagem; tente controlar a situação da desordem e não deixe que os indivíduos se envolvam
- Mas, “vint’um”, esta “baca” é mesmo uma “baca”, tem quatro patas.. e perigosa. Já “botou” um dos homens por terra e o outro anda agora a correr à frente dela. Dirigem-se para a Praça da Alegria. Este posto segue em perseguição do animal…
- Tenho a informar esse posto que irá ser dado conhecimento superior da sua conduta de desrespeito ao que se encontra estatuído no que respeita a comunicações rádio. Isto não é brincadeira colega. Separação; informe se a mulher está a tentar agredir o suposto cliente com arma branca e se dão indícios de embriaguês. E deixe-se de considerações supérfluas...
O silêncio rádio que se seguiu deu a entender que a mensagem chegara clara, perceptível e concisa…
Boa semana a todos.
18 de setembro de 2005
preparar a mala
estou no stress do viajante e escaldada da praia.
sitges estava muito bom mesmo. e o arroz negro também.
mas e mas...
queria pedir mais um vez o seguinte: um blog é um espaço público e convivencial. não é de todo em todo, o local indicado para agredir ou insultar outras pessoas. se há problemas existenciais, que se resolvam de outra forma. aliás é a segunda vez que digo isto. não me agrada nada ver textos com qualidade comentados numa base de contenda. a discussão é benéfica, mas em termos de ideias sem personalizar com mimos muito duvidosos como muito desgostosamente li na sexta feira.
este é um blog que pretende cruzar conversas entre amigos. se não se consegue dialogar, opte-se pelo silêncio. é o que fazem algumas pessoas muito acertadamente e respeitando-se mutuamente. este blog de facto tem o aspecto do colectivo, vivenciado e agitado. mas não se confunda isso com colisões na esfera privada de cada um.
a ausência de caps não é colagem ao meu amigo carlos, mas a preguiça de usar este teclado.
e tenham uma boa noite:)
:P
Recordo-me perfeitamente. Era esplêndido, ir aos sábados ao Luna-Parque com a família. Logo à entrada havia uma série de barracas de tiro ao alvo, com meninas simpáticas a chamar pela gente. Foi aí que o primo Rodrigo, ao disparar com o canhão de 12, se enganou e ficou sem a cabeça. Havia também carrinhos com amendoins, sorvetes e aquele algodão de adoçar que nos deixava todos lambuzados. Sopeiras e magalas aos pares, de mão dada, a olhar para tudo. Vejam lá há quanto tempo isto foi!
E a Montanha Russa! Ah, a Montanha Russa, como eu gostava de andar nela! Um sábado íamos todos na Montanha Russa. No meio do entusiasmo, o tio Leocádio deu um empurrão à avó Amália, lá mesmo no alto da maior subida. Sem querer. Esborrachou-se toda cá em baixo, pobre avózinha. Tivemos pena. Era realmente divertido. Nessas tardes fartava-me de comer tremoços e até bebia o meu pirolito.
Havia também a Grande Roda. Lá de cima via-se o Parque todo, ouvia-se a musiquinha que nos chegava como um som de distância. Era bonito. Certa vez, quando estávamos já na segunda volta, a tia Clarinda inclinou-se para ver melhor e ficou entalada nas engrenagens. Deu um certo trabalho a tirar dali os restos, coitados dos empregados.
No Comboio Fantasma foi-se o tio Geraldo. À saída, quando as portas se abriram e nos libertámos daquela escuridão medonha onde toda a gente dava gritinhos, demos por falta dele. O meu pai disse-me discretamente que devia ter sido um esqueleto que o apanhou. A verdade é que nunca mais o vimos. E o papagaio que tirava a sina, lembram-se? Metiam-se dez tostões numa caixinha e o papagaio lá ia com o bico, zás, buscar a nossa sina. Como era engraçado!
Mas divertido, divertido mesmo, era o Grande Chicote. Levava-se cada safanão! Os carros batiam uns contra os outros e fartávamo-nos de rir. O Zézito, o filho da tia Josefa, levou um safanão tal que partiu a espinha. Era bom. Que saudade! Depois comiam-se também umas farturas e eu até tinha direito a um copinho de abafado.
Quando chegava Outubro, com a melancolia das primeiras chuvas e as folhas douradas começando a cair das árvores, o Luna-Parque fechava e eu ficava já a pensar no ano seguinte. Então o meu pai fazia as contas. Além de nós ali em casa, ainda sobrava o tio Inácio do Ministério, o primo Jerónimo que estava no Brasil, a prima Josefina que depois casou com o Clarimundo da Fonseca, devem estar lembrados, e mais alguns. A famíla, por esses tempos, era grande, graças a Deus. Há quantos anos! Como o tempo passa!
Mário-Henrique Leiria
Domingo
Caro ABS: fui só de acompanhante, ao Europeu de Diabetes! :)
17 de setembro de 2005
de barcelona
mais tres dias e acabam as férias. pois estou cheia de saudades de casa, pois estou.
e de facto noto, o blog abre muitissimo mal em espanha. as fotografias e os links somem-se.
e é isto. estou com sono.
abeijos.
hum...e eu gosto de pintura. mas cada qual gosta do que gosta. um blog é para repartir gostos, não para os guerrear tipo preto versus branco. estou com muito sono para me explicar, outro dia será.
16 de setembro de 2005
A música do futuro
a propósito de pintores injustamente esquecidos...
injustamente esquecido em quase todo o mundo (com a óbvia execpção de amarante e arredores até à fronteira), amadeo souza-cardoso foi, não apenas um dos percussores do modernismo, como um dos seus mais notáveis pintores.
para qualquer português comum, diuzer que o souza-cardoso é um esquecido, parece estranho, porque aqui todos o conhecem.
mas a questão é precisamente essa:
ele pouco mais é do que conhecido aqui.
injustamente.
o artigo que aqui vos cito, fala de um dos segredos mais bem guardados do começo do modernismo.
e esta é a verdade para além da fronteira do caia ou de vilar formoso.
infelizmente.
amadeo souza-cardoso
A DIFERENÇA
Vem este meu desabafo a propósito da capacidade de aceitar a diferença.
Uso próteses em ambas as pernas. Além disso, tenho um excesso de peso que dá bastante nas vistas. Por isso, sei o que é ser diferente.
A atitude em relação aos deficientes, especialmente nalgumas zonas do Norte, é inqualificável.
As pessoas - incluindo, muitas vezes, a própria família - acham que os deficientes deveriam ser deixados para um canto, escondidos dos olhares públicos. Fica-se, até, com a impressão de que, se pudessem, os deitavam ao poço logo ao nascer, como fazem às ninhadas de gatos. Tratam-nos como um erro da natureza, uma nódoa, que não serve para nada.
Tive a sorte de nascer numa família que sempre me tratou como pessoa, e não como aleijadinho. Tudo fizeram para que eu pudesse ter a melhor qualidade de vida possível, o que aliás lhes valeu críticas estúpidas de quem achava que era uma perda de tempo.
Porém, há muitos outros que não foram tão afortunados.
Tentem imaginar o que é ser tratado pela própria família, pelos vizinhos, etc, como uma aberração, durante toda a vida. Tirar um curso? Impossível, e também não adiantava nada. Casar? Que horror! Levar uma vida normal? Mas tu não és normal!
Quem ouve isto todos os dias, por palavras, gestos e atitudes, ou é um herói, ou acaba por acreditar.
Não é só em Portugal, evidentemente. Li uma vez num livro ("Rising Sun", de Michael Crichton) que, no Japão, os deficientes são uns párias. São tidos como castigos da providência por algum pecado cometida pela respectiva família. Não sei se é verdade, mas não me admira nada que seja.
Na Alemanha nazi, os deficientes foram dos primeiros felizes contemplados com essa maravilha da tecnologia: as câmaras de gás. Era a lógica da pureza da raça. E não foi assim há tanto tempo, pois não?
Conheço várias pessoas que, devido a uma problema merante físico, falam de modo estranho e difícil de perceber. 90% das pessoas, no primeiro contacto, partem do princípio de que são deficientes mentais.
Há tempos, ia eu sossegadinho pela rua, e uma idiota qualquer tentou impingir-me um qualquer remédio milagroso para emagrecer.
Mas que é esta merda??
Depois temos os iluminados e iluminadas, que me dizem, em tom quase missionário: mas tu tens que emagrecer! Isso faz-te mal à saúde!
Uau. Que perspicácia. É pá, nunca tinha reparado nisso. Obrigado pela dica, salvaste-me a vida.
Mas entretanto deixa-me acabar este gelado, que me está a saber bem, ok?
E olha, vai-te foder, tá?
15 de setembro de 2005
Os antigos pós-modernos
Foi por isso que uma das recordações que trouxe de viagem foi uma estátua de bronze assim. Olha para mim, a partir desta face sem olhos, num abraço a si mesma meio aconchego meio dor de barriga. Acredito que a vejo sorrir. Um destes dias fotografo-a e levo-a na carteira comigo. Ao lado de uma Bastet do Louvre.
Figura feminina cicládica, 2800-2300 a.C. Mármore. Museu Nacional de Arqueologia, Atenas.
Agosto de 2005
se já foi escrito, melhor é transcrever....
por auto-defesa tento esquecer-me (ou não me lembrar) de algumas datas dolorosas.
especialmente 3 datas de 2001 para cá.
outras há que, mesmo que queiramos, não conseguimos.
no dia 12 de setembro de 2001, o mundo estava a 'desabar'.
dizem.
pequenos mundos também....
porque já foi escrito pelo joão, ali ao lado, transcrevo.
mesmo a esta distância ainda não é fácil...
12.09.01
A porta da cela fecha-se e, por detrás dela, deixa todo um mundo de coisas doces e felizes mas, sobretudo, deixa ficar distante a verdade.
Não sei nem quero saber. tão pouco comemorar este dia, mas sou incapaz de o deixar passar sem lembrar a raiva que ainda me mói, me mastiga, me volta ao lebrar.
Não entro no jogo dos "ses"... "e se...!"... não há ses, há certezas e, apesar de tudo, sei, não fosse este dia ter acontecido, poderia ainda não dormir daquele quarto, que me acolhe agora a cada vez que chego à Serra.Não se apagam estas feridas que se abrem assim, não se ignoram simplesmente os erros dos que, de caneta na mão, decidem preventivas sem qualquer prova que fosse!
não sei passar para as palavras o que sinto hoje... tenho pena...
ainda hoje nos tentamos levantar... mas tão devagarinho...
14 de setembro de 2005
hoje, à hora de almoço, em repeat
(zeca baleiro)
você só pensa em grana meu amor
você só quer saber
quanto custou a minha roupa
custou a minha roupa
você só quer saber quando que eu vou
trocar meu carro novo
por um novo carro novo
um novo carro novo meu amor
você rasga os poemas que eu te dou
mas nunca vi você rasgar dinheiro
você vai me jurar eterno amor
se eu comprar um dia o mundo inteiro
quando eu nasci um anjo só baixou
falou que eu seria um executivo
e desde então eu vivo com meu banjo
executando os rocks do meu livro
pisando em falso com meus panos quentes
enquanto você ri no seu conforto
enquanto você me fala entre dentes
poeta bom meu bem poeta morto