19 de setembro de 2005

Da Grécia

Do alto da acrópole, Atenas é um imenso mar branco, sem fim…


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Do mar, Hydra surge escondida, o refúgio quase perfeito…


Cheguei!

Voltei para a minha adorada casinha.
Assustem-se desde já, trago 400 fotografias:)
E agora desfazer a mala e banhoca:)

amadeu e cenas

Não costumo ir em nacionalismos, mas voltei de férias e estava a ler o bloguinho e vi o Carlos a falar no Amadeu de Souza Cardoso a meio de um despique pictórico ibérico. Acontece que o Amadeu é, nacionalmente, o meu pintor preferido. Nem sei bem explicar porquê - nem me apetece, para ser franca. Parece que se engasga qualquer coisa cá dentro quando me ponho a olhar para a cozinha de manhufe - e olho muitas vezes, é frequentemente o meu wallpaper (agradece-se que alguém enfie aqui um fotinha do quadro, tóbrigadinha). Lamento que lhe seja dada tão pouca importância, mas por outro lado faz-me sentir membra de um clube restrito e com gente lindalindalinda. Faz-me até gostar de ser portuguesa, não por partilharmos uma bandeira e um hino (hino que tem a pior rima de todos os tempos!) mas por me ser tão fácil conhecer, ou achar que conheço, a realidade que era a dele, e que aqui e ali é também a minha. Dá-me muito prazer.

ps - também embirro com o surrealismo na pintura. Ah, conseguem pensar na Frida Khalo (ou mesmo na pintura dela) sem pensar no varão? Eu não. É como tentar pensar no Dali sem pensar no bigode. Impossível. : j

a propósito de coisa nenhuma (ou não se esqueçam de ver o 'green wing' na sic comédia, sob pena de excomunhão)

tom encontrava-se no bar-tabac de georges e marie com uma chávena quase cheia de café expresso na mão. já tinha pago e os dois maços de marlboro para heloise inchavam-lhe a algibeira do casaco.
tom observava alguém a jogar na slot-machine.


o que nos faz gostar do que gostamos?
o que nos leva a procurar saber mais sobre o que gostamos e do que gostamos?

porque gosto muito da patrícia e pouco da agatha?
porque gosto muito do denis mcshade (sim, esse, o diniz machado) e nem por isso do sir arthur conan?
talvez pelas mesmas razões que sempre preferi o tex avery ao walt disney, a pilote à tin-tin.
ou os monty phyton ao restante mundo humorístico (sim !!!!! vejam o green wing, na sic comédia!!!!!!).

porque gosto pouco de moralidades e lições das ditas.
porque gosto pouco da previsibilidade
porque gosto da iconoclastia
porque gosto de quem subverte

mas as paixões explicam-se?
não.
e ainda bem.

back to normal

enquanto fajão ardia, a minha casa inundava-se sem ninguém lá dentro.
(devem andar a rogar-me pragas intermináveis...)


ontem,
depois de um mês com sucessivas desmontagens de todos os móveis de 3 divisões, arrumações intermináveis nos poucos espaços que sobravam,
depois do levantamento de soalho, colagem do dito, mais afagamentos com pó a infiltrar-se em tudo o que era sítio e vários envernizamentos,
depois de, novamente, desmontar, montar e arrumar tudo, incluindo uma prateleira que também decidiu desabar no meio da confusão,

a casa voltou ao normal.

e mesmo a maria, depois do salto suicida que fez criar uma poça de sangue à entrada do prédio e um susto enorme a todos, parece estar bem....

back to normal, parece

Uma Vaca na Avenida…

Ainda não vão muitos anos em que a Avenida da Liberdade era uma das zonas privilegiadas de Lisboa no que diz respeito ao mercado do sexo. Entre a Praça dos Restauradores e a zona do cinema Tivoli, a procura chegava a exceder a oferta e as chusmas de rebarbados, prostitutas, chulos e polícias, rodavam pela área num ballet que se intensificava a partir do pôr-do-sol. De quando em quando, lá vinha a “ramona” e a malta ou fugia ou batia com os costados na Praça da Alegria, Rossio ou, na pior das hipóteses, no Comando da Polícia de Lisboa, na Rua Capelo, ali ao lado do Governo Civil. Hoje, contudo, aquela zona da cidade está relativamente mais calma no tocante ao movimento de "meninas", tudo devido não só à insistência dos frequentadores da zona junto das autoridades civis para acabar com a “pouca-vergonha” que grassava naquelas paragens, mas também por ter havido uma série de encerramentos de pensões na área e o aparecimento de novas actividades comerciais que afastaram a clientela e consequentemente as “meninas”. Estas ou passaram a frequentar outros “poisos” ou então foram trabalhar nas emergentes casas de massagens, sempre mais discretas, tanto para elas e seus chulos como para os clientes, agora menos expostos a olhares de mentes mais censoras.

Ficam contudo belas histórias naquele local. Uma delas, a qual tenho pena de não ter assistido ao vivo, quase faz parte do anedotário policial nacional em especial porque aconteceu na realidade. Passo a contar:

Era uma fria madrugada, idêntica a tantas outras madrugadas de inverno em Lisboa. O frio húmido provocado pela maresia que subia desde o rio em direcção ao Marquês, entrava pelo capote do Luís Santos e gelava-lhe os ossos. Nem o improvisado colete de jornais amenizava a crueza daquele frio. Porra, o frio sêco lá das serras transmontanas sempre era mais suportável. À falta de abrigos capazes de o proteger daquela gélida humidade que teimava em segui-lo e penetrar dentro dos ossos, restava-lhe cumprir o giro de forma a manter as pernas e os pés quentes. Ao seu lado, o Martins há muito que se mantinha calado; dir-se-ia que os lábios haviam ficado tolhidos pela maresia. Era normal para um algarvio, habituado à brandura das noites de Tavira. A cada palavra que pronunciava na sua voz tipicamente cantada, havia um acompanhamento do bater de dentes, como se de castanholas se tratasse.

- Merda de frio – disse o Santos – hoje nem gado há ao ataque!

- É verdade, sempre dava para levar algumas até à Esquadra e ficar por lá uma hora a preencher papelada – lamentou o Martins.

- Já “bamos” na quarta “bolta” ao giro e nem o subchefe da ronda apareceu! Não há meio de serem sete da manhã – lamentou o Santos.

Enquanto tinham este diálogo, eis que ambos se deparam com algo insólito. Ali, perante eles, no meio da Avenida da Liberdade, junto à entrada da Praça dos Restauradores, um portentoso espécime bovino evoluía pelo asfalto – melhor, escorregava, já que os cascos não estavam adaptados à calçada ali existente à data – enquanto era perseguido por dois indivíduos que, à laia de campinos sem montada tentavam em vão laçar o bicho. Os dois cívicos olharam-se um mutuamente questionando-se qual deles teria aptidões para moço de forcado. Fizeram ambos uma rápida leitura do insólito com que se deparavam. Ao que parece o animal, um belo exemplar de vaca taurina, tinha conseguido saltar do interior da caixa do camião em que era transportada e agora passeava-se em pesado trote – o bicho pesava mais de dez arrobas pelo menos - em plena entrada da Baixa Lisboeta.

- Olha pá!... Grande “baca”! – o Santos nem queria acreditar no que via.

- Temos de informar a Central – replicou de imediato o Martins enquanto mirava em redor, procurando um refúgio, nada interessado em garraiadas, muito menos aquela hora.

- “Bou” informar já – anuiu o Santos, fazendo chamada via Walkie-talkie para a Central rádio.

- Posto que chama 21, informe o que se passa – respondeu o operador.

- Oh, “bint’ um”, é para informar, que esta patrulha detectou, aqui na junção da “Abenida” da Liberdade com os Restauradores, uma “ baca”. A mesma anda a correr no meio da “bia” pública, mais concretamente, no meio da faixa de rodagem e “proboca” embaraço na circulação…

- Atenção para esse posto; mais atenção à linguagem via rádio – respondeu com ar enfastiado o operador de serviço – esse posto sabe as normas das comunicações e mormente quanto ao uso de linguagem inadequada. Mais respeito pelas comunicações; use o termo prostitutas quando se dirigir a “21”.

- Ora essa, “vint’um”, é mesmo uma “baca” – tornou o Santos, apercebendo-se que o operador estava a fazer confusão com as meninas que por ali costumavam andar – mande uma Secção de Piquete que a gente aqui não dá conta dela. Andam ali dois homens a tentar apanhá-la, mas ela foge-lhes e tenta marrar-lhes.

- Mais uma vez, 21 informa esse posto para usar mais moderação na linguagem; tente controlar a situação da desordem e não deixe que os indivíduos se envolvam em confrontos físicos. Esta Central vai de imediato enviar o carro patrulha da área e uma brigada à civil para tentar deter os proxenetas que querem agredir a “senhora” – a voz do operador rádio endurecera após a "ousadia" do guarda no terreno.

- Mas, “vint’um”, esta “baca” é mesmo uma “baca”, tem quatro patas.. e perigosa. Já “botou” um dos homens por terra e o outro anda agora a correr à frente dela. Dirigem-se para a Praça da Alegria. Este posto segue em perseguição do animal…

- Tenho a informar esse posto que irá ser dado conhecimento superior da sua conduta de desrespeito ao que se encontra estatuído no que respeita a comunicações rádio. Isto não é brincadeira colega. Separação; informe se a mulher está a tentar agredir o suposto cliente com arma branca e se dão indícios de embriaguês. E deixe-se de considerações supérfluas...

O Martins, não aguentou mais. Perante a insistência do operador, que estava convencido de estar a ocorrer uma desordem ou rixa entre chulos, clientes e prostitutas, não se conteve e quebrando todo o protocolo usual das comunicações rádio, deixou-se de formalidades e gritou em plenos pulmões para o aparelho:

- Foda-se colega! Quem não está a brincar sou eu. Aqui não se trata de porrada entre putas e chulos. Esta “baca” é mesmo uma “baca”… anda em quatro patas, é malhada, tem cornos, marra e faz muuuu!

O silêncio rádio que se seguiu deu a entender que a mensagem chegara clara, perceptível e concisa…


Boa semana a todos.

18 de setembro de 2005

preparar a mala

é num instante. amanhã já é dia de regresso.
estou no stress do viajante e escaldada da praia.
sitges estava muito bom mesmo. e o arroz negro também.

mas e mas...

queria pedir mais um vez o seguinte: um blog é um espaço público e convivencial. não é de todo em todo, o local indicado para agredir ou insultar outras pessoas. se há problemas existenciais, que se resolvam de outra forma. aliás é a segunda vez que digo isto. não me agrada nada ver textos com qualidade comentados numa base de contenda. a discussão é benéfica, mas em termos de ideias sem personalizar com mimos muito duvidosos como muito desgostosamente li na sexta feira.

este é um blog que pretende cruzar conversas entre amigos. se não se consegue dialogar, opte-se pelo silêncio. é o que fazem algumas pessoas muito acertadamente e respeitando-se mutuamente. este blog de facto tem o aspecto do colectivo, vivenciado e agitado. mas não se confunda isso com colisões na esfera privada de cada um.

a ausência de caps não é colagem ao meu amigo carlos, mas a preguiça de usar este teclado.
e tenham uma boa noite:)

:P

O LUNA-PARQUE


Recordo-me perfeitamente. Era esplêndido, ir aos sábados ao Luna-Parque com a famí­lia. Logo à entrada havia uma série de barracas de tiro ao alvo, com meninas simpáticas a chamar pela gente. Foi aí­ que o primo Rodrigo, ao disparar com o canhão de 12, se enganou e ficou sem a cabeça. Havia também carrinhos com amendoins, sorvetes e aquele algodão de adoçar que nos deixava todos lambuzados. Sopeiras e magalas aos pares, de mão dada, a olhar para tudo. Vejam lá há quanto tempo isto foi!
E a Montanha Russa! Ah, a Montanha Russa, como eu gostava de andar nela! Um sábado í­amos todos na Montanha Russa. No meio do entusiasmo, o tio Leocádio deu um empurrão à avó Amália, lá mesmo no alto da maior subida. Sem querer. Esborrachou-se toda cá em baixo, pobre avózinha. Tivemos pena. Era realmente divertido. Nessas tardes fartava-me de comer tremoços e até bebia o meu pirolito.
Havia também a Grande Roda. Lá de cima via-se o Parque todo, ouvia-se a musiquinha que nos chegava como um som de distância. Era bonito. Certa vez, quando estávamos já na segunda volta, a tia Clarinda inclinou-se para ver melhor e ficou entalada nas engrenagens. Deu um certo trabalho a tirar dali os restos, coitados dos empregados.
No Comboio Fantasma foi-se o tio Geraldo. À saída, quando as portas se abriram e nos libertámos daquela escuridão medonha onde toda a gente dava gritinhos, demos por falta dele. O meu pai disse-me discretamente que devia ter sido um esqueleto que o apanhou. A verdade é que nunca mais o vimos. E o papagaio que tirava a sina, lembram-se? Metiam-se dez tostões numa caixinha e o papagaio lá ia com o bico, zás, buscar a nossa sina. Como era engraçado!
Mas divertido, divertido mesmo, era o Grande Chicote. Levava-se cada safanão! Os carros batiam uns contra os outros e fartávamo-nos de rir. O Zézito, o filho da tia Josefa, levou um safanão tal que partiu a espinha. Era bom. Que saudade! Depois comiam-se também umas farturas e eu até tinha direito a um copinho de abafado.
Quando chegava Outubro, com a melancolia das primeiras chuvas e as folhas douradas começando a cair das árvores, o Luna-Parque fechava e eu ficava já a pensar no ano seguinte. Então o meu pai fazia as contas. Além de nós ali em casa, ainda sobrava o tio Inácio do Ministério, o primo Jerónimo que estava no Brasil, a prima Josefina que depois casou com o Clarimundo da Fonseca, devem estar lembrados, e mais alguns. A famíla, por esses tempos, era grande, graças a Deus. Há quantos anos! Como o tempo passa!

Mário-Henrique Leiria

ourang-outang, baudelaire, poe, un rat et le corbeau

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júlio pomar

Domingo

Um domingo de manhã, no hospital, é sempre muito estranho... acreditem. Especialmente depois de uma semana de férias. Parece que está tudo "fora do lugar"

Caro ABS: fui só de acompanhante, ao Europeu de Diabetes! :)

17 de setembro de 2005

de barcelona

de volta a barcelona, entre chuva e acolhimento amigo.
mais tres dias e acabam as férias. pois estou cheia de saudades de casa, pois estou.
e de facto noto, o blog abre muitissimo mal em espanha. as fotografias e os links somem-se.
e é isto. estou com sono.
abeijos.
hum...e eu gosto de pintura. mas cada qual gosta do que gosta. um blog é para repartir gostos, não para os guerrear tipo preto versus branco. estou com muito sono para me explicar, outro dia será.

16 de setembro de 2005

A música do futuro

...passa por aqui. Ponham as colunas no máximo, abram as janelas, deixem o som voar!

a propósito de pintores injustamente esquecidos...

respeitando os meus limites geográficos para me pronunciar sobre pintores, e também para continuar a falar dos que gosto, aqui posto um que faz parte dos que adoro.

injustamente esquecido em quase todo o mundo (com a óbvia execpção de amarante e arredores até à fronteira), amadeo souza-cardoso foi, não apenas um dos percussores do modernismo, como um dos seus mais notáveis pintores.

para qualquer português comum, diuzer que o souza-cardoso é um esquecido, parece estranho, porque aqui todos o conhecem.

mas a questão é precisamente essa:
ele pouco mais é do que conhecido aqui.
injustamente.

o artigo que aqui vos cito, fala de um dos segredos mais bem guardados do começo do modernismo.
e esta é a verdade para além da fronteira do caia ou de vilar formoso.
infelizmente.

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amadeo souza-cardoso

vou ali e já venho...

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A DIFERENÇA

Portugal é um país de brandos costumes, dizem. Em geral, até é verdade. Mas alguns desses costumes são uma boa merda.
Vem este meu desabafo a propósito da capacidade de aceitar a diferença.
Uso próteses em ambas as pernas. Além disso, tenho um excesso de peso que dá bastante nas vistas. Por isso, sei o que é ser diferente.

A atitude em relação aos deficientes, especialmente nalgumas zonas do Norte, é inqualificável.
As pessoas - incluindo, muitas vezes, a própria família - acham que os deficientes deveriam ser deixados para um canto, escondidos dos olhares públicos. Fica-se, até, com a impressão de que, se pudessem, os deitavam ao poço logo ao nascer, como fazem às ninhadas de gatos. Tratam-nos como um erro da natureza, uma nódoa, que não serve para nada.
Tive a sorte de nascer numa família que sempre me tratou como pessoa, e não como aleijadinho. Tudo fizeram para que eu pudesse ter a melhor qualidade de vida possível, o que aliás lhes valeu críticas estúpidas de quem achava que era uma perda de tempo.
Porém, há muitos outros que não foram tão afortunados.
Tentem imaginar o que é ser tratado pela própria família, pelos vizinhos, etc, como uma aberração, durante toda a vida. Tirar um curso? Impossível, e também não adiantava nada. Casar? Que horror! Levar uma vida normal? Mas tu não és normal!
Quem ouve isto todos os dias, por palavras, gestos e atitudes, ou é um herói, ou acaba por acreditar.
Não é só em Portugal, evidentemente. Li uma vez num livro ("Rising Sun", de Michael Crichton) que, no Japão, os deficientes são uns párias. São tidos como castigos da providência por algum pecado cometida pela respectiva família. Não sei se é verdade, mas não me admira nada que seja.
Na Alemanha nazi, os deficientes foram dos primeiros felizes contemplados com essa maravilha da tecnologia: as câmaras de gás. Era a lógica da pureza da raça. E não foi assim há tanto tempo, pois não?
Conheço várias pessoas que, devido a uma problema merante físico, falam de modo estranho e difícil de perceber. 90% das pessoas, no primeiro contacto, partem do princípio de que são deficientes mentais.

Há tempos, ia eu sossegadinho pela rua, e uma idiota qualquer tentou impingir-me um qualquer remédio milagroso para emagrecer.
Mas que é esta merda??
Depois temos os iluminados e iluminadas, que me dizem, em tom quase missionário: mas tu tens que emagrecer! Isso faz-te mal à saúde!
Uau. Que perspicácia. É pá, nunca tinha reparado nisso. Obrigado pela dica, salvaste-me a vida.
Mas entretanto deixa-me acabar este gelado, que me está a saber bem, ok?
E olha, vai-te foder, tá?

De regresso

Sim... nem me despedi. Mas já voltei, de Atenas, também!

atendendo às limitações geográficas, here it goes...

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maria helena vieira da silva

15 de setembro de 2005

Os antigos pós-modernos

Há mais de quatro mil anos a arte nas Cíclades era assim. Se me dissessem que isto era a criação de um suíço refugiado na serra do Caldeirão teria acreditado.

Foi por isso que uma das recordações que trouxe de viagem foi uma estátua de bronze assim. Olha para mim, a partir desta face sem olhos, num abraço a si mesma meio aconchego meio dor de barriga. Acredito que a vejo sorrir. Um destes dias fotografo-a e levo-a na carteira comigo. Ao lado de uma Bastet do Louvre.

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Figura feminina cicládica, 2800-2300 a.C. Mármore. Museu Nacional de Arqueologia, Atenas.
Agosto de 2005

se já foi escrito, melhor é transcrever....

há datas que nos matam mais que outras.
por auto-defesa tento esquecer-me (ou não me lembrar) de algumas datas dolorosas.
especialmente 3 datas de 2001 para cá.

outras há que, mesmo que queiramos, não conseguimos.

no dia 12 de setembro de 2001, o mundo estava a 'desabar'.
dizem.

pequenos mundos também....

porque já foi escrito pelo joão, ali ao lado, transcrevo.
mesmo a esta distância ainda não é fácil...



12.09.01
A porta da cela fecha-se e, por detrás dela, deixa todo um mundo de coisas doces e felizes mas, sobretudo, deixa ficar distante a verdade.
Não sei nem quero saber. tão pouco comemorar este dia, mas sou incapaz de o deixar passar sem lembrar a raiva que ainda me mói, me mastiga, me volta ao lebrar.
Não entro no jogo dos "ses"... "e se...!"... não há ses, há certezas e, apesar de tudo, sei, não fosse este dia ter acontecido, poderia ainda não dormir daquele quarto, que me acolhe agora a cada vez que chego à Serra.Não se apagam estas feridas que se abrem assim, não se ignoram simplesmente os erros dos que, de caneta na mão, decidem preventivas sem qualquer prova que fosse!
não sei passar para as palavras o que sinto hoje... tenho pena...
ainda hoje nos tentamos levantar... mas tão devagarinho...

14 de setembro de 2005

hoje, à hora de almoço, em repeat

você só pensa em grana
(zeca baleiro)

você só pensa em grana meu amor
você só quer saber
quanto custou a minha roupa
custou a minha roupa
você só quer saber quando que eu vou
trocar meu carro novo
por um novo carro novo
um novo carro novo meu amor

você rasga os poemas que eu te dou
mas nunca vi você rasgar dinheiro
você vai me jurar eterno amor
se eu comprar um dia o mundo inteiro

quando eu nasci um anjo só baixou
falou que eu seria um executivo
e desde então eu vivo com meu banjo
executando os rocks do meu livro
pisando em falso com meus panos quentes
enquanto você ri no seu conforto
enquanto você me fala entre dentes
poeta bom meu bem poeta morto