12 de outubro de 2005
um dia pode ser muito importante. ou não significar coisa nenhuma
dessa rixa resultou um morto e alguns feridos, entre os quais o próprio adolfo monteiro.
na sequência desses factos, adolfo monteiro foi acusado de homício do traficante de drogas baleado na referida rixa.
adolfo monteiro sempre afirmou a sua inocência.
o ministério publico pediu a sua penalização com base no depoimento de um co-arguido, filho da vítima.
o tribunal de guimarães condenou adolfo monteiro a 10 anos de prisão com base neste depoimento.
feito o recurso para a relação do porto, foi confirmada a sentença.
consciente da sua inocência, adolfo monteiro recorre para o supremo.
ao fim de mais de 2 anos, o supremo tribunal manda anular o julgamento com a indicação de, com base na matéria provada, adolfo monteiro só poderia ser 'eventualmente' acusado de participação em rixa e nunca em homicídio.
cansado de esperar pela resolução do caso e da afirmação da sua inocência, adolfo monteiro suicidou-se no estabelecimento prisional de coimbra no dia 30 de setembro de 2005.
um dia depois da data data marcada para a audiência do supremo tribunal e que foi adiada.
passados poucos dias faz-se a audiência e é elaborado o acórdão que o inocenta de culpa.
passados uns dias.... de ter posto termo à vida.
no final deste mês, todos os funcionários dependentes do ministério da justiça vão fazer uma greve de um dia.
para quem espera anos pela resolução dos seus casos em tribunal, um dia pode ser fatal.
mas também pode ser coisa nenhuma.
quem espera 10 anos, poderá esperar 10 anos e um dia.
afinal, o adiamento da audiência do supremo tribunal acima referido não se deveu a nenhuma greve....
essa só virá lá pelo fim do mês.
se as televisões não a noticiassem, ninguém daria pelo facto dos tribunais estarem fechados.
a actividade produtiva seria vagamente a mesma.
leio hoje a opinião de um juiz a defender o direito á greve por parte dos juizes, com base no facto de a titularidade do cargo que ocupam derivar de uma carreira profissional à qual se ascende por concurso público.
registo que os independentes juizes querem o melhor de 2 mundos:
a imunidade decorrente de serem um órgão de soberania (igual à presidência da república ou à assembleia da república)
e os direitos sindicais decorrentes do acesso por concurso.
para juizes não estamos mal, não senhor....
Os postais da minha tia - parte 2
Gripe (1): Atchim.... brr.....
Época de gripe. Tudo aos espirros. Alguns vacinados, outros nem por isso. Confusão em muitas cabeças: “Vacinei-me o ano passado e estive sempre constipado / apanhei uma constipação enorme”, etc.
escusam de me perguntar se estou bem disposto.
demorei 2 (duas) horas para fazer 6 míseros quilómetros entre masamá e alfragide.
e não tenho que entrar dentro de lisboa.
quando cheguei ao trabalho, tinha a entrada da garagem bloqueada e tive que deixar o carro na rua e apanhar uma molha.
como não tive tempo de tomar o pequeno almoço, fui beber um café na máquina que existe no meu local de trabalho.
estava sem café e deu-me uma aguadilha execrável.
escusam de perguntar se estou bem disposto.
não estou !!!
11 de outubro de 2005
inaugurei a temporada das constipações
"they are just deportees"
foram ali abandonados pelo exército de sua magestade.
depois de terem atravessado todo o sahara ocidental sem que tivessem sido impedidos (coisa que o exercito marroquino jamais deixaria a qualquer apoiante de frente polisário),
depois de terem atravessado todo o reino de marrocos com o beneplácito do exército real,
milhares de africanos treparam os arames farpados que protegem os enclaves colonialistas de ceuta e melilla.
numa atitude tipicamente colonialista de querer estar em africa e não querer os africanos, o democrático governo de madrid resolveu devolver os imigrantes para o lado de fora do arame farpado, sabendo que o destino deles seria o deserto, a fome, a sede, as doenças e a morte.
afinal, são apenas deportados.
diz-se
ninguém lhes disse que podiam entrar.
ninguém lhes disse que podiam ficar.
as consciências democráticas de espanha e as menos democráticas de rabat ficam assim descansadas.
nós, os tolerantes, os democratas, os solidários, os civilizados europeus... não prestamos mesmo.....
p.s.
esta é uma das mais bonitas canções já alguma escritas sobre o assunto
deportees
(woody guthrie)
the crops are all in and the peaches are rotting
the oranges are filed in their creosote dumps
they're flying 'em back to the Mexico border
to take all their money to wade back again
goodbye to my juan, farewell roselita
adios mes amigos, jesus e maria
you won't have a name when you ride the big airplane
all they will call you will be deportees
my father's own father, he waded that river
they took all the money he made in his life
it's six hundred miles to the mexico border
and they chased them like rustlers, like outlaws, like thieves
the skyplane caught fire over los gatos canyon
the great ball of fire it shook all our hills
who are these dear friends who are falling like dry leaves?
radio said, "they are just deportees"
is this the best way we can grow our big orchards?
is this the best way we can raise our good crops?
to fall like dry leaves and rot on out topsoil
and be known by no names except "deportees"
one way or another
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
One way or another, I'm gonna win ya'
I'm gonna get ya', get ya' ,get ya', get ya'
One way or another, I'm gonna see ya'
I'm gonna meet ya', meet ya', meet ya', meet ya'
One day maybe next week, I'm gonna meet ya'
I'm gonna meet ya', I'll meet ya'
I will drive past your house and if the lights are all down
I'll see who's around
One way or another, I'm gonna find ya'
I'm gonna get ya', get ya', get ya', get ya'
One way or another, I'm gonna win ya'
I'll get ya', I'll get ya'
One way or another, I'm gonna see ya'
I'm gonna meet ya', meet ya', meet ya', meet ya'
One day maybe next week ,I'm gonna meet ya'
I'll meet ya' ah
And if the lights are all out I'll follow your bus downtown
See who's hangin' out
One way or another, I'm gonna lose ya'
I'm gonna give you the slip
A slip of the lip or another I'm gonna lose ya'
I'm gonna trick ya', I'll trick ya'
One way or another, I'm gonna lose ya'
I'm gonna trick ya', trick ya', trick ya', trick ya'
One way or another, I'm gonna lose ya'
I'm gonna give you the slip
I'll walk down the mall, stand over by the wall
Where I can see it all, find out who ya' call
Lead you to the supermarket, checkout some specials and rat food
Get lost in the crowd
One way or another I'm gonna get ya'
I'll get ya'
I'll get ya', get ya', get ya', get ya'
Where I can see it all, find out who ya' call
...e quando eu estava distraída os blondie vieram para me explicar como ser rancoroso com pinta. Mas tipo, com MUITA pinta. Nunca se sabe se vou precisar. eheheh Seja como for, quando uma canção está em loop já vai para uma semana deve ser sinal de qualquer coisa. Outro assunto: a mulher não era incrívelmente bonita? Alias, vi um clip dela com a Joss Stone gravado há coisa de um ano. Cantavam isto e.. confesso que a dona blondie era muito mais interessante. Serei um caso perdido de homogerontofilia?
O nosso filho mais novo:)
Postais da minha tia, para começar bem o dia
aprende a nadar companheiro...
fez ontem 30 anos.
estava eu na faculdade de direito, onde ensaiava o grupo onde cantava ao tempo.
o alexandrino passa por mim e diz:
- '.....' , anda connosco.
- para onde vão?
- colar uns cartazes para a baixa.
- nã. vocês são muitos. não precisam de ajuda e eu amanhã tenho que trabalhar cedo.
no dia seguinte alguém me avisa:
o alexandrino foi morto pelos bufos da udp. atiraram-no ao rio e impediram que o tentassem salvar.
(os 'bufos' aqui pode ser entendido no sentido literal do termo. a udp tinha nos seus dirigentes uma percentagem considerável de gente com porte menos digno nos inquéritos policiais).
a governo considerou, ao tempo, que tinha sido um assassinato a sangue frio. os autores eram conhecidos.
nada se fez.
nos tempos seguintes, os bufos da udp utilizavam esta canção do ségio godinho como provocação.
nunca conheci uma provocação tão reles.
uma vez, um tipo que me conhecia (e eu a ele), começa a cantar 'aprende a nadar companheiro' quando me aproximo dele.
passado uns minutos diz-me:
ópá... é apenas uma canção !!!
respondi: ópá, foram apenas uns murros nos cornos
nunca mais consegui ouvir aquela canção sem me lembrar daquela noite.
10 de outubro de 2005
noites brilhantes.
Jameson no copo, descalça e completamente com vontade de rir penso: "Sou a criatura mais fútil que existe"
Depois penso no Frank Sinatra misturado com o Gene Kelly. Mix de Singing in the rain e do New York. Cabeça a fervilhar.
Acho que foi o que ouvi no táxi de vidro aberto. Um silêncio abençoado. Cortado pelo" Bem haja menina". E amanhã é terça feira.
Eu gosto sobretudo deste momento. Do fim do dia. De saber que vou escrever entre amigos. Espero não adormecer a teclar entre amigos. Posso ressonar:)
Gasel não são dias cinzentos. São dias de. Qualquer coisa. E essa qualquer coisa terá que ser boa.
Fechem as janelas dizem os senhores do SNBPC. Pode entrar-nos o Vince pelo quarto dentro. Acho que à cautela, vou deixar a minha entreaberta.
Rescaldo das eleições
Factos relevantes na ressaca eleitoral
O Vitorino, como se vinha a perceber nas últimas semans, perdeu. O homem parece ser um caso patológico de tacanhez congénita e desconfiança obcessiva: pode-se dizer que ele conseguiu sair da Conceição de Faro, mas a Conceição de faro nunca saiu dele.
O PSD deu um banho em Portalegre. Fico contente por várias razões, entre elas, pela alegria dos meus pais. Mas, mais que tudo o resto, deu-me um gozo especial o facto do Ceia da Silva ter sido completamente esmagado: conheço bem a peça de outros tempos...
Vi e ouvi o discurso do "Major". Fiquei assustado, a sério: o homem parecia estar possuído!
Vi e ouvi o discurso do Carrilho. Fiquei impressionado, a sério: até na derrora conseguiu ser arrogante!
Os dias estão cinzentos. Eu também!
Proudhon, Pernas, Peniche, ...
... li cinquenta por cento de um livro mau sobre o bom Proudhon.
... tomei objectiva e distanciadamente conhecimento de que há prostitutas na Luciano Cordeiro com pernas muito compridas.
... pus as minhas pernas a andar de patins três horas e meia no Sábado e a dar a volta à fortificação de Óbidos no Domingo.
... escrevi a palavra cagalhão em cada um de três papelinhos, um branco, o outro amarelo e o outro talvez côr-de-rosa, que por mera coincidência são cores típicas de papel higiénico.
... estive em Peniche, tendo ingerido um daqueles bolos com uma base em baixo, um recheio no meio e uma tampa em cima, sendo que o recheio é chantili e tanto a base como a tampa estão impregnadas numa coisa que não é licor.
... o partido estalinista português ganhou a câmara de Peniche e também a da Marinha Grande, tendo reganhado grande importância na Península de Setúbal mas ontem não sei porquê só se falava na derrota do PS, na vitória do PSD e nos casos patológicos de Gondomar e etecetera.
... a chuva não deixa possibilidade para dúvidas e portanto corrobora Proudhon: é preciso trabalhar.
patativa
Aos Poetas Clássicos
Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.
Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.
No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.
Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.
Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.
Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.
Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.
Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.
Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.
Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.
Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.
Podia falar de várias coisas. As eleições, o furacão, o sismo no Paquistão, o Mundial vs. opções da selecção, etc ...
Mas seria muita análise. Muita combinação de factores.
Assim, de todos os temas da actualidade, escolho fazer só duas referências. A presença histórica dos Palancas Negras no Mundial e a gripe da aves.
A primeira já aqui foi referida, mas dá-me particular satisfação! A jóia d’África :-) Seremos muitos a falar português!
Quanto á segunda, ouvi ontem o melhor comentário “A gripe das aves?! Desde que não ataque a águia Vitória...” ;-)
Eu explico, T...
Depois de se ter andado a esfalfar durante 2 anos (assumiu a presidência a meio do mandato), perdeu as eleições por uma diferença de 3 votos. Sim, leram bem TRÊS votos.
Sei que estás triste, Cidália. Mas estou contigo para a próxima batalha.
parece que terei obrigação de falar das eleições autárquicas. tenho a certeza que tenho obrigação de falar da zélia barbosa
acho eu.
não consigo encontrar sobre ela umas míseras linhas no google ou em qualquer outro motor de busca.
que eu saiba, editou apenas um disco em toda a sua vida.
que eu saiba, nunca fez carreira como cantora.
no entanto, o disco que editou em frança para a le chant du monde. mostrou na europa um brasil completamente diferente do que estavamos habituados a ver.
a léguas do postal ilustrado de copacabana.
nenhuma das cações era de sua autoria.
todas eram de nomes maiores da música brasileira, ainda que (alguns) pouco conhecidos no final da década de 60 (chico buarque, edu lobo, vinicius, carlos lira, nara leão).
o brésil sertão & favelas foi um marco da música brasileira na europa.
é dos melhores discos de música brasileira de sempre. digo eu, que tenho a mania de dizer coisas.
é um disco obrigatório!!!!!
esta é uma pérola assinada por vinicius e carlos lira:
pau de arara
vinicius de moraes e carlos lira
eu um dia cansado que tava
da fome que eu tinha
eu não tinha nada
que fome que eu tinha,
que seca danada no meu ceará
eu peguei e juntei
um restinho de coisas que eu tinha :
duas calças velhas e uma violinha
e num pau de arara
toquei para cá.
e de noite eu ficava na praia de copacabana
zazando na praia de copacabana
dançando o chachado pras moças olhá
virgem santa
que a fome era tanta
que nem voz eu tinha
meu deus quanta moça
que fome que eu tinha
mais fome que tinha no meu ceará
puxa vida que num tinha uma vida
pior do que a minha
que vida danada ,
que fome que eu tinha
zazando na praia pra lá e pra cá
quando eu via toda aquela gente
no come que come
eu juro que eu tinha saudades da fome
da fome que eu tinha no meu cearà
e ai eu pegava e cantava
e dançava o xaxado
e só conseguia porque no xaxado
a gente só pode mesmo se arrastá.
virgem santa
que a fome era tanta
qu'inté parecia que mesmo xaxado
meu corpo subia
igual se tivesse querido voar.
vou-me embora pró meu ceará
porque lá tenho um nome
aqui não sou nada
sou só zé com fome
sou só pau de arara
nem sei mais canto
vou picar minha mula
vou antes que tudo rebente
porque estou achando
que o tempo está quente
pior do que antes não pode ficar.
em jeito de post scriptum, um pedaço das 'vozes da seca' do gonzagão e zé dantas:
seu doutô os nordestino têm muita gratidão
pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
mas doutô uma esmola a um homem qui é são
ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
grande gonzagão.
grande zélia.
Dúvidas.
Ainda não li nada sobre as eleições. Nem um esboço de análise.
O senhor sombra não nos conta nada? E o senhor Fernando? E o mister carlos?
E o Gasel? E o Ricardo? E nós todos? E a menina Erre que até ganhou?
O Azinho..nem piou sobre a Zézinha. E a Lulu não nos contou porque fez 600 km para ir votar.
E os abstencionistas convictos? :)
Estou verdadeiramente espantada com este silêncio.
É por causa do Furacão? Ele ainda vai devagarinho..a 9 km por hora..e com sorte esbodega-se no mar:)
na morte de emilinha borba, a homenagem ao pernambucano luiz gonzaga com passagem por chico césar, menestrel de paraíba
(luiz gonzaga/humberto teixeira)
quando a lama virou pedra
e mandacaru secou
quando ribaçã de sede
bateu asas e vuou
foi aí que eu vim embora
carregando a minha dor
hoje eu mando um abraço
pra ti, pequenina
paraíba masculina
muié macho, sim senhor
eita pau pereira
que in princesa já roncou
eita paraíba
muié macho sim senhor
eita pau pereira
meu bodoque não quebrou
hoje eu mando um abraço
pra ti, pequenina
paraíba masculina
muié macho, sim senhor
quando a lama virou pedra (...)
paraíba meu amor
(chico césar)
paraíba meu amor
eu estava de saída
mas eu vou ficar
não quero chorar
o choro da despedida
o acaso da minha vida
um dado não abolirá
pois seguirás bem dentro de mim
como um são joão sem fim
queimando o sertão
e a fogueirinha
é lanterna de laser
ilumina o festejo do meu coração
voltarei a este assunto.
ao grande gonzagão.
mestre dos mestres.
voz do povo.
e a chico césar.
experimentador eterno
menestrel da paraíba
Upgrade cumprido.
Vai ser divertido explorá-las.
Obrigada M por teres posto o template como deve ser:)
Verão que o que estava dantes negado, é agora permitido. Gasel vais gostar de o fazer:)
Grande chuvada, até respiro melhor.
Beijos e bom dia...
9 de outubro de 2005
Variadinhas
Haiku, no Brasil, virou Hai Kai. Porque Ku, aqui, pega mal falar. Um meu:
Feliz
de quem sempre
tiver Paris.
Portugal terá eleições? O Brasil terá um referendo. Votar-se-á a proibição da venda de armas de fogo e munições. Pelo que se pesquisou, a proibição vencerá por larga margem: conseguiram convencer nossa gente de que a criminalidade cairá de ninguém mais puder ter armas em casa, como se a bandidagem não se abastecesse por meios próprios (corrupção e contrabando, por exemplo). Uma loucura.
Emilinha Borba! A Chiquita Bacana era sartreana: existencialista com toda razão, só faz o que manda o seu coração. Justíssimo: o Sartre era mesmo meio sambista.
A Saphira
Et in Arcadia ego. Não, não sei latim. Ficou-me esta frase de há muitos anos quando revivia o passado em Brideshead. Sem propriedade, diga-se. Aconteceu apenas porque me lembrei de Saphira. E a memória é sempre uma feiticeira boa que vem em auxílio de quem já não sabe sair do estreito caminho da evidência.
Saphira esteve comigo no lugar que primeiro defini como meu. Filho único, avesso ao encontro fortuito com a realidade rude e agreste, encontrei em Saphira a companheira, que não sendo capaz de distinguir entre a aventura e a conveniência, me levava para os espaços ocultos onde eram possíveis os devaneios.
À distância, fica a dúvida se a felicidade da memória não é um duro texto de reclusão ornamentado por Saphira na sua proverbial bonomia e poderosa coragem. Lembro-me das palavras de Sartre e já não sei se são dele ou minhas, se Saphira as trouxe a mim e me repuxou o olhar estrábico para parecer um neto de doutor que passou a infância a ler.
É mentira. Na infância eu plantei uma nespereira. Enterrei o cinto do meu pai no quintal e enchi o pátio de guerras horríveis em que ganhavam sempre os bons. Saphira ao meu lado, olhos brilhantes, tentadores, sorriso eterno, incentivador, murmúrios nos lábios como o tal anjo-da-guarda que nunca cheguei a ver.
Agora já cá não estão na casa os coelhos e as galinhas que cantavam os ovos novos. A distância do quintal também já não é imensa e a pasta da escola, quando ainda era desejada, já não tem aquele cheiro a novo que parecia definir o outono.
Há as marcas do corpo. Na dobra da perna a cicatriz de um dardo metálico do portão que servia de baloiço; ao pé do joelho o furo de um pauzinho chinês que, afiado, serviu de punhal para desbravar a floresta das traseiras; e as falhas de cabelo, dos galos, quando a cabeça absorvia os choques.
E há as outras marcas. Marcas desviadas de qualquer propósito que não o de reservar para cada momento um encontro completo com Saphira. Não havia fadas, não havia gnomos, mas havia já heróis da televisão. Dois revólveres, um chapéu negro, um lenço da mãe ao pescoço e muitos fora-de-lei para matar e prender. Ainda não sabia mas era um Cartwright de pleno direito. Transportava-me a cavalo, alinhando o passo pelas marcas negras do chão, dançando com a elegância que via nas cerimónias iniciais das touradas.
Li, em tempos, ao lado de Saphira, que os lugares e as coisas guardam, nos interstícios aparentemente vazios dos átomos, todos os acontecimentos em que intervieram e que, se prestarmos a devida atenção, eles nos devolvem essas imagens acrescidas da ternura própria de quem é eterno. Não sei se é assim porque o tempo me tornou surdo às coisas demasiado pequenas e a visão passou a deliciar-se apenas com o que reconhece.
Mas não mudou tudo: Saphira ainda anda por aí.
Ivo Cação
Reposteiro transformista
Ulm-trajando urnos glicínias
Retortas herpéticas
Escortanhando os calendários:
Son de los diablos
Fidel,Io!
Shazam, ha… escaravelhos
Emcubanando
virtutes tuuuuias
oléolêoléolë
icâlô, que cálô
não se perciebe estre mtundo…
E En pegando no carrito,
andaram a casa.
(qualquer anortografia não é mera coincidência...)
TM,Inc.
Adeus Emilinha Borba!
" Chiquita Bacana/ Lá na Martinica/ Se veste com uma casca /De banana nanica; Tomara que chova/ Três dias sem parar; Paraíba masculina/Mulher macho/ Sim senhor.
Todo mundo alguma vez na vida já ouviu uma dessas três canções ou até já chegou a cantá-las. Pois bem, as três (Chiquita Bacana, Tomara Que Chova e Paraíba) foram lançadas por Emilinha Borba, a eterna Rainha do Rádio, que morreu na última segunda-feira, dia 03 de outubro, aos 82 anos, em seu apartamento em Copacabana vítima de um infarto fulminante."
in Época de hoje, por Danilo Casaletti.
Finalmente descubro quem deu voz ao "Tomara que chova..." . E nesse mesmo dia digo-lhe adeus....Malhas que o Império tece.
Retalhos vários
Não vejo nem ouço ninguém na rua. Será que todos foram votar?
E. Agora seriamente. Nenhum dos senhores doutores quer escrever algo sobre a Gripe das Aves? Depois das eleições, claro. Mas li ,que nas piores previsões para Portugal, se fala em em 11.000 mortos. E hoje em todos os jornais anuncia-se que a dita cuja já tem casos registados na Roménia.
Vai um toque nessa questão? Por mim vou ver googlar sobre a gripe espanhola. Também para depois das eleições, claro.
Já agora um link no DN de hoje abordando as ditas gripes.
E outro retalho, gosto tanto de grocar a net. Esta sugestão encontrei-a num blog suiço que nos veio visitar.
http://www.giussani.com/storiadi@/Storia_di_@_Giussani_CC.pdf
Um livro sobre a web, que está em pdf e acessível a todos e:
Bruno Giussani is a writer and commentator, the Producer of the TEDGLOBAL conference (Oxford, July 2005) and an Affiliated Fellow at the Stanford Institute for International Studies. He lives in Switzerland.
His most recent book is "Storia di @" (2003), a ten-parts examination of the cultural ramifications of the Internet.
A recognized specialist on the social impacts of technological innovation and on emerging socio-political trends, Bruno is a frequently-requested speaker and a regular lecturer at universities. He favours a pragmatic, no-hype approach. According to the International Herald Tribune, in his book "Roam. Making Sense of the Wireless Internet" (2001) he "first bursts the bubble of mobile hype and then explains why wireless communications really matters and how it works.
in http://www.giussani.com/biography/welcome.html
Podem ver aqui muito mais coisas. Do que li achei interessante. A web nasce em 1558.... That date rings a bell? Gutenberg:)
8 de outubro de 2005
Reparo que adormeci de luz acesa, livro no nariz e telemóvel junto à almofada. Pensava eu que ia ler e descansar por uns momentos e ferrei até ao dia seguinte. Que belo sono.
E assim se foi uma noite à espera de desgraças na cidade. Sim, porque chamarem para coisas boas, nunca chamam. Temos o grupo de anunciadores de desgraças mais querido do mundo: reportam sempre a situação de emergência, como se nos estivessem a dar um chocolate:)
Tenho uma superstição entre muitas. Nunca lavar o cabelo em dia que tenho serviços.
Se infrinjo a regra estou lixada. A última vez que o fiz(não resisti a arranjar o cabelo porque tinha um jantar mais de cerimónia à noite)tive um incêndio numa churrascaria que me pôs a cheirar como um verdadeiro e falecido frango e me fez o cabelo cinzento e pastoso da água, que escorria das paredes e tecto.
Pois é agora é só esperar os moçoilos do El Corte Ingles...Que no Continente tinham o serviço de entregas ao domicílio congelado até segunda( feira de vinhos sussurrou o atendedor...como se não fosse por isso que eu estivesse a ligar também:)
Sinto humidade no ar. O meu nariz agradece.
Vou fazer café e torradas.
E verdade, Multi, companheira de infortúnio de ontem, bom trabalho hoje com os meninos escoteiros e escuteiros.
Bom fim de semana para todos. Com correntes oleadas ou não.
Haikus - VI
Albas sempre trôpegas
De amplitudes.
(hommage aos locutores de continuidade...)
TM, Inc.
7 de outubro de 2005
Almoço
Sr. Franscisco - É melhor não que ainda vou conduzir. Mas estás à vontade!
Eu - Sr. Oscar, queria um uísque!
Sr. Oscar - De qual?
Eu - Um novo...
Sr. Oscar - Quer do que eu bebo?
Eu - ok!
... a garrafa estava quase no fim...
Vejo o uísque passar a marca com facilidade, progredindo a passos largos para a borda do copo...
Sr.Oscar - Beba depressa um gole antes que o patrão me despeça!!
Eu em pensamento - (Fodasse!!! Não podia estar mais cheio!!!)
Eu - Gole em shot de uísque!!
Eu - Já gora, Sr. Oscar, arranja-me aí umas pedras de gelo!
E falei de caça durante mais uma hora...
P.S: Estou bastante bebado...
Hoje tenho um encontro no nepales com a cerveja Cobra (muita boa!!!)!!
jornal das autárquicas, parte já estou farto
é o cartaz mais xunga da campanha eleitoral.
lisboa é gente. decente?
e as outras cidades? são. indecentes?
se são todas decentes para quê reforçar que lisboa é gente. decente?
se lisboa é gente. decente, os candidatos das outras listas, lisboetas eles também, são igualmente. decentes?
se são. decentes para quê concorrer contra eles?
os publicitários do bloco andam com quebras de qi.
só pode.
este é o cartaz mais xunga e mais desonesto da campanha.
este
é o brinde mais util da campanha.
a quintessência dos brindes.
o brinde multi-funções deixando o canivete da victoriainox a léguas de distãncia.
permite aos eleitores descontentes imaginar que estão a devolver a oferta pelo método de apalpação da próstata ao candidato autarca.
permite a senhoras (e senhores amantes do formato) solitárias a satisfação de necessidades básicas elementares e profundas.
permite ser degustado enquanto se escutam os resultados eleitorais.
permite olhar para a foto do candidato e dizer: 'ganda'chóriço' sem risco de ser processado por ofensa pessoal ao edil.
permite glosar haikus:
grande chouriço
de sabor autárquico
vão levar no haiku
nota final:
ontem foram publicadas uma avalanche de sondagens:
no mesmo dia, para lisboa, o candidado carmona tinha 10% mais, 5% mais e 0,2% menos que o candidato carrilho
no porto, no mesmo dia, o candidato rio tinha confortável maioria absoluta, maioria simples e empate técnico com menos 2% que o candidarto assis.
esta cena repete-se em quase todas as cãmaras onde foram feitas sondagens por várias empresas.
cada sondagem aponta para margens de erro entre os 2 e os 3,5%.
e levam-se a sério.
e pagam-lhes para isto.
Na consulta
E ali ficamos a falar disto e daquilo, pergunta e resposta... acho que ainda lá estamos.
O "MONUMENTO"
A velhinha Esquadra de Benfica ficava situada numa zona privilegiada da Estrada de Benfica, emparedada entre o Ferro de Engomar, com o seu restaurante, café e taberna, a Academia Grandela e as instalações da Escola dos Pupilos do Exército. O bulício da cidade fazia-se sentir de forma continuada, ao longo de todo o dia e a tarefa do sentinela às instalações poderia tornar-se penosa dada a exiguidade do estreito passeio em frente às mesmas. Era mesmo terrível passar ali quatro horas à porta da Esquadra, sorvendo o fumo dos escapes dos autocarros, as chapadas de água lançadas por estes, quando chovia ou, mais para a noite, ter que suportar o não menos agradável hálito de um ébrio mais “sociável” ao qual não se podia fugir, dadas as dimensões do passeio e que sempre insistiam em descarregar as suas mágoas junto do polícia de serviço. Aquele posto só era tolerável em duas situações: Para escapar a algum trucidado na linha-férrea ou então para alegrar as vistas com as jovens moçoilas – algumas não tão jovens, mas sempre vistosas – de passagem pela zona. Só faltava um painel para marcar as pontuações, à laia de um concurso de beleza, já que algumas, sabendo serem alvo da vigilância atenta dos servidores da lei, faziam gala exibindo naquela passerelle, os seus dotes como top-models em plena performance.
Lembro-me de um dia, estava eu de serviço no carro-patrulha da área fazendo equipa com o Valente, um excelente profissional que tanto tinha de bom polícia como de ser humano. Pois, foi precisamente à porta da Esquadra, que sucedeu o episódio que à frente vos conto. O pouco tempo que tínhamos de polícia, era compensado pela experiência de vida do Valente a qual incluía um tirocínio policial dado pelo seu pai, também ele agente da PSP, além de um vasto curriculum de aventuras iniciadas ainda no tempo do serviço militar. O rapaz era mesmo, como usa dizer-se, um tipo com a escola toda e pude comprovar que em matéria de humor era igualmente um mestre da arte de fazer rir o mais sisudo. Antes de nos dirigirmos ao graduado de serviço, ocupámos o nosso posto na tribuna do júri, junto ao sentinela, o Vilela, secretamente alcunhado de “Becas”, o qual levava já umas horas exercitando os seus músculos do pescoço na orientação do seu olhar para o constante assédio das empregadas das casas comerciais circundantes, residentes, sopeiras, as quais competiam perante os seus esbugalhados olhos. O Becas, pouco selectivo nessas coisas dos negócios de saias, parecia estar à beira de um enfarte, tal devia ser a aceleração cardíaca.
- O “Ti” Vilela hoje está nas suas sete Quintas.
- Oh! Valente, isto hoje está uma maravilha!... Cada avião!... Olhem, olhem, o que ali vem!... – enquanto dizia isto, discretamente, convidou-nos a olhar o passeio do outro lado da rua, onde estava uma mulher que não constava dos concursos mais recentes e que era, sendo novidade, uma pedrada no marasmo que se tornara a turma das habituais concorrentes; a debutante, além de vistosa era de gritos!
- Grande mulherão - disse logo o Valente, semicerrando os olhos, esboçando um sorriso de gozo misturado com uns traços de D.Juan.
- Calma Valente; aqui o Vilela viu primeiro – disse o sentinela enquanto tentava fazer a transferência de excessos adiposos do ventre para a zona peitoral, assumindo um semblante tipo Clark Gable.
- Ora, ora, o que é isso. Você, a essa idade, que vai fazer? Isso é para os novos… se a “Maria” sabe!...
- Pois é, mas olhe lá se não é uma estampa! Bem, mas vamos é calar-nos que ela vem para aqui, cuidado!... Olhem-me para aquilo!... É de cair de queixos, de ter inveja do tipo que tem a sorte de ter assim um monumento daqueles!... Mas, nunca se sabe o que pode dali vir…
Vilela estava mesmo apaixonado. Aproveitou, enquanto aquela ninfa estava fora do alcance das palavras elogiosas que ele soltava acerca dela, expressões que me nego a reproduzir aqui, já que algumas delas continham um vernáculo digno de uma fita do Olímpia.
- Cuidado, nada. Com uma mulher daquelas, tem de se entrar logo a matar, Vilela – disse-lhe o Valente, enquanto fazia menção de se dirigir à Diva que se aproximava.
- Valente, não seja parvo. Olhe que há muita gente a ver – enquanto dizia isto, Vilela segurava discretamente no braço do colega – isto pode dar bronca, veja lá!...
- Aposto consigo como quando aqui chegar, convido-a a beber um cafezinho aqui dentro da Esquadra e à noite vou jantar com ela. Olhe ali, quer ver.
O pobre do Vilela conhecia bem os dotes do seu jovem camarada e estava prestes a ter um colapso, não por causa da moça que se aproximava, mas temendo que o atrevido do colega levasse avante a sua intenção de abordar a jovem. Seria uma bronca e o Vilela tinha o defeito de ser medroso em medida proporcional à sua luxúria mental. O homem tremia como varas verdes. O “doido” do Valente ia atacar a vítima. Aproximou-se dela, olhou-a olhos nos olhos, rodeou-lhe a cintura com um dos braços e beijou-a, à Hollywood. Depois, voltou-se para trás, e disparou:
- Vilela… Cruz… esta é a minha mulher, a Rosa – logo de seguida, antes dos cumprimentos segredou-lhe - tem razão, é um “monumento”…
O Sentinela, apertou a mão à senhora. O seu sorriso, amarelado pela surpresa, não significava a desilusão da derrota; antes escondia a vergonha e vontade de ter ali um buraco para desaparecer ou poder fazer recuar o tempo até uns minutos atrás! Que monumental gafe!
Até ao dia em que o Valente foi transferido para a sua querida cidade do Porto, o que ainda demorou uns anitos, o Vilela viveu sempre em penitência por este pecado, recordando a sua inconveniente saída em relação à esposa do seu colega. Mesmo depois de reformado, das vezes que o encontrei, ainda denotei vários resquícios deste “trauma” … e eu encarrego-me, claro está, de o relembrar, quando reencontro o meu camarada Valente e a simpática Rosa. É um fartote.
6 de outubro de 2005
Aiducu Hautárkico
Em três papelinhos no Domingo vamos votar
Cagalhão cagalhão cagalhão
Haiku
I
Chuvas
em Novembro
Natal em Dezembro
II
O que eu te estimo
é o que
eu te desejo
ESPEREM! O outro não conta, agora é que é!
a letras paradas
o som das coisas.
(este é MUITO melhor!tenho mesmo jeito para isto!)
Os três versos (sem rima) apresentam, respectivamente, 5, 7 e 5 sílabas métricas japonesas. A métrica japonesa assenta essencialmente no elemento duração: por exemplo, a palavra Bashô, metricamente tem três sílabas ou unidades de som, porque o /o/ final é longo.
São dois os elementos de conteúdo, em não mais do que duas frases: uma percepção sensorial (particular e imediata) e uma percepção sugestiva (de maior amplitude circunstancial ou semântica). A separação entre os dois elementos é feita por uma palavra ou sinal gráfico (kireji).
A percepção sensorial parte de um vocábulo associado a um elemento da natureza e, frequentemente, às estações do ano (Kigo) O kigo representa o aqui e agora que originou uma dada emoção/sugestão.
Não apresenta objectividade, mas a subjectividade expressa provém sempre de uma objectividade captada pelos sentidos. Uma sensação concreta – visual, auditiva, táctil – permite associações, sentimentos, memórias, o reconhecimento de um conjunto mais amplo em que essa sensação se encaixa.
O kaiku capta o instantâneo, regista, enquadra, presentifica, evoca, emociona... a ligação semântica entre as palavras expostas será sempre feita pelo leitor."
Tanta coisa para explicar 3 frases sem sentido!
5 de outubro de 2005
Discurso Indirecto
Sei que gosto de mamar e de mimo.
Gosto de olhar para os meus pais. É o que estou a fazer nesta foto. Ao colinho do pai e a olhar para o pai e a mãe. Não posso parecer muito derretida com eles, ou estrago-os desde pequenina:)
Sou a Maria. Tenho ainda..deixa contar...tenho treze dias. (eles não sabem que eu sei contar, isto é um segredo)
Tenho aqui uma chata a tentar tirar-me fotos e eu deito-lhe a língua de fora mas ela não se enxerga. É a melga da tia avó. Não acerta uma foto.Mas não desiste. Se não fosse tão pequena, sei que asneira lhe dizia.
Tenho uns avós e uns tios lindos. E muitos, muitos amigos. Estes meus pais são muito sociáveis.
Vou gostar de crescer com eles todos. Estou já a fazer a lista das prendas de natal:)
E chega de fotos!
Feriado
Para casados e não casados.
Este é um deles.
Vão espreitar.
Para facilitar vou linkar ao dito.
http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/
4 de outubro de 2005
Dia do Haiku obrigatório. Ou dois, ou três.
2- Estou mesmo contente com estes últimos posts. O Dias está a voar, em plena forma
E de contente
Se ri o dente
Era de siso e foi retirado.
Entristecida e lenta
Vai-se ao bule branco
e enverdece-se por dentro.
a última ceia do presidente mao
esta é uma delas:
e esta a capa desse número da revista:
este livro é um pedaço da história
este é um livro histórico.
como poucos.
conhecido como o 'livro vernelho de mao' chama-se, na verdade, 'citações do presidente mao-tse tung' (o óbvio título de livro vermelho vem da sua capa em plástico dessa cor, embora, ao tempo, a maior parte das obras de mao fossem encadernadas naquele material e naquela cor) .
não sendo a primeira edição de 1966 (é a segunda, de 1967), ainda tem o prefácio e a caligrafia da epígrafe feita pelo lin piao e que foi objecto de grande 'limpeza' nos anos seguintes.
este é o livro que todos vimos milhões de chineses brandirem durante a revolução cultural.
este é um daqueles livros imensamente falado e imensamente desconhecido no ocidente.
mas é um livro que ajudou a alterar imensas coisas na história da humanidade.
inclusivé na europa onde a influência do pensamento de mao foi um bocado mais longe do que muitas vezes imaginamos.
independentemente de se estar de acordo com a teoria politica subjacente, há imensos textos neste livro que deveriam servir de reflexão para politicos e gestores.
tal como a 'arte da guerra' entrou na moda como leitura obrigatória de gestores e yuppies, a leitura de muitas partes deste livro fariam bem a imensa gente das nossas empresas e da nossa politica.
basta que onde está 'comunista' leiam gestores ou politicos,
basta que onde está 'partido' leiam empresa, ou câmara, ou país.
e como ele dizia:
aprender. aprender sempre
porque,
o conhecimento é o problema da ciência e não admite a menor desonestidade nem a menor presunção; o que exige é certamente o oposto: honestidade e modéstia
Dizia-me ela: Impressionou-me muito. Ela era muito parecida comigo.
Alguém deitara para o caixote as memórias de alguém.
Regatou-lhe uns livros de viagens, umas pinturas, umas cartas, uns recortes.
Passou a noite a "grocar" todas estas coisas.
A minha amiga fez ontem outra amiga no caixote do lixo.
Umas entusiasmam-nos até ao limite, outras decepcionam-nos de morte.
Há aquelas que nos acariciam e provocam prazeres desmesurados e aquelas que nos dilaceram, ferem e trespassam de dor.
Que bem que nos sabem umas, que difícil é engolir outras.
Elas, as palavras, viciantes e viciadoras como as cerejas no Verão e o chocolate no Inverno...
... e como os dias que voam, em qualquer ocasião.
Wally abrunhosa
Ao cobrimento dos tentáculos
Pensei-te
Lúcio de luz
Cedros de alma,
Violinos, laranja
Epitáfio de
Sabor fino:
Fiat Nox et non Lux.
3 de outubro de 2005
Haikus - II
Como às estrelas do mar, dadas à costa
Em sacrifícios de espuma
(um haiku por dia, nem sabe o bem q lhe fazia!)
TM,inc.
Para terem uma visão menos emotiva do que a minha fiquem com uns “recortes” do jornais
"O incêndio que lavrou ontem com grande intensidade na serra da Boa Viagem, concelho da Figueira da Foz, deflagrou cerca das 15h30 no topo leste da serra, sobranceira ao mar, na encosta próximo do Vale de Jorge, subindo assustadoramente no sentido da Casa das Cruzinhas e para o lado do cemitério de Buarcos, mas a sua marcha desordenada e tocada pelo vento fez as chamas aproximaram-se depois do lugar de Condados, em direcção à cidade da Figueira da Foz"
Diário de Coimbra
"Foram cinco incêndios na Figueira, um em Montemor-o-Velho e oito em Soure", disse o comandante distrital, sublinhando que na tarde de domingo, aquando da deflagração do incêndio em Vale do Jorge, topo leste da serra da Boa Viagem, os bombeiros combatiam outros dois focos no sul do concelho."
O Figueirense
"Um violento incêndio com várias frentes chegou à zona urbana de Tavarede e Buarcos, onde consumia, ao final da noite de ontem, várias habitações, tendo obrigado à evacuação de dezenas de pessoas, nomeadamente da localidade de Vais. Já perto da madrugada de hoje, o fogo havia alcançado o Cabo Mondego e ameaçava a fábrica de cal da Cimpor."
asBeiras
óculos dever
Dia propício para começar àpostar aqui no blogue. O eclipse inspirou-me. Ia para o trabalho, começou a anoitecer e zás, meti os óculos do Público em frente à câmara e apanhei o sol a mexer-se. Depois voltei a pôr os óculos. Não via rigorosamente nada. A não ser quando olhava para o sol. E estava bastante nervoso. É o meu primeiro eclipse anelar.
É um bocado difícil conduzir assim, o que me fez chegar atrasado ao trabalho. Mas fiz como dizia no jornal: entre as nove e as onze, enquanto durou o eclipse, não tirei os óculos. Só os tirei para a fotografia mas mantive-me de olhos bem fechados.
Foi um dia positivo. Para manter a produtividade trabalhei mais duas horas à tarde. Descobri que o patrão tem rosto humano quando uso aqueles óculos. E a menina Graciete não usa nada debaixo da camisola. Levei um estalo mas valeu a pena.
Dizem que agora vai demorar uma série de anos até haver outro eclipse assim. Eu não concordo. O governo devia fomentar estas coisas. Os incêndios e a seca são muito menos populares. E os óculos nem são muito caros. E até oferecem um jornal com eles.
Até amanhã. Tenho que ir dormir que sinto uma sombra no olho direito.
Lino Centelha
Blogs que dão vontade de ler
Recomendo e vou adicionar aos nossos links.
O blog do Nic!
Por falar nisso
Aproximam-se momentos de grandes decisões e eu continuo indeciso, muito indeciso: não sei em quem hei-de votar.
Ainda só me decidi na Junta de Freguesia, voto MIM - Movimento Independente de Montenegro. Quanto ao resto ainda não sei... na Câmara, o Vitorino é um labrego, o Apolinário tem bigode e os outros não conheço.
Não sei o que faça...
Por falar nisso, a que horas joga o Benfica?
Palavras verbos e outras portraições
Uma vez, há anos, a ler uma entrevista da Hélia Correia descobri o verbo procrastinar. Achei lindo. Comecei a empregá-lo a torto e a direito. Era uma rematada seca para a minha envolvente humana. E ainda sou!
E dizer em latim? Procratinatione é maravilhoso. Dá assim um certo ar intelectual, um je ne sais quoi, que fica lindamente a qualquer um. Por acaso este verbo não tem muito a ver comigo. Gosto pouco de adiar as coisas. Prefiro fazer logo e já, mesmo aquilo que me irrita ou que tenho relutância em fazer.~
Hoje descobri dois verbos novos. O verbo embilhar encantou-me.
"v. tr.,
meter bilha;
Trás-os-Montes,
hesitar em resolver;
contemporizar;
procrastinar por acanhamento;
brigar, dar encontrões."
Vou começar a chamar embilhadora a eito, já sei...
E portrair?
"
do Lat. protrahere
v. tr.,
tirar para fora;
prolongar;
adiar;
protelar;
diferir;
procrastinar;
espaçar. "
E agora aos postadores omissos...deixem de EMBILHAR e escrevam:)
Tenho uma lista dos faltosos com uma caveira e tíbias à frente de cada nome...
Ou então eu deixo de portrair e falo com uns senhores que eu conheço da Pedreira dos Húngaros..
Cerejinha, JP, Caretaker, Lau, DuPostal, Multi, o FM e Sombra têm justificação de falta, A Joaninha tá de mãe, a Miana e o mano, os dois Zés, a Lulu, o Pardal Suado, o Nosso Jó desaparecido, o Zumbido, o Lino Centelha, o Nemo...
ESCREVAM!
jornal das autárquicas, parte 2
numa atitute em que não se sabe se está a tirar ou a colocar a gravata ou, o mais provavel, a aproveitar o tecido em tira para se enforcar.
mas onde é que o psd foi descobrir a abencerragem que idealizou tal cartaz ?????
ninguém explica àquelas alminhas que, se querem fazer afirmações pela negativa, a proposta positiva tem que ficar mais destacada?
o ps e a cdu do concelho já enviaram cartas de agradecimento para a sede de campanha do psd.
o principal cartaz da campanha do cds/pp diz apenas:
'de novo do seu lado'
...afinal reconhecem que nos últimos tempos não estiveram bem do lado do eleitor...
só falta mesmo reconhecer que jamais estiveram..
haja esperança. não falta tudo....
num dos cartazes do ps à camara de sintra, aparece o joão soares no meio de 8 mulheres a dizer: 'mais mulheres, uma equipa melhor'
fiquei a pensar se a equipa não seria perfeita com 9 mulheres.
afinal ele estará a mais ali...
o candidato do psd à câmara de lisboa aparece num cartaz a dizer que dá a cara por lisboa.
a avaliar pelo estado da pele dele, acredito que já tenha dado realmente a cara por lisboa.
é que entre a cara dele e o estado das ruas não há a mínima diferença.
e já agora:
ninguém no psd consegue realizar que quando alguém diz que dá a cara por alguma coisa... deve olhar em frente??
é que dizer isto ao mesmo tempo que olha para o lado... soa um bocado a falso...
por outro lado, o candidado do bloco faz a seguinte pergunte:
e se lisboa tivesse um presidente que gostasse da cidade?
a avaliar pela cara que apresenta nos cartazes, parece estar assustado com a ideia...
o ps encheu as ruas de lisboa com cartazes do seu sorridente candidato.
alguém explica aos responsáveis da campanha socialista que jamais se coloca um candidato com um diastema a sorrir de frente?
nunca ninguém lhes disse que aquele espaço entre os dentes da frente costuma ser identificado popularmente pelo lugar por onde saem as mentiras?
haja fé, ca'fé é que nos salva....
Tell me why I don’t like Monday’s
Ou seja, hoje estou lerda, lenta, dói-me a garganta, a cabeça e, aparentemente, pareço um zumbi...
Vou arrastar-me pelo resto do dia, que espero seja supersónico.
Tzinha, melhora RÁPIDO! Fazes falta :)
É um eclipse senhores!
A fazer tempo , para que os comprimidos me forneçam ânimo e que deixe de espirrar, achei que o dia estava estranhissimo.
Vim ao MSN perguntar e logo me disseram "é o eclipse". Fui olhar à janela e fiquei a ver luzes por todo o lado " Não se pode olhar directamente para o eclipse, burra!".
Fiquei arrumada e até espirrei.
Agora vou ficar quietinha a ver se melhoro. Prometo.
Haikus - I
Para me suprir de púrpura:
São as minhas núpcias de anémona
(um haiku por dia, nem sabe o bem q lhe fazia!)
TM,inc.
pacote de conselhos
Ama a deus em
Dias de tempestade
Esterilizar a clorofila
A cada lua dura
Auscultar
-ar como licor de mosto
-E o extintor sempre
Inerte
2 de outubro de 2005
Um lugar ao sol na estante.
Como um policial pode ser tão bem escrito e reflectir o outro lado. Aquilo que tentamos ignorar.
A escritora é fantástica e desde já, fico fiel leitora:)
Os dias voam...
E qual o porquê desta minha frase? Como a figueira é aqui perto, fui lá jantar com o Carjo
(que ainda nao conhecia), sim o nosso gourmet é mesmo gourmet:)
Depois dumas cervejinhas no espanhol, fomos jantar ao Abrigo da Montanha, na Serra da Boa Viagem.O restaurante tem uma vista deslumbrante pois é no cimo da serra e tem o mar como fundo e tem um ambiente muito acolhedor e sossegado
Comemos a conselho dele, um prato chamado “serra mar” que é um misto de carne, peixe, mariscos delicioso acompanhado de um Herdade do Peso fantástico.
O restaurante é muito bonito e convida à conversa, e posso garantir que o CarJo é um excelente conversador.
E assim se passou um óptimo sábado.
Querido Orlando:
Também nadaria até ao Brasil (com braçadeiras espero) se precisasses de mim.
Ontem perguntaram-me se tinha muitos amigos. Não, não tenho, mas tenho amigos excelentes e que me enchem de alegria.
Se tenho sorte? Muita sorte.... E de aqui ,entre o mar que nos separa ,apetece-me abraçar o Orlando e dizer-lhe.
"Porra, quando vens a Lisboa que temos saudades de ti?"
Um beijo. E abrevia as tuas ausências porque me fazes falta.
1 de outubro de 2005
D'aquém-mar
Onde eu estava? Sim, no meio do mar. Retiveram-me no Brasil muitas coisas, na verdade. Antero de Quental e Eça de Queirós foram duas delas: tive que fazer uma monografia sobre Eça, e logo do livro mais difícil, A ilustre Casa de Ramires; e tive que ler muito Antero, o que é, admitam, muito difícil, ainda mais para um ateu, como eu. Reteve-me outra monografia, esta sobre a revista Orfeu, que me divertiu bem mais: Almada Negreiros é, como dizemos lá, do balacobaco.
E reteve-me ainda a constatação de que o Lula é ladrão. De que o Zé Dirceu é ladrão. De que o PT, no cimo, é todo feito de ladrões. Ladrões trotskistas, parece, que falam em "a nossa moral e a deles". A deles é a minha e a do resto do povo, bem se entende. Uma confusão dos diabos, e vejam que surgiu um deputado, Roberto Jefferson (o descendente pobre, feio e corrompido do Thomas), que começou a cantar músicas italianas enquanto, com seu ar de cardeal quinhentista, fazia denúncias, denúncias, denúncias. Fiquei paralisado.
E paralisado ia ficando quando ouvi o apito da Teresa. "Vem já aqui, Orlando!" Suspirei, atirei-me ao mar e, muito nado depois, cheguei.
Olá a todos.
Biocoop.
Gosto de no caminho, ir tagarelando com o R e contar-lhe a semana, implicar com ele e sentir que vamos ser amigos enquanto existirmos.
Hoje comprei as bolachas e doces favoritos da Joaninha. As encomendas da Errezinha. E fiz-me sócia nº 2139 da Biocoop. Acho que sim. Merecem. Eu é que tenho que me esforçar por os merecer.
Ontem conversei imenso com a sobrinha neta e acho que ela me reconheceu vagamente "Esta é aquela que falava muito comigo e fazia a minha mãe rir e eu estremecer na barriga" Embora com aqueles olhos grandes escuros me fitasse com ar de interrogação tipo "Para que tem esta gaja mamas, se não tem leitinho?" . Perguntas complicadas, Mariazinha:) O que interessa é que estás linda e mexida e és enérgica como tudo.
Comi um jantarinho fantástico feito pela minha irmã, que tem todas as as prendas do mundo, desde a música,ao desenho e à culinária. Conversámos e mirámos o busto da República que o meu cunhado comprou que nos fitava com ar algo algo altivo. Quem teria sido o modelo?
Desconfio que agora vou flanar um bocadinho. Já cortei e congelei parte do pão biológico. Agora acho que vou exercer o verbo mais preguiçoso do mundo e aquietar.
Azinho se não nos lermos , bom serviço! Boas campanhas a quem for de campanhas e bom fim de semana aos outros.
Abeijo-vos.
