15 de junho de 2007

Duas notas sobre livros

Ofereci-os às nossas mais recentes aniversariantes. Confesso que, depois, ainda fiquei a pensar se o deveria ter feito, mas que se dane, o que é bom é bom. Mas são livros duríssimos e as festas de anos são isso mesmo: festas. Daí a dúvida.


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O primeiro dos dois que li: O pintor de batalhas, de Arturo Pérez-Reverte. A história de um antigo fotógrafo de guerra que decide pintar, num único mural, todos os horrores que presenciou. Muita da experiência de correspondente de guerra de Pérez-Reverte (já antes descrita noutro livro fundamental dele, Território Comanche) está aqui incorporada - como ele disse em entrevista ao El Mundo, a outros que poderiam ter escrito este livro faltava-lhes a biografia dele. Uma obra que discorre sobre muita da selvajaria do homem, sobre a estética, sobre a impossibilidade de sermos apenas observadores do horror sem participarmos, queiramos ou não, desse mesmo horror. Para mim é o melhor livro que Pérez-Reverte escreveu - e li a maior parte deles - colocando-o de vez na linha da frente dos grandes escritores contemporâneos.


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E o outro autor: Cormac McCarthy. Não é muito conhecido cá por estas bandas. Escreveu algumas coisas sublimes, nomeadamente a sua Trilogia da Fronteira. Podia passar a noite a falar sobre ele, mas concentremo-nos no seu último livro, A estrada. É um livro de absolutos: o amor absoluto contra o horror absoluto, no meio da desolação absoluta. É também um dos livros mais demolidoramente bem escritos que li na minha vida. Há dois meses ganhou o Pulitzer para uma obra de ficção deste ano.

A condição humana: é o que se mostra nestes dois livros. É capaz de ser pouco, mas é o que temos. É por isso que a devemos proteger. A todo o custo.

14 de junho de 2007

De Coimbra

nasceram das cinzas dos Tédio Boys & chamam-se D3Ö!

a rua júlio andrade

a rua júlio andrade é, provavelmente, a minha rua favorita em lisboa.

é pequena (menos de 200 metros, assim por cálculo...), tem poucas casas e todas lindas, imensas árvores, e uma vista deslumbrante logo na sua primeira porta, a do jardim do torel.

quando o conde castro guimarães comprou uma parte dos terrenos da quinta que encimava a zona do torel e que tinham sido do duque de ávila, deixou uma larga parcela que foi aproveitado por várias famílias abastadas para construir as suas 'vilas'.

a familia andrade, júlio, alfredo e guilhermina andrade bastos, foram os que iniciaram a 'ocupação' e, naturalmente, com o melhor lado: o da vista sobre a cidade.

julio andrade era uma daqueles figuras filantrópicas comuns nos finais do século 19, em que os abastados se sentiam na obrigação de gastar algum do seu dinheiro a ajudar os 'pobrezinhos' e, simultâneamente, perpetuar o seu nome nas ruas da capital.
se os industriais, motivados pelos ideais republicanos e/ou maçónicos construiam vilas operárias, a burguesia construía coretos e chafarizes.
para as pessoas, ou para os animais.
júlio andrade foi um destes últimos.
banqueiro e fundador da sociedade protectora dos animais, mandou instalar uma série de fontanários (ainda hoje existem vários, no principe real, largo da anunciada ou rossio, este para pessoas).

falemos então do lado ímpar desta rua ímpar:
o lado ímpar começa com a entrada para o jardim do torel e aquela vista magnífica sobre parte de lisboa.
a primeira casa que encontramos, o número 3, é hoje a sede da xuventude da galiza.
foi projectada por sebastião locati para a irmã de júlio andrade, guilhermina bastos.

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nos anos setenta era propriedade de manuel bulhosa (da editora bertrand) e estava abandonada há vários anos.
foi ocupada pelo infantário popular ribeiro dos santos, que lhe lhez algumas obras de manutenção e transformou a antiga garagem em refeitório.
como o manuel bulhosa não conseguia reaver o edifício (o infantário, já com estatuto de utilidade pública, propunha-se pagar a renda devida..) teve a brilhante ideia de o doar para sede da xuventude da galiza, e originar, nos anos 80, uma desocupação bastante violenta com polícia de choque, gritos e bastonadas.
desde os finais dos anos 80 ali funciona a sede da xuventude e na antiga garagem/antigo refeitório funciona agora um restaurante a visitar.

o número 5, projectado por césar janz (e alterado posteriormente por norte júnior), foi a sede da agência noticiosa anop e depois da lusa e é agora a sede do cenjor (centro de formação de jornalistas),

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o número 7, com que acaba a rua, e onde funciona neste momento a sede do serviço nacional de bombeiros (igualmente projectado por sebastião locati) era de alfredo andrade (também irmão de júlio) , pintor e arquitecto, com grandes influência culturais italianas e principal mentor paisagístico da zona.

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foi utilizada, com grande espalhafato na zona, no filme 'a casa dos espíritos' como a grande casa senhorial, o que obrigou (ao tempo as técnicas digitais não eram tão perfeitas como agora) à cobertura com terra de quase toda a rua julio andrade e de uma boa parte do campo mártires da pátria.

(outro) Lindo presente…

não resisti a partilhar algumas fotos ;-)

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Bob Roberts

Em vésperas de ano de eleições na América, revi há pouco tempo um fantástico documentário sobre a candidatura de Bob Roberts a senador da Pensilvânia em 1990.

Bob Roberts era na altura um jovem brilhante político com um futuro promissor. A sua marca distintiva era o facto de também ser um brilhante cantautor que escreveu canções que se tornaram rapidamente clássicos do cancioneiro folk americano.

Bob Roberts lançou três albums:

The times are changing back
The freewheelin' Bob Robert
Bob on Bob.

Escreveu canções imemoriais como "the times are changing back", "drugs stink", "what's Right is right, what's left is Wrong", "wall street blues" e o grande clássico "this land is MY land".

O documentário segue Bob Roberts na sua infatigável campanha como paladino da liberdade durante as eleições senatoriais de 1990.

É realizado por T. Robbins, e conta com as participações do próprio Roberts, de G. Vidal e S. Sarandon entre outros.

Nunca mais se ouviu falar dele. Que terá acontecido a Bob roberts?

13 de junho de 2007

Logísticas de blog

Caríssimos postadores:
Somos 21 aqui no Dias. Mais de metade não posta há muito e pouco comenta.
A minha proposta é, que até ao São João, mexam esses dedos e escrevam.
E falo em escrever posts, não comentar apenas. Estar num blog é isso mesmo, participar.
E é isto.

A Marcha de Alfama

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Pelo quarto ano consecutivo ganhou Alfama.
Fotos: Site da CML

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Dia de Santo António

Em véspera de Santo, comi garoupa grelhada fresquíssima e uns excelentes caracóis no sempre recomendável Restaurante Sem Nome, na Rua Marquesa de Alorna, Alvalade. São dos melhores caracóis de Lisboa. Sem exagero.
E a divagar pela net, encalho neste site:
http://www.alfarrabista.com/
Para quem gostar de livros, esta é uma romaria imprescindível. Tem de tudo, desde a Falcão, à Romano Torres, à Minerva, aos livros todos das estantes da casa dos pais.
Bom santo!

12 de junho de 2007

Santo António

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Santo António de Barro.

o jardim do torel


uma noite do verão de 1875, o então duque de loulé (um homem que hoje deve servir de exemplo a muitos políticos lisboetas, já que depois de ter sido ajudante de campo do miguel na vilafrancada, se passou para o lado do pedro quando as coisas começaram a virar e até foi feito duque por d. luis...), via arder o palácio onde morava com a serenidade próprias dos nobres que sabem que o seu futuro continua garantido:
de pé, no meio do pátio, em frente à casa que muitos anos antes terá sido mandada construir, ainda no século 18, por marco antónio thorel, mas que no começo do século seguinte já não pertencia à sua família, mas sim à do desembargador francisco pereira meneses que passado pouco tempo morreu originando o leilão do palácio e dos seus pertences.


se a morte do palácio foi pirotécnica, a sua vida foi sempre tumultuosa.

passado poucos anos do incêncio, o conde castro guimarães compra o 'pátio do thorel' (já lá não existia o ardido palácio...) e manda fazer um novo palácio com jardim adjacente.
a vista sobre o valverde (vale onde hoje é a avenida da liberdade) merecia isso e muito mais.
com a ida de castro guimarães para cascais, o conde vende o palácio ao estado em 1927 que ali manda instalar a polícia de investigação criminal, mãe da actual judiciária e onde funcionou a célebre prisão do torel. como a câmara municipal construiu um novo edifício anexo para a 'judite', recebeu em troca o jardim do palácio, que hoje é o público e lindíssimo jardim do torel.

(a vista deslumbrante do jardim/miradouro)
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(o antigo palácio e os bancos ao fundo com vista para o tejo e protegidos de olhares indiscretos)
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Até em Alcochete....

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11 de junho de 2007

o palácio silva amado

o palácio silva amado é uma daquelas jóias escondidas dos lisboetas, mas que não passa despercebido aos promotores imobiliários.

construído na segunda metade do século 18, num tempo de grandes e fáceis dinheiros, era riquíssimo em azulejos, madeiras e mobiliário.
com a venda ao estado em 1928, foi-se naturalmente degradando pela sua utilização pelo minustério da educação e também descaracterizando pela construção de um novo edifício em 1930, que em nada respeitava os volumes ou a arquitectura do edifício original.

no entanto, ainda assim, o conjunto, que ocupa o quarteirão limitado pela travessa do torel, rua julio andrade e campo mártires da pátria, é de elevadíssimo valor histórico e como tal classificado pelo ippar.

há pouco tempo foi comprado pelo grupo fibeira que se propunha construir um condomínio de luxo com 34 fogos e um rendimento de 19 milhões de euros.
o projecto foi apresentado no final do ano passado com pompa e circunstância: colaboração da fundação ricardo espírito santo para reconstrução dos azulejos, murais, pinturas e escadaria principal; colaboração com o ippar, etc.

estes dias aparece nova notícia: o grupo reyal urbis comprou o palácio silva amado por 20 milhões de euros para a construção de um hotel de luxo.
em menos de 1 ano, sem necessitar de fazer qualquer obra, a fibeira ganhou mais do que fazendo todas as obras e ter que vender todos os apartamentos.
o interessante nisto é que o grupo reyal urbis já era dono de metade do edifício, já que o grupo fibeira em parte é seu.
por metade pagou mais que o que era suposto rentabilizar com a comercialização de todo o espaço.
tudo isto em menos de um ano.

(a frente do campo dos mártires da pátria)
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(a virgem da atalaia que saúda os que vêm do elevador do lavra e a frente para o jardim do torel)
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(a frente da travessa do torel)
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A princesa que queria ser rei

"[...] Não, não era bem a filha de que os pais estavam à espera, longe disso. Desde logo, quando nasceu, já era diferente de todas as outras crianças, uma pequena bola envolta em tanto pêlo que até os físicos ficaram espantados.
- Rainha - disseram eles quando o silêncio se tornou demais embaraçoso - a princesa é um bocadinho peluda. Mas de resto - acrescentaram- é perfeita como uma flor. [...]"

Esta é uma história de princípes, princesas, reis e rainhas diferente do habitual. A protagonista é tão grande, peluda, decidida e musculada que todos lhe chamam a Princesa Cavalona.
É o novo livro da minha amiga e talentosa escritora Sara Monteiro e já está à venda nas livrarias.

Era uma vez

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O homem das bolas de Berlim, pães com chouriço, águas e cervejas! O verdadeiro!
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Alcochete, passear, esplanadas, sardinhas assadas e repousar a vista.

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10 de junho de 2007

Avenida de Roma ontem, parte 2

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Admirável esta estratégia comercial.

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Avenida de Roma, ontem

As mil e uma utilidades de um marco de correio...
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Mais praias para adivinhar!

Clicar na imagem para aumentar e adivinhar as praias. Estamos em 1942, não esquecer. Não são necessariamente praias todas diferentes!


Nescao!

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Engraçado como o ideal de homem saudável e bonito muda.Este bebia Nescao em 1942. Falava-se em robustez, um conceito que passou de moda. Agora preferimps corpos harmoniosos, atraentes e esbeltos. E como alguns dizem, " nunca se é suficientemente magro".

9 de junho de 2007

Os meninos da FNAT

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Era a chamada Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho.
Estes meninos eram os participantes duma colónia de férias em 1942, na Mata da Caparica, que se chamava singelamente Um lugar ao Sol.
Pretendia-se dar saúde aos filhos dos trabalhadores e proporcionar-lhes contacto com o sol e com o campo.
Ao ver esta foto fico de coração apertado. Estas carinhas são a prova provada que havia pobreza e privação. Não que tenha deixado de existir, mas esta é a um nível mais básico.
Aí recordo a minha mãe sempre a poupar, a comida que não se desperdiçava pois havia gente a passar fome, a roupa que se reutilizava de irmão para irmão. Não eram tempos de ostentação.
Esta era a face visível do Estado Novo. Um grupo de crianças a sorrir para o fotógrafo e manifestamente carentes. Que será feito deles?

8 de junho de 2007

Obrigada Manuel!

Pela nossa placa toponímica feita especialmente para o Dias, pelo distinto Don Gasolin das Artes e Esquadros e afins.
Estou encantada:)
É olharem para a esquerda no topo da página!

7 de junho de 2007

O meu querido trolley


Que parece uma pastinha A4, que cabe na mala, que desdobrado e desencaixadas as rodinhas faz um óptimo serviço de transporte
Foi oferecido pelo Z e é da Reisenthel.
O site tem muitos produtos interessantes.

Viva Maysa!



Sugeriu-me o VV este excelente blog sobre MPB e eu não resisti à evocação de Maysa.
Este blogue bossa- Brasileira é fantástico. E este outro dedicado a Maysa também. Leiam, ouçam e percam-se. Esta gravação que vos trago é raríssima e encontrei-a exactamente neste segundo blogue " Só numa multidão de amores".

As noivas de Santo António

Eu tenho um fraquinho pelas noivas de Santo António. É por isso e pelos cabazes de Natal.( Sim, sou muito aliciada por brindes). A espiolhar a página da CML estive a ver as fotos das noivas deste ano. Simpáticas e animadas. Isso é o que se quer. A serem preparadas e alindadas para o dia!


A ideia tem já 58 anos e foi idealizada pelo Diário Popular, com o objectivo de ajudar 60 casais necessitados, honrados e humildes, diria mesmo mais meu caro Dupont.
Ajudava-se na cerimónia, fornecia-se o enxoval and so on.
Tenho outro fraco na minha vida: o Santo António, apesar da tonsura. Rezei-lhe responsos inúmeros, quando me palmaram em miúda a minha boneca favorita e nada. Mas eu não perdi a crença na sua eficácia. Na que é uma das minhas igrejas favoritas, a de Santo António esse mesmo, acendo velas em profusão sempre que por lá passo. Também tinha a mania em Roma de meter moedas na caixinha de acender a luz para ver o Caravaggio, de São Luís dos Franceses, mas eu sou uma fascinada por essas tecnologias. Adiante, sem medo. Como diria a minha ex utente Julieta, o créme de lá créme das citações, acendia velas não por via de arranjar marido, mas porque gostava de dar aquele realce devido ao senhor Santo. Aquilo que guardo do catolicismo são santos afáveis, sorridentes, que ajudam e dão esperança. Afinal sou uma pessoa simples. Uma Simplícia! Vivam as noivas de Santo António!



Foto retirada da página da CML.

O Palácio do Mitelo ou, estás lembrada Cereja?

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É um edifício que eu muito amo. Tive a felicidade de lá andar, estudante descabeçada durante alguns anos. Nunca me esquecerei da sensação de descer a escadaria, deslizando a mão pelos corrimões, também de mármore rosa, pelo fresco e pedra gasta. As salas de aulas conjugavam frescos, azulejos, uns fogões de mármore lindos ,que eram uma tentação,para quem estava farta já de teorias rebuscadas sociológicas ou estatísticas ou quejandas.
Era um luxo esta escola, desfigurada pela fórmica das mesas e cadeiras e pela assepsia que se pretende de um estabelecimento de ensino. Mas, nos horários pouco ortodoxos que eu fazia, por vezes ouviam-se, as madeiras a ranger. Era a Santa dizíamos, a que estava embalsamada na capela. Ou talvez o Conde Vimioso, o amante da Severa, que foi morrer ao Mitelo. Não saberei. Sei que nas águas furtadas onde era o cubículo da associação de estudantes, tínhamos uma visão lindissima do telhado e das redondezas. O P andou lá pendurado, depois dum encontro com uma garrafa de conhaque francês boníssima que eu fanara ao meu pai.
A este espaço associo rostos , de pessoas algumas já desaparecidas, que singularmente faziam parte deste jogo complexo de estares. Não falei do terraço. onde nos esticávamos a comer e a sentirmo-nos umas verdadeiras marquesas, com uma bela balaustrada de pedra. (Tenho uma foto da nossa Cereja nela encarrapitada, a comer uma fatia de bolo.) Nem da chaminé, convertida em otomana. Nem da porta de madeira, onde se entrava exactamente por aquele recorte entreaberto da foto.

Outras cenas surreais, os Telectu a tocarem na capela.A belissima peça de cerâmica que decorava a casa de banho masculina.
O ar carrancudo do Sr Dinis, que ouvia o terço da Rádio Renascença todos os dias e que afinal era uma pessoa prestabilissima.
O cheiro a cera. A edifício com vida embutida. Aquele friozinho que dá quando se chega a um local familiar.
Um dia destes vou lá voltar. Para moderar a saudade.

Ficha técnica muitissimo abreviada do Inventário de Norberto de Araújo:
Fundação na 1ª metade do sec. XVII
Núcleo primitivo construção seiscentista. Em 1737 é adquirido pelo Dr Alexandre de Mitelo e Sousa e Meneses, que reabilitou por completo o edificio.
Mais tarde nova proprietária, a Marquesa de Pomares, voltou a restaurar o palacete. Em 1941 foi cedido para ser o Instituto de Serviço Social, o primeiro curso em Portugal destinado a formar assistentes sociais.

6 de junho de 2007

Obrigada à Mocas pelas suas palavras e nomeação , mas sobretudo grata pela sua participação aqui no Dias, sempre oportuna e inteligente . É amiga da Lia, pois só podia ser boa gente!

Cinco blogues para nomear...Hum! São completamente heterogéneos, mas dão-me sempre vontade de voltar lá. Vou apontar seis.

Ubelogue

Anacruses


Abrigo de Pastora

Com Calma

O funcionário cansado

E o regressado As Afinidades Efectivas

Os Modismos de Lisboa

"As cidades tem os seus modismos próprios - as suas vivas imagens verbais peculiares, os seus chistes, o seu calão, particulares a cada uma - a sua lexicografia inconfundível. E tudo isto é génio popular do idioma. Lisboa não escapa à regra.

Foi ela que inventou o Ver Mosquitos na outra Banda, o Meter o Rossio na Rua da Betesga, o Cair o Carmo e a Trindade, o Ficar a ver navios no alto de Santa Catarina, o Fazer a Avenida, o Amparar as esquinas, as Obras de Santa Engrácia, o Bem se canta na Sé mas é quem é, Uma vez a Cascais nunca mais, o Polir as calçadas, o Visto isso e os autos, Seca e Meca, olivais de Santarém e Passar as passas do Algarve.
A rambóia é Lisboa das docas: a bebedeira dos marinheiros ingleses - a rainbow ( o arco íris)- a originou; o café de lepes tem a mesma origem, como o guines. O mariola do Cais da Ribeira tem a raiz no mar. Os amigos de Peniche são os soldados de Pombal que vêm para policiar o pós terramoto, abarracam na Patriarcal queimada e não policiam nada.
E da passagem dos estrangeiros ficaram em Lisboa pelo menos os dois velhos dizeres: roupa dos franceses e para inglês ver."
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Leitão de Barros e Abel Manta, Corvos Volume 1

Para a Marta e demais confraria da rosa

Recordarem a Françoise Hardy, rosto e voz e "mon amie la Rose"...

Os dias voam mesmo!

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Faz hoje um ano que abriu o melhor cabeleireiro do Mundo!
Porra que os dias passam mesmo a correr!

Ai passam, passam!

e pagou-lhes ???

transcrevo da edição on-line do expresso a entrevista a carmona rodrigues:

P Como é que conheceu o senhor Névoa, da Bragaparques?

R Quem trouxe a Bragaparques para Lisboa foi o dr. João Soares, convém lembrar. No princípio do mandato do dr. Santana Lopes, era eu vereador, e um dia ele disse-me: estão ali uns indivíduos, não tenho tempo, podes recebê-los? Entraram várias pessoas e diz-me o sr. Névoa: temos que resolver o caso do parque de estacionamento da Praça da Figueira. Mas o que é que se passa? Falta pagar. Mas o quê, alguma factura? Falta pagar o parque. Mas o quê, não receberam factura? Nunca houve factura. Mas houve contrato? Não, nunca houve contrato. Mas houve um concurso? Não não houve concurso. Mas há um protocolo, uma nota de encomenda? Não. Mas há processo na câmara? Também não. Portanto o parque de Estacionamento da Praça da Figueira foi feito assim.


tirando aquela coisa patética do 'estão ali uns individuos, não tenho tempo, podes recebê-los'... o que me espanta nesta declarações é o seguinte:

1.o senhor névoa terá ido à câmara dizer que lhe deviam dinheiro.
2. o senhor carmona terá perguntado se faltava pagar alguma factura
3. o senhor névoa terá dito que não havia factura nenhuma
4. o senhor carmona terá perguntado se havia contrato.
5. o senhor névoa terá dito que não havia contrato.
6. o senhor carmona terá perguntado teria havido um concurso
7. o senhor névoa terá respondido que não houve concurso.
8. o senhor carmona terá perguntado se havia um protocolo ou uma nota de encomenda
9. o senhor névoa terá respondo que não existia nenhum protocolo nem nenhuma nota de encomenda.

10. o senhor carmona diz que a câmara pagou.


pagou ??????????

e quem mandou pagar uma coisa que, de acordo com a informação de que o senhor carmona, pessoalmente, dispunha não tinha nenhum suporte legal, não tem que responder por isso?
e ainda tem a lata de aparecer como ingénuo impoluto?

obviamente, não tenho a certeza se o processo de construção do parque de estancionamento da praça da figueira está ou não isento de ilegalidades.
compete à policia judiciária investigar.
mas alguém que diz que pagou a uma pessoa que lhe confirmava a cada pergunta que o processo era completamente ilegal (e que afirma isso publicamente no mais lido semanário português) não vai responder por isso?

percebe-se assim porque chorou ao anunciar o nome dde fontão de carvalho, o seu colega de lista e braço direito na gestão camarária.

patético !

e até agora
inimputável...
....

5 de junho de 2007

Um palácio...

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Um dos exemplos de arquitectura joanina. Fundado em 1739. Uns chamam-lhe Palácio dos Galvões Mexias ou , "na boca popular", Palácio Pimenta. Pouco se sabe do palácio, apenas que foi integrado " em dilatada e prazenteira quinta".
Segundo alguns, foi construído por Dom João V para a Madre Paula " abadessa de Odivelas a quem chamavam a Pimenta". Nada está provado porém. Apontam Carlos Mardel ou talvez Ludovice como autores do risco desta residência senhorial lisboeta. Pertenceu ao Conde Farrobo. Já aqui se falou dele. E que foi pertença de Manuel Joaquim Pimenta, homem a quem o conde era devedor.
No tempo em que Norbero de Araújo escrevia o seu precioso inventário, este palácio foi adquirido pela CML. Reconhecem?
(post completamente centrado no Inventário de Norberto de Araújo

3 de junho de 2007

As Marchas de Lisboa

Letra de Norberto de Araújo
Música: Raul Ferrão

Vai de coração ao alto,
Nasce a lua,
E a marcha segue contente.
As pedrinhas de basalto
Cá da rua
Nem sentem passar a gente.
Nos bairros desta cidade
Encantada,
Tudo serve de alegria.
E faz-se alegre a saudade
No toque da alvorada,
No toque de Avé-Maria.
Lá vai Lisboa
Com a saia cor do mar,
E cada bairro é um noivo
Que com ela vai casar!
Ai! vai Lisboa
Com seu arquinho e balão,
Com. cantiguinhas na boca
E amores no coração

Ouvir aqui!

Muito obrigada Senhor Dom Bic:)

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Nascidas pela mão do nosso amigo Leitão de Barros, já fazem 75 anos.
Estas fotos são de 1950 e de Judah Benoliel. Muito especialmente dedicadas à nossa amiga Morgaine, a rainha de S. Vicente!

Os Ellery Queen






Desde miúda que via o meu pai comprar estas revistas. As capas eram empolgantes. Coloridas e assustadoras. Só me deixaram começar a lê-las aos doze anos. Afinal o crime não era para crianças impressionáveis. De alguns que herdei do meu pai, acrescentei muitos outros que fui comprando em alfarrabistas. São contos dos melhores escritores policiais de todos os tempos. Numa edição brasileira. Aqui em Lisboa uma edição semelhante, da Vampiro, não vingou. Certo que existiam as colectâneas do Ross Pynn, mas era diferente. Eram livros grossos, não tinham esta plasticidade. Se as leituras policiais da minha avó me incitaram a ler Agatha Christie, estes magazines levaram-se a ser mais ecléctica e a saborear o Cain, Ross McDonald, Hammett e uma profusão de outros imaginários. Deixaram-me todos esta paixão por livros policiais de que ainda padeço. Com todo o gosto.

Clicar nas imagens para ampliar. elas merecem
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"Tenho uma vizinha no 4º andar, que todas as noites atira da janela um embrulho em forma de "puding", quase sempre de peixe, envolto quem sabe se nas suas crónicas , e que é a soma ou total do lixo diário lá de casa. Já me ia caindo uma vez na cabeça. Apesar de andar acolchoada a raposas e ter cachuchos, a dama em questão não tem sopeira, e acha que é feio ir ao caixote. Faz as compras pelo processo do cesto e cordel, de combinação com o marçano da frente, e faz as descargas pelo processo de vómito nocturno e jornalístico. Àquela hora os cívicos andam neurasténicos e não passam na rua.
Que hei-de fazer para pôr a pinha no seguro?"

(cartas de leitores a Leitão de Barros, desenho de Abel Manta, nos Corvos, 1º volume)

2 de junho de 2007

O manjerico

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É um euro, menina! Um manjerico um euro!
Mas não o cheire que ele murcha!
Pronto lá comprei o primeiro manjerico do ano. Tudo anuncia o calor e a festas da cidade. E o manjerico ameaça prosperar. Cheio de vontade de água. E de crescer.

1 de junho de 2007

Classificados

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Uma exposição de Carlos No, na www.arthobler.com.

Curiosa não?

1 de Junho

O álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles está de parabéns, faz hoje 40anos.
Foi lançado no dia 1 de Junho de 1967 e, em 2003, foi considerado pela Revista Rolling Stone como o melhor álbum de rock de todos os tempos.



O top-ten da lista “melhores 500 álbuns de todos os tempos”, segundo aquela revista, é:

1 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles)
2 - Pet Sounds (The Beach Boys)
3 – Revolver (The Beatles)
4 - Highway 61 Revisited (Bob Dylan)
5 - Rubber Soul (The Beatles)
6 - What's Going On (Marvin Gaye)
7 - Exile on Main St. (The Rolling Stones)
8 - London Calling (The Clash)
9 - Blonde on Blonde (Bob Dylan)
10 - The Beatles (Álbum Branco) (The Beatles)

a trienal de lisboa e os vazios urbanos

começou ontem em lisboa a 1ª trienal de arquitectura que, tendo muitos pólos interessantes, tem uma especial atenção ao tema dos 'vazios urbanos'
os vazios urbanos são aqueles grandes espaços desocupados dentro das cidades e que os arquitectos, incapazes de verem alguma nesga de terreno sem uma construçãozinha, avançam no antigo pavilhão de portugal da expo com um conjunto de propostas para encher esses imensos descampados (entendem por descampados o oposto do que a palavra sugere: descampado é um simples campo... sem nada construído nele) com cimentos, pedras, aços, vidros e outras matérias que tanta falta nos fazem para nos fazer sentir felizes.

sempre na linha da frente, a cidade de viseu não queria deixar de participar nesta trienal e, mesmo não tendo sido convidada e nem tendo nenhum pólo de actividades proposto, avançou sózinha com o projecto 'vazios urbanos' em que se propõe ocupar o imenso relvado em frente do hotel montebelo.

tal como na exposição do parque das nações, aqui a foto do 'vazio urbano'

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e aqui a foto do projecto viseense:

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onde ir nos dias 15 e 16 de junho?

a viseu, seguramente !!

o teatro viriato vai organizar o programa 'viseu a 15 do 6'. com um notável naipe de excelentes propostas de que me permito descatar algumas pérolas:
no dia 15, no adro da sé, por uns míseros 10 euros (com direito a desconto em hoteis e restaurantes contra a apresentação do bilhete), temos os 'cordel do fogo encantado'.
esta excelente banda de arcoverde, pernambuco, de que já falámos 'aqui à atrasado' é uma das mais inovadoras e promissoras bandas do brasil.

cordel fogo encantado: (clicar para o video)

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no dia seguinte, pelas ruas de viseu, andarão no dia 16 os
'anonima nuvolari'
conheci esta banda de italianos residentes em portugal, reunidos à volta de donatello nuvolari, num jantar da empresa onde trabalhava.
todos gostámos tanto deles, que já os ouvi mais duas vezes em actividades daquela empresa (mesmo já não trabalhando lá...)
é um grupo de músicos que têm tanto de excelentes como de loucos e que nos fazem vibrar com cada actuação.
é uma verdadeira festa de rua.
imperdível !!!!

anonima nuvolari (clicar para o video)
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à noite, no adro da sé, os mountain tales.
os mountain tales são o resultado da junção das deslumbrantes polifonias búlgaras do grupo 'angelite' com os huun-huur-tu (os tuvianos já com direito a uma semana comemorativa aqui na casa) e o jazz dos russos do moscow art trio.
imperdoável perder a quem estiver num raio inferior a 100 quilómetros.

montain tales (clicar para o video)

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viseu parece estar vivo e a recomendar-se.
felizmente !