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27 de novembro de 2013

o ministério público contra o pequeno roubo



o ministério público pediu pena suspensa para os arguidos no caso dos submarinos e sublinhou que os arguidos portugueses deste processo devem ter uma pena mais branda por terem sido pressionados a prometer falsas contrapartidas.
o ministério público da madeira pediu a absolvição dos acusados num processo sobre crimes de fraude, fraude qualificada, fraude contra a segurança social e branqueamento de capitais que envolvia a criação duma off-shore para evitar pagamentos devidos de impostos..

agora o ministério público pede a condenação de um adolescente por umas pizzas no valor de 31 euros..
acho bem que sirva de exemplo para os que querem roubar:

se é para burlar, que sejam milhões.
se forem dezenas, vão condenados

a pequena economia (do roubo) não ajuda ao crescimento nem à exportação (de capitais) nem ao desenvolvimento (dos criminosos).

4 de novembro de 2013

Educação pública ou privada

Para quem se preocupa com a temática educação, para quem a pensa com algum distanciamento, esta é uma reportagem a ver, e perceber o que se está a pensar continuar a incrementar. Não é uma 'grande reportagem', mas é intelectualmente muito honesta, da jornalista Ana Leal da TVI. É longa e desculpem-me a publicidade agregada à peça. Ver  aqui

24 de julho de 2013

Campanha da cal


Quase sempre na vida quotidiana, e na política também, são as coisas simples que melhoram a nossa qualidade de vida.

22 de julho de 2013

Croché e as boas ideias

Há terras que nos surpreendem pela simplicidade dos processos de construção da qualidade de vida das suas populações.
Este projecto, com o qual alegremente nos confrontamos em Constância, resulta tão bem, que aqui o quero partilhar, ressalvando que para além do bonito resultado visual, a execução passou pela união do fazer e saber fazer de variados intervenientes, formações e idades. Não gostando quase nada de croché, gostei muito de passear no Jardim Ribeirinho de Constância.



















23 de junho de 2013

Pormenores




















A arquitectura tens destas coisas! Há pormenores que me prendem o olhar! Beiral, cinco simples óculos numa fachada branca e um banco de pedra bujardada! Pormenores que datam e definem bem o edifício.

24 de abril de 2013

País alegre!
















~


Com a sapiência própria da criança, ouvi hoje a melhor definição do 25 de Abril:
- Éramos um país triste e, com o 25 de Abril, ficámos um país alegre!

31 de março de 2013

Inundações




Já estou farto destes dias intermináveis de chuva, dão cabo do juízo a qualquer um. Mas por enquanto, apesar da neura, ainda não estou tolo de todo.
Com os solos ensopados, com as bacias de retenção cheias, continuando a chover desta maneira é natural e esperado que os rios saiam do seu leito de curso normal e transbordem para os terrenos das suas margens, espaço que é seu por natureza, o leito de cheia.
Tradicional e historicamente os habitantes não urbanos destas áreas anseiam por estes dias. O rio cheio traz aos terrenos os detritos que o fertilizam, transformando terrenos arenosos em áreas de boa aptidão agrícola.
Nestes dias, além da chuva, chateia-me o corrupio de repórteres as estes locais à procura de tragédia, os quais, com um ar sério e de caso, só encontram povoações felizes apesar de isoladas, vivendo este quotidiano que lhes traz riqueza, com enorme normalidade.
Para inglória destes jornalistas, casas inundadas, equipamento urbano submerso ou estradas intransitáveis só nas áreas urbanas teimosamente ocupadas aos rios.

Foto retirada em http://assimterraceu.blogspot.pt 

13 de março de 2013

o espírito dos dias que correm

cada vez mais esta é a sensação:

muitos a espreitar o banquete de poucos


(quadro de guilherme filipe, no restaurante o pascoal, em fajão)

diálogo lisboeta

este sábado, num talho da morais soares, mãe e filha estão ao balcão a ser atendidas.
diz a filha ao olhar para o talhante a cortar uns bifes:
-ò mãe, não gostava nada de ser vaca..
responde a avisada e experiente mãe:
- eu não gostava era de ser boi.

eu trouxe hamburgers de cavalo, não fosse o diabo tecê-las...

31 de janeiro de 2013

a culpa é do vinho

os governantes portugueses são uma espécie única com um complexo e absolutamente singular modo de processamento cognitivo: perante um problema (seja de que natureza for), arranjam a pior e mais abstrusa solução possível.
e cada dia conseguem uma pior que a anterior.
por exemplo, quando faltou a chuva, a ministra cristas resolveu o assunto... rezando.
agora vem uma proposta absolutamente delirante para resolver o problema dos suicídios em portugal:
aumentar o preço das bebidas alcoólicas !!!!
não passa pela cabeça destas mentes peregrinas que nem todos os deprimidos são dados a beber álcool nem que a solução para um problema é atacar uma das suas possíveis consequências, em vez da questão de fundo.
se uma pessoas está desempregada, a solução claro que não é criar condições para aumentar os postos de trabalho disponíveis.
a solução destas aves raras é aumentar o preço do álcool, ou mais radical ainda, fechar coercivamente todas as tascas, bares ou outros locais fomentadores do suicídios (cortar as árvores e proibir barrotes de sustentação de tectos também me parece uma boa ideia...).
tirando aquela parte escondida que é, se aumentar o preço do álcool é porque cobramos mais impostos mas ninguém nos pode acusar porque não é por causa do dinheiro, mas sim pelos suicídios.
todos sabemos (o governo devia saber mais que ninguém) que não é o álcool que leva ao suicídio.
o álcool é aquilo que vai mantendo as pessoas vivas antes de já nem isso lhe valer a pena para acharem que vale a pena.
claro que o aumento do preço do álcool leva ao fecho de muitas empresas e a mais despedimentos e a mais depressões e a mais suicídios, mas isso passa a resolver-se com o aumento dos impostos para as cordas; portagens em pequenas pontes, ou acesso pago a encostas escarpadas.
este é um governo de ineptos.
este é um governo de sanguessugas acéfalas.
este governo leva ao suicídio.
está na hora de o proibir !!!


30 de janeiro de 2013

em que ficamos?

um estudo publicado pela american sociologial review sobre a igualdade, trabalho doméstico e frequência sexual no casamento (egalitarianism, housework, and sexual frequency in marriage), conclui que os homens que se dedicam às tarefas tradicionalmente realizadas pelas mulheres em casa, têm menos relações sexuais do que aqueles que se comportam como machos.
a explicação para o facto tem a ver com os padrões associados ao macho e ao que a fêmea espera do macho.
assim, seriamos levados a achar que as mulheres desses homens perdem o desejo sexual pelo macho efeminado e os machos efeminados perdem o apetite pela fêmea.
a simples ideia de estar um pouco mais cansado que o habitual porque tem que dar mais ao cabedal a aspirar a casa, estender a roupa ou a fazer o comer, não entra nos considerandos.
estamos perante apenas a atitude de galo que enche o peito para a galinha se pôr por baixo.
ficamos a saber nós, homens, que o melhor (se queremos continuar a ter sexo regular) é  abandonar essas mariquices de tratar dos trabalhos domésticos.
nada como futebol, carros e coçar os ditos para estarem preparados para a função.

o problema deste estudo é que conclui uma outra coisa diametralmente oposta daquele que também conclui:
é que o deixar de realizar os trabalhos domésticos pode levar as fêmeas aq recusarem o sexo como represália.
então como ficamos?
lavo ou não a loiça hoje à noite?
resigno-me à minha falta de apetite sexual ou à represália alheia?
a bem ver, uma e outra levam à mesma coisa..


24 de janeiro de 2013

O mais importante



















"O mais importante na vida não é a situação em que nos encontramos, mas a direcção para a qual nos movemos" Oliver Wendell Homes (1809 - 1894), escritor norte-americano. Esta frase encima a contracapa do Público de 23 Jan. 2013.
Ligeiramente abaixo, no lugar e em vez da crónica do Rui Tavares, aparece uma notícia com o titulo "Ministro diz que idosos doentes devem "morrer rapidamente para bem da economia".
Apesar de não se tratar de um ministro de Portugal, mas sim do Japão, fico estupefacto a pensar em que direcção nos movemos. Não pode ser verdade.

Foto retirada em aqui

16 de janeiro de 2013

queluz no novo mapa autárquico pensado com os pés

o senhor silva acabou de promulgar a nova lei autárquica que redistribui a organização das freguesias em portugal.
independentemente dos recursos que muitas freguesias vão colocar nos tribunais, o agrupamento das freguesias de queluz no no mapa é uma coisa que não lembra ao diabo, mas lembrou à unidade técnica para a reorganização do território.
segundo estes senhores, que propõem dois desenhos para a divisão do concelho de sintra, a reorganização das freguesias da cidade de queluz deve ser feita do seguinte modo:
1. união das freguesias de queluz e belas
2. união das freguesias de massamá e monte abraão.

para tal considera o facto de queluz e belas terem 'constituído uma unidade administrativa no passado' (também podiam ter considerado o facto de belas ter sido concelho...) 'possuindo relações históricas e territoriais assinaláveis' (as mesmas que tem com a amadora e menos do que tem com queluz de baixo...)
e partindo vagamente dos mesmos pressupostos relativamente a massamá e monte abraão (ambas antigas localidades da freguesia de queluz e desanexada aquando da passagem de queluz a cidade e a sua divisão em 3 freguesias.

as minhas dúvidas (que seguramente não assaltaram a unidade técnica) são:
1. a cidade de queluz vai ficar com duas freguesias em união de facto e uma terceira em união com uma outra localidade externa à cidade.
ou seja, metade da futura união das freguesias de queluz e belas vai pertencer à cidade de queluz e a outra metade não.
não existindo, imagino eu, a actual divisão territorial, até onde passaremos a considerar o território da cidade  de queluz se a antiga linha de divisão da freguesia deixa de existir?
2. aquela unidade territorial conhecida como massamá norte tem cerca de 90% do seu território na freguesia de belas.
de acordo com o novo mapa, massamá vai continuar a estar dividida em duas freguesias: a de massamá com a sua parte sul e uma pequena parte do norte, e a imensa maioria da parte norte na outra ponta, em queluz ou belas.
3. reorganizar o território devia significar: reorganizar.
afinal apenas significa juntar coisas, mesmo que as antigas coisas não fizessem sentido, como no caso de massamá norte.

a minha conclusão só pode ser que esta gente pensa com os pés...

15 de janeiro de 2013

A República das Piiiiiiiiiiiiiii


























Sexta-feira li no Público um artigo de que gostei bastante, intitulado ‘A República das Piiiiiis’ de João Magueijo , o 12º da série ‘Que Valores para 2013?’.
O artigo fez-me pensar.
É uma visão da situação portuguesa/europeia quase coincidente com a minha. Vejamos:
“Como Skvorecky notava, as "piiiiiis" que tinham antes vendido o seu país aos nazis eram as mesmas que agora acolhiam os soviéticos (e mais tarde, muito depois de o livro [A República das Piiiiiis] ser publicado, acolheriam o capitalismo selvagem, sem que ele o soubesse). O mesmo se passa no nosso caso: não tenham dúvidas de que em tempos de fascismo os nossos primeiros-ministros teriam sido rapazes de sucesso. Mas de certa forma estamos a bater no ceguinho. Se eles (e nós, por extensão) fizeram figuras tristes e agora estamos a pagar por isso, houve quem fez pior e se está agora a rir. Os usurários mundiais nem sequer construíram túneis inúteis: construíram castelos de valores inexistentes, que continuam a crescer e a alimentar a sua ganância. Até isto se resolver falemos de tourada, porque não faz muito sentido discutir o estado da nossa sociedade, e o demais, em 2013.”
E continua:
“Sim, éramos um país de pobres que passou temporariamente a um país de novos-ricos. Mas agora somos um país de novos-pobres: miúdos cheios de talento desempregados há dois anos, pessoal de ponta a emigrar para o estrangeiro, médicos educados cá a colmatarem as faltas de sistema de saúde inglês... um desperdício óbvio de uma geração. Em vez de usarmos estas fontes de rendimento, deixámos os tanques financeiros entrar pelo país, para aumentar os impostos e baixar os salários, já de si entre os mais baixos da Europa.”
E conclui:
“Muita da nossa dívida, e consequente austeridade, não é legítima, em perfeita analogia com as dívidas contraídas pelas prostitutas, e que as mantêm nas malhas dos seus donos. Se a nível mundial algo tem de ser feito para refrear os chulos financeiros, a nível nacional um corte com o passado seria um primeiro passo. Ou então que se dê o Prémio Nobel da Economia à Dona Branca. E viva a República das Piiiis.”
Infelizmente a versão online do artigo está reservada a assinante.

28 de dezembro de 2012

Na Rua da Vitória


Na rua da Vitória, ao lado da igreja que lhe dá o nome, existe um marco de correio. O envio de uma mensagem, notícia ou lembrança pelo correio está em desuso.
Talvez por isso, cada vez mais se comunica directamente, utilizando os mais variados códigos e suportes para as mensagens, notícias ou lembranças que se querem dar ou transmitir. Do outro lado da rua, em frente da igreja, existem estes exemplos:


A Beata
O Observador

Melhoras duradouras

Glorias Passadas

8 de dezembro de 2012

Idiotas úteis









































Estava hoje a urinar numa casa-de-banho pública e reparei que tinham desenhado uma mosca preta na loiça branca do mictório. Certamente esta bela ideia tem a intenção de contrariar a fama, e talvez o proveito, que os homens têm falta de pontaria na função.
Contudo, contrariando esta excelente intenção, só consegui associar a ideia da mosca plantada à frase dita ontem por um amigo, referindo-se aos actuais políticos e às suas associações aos interesses instalados:
- Eles são um bando de idiotas úteis.

29 de outubro de 2012

em barcelos a crise atinge também os mortos




há uns anos que os vivos de panque, barcelos andam a prometer obras no seu cemitério.
talvez por ser mais importante uma inauguraçãozinha num largo qualquer, a obra necessária para os mortos foi sendo sempre ultrapassada por algumas desnecessárias para os vivos.

panque já tinha sido noticia há uns tempos porque durante o restauro de uma igreja da freguesia (são martinho, mondim) ali tinha sido descoberto uma antiga necrópole bastante activa na idade média.
como tem acontecido muito por barcelos, as intervenções feitas ficam pela obra de fachada num momento para depois caírem no esquecimento e na degradação total, que era como estava essa necrópole nos últimos anos (não sei exactamente como andará agora que não ando por barcelos há uns 2 anos).
já aqui falei algumas vezes do abandono total do castelo de faria, mas esta necrópole só não é tão grave porque, de facto, a sua importância é bastante reduzida comparativamente ao castelo, determinante na fundação de portugal enquanto nação independente.

hoje, panque voltou a ser notícia pelos seus mortos.
é que o cemitério de tão ocupado que está, tem agora os seus mortos a ser enterrados nos passeios do dito.
não sei exactamente como os vivos chegam agora às campas dos mortos, ja que os passeios têm mortos também, mas provavellmente os mortos têm tempo para esperar
a verdade é que se para os vivos as coisas não andam fáceis por barcelos, para os mortos não andam melhores.
a diferença é que que aos mortos já nada lhes importa.



24 de outubro de 2012

A LÍNGUA DAS VARINAS



"Os pudibundos dizem que a linguagem das varinas da Madragoa, faz corar qualquer um, mas, felizmente, há quem encontre naquele vocabulário as delícias dos dicionaristas. Varinas (que quase não há) e Madragoa (que vai subsistindo) têm apenas um ocasional ponto de encontro geográfico naquele bairro lisboeta. As varinas (ou as suas bisavós ovarinas, mais ou menos recentes) vieram nos bandos dos pescadores de Ovar que procuravam melhores condições de vida e foram criar a Caparica, as «palafitas» dos saveiros do Tejo e se alongaram mesmo até ao Algarve num percurso ainda hoje sinalizável. A Madragoa, hoje um bairro com características dos século XVIII e XIX, é de origem árabe. Madragoa, era a mulher ordinária, desarranjada ou excentricamente vestida. Ainda não há muito tempo, escrevia Aquilino Ribeiro na Estrada de Santiago: «Apanhasses-te tu em Britiande e que vá arrancar-se com quanta bófia tem (...) assim mesmo a grandessíssima madragoa"
Roby Amorim  "Elucidário de Conhecimentos quase Inúteis", Edições Salamandra, 1985.


Fotografia: Joshua Benoliel 1912 

23 de outubro de 2012

Quiosque

"O homem do quiosque acabava de tirar os taipais e expunha a mercado-ria: jornais, revistas e folhetos, cautelas, a lista da. Santa Casa. [..] Dentro do quiosque, era ainda noite escura, Cheirava a limão, capilé, café requentado, charuto de picar, e o garoto aspirou com delícia estes aromas. O homem agachou-se, saiu pela portinhola debaixo do balcão, e continuou a pendurar a fazenda. — Olha o Texas-Jack. Este ainda a gente não leu. Oh, paizinho, compre-nos o Texas-Jack!"



 Escola do Paraíso, José Rodrigues Migueis
Fotos do Arquivo Municipal de Lisboa

17 de outubro de 2012

Ranking das escolas

























Malala Yousafzai lutou para frequentar a escola. Agora luta pela vida. Em que lugar do ranking se coloca a escola que ela venha a frequentar?
Malala Yousafsai vem lembrar-nos que o único lugar que a escola deve ocupar é o da sua função social de formar pessoas. 
O ranking consegue inverter a visão das coisas. Desvia-nos a atenção do essencial!   Ainda hoje, em Portugal, há crianças que após a menarca são impedidas de continuar a frequentar a escola! Ainda existem pessoas que não sabem escrever o seu nome! Existem muitas crianças que vão à escola ter a única refeição quente do dia! Ainda existem muitas crianças sem hipótese de saber o que é ter o seu material escolar. Ainda...
Não existe ranking para as escolas que cumprem a sua função social.

foto em abcnews.go.com 

[A propósito, o ministro Gaspar diz que está a retribuir o alto investimento que o país teve na sua formação. Em que lugar do ranking colocam as escolas que ele frequentou?]