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2 de outubro de 2013

como um suborno era pago pelo erário público

phillipe ubert queria ser abridor ao serviço da princesa e para isso mandou, em gênero de ‘cunha abridora’, 3 camafeus à princesa.
a princesa, que já tinha um abridor ao seu serviço, mandou avaliar, através do dito abridor, os ditos camafeus para que o erário público pagasse, ao que a tentou subornar, o valor dos camafeus, que a princesa para si guardou....




o príncipe regente nosso senhor, querendo indeminizar o abridor que ofereceu a s.a.r. a princesa nossa senhora uns camafeus; e não parecendo justo ao mesmo senhor dar-lhe o emprego que solicitava, visto que actualmente tem um excelente abridor português do mesmo género ao seu real serviço; houve por bem determinar que vossa mercê procurando a d. maria moscoso, para que confie os mesmos camafeus os faça avaliar por josé antónio do valle, que é o sobredito abridor português; e informe sobre o seu justo valor, a fim de se fazer pelo real erário a competente gratificação que s.a.r. tem ordenado. o que participo a vossa mercê para assim executar.
deus guarda e vossa mercê.
paço de queluz em 2 de dezembro de 1802

d. rodrigo de souza coutinho

1 de outubro de 2013

o palácio de queluz no inventário monumental


dados da sua construção, restauração ou reconstrução: os trabalhos da actual construção começaram em 1747, progredindo regularmente até 1786, ano em que faleceu d. pedro III, apenas interrompidas, ou pelo menos com significante desenvolvimento, nos 5 anos que se seguiram ao do terremoto de 1755, mais tarde tornaram a ter certo desenvolvimento essas obras que nunca no entanto chegaram rigorosamente e considerar-se concluídas.

26 de setembro de 2013

uma carta da extremosa mãe ao seu amado filho


a 29 de outubro de 1826, carlota joaquina escrevia em queluz mais uma carta ao seu filho miguel avisando-o que tinha um pouco mais inimigos que amigos.

‘ainda que não tenha tido resposta nenhuma tua a três cartas que te escrevi, uma em 7 de julho, outra em 28 de agosto e a terceira em 23 de setembro, não hei-de deixar de te avisar de tudo o que saiba a teu respeito, para que estejas prevenido e não caias nos laços que te querem armar, para tua e nossa desgraça.

peço-te que ainda que te preguem e pintem com todas as boas cores que eles possam a tua ida para o rio de janeiro, que não vás, porque eu sei que é para te agarrarem lá e darem cabo de ti; nem metas o pé em nenhuma embarcação e muito menos na nau que vier do rio de janeiro buscar-te…’

dois anos depois o rei absolutista tomava posse

1 de junho de 2012

boston-cincinnati





 

hoje enquanto dava uma vista de olhos pela nba.tv para saber a que horas começava o directo do jogo dos playoffs, lembrei-me do jogo que mais vezes vi na vida.
era eu um puto no começo da adolescência quando apareceu pelo 'atlético' (o de queluz, obviamente) um bobine com o filme de um jogo dos playoffs de 63/64 entre boston e cincinnati.
eu e os meus amigos tinhamos crescido a ver basquetebol no campo das tábuas na 9 de abril ou no ginásio da antónio enes, ainda antes do 'moderníssimo' campo de jogos ao ar livre e piso de cimento que hoje ainda está, decrépito, ao lado do actual pavilhão.
aquela maravilha, projectada numa máquina que por não sei artes alguém tinha arranjado com o 'apoio' da mobil, era a delicia dos amantes de basquetebol.


mesmo que ao tempo não soubesse que estava a ver verdadeiras lendas (oscar robertson por cincinnati e bill russel por boston, o número 6 nunca mais foi usado por ninguém na sua equipa, para citar os que mais perduraram no tempo)
a equipa de boston, os celtics, eram ao tempo uma máquina trituradora de adversários e o filme era uma espécie de demonstração do facto.
durante muitos anos aquele jogo e aquela conjugação de nomes sempre me esteve na cabeça.
mas a verdade é que nunca mais ouvi falar em nenhuma equipa de basquetebol, na nba, sediada em cincinnati.
ao contrário do de acontece na tradição europeia de clubes, nos estados unidos alguém compra um clube e leva-o para a cidade onde pode ganhar mais financiadores (poucas equipas estiveram sempre no mesmo lugar: por exemplo, os lakers começaram em minneapolis, de onde vem o seu nome, por causa da quantidade de lagos do estado).
há uns tempos tentei tirar a limpo a questão de saber o que tinha acontecido à equipa de cincinnati da minha memória.
a dita equipa começou como rochester royals onde esteve entre 45 e 57. seguiu depois para cincinnati como cincinnati royals onde esteve entre 57 e 72.
passou em 72 para kansas city-omaha kings durante duas épocas e perdeu o omaha nos 10 anos seguintes.
em 1985 tornou-se a actual sacramento kings.
historicamente foi sempre muito pobre, exceptuando os anos de cincinnati, quando era presença regular nos playoffs (nunca mais, antes ou depois de cincinnati, voltaram a estar em qualquer playoff).
mas nunca mais tiveram um jogador com a classe de oscar robertson.

hoje a única dificuldade para ver um jogo em directo da nba, é esperar pela 1 da manhã..
os tempos estão muito fáceis...

14 de fevereiro de 2012

custa assim tanto fazer bem à primeira??





















há uns tempos comentei aqui uma rampa para deficientes em massamá que acabava ornamentada por um candeeiro que só estava ali mesmo para impedir que fosse usada.

passados alguns anos, a nobre junta de freguesia resolveu fazer mais uma obra no mesmíssimo local (para sermos exactos, a uns 10 metros da rampa aqui falada) e, aprendendo com o erro anterior, não lhe colocou nenhum candeeiro na ponta.

mas como aquelas mentes só aprendem uma coisa de cada vez, esqueceram-se de utilizar um pouco do cimento que lhes sobrou para fazer um remate biselado no lambril do passeio, para permitir que quem usa cadeira de rodas não tenha que fazer uma manobra tão desnecessária como difícil.

custa assim tanto fazer bem à primeira?
ok, custa!
mas à segunda???? continua a custar tanto?

8 de abril de 2011

pode um acidente no viaduto de tercena ser prejudicial para a dieta?

pode !!!

ontem, ao final da tarde, um acidente no viaduto de tercena fez parar o trânsito no ic19.
essa paragem obrigou-me a um passeio turístico pela cova da moura, damaia, amadora, queluz... e, perigo dos perigos, passar pela zona da ponte pedrinha.
o que tem isto a ver com a dieta e os nível de colestrol?

tudo !

como pode um pacato cidadão sobreviver a uma passagem pelos arcos sem ter que estacionar o carro e ir fazer uma romagem á marianita e atestar o carro de deliciosos a pornograficamente quentinhos pastéis de nata e frescos duchaises??

não pode!
essa é a questão..
cuidado com o trânsito, muito cuidado !!!

20 de outubro de 2010

o zé está melhor !


o zé cresceu comigo em queluz. já aqui falei disso
toda a vida o conheci, mesmo sendo ele ligeiramente mais novo que eu.
conheci quando tinha uma pequena mancha na cara que foi alastrando.
ainda trabalhava, acho que numa drogaria, tanto quanto me recordo.
fui acompanhando à distância o seu pesadelo, quer da doença que alastrava, quer dos miúdos que o provocavam (e como os miúdos sabem e gostam de ser maus...)
do seu 'refúgio' na estação de queluz, depois no cruzamento da ponte carenque, para acabar como bizarra atracção turística no rossio.
há 3 meses o zé foi para chicago para ser tratado no st.joseph hospital.
a foto e a notícia divulgadas pela cadeia televisiva abc mostra o zé com o rosto bastante alterado, para melhor.
não é a cura, nem o regresso à normalidade, mas é uma melhoria notável.
o zé merecia.

20 de agosto de 2010

a cidade de queluz existe?


por vezes temos dúvidas metafísicas que nos assaltam nos momentos mais inesperados.
hoje, enquanto lia o jornal, tropecei numa conversa sobre queluz, a cidade e as suas freguesias.

eu nunca percebi muito bem a razão de algumas localidades terem tanto orgulho nas suas classificações administrativas, como se de um campeonato se tratasse.
moro em queluz desde 1953 (sim, há mais anos que bués).
ao tempo queluz era uma aldeia.
o pendão ainda era tratado pelos queluzenses como uma localidade autónoma; o bairro económico era uma enorme quinta, o monte abraão era bom para semear trigo e caçar coelhos, massamá era uma estrada ladeada de quintas e, vagamente, toda a gente se conhecia.
mas havia já a 'ferver' um movimento dos 'melhores' queluzenses para a elevação a vila, coisa que obteve em 1961.
foi uma imensa e merecida vitória, diziam os notáveis senhores.
queluz ficou igual ao que era: nem maior nem mais pequena, nem melhor nem pior.
mas 'a luta' não acabava ali. obtida a 'vila', havia que subir mais um lugar na classificação e passar a cidade.
e em 1997 lá passou queluz a poder chamar-se cidade, integrada por 3 freguesias.
a questão que me assaltou hoje ao ouvir a conversa de circunstância no café, foi se a soma de 3 freguesias que cresceram separadamente umas das outras (embora monte abraão e queluz ainda tivessem durante mais tempo alguma ligação funcional) serve para que esse conjunto possa ser chamado uma cidade.
para ser uma cidade, ou uma qualquer outra forma de classificação administrativa, seria necessário existir uma espécie de 'governo' comum, com uma estratégia de administração e desenvolvimento que fosse pensada e feita para o conjunto das freguesias que constituem a cidade.
o que vemos hoje é cada freguesia a puxar pelos seus galões ignorando olimpicamente a outra, privilegiando claramente os intereses pessoais, carreiristas e partidários contra os interesses do aglomerado urbano e dos seus habitantes.
a cidade de queluz não existe !
é uma ficção administrativa.
mas podia existir, e seria útil que existisse, se 'a cidade' tivesse, de facto, uma forma de gestão que funcionasse para o conjunto da cidade.
hoje quem mora em massamá, jamais diz que mora em queluz (de facto o nome da cidade onde mora) e quase o mesmo se passa no monte abraão.

o triste nisto, é que ainda sem este assunto resolvido, o grande objectivo agora é o concelho.
como se a simples mudança administrativa resolvesse alguma coisa.
o exemplo da passagem a cidade não ajuda muito à causa, mesmo achando que a tal autonomia concelhia pudesse ajudar a resolver alguns assuntos de absurdos administrativos (como a divisão de massamá em duas freguesias, ou a separação de queluz de baixo (claramente integrada funcionalmente em queluz), noutro concelho.
a ver vamos, como diria o cego.

16 de junho de 2010

Para o carlos

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Mais Queluz de 1958, Revista Mundo

a 'mateus vicente de oliveira'

postou a t. há uns dias aqui umas fotos destinadas aos 'carlos' aqui da casa.
imagino que eu seja um deles, quer pela coincidência do nome, quer por ser de queluz há mais tempo do que me lembro de existir.
as 3 fotos eram da mesma zona: 2 da 'mateus vicente oliveira' e uma da 'rampa da estação'.
a 'mateus vicente de oliveira' (mvo, como agora se usa para evitar repetições e escrever em siglas, que fica sempre muito bem) era, ao tempo, provavelmente, a rua mais comercial de queluz.
na antónio enes eram fundamentalmente vivendas, a miguel bombarda, tirando a zona próximo da estação, tinha poucas lojas na sua extensão e a elias garcia, tendo mais em quantidade, tinha muito menos por metro linear.
a razão fundamental para tanto comércio naquela pequena rua era a existência da praça (em queluz sempre se chamou 'praça' aos mercados).
com uma entrada pela elias garcia e outra pela mvo, a praça era o pólo aglutinador do mais variado comércio de queluz.
hoje é uma espécie de rua 'das traseiras', entalada entre a antónio enes e a elias garcia,
e perdida a praça para a extremidade da rua, fez transferir pela o largo que envolve a praça grande parte do movimento que antes lhe tinha pertencido.
um regresso à mvo é, para mim, um regresso à minha infância, mais do que a minha juventude.
era no quintal ao lado da praça que estava a mais apetecível nespereira para a chinchada (sendo que as nespereiras já são, por si, a árvore por excelência da chinchada.
na mvo oliveira ficava uma serração, um clássico restaurante de queluz, algumas mercearias, de que a 'primor', mesmo em frente à praça, era o seu melhor exemplar, sapatarias, lojas de reparações de electrodomésticos (ainda hoje vi aberta, com o mesmo proprietária, já com uns 80 anos, pelo menos, a funcionar),a fotografada 'casa gina', onde se compravam os cigarros avulso antes de ir para a escola primária no palácio (ao tempo a venda de tabaco a crianças não tinha os efeitos que hoje tem), os cromos, desfolhavam algumas revistas e sim, tinha aquele maravilhosa peça eléctrica com um topo cilíndrico onde se 'apanhavam' as malhas das meias de vidro.

na adolescência era mais a rua onde moravam muitos dos meus amigos.
queluz era pequeno e todos éramos mais ou menos conhecidos ou amigos.


na primeira, o prédio à esquerda, sob as bandeiras de portugal e da suiça, é o local onde existiu a charcutaria 'primor'.
o da direita, no local onde está a placa, foi onde viveu o pintor moita macedo.
vizinho de tertúlias nocturnas na cave do 'alcaide', aos 4 caminhos (antes de se transformar numa cervejaria), juntamente com o artur bual e outros amigos.
infelizmente morreu muito cedo, tal como grande parte da sua família, quer a mulher, quer 3 dos seus filhos.
a segunda foto é do local onde existiu a casa gina.


aqui, a praça antiga (os prédios cor de rosa estão no lugar das míticas nespereiras) e a 'nova', construída nos terrenos duma antiga quinta, que por acaso, e tal como as duas quintas que ladeavam o jamor no local onde hoje está o parque urbano, tinham como caseiros familiares meus (um deles falecido a semana passada) e que mostravam alguma estranha coincidência de serem fajaenses a tratar das quintas de queluz nos anos 50/60

11 de março de 2010

quem foi a mente iluminada?


a avenida miguel bombarda era, até há uns meses, uma artéria singular em queluz.
teve os primeiros prédios 'em altura' da vila (5 pisos constantes era imenso para o queluz dos finais dos anos 40/começo de 50), e tinha uma particularidade: todos os pisos tinham um 'quintal'
o primeiro piso tinha o quintal na frente e os pisos superiores tinham o quintal na encosta das traseiras (o que funcionava também como travão a deslizamentos da encosta por via dos sucessivos patamares).
do lado esquerdo as casas térreas foram sendo substituídos por prédios ainda mais altos que tiraram a vista sobre os campos de trigo do monte abraão e deitaram a baixo todas as árvores do lado esquerdo, mas a imagem global da avenida mantinha-se.
ornada dos enormes plátanos que sobreviveram à fúria arrasadora e com os quintais a darem o tom.


(foto google earth)

com o aumento da pressão automobilística, os passeios viram-se invadidos por carros, dificultando consideravelmente a passagem de peões.
mas, para ultrapassar esse problema, o que decide a sempre brilhante autarquia de queluz?
disciplinar o estacionamento?
esse seria demasiado óbvio e minimamente inteligente.
a autarquia de queluz está sempre muitos passos à frente: ainda nós não imaginámos a ideia absurda, já eles estão atolados nela...
a decisão foi simplesmente arrasar todas as árvores e todos os quintais da avenida e dar ainda mais espaço para os carros a uma avenida que, depois da construção da nova estação ferroviária, viu diminuir consideravelmente o fluxo automobilístico por ter sido cortado o eixo fundamental que atravessava a cidade.
mas tinham um problema: a existência dos quintas na frente dos edifícios fazia subir a cota da entrada.



solução: umas absurdas e estupidamente feias escadas com ar de saída de emergência pelas traseiras repetidas agoniantemente avenida acima.
era mesmo muito difícil fazer pior mesmo para a autarquia queluzense...
é uma espécie de toque de midas, de efeito contrário

10 de março de 2010

queluz e a ponte pedrinha


no início do século 20, queluz era um pequeno burgo situado na espécie de encosta fronteira ao palácio.
com um comprimento de cerca de 500 metros entre o largo da enfermaria e o largo do sedovem, e uma largura de 300 metros entre a estrada da ponte pedrinha e a rua da estalagem.
coisa minúscula como podem imaginar
à distância de 1 quilómetro para norte ficava o lugar da ponte pedrinha.
um pequeno aglomerado de casas em volta da curva do aqueduto e no cruzamento da estrada lisboa-sintra com a de queluz-belas.
quando foi feita a ligação ferroviária entre lisboa e sintra, para que a família real se pudesse deslocar mais facilmente aos seus aposentos naquela vila, decidiram, obviamente, colocar um apeadeiro que servisse o seu palácio em queluz.
o local escolhido foi muito próximo do lugar da ponte pedrinha, coisa que ofendeu quer os de queluz, quer os de belas.
como não eram burros, a estação ficou no local previsto, mas chamou-se queluz-belas.



esta foto, dos arquivos municipais de lisboa, mostra a distância entre a estação e o pequeno aglomerado urbano naquele lugar da ponte pedrinha.
esta era a estrada que fazia a ligação entre queluz e belas. que atravessava a linha e seguia depois até ao pendão e belas.
ainda a conheci com muitas vivendas, hoje é esta a rua d. maria II e local dos melhores pasteis de nata do mundo e arredores, a marianita (quase ao fundo à direita)

9 de março de 2010

os caminhos da água em queluz


a necessidade de abastecer de água os lagos e repuxos (para tomar banho era mais perfumes) do palácio de queluz fez com que os terrenos a norte do antigo núcleo urbano fossem atravessados por duas grandes linhas de aquedutos, canalizações e minas que chegavam, um ao reservatório do miradouro e os outro directamente ao palácio ou aos jardins.
por oeste, do lado da tascoa, chegavam mais canalizações em chumbo que alimentavam o jardim inferior e a área da quinta.
a água que chegava directamente ao largo do palácio vinha da mina da gargantada, imediatamente a norte de carenque com um trajecto misto, primeiro em em aqueduto quase térreo, paralelo ao aqueduto das águas livres, mas a uma cota inferior e quase ao nível da ribeira de carenque até que na zona da actual avenida elias garcia entrava em mina até à 'mina velha' (no exacto local do antigo café referência de queluz com o mesmo nome), para depois descer pelo actual 'parque' até à antiga fonte dos namorados (no extremo sul do parque e extremo norte do antigo burgo) e continuar para a fonte/lago que existia aproximadamente no local onde hoje está a estátua da d. maria e das suas aias, uma (pelo menos) das quais 'roubada' à avenida da liberdade, em lisboa.
sob essa fonte (que recebia também a água do reservatório do miradouro) existia uma espécie de central distribuidora de água para os diversos locais do palácio e dos jardins, do edifício da torre e do chafariz junto ao bairro chinelo.
estas fotos são do aqueduto da gargantada na zona da actual estação elevatória de carenque, que é uma espécie de receptor geral das águas da epal para os smas de sintra.
a primeira é do início do século 20, tirada da estrada que é hoje a avenida elias garcia, no cruzamento com a aquiles machado.
a segunda é pelos anos 60, a avaliar pelas construções ao fundo
a terceira é de hoje, um pouco mais próxima porque os prédios não deixam ver do mesmo local.
o que esta terceira foto mostra, mais uma vez, é o estado a que a câmara de sintra e a junta de queluz transformaram o pouco património histórico do burgo:
um amontoado de lixo em traseiras de prédios, como que a pedir desculpa por aqueles calhaus ainda estarem ali de pé...
pela minha parte apenas lamento que a câmara e junta não tenham o mesmo tratamento que eles dão ao património de queluz




3 de março de 2010

o hotel verol, o hotel ladislau e manuel graça, glória do ciclismo nacional



existem, pelo menos que eu conheça, muito poucas referências históricas sobre queluz.
o peso do palácio sobre queluz é tão esmagador que todos os esforços para escrever sobre queluz ficam esgotados naquele edifício gigantesco cheio de histórias de rainhas loucas e sedentas de sexo e restante companhia a partilhar a antecipação da corrente swing.
as informações sobre o burgo de queluz são tão escassas que a minha primeira visita à biblioteca de queluz foi uma desilusão total.
ao perguntar por livros sobre queluz, o silêncio da resposta foi ensurdecedor...
talvez por isso a procura tenha mais interesse: cada pedacinho de informação leva a uma nova, e começam a pontas a poder ser juntas e a fazer sentido.

queluz tinha dois hoteis pelo começo do século 20:
o hotel verol e o hotel ladislau.
perto existiu também a rua da estalagem, o que me leva a supor que aquela espécie de beco entre a caserna do quartel e o edifício da antiga sede do 'desportivo', também existiu a dita que deu nome à rua.


o hotel verol ficava no largo do conselheiro victor, que hoje é o largo mouzinho albuquerque, mesmo ao lado do que foi o quartel dos bombeiros.
o hotel ladislau ficava um pouco mais acima na rua conselheiro victor, hoje avenida da republica, no prédio de esquina com a travessa do correia.
para mim sempre foi o prédio da oficina do senhor graça, o enorme manuel graça, glória do ciclismo nacional e do sporting, que eu gostava de olhar quando ia a pé para a escola do palácio.


do hotel ladislau resta pouca informação, para além de um muito fotografado folheto com preços de dormidas
de manuel graça restará sempre a memória do grande ciclista, do grande treinador, e do senhor que tratava de todas as bicicletas dos putos de queluz.

the tank parade

(não, não é a excelente banda de madison, nem o desfile de novembro da revolução de outubro...)



esta parada de tanques fica a uns 100 passos de minha casa e já cá moro há muitos anos.
mas esta semana foi a primeira vez que reparei nela.

estar em casa, para além de proporcionar tempo para alguns empreendimentos gigantescos (tipo reorganizar os cd's e tentar arranjar coragem para os vinis..), também permite olhar em volta e ver o que nunca se repara.

a uns 20 passos daquela parada de tanques estava esta bilha


que me demorou dois dias a recuperar....

é bom ter tempo

1 de março de 2010

o regresso à alameda

(não, não é a essa, nem os regressados são esses)


estas duas fotos, com o stuart carvalhais junto da sua casa e eu junto da minha namorada, têm aproximadamente a mesma data e foram tiradas a poucos metros de distancia.

estes dias de regresso a queluz tenho lá voltado algumas vezes....

a alameda conde almeida araújo tem esse nome porque foi um dos ditos condes (não houve muitos já que o primeiro, joaquim palhares almeida araújo, apenas aparece em queluz no final do século 19 depois de algum dinheiro ganho em são tomé) que a doou para construir um parque que valorizasse as construções que entretanto se tinham começado a fazer naquela zona.
a alameda, ou o antigo 'parque', deveria ser hoje uma espécie de eixo central a fazer a ligação entre o centro de queluz e o palácio.
uma espécie de elo que permitisse não apenas uma extensão da área nobre do palácio (na verdade fica completamente na sua zona de protecção), permitindo que o palácio não fosse apenas um largo enorme com edifícios nos lados norte e sul atravessados por uma estrada.
a protecção de toda a zona de entrada em queluz por sul, com a natural revalorização da alameda seria o mínimo que se poderia esperar de autarcas que vissem um pouco mais além que a ponta do seu nariz.
infelizmente não é o caso...
a alameda é assim uma zona decadente que já nem espera pelo camartelo.
espera pacientemente que a lei da gravidade cumpra os seus deveres e coloco por terra todos os restos de alguma arquitectura interessante em queluz.
um dos casos que já aqui falamos por algumas vezes, foi a criminosa demolição da casa onde viveu stuart carvalhais.
pela importância histórica para a cidade; pela importância estética; pela importância de elemento aglutinador de um conjunto de casas que deveriam ser preservadas e valorizadas.

hoje está lá isto:


mais um prédio igual a todos os outros feios como ele (mesmo que a porta de entrada seja claramente copiada da casa que deitaram abaixo).
deve fazer parte daquelas 'contrapartidas estéticas obrigatórias'' para a autarquia dizer que não têm razão os que contestam a demolição da casa que lá estava.

26 de fevereiro de 2010

queluz, a alameda e o seu futuro pouco risonho

confesso que passear por queluz me é quase doloroso.
ao contrário dos que defendem que não devemos voltar aos locais onde fomos felizes, eu acho que são precisamente a esses que devemos voltar, porque àqueles onde fui infeliz não tenho muita vontade de regressar.
no entanto, regressar a queluz é algo que não recomendo nem a mim próprio.
queluz está degradado, sujo e desordenado.
a sua pequena zona histórica tem sido sistematicamente destruída para nela construírem espécimes que são absurdamente feios que custa a crer que esta destruição não seja uma coisa pensada e sistematizada.
é feio demais para ser produzida ao acaso...

queluz tem poucas zonas que possam e devam ser preservadas.
depois da destruição do conjunto de apetecíveis vivendas da antónio enes durante os anos 60, veio a destruição das pequenas moradias do lado esquerdo da miguel bombarda nos anos 70, e por aí adiante até aos completo caos e exemplo do que não se deve fazer a uma terra, que é queluz hoje.

a alameda conde almeida araújo, como se chama ao que em tempos era conhecido apenas pelo 'parque', e que continha no seu topo norte o parque infantil e no topo sul o palacete do visconde almeida garrett, era ladeado quer do lado nascente, quer do poente, por um conjunto de vivendas intervaladas com pequenos prédios de 2 pisos, o cinema, um clube desportivo (a sede da casa do belenenses de queluz, e uma vila ao estilo das vilas operárias de lisboa.
uma dessas casas era a de stuart carvalhais que já aqui falei algumas vezes, hoje destruída para construção de mais uma coisa amorfa com indicação de tentar imitar alguns traços da casa antiga (pelo menos a avaliar pelo formato alto e estreito da porta de entrada).
pouco resta dessas casas. muito pouco.

antes que desapareçam para sempre, aqui ficam os registos de alguns defuntos ao jeito de necrologia anunciada: