5 de maio de 2016

22 de abril de 2016



a will rogers highway é pouco conhecida como tal.
mas é também a (essa sim) famosa route 66
e normalmente esta canção não entra nas compilações sobre essa estrada. 
will rogers foi um descendente de nativos americanos que se tornou um politico destacado do partido democrata (chegou a participar nas primárias na década de 20) e, pelo meio, realizador de muitos filmes, director de muitos jornais, actor de muitos géneros e tudo e mais alguma coisa...
will rogers é dos primeiros (descendentes de) nativos americanos a não ser tratado como tal e mesmo tendo nascido numa reserva índia é reconhecido como 'o elhor filho de oklahoma.
a ele se atribui a frase: 'todos as pessoas são ignorantes, mas em assuntos diferentes'

woody guthrie, que também escreveu sobre tudo e mais alguma coisa, dedicou esta canção ao seu conterrâneo

woody guthrie, will rogers highway

20 de abril de 2016


a 20 de abril de 1914, faz hoje 102 anos..
os mineiros de carvão do colorado estavam em greve.
a greve, organizada contra a fuel & iron company (da família rockfeller), a rocky mountain fuel company e a victor-american fuel company, procurava melhorar as condições de insegurança, e os salários miseráveis, num negócio que dava lucros elevadíssimos com a construção do caminho de ferro.
concentrados num acampamento na cidade de tendas de ludlow, os mineiros foram atacados pela guarda nacional do colorado e um conjunto de 'detectives' da baldwin–felts detective agency (um bando de arruaceiros especializados em combater grevistas que entravam nas tendas a disparar indiscriminadamente).
até ao final desse ano, a colorado coalfield war continuou a produzir mortes, até a completa aniquilação da luta dos mineiros pelos seus direitos, que ficaram ainda mais reduzidos em consequência da derrota.

woody guthrie, ludlow massacre

19 de abril de 2016

O jardim do Príncipe Real em 'A Cavalo no Diabo'


“Se há jardim de Lisboa que me dê gosto maior é o do Príncipe Real. Primeiro, por causa da árvore-mãe que tem ao centro, baixinha e de ventre antigo, e de ramagem tão extensa que dá abrigo a meio mundo. Depois, porque o conheci rodeado de poetas, uns em verso, outros em prosa: O’Neill morou-lhe quase em frente, na Rua da Escola Politécnica, Vieira de Almeida mesmo ao lado. Ruy Cinatti na Rua da Palmeira e Agostinho da Silva na Travessa do Abarracamento de Peniche, que é um recanto pacífico para meditar. Isso para não falar já do poeta real que se chamava Mendonça e que nunca escreveu coisíssima nenhuma na vida, pelo menos que se saiba. Fizemo-lo poeta, eu e alguns amigos, porque se passeava no jardim acompanhado de um pato negro, com a solenidade de um letrado do Olimpo. Alguém que numa cidade se passeia com um pato é poeta ou tem alma disso. No entanto, se nós, em vez de poeta, o tivéssemos feito Príncipe Real também não ficaria pior, porque condizia com a majestade com que ele atravessava a paisagem.”

 José Cardoso Pires, "O Príncipe Real" em A Cavalo no Diabo

Fotografia: Armando Serôdio, 1959, "biblioteca municipal no jardim do Príncipe Real" - Arquivo Municipal de Lisboa

14 de abril de 2016

morreu ontem arnold wesker

já aqui tinha falado de arnold wesker e do centre 42, que ele fundou e dirigiu.
wesker não foi apenas um dos nomes mais importantes da dramaturgia mundial do século 20.
ele foi determinante para a cultura britânica, para a participação activa dos artistas na luta e na vida dos trabalhadores, determinante para o que conhecemos como 'realismo britânico', para o renascimento da musica tradicional (mesmo que, penso eu, nunca tenha cantado)
arnoild wesker foi dos que sempre estiveram com 'os de baixo'
quando em 1960 o tuc (trade union congress) aprovou uma resolução extraordinária (a 42º da ordem de trabalhos), sobre a necessidade de um inquérito ao estado das artes no reino unido.
a resposta dos artistas britânicos não podia ser sido mais expressiva e mais generosa:
a nata dos jovens (e alguns menos jovens) escritores, dramaturgos, músicos, escultores respondeu ao movimento sindical que se eles estivessem interessados em tornar a arte popular entre as pessoas, eles estariam ao dispor para o que fosse necessário.
no ano seguinte, em 1961, estava então criado um dos mais influente movimentos artísticos dos anos 60. dirigido pelo dramaturgo arnold wesker e com gente como harold pinter, ewan mac coll, a.l. lloyd
o centre 42, tinha como principal missão encontrar uma audiência popular para as artes e foi isso que com o empenho e a direcção de arnold wesker conseguiu.
conseguiram a audiência e conseguiram uma imensa legião de escritores, pintores, músicos, que percorreram as ilhas britânicas num trabalho incansável de divulgação artística com a participação popular.
curiosamente, no começo deste novo empreendimento esteve a fundação calouste gulbenkian que financiou, em 1961, o projecto com 10 000 libras
3 anos depois estava 'sediado' na roundhouse: casa de uma lista infindável de acontecimentos artísticos, do teatro à música.
com a morte de arnold wesker vai um dos últimos sobreviventes da aventura inicial, mas mantém-se viva a actividade da roundhouse e do seu legado.

10 de março de 2016

o mundo visto de fajão, ou o regresso às suas personagens chave

o 'arninha era o principal objecto da chacota das crianças de fajão e a quem este respondia atirando com tudo o que tinha à mão (o que era sempre muito), acompanhado de insultos na sua linguagem quase ininteligível e uma corrida desengonçada de quem não tinha a mesma altura e a mesma agilidade nas duas pernas ainda mais dificultada pelo saco que quase nunca saía dos seus ombros.
o 'arninha só queria que não o chateassem.. e 'arninha
por isso o 'arninha reclamava de só lhe darem farelos e não a saborosa 'arninha, que faltava a todas as casas de fajão.
durante algum tempo o 'arninha desapareceu se deixar rasto.
passado algum tempo voltou afirmando ter morrido e que tinha estado 3 dias no céu.
quando lhe perguntavam porque não tinha lá ficado, respondia:
-o céu só é bom prós ricos, comem 'arninha todo o dia.
os pobres é só rezar, só rezar e 'arninha nada

3 de fevereiro de 2016

Casado

Contava assim a história de um homem casado, O ABC a Rir de 1921, pela mão de Almada Negreiros.

20 de janeiro de 2016

14 de janeiro de 2016

Alegria

Três alegres senhoras do teatro português deslizavam pela avenida nos anos 30. Quem as reconhece?

4 de janeiro de 2016

Este passatempo de 1913, parece-me bem escolhido:) Sempre gostei da animação de desenhos. e viva o Almanaque Bertrand.

3 de janeiro de 2016

Lisboa

Lisboa sobre todos os aspectos. Um Pinterest que nos está a dar muito gozo a construir.
Veja Aqui

Laura Alves

Volta meia encontro uma Eva. Uma belíssima capa com Laura Alves. Corria o ano de 1951.

1 de janeiro de 2016

Atrevimento

Continuando a ler os sempre actuais almanaques Bertrand e analisando o conceito de atrevimento..