22 de Maio de 2013
Uma conversa com Clarice
«Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.» - Clarice Lispector
Guarda-se, com avidez, um JL antigo, no qual o autor da peça confessa ter ficado impressionado com esta mulher. Entende-se a causa de modo nítido, após visita à exposição. Clarice e a vontade de a tratar com proximidade, talvez o olhar inquisidor, a aparente insegurança, a transparência confessional das palavras. Da visita, sai a curiosidade aguçada. Em grande ecrã, a entrevista em que só vemos a autora e o inseparável cigarro. Um compartimento encontra-se preenchido de gavetas. Algumas abrem-se ao visitante, mostrando retalhos de um quotidiano. Presente na memória, a carta do filho Paulo, ainda criança, a opinar sobre a capa para a chuva, demasiado comprida, o que o torna – nas suas palavras infantis – demasiado chic. Retalhos de uma vida. Sobre esta ucraniana acidental que tanto amou a Língua Portuguesa, são fundamentais os pedacinhos de ternura, acessíveis ao olhar da visitante. Há autores sobre os quais são dispensáveis as intimidades biográficas. Quanto às diversas citações sobre «escrever sem palavras», revestem-se as mesmas de sentido, o palavreado excessivo cansa quem o utiliza e, mais ainda, os destinatários. Síntese é arte ao alcance de poucos. Clarice consegue-o com mestria.
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21 de Maio de 2013
Alqueva em alta
A chuva deixa o seu rasto. Mesmo sob um céu de chumbo e , pasme-se, uma saraivada de granizo, a paisagem é sempre especial. É bom revisitarmos os locais que conferem encantamento, com direito a passagem por S. Pedro do Corval a oferecer, ao longo da travessia, as cores do artesanato desta localidade.
Depois da apelativa gastronomia alentejana, nada como subir à torre de uma das consideradas maravilhas nacionais. Apesar de se sentir o isolamento das aldeias próximas, persiste o espanto de quem se encontra de passagem, recuperando energias para o quotidiano.
A estação dos Ctt mais simpática de Lisboa
Vou quase todos os dias à Estação dos Correios
da Alameda. Nunca é demais referir a afabilidade no trato, a
compreensão, a ajuda e o sorriso. E como faz falta um sorriso nos
dias de hoje... Outro dia cheguei lá com uma encomenda molhada pela chuva que subitamente se abateu. A senhora logo a pôs a secar e ensinou-me como recuperar a pobre encharcada.
Muito obrigada aos funcionários dos CTT da estação da Alameda. E vou acrescentar, entre as muitas que já frequentei, esta é a melhor delas todas.
Fotografia de Madureira, Arnaldo
Muito obrigada aos funcionários dos CTT da estação da Alameda. E vou acrescentar, entre as muitas que já frequentei, esta é a melhor delas todas.
Fotografia de Madureira, Arnaldo
18 de Maio de 2013
As cores e as formas
E em Silves, mesmo perto do mercado, na Rua Elias Garcia, existe uma lojinha, onde vendem uma série de bonitas peças de artesanato. São originais, nada caras, deliciam crianças e adultos porque são lúdicas. Estas irão para o nosso quintal caiadinho de branco e são de afixar na parede. Qual preferem?
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Uma janela
Pintaram-na de um branco qualquer, mas o tempo encarregou-se de lhe restituir a cor primeira. Hoje em Silves.
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15 de Maio de 2013
Ribeira das Naus
Sonhando a outra banda, a outra vida menos complicada, crise adiada e viva o sol. Ainda na Ribeira das Naus.
14 de Maio de 2013
Terá sido 'por via' da desafinação?
Notícia insólita, a que se segue... Procedimento que se deveria imitar, quando há conversa em alta voz no teatro, no cinema, em auditórios, ou a recorrer, em fúria, à fantástica invenção do telemóvel, para que o mundo fique a saber«que se foi ao supermercado comprar arroz, ou que se vai cortar o cabelo». Uma passageira de um voo doméstico nos EUA , não parando de cantar um tema de Withney Houston, levou o piloto a fazer aterragem forçada e uma escala que não se encontrava no plano de voo, facto ocorrido há três dias. Uma certa inveja que aqui se confessa quando, em belo dia de esplanadar, uma vizinha, na mesa ao lado, experimenta em considerável volume e "como se não houvesse amanhã", a panóplia de toques do seu telemóvel, levando a uma fuga precipitada do aprazível local, onde se estaria bem se «posta em sossego».
aqui a prova do crime
Questão pendente: não teria sido mais prático dar, à senhora, um Xanax? Teria causado menor transtorno aos restantes passageiros.
aqui a prova do crime
Questão pendente: não teria sido mais prático dar, à senhora, um Xanax? Teria causado menor transtorno aos restantes passageiros.
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12 de Maio de 2013
Space Oddity
Este é daqueles momentos irrepetíveis. Um astronauta que é simultaneamente um comunicador excepcional grava no espaço uma fabulosa versão do Space Oddity de David Bowie. No instante em que escrevo este post chovem comentários no you tube em cada segundo que passa. Vai-se tornar viral e imparável.
Estar vivo e assistir a isto é um privilégio. O Comandante Chris Hadfield fica para a história.
Estar vivo e assistir a isto é um privilégio. O Comandante Chris Hadfield fica para a história.
1 de Maio de 2013
Maio chegou...
«O rio corre, bem ou mal, Sem edição original.»
O poeta e o seu olhar lúcido. ‘As flores nascem em cada primavera, ignorando a voragem desgastante da nossa era’ (atrever-me-ia a concluir)…
… ou ainda ‘as andorinhas anunciam a chegada heróica, pois nem sabem o que é a troika’.
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27 de Abril de 2013
Pontaria
Ontem à tarde, a meio de uma cansativa limpeza de jardim, resolvo beber uma água tónica que estava a jazer no frigorífico há já não sei quanto tempo. Curioso, resolvo verificar a data de validade:
Não faço outra igual.
Não faço outra igual.
25 de Abril de 2013
24 de Abril de 2013
País alegre!
~
Com a sapiência própria da criança, ouvi hoje a melhor definição do 25 de Abril:
- Éramos um país triste e, com o 25 de Abril, ficámos um país alegre!
23 de Abril de 2013
richie havens
"i didn't know what i did.
i just did it and didn't call it anything except music."
pode ter sido 'apenas' música.
mas seguramente richie havens foi das vozes mais importantes na luta pelos direitos humanos.
já aqui falamos muito sobre a importância da música de richie havens, mas todas as vezes são pouca.
agora, que não vai poder cantar mais em nossa defesa, resta o agradecimento pelo que fez e pelo que foi.
e fica uma obra imensa, mesmo que sempre ao lado do grande reconhecimento.
richie havens, freedom
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Música Internacional
22 de Abril de 2013
Teimosias
Ali está, ao lado do viaduto, junto a um bairro degradado da cidade. Por perto, casas em ruinas, gente sem idade, a vaguear, inexpressiva, cães sem dono de volta dos contentores. Ali está, a lembrar-nos que, mesmo em sítios visitados pelo desalento, sobrevive a pequena nota de cor, nascida de uma árvore solitária que teima em vingar, gesto de resistência ao fumo dos carros , ao cheiro a óleo queimado que se desprende da estação ferroviária.
19 de Abril de 2013
Da utilidade dos marcos de correio
Arredados, cada vez mais, do
quotidiano das gentes, levam-nos a estabelecer outras associações como, por
exemplo, a das cabines telefónicas ou a
dos telefones que, com contador, podíamos utilizar no interior de
estabelecimentos comerciais na era a.TM (antes do telemóvel).
Guardada desde uma caminhada através de Alfama, a imagem veio à lembrança a partir do post deixado pela T. As palavras
gravadas traduzem a zanga das pessoas do bairro, relativamente às interdições
de estacionamento, embora seja uma dor de cabeça trazer o carro para algumas zonas
da cidade… Quando as coisas vão perdendo a função inicial, acabam por ser
utilizadas ao sabor da criatividade. Acontece que a realidade não é só a que de
imediato apreendemos em meio urbano e, mesmo cruzando a cidade todos os dias,
reparo que, perto de casa, os moradores mais idosos recorrem à carrinha dos CTT
que, sempre à mesma hora, estaciona no largo da aldeia ou ainda deitam a
correspondência (quem sabe se para os seus mais novos a viver longe) nas caixas
de correio públicas, à porta do café ou
da mercearia.
Os marcos podem não conter – como
na canção romântica do tempo dos meus pais – tantas mensagens de teor vário. A
maior parte de quem nos escreve, fá-lo para cobrar a água, o telefone, e não
por ‘gentilezas’ várias de cariz pessoal. Quanto aos marcos de correio, que os não deixem morrer, a fim de também
servirem de interessante pretexto para dois dedos de prosa com as gerações que já trocam
mensagens em tempo real e ao alcance de uma ou várias teclas.
14 de Abril de 2013
10 de Abril de 2013
Bairros onde o tempo se deteve
Constitui sensação curiosa perceber que, na cidade, ainda há espaços com vida própria. Tendo de percorrer algumas ruas de S. Domingos de Benfica, olho os estabelecimentos de bairro com caixotes, à porta, a transbordarem de frutos da estação, ruas a fervilhar de vida, cafés cheios de senhoras que se enfeitam para a bica (um pouco ‘gaiteiras’- diz-me a minha filha que por lá vive- penso que se refere aos penteados armados de laca e ao bâton aplicado a preceito), moradores a passear cães de razoáveis dimensões pela trela, o que faz pensar que deverão, decerto, ser donos dedicados, que os treinam, a fim de não incomodarem o condomínio... Alguns instantâneos dão conta dos denominados bazares a exibirem, nas montras, troféus ‘kitsch’, enfeites que fazem as delícias decorativas de algumas donas de casa. Uma evasão aos dias menos sorridentes que correm – penso – pois parece que, por aqui, o tempo se deteve.
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Fotografia de José Marques, 
