23 de junho de 2016

Um dia muito triste

É este em que perdemos o nosso querido amigo Carlos Rocha que tanto nos ensinou sobre design e sobre a vida aqui neste espaço.
Os nossos sentimentos à família por esta perca tão dolorosa.
Fotografia retirada do ""Público"

16 de junho de 2016

bloomsday!!!

hoje é o dia em que leopold bloom vagueia por dublin
hoje é dia do mais fantástico romance alguma vez escrito
hoje é o bloomsday!!!



ULYSSES, JAMES JOYCE

15 de junho de 2016

o trabalho para o mês de julho


muitas vezes a música que gosto de cantar está a léguas daquela que mais oiço.
para o próximo mês de julho tenho encontro marcado com o canto moçárabe, o canto gregoriano e o parente mais antigo, o canto ambrosiano ou milanês, por estar associado à arquidiocese de milão, a são ambrósio e ao rito litúrgico ali desenvolvido, tornando-se a partir do século 6 oficial em todo o norte de itália.
com a posterior centralização da igreja de roma, todos estes modo de canto chão (moçárabe, galiciano, beneventino e romano primitivo foram sendo eliminados dos ritos litúrgicos e apenas o canto ambrosiano sobreviveu.
o grande desafio de cantar esta música é que ela não tem, como aquela que ouvimos todos os dias, um ritmo em que nos apoiemos: as frases são cantadas 'em suspensão' como que a dois centímetros do chão sem nunca tocar, até ao final e apenas aí se 'descansa' mas mesmo assim só descaindo 1 dos dois centímetros em que mantinha suspensa.
é tecnicamente muito mais difícil para mim e esse é o desafio.
e ele vou!


6 de junho de 2016

le temps des cerises

as cerejas este ano andam entre o atrasado e o já estragado.a falta de frio quando dele precisavam e a abundância de chuva quando do que precisavam era de sol, estragou duplamente as cerejas.tam bém em fajão, onde o atraso tem pelo menos um mês.mas existe uma cerejeira em fajão que funciona como o pré-eco para os discos de vinil (eu sei que muita gente não sabe o que é isto, mas é boa altura para regressarem aos vinis).é a primeira de todas.quando todas as outras ainda têm uns protótipos de promessas de cerejas (uma espécie de proto-cerejas, ou putativas, como agora também se diz), a cerejeira do augusto fernandes ali para os lados do lavadouro já ostenta umas coisas comestíveis.haja esperança!mesmo que em junho já quase devesse estar a acabar a época...

3 de junho de 2016

do sensacionalismo como substituto do jornalismo



o jornal the guardian (não exactamente o the sun) titulou 'em grande' que os especialistas italianos e egípcios que analisaram, com espectrómetro de raios-x, as lâminas dos punhais encontrados no túmulo do tutankhamon, encontraram uma concentração de níqul e carbono que provavam a origem daquelas peças como sendo extra-terrestre.
isto é o título em caixa alta e destaque devido para apanhar papalvos.
a verdade, mais detalhada e mais simples, e provada pelos mesmos especialistas, por comparação com dezenas de meteoritos encontrados na costa do mar vermelho, e que se trata, de facto, de origem extra-terrestre, mas feito com alguns desses meteoritos que caíram ao longo de milhões de anos por toda a terra.
claro que a segunda parte dá notícia, mas não primeiras páginas.
por isso se opta pela primeira.
vende sempre mais


2 de junho de 2016

the last internationale



os the last internationale são uma das bandas mais promissoras do 'pós-grunge-, que mistura a temática dos velhos cantores folk politicamente comprometidos, com a atitude mais enérgica vinda do grunge e do hardcore.
formados originalmente por delila paz e por edgey pires (um descendente de portugueses de arcos de valdevez), tiverem depois o contributo poderoso do baterista dos rage against machine, que lhes deu mais solidez sonora.



the last internationale, workers of the world - unite!

1 de junho de 2016

de volta..

espero eu.
este foi o espaço de muitos amigos durante muitos anos.
por razões várias fomo-nos dispersando, não das amizades, mas desta casa.
mas é sempre bom voltar, e ficar.
é isso que espero.

aqui há sempre uma janela que se abre para o mundo


5 de maio de 2016

22 de abril de 2016



a will rogers highway é pouco conhecida como tal.
mas é também a (essa sim) famosa route 66
e normalmente esta canção não entra nas compilações sobre essa estrada. 
will rogers foi um descendente de nativos americanos que se tornou um politico destacado do partido democrata (chegou a participar nas primárias na década de 20) e, pelo meio, realizador de muitos filmes, director de muitos jornais, actor de muitos géneros e tudo e mais alguma coisa...
will rogers é dos primeiros (descendentes de) nativos americanos a não ser tratado como tal e mesmo tendo nascido numa reserva índia é reconhecido como 'o elhor filho de oklahoma.
a ele se atribui a frase: 'todos as pessoas são ignorantes, mas em assuntos diferentes'

woody guthrie, que também escreveu sobre tudo e mais alguma coisa, dedicou esta canção ao seu conterrâneo

woody guthrie, will rogers highway

20 de abril de 2016


a 20 de abril de 1914, faz hoje 102 anos..
os mineiros de carvão do colorado estavam em greve.
a greve, organizada contra a fuel & iron company (da família rockfeller), a rocky mountain fuel company e a victor-american fuel company, procurava melhorar as condições de insegurança, e os salários miseráveis, num negócio que dava lucros elevadíssimos com a construção do caminho de ferro.
concentrados num acampamento na cidade de tendas de ludlow, os mineiros foram atacados pela guarda nacional do colorado e um conjunto de 'detectives' da baldwin–felts detective agency (um bando de arruaceiros especializados em combater grevistas que entravam nas tendas a disparar indiscriminadamente).
até ao final desse ano, a colorado coalfield war continuou a produzir mortes, até a completa aniquilação da luta dos mineiros pelos seus direitos, que ficaram ainda mais reduzidos em consequência da derrota.

woody guthrie, ludlow massacre

19 de abril de 2016

O jardim do Príncipe Real em 'A Cavalo no Diabo'


“Se há jardim de Lisboa que me dê gosto maior é o do Príncipe Real. Primeiro, por causa da árvore-mãe que tem ao centro, baixinha e de ventre antigo, e de ramagem tão extensa que dá abrigo a meio mundo. Depois, porque o conheci rodeado de poetas, uns em verso, outros em prosa: O’Neill morou-lhe quase em frente, na Rua da Escola Politécnica, Vieira de Almeida mesmo ao lado. Ruy Cinatti na Rua da Palmeira e Agostinho da Silva na Travessa do Abarracamento de Peniche, que é um recanto pacífico para meditar. Isso para não falar já do poeta real que se chamava Mendonça e que nunca escreveu coisíssima nenhuma na vida, pelo menos que se saiba. Fizemo-lo poeta, eu e alguns amigos, porque se passeava no jardim acompanhado de um pato negro, com a solenidade de um letrado do Olimpo. Alguém que numa cidade se passeia com um pato é poeta ou tem alma disso. No entanto, se nós, em vez de poeta, o tivéssemos feito Príncipe Real também não ficaria pior, porque condizia com a majestade com que ele atravessava a paisagem.”

 José Cardoso Pires, "O Príncipe Real" em A Cavalo no Diabo

Fotografia: Armando Serôdio, 1959, "biblioteca municipal no jardim do Príncipe Real" - Arquivo Municipal de Lisboa

14 de abril de 2016

morreu ontem arnold wesker

já aqui tinha falado de arnold wesker e do centre 42, que ele fundou e dirigiu.
wesker não foi apenas um dos nomes mais importantes da dramaturgia mundial do século 20.
ele foi determinante para a cultura britânica, para a participação activa dos artistas na luta e na vida dos trabalhadores, determinante para o que conhecemos como 'realismo britânico', para o renascimento da musica tradicional (mesmo que, penso eu, nunca tenha cantado)
arnoild wesker foi dos que sempre estiveram com 'os de baixo'
quando em 1960 o tuc (trade union congress) aprovou uma resolução extraordinária (a 42º da ordem de trabalhos), sobre a necessidade de um inquérito ao estado das artes no reino unido.
a resposta dos artistas britânicos não podia ser sido mais expressiva e mais generosa:
a nata dos jovens (e alguns menos jovens) escritores, dramaturgos, músicos, escultores respondeu ao movimento sindical que se eles estivessem interessados em tornar a arte popular entre as pessoas, eles estariam ao dispor para o que fosse necessário.
no ano seguinte, em 1961, estava então criado um dos mais influente movimentos artísticos dos anos 60. dirigido pelo dramaturgo arnold wesker e com gente como harold pinter, ewan mac coll, a.l. lloyd
o centre 42, tinha como principal missão encontrar uma audiência popular para as artes e foi isso que com o empenho e a direcção de arnold wesker conseguiu.
conseguiram a audiência e conseguiram uma imensa legião de escritores, pintores, músicos, que percorreram as ilhas britânicas num trabalho incansável de divulgação artística com a participação popular.
curiosamente, no começo deste novo empreendimento esteve a fundação calouste gulbenkian que financiou, em 1961, o projecto com 10 000 libras
3 anos depois estava 'sediado' na roundhouse: casa de uma lista infindável de acontecimentos artísticos, do teatro à música.
com a morte de arnold wesker vai um dos últimos sobreviventes da aventura inicial, mas mantém-se viva a actividade da roundhouse e do seu legado.

10 de março de 2016

o mundo visto de fajão, ou o regresso às suas personagens chave

o 'arninha era o principal objecto da chacota das crianças de fajão e a quem este respondia atirando com tudo o que tinha à mão (o que era sempre muito), acompanhado de insultos na sua linguagem quase ininteligível e uma corrida desengonçada de quem não tinha a mesma altura e a mesma agilidade nas duas pernas ainda mais dificultada pelo saco que quase nunca saía dos seus ombros.
o 'arninha só queria que não o chateassem.. e 'arninha
por isso o 'arninha reclamava de só lhe darem farelos e não a saborosa 'arninha, que faltava a todas as casas de fajão.
durante algum tempo o 'arninha desapareceu se deixar rasto.
passado algum tempo voltou afirmando ter morrido e que tinha estado 3 dias no céu.
quando lhe perguntavam porque não tinha lá ficado, respondia:
-o céu só é bom prós ricos, comem 'arninha todo o dia.
os pobres é só rezar, só rezar e 'arninha nada