A edificação do CCB lembra um baluarte, resistente edificação a investidas... No tempo dos abaixo-
-assinados sobre o novo acordo ortográfico cresciam, a ritmo diário, centenas de assinaturas , muitas delas de gente ligada ao ensino da cultura e língua portuguesas, signatários movidos pela vontade de manter incólume a ortografia nacional.
Podemos ser ou não adeptos do acordo que, segundo a legislação, se encontrará generalizado dentro de dois anos, acrescendo-se a instrução de serem penalizados os alunos que, em provas nacionais, o não respeitarem. Ficam, pois, dois tópicos para reflexão:
1- continuam a chover críticas a propósito de alterações que não ocorrem (o que leva a pensar que, antes de se defender ou rejeitar, deve procurar-se informação);
2 - receia-se que haja quem, descontente com a conjuntura, passe por um processo de descompressão a ser canalizado para questões à margem;
Há pouco , a ouvir um interessante comunicação num encontro sobre lusofonia na «Pó dos livros», ficou o pensamento preso na ideia de não se fundar a cultura de um país na sua ortografia, mas na literatura, que o confirme (ou não) quem leu exemplares que atravessaram diversos acordos ortográficos e não foi por isso que os deixou de ler ou se confundiu na escrita, pensamento recorrente sempre que se folheia uma apelativa primeira edição de Os Maias de Eça de Queiroz, perdão, Eça de Queirós, por onde - na segunda metade do século XX - se aprendeu a gostar da obra do romancista.
Se a memória não for curta e ao ritmo alucinante em que vivemos, voarão dois anos para provar se a polémica se terá ou não caracterizado pela esterilidade.
03/02/2012
Se vamos sozinhos...
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A certeza positiva
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02/02/2012
Claúdia Campos
Uma mulher escritora portuguesa, mostrada pelo Almanaque Bertrand de 1900. Cláudia Campos, natural de Sines. Terei que a ler, fiquei curiosa sobre a sua prosa.
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Uma jovem
Uma actriz que a minha geração conheceu ainda numa magnífica interpretação. Assim a mostrava o Almanaque Bertrand de 1900.Reconheceis?
Sobre a imbecilidade humana
"É ilimitada. Por mais extrema, que em certas ocasiões nos pareça, há sempre quem seja capaz de excedê-la".Assim dizia Sousa Martins.
Almanaque Bertrand, 1900
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31/01/2012
Cantina Universitária de Lisboa
Houve dias que o meu Pai, para matar a fome a tantos
filhos, nos levava a comer na Cantina Universitária de Lisboa. Na altura já
devíamos ser seis, agora somos nove. Comprava uma senha de jantar e, putos como
éramos, comer à vez a repetição do prato era uma delícia. Depois brincávamos
nos jardins da Cidade Universitária.
A Cantina, além de nos consolar o estômago, permitia também termos
contacto com outra maneira de ver o mundo.
Assim, um desses consolos era ir aquelas casas-de-banho
cheias de escritos e desenhos nas paredes e portas. Com a evacuação ou
micção aprendíamos muita coisa. Entre essas existe um escrito académico que se
gravou na memória.
Este é o sítio solitário
Onde a vaidade se vai!
Aqui todo o cobarde faz força
E todo o valente se caga!
foto de Artur Goulart; AML
Ecos a perdurar no tempo

Vestígios de outras épocas, que contribuem para que não nos tornemos – como um dia alguém afirmou – «um país de amnésicos povoado de cimento».
Ficam persistentes marcas (marcos) a provar ser o conceito de tempo captado pela máquina de bolso, difícil de interiorizar neste início de século. Conseguirão identificar a igreja?
E como afirma alguém próximo «arranjas temas musicais para associar a tudo», de olhos fixos neste templo, a música começou, em simultâneo, a povoar o pensamento.
30/01/2012
A fúria do manso
O som da travagem de uma composição atirou-nos para fora da
inóspita sala-de-espera colocando-nos no gélido cais da gare. Afinal tratava-se
de um comboio de mercadorias a fazer compasso de espera pelo intercidade que
aguardávamos.
- Aquela ali não tem frio!
Afirmou o meu companheiro de espera, referindo-se a uma
adolescente que se apresentava em calções, procurando meter conversa de passar
tempo.
- Sabe, nesta idade o espírito aquece a alma!
Respondi assim à solicitação de conversa.
Ora bem, estávamos
ali os dois encasacados e enrolados no cachecol, ele de boné, transmitindo-me a
imagem de um pacato homem que já passou a meia-idade.
A conversa foi correndo pelos temas mais diversos:
agricultura em Portugal ou a falta dela; a produção das nossas fábricas; a
produtividade e a boa imagem lá fora do trabalhador português; o desvio das
sedes fiscais das empresas do PSI 20; e outros temas da actualidade política e
social.
Eu com o meu discurso optimista, ele com uma visão menos
animadora da situação, mas consciente da boa qualificação dos portugueses. E de
repente pergunta-me:
- Mas será que eles não sabem disto?
- Claro que sabem! Parece que não, mas sabem!
- Não! Não sabem! Pois parece-me que só vão saber quando
alguns começarem a acordar com um buraco de bala na cabeça!
Nem de propósito o intercidades imobiliza-se na gare, o que
permite esconder a minha falta de resposta e inquietação pela quase
concordância.
Avisto nos degraus do comboio quem esperava, despeço-me:
- Boa noite, haja saúde!
Enquanto caminho pela gare, respondo ao meu desassossego:
- Cuidado com a fúria do manso.
Foto de Daniel Lourenço http://autoalgarvende.blogspot.com
Nicole Eitner and The Citizens - To Forgotten Places - OFFICIAL VIDEO
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O meu querido sobrinho Miguel Menezes.
O meu querido sobrinho Miguel Menezes.
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29/01/2012
Esta varanda virada ao mar

Até que ponto uma varanda debruçada sobre o mar, explica a identidade de um povo e este traço comum em que, de olhos na linha do horizonte, procuramos (de modo mais ou menos interiorizado) a evasão que leva, por um breve instante, a acreditar na restituição da Idade do Ouro de todos desconhecida, mas um dia apresentada em relatos distantes no espaço e no tempo.
Uma imagem captada, convida à divagação. Seria difícil viver de costas voltadas para o mar – pensamento recorrente para quem nele (também) procura estratégias que permitam fazer face ao quotidiano.
28/01/2012
27/01/2012
Sol
Ao sol, depois de uma meia de leite na esplanada da Casa Inglesa e divirto-me a ver as vorazes gaivotas.
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