27 de dezembro de 2008

ainda os mexidos de natal no minho

postei ali para baixo umas das receitas dos obrigatórios mexidos do natal minhoto.

hoje foi dia de os fazer, já que o meu natal não é minhoto e não é muito saudável fazer os doces todos para uma noite e andar a comer restos dias a fio.

aqui estão eles no seu esplendor:
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aquele instrumento com ar de sonda para fins insondáveis é a salvação de qualquer homem que se aproxime dum fogão para fazer qualquer doce que implique pontos de xarope.
como seguramente já leram, uns falam em pequenas pérolas, outros em estradas que ficam abertas, outros em fitas que caem da escumadeira.
socorrendo-me dum antigo livro de culinária da vaqueiro (que faria as delicia da t a postar páginas a fio), encontro as equivalências em temperatura e daí a brilhante ideia:
'os tipos do cash de restauração devem ter uns pesa xaropes ou um termómetro xpto para isto'
e lá vai uma alma caridosa (a mesma que me dizia na noite de natal depois de eu ter fechado as hostilidades e ter tirado o avental: 'assim despido vais ter frio'. como se o avental fosse o meu agasalho e o fogão uma extensão da barriga...) de carro até às proximidades da 'padre alberto neto' e aparece com o saquinho da 'interutil' com o termómetro milagroso, ainda o ponto de xarope estava na estrada, e dispara:

'considera isto a tua prenda de natal'.
e agradecido fico.
e muito contente com tal apetrecho.

os mexidos?
estão óptimos.
são servidos?

A cadela Lira

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Ter animais em casa torna-se um imperativo, sobretudo quando por lá vivem (ou viveram) crianças e existe espaço que permita a todos coabitarem de modo harmonioso.
Por tradição, a família sempre foi mais afeiçoada a cães do que a gatos e, por isso mesmo, só quando havia um espaço exterior nos permitíamos a estas opções.
Tendo na infância mudado de Lisboa para os arredores, sempre recordo a existência de cães em casa: as cadelas Laica, Lila – esta última com uma longevidade invejável e iludindo-nos, pois sabia tocar à campainha – e tantos outros amigos de quatro patas que se lhes seguiram. Chegámos mesmo a ter, por curto espaço de tempo, um camaleão vindo de paragens africanas que um aluno da mãe, professora de Ciências, lhe decidiu ofertar. Este último animal terá certamente sofrido as agruras do microclima sintrense , tendo rapidamente desaparecido do jardim.
Quando a nossa rua terminava em matagal e havia charcos formados pela chuva, apanhávamos girinos e depositávamo-los num pequeno lago, assistindo, entusiasmados, à sua metamorfose. Éramos visitas frequentes da casa do professor de Desenho, pedindo-lhe folhas de amoreira para alimentarmos os bichos-da-seda.
Ontem o dia foi triste, com a cadela Lira doente, parada – situação de alarme numa amiga habitualmente tão efusiva – trazendo choro e desassossego cá por casa.
Finalmente, já tratada pelo incansável veterinário, começa hoje a fazer os disparates habituais, embora ainda de modo tímido… penso que terá apanhado um coelho, o que lhe provocou indigestão. Alguns vestígios da “violência” da caçada lá estavam para o comprovar.

26 de dezembro de 2008

À LAREIRA, QUE NÃO TEM



"Amigo Gin-Tonic, no Rio de Janeiro a temperatura é feliz. Muito calor, como eu gosto. Uns trinta e tal graus. Positivos, claro, que aqui o negativismo é engolido pelas ondas do mar.Daqui a pouco estarei na praia. E amanhã também.”
Assim se expressava, por mail ,o Pedro de Freitas Branco que trabalha no Rio.
Não consegue imaginar um Natal sem frio. Possivelmente as outras partes do globo, onde o tempo é outro, também não entendem um Natal sem praia, biquini, óculos de sol..
O Natal traz-lhe sempre a ideia de frio, de lareiras. Sempre que se senta frente a uma lareira ,ocorre-lhe o título de um livro, póstumo, do Manuel da Fonseca, “À Lareira, Nos Fundos da Casa Onde O Retorta Tem o Café”, pela cadência que transmite, a lentidão das conversas em redor do lúmi ou o suave silêncio que, por vezes, é bem melhor que as faladuras.
Não tem lareira mas gostava de ter. Não tem terra, nasceu em Lisboa e procura na terra dos amigos esse cheiro antigo. Tornou-se um peregrino das lareiras dos amigos, tira-lhes fotografias.
Percorreu os natais suficientes para saber de ciência certa que nunca lhe aparece no sapatinho o que queria. Sonhou discos e livros, filmes também, uma caixa de esplêndidos, robustos Cohiba, algumas garrafas de gin, mas que ninguém se atreve a oferecer, escudados naquele princípio de, dizem, o mais certo é teres tudo, ou então são coisas que fazem mal à saúde. Também não considera isso muito importante.
Por isso, todos os anos, toma as suas precauções e oferece-se a si mesmo as costumeiras prendas, as que nunca lhe provocam o que quer que seja: nem surpresa, nem desilusão.
Este ano ofereceu-se “The Dead”.de John Huston. Já viu o filme duas ou três vezes mas é bom tê-lo à mão. Aquele jantar de Natal que reúne a Gente de Dublin com que John Huston se despediu do número dos vivos. Foi numa cadeira de rodas, com uma garrafa de oxigénio ao lado, que o filme foi rodado. Morreu entretanto e seria um dos seus filhos a terminar o filme.
Pensa que não haverá outro jantar como aquele na história do cinema. Só mestres são capazes destas coisas. “Festa de Babette” à parte porque isso é uma outra história. Talvez o jantar na colónia francesa no “Apocalypse Now”, versão remix, se assemelhe um pouco. O jantar em que Coppola exigiu que os vinhos estivessem à tempartura em que devem ser bebidos.
Reviu, pois, o filme. Imaginou a lareira que não tem, mas gostava de ter. Sentar-se-ia em frente, um charuto, um gin. Folhear um livro ao acaso, talvez “Memorial do Convento”, largamente sublinhado, reler algumas passagens, talvez esta:
“… só uma mulher que está deitada num restolho com um homem em cima de si, cuida ver qualquer coisa a passear no céu, mas julga serem visões próprias de quem está a gostar tanto.
Se bem se lembram, estavam a ser sobrevoados pela Passarola de Bartolomeu de Gusmão.

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A lareira da foto é do Damião, na sua casa de Avelãs da Ribeira, ao pé da Guarda. A geringonça onde o bacalhau assa é óptima porque permite colocar a grelha mais perto ou longe do lume. Foi comprada num mercado semanal em Vila Nova de Cerveira. Um espectáculo!

Memórias de África

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Chegada ao aeroporto da grande cidade no início de 80. Calor, humidade e um aroma forte ainda hoje permanecem na memória. Lembrei a frase um dia ouvida: “todos os países têm um cheiro próprio”. Na bagagem livros, muitos livros (todos com o peso assinalado a lápis) - quem seguia na qualidade de cooperante podia dar-se a esses excessos.Após longa burocracia na alfândega, com direito a mirar e remirar o passaporte e a perguntas quanto ao que transportávamos, fizeram uma sinalefa indecifrável a giz nas malas enormes, dando-se por terminada a fiscalização. À saída do aeroporto, sentadas no chão, mulheres sem idade, amamentando filhos ou netos, vim a saber tratar-se de tradição local, dado ser-se mãe ainda na adolescência. As proles são numerosas, pois pensa-se que tendo muitos filhos não faltará quem preste cuidados na velhice.
Conduzidos a um moderno bloco de apartamentos onde alguns iriam ficar a aguardar viagem rumo a outras terras, reparei que o mesmo se situava no meio de um musseque - porcos e galinhas corriam em liberdade por entre charcos enlameados - era o tempo das primeiras chuvas tropicais.
Mobília moderna, escandinava, electrodomésticos por estrear. O interior era mais sofisticado do que na pequena casa de aldeia – curiosamente denominada vila - onde habitávamos, agora abandonada por não se justificar o pagamento de uma renda. No entanto, não corria uma gota de água nas torneiras e faltava o gás para se poder acender o fogão. Como seriam os dias seguintes?
Pela noite escura, ouvindo tiros, interrogava-me se esta nova aventura nos permitiria regressarmos daí a pouco mais de um ano sãos e salvos de regresso a Lisboa. Ouvindo agitado tiroteio na noite, poderíamos ser participantes de um filme de gangsters… por mais que se tentasse, imperava o receio de não revermos a terra-mãe. Interrogava-me ainda sobre os alunos que iria encontrar a muitos quilómetros dali, enquanto procurava alegrar-me tentando descobrir, na manhã seguinte, o alegre vermelho das acácias.
Desde o primeiro momento entendi que o céu de Portugal tinha um azul que o tornava único .

Preguiça a reinar!




E adivinham o que é? Um espaço de lazer em Lisboa que já foi um must.
Quem aponta o nome?
Bar Doca de Santo Amaro

25 de dezembro de 2008

Aprender a estrelar


Como cozinhar na perfeição ovos estrelados. Gosto do detalhe do deitar separadamente na frigideira clara e gema. Maravilhosa esta forma de ensinar a estrelar ovos. A Maria Isabel (filha) responde e aperfeiçoa. Na revista Banquete, pois claro.

E outra...

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Alvitrai um nome. Conseguis?

lulu disse...

Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense, SFUCO, nos Olivais!
Podem confirmar aqui: http://www.sfuco.pt
Acertei, T?
Acertaste!

E esta?



Adivinhai se conseguirdes. É Lisboa pois então.
J. disse...

mercado de benfica? ;)
E é mesmo!

Prenda atrasada para o RAA




E não é que o Ferreira de Castro era lindo?

Se calhar não terá a ver com o Natal

Como não adivinharam qual a localidade fotografada no post "outra manhã sorridente", segue a imagem de uma escultura, ex-libris da mesma localidade. Tentei descobrir, sem sucesso, a autoria. Ocorreu-me que poderia ser uma escultura de Anjos Teixeira com museu em Sintra também próximo da Volta do Duche. Caso esteja errada, talvez alguém me possa corrigir. E porque as figuras esculpidas são épicas, ocorreu-me o texto de José Gomes Ferreira musicado por Fernando Lopes Graça:
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Acertou o Luís Bonifácio, quando indicou a localidade de S.João das Lampas

Jornada

Não fiques para trás oh companheiro
É de aço esta fúria que nos leva
Para não te perderes no nevoeiro
Segue os nossos corações na treva.

Vozes ao alto, vozes ao alto
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada
Ao sol desta canção.

Aqueles que se percam no caminho
Que importa? Chegarão no nosso brado
Porque nenhum de nós anda sózinho
E até mortos vão a nosso lado.

ABERTO NO DIA DE NATAL


Lá muito para trás, mesmo muito, o alfarrabista que, num qualquer domingo de Inverno, deixou escrito na porta da loja que tinha ido para casa porque estava triste.
Há dois, três natais, quando começou a olhar a tristeza cinzenta que fica no fundo das garrafas vazias, levantou-se, levou a beata do charuto, o copo de gin e pôs-se a fazer entediado zapping pela blogosfera. Foi ter a um dos blogues de José António Barreiros e deparou-se-lhe um bonito texto, que lhe falava de um alfarrabista que, em Sintra, estava aberto no Dia de Natal.
Uma luminosidade feliz encheu-lhe o rosto. Reacendeu a beata, disponibilizou mais uma dose de gin. recortou a história e guardou-a. Foi agora buscá-la ao baú natalício:

“Foi hoje em Sintra, na Volta do Duche, num recanto de uma curva, antes de se chegar à estação. Aberta em dia de Natal, uma livraria-alfarrabista. A juntar à surpresa do encontro, a magia do local, o fantástico das coincidências. Nem me lembro sobre o que conversámos, pelo canto dos olhos encontrava-os, livros que tenho, livros que fui perdendo, livros de que me desapossaram. Ali um Gandra, além um Viterbo, depois os da editora de Colares, que agora é aqui, «do outro lado da rua». Tudo se tornou familiar e mais ainda com a raridade de um nome raro: chamava-se, tal como a minha filha, Adriana, Maria Adriana! Casada com um inglês, Mister Jones, Maria Adriana Jones é conhecida pelos miúdos locais como a Indiana Jones. Na selva dos livros, ela move-se entre os Salteadores da Arca Perdida. Vê-se pelo brilho nos olhos que ama os livros, a ponto de os presentear com a porta aberta ao mundo no Dia de Natal”

MÚSICA E CANÇÔES DE NATAL


OPERÁRIOS DO NATAL
TLD 002.

Música: Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho
Texto: José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa
Vozes: Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Ana Bola,Maria Helena d'Eça Leal.

Este disco foi gravado em 1976 e regista o espectáculo que com o título “Operários do Natal” foi apresentado no “Teatro Adóque”, em Lisboa.
Das raras vezes em que as crianças foram tratadas com devem ser tratadas: com competência, com diginidade.
Este disco apenas existe em vinil, há muito esgotado, e compreende-se mal que nunca tenha visto a sua edição em CD.

Narração de Maria Helena d’Eça Leal:

Já falámos de sete operários do teu Natal: os pais, os lenhadores, as costureiras, os pasteleiros, os carteiros, os vendedores de brinquedos.
Tirando os pais, é claro, talvez não conheças nenhum deles.
Mas ficaste a saber que são todos teus amigos, tão amigos como os teus compamheiros de escola, tão amigos como os teus irmãos, tão amigos como quem te dá presentes no Natal.
Cada operário que trabalha para que tu possas ter um bom Natal, te dá um presente: o presente da canseira, o presente do trabalho, o presente da amizade.
É por isso que o Natal é a festa dos Amigos

Canção

Quem faz o Natal para todos nós? São os amigos
Quem nos dá prazer e dá calor? São os amigos
A quem é que damos a ternura? É aos amigos
A quem é que damos o melhor? È aos amigos
Os amigos são o nosso bolo de Natal
Cada amigo nosso vale mais que um Pai Natal
É um irmão nosso que trabalha no Natal
E com as suas mãos faz a diferença do Natal.

Narração de Maria Helena d’Eça Leal

O dinheiro pouco importa
O que importa é a verdade
E a prenda mais valiosa
É a prenda da amizade
Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de amor
O Natal todos os dias

Canção

24 de dezembro de 2008

Cabaz de Natal brasileiro



Linda a lembrança da senhora brasileira que trabalha cá em casa. Uma pequena amostra de produtos da terra dela. Ei-los.

Gastronomia e Literatura



A Revista Banquete era de um bom gosto tal que sobreviveu aos anos que passaram e não foram poucos. Esta particular relação que Maria Emília Cancella de Abreu estabelece com a gastronomia açoriana e a obra Mau Tempo no Canal, promete prazeres vários multiplicados pela escrita. Assim atentai nesta receita de Doce de Laranja dos Açores, similar ao doce inglês.
Gosto muito do extracto escolhido e da lapidar "Mas se vias que oito laranjas davam, para que apanharam uma dúzia? "


Saúde e paz.
O resto virá por acréscimo.

Madame Campos (A)



Chamava-se D. Inácia Camila de Oliveira Campos e fundou em 1911, ma Avenida da Liberdade, 35, a Academia Científica de Beleza. Era formada em Medicina e Farmácia pela Universidade de Coimbra e esteve no estrangeiro onde frequentou os diversos institutos da especialidade. Em 1922, instalou no Riio de Janeiro , na Rua 7 de Setembro, uma sucursal, tendo ficado a dirigi-la, seu filho o Dr Gustavo Campos.

Anúncio aparecido na Revista Panorama e texto In Dicionário das Alcunhas Alfacinhas, autor anónimo, Livros Horizonte

Já nem consigo adivinhar...

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A pensar nos doces, já nem consigo sequer descobrir a que locais pertencem as fotos postadas pela T... ela aconselha a que nos desviemos de tanta azáfama natalícia, mas...
(o bolo-rei, com a assinatura "Sónia e Guilhermina" ainda está quente)

natal é tempo de mexidos aqui pelo minho

matéria prima

400 g de miolo de pão
10 gemas de ovos
500 gr de acúcar
1 litro de água
1 pau de canela
2 dl de mel
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa passas sem grainhas
1 colher de sopa de pinhões cortados
1 colher de sopa nozes picadas
1 cálice de vinho do porto

preparação
põe-se o açúcar ao lume com o pau de canela, o mel e uma casca de limão até atingir o ponto de espadana leve (não precisa ser muito espesso).
retiira-se do lume e adiciona-se o miolo do pão e mexe-se bem com a colher para desfazer o pão e não deixar grumos.
juntam-se as frutas secas, as 10 gemas e o vinho do porto.
volta ao lume, para cozer as gemas.
sem deixar arrefecer, adiciona a manteiga.
serve-se bem polvilhado de canela.

bom proveito

Comeram a sopinha toda



Portaram-se bem,comeram a sopinha toda, arreliaram a mãe!
Quem seriam o raio de progenitoras delatoras que informavam a Crónica Feminina?
Acho mal!
Dedicado ao Manuel que sempre comeu a sopinha toda! Eu também!
Clicar para ampliar.

Nota: Cheira.me que esse Teófilo e essa Antonieta tiveram mau fim!

Adivinhai sem demoras

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Que cidade e que avenida retrata este postal?
Eu hoje ando a Norte:)
Braga!