21 de abril de 2007

As criadas

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Quando eu era miúda diziámos criadas . Eram amigas da casa e viviam connosco.
Depois começou a usar-se o termo de empregada doméstica. Sempre me lembrou essa designação, uma analogia aos animais de casa. Os domésticos claro.
Esta antologia de verbetes escritas pelo Leitão de Barros é uma delícia. Escrito a duas colunas e com ilustrações do Abel Manta.
Achei graça à evocação desta criada sedutora. E do enfarte que provocavam!

Texto de Leitão de Barros e desenho de João Abel Manta, "Corvos 2º Volume"

Os caracóis à Américo F.

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Munida do caracol marroquino, fiquei na indecisão da receita a utilizar. Nunca gosto do sabor dos caracóis que cozinho. Aí fez-se luz. Liguei à pessoa que sei que os costuma cozinhar e que nas largas tertúlias caracolianas que temos, prefere sempre o mesmo tipo de elaboração culinária que eu. Sim, o Américo, aqui do blogue.
Ele aconselhou-me em alta voz e transcrevo:
"Lava-os muitissímo bem, deixa-os em água, a rasar, uma hora, para eles saírem das cascas. Depois vão a lume muito brando sem tempero. Quando começarem a ferver, mistura alho esmagado um bocadinho nada de oregãos, sal e um caldo de carne. Deixa apurar mais um pouco e já está"


Eu como não tinha caldo de carne, meti um bocadinho de nada de paio. Também acrescentei coentros. Fui rectificando o sal. Sim senhor, destes caracóis eu gostei. Excelentes.
muito obrigada Américo!
(os da foto estão sem molhinho, para não sujar a mesa. Ah e retirei a espuma que surge da cozedura. E tive MUITO cuidado com a quantidade dos oregãos. Em contrapartida esbanjei o alho)

A padaria e a lavandaria

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Esta zona está recheada de lojinhas. Encontrei esta soberba padaria a transbordar de velhotes agressivos na sua luta pelo pão. Não rolaram pedras da calçada, mas quase.

E fiquei rendida a esta montra duma lavandaria muito modesta e artesanal e a esta notável reunião de ferros de engomar. E quando pedi licença para fotografar, a senhora disse, toda contente, eu é que agradeço menina.
E assim ficámos.
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Ir à Praça

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Hoje não houve ida à Biocoop, fui-me ao mercado da Praça do Chile!
Abanquei na banca dos caracóis e tremoços e azeitonas, deliciei-me com as compras, e encontrei o senhor dono dum restaurantezito aqui ao pé de mim. Já tem caracóis e pespegou-me duas grandes beijocas.
Depois ainda comprei umas favas, ando preocupada com esta minha dependendência.
Tive a peritagem técnica duma senhora, que me aconselhou vivamente o caracol marroquino, e
disse muito anti-patrióticamente que o caracol português já não é o que era...(nem esse escapa)
As sardinhas estão baratas. Por acaso já me apetecem! Mas isso é coisa que se come fora de casa!

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a miopia política da jcp, ou se se dizia quando eu era mais novo: socialistas nas palavras....

de acordo com o diário de notícias (pelo menos), ricardo araújo pereira foi vetado pela jcp para participar nas comemorações do 25 de abril onde, por proposta da js, deveria fazer o discurso em nome 'dos jovens portugueses'

como o ricardo araújo pereira é um ex-militante da jcp, esta não deixa que um seu ex-membro tenha tal protagonismo nas cerimonias do 25 de abril

já há uns meses, a propósito de uma piada sobre o trabalho dos deputados, feita enquanto juri do programa da rtp1 'dança comigo', ricardo araújo pereira foi alvo da senha persecutória da ex-deputada odete santos, que causou um quase incidente durante o programa.

é sempre um sinal de imensa fraqueza ideológica quando uma organização procura calar (seja em que circunstâncias for) aqueles que abandonaram as suas fileiras (fosse porque razões fosse).


como quando o recem chegado paulinho das feiras ao caldas, mandou retirar a foto de freitas do amaral da galeria dos ex-presidentes do partido.

o que os jovens aprendizes de social-fascistas (é disso que se trata aqui) da jcp fizeram com esta acéfala atitude de avestruzes a enfiar a cabeça na areia (e provavelmente a mostrarem algo de mais vulnerável), é que são incapazes de discutir uma ideia, uma opinião, uma atitude.

os fascistas da frente nacional e do prn ameaçam nos seus blogues fascistas que lhe dão (a ele e à familía) porrada, os aprendizes de social-fascistas impedem a palavra.

como se dizia quando eu era mais pequeno:
socialistas nas palavras, fascistas nos actos

e assim, pela primeira vez desde que estas comemorações começaram a ser organizadas por vasco lourenço, apenas uma pessoa falará no rossio, a do coronel rosado luz.

20 de abril de 2007

Para o Batangas

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Comentar àcerca do masaje pod!
Retirado dum guia de Madrid de 1941.

Um novo link

Este aqui.
Para quem era e é fascinado pelo carisma do Fernando Ribeiro de Mello e pela qualidade da sua editora Afrodite.
Tem ainda uma série de links para alfarrabistas.
Um blog a não perder de vista e por isso o "favoritei".

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A Venus de Kazabaika, Edição Integral, Lisboa 1966,
Edição de Fernando Ribeiro de Mello.
Ou ...
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Este delicioso livro que comprei por uns 20 escudos, num alfarrabista debaixo das arcadas da Praça do Comércio e a conselho de um leiriense amigo, o Junqueira. Ele disse no seu modo nonchalant e amigável: compra,que fazes bem. E eu sempre fui amiga do bem fazer.
Foi em 1979. Tinha sido editado em 75. Imagino esta frase como a origem do sexo virtual!

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....E o José Eduardo, calado...

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Não são horas de dormir,

e o José Eduardo, calado...

Até a pombinha voar?
Até o ratinho fugir?
Até o Janota ladrar?
Até o bebé acordar?

Não são horas de dormir,
e o José Eduardo, calado...

Lá fora, o vento a bulir...

Maria de S. Luís e Alice Jorge
"Sua majestade o menino"

o paulo e o alberto


o zapping enquanto esperava que fossem horas do house (não sei que episódio de não sei que série), fez-me tropeçar no encontro mediático entre o paulo e o zé.
é interessante olhar para um diálogo entre duas pessoas que começaram por se tratar por doutor isto, doutor aquilo e acabam em paulo e zé tu sabes isto e tu és o culpado daquilo.
se o zé, tem para mim aquela coisa de ser filho de quem é (coisa de que o senhor não terá culpa, reconheço), e ser do benfica, o paulo já é outro assunto mais interessante.
o debate, pelo menos na parte que eu vi resumia-se a duas coisas simples:
o pobre zé esforçadamente a querer manter a direcção de um partido, no sentido em que as direcções dos partidos funciona:
com orgãos que discutem, participam, decidem.
e o brilhante (nos dentes) paulo a querer um partido que sirva os seus interesses e a sua necessidade de ter um bando de lacaios para lhe dar brilho ao ego.

é para mim tão relevante quem vai ganhar as proximas eleições no cds, como quem ganhará as proximas no grupo bandolinistas 22 de maio de 1925, da idanha (sem disprimor para estes ultimos e pedindo desculpa pela comparação).
provavelmente será o paulo.
novamente com os jornais e os jornalistas a servirem de capacho para as suas ambições de poder mediático.

há 2 políticos com os quais embirro particularmente (não, não é o pequenino mendes: esse primeiro precisa de ser político para poder entrar na categoria dos políticos com os quais embirro):
o alberto joão e o paulo portas.
mas uma coisa o alberto tem que o paulo jamais terá: coerência de actuação.
podemos (e devemos) discordar da prática politica do alberto joão, mas sabemos como ele é, o que vai fazer, como vai fazer: é um político coerente e previsível.
adora os holofotes e as bandas de música e os conjuntos pimba a abrilhantar cada pausa dos discursos discursos, é um politico ao pior estilo da américa latina, mas é um político 'honesto' e coerente no seu trejecto.

o paulo é uma coisa tipo alforreca sem a mínima cartilagem.
já foi tudo e o seu oposto
já jurou jamais ser político e muito menos governante e nunca deixar de ser jornalista,
já foi da direita, do centro direita, democrata cristão, conservador,

já foi jornalista a dizer mal dos políticos, e político a dizer mal dos jornalistas.
já foi tudo e o seu oposto desde que isso lhe dê um minuto de telejornal.

o paulo é uma abencerragem só possível porque os jornalistas não sabem escrever nem sobre o que escrever.
o paulo é um holograma
entre o paulo e o alberto?
claramente o alberto

A alegria da morte

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"Desde que um dia vi no Asilo dos Inválidos do Trabalho, ao pé dos Prazeres, alguns bons velhotes construindo os seus próprios caixões, entre gargalhadas que dir-se-iam de crianças - a morte apareceu-me diferente. Caía uma tarde dourada sobre o parreiral da oficina, e tudo à volta era sossego e bíblica calma do Senhor. Enquanto pregavam os ornamentos das respectivas tumbas, assobiavam eles, e contavam uns aos outros, velhas, alacres e talvez picantes histórias vividas. E ninguém ali, no convívio da morte e tão perto do cemitério, pensava nela com medo de morrer. Ao contrário, esperavam-na tranquilos, como o supremo momento da vida.
A morte pode não ser triste. Mas ridícula nunca a devíamos consentir.
É um crime repugnante."

Leitão de Barros, "Corvos 2º Volume",

As cheias de 1909








Há quase 100 anos. Benoliel estava lá e fotografou-as. Sem censura. Um muito jovem rei , que pouco mais governaria, visita os locais da tragédia, tal como habitualmente fazem os governantes.
O Porto quase parece Veneza. E Santarém está alagada.
Os populares que rodeiam o jovem monarca em Almeirim, não diferem muito do que vemos na televisão, quando acontecem as cheias.
Porque me lembrei disto? Por estar a chover certamente.
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19 de abril de 2007

As etiquetas

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Compravam-se e depois dos livros convenientemente forrados, eram coladas por cima a identificar. Quando era pequena, adorava e ainda adoro papelarias. Mas a mística é diferente.
Que lindas que eram
...

Diálogo

- O Sócrates bem podia acabar o cursito...
- Então, porquê?
- É que estes temas fracturantes não fazem nada bem à sociedade portuguesa.

António


Nas paredes do Bairro Alto, um cartaz anuncia António Calvário no Maxime...

"Mocidade, mocidade...
porque fugiste de mim?!...
Hoje vivo de saudade...
É triste vivermos sem mocidade
Sentirmos que é o princípio do fim..."

O hipódromo /velódromo da Palhavâ


Onde seria exactamente?
Quem souber que discorra sobre o assunto. Sei que existia um também em Belém.

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Velódromo da Palhavã

O palacete

É das obras de Miguel Ventura Terra que ainda sobrevive. Feita com o dinheiro do café de S Tomé, segundo contam. Bem cuidada e com um magnífico jardim, em que dá gosto passear. Quem leu o "Jardim Secreto" em criança, perceberá melhor o que eu quero dizer.
Alguém identifica?
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Mercado de Arroios

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Segunda feira estava assim a banca dos caracóis. Mas acho que hoje é outro dia!

18 de abril de 2007

1 FoTo FaLHaDa

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Pequenas e uma muito (grande) alegria

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Entre afiar os lápis e pensar na vida, a achar que a Maria vai gostar de desenhar com eles.
A guardar na caixa que o Sr Miguel Ângelo me deu, faz quase 20 anos.
E já sorrio a pensar no novo pequenito/a que vem aí. Pois é, vou ser tia avó de novo. Da minha sobrinha traquinas M.
Estou muito feliz. Parabéns a pais, tio e avós.

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Um mais um são...?

Eram para aí uns dois ou três... Não seriam mais do que quatro, os cinco que vi naquele dia subindo a rua, numa fila onde o sexto e último gritava... “Esperem pelo sétimo porque senão ele fica para trás”, enquanto o oitavo se perdia olhando a montra de jornais. Aqueles nove eram extraordinários havendo até quem dissesse que dez como aqueles onze eram inseparáveis tantos e tão fortes eram os laços que uniam a dúzia de amigos. Naquele dia, os treze foram a um restaurante e pediram mesa para catorze. Mandaram vir sangria. Quinze jarros, um para cada um porque o décimo sexto preferiu Coca-cola.