8 de maio de 2006

Os Mandamentos da Igreja Labrega


Os mandamentos da igreja labrega são cinco:
O primeiro é ouvir como nos aldrabam os que mandam, o que é como quem ouve chover.
O segundo, é mudar de camisa uma vez por ano, ou ainda antes, se se der o caso de terem que nos enterrar.
O terceiro, é comungar com rodas de moinho.
O quarto, é jejuar com vontade ou sem ela.
O quinto, é pagar por tudo e para tudo e pagá--las todas juntas.

P- A quem obriga o primeiro?
R.- A todos os que têm alguma coisa a perder, pois se não repontamos sai-nos pior a cardada.
P - E o segundo?
R.- Obriga-nos a todos, ainda que às vezes nos esqueçamos de o cumprir.
P- Chegando ao terceiro como é que se comunga com rodas de moinho?
R.- Vendo como em todas as coisas nos tiram a razão, e tendo nos que nos conformar com tudo quanto viver; deixando-nos engrolar por todos os tunantes, por não sabermos que responder-lhes; pagar sessenta por cento a um usurário e ouvi-lo dizer ainda por cima que nos está a ajudar; indo votar às urnas, sabendo que é como se não fosse­mos; e, para acabar de uma vez, acabando sempre por nos deixar engrolar pelo último que aparece.
P- Quem está obrigado ao quarto manda­mento?
R.- Todos os labregos, desde que nascem até que morrem.
P- Porquê?
R.- Porque quando não há que levar à boca, não há outro remédio senão jejuar; é que ainda que digam que há no mundo pão cabonde para todos, a verdade é que poucas vezes nos chega à boca, e mesmo o que chega é de milho, ressequido e bem taxado.
P- Como jejuam os labregos antes de lhes chegar o uso da razão?
R.- Do mesmo modo que depois: dia sim, dia sim.
P- Quem está obrigado ao quinto mandamento?
R.- A esse é que ninguém foge.
P- E com que é que pagais por tudo?
R.- Com o nosso rico dinheirinho e com os nossos lombos.
P- E com que é que as pagais todas juntas?
R.- Com os nossos lombos e com o nosso rico dinheirinho.
P- E que coisas pagais?
R.- Os trabucos e as falcatruas que outros fazem.
P- O que são os trabucos?
R.- Os impostos, padre; se calhar vossemecê não é cá da terra.
P- E porque lhes chamais trabucos?R.- Porque é uma coisa que tem que se pagar ainda que não se queira nem se tenha com que, pois de outro modo, embargam-nos o pouco que temos; de maneira que nos fazem tremer a pas­sarinha, tal como se nos encostassem um trabuco ao peito.

Catecismo do Labrego: Valentim Lamas Carvajal (Jornalista galego do sec. XIX)

têpêcê

(Porque eu tenho noção do perigo...)

A minha sábia progenitora sempre me disse para não me envolver com vizinhos ou colegas de trabalho.
Claro que há coisas que não se controlam. Claro que tive algo parecido com uma experiência do género.
Na minha opinião, e como diz o pipinho, altamente desaconselhável! risos
Já agora acrescento que também não gostaria de trabalhar no mesmo sítio com pais e/ou irmãos.

Sublime dedicatória...


Tinha que escrever este post...vai dedicado especialmente aos lampiões!

Namoros e trabalhos

Pois, o meu namoro começou aqui. Eu já cá estava e ele apareceu como estagiário, mas não lhe dei muita importância. Um belo dia, fomos todos comer um petisco, a seguir uma caipirinha e no fim de semana a seguir já foi um jantar romântico.
Ao princípio fingiamos que não nos conheciamos e esperávamos um pelo outro no muro lá fora. Não queriamos que ninguém soubesse porque não sabiamos onde é que aquilo ia dar e se nos podia prejudicar de alguma maneira no trabalho.
A coisa correu bem, não trabalhávamos juntos, apesar de fazermos mais ou menos a mesma coisa. Ainda alguém se lembrou de nos pôr na mesma sala, mas felizmente a ideia caiu por terra. Acho que isso teria sido complicado, porque o nosso local de trabalho é uma certa maneira o nosso mundo, um cantinho à parte: recebemos telefonemas, escrevemos mails... Coisas pessoais que divido na maior com os meus colegas, com o namorado já não sei.
Ele foi embora, mas se tivesse ficado a coisa teria corrido bem na mesma, desde que existisse esta pequena distância.

Adivinha

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Adivinhem onde vai uma cegonha aterrar???

Dou uma dica. Há dois representantes desta família no blog:)

Amor vs Trabalho

Viva!
Trabalho, sim trabalho com o meu namorado. Temos a mesma função mas em horários distintos.Nunca estamos realmente juntos no local de trabalho.
E sempre assim foi na escola,turma,na marcha( a minha marcha é lindaaaaaaaa) e na CVP.
No inicio foi estranho, era dificil distinguir vida pessoal com a profisional.Pois sempre que relembravamos algum episódio mal resolvido no trabalho era discussão na certa.
No entanto, com o passar do tempo fomos aprendendo a separar as águas.Et voilá!!
No fundo é compensador para ambos...

Morgaine

Pirilampo-Mágico

Já estão à venda os pirilampos 2006.
Acabei de comprar o meu à Multi, como tem sido habito nos últimos anos.

A pedido da Multicalórica aqui fica o exemplar deste ano, com uma proposta para futuras campanhas ;-)

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muuuuu

O meu cão comeu-me o trabalho de casa

Vou partir do principio que trabalhar perto dos companheiros é trabalhar no mesmo local de trabalho quiçá na secretária ao lado.

Apesar de nao ter passado por esse tipo de situação, a curto prazo deve ser giro mas a medio-longo prazo deve ser altamente desaconselhavel.

Alias, trabalhar no mesmo ramo de trabalho que o companheiro nao deve ser interessante.

Namorar e trabalhar



Trabalhar perto dos companheiros...eu nunca chamo companheiro, gosto mais de chamar namorado.
Nunca me aconteceu, portanto não posso avaliar muito bem. Sempre tive namorados em áreas totalmente diferentes da minha. Também trabalhar no que eu trabalho, é raro:)

Nos casos que presenciei, alguns resultam bem, outros mal; depende das pessoas em questão.E sobretudo da capacidade de sermos independentes e termos capacidade de distanciamento, quando necessário. Temos um caso aqui no blog, em que isso acontece, não é Multi e Care? Eles poderão falar melhor, até porque acho que é um dos casais que gere bem essa situação.

Eu acho que não gostaria de falar em casa só( ou muito) de trabalho . Aliás quando o faço, os gatos mudam de sofá. E sempre tive outra regra: nunca me envolver sentimentalmente ou em género afim, com pessoas com quem trabalho. Se corre mal, é um grande ressaibiamento e uma fonte de chatices. E eu até corto uma unha, para evitar que me chateiem. Mas estou-me a lembrar da Lulu. Ela já viveu isso, pode falar do assunto com propriedade também. Conheceu o namorado no trabalho , correu bem e...o resto conta ela:)

E com isto tudo lembrei-me deste par que se conheceu a trabalhar e continuaram a fazê-lo; quebraram todas as regras e divertiram-se bastante. Continuo a adorar o Richard:)
TêPêCê

seguido as ordens da Maestrina destes Dias, aqui vai o tema:

trabalhar perto dos companheiros: bom ou mau?...

eu, pessoalmente, não creio que que seja algo mau... mas, tb nunca passei por essse tipo de situação. talvez num futuro próximo.

Freedom

It’s no big deal.
Sei que não bule com a crise no Irão, a fome em África ou o estado da nação, mas hoje e pela primeira vez em quase três meses saí à rua sem esta armadura mediaval.

Image Hosted by ImageShack.usConfesso que na última semana andei a contar os dias, mas ao sair de casa estranhei um pouco. Senti o pé muito solto...
Agora, agora está quase :D

As velas Hopi

Nada como novas experiências!
Na Biocoop achámos muita graça às velas Hopi. São uns tubinhos de cera, que se enfiam um bocadinho no ouvido e se acendem. O objectivo é desobstruír o dito das porcarias, aliviar as dores de cabeça etc, etc. O R ficou muito entusiasmado,comprou e obrigou-me a comprar também.
Fizemos assim uma sessão. Eu esticava-me no sofá a ver o House compacto três episódios e ele acendia o rastilho até chegar a sete cm da orelhita. Foi engraçado,parecia uma fritadeira .Tinha um protector redondo, que não aparece na foto para evitar que a vela escorra e nos queime.

Àparte o meu receio natural de incendiar a casa, queimar o ouvinho, o tapete, etc, tudo correu muito bem.
E consegui ver o House também embora de cabeça completamente torta. Engraçado que fiquei bem melhor do ouvido que anda sempre esquisitoíde.

Sei que o Azinho vai torcer o nariz às velas Hopi, mas apesar de eu ser céptica nestas coisas, que me aliviou foi verdadinha.
Outra coisa, o R que odiava ver TV vidrou no House, ele faz parte daquele grupo de apoio a pessoas que estão a morrer e depois não contente com isso, papou o Discovery Civilization com os coptas todos.Três horas seguidas de TV!!!

7 de maio de 2006

Lee

E para terminar a tarde, uma gaja com swing (mas feia pra caraças)

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Jamie Lee Curtis

Amigos, Companheiros, Camaradas...a vida é feita de pequenos nadas!

e assim passa uma tarde...bebi 2 isques mas não bateram...isque de promoções em hipers só se beber uns 5...fumaça....fumaça...leio na revista do jn que a lia gama tomou o nome de lia do livro do rodrigues miguéis "léah"...entro na cozinha e como um rojão com tripas e uma rodela de farinhato...um copo de branco...ligo a antena 2 e mando gargalhada (perguntam a uma velhinha russa que vive em portugal...da música clássica...se se apaixona facilmente...e ela: "depende do sense...por homens? ou até por...mas é melhor nem falar disso...")...fumaça...reparo num escaravelho morto no chão...de patas para o ar (situação kafkiana)....começa a chover...a minha mãe mostra-me um ovo minúsculo que as galinhas puseram...nunca tinha visto tal...gargalhada...fumaça....

Cinefilias

Cinema em casa!

Deixo aqui duas sugestões:

Unseen Cinema uma excepcional caixa de 7 dvd's, com curtas metragens do tempo dos avózinhos! (americanas)

e

Kino uma caixa de 2 dvd's na mesma linha da Unseen (mas com obras europeias sobretudo)

Ambas as caixas contêm o Ballet mécanique de Fernand Léger (obra referenciada no História Abreviada Da Literatura Portátil, do Vila-Matas), mas o que está no Kino é uma versão mutilada e sem a banda sonora original (não há problema com as restantes curtas do Kino).

Depois falo do Treasures Of American Film!

E o Conrad..



Vivemos como sonhamos, sozinhos"
( in o O Coração das Trevas)


Engraçado como o comentário do Manuel me fez repegar nos livros de Conrad, que
comprei há muitos anos e editados pela Civilização, Porto 1945.
Pelos vistos ando a viajar pela edição portuguesa desse ano.
Encalhei neste o Linha de Sombra, que reúne vários contos.


Continuamos para a frente. E o tempo também contin
ua para a frente...até que descortinamos, lá para dentro uma linha de sombra...

Mas de repente mudo de história.

Sem dúvida que o mais conhecido livro deste a
utor é o Coração das Trevas. Muito graças ao Coppola, que imortaliza a relação entre Marlowe/Willard e Kurtz, transferindo a história do Congo para o Vietname.
Mas sempre o rio...


Havia no entanto, ali, um rio em especial – Um grande e portentoso rio que se podia ver no mapa semelhante a uma imensa serpente desenrodilhada: a cabeça no mar, o corpo em repouso ziguezagueando ao longo de um vasto território e a cauda perdendo-se nas profundezas do interior.
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À falta do Coração das Trevas que emprestei ingloriamente, vou reler os contos do The Shadow Line..

hooker 'n heat, ou a continuação dos vínílicos na semana dos blues.

os canned heat foram uma das bandas mais marcante dos anos 60 a fazeram a fusão do rock com os blues e o boogie.
com uma formação originária de diferentes áreas (desde henry 'sunflower' vestine que foi membro dos mothers of invention, a banda de frank zappa até larry taylor que foi músico de estúdio dos monkees e membro do célebre 'dejá vu' dos crosby, stills, nash & young with larry taylor and jerry garcia).
os canned heat fizeram participaram no mais importante festival de música dos anos 60: o 'monterrey pop festival' e também no mais carismático: o 'woodstock music and art festival'.

em maio de 70 (um pouco antes da morte do seu líder alan wilson em 1970, o que ajuda a alimentar o mito do festival de monterrey como fatítico para os seus participantes (otis reding, janis joplin, jimi hendrix, alan wilson), os canned heat gravaram com o seu ídolo e principal inspirador um enorme album.


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este
hooker 'n heat foi o primeiro album em que john lee hooker participou que conseguiu atingir os tops de vendas nos estados unidos (ou em qualquer outro país).
e foi um dos poucos discos em que um grupo de músicos rock foi buscar o seu ídolo de blues e conseguiu fazer um trabalho merecedor do seu nome (o outro exemplo marcante é o mítico 'london howlin' wolf sessions' em que participam, entre outros, howlin' wolf, eric clapton, steve winwood, ian stewart, bill wyman, klaus voorman, charlie watts... mas a esse lá chegarei quando o digitalizar e hoje não foi o dia.)

este disco é do melhor que há para quem tenha crescido com o rock e se queira aproximar dos blues.

este é um disco muito mais que excelente
façam o favor de ouvir.

6 de maio de 2006

Brasil, Paraty, saudades de estar lá.

Estou numa de descobrir cronistas brasileiros. Há uns anos estive em Paraty uns dias.
Ouvia vagamente as escolas de samba a ensaiarem, enquanto me deliciava com uns casadinhos de camarão maravilhosos e me limitava a viver aquela cidade em modo nonchalance. Parecia um bocadinho de Portugal mas em fundo tropical. Uma pérola colonial.Confesso, tenho uma relação de amor mal resolvida com este país. Falta-me ir mais vezes lá. Sinto-me em casa e aconchegada. Se forem ao Brasil, evitem o Nordeste e marchem direitinhos a Paraty.

Por tudo isso, achei esta crónica linda . Igualmente me contaram estas histórias do reizinho. O site que a providencia, fantástico. ESTE .

Falta-nos um site de amor a Lisboa como este...
Passo a transcrever:
Affonso Romano de Sant'Anna








Foto de Daniel R. Carneiro



De repente, dei-me conta de que Sua Alteza d. João de Orleans e Bragança estava andando ao nosso lado, pisando aquelas pedras irregulares e desequilibrantes de Paraty.
Aliás, ele mora em Paraty. E lá vai ele com a Sua/Nossa Alteza Teresa (de Sousa Campos), andando entre os populares, cumprimentando pessoas na porta de casas e bares, apoiado discretamente numa bengala. Ajudo-os a escalar aquela muretinha de meio metro erguida para impedir que a maré cheia invada a igrejinha ali defronte. E enquanto vai anoitecendo somos umas cem pessoas caminhando para dentro da Igreja de Santa Rita para ouvir um concerto, onde a pièce de resistence será "As quatro estações", de Vivaldi.
Alguns minutos antes, Joãozinho, o príncipe, já nos falava de Paraty com tal entusiasmo que, ao ouvi-lo, só nos resta fazer a mochila, armar a tenda ou mudar para lá e virar uma das pedras tombadas da cidade. Ele fez isso. Seu pai fez isso. Outros estão fazendo isso. De uma cidade colonial, Paraty está virando uma cidade real. Real em múltiplos sentidos.
- Uma Petrópolis à beira-mar?
Imagine que até 1960 Paraty tinha apenas 3.046 habitantes. Havia ficado esquecida ali junto à Serra do Mar durante uns 200 anos. Com a abolição da escravatura, esvaziou-se mais. Mas teve um tempo em que possuía sete valorosos fortes para guardar suas riquezas contra o ataque dos piratas, que vinham ávidos atrás do ouro e dos diamantes que desciam pelos caminhos das Gerais.
Hoje quando a vida pelas bandas de Rio e São Paulo está perigosíssima, quando o famigerado "crime organizado" amedronta nossas cidades, gerido até mesmo de dentro de nossas próprias penitenciárias - como estarrecedoramente publicam os jornais - fico pensando se não estamos vivendo um clima semelhante àquele dos séculos XVII e XVIII, quando corsários ficavam à espreita entre Paraty e Cabo Frio, assaltando as embarcações ou mesmo invadindo e saqueando as cidades, como hoje os marginais fazem, nos humilhando a todos.
Lá vem, por exemplo, o capitão francês Duclerc, em 1710, com cinco navios desembarcando em Guaratiba, seguindo depois pelas cidadezinhas da costa, pilhando e batalhando nas vielas, rumo a Paraty. Lá vem Duguay-Trouin, que em 1711 saqueia o Rio com seus seis mil homens e 17 navios, levando como troféu para Luiz XIV o sino da Sé do Rio de Janeiro.
Tento esquecer isso. Afinal o ambiente no interior desta igrejinha não podia ser mais lindamente simples: iluminação à vela, e aqueles altares com colunas gregas barrocamente revestidas. Dizem que Lúcio Costa gostava especialmente deste frontão, destes altares, destes cunhais em cantaria.
Como preâmbulo, a Orquestra Pró-Música executa outras peças. Que bela acústica tem essa igrejinha do século XVIII. Como a plasticidade dessa música se amolda à essa arquitetura colonial barroca. Até mesmo este intermezzo da "Cavalaria Rusticana", de Mascagni, soa bem aqui.
É inevitável a lembrança. Músicas e perfumes levam-nos em viagens pelo passado. E estou aqui, mas estou também na minha adolescência ouvindo esse intermezzo, que era tocado enquanto as majestosas cortinas daquele majestoso Cine Teatro Central iam se abrindo para começar uma corriqueira sessão de cinema.
Houve um tempo em que um filme era apresentado com um ritual digno de uma ópera, de um grande espetáculo. As cortinas iam se recolhendo e as lâmpadas do teatro iam se apagando, se descolorindo até a escuridão, de onde emergia a luminosa tela.
Essa igrejinha é da mesma época em que viveram Mozart e Vivaldi. Esse concerto para clarineta de Mozart, portanto, está soando há uns 200 e tantos anos. Há uns 200 e tantos anos estão soando esses violinos de Vivaldi.
- Estou em Viena, onde viveu Mozart e onde morreu Vivaldi?
Não, estou em Paraty, cidade de nome indígena significando "peixe da família das tainhas", ouvindo uma orquestra em que o maestro tem também sobrenome indígena - Tibiriçá.
Então, vou consultar coisas e aprendo que naquela região viviam os índios guaianás.
- Où sont-ils? - perguntaria Villon.
E Bandeira responderia: "Estão todos dormindo, dormindo profundamente".
Aliás, pior, foram dizimados, razão pela qual, aprendo num livro de Maria Eliza Carrazoni, que dona Maria Jacome de Melo, fazendo uma campanha em 1646 para que parassem de matar índios, doou terreno para a construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. E vai ser outra lendária mulher de Paraty, dona Geralda Maria da Silva, que no século XVIII solta a grana para a construção da matriz que acolhia "todas as camadas sociais do município durante o Império". Dizem que ela era filha de um corsário, e queria com essa obra expiar os pecados da família.
Índios. D. João. Música. Barroco. América.
Este Vivaldi que está soando aqui, este Vivaldi que era padre, mas não rezava missa, este Vivaldi que viajava com sua amante Anna Guiraud, este Vivaldi que escreveu 550 concertos, sendo 230 para violino, este Vivaldi que deixou 20 óperas tematizou numa delas a vida de um índio: "Montezuma". Foi encenada no Teatro Sant’Angelo, em Veneza, em 1733, contando o trágico encontro do conquistador Hernan Cortès com o chefe indígena, que foi traído e teve seu reino aniquilado.
A história é uma ópera. Com solos, sangue, árias, coro e muita esperança. A música (como a crônica), no entanto, vai terminar.
Vivaldi - maestro di violino - vai descrevendo didaticamente os acordes que lhe sugerem a primavera, o verão, o outono e o inverno. As estações se sucedem. Sucedem-se os corsários e as tribos indígenas. O ouro muda de mão.
A noite nos espera. As pedras das ruas de Paraty encaminham nossos passos. E o mar e a música sobrevivem às estações.

O GLOBO - 24/01/2001

Mark Twain

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Eu sou compulsiva leitora da obra toda deste senhor, Samuel Langhorne Clemens de seu nome.
Ainda hoje o Tom Sawyer e o Huckleberry Finn fazem parte dos personagens que se tornaram família por direito próprio.
Leio sempre de novo com a mesma vontade e com a mesma vontade de rir.
E todos os que li na infância nestas Obras Completas de Mark Twain da saudosa Inquérito.
Este comprei num alfarrabista a um euro: pertencia a um senhor F. Moraes D´Oliveira, que o comprou em 1946. Sessenta depois veio-me parar às mãos.
Está entregue caro senhor!

5 de maio de 2006

o chá faz muita falta....

no final do jogo do benfica, no fim de semana passado, o treinador benfiquista teceu uma série de comentários a propósito das facilidades concedidas pelos jogadores do rio ave ao sporting que são, no mínimo, estranhas.

dizia o senhor ronald, poucos minutos apenas após o final do seu jogo, que já tinha visto os golos do jogo rio ave-sporting e que as facilidades concedidas pelo jogadores de vila do conde o fizeram rir, achando por isso que com tantas facilidades que concederam ao sporting seria dícil para o benfica atingir o segundo lugar.

tirando o facto dos jogadores do rio ave terem estado a jogar para não descer de divisão (coisa provavelmente mais importante para eles que a luta entre o sporting e o benfica pela consolação do segundo lugar), esta manifestação de falta de desportivismo e de educação é absolutamente lamentável.
o senhor ronald dizia há poucas semanas que estava a um passo de fazer história.
estava nas 3 frentes e com os títulos ali à mão (agora as 3 frentes são a frente do columbo, a frente do media markt e a frente da av. lusíada..).


de facto fez história: não são muitos os treinadores que passam pelo benfica sem ganharem coisa nenhuma...
(mário wilson dizia há muitos anos que um treinador no benfica se arriscava a ser campeão.. excepto se esse ttreinador for o senhor ronald)

ontem, ao ser questionado pelos jornalistas, o avançado do sporting liedson referiu-se ao assunto classificando-o de uma falta de respeito pelo esforço dos jogadores do rio ave, a quem o senhor ronald deveria pedir desculpas.

entrevistado hoje de manhã no aeroporto, o sr vieira, presidente do benfica, comentava que não tinha que comentar as declarações de liedson porque 'esse senhor' era um jogador normal que apenas estava de passagem por portugal e que se devia limitar a fazer o que devia: marcar golos (e o liedson tem feito a vontade ao senhor vieira marcando alguns golos à sua equipa...)
tirando o pormenor de alguns mente-captos acharem que o facto de não nomearem as pessoas e os tratarem por 'esse senhor' ou coisas parecidas é uma forma de desqualificação, esta reacção do senhor vieira (cujo treinador também está de passagem por portugal e se devia limitar a fazer aquilo para que lhe pagam: treinar a equipa do benfica para que ganhe alguma coisa...) vem na melhor tradição do mau perder e da falta de chá em pequenino...
este senhor vieira foi o mesmo que no final do ano passado comprou o último jogo do campeonato ao já despromovido estoril praia fazendo-os jogar em campo neutro para melhor assegurar a vitória que necessitavam para ganhar o campeonato.
memórias de lesma de quem tem falta de vértebras

é triste, mas é a vida....

Na onda

Mas variando às adivinhas, em que filme é dito:

“All I have in this world is my balls and my word, and I don't break them for no one.” ?

esta é a semana dos blues cá na casa

eu tinha dito... depois do lightnin' hopkins não seria fácil parar a coisa.

hoje foi a vez de digitalizar este disco


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willie dixon foi um dos mais talentosos compositores de blues de sempre e um dos maiores compositores americanos, fosse qual fosse o género a considerar
gente tão diferente como muddy waters, the doors, jimi hendrix, led zeppelin, rolling stones, elvis presley, greatfull dead ou howlin' wolf gravaram músicas suas.
estranhamente, o seu instrumento de eleição era o contrabaixo, coisa absolutamente inusitada num músico de blues.
e este, embora não cantasse muitas vezes, de cada vez que o fazia era deslumbrante.

tal como o robert pete williams de ontem, também o willie dixon passou pelas prisões americanas.
se pete williams foi condenado a prisão perpétua por homicídio (mais tarde comutada pelo seu serviço á comunidade através da música), dixon foi preso por se recusar a prestar serviço militar num exército dum país que não respeitava os negros.

neste disco junta 20 blues em que acompanha no contrabaixo muddy waters, howlin' wolf, robert nightawk, little walter.. e ele próprio.
são 20 clássicos por músicos de excelência.

e o espólio dos vinílicos promete continuar....

O Amor acaba

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Copyright : © Jean Gaumy / Magnum Photos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."

Paulo Mendes Campos

Afinal o amor nunca acaba:) Obrigada Orlando! Este escritor é fantástico. Quando nos apresentas outro?

Parabéns ao El Pais

O El Pais fez trinta anos, dia quatro de Maio.
Um jornal jovem , de esquerda e que eu leio sempre com muito prazer.

Fat pig, por Neil Labute

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Anatomy is destiny--- Sigmund Freud
. . .things aren't just based on appearance.....Tom, defending his attraction to the plus-sized Helen.
. . . I'm not talking about what people deserve, I'm saying what they get. You look one way, you have access to all this. . .look some other way, all you get is that. Sorry, but it's true. ---Carter, the this to which he refers being their well-paid job environment and access to model-thin dates.

Neil Labute

Sobre a peça de Neil Labute: Fat pig ou Gorda

The idea of a romance between an attractive guy with an upscale career and an amply endowed Rubenesque woman does have comic potential. In LaBute's play, however, the laughs are not just for entertainment but a means for jogging us into thinking more deeply about the attitude that equates super-thin, athletic and youthful looks with success -- an obsession that has made multi-millionaires out of diet doctors and surgeons doing plastic surgery and procedures like stomach stapling.
Ou...
GORDA, una obra de teatro cargada de realismo
El sentimiento que se experimenta al comprobar que tu cuerpo no coincide con los cánones de belleza establecidos por la sociedad y la moda es tan desagradable como la propia idea que hemos creado de la perfección. El culto al cuerpo, la extrema delgadez y la belleza se valoran, por desgracia, más que la personalidad y la inteligencia… Y la obsesión que se deriva de todo esto causa siempre problemas.Por eso, es de agradecer cada movimiento cultural que se centra en mostrar las dificultades actuales de la sociedad, como arma para combatirlas. Subir al escenario temas que nos son tan familiares ayuda a concienciarnos de la realidad para dar un paso adelante y cambiarla. Neil LaBute, lo hace… y muy directo. Con su gran dosis de mordacidad e ironía habitual plantea en GORDA una obra con un contenido que nos resultará muy familiar: el temor a que nos juzguen, el miedo a engordar, el rechazo y las relaciones humanas. ¿Puede un hombre guapo enamorarse de una divertida mujer con sobrepeso? ¿Pueden ser felices sin que la sociedad, cruel por naturaleza, intente impedirlo?


Merlo da vida en esta historia a Tony, que se enamora perdidamente de Helena (Delgado), una chica graciosa, sexy, divertida pero... ¡Gorda!. Algo que los amigos de él no van a perdonar. Sobre todo su más íntimo confesor (Miramón), que considera que esta relación es un fracaso absoluto. Por su parte, Otón es la eterna enamorada de Tony, una chica guapa y exitosa a quien el amor no le sonríe.
Pero, ¿hasta dónde pueden aguantar las bromas, las risas y los insultos esta parejita de tórtolos? Labute plantea, a través del tema de la gordura, otros problemas de la sociedad actual y habla de la 'incomunicación'.
"El tema de la gordura es un pretexto para hablar de otros problemas sociales. Me interesó la obra por la falta de concesiones al romanticismo que hace Labute", explica Merlo, destacando la importancia de que el autor teatral incluya en este texto referencias a los homosexuales, mendigos o viejos.
La presión del mundo laboral
También la "presión del mundo laboral" está en esta obra, mostrando el "nivel de deshumanización" que se ha apoderado de la sociedad actual, donde "el trabajo está por encima de los sentimientos", señala el actor, que compaginará las representaciones teatrales con su papel de Mauri en la serie televisiva 'Aquí no hay quien viva'.
Teté Delgado afirma que 'Gorda' "habla de dos mundos cerrados: el de los guapos, con cuerpos perfectos, que van al gimnasio y se alimentan con productos 'light'; y los gordos. Mucha gente cree que los gordos ni sienten ni padecen", manifiesta la actriz.
Miramón señala que la obra va de "un hombre estupendo que se enamora de una gorda estupenda" y que su personaje es quien "ve la relación más negativa que nadie". Mientras que Otón encarna a "una mujer que aspira al éxito, y no puede entender que Tony se enamore de una mujer gorda".






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Outro dia, em casa de amigos disseram-me: a protagonista desta peça fez-me lembrar de ti quando a vi em Madrid. Descreveram-me basicamente o enredo e tive vontade de procurar saber mais. Gostei do que li e achei um elogio o comentário do meu amigo:)
Mas gostava de dedicar esta miscelânea de recortes e ideias, a todos os idiotas que insistem em tentar diminuir as gordas felizes. E nessa tentativa de diminuição tão abstracta como ineficiente, ou não seriam precisas dietas, não percebem que os únicos gordurentos de cérebro são eles...

GÉNIOS... LÂMPADAS... Não Obrigado.

Comungo da opinião do Ruinzolas... esta treta das lâmpadas, atendendo à actual conjunctura internacional, pode ser complicada. Não!? Pois então vejam lá o perigo que não será ter um artefacto com um génio, certamente com turbante (como manda a regra) e com uma forte probabilidade de ser membro da Alqaeda,da Fatah ou até um qualquer extremista "free-lancer"... deixem-no estar lá na lâmpada em paz.


Ah!! Com a globalização, também não se pode excluir a hipótese de, que de dentro dela saia um clone do "Buchas" a dizer "all you desire it´s an order... but always with a BigMac you have to eat"...

Iscas!!!!


Bom Fim de Semana :)

4 de maio de 2006

Parabéns Ricardo!!!

Por aquilo que não se pode dizer (ainda)

Urgente Fotógrafos Lisboetas Lede!

Há um bolo-rei do qual foram removidas todas as frutas cristalizadas da parte de cima no chão no meio dos carris da estação de metro Marquês de Pombal, Linha Azul, sentido Marquês -> Pontinha ao início da estação (isto é, próximo do túnel de onde chega o Metro). A cerca de 40 centímetros de distância, mais próximo do túnel, está o que aparenta ser um ninho-de-ovos de chocolate voltado para baixo e ao qual foram removidos todos os fios-de-ovos.

Eu deveria andar sempre munido da minha máquina-fotográfica digital, aquela que não tira fotos mas sim realidades.

Desejos

Gostava de não ter desejos por realizar e mandar o génio da lâmpada dar uma volta ao bilhar grande!

Para o Ricardo:)

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Unique Sigmund Freud Action
Figure Sigmund Freud Figure with movable Arms and Cigarre.
Warning: Not suitable for Children under the age of 3! Hight:
13cm Material: Plastic

Direstamente do Museu de Viena para o Ricardo!!!

TrêS DesejoS

desejos simples para um dia simples:

Um: que o mundo não se torne uma réplica do "1984" ou do "Admirável Mundo Novo";

Dois: que não se continue a deitar comida fora para manter os preços altos;

Três: que a cor da pele, a orientação sexual ou o sexo, deixem de servir como base de discriminação.

deixemos os blues por uns momentos, mas continuemos pelos states

they'll never keep us down, women's coal mining songs
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este é um disco que junta canções escritas durante um período de mais de 50 anos.
entre a mais antiga, 'which side are you on?', cantada à capella aqui pela sua autora já com idade muito avançada na sua casa até as de hazel dickens ou as da reel world string band.
são canções de 3 gerações de mineiras das montanhas apalaches.
são canções sobre tudo: a família, o meio ambiente, os sindicatos, as greves, a fome.
são sempre canções sobre as minas de carvão.
e são sempre canções de mulheres.

este é um disco excelente que é também um documento fantástico.

e esta uma das suas canções:

draglines
{deborah silverstein)

draglines at my heart
they're tearing us apart
and the mountainside where we were born
must I weep and mourn for the land
that took ten million years to form
now all my eyes can see are just the bleeding scars
across the mountainside, across the mountainside

coalport pa, just a little town
not too far away
for anyone to know
that the folks born and raised
for six generations working day by day
tryin' keep themselves alive

our neighbours down the road
they farmed twelve acres
worked a heavy load
always dirt though they tried
the coal company came through
said we'll mine your land
take the burden off of you
and we'll see that you get by

first they tore down their homes
where the grandma, all the kids were born
they just tossed it all aside
then came the big machines
ripped up the trees
and muddied all the streams
while the family stood and cried

draglines at my heart
they're tearing us apart
and the mountainside where we were born
take warning that the stormclouds will come
and block out the sun
that's shining on the folks who seek their fortunes off
the families who have died
dying to survive, across the mountainside

O Freud é Austríaco e Estudou, Viveu, Trabalhou e Genializou em Viena

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E Viena é uma cidade linda.

Telepatia Coerciva Colectiva Continua

Agora quero uma maioria de mulheres lisboetas a dizer sim, porque não?, concerteza, vamos, no meu ou no teu? em vez de não, nem pensar, deves estar é maluquinho, tira masé os cavalinhos da chuva, olha que chamo a polícia e estou cansada e/ou com dores de cabeça.

Ainda Freud

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Ainda existe o divã de Freud no Museu que fizeram da casa onde morou em Londres.
Como será a sensação de nos sentarmos nele? Parece vagamente divã de serralho:)Gosto da ideia!

FREUD MUSEUM/LONDRES

LISBOA...

ao despertar

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e... seus telhados
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eu tinha avisado...

depois daquele lightin' hopkins a coisa não parou.

e passou para este mais que excelente duplo lp que junta os blues rurais e urbanos.

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eu reconheço que sempre fui mais amante dos espaços abertos nestas coisas dos blues e dos seus músicos.
e aqui, mesmo achando o 'blind' snooks eaglin um excelente músico, a re-audição de robert pete williams torna este disco uma coisa a digitalizar o mais rapidamente possivel para poder ouvir fora do prato onde rodou até há uns momentos.

os blues podem tornar-se obcessivos..
felizmente

3 de maio de 2006

La maison de ti'capitão

de volta aos vinílicos, ou de como a digitalização da coisa nos faz recordar eargasms

este foi o lp que estive a digitalizar esta tarde
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um deslumbrante disco de lightnin' hopkings onde o mestre se junta, em quatro blues, aos mestres brownie mcghee, sonny terry e 'big' joe williams.
depois de ouvir isto apeteceu ir buscar o monte dos lp's de blues e re-ouvir tudo.


esta gente cantava e tocava deslumbrantemente bem.

este é um verdadeiro eargasm


(prometo voltar à magna questão das digitalizações...)

eu sei que isto vai fazer baixar as audiências, mas aqui vai o ponto de situação da casa do ti'capitão

à primeira vista a coisa estava mais que excelente.
até já tinha telhado...

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o pior foi depois.

embora tenha um vista excelente...
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eu só aqui consigo entrar de gatas


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Fajão, 2006

Seios apetecidos.





Copyright : © Bruce Gilden / Magnum Photos




JAPAN. Tokyo. 1999. Ayumi Sakai, 28, former prostitute and novelist. Her novel is entitled "The Women Who Don't Sleep". As a prostitute she practiced "fuzoku" experienced in all forms of sexual pleasure.

Japan is no longer the home of the "comfort women" who were forced to work as sex slaves during World War II. Today, many Japanese prostitutes enjoy far more freedom. They are often "middle-class" women using prostitution to supplement their income. Well-educated women who are mothers and students have started using prostitution to fill financial as well as emotional voids in their lives. Over the past few years this "double life" phenomena has become a growing trend within the Japanese society. Many television programs and dramas glorifying this subject have emerged in recent years. The booming sex industry can be closely linked to rapid economic development. It is common for Japanese businessmen to entrain clients with "hostesses" and upscale call girls. Many women who lead these "double lives" work as hostesses in bars, health clubs, or as masseuses at Soaplands or Turkish baths. Although prostitution is technically illegal in Japan, this crime is rarely punished.

Los senos cuyo valor desconoce el dueño

Nadie jamás había tocado sus senos. Habían tenido una perfecta seriedad en su pecho. Estaban reservados para que muriesen inactivos en el árbol solitario.
No supo él los senos nuevos e intactos que se llevaba, los senos de miel que tenía entre manos. La noche de sus bodas aquella mujer debió buscar el amante que se diese cuenta. ¡Qué irreparable pérdida!
En aquella noche, como todas las noches, perdieron su fragancia los senos preciosos en las manos del tratante de naranjas.


Ramón Gómez de la Serna

ando completamente encantada com as coisas que leio deste escritor

A Maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia


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"Era uma vez um rapaz de cerca de catorze anos, alto, desengonçado, de cabelos fulvos como estrigas"

Assim começa este livro de Selma Lagerlof. Li-o não sei quantas vezes. Muito sofreu ele por se ter tornado liliputiano. Pois, tinha feito maldades...até o gato não gostava dele.
Mas tem 397 paginas para se redimir e voltar a casa dos pais, depois de ter atravessado a Suécia...E tornar-se grande outra vez.
Acho que esta capa foi conhecida por várias gerações. O meu exemplar está muito velhinho já. Mas ainda vai sobreviver.

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E estas Pipinho?

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Dedicada ao Pipinho!

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Quem é? Pediste mamas para adivinhar...

Adivinha!

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Quem é este senhor? É um actor!E chama-se...

2 de maio de 2006

de como a magnum nos fazem lembrar um restaurante de nome singular.

esta foto
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de Guy Le Querrec foi tirada em carrapichana há uns valentes anos.

carrapichana é hoje a terra onde fica um excelente restaurante com o singular nome de 'escorre a picha ana'.
pela experiência, recomendo vivamente o polvo á lagareiro.
mas a escolha pode ser bem mais vasta e de satisfação garantida.

não garanto que vejam ainda estes trabalhos de malha dos cereais na eira, mas a boa comida garanto-vos.

Lista de Essenciais Para Hoje

->Alho
->Bolachas
->Cogumelos laminados
->Bebidas não alcoólicas
->Bebidas alcoólicas
->Natas
->Milesi-Ferretti, G. M., Perotti, R. and Rostagno, M. (2002) Electoral Systems and Public Spending, Quarterly Journal of Economics, CXVII, 609-657
->Fetuccini
->Carne ou peixe fresco ou ...?
->Pão tostado
->Papel higiénico
->Ovos
->Salsichas especiais
->Limão?

Já há pouco leite, maionese e pão.

Telepatia Coerciva Colectiva

Agora quero uma maioria de mulheres lisboetas a usar mini-saia todos os dias.

Os três desejos

Os meus seriam:

- A capacidade para curar todas as doenças incuráveis, evitar sofrimentos e fazer feliz todos (os que me apetecer, claro!).

- Não haver necessidade de "dependência" económica para realização de projectos (o.k., esta é um pouquinho anarca).

- Fazer desaparecer o Cavaco.

risooos


pp: se houver uma cunha para um 4º pedido, os dois primeiros da T parecem-me muito bem :-) :-) :-)

Três desejos

Eu se encontrasse um génio numa lâmpada, depois de o esfregar bem e não sei se ele sobreviveria que eu sou bruta, pedia os três seguintes desejos:

- Uma rua muito boa cheia de casas à medida dos desejos das pessoas de quem gosto para morarmos todas juntas .
Com jardim e com piscina para os que quisessem. Cheias de luz numa zona sem risco sísmico, cheias de esplanadas com caracóis e livrarias e alfarrabistas, perto do mar mas a distância prudente vidé os tsunamis. Com vagas para novos amigos:)

- Saúde, montes de saúde e muita alegria de viver para todos.

- Um pequeno egoísmo : um carro com motorista tipo Jeremy Irons!!Para eu ir onde quisesse quando quisesse!

tpc

A pedido da Tzinha, por influência do Josef, cá vai:

E se, por artes mágicas, um génio (saído seja lá de onde for) vos oferecesse os três desejos da praxe?

Que escolheriam?

DELIVERANCE: A NÃO PERDER

Saiam já daqui e vão ver o Deliverance do John Boorman na RTP Memória. Começou agora!

1 de maio de 2006

Eu gosto muito de ir à feira do 1º de Maio

Eram onze da manhã e já estava pronta a atacar, qual terrorista de mochila, a feira de hoje. Liguei a B, combinámos local de encontro. Entretanto o grupo cresceu, assim como a quantidade de sacos de plástico. Sobretudo os meus. Gastei trinta e seis euros e vim carregada de roupa e coisas excepcionais.
Depois a fome das sardinhas. Às duas encontrámos uma esplanada ranhosa em que víamos passar os camaradas para o comício e amavelmente cumprimentávamos. Desejaram-me que nunca deixasse a minha mulher viúva, coisa que achei raro. Carradas de camionetas cheias de camaradas. Já o Salazar o Fazia. Continua in fazê-lo para qualquer força política.
De regresso ruas todas cortadas. Já à ida tinha sido o mesmo por uns míseros corredores que aniquilados escorriam suor e nem caminhavam. Pareciam caracóis. Seria uma maratona?
Desta vez o corte era por causa da manife, que era precedida, ó valha-me Deus, por um rancho folclórico de crianças com tamanquinhas e a suarem como deviam. Estava um calor do caraças.
Depois os anciãos todos: parecia uma excursão de terceira idade mas ainda animadinhos ( os que conseguiam). O figurino? O mesmo de sempre em pior, cada vez pior. Ouvi no local do comício entre o Barata Moura a cantar o Vamos brincar à Caridadezinha, a música pimba e do mal o menos sai com o Itapuâ do Caê.
Vi uma feira do livro no recinto, que vendia a obra de Maz du Veuzit: tive a ligeira tentação de comprar o John o Chauffeur Russo. Seria o culminar kitch do dia.

Tentei perceber a ligação lógica entre a feira, o dia do trabalhador, o Max de Veuzit, os cravos, as farturas, as sardinhas. os dvd piratas . Não deve existir mais nenhum país que comemore assim este dia.
Uma cigana cantava sozinha uma história em que falava que era muito pobrezinha e larilala...Talvez seja ela o verdadeiro símbolo do que é agora esta comemoração: uma excelente feira da parte da manhã. De fugir a correr quando chegam os políticos.
E foi isto.

TPC's atrasados I

Telemóvel, esse A(ini)migo do dia-a-dia.
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O meu primeiro telemóvel "aconteceu" em 1996. Um colega, com forte ligação à recém formada TMN, no Funchal, deu-me a dica. Acabei por adquirir um AEG 9020. À época, era dos poucos disponíveis, uma máquina infernal, repleta de coisas novas, tais como voice-mail e sms. Caro para "burro" e com uma autonomia aceitável para os equipamentos de então. Estava quase isolado, no que a comunicações diz respeito e não tendo eu telefone fixo, era uma boa forma de me manter em contacto com o "Continente da República". Essensialmente, foi a necessidade de manter permanente contacto com a Cris e restante família que me levou a aderir à nova moda. Os pré-pagos nem existiam, ou seja, aquela "treta" era facturada mensalmente a preços de "luxo".
A partir daí, regressado a terra firme, nunca mais tive telefone fixo. Fui "agarrado" pela tecnologia GSM e desde os modelos seguintes da tecnologia alemã, com oscilações entre a AEG e a Siemens, passando pelos Sony e Motorola, de tudo um pouco entrou cá em casa; um "forrobodó" tecnológico, coisa aliás que não causou grandes mossas na harmonia familiar, já que desde muito jovem sempre estive por dentro destas novas tecnologias. Sou radioamador desde muito novo e sabia que, mais tarde ou mais cedo, isso aconteceria. Muito se deve aos "malucos dos rádios" o desenvolvimento das comunicações móveis autónomas "dualband", da aplicação da informática no mundo das comunicações e a utilização e desenvolvimento dos rádio-telefones.

Vou sair agora, que a Cris está a chamar-me. Falarei disto mais tarde.

Abraços e bom 1º de Maio.

PS.: Desculpem a minha ausência, mas contigências da vida obrigaram-me a andar ausente destas coisas.

Inté.

O primeiro de Maio em Portugal pela Magnum e não só

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Nunca fui muito festejadeira do primeiro de Maio. Para ser sincera só lá vou ultimamente para espiolhar a feira de imensa tralha que lá vendem. Reparei que ninguém ouve os discursos. Está tudo na sardinha, na sandocha e de olho nas coisas que os ciganos vendem.
Aconselharam-me porém o site da Magnum e gostei do que vi. O primeiro de Maio de 75, visto por diversas ideeologias de esquerda.
Bonitas fotos não?
Depois o que a S e o Z me contaram da tese dela, grande mulher que o tema não é nada fácil, fui espiolhar as campanhas de dinamização cultural do MFA. Os soldados a ensinarem a vacinar porcos, a dialogarem com camponeses. Coisa estranha de se ver. Só me resta esperar que a S termine a sua tese e a publique, que eu vou ser compradora do livro, para ler sobre o assunto como deve ser.
Acho que estes foram momentos únicos, em que as pessoas realmente acreditavam que podiam mudar o mundo. Depois deixaram-se disso.
Recomendo completamente o site da MAGNUM .
Tem muito para ser visto.
Bom primeiro de Maio, para quem for caso disso.

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Minute Prologue

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"I've been listening to all the dissention.

I've been listening to all the pain.
And I feel that no matter what I do for you, it's going to come back again.
But I think that I can heal it, but I think that I can heal it,
I'm a fool, but I think I can heal it with this song."

Minute Prologue