16 de agosto de 2010

O Livro da 4ª Classe de 1954

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Livro Elementar de Leituras da 4ª Classe

Autores: Manuel Subtil, Cruz Filipe, Faria Artur, Gil Mendonça
Livraria Sá da Costa

13 comentários:

Julio Amorim disse...

...com algumas lavagens de cérebro típicas da época...

Luísa disse...

Com ou sem mensagens subliminares, eu gosto das imagens. A minha mãe ainda tem alguns dos livros dela (não é este, que ela é um bocadito mais nova) e eu gosto de os folhear só para ver os desenhos... fazem-me sonhar...

Miguel Gil disse...

T. é bom recordar isto, é importante não esquecer isto.
Mas coitados dos putos das diversas gerações que, na 4.ª classe da escola primária elementar, tiveram este livro de leitura. Em 1954 era a 83.ª edição deste ‘primoroso’ manual de leitura elementar.
Reler estes textos, imaginando-nos ainda putos, torna-se horripilante.
Não invejo os que sendo-me superiores escreveram, com responsabilidades e deveres que ignoro, tamanha ‘posta de vaca’, como a que foi dejectada na página 53.

Ainda bem que os portugueses a viver nos campos (e sem hipótese de ir à escola) não leram que a sua dignidade era qualificada pelo número de árvores que plantassem. Ainda bem que estes, sem pouco mais para se entreter, fizeram muitos filhos que vieram a escrever muito melhores manuais de leitura (entre outras inúmeras coisas), a ter filhos e a plantar as melhores árvores que podiam cultivar: a cultura; a educação; a ciência; as artes; e sobretudo adubaram a terra com a democracia.

Sobre o que o Sr. Castilho, estamos conversados.

A todos os autores deste e de outros manuais escolares similares o meu não agradecimento sentido.

T disse...

Muito francamente não sei se as mensagens e sobretudo a realidade social mudaram assim tanto ao longo dos anos. E estou como a Luísa, gosto das imagens, embora este não tenha sido também o meu livro escolar.

José Ricardo Costa disse...

Faz-me alguma impressão o facto de,naquela época, sem as pedagogias iluminadas e vanguardistas de agora, as crianças conseguirem aprender, chegarem à universidade e, espame-se, até serem inteligentes, saberem falar, ler e escrever. Mistérios.
JR

Julio Amorim disse...

Não se engane caro JR !
O ensino dessa época deixou muitos pelo caminho. Especialmente, aqueles que...nunca vergavam a coluna.

T disse...

O ensino deixará sempre muitas pessoas pelo caminho em todas épocas e todos os países. Neste caso muitos estudantes desta época estudaram, concluíram os cursos e nunca vergaram a coluna. No caso do meu pai, tirou o curso em adulto, já a trabalhar e nunca abdicou das suas convicções políticas.

Julio Amorim disse...

Pois...e esse exemplo deve pertencer à esmagadora maioria lá para a década de 50 ?

T disse...

O caso do meu pai? Mais para a década de 30/40. Não se esqueça que não é só a escola que inculca valores. Conheço muita gente que fez a diferença, tendo sido educadas nas escolas públicas do estado novo. Felizmente, quer nessa altura como hoje, existiam alguns excelentes professores.

carlos disse...

isto é um assunto recorrente de cada vez que saltam imagens desta série de livros da instrução primária.
sejamos claros:
estes livros eram claramente doutrinários como nunca mais o foram antes ou depois.
as referências a salazar e as suas citações são um bom exemplo.
há quem goste, quem ache que isso não é um mal em si ou quem ache que isso não influenciou quem não era influenciável. como há quem não goste.
claro que todas as gerações que atravessaram essa série de livros (incluindo a minha) sobriveram, cada um ao seu modo, a este começo tão pouco prometedor.
no entanto, ao contrário do que jrc afirma no seu comentário, a quantidade de gente que chegou á universidade naquele tempo era bem inferior a 1% e a quantidade de pessoas que nem àqueles manuais de propaganda tiveram acesso era superior a 20%.
falar hoje de uma coisa que está vagamente guardada no baú das nossas recordações ou que nunca as vivemos de todo é um pouco como falar do romantismo da idade média pelo que vimos nos filmes. mas a verdade é que se morria antes ods 30 anos e aquilo cheirava mesmo mesmo mal.

Ana Paula disse...

Olá, estava por aqui de passagem e vi este "post" sobre livros escolares antigos. Tenho uns quantos em casa aos quais presto uma dedicação quase como se se tratassem de tesouros. Alguns ainda usei para tirar "tira-teimas" do português durante o tempo na faculdade. Estes livros foram me dados por familiares que já não os queriam e eu, como boa estudante de Estudos Portugueses, fiquei com todos :) Ainda hoje folheio e penso em como seriam as aulas neste tempo (tenho apenas 34 anos :) ) Também é curioso que o meu filho com 9 anos também gosta de os folhear e ler algumas coisas, especialmente os poemas da Luísa Ducla Soares. Acho que independentemente da altura/época, o propósito de um livro é o de nos elevar a imagiação através das imagens, dos textos. Gosto, gosto muito de saber que tenho estes livros e acho que nunca me irei desfazer deles.
Um forte abraço e muito obrigada por trazerem à memória estas preciosidades :)

Ana Paula

jose disse...

Só hoje dei com este postal.
Foi,de facto,o meu livro da 4ª classe em 1961.Guardo boas(e más)recordações desse tempo.Nem o livro nem o texto da página 53 me afectaram em nada.Outros costumes da época sim e bastante!Mas não é disso que aqui se trata.Já tenho mais objecções à versalhada sobre o Gonçalo,isolado,lá à frente,talvez o "marrão" que não quer saber dos colegas;e no entanto eu chegava sempre cedo às aulas,era também um pouco asceta,mas nunca gostei da figura do "marrão".Os "marrões" que apanhei(muito poucos!)distinguiam-se não tanto por terem as mais altas classificações(havia excelentes colegas com classificações superiores)mas por total recusa a ajudar ou ensinar qualquer colega.
Quanto a livros,os de História e sobretudo os de Ciências eram mais perniciosos,pelo menos para mim.DE resto tinham todos as "marcas"do regime vigente,tal como os pós-abril também tiveram.
Obrigado por esta doce recordação.

jose disse...
Este comentário foi removido pelo autor.