25 de julho de 2009

SÍTIOS POR ONDE ELE ANDOU

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Serpa, um domingo pela manhã, 39º de temperatura. Mais um pouco e seria brasa.
Lá vai Serpa, lá vai Moura e Pias fica no meio.
Para além do queijo, Serpa exibe um outro ex-libris: a Cervejaria “Lebrinha”, onde se bebe a melhor cerveja do mundo.
Diz a lenda que se pede uma imperial, fica em cima do balcão, viaja-se até Lisboa, e no regresso, a imperial ainda está borbulhante de vida e de força.
O “Lebrinha”, acompanhando os tempos, já colocou na montra, nas paredes, letreiros desenhadas onde se pode ler que ali já se pode fumar. Razões? Um certo perder de numerosa clientela, que gostava da sua ganza, entre dois fininhos, e se estava a despegar da casa.
Uma terra simpática. Quase ao lado de um lindíssimo jardim, o Parque de Jogos Manuel Baião. Franqueamos a entrada e damos, junto ao bar, com um bidão, cortado ao meio, que serve de assador. Ouviu então dizer que é ali, naquele cantinho do parque de jogos, que o melhor da festa acontece. O jogo, em si, importará pouco, o importante são as entremeads, o entrecosto, os coiratos , as febras, o tintol.
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Há muitos anos, para aí inícios dos anos 70, foi ao Monte da Caparica ver um jogo de futebol do clube local com o Almada. A um canto do campo encontrava-se uma barraca,uma tábua comprida a servir de balcão, onde fritavam chouriços de sangue, pão caseiro, tudo acompanhado por um tinto de pipa de se ficar parado no tempo. O que ele daria para voltar àqueles chouriços…
Um grande cartaz na rua principal de Serpa, anunciava “Noites de Rua Cheia. Um nome catita para um festival de coros alentejanos onde, entre outros, pontificavam os “Sons da Campina”, “Amigos da Pinguinha”, “Sementes do Alentejo”. A pena que teve de não ter oportunidade de assistir.

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Não é alentejano mas gostava de ser. Partilhar solidões, admirar o serem enamorados de si próprios, da sua vida, dos seus vagares, das suas comidas, dos seus cantares, dos seus montes a perder de vista. Nunca falam sem pensar e, apenas, falam aquilo que é necessário falar.
“Um dia Arnold Bocklin, seu filho Carlo e Gottfried Keller estavam na taberna, como habitualmente. As suas libações eram conhecidas desde longa data pelo carácter fechado e taciturno dos convivas: uma vez mais encontravam-se calados. Após um longo momento o jovem Bocklin observou: “Está calor”, e um quarto de hora depois, o velho: “Há falta de ar.” Keller, pelo seu lado, esperou um momento; a seguir levantou-se, proferindo as seguintes palavras: “Não quero beber com gente tão palradora.”
Esta história é contada por Walter Benjamim, que não é alentejano mas que, talvez, gostasse de ser. A história encontrou-a nos seus primeiros dias de andar a viajar pela blogosfera. Não lhe peçam pormenores, mas achou-a uma verdadeira delicia. Recortou e guardou-a.


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Ele diz agora, a despedir-se da crónica, que o Alentejo é um lugar de paixão. Mesmo que seja domingo e estejam 39º de temperatura. Mas nada que um fininho no “Lebrinha” não resolva. E, até, pode fumar-se um charuteco.

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