
Foto de Robert Capa, URSS, 1947 (Steinbeck está no meio)
"A mercearia de Lee Chong, conquanto não fosse um modelo de apuro, era um milagre de fornecimento. Exígua e atravancada, mas no seu único compartimento quem quer podia encontrar tudo o que desejava e do que precisava para viver e ser feliz - roupas, comida, tanto fresca como em latas, álcoois, tabaco, apetrechos de pesca, máquinas, barcos, cordame, bonés, costoletas de porco. Podia-se adquirir na loja de Lee Chong um par de chinelos, um quimono de seda, uma quarta de whiskey e um charuto. Podiam-se engendrar combinações que se adequassem a todos os estados de espírit. A única comodidade que Lee Chong não possuía podia obter-se no outro lado do terreno, na Dora.
A mercearia abria de madrugada e não fechava enquanto não se despendesse a última moeda errante ou a não retirassem para o repouso da noite. Não que Lee Chong fosse usurário, não era.; mas se alguém se dispunha a gastar dinheiro , estava às ordens."
Bairro da Lata, Steinbeck
A primeira imagem que tive dos USA foi dada por este escritor. Li-o na adolescência. E surpreendentemente, era uma boa imagem, de gente pobre e com humor a viver períodos dificeís.
Porque escolhi esta foto?
Gosto do ar penetrante do escritor: é um perscrutador de almas.Notar o retrato do Vladimir a encimá-lo. No fundo Capa fotografa cruzado.E aquele burocrata à direita não é inocente na conjuntura.
Acho que é um autor a reler. Brevemente. E a perceber onde meti a minha viagem com Charley...Se o perdi até me mordo toda.
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