19 de dezembro de 2006

Virulenta...


Eu sou das que gosto mais de regressar do que partir. Sou um caracol perfeito. Gosto de saír na perspectiva de voltar. Nunca me exilaria. Não gosto nada de grandes viagens. Excepto no caso do México. Gostei e voltaria. Tem umas cores e pessoas que não há em mais lado nenhum. E uns santos espectaculares.
De resto, gostava que inventassem outro meio de transporte que não o avião.
Cruzeiros, paquetes, etc e etc...
Deixar escorrer o tempo.
Não tenho a doença das viagens não. Tenho a nostalgia das grandes descobertas.

o menino de Cabul



Editado em 2003 pela Relógio de Água, foi um livro em que eu não tropecei nas livrarias. Outro dia em casa de amigos disseram-me: tens que ler, é um livro que toda a gente devia conhecer.
Foi-me emprestado e acabei de ler hoje. Devo ser honesta e confessar que quando lhe peguei, não mais o larguei.
Não conhecia Khaled Hosseini, mas vai ficar na minha lista de imperdíveis escritores.
O que conta o menino de Cabul? A infância de Amir e o seu relacionamento com o seu criado Hassan, mais do que irmãos, a traição, a mentira, o amor. Num cenário conturbado, marcado pela invasão soviética e pelo advento dos taliban e do seu regime de terror. Personagens inesquecíveis, como Rahim Khan, Baba o pai de Amir, a crueldade personificada em Assef. Por fim Sohrab, o menino perdido e em perigo em Cabul. Abusado e descrente. Filho de Hassan.
Não sei qualificar o livro: dá vontade de chorar, de sorrir e de ter esperança.Hosseini termina de uma forma enigmática. Há um começo de salvação para Sohrab. Mas existirá mesmo?
É daqueles livros que acho que todos deveríamos ler, mesmo aqueles que não gostam de o fazer. Uma prosa simples, delicada e ajustada. Uma história empolgante num presente que nos é contíguo e que teimamos em ignorar.
Um LIvro. Não posso deixar de desejar toda a sorte aos meninos deste mundo como Sohrab. E como Hassan. E acreditar na remissão de Amir pela plena assunção do seu passado.

A Primeira vez que ouvi falar da coisa!

Quantos anos tinha eu? Sete? oito? nem me lembro bem se andava na primeira se na segunda classe! O professor Marcolino, que costumava sentar as pequenitas nos joelhos e meter-lhes a mão pelas pernas acima, tinha um filho mais velho, o Tonito, de alcunha O Bimborras, que andava lá pelo colégio mas já no secundário.
Um belo dia entra-nos pela sala o lambe-botas do Norberto e vai a correr esbaforido para o pssore e dá-lhe a notícia: Sô psor, o Toninho já virose! E de facto! O Toninho tinha caído das escadas ao descer da camarata e partido o focinho e por pouco não ia batendo a bota pois bateu só de raspão com a cachimónia no corrimão. Foi assim que fiquei a saber o quanto perigosa e até mortal pode ser uma virose!

Apenas, para já para assinalar o meu regresso ao mundo virtual, e dizer a todos que gostaria de estar convosco no jantar, mas tenho de estar amanhã no Porto e depois em Coimbra por motivos que preferia não ter. Espero encontra-vos no próximo ano. Bom Natal e Bom Ano com muitos sonhos...velhoses e NADA DE VIROSES!

A virose

Sim Américo... A virose das viagens existe!
Eu sou uma das suas vítimas.
Sofro do sintoma da nostalgia dos locais, dos momentos lá vividos, dos cheiros (também), das comidas, dos “pequenos” pormenores que ficam para sempre. Complicado é que o tratamento não é comparticipado pelo estado… e sai caro.
Há as fotos… mas, por muito agradável que seja rever fotos de viagens passadas, nada se compara a sentir “ao vivo e a cores” as sensações.
Assim, sugiro a criação dos Viajantes Anónimos e apelo ao Governo / Ministério da Saúde que reconsidere a comparticipação nos tratamentos dos que padecem desta doença.

A virose

gosto de viajar. é giro. muito. com namorada e amigos. coisas inesqueciveis. ver coisas novas, lugares, pessoas, comida, é muito bom. nao consigo compreender completamente as pessoas que dizem que nao gostam de viajar. que pena. é que ha tanto para ver. não vou ter tempo quase de certeza. mas dá muito prazer falhar no processo.

A Virose Das Grandes Viagens – Será Que Existe?

erá?

não sei.

mas se existe... que ninguém culpe o Polónio por isso!



uma fotografia de Kubic ao vivo na Galeria ZDB.

ps: atenção: não há ligação entre a foto e a Virose!

A virose

Será que existe?
Não sei... talvez...
Será que atingiu outras pessoas para além de mim? Será mesmo uma virose?
Bem, neste momento já estão todos curiosos sobre o que estou a falar. Pois bem,, vou passar a explicar:
Quando tive a oportunidade de fazer a minha primeira grande viagem, fui contaminado por um vírus. Assim que cheguei ao aeroporto da Portela o vírus manifestou-se imediatamente e despertou em mim uma enorme vontade de viajar novamente e brevemente.
Durante as primeiras semanas, pós viagem, “ele” manifesta-se diariamente em recordações, por vezes em sonhos, mas, aquilo que mais afecta e debilita são os cheiros. Estes são terríveis, têm o dom de nos transportar a milhares de quilómetros.
Com o passar do tempo, o vírus adormece, mas não se iludam, ele está lá, adormecido, latente, aguardando o momento exacto para nos atacar. Por vezes um simples folheto de publicidade de uma agência de viagens é suficiente.
Algumas pessoas viajam tantas vezes que nem sabem daquilo que estou a falar, ou seja, o vírus está lá desde a primeira viagem, mas não se manifesta, pois é alimentado com frequência pelo hospedeiro. É como o vício da droga, alimentado regularmente.
Quando tenho a oportunidade de viajar novamente, até me esqueço “dele”, mas, assim que chego novamente à Portela, eis que ele “acorda” e diz - vamos outra vez?.


Américo

P.S. – Como a T pede-me muitas vezes para escrever e para escolher um tema, proponho o seguinte: “A virose das grandes viagens – será que existe?”

para todos ou só para alguns?

o cardeal francis arinze, prefeito da congregação para o culto divino, escreveu para os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo sobre uma das questões teóricas mais importantes para os católicos e para os seus rituais.
por alturas da consagração do vinho (que corresponde ao sangue de cristo e tal..), o oficiante diz:
"... será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados'
em tradução do missal em latim da liturgia catolica romana que diz:
"...qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum"


de acordo com o francis arinze, que se socorre das instruções do liturgiam authenticam, as traduções do latim para as diversas linguas devem respeitar mais o original, dando voz aos sectores mais conservadores da igreja que acham as versões nas linguas nacionais saídas do concícilio do vaticano II demasiado liberais.
assim, cristo não terá morrido para a salvação de todos, mas apenas de alguns: os que fizerem para se salvar.

isto de ser salvo sem ter que rezar aos santos, anjos e arcanjos é coisa que nunca se viu...
estão de parabéns os ultraconservadores que ganham assim mais uma batalha, para juntarem à próxima que é a autorização para celebrarem a missa em latim nos seus países (actualmente apenas no vaticano, ou na presença do papa, é possível).

os descendentes do bispo lefebvre agradecem de joelhos e mãos postas.

não sei se a próxima preocupação teórica seja com o 'ite, missa est' que está longe de querer dizer que vão em paz que a missa acabou.
sendo que a principal questão teorica está na tradução do vocábulo latim 'missa' querer dizer 'celebração' ou 'missão'.

para aqueles que agora vão celebrar o nascimento daquele que julgavam que tinha morrido por todos, desenganem-se:
os acólitos do bento 16 acabam de nos informar que ele apenas morreu por alguns.


espero que não se tenha dado ao trabalho de ter morrido por mim

não iria aguentar o fardo

Georges Simenon

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"Noite caída, outras cortinas faziam-me sonhar, quando através da vidraça apenas translúcida, entrevia em silhuetas, um homem e uma mulher que iam e vinham como se o par que formavam estivesse ao abrigo do mundo e das suas realidades.
Tinha fome da vida e errava pelos mercados a contemplar ora os legumes, ora os frutos multicores, ora os tabuleiros de flores.
Nariz exagerado, sim minha pequena Marie-Jo, pelo qual eu aspirava também não só pelas narinas, mas também pelos poros, as cores, as luzes, os odores, os ruídos da rua"

George Simenon, Memórias Íntimas, livro dedicado à sua filha Marie-Jo.

Sim era Simenon , o escritor que eu queria lembrar. Todos o recordam pela criação daquele que se tornou o seu alter-ego: o Comissário Maigret. Dos escritores mais lidos e mais prolíferos do mundo: escreveu 192 obras.
De origem belga, devemos-lhe das mais interessantes leituras sobre Paris, a vida de marinheiros em vários portos, a  história da pequena gente por quem ninguém se interessa, as empregadas, as prostitutas, o talhante, o canalizador, o empregado de escritório. É um escritor policial sim, mas os crimes dos seus livros são suaves e escondidos. O verdadeiro crime está diluído no que não aconteceu. Tiroteios e sangue em excesso? Não existem na obra de Simenon.
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Diz  Umbral que Simenon seria muito mais conceituado se tivesse escrito menos. Talvez. Mas ainda bem para nós que ele assim não exerceu. A Bertrand, os Livros do Brasil ( através da Vampiro) e a Dom Quixote, fizeram-nos o favor de o editar em português.


Apresento as capas de algumas edições francesas antigas. Porque são efectivamente lindas, graficamente perfeitas e pertencem à minha estante. Aliás Simenon deveria ser lido sempre em francês: perde-se algo de profundamente genuíno nas traduções, embora as antigas da Bertrand sejam passáveis.

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Mas apesar de gostar de toda a obra deste escritor (leiam sem falta a Sonsa, editado há muitos anos pelos Livros do Brasil), tenho tenho um afecto especial pelo Comissário Maigret. Pela mulher simples e atenta. Pelos seus passeios e rede de relações. Pelos medos, pela vida doméstica, pela consciência do incontornável.
Esta página é o texto final do livro "O revólver de Maigret": nem quis transcrever, de tão perfeita a edição assim.
A ternura, o quotidiano, os segredos: quem disse que um policial não pode ser uma obra prima?
É um bom conselho para o período de Festas: ler Simenon. E ter consciência que não são só os Booker Prize e os Nobel que traduzem os grandes escritores. E é isto que eu queria dizer.

Quadro comparativo de velocidades



Dedicado ao André: o rei da Fisica. Ele que analise como deve ser, este quadro de situação comparativo de velocidadesde 1908. A mim intriga-me o ciclone de Lisboa. Tenho que investigar. Claro que estas velocidades não se aplicam ao Gasel..
Fonte? Almanaque Hachette de 1908

( terá que se clicar na imagem para visualizar)

18 de dezembro de 2006

Cães e cuidados a dispensar aos ditos

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Os desenhos de 1908 sobre as diferentes raças de cães são do melhor.
Os cuidados a ter com cada uma e as diferenças de personalidade dos animais também são um must..Clicar para ler o texto.

Fait divers

Acabei de ler o livro do Francisco Umbral. Aquele das ligas da madame Bovary. Andava emperrado sei lá porquê.
Achei alguns fait divers insólitos: Dali nunca teve calos na vida, porque nunca andava a pé...Sartre recusou o prémio Nobel em 1964, assim como tinha recusado o prémio Estaline, para conservar a sua isenção política...Rainer Maria Rilke morreu vítima de uma picada de rosa: era hemofílico...Roland Barthes foi atropelado por um táxi, quando atravessava distraidamente a rua, escrevinhando notas sobre tudo o que observava como era seu uso e costume...
Desgostei um bocado do livro talvez por causa do capítulo sobre o Saramago. Demasiado laudatório para meu gosto.
Mas houve uma referência que me fez lembrar um grande escritor, muito esquecido e de que vou falar um dia destes. Logo vemos.

a tiborna na ceia de natal de fajão

a tiborna é sinónimo de azeite novo, bacalhau, natal e lagares.

existem dois tipos fundamentais de tibornas em fajão.
a tibornada, que é a tiborna confeccionada e comida no lagar à primeira saída do azeite novo
e a tiborna, a ceia de natal por excelência.



vamos à receita da tiborna:

matéria prima (para múltiplos de 4 pessoas):

1 lombo de bacalhau
800 gr de batatas
1 couve troncha (ou de corte)
1/2 litro de azeite novo
sal
pimenta


a execução:

cozem-se as batatas, a couve e o bacalhau em água abundante com sal.
quando estiver meio cozida, adicione um pouco de azeite e tapa-se novamente até ficar cozinhado.
assim que estiver cozido retira-se para uma malga grande (ou alguidar) de barro vidrado e rega-se generosamente com azeite e um pouco de pimenta.
come-se de imediato, ainda bem quente, acompanhado de broa de milho e tinto do bom :)


em fajão comia-se, obviamente, a seguir à missa do galo.
agora podem comer mais cedo que já lá não há padre para esses luxos.

Recapitulando

Jantar na quinta dia 21 ,às 20 horas no Escondidinho do Charquinho.

Postadores que vão comer a posta: Erre, Lulu, H, ABS, carlos, André, Manelzinha e respectivo, Gasel e Nela e eu.

Ementa: bacalhau à Tia Maria Emília e carne para os carnívoros mais teimosos.

Receita: Bacalhau à Ti Maria Zé
Um lombo de bacalhau por pessoa, frita-se o bacalhau em azeite e batatas cortadas em cubos pequenos.
No azeite de fritar o bacalhau frita-se uma cebola às rodelas e um pedaço de broa de milho esmagada, num tabuleiro de ir ao forno junta-se o bacalhau, as batas e cobre-se o bacalhau com a cebola e com a broa e vai ao forno a tostar. Salteiam-se com um pouco de azeite, legumes, feijão-frade e broa de milho.
Dispõe-se numa travessa o bacalhau, as batatas e enfeita-se com os legumes salteados.
(para quem não vai ao jantar pode exercer a auto-suficiência e cozinhar)

Prendas: Uma posta de post de cada um de nós que vai ao jantar. É só escolher e imprimir, aqueles que gostámos mais.

um rio transparente

o transparente rui rio anunciou há uns meses com aquele ar de defensor da causa e dinheiros públicos que iria fazer um concurso público para atribuição da concessão da exploração do teatro rivoli.
mais disse que, para além da decisão do juri nomeado para decidir sobre a entrega da concessão, a decisão final ficaria dependente do parecer de viabilidade ecnómica da proposta, a fazer por uma comissão de uma faculdade da universidade do porto.

para quem tivesse dúvidas, eis que o putativo candidato a presidente do psd nos vem tornar tudo mais claro:

passando por cima do concurso, e do parecer da comissão de economistas que nunca existiu, entrega a exploração por acordo directo a felipe la féria.

mas alguém tinha dúvidas que essa era a única intentenção do transparente rui rio?

está bem entregue o porto.

estará bem entregue o psd que, a avaliar pelas amostras terá que decidir entre o pequeno mendes, o sniper meneses, o transparente rio e o inenarrável santana, mas sempre com a presença do boxeur número 2 para todos os candidatos, sarmento..

até parece que andam a ser patrocionados pelo sócrates....

Guizo fino e guizo grosso

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"S.João tem um carneiro
com dois guizos ao pescoço.
Quando toca o guizo fino,
também toca o guizo grosso"
(Popular- Alentejo)

Vou comprar pelo São João,
um carneirinho de prata,
de olhos cor de limão,
com um guizo em cada pata.

Com um guizo em cada pata,
ao peito, borlas de lâ,
mais um adufe de lata
para fazer tan-ran-tan-tan

In Sua Majestade O Menino!, escrito por Maria de S. Luís e ilustrado por Alice Jorge, 1962.

17 de dezembro de 2006

É boleta ou bolota?

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Julieta diz boleta;
que é bolota, quer a Bloca...

Seja boleta ou bolota,
ao porquinho não importa:

Tem sempre a mesma dieta...
ou boleta... ou bolota.

O Livro chama-se Sua Majestade O Menino!, escrito por Maria de S. Luís e ilustrado por Alice Jorge, em 1962. Se os textos são tão bonitos, o que dizer das ilustrações em serigrafia?
Eu acredito na qualidade para todas as idades . Estas histórias e desenhos para crianças são do melhor que há. Comprei-o por acaso outro dia na feira das velharias Emmaus. Não será a última vez que irão ler àcerca dele.

das certezas

sou homem de pouquíssimas certezas.

nada de anormal num tipo com a minha idade.

já tive disso na minha adolescência.
tinha certezas para dar e vender.

tudo para mim era tão óbvio, limpo e cristalino, que quase me parecia que os que não pensavam como eu o não fizessem apenas por má-fé (estou a exagerar na apreciação, mas acho que me percebem melhor assim...)

com a idade, i.e., os anos de vida vivida e o que vamos aprendendo com ela, vamos aprendendo que as coisas são tudo menos simples e que verdades há milhões.
e todas elas verdadeiras.

uma das coisas que me foi ficando dessa época, foi o gosto pela polémica.
o gosto pela discussão, a troca de ideias.
a defesa daquilo em que acreditamos.
e o gosto de que gostar de quem defende o que pensa.
mesmo que pense o oposto de mim.

mas estava eu a dizer que sou um gajo de dúvidas.
e sou-o muitas vezes quando toca a votos.

quase sempre antes das eleições tenho dúvidas.
mas também quase sempre o meu voto tem o mesmo destino.

mas se tenho dúvidas (e tenho que aguentar com o quase 'gozo' familiar) no dia do voto, essa dúvida dissipa-se logo a seguir a, seja ele qual for, o governo começar a governar.

há poucas coisas sobre as quais tenho certezas.
certezas daquelas que nada nem ninguém nos faz mudar de ideias.
certezas daquelas em que temos a absoluta certeza de estar correcto (por muito que respeite as razões que quem acha o contrário).

uma dessas poucas coisas em que tenho certeza absoluta é na justeza do meu voto no próximo referendo.

votarei sim
votarei sim plenamente certo de que estou com a razão.
votarei sim porque tenho a certeza que não quero que quem decide interromper a gravidez não vá preso.

há muito poucas coisas sobre as quais tenho certezas.

esta é uma delas.
seguramente.

Da problemática do aborto (VI) - Das considerações finais

Prometi mais um e cá está ele. É o último, acho!

Não sabia bem como começar, mas o Carlos deu-me o mote... Disse ele, meio irónico, se eu queria convencer alguém que ainda não sabia como votar no referendo. Mas é verdade, ainda não sei... e provavelmente só saberei nesse mesmo dia, no último minuto ou segundo - quando marcar a cruzinha - completamente só e sem mais desculpas inteligentes ou retóricas mal-amanhadas.
Sei que, em consciência, ética e moralmente, devia votar NÃO. Não existe, quanto a mim, outra hipótese. Mas sei que, muitas vezes, não faço as coisas em conscência... ou melhor, a ética e a moral podem ceder ao pragmatismo e ao bem-comum. E nesse aspecto, fez para mim muito sentido o que li no Abrupto há uns tempos:

"Votarei SIM no referendo sobre o aborto, sem grandes parangonas morais, sem grandes proclamações sociais, sem certezas absolutas sobre nada, nem sobre a moralidade, nem sobre a liberdade do acto de interromper uma gravidez. Respeito os dilemas dos que votam não, respeito os dilemas dos que votam sim, porque em ambos os lados há a consciência de que o que defrontam é um mal social, uma perturbação a evitar, um momento sempre de uma certa crueldade interior, a da vida aliás. Mas como não acredito em grandes proclamações morais, nem pelo sim nem pelo não, voto sim por um conjunto de razões dispersas, sociais, culturais e filosóficas, que admito que se diga serem de mal menor. Será de mal menor, mas quantas vezes muitas coisas que fazemos são de mal menor? Até no Catecismo da Igreja Católica há várias escolhas de mal menor"

E no meio disto tudo, admiro - mais do que admiração, é quase inveja - os que decidiram assim... os que sabem, os que querem. Admiro a presunção dos que pensam que toda a razão está do lado deles e que do "outro lado da barricada não existe nada". Que do outro lado, ou estão os idiotas católico-conservadores, moralmente hipócritas, atafulhados de bolorentos preconceitos religiosos, ou estão os ateus amorais e relativistas, meio-lúbricos-meio-hedonistas , alegres destruidores de vidas humanas.
E não estão... Estão, apenas, pessoas como nós!

Antes de terminar, vou dar largas ao meu lado libertário. As leis e regras existem para serem cumpridas... mas também para serem quebradas! Eu ando - muitas vezes ou quase sempre - a mais de 140 km/hora. Eu nem vos conto quantas outras leis e regras eu já infrigi... Mas nem por isso vou querer que essas regras ou leis não existam, ou sejam mudadas.
Eu sou livre. Livre de não cumprir qualquer uma regra - em consciência - e livre para assumir a responsabilidade de a ter infrigido. E também não faço juízos morais e aprioristicos sobre outros que, livremente, não cumpriram regras.

PP: Se quiseram mais, não se acanhem... digam, que eu posto! :)

Que frio que está em Arroios

Gosto destes domingos empoleirados em sol frioso, com os prédios dormentes ainda. Na Alameda os velhotes já estão abancados a jogar às cartas, indiferentes a tudo o resto, Crianças trepidantes transportam pais amodorrados e encasacados.Não há em nenhum lado grelos de nabo. Chego a casa de nariz gelado e penso na organização do almoço para a sobrinhada. Pensado está.