
Um dos meus Mestres falou-me um dia de um francês, Jean Ferrat, cujos discos de vinil o acompanharam durante um périplo de décadas por África. Os vinis perderam-se algures entre a Guiné e Angola; o gosto do meu Mestre por essa música ficou.
Há alguns anos, num seu aniversário, ofereci-lhe o CD da que, para mim, é a obra maior do músico: Ferrat chante Aragon. O meu Mestre abriu o CD, observou-o atentamente por momentos - os olhos e a memória recuperando tempos idos - e fez "ooooh!" como um miúdo que recebe uma bicicleta nova. E deu-me um abraço.
No tempo em que Ferrat nos deixa, ouvir a sua música e transmiti-la aos mais novos é uma responsabilidade civilizacional.
3 comentários:
Tenho esse cd também:) É o meu favorito dele.
Hoje se, em qualquer canto de França, alguém perguntar quem é Jean Ferrat, poucos saberão a resposta. Transportem a pergunta para Portugal e fale-se de Adraino Correia de Oliveira. Quem é? Poucos saberão.
A incultura não é apanágio de portugueses, se bem que esteja um pouco mais abaixo que o resto da Europa.
Há uns anos, em conversa acidental com um elevado director da REnault francesa, perguntou: "Como vamos de Vailland?". O homem ficou a olhar aparvalhado, dentro do seu fato preto, gravata de seda italiana. Não sabia. Possivelmente algum ponta de lança para o Paris Saint-Germain, terá pensado mas não disse.
Aos poucos os compamheiros de estrada vão-nos deixando. Não adiantam grandes palavreados. Apenas um obrigado por ter ajudado tanta gente a tomar consciência disto e daquilo.
Esteve quase a fazer um texto, mas estas coisas já lhe custam muito.
Quando o George Brassens morreu o Léo Ferré disse que ele tinha partido para férias. Pregou-nos uma partida e nem avisou.
Por sua vez Brassens dissera antes que, num tempo, deixaria a vida sem rancor. E nunca mais teria dor de dentes.
É isto!
No fundo só morre quem nós queremos que morra.
E, neste momento, Jean Ferrat já estará a contar histórias a quem o queira ouvir.
Até já!
Deixando de parte os esquecimentos, pois se até já encontrei pessoas que desconhecem o país de origem dos antepassados, não pude deixar de procurar há minutos a letra ou mesmo (atrevimento dos atrevimentos!) um vídeo de Moustaki au De Jazet a propósito de outra grande partida : a de Brassens, por pensar que o tema é aplicável aos «chanteurs philosophes» (como é bom saborear as ideias cantadas!). A busca foi infrutífera. A propósito, fica um pouco da tradução (feita à pressa ) de um excerto de Un jour tu es parti acabadinho de ouvir no velho leitor de cds:
«um dia partiste para a terra ou para o céu/ saborear o descanso que se diz eterno/ juntar-te aos companheiros que te antecederam/ cortejar as musas do outro lado».
Apesar de ser a autoria do tema de um dos «Amis de Georges», abrangerá sem esforço Brel, Reggiani, Ferrat(...)
http://www.mytexte.com/texte.php?id=13591
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