Bela capa! Uma pintura com cores muito harmoniosas! Retrata o Portugal de então, nem a santinha faltou. Não quero ferir susceptibilidades, mas é o que penso... Não deixa de ser uma Bela capa.
Acho que não fere susceptibilidades nenhumas. Apesar do Panorama ser o expoente máximo da iconografia do Estado Novo, reuniu os melhores artistas da época e tem uma qualidade que se manteve intacta. Todas as obras tem um "apesar" à volta delas...o que não lhes destrói a beleza.
Caríssima T.: o "apesar de tudo" não era com a ideia de ofender seja o que fôr, quem fôr. Nunca o hão-de apanhar a blasfesmar contra quem acredita naquilo que quer acreditar, seja que religião fôr. O "apesar de tudo" tem a ver com as lições de Salazar que impingiram àqueles miúdos "Deus, Pátria, Família":
“ A senhora professora estava muito contente, porque inaugurou uma cantina, onde os meninos pobres podem almoçar de graça. Perguntei à senhora professora quem tinha feito tanto bem à nossa escola e ela respondeu-me: - Foi o Estado Novo, que gosta muito das crianças e para elas tem mandado fazer escolas e cantinas, creches e parques. Mas as famílias que possam também devem ajudar. Não te esqueças de o dizer à tua mãe.”
In O Livro da Primeira Classe (1954)
Pensa que já, aqui, disse que está por fazer a história, sincera e despida de preconceitos, de António Ferro - e não Salazar! - à frente do SNI, e a ajuda que prestou a escritores e artistas que todos sabiam que não tinham nada a ver com o regime. Deve-se, por exemplo, a António Ferro, naqueles longinquos tempos, o entusiasmo pelo jazz e a sua divulgação, ao mesmo tempo que lhe diziam que o jazz era uma coisa de comunistas, pretos e judeus. E há-de continuar a deliciar-se cada vez que, por aqui, aparecer uma capa da "Panorama"
Não me ofendes nada caro Gin. Eu nem aprecio particularmente António Ferro embora seja dos nomes mais sonantes do Antigo Regimes. Continuo a achar que tudo se ver distanciadamente e relativizando. Mas achei graça a ver na net outro dia uma tradução de um livro da Christine Garnier feita pelo Saramago:)
Caríssima T.: isto é o que ele considera uma bela conversa para um findar de tarde no "British-Bar". Uma caixa de comentários não vai dar para muito mais. É um leitor atento do Frenesi, se bem que não concorde com tudo o que por lá é publicado, lê sempre e só assim se pode ter opinião. Quando leu esse texto sorriu. Acontece que o José Saramago não nasceu Nobel,, cresceu e viveu, como tantos outros, num tempo de vida muito dificil. Os empregos eram poucos e portas fechadas para quem não apoiava o regime. O Saramago, como tanta outra gente do meio, viviam de traduções, de colaborações nos suplementos literários dos jornais, etc. etc. etc. Traduzir um livro da Garnier, para s publicações Europa-América - que até publicava jorge Amado entre muitos outros que o regime perseguia - com capa do Sebastião Rodrigues, é assim uma coisa de um outro mundo? Talvez seja para quem, agarotamente, queira lançar um pano sujo à cara do Saramago. Era um miúdo quando António Ferro perorava no SNI, mas foi lendo ao longo dos tempos o trabalho que desenvolvei, a ajuda que possibitou a artistas como o Bernardo Marques e outros. Politicamente está nos antipodas de António Ferro, mas isso não o faz esquecer o resto. Ensinaram-lhe assim, acredita nisso e está velho para mudar. Quanto aos rapazes da Frenesi em relação ao Saramago isso daria, mais uma vez, não sei quantos gin-tónicos. Por ele diz: gosta de Saramago, não gosta de tudo o que Saramago escreve ou opina mas, desculpem lá, tem dois ou três livros que marcam toda uma literatura, seja a nossa ou outra qualquer. Também sabe que não foi por essa qualidade que ganhou o Nobel mas isso são outras histórias e, of course, outros gins.
Caro Gin:) Não são rapazes:) São gente crescida que sabe o que faz e o que edita. A minha chamada de atenção foi só num sentido: o mundo não existe a preto e branco. Tem felizmente uma série de cores. Eu não gosto da escrita do Saramago e isso independe de questões políticas. Mas nada como ler o blog do Assouline sobre a questão italiana do nosso prémio Nobel. É elucidativa. Quanto a um gin é sempre bem-vindo:)
8 comentários:
Bela capa! Uma pintura com cores muito harmoniosas!
Retrata o Portugal de então, nem a santinha faltou. Não quero ferir susceptibilidades, mas é o que penso...
Não deixa de ser uma Bela capa.
Sim, apesar de tudo o resto é uma bela capa.
As belas capas da "Panorama"...
Acho que não fere susceptibilidades nenhumas. Apesar do Panorama ser o expoente máximo da iconografia do Estado Novo, reuniu os melhores artistas da época e tem uma qualidade que se manteve intacta. Todas as obras tem um "apesar" à volta delas...o que não lhes destrói a beleza.
Caríssima T.: o "apesar de tudo" não era com a ideia de ofender seja o que fôr, quem fôr. Nunca o hão-de apanhar a blasfesmar contra quem acredita naquilo que quer acreditar, seja que religião fôr. O "apesar de tudo" tem a ver com as lições de Salazar que impingiram àqueles miúdos "Deus, Pátria, Família":
“ A senhora professora estava muito contente, porque inaugurou uma cantina, onde os meninos pobres podem almoçar de graça. Perguntei à senhora professora quem tinha feito tanto bem à nossa escola e ela respondeu-me: - Foi o Estado Novo, que gosta muito das crianças e para elas tem mandado fazer escolas e cantinas, creches e parques. Mas as famílias que possam também devem ajudar. Não te esqueças de o dizer à tua mãe.”
In O Livro da Primeira Classe (1954)
Pensa que já, aqui, disse que está por fazer a história, sincera e despida de preconceitos, de António Ferro - e não Salazar! - à frente do SNI, e a ajuda que prestou a escritores e artistas que todos sabiam que não tinham nada a ver com o regime. Deve-se, por exemplo, a António Ferro, naqueles longinquos tempos, o entusiasmo pelo jazz e a sua divulgação, ao mesmo tempo que lhe diziam que o jazz era uma coisa de comunistas, pretos e judeus.
E há-de continuar a deliciar-se cada vez que, por aqui, aparecer uma capa da "Panorama"
Não me ofendes nada caro Gin. Eu nem aprecio particularmente António Ferro embora seja dos nomes mais sonantes do Antigo Regimes.
Continuo a achar que tudo se ver distanciadamente e relativizando.
Mas achei graça a ver na net outro dia uma tradução de um livro da Christine Garnier feita pelo Saramago:)
http://frenesi-livros.blogspot.com/search?q=garnier
Caríssima T.: isto é o que ele considera uma bela conversa para um findar de tarde no "British-Bar".
Uma caixa de comentários não vai dar para muito mais.
É um leitor atento do Frenesi, se bem que não concorde com tudo o que por lá é publicado, lê sempre e só assim se pode ter opinião. Quando leu esse texto sorriu. Acontece que o José Saramago não nasceu Nobel,, cresceu e viveu, como tantos outros, num tempo de vida muito dificil. Os empregos eram poucos e portas fechadas para quem não apoiava o regime. O Saramago, como tanta outra gente do meio, viviam de traduções, de colaborações nos suplementos literários dos jornais, etc. etc. etc. Traduzir um livro da Garnier, para s publicações Europa-América - que até publicava jorge Amado entre muitos outros que o regime perseguia - com capa do Sebastião Rodrigues, é assim uma coisa de um outro mundo?
Talvez seja para quem, agarotamente, queira lançar um pano sujo à cara do Saramago.
Era um miúdo quando António Ferro perorava no SNI, mas foi lendo ao longo dos tempos o trabalho que desenvolvei, a ajuda que possibitou a artistas como o Bernardo Marques e outros. Politicamente está nos antipodas de António Ferro, mas isso não o faz esquecer o resto. Ensinaram-lhe assim, acredita nisso e está velho para mudar.
Quanto aos rapazes da Frenesi em relação ao Saramago isso daria, mais uma vez, não sei quantos gin-tónicos. Por ele diz: gosta de Saramago, não gosta de tudo o que Saramago escreve ou opina mas, desculpem lá, tem dois ou três livros que marcam toda uma literatura, seja a nossa ou outra qualquer. Também sabe que não foi por essa qualidade que ganhou o Nobel mas isso são outras histórias e, of course, outros gins.
Caro Gin:)
Não são rapazes:) São gente crescida que sabe o que faz e o que edita.
A minha chamada de atenção foi só num sentido: o mundo não existe a preto e branco. Tem felizmente uma série de cores.
Eu não gosto da escrita do Saramago e isso independe de questões políticas. Mas nada como ler o blog do Assouline sobre a questão italiana do nosso prémio Nobel. É elucidativa.
Quanto a um gin é sempre bem-vindo:)
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