9 de junho de 2009

Uma bela capa da Panorama



Capa de Paulo Ferreira
Revista Panorama nº 35, 1948

8 comentários:

Luisa disse...

Bela capa! Uma pintura com cores muito harmoniosas!
Retrata o Portugal de então, nem a santinha faltou. Não quero ferir susceptibilidades, mas é o que penso...
Não deixa de ser uma Bela capa.

gin-tonic disse...

Sim, apesar de tudo o resto é uma bela capa.
As belas capas da "Panorama"...

T disse...

Acho que não fere susceptibilidades nenhumas. Apesar do Panorama ser o expoente máximo da iconografia do Estado Novo, reuniu os melhores artistas da época e tem uma qualidade que se manteve intacta. Todas as obras tem um "apesar" à volta delas...o que não lhes destrói a beleza.

gin-tonic disse...

Caríssima T.: o "apesar de tudo" não era com a ideia de ofender seja o que fôr, quem fôr. Nunca o hão-de apanhar a blasfesmar contra quem acredita naquilo que quer acreditar, seja que religião fôr. O "apesar de tudo" tem a ver com as lições de Salazar que impingiram àqueles miúdos "Deus, Pátria, Família":

“ A senhora professora estava muito contente, porque inaugurou uma cantina, onde os meninos pobres podem almoçar de graça. Perguntei à senhora professora quem tinha feito tanto bem à nossa escola e ela respondeu-me: - Foi o Estado Novo, que gosta muito das crianças e para elas tem mandado fazer escolas e cantinas, creches e parques. Mas as famílias que possam também devem ajudar. Não te esqueças de o dizer à tua mãe.”

In O Livro da Primeira Classe (1954)

Pensa que já, aqui, disse que está por fazer a história, sincera e despida de preconceitos, de António Ferro - e não Salazar! - à frente do SNI, e a ajuda que prestou a escritores e artistas que todos sabiam que não tinham nada a ver com o regime. Deve-se, por exemplo, a António Ferro, naqueles longinquos tempos, o entusiasmo pelo jazz e a sua divulgação, ao mesmo tempo que lhe diziam que o jazz era uma coisa de comunistas, pretos e judeus.
E há-de continuar a deliciar-se cada vez que, por aqui, aparecer uma capa da "Panorama"

T disse...

Não me ofendes nada caro Gin. Eu nem aprecio particularmente António Ferro embora seja dos nomes mais sonantes do Antigo Regimes.
Continuo a achar que tudo se ver distanciadamente e relativizando.
Mas achei graça a ver na net outro dia uma tradução de um livro da Christine Garnier feita pelo Saramago:)

T disse...

http://frenesi-livros.blogspot.com/search?q=garnier

gin-tonic disse...

Caríssima T.: isto é o que ele considera uma bela conversa para um findar de tarde no "British-Bar".
Uma caixa de comentários não vai dar para muito mais.
É um leitor atento do Frenesi, se bem que não concorde com tudo o que por lá é publicado, lê sempre e só assim se pode ter opinião. Quando leu esse texto sorriu. Acontece que o José Saramago não nasceu Nobel,, cresceu e viveu, como tantos outros, num tempo de vida muito dificil. Os empregos eram poucos e portas fechadas para quem não apoiava o regime. O Saramago, como tanta outra gente do meio, viviam de traduções, de colaborações nos suplementos literários dos jornais, etc. etc. etc. Traduzir um livro da Garnier, para s publicações Europa-América - que até publicava jorge Amado entre muitos outros que o regime perseguia - com capa do Sebastião Rodrigues, é assim uma coisa de um outro mundo?
Talvez seja para quem, agarotamente, queira lançar um pano sujo à cara do Saramago.
Era um miúdo quando António Ferro perorava no SNI, mas foi lendo ao longo dos tempos o trabalho que desenvolvei, a ajuda que possibitou a artistas como o Bernardo Marques e outros. Politicamente está nos antipodas de António Ferro, mas isso não o faz esquecer o resto. Ensinaram-lhe assim, acredita nisso e está velho para mudar.
Quanto aos rapazes da Frenesi em relação ao Saramago isso daria, mais uma vez, não sei quantos gin-tónicos. Por ele diz: gosta de Saramago, não gosta de tudo o que Saramago escreve ou opina mas, desculpem lá, tem dois ou três livros que marcam toda uma literatura, seja a nossa ou outra qualquer. Também sabe que não foi por essa qualidade que ganhou o Nobel mas isso são outras histórias e, of course, outros gins.

T disse...

Caro Gin:)
Não são rapazes:) São gente crescida que sabe o que faz e o que edita.
A minha chamada de atenção foi só num sentido: o mundo não existe a preto e branco. Tem felizmente uma série de cores.
Eu não gosto da escrita do Saramago e isso independe de questões políticas. Mas nada como ler o blog do Assouline sobre a questão italiana do nosso prémio Nobel. É elucidativa.
Quanto a um gin é sempre bem-vindo:)