8 de novembro de 2003

Meus Caros, afinal há gente civilizada!

Hoje, pelas 13:00 horas, recebi um telefonema do meu-mais-novo dizendo: "- Papá, quando voltei para junto do carro, que deixei bem estacionado, dei conta que mo tinham amachucado, na traseira do lado do condutor... e, ainda, que o carro que está parado à minha esquerda apresenta sinais de ter sido o causador da amolgadela, dos riscos e da falta de tinta do nosso! Que é que eu faço?". Disse-lhe que aguardasse (podia deslocar-me ao local, com brevidade...) e que logo se veria. Assim fiz, 15 minutos passados lá estava eu numa de perito a avaliar prejuízos e a reconstituir "mentalmente" o acidente. O que, diga-se, nem foi difícil, porque de facto o carro estacionado do lado esquerdo estava bem "assinalado", ao longo das duas portas do lado oposto ao condutor, à altura das lesões traumáticas apresentadas pelo meu. Apercebi-me que "a coisa" não seria de monta, mas decidi - numa de socialmente correcto - deixar uma mensagem no pára-brisas do "arguido", chamando-lhe civilizadamente a atenção para o sucedido, nomeadamente para os prejuízos do meu veículo, que esperava, dizia-lhe eu, ver reparados "por sua conta". Acrescentei à missiva dois dos meus números de telemóvel, cumprimentos, ao dispor... e passe bem. Seriam, por essa altura, umas 14:00 horas. Depois, Pai e Filho abraçaram-se, deixaram o local do infausto acontecimento, e foi cada um à sua vida. O Pai ganhar o sustento do(s) Filho(s), o Filho-benjamim sustentar-se, que está a crescer. Encontro foi ele que, com peritagem, carta no pára-brisas, abraço e beijo finais, "voaram" 40 euros do meu bolso em direcção ao da "criança". Espero que seja já a contar com o "fim de semana"?!...

~~~~ Interlúdio ~~~~

Estava eu no gabinete, +/- às 15:00 horas, quando dois dos telemóveis deram início a uma desgarrada, que durou, durou, durou... Melhor, que eu deixei durar porque não costumo atender chamadas anónimas. Mas tão insistente se tornou a sanfona, que - em boa hora - abri uma excepção. Qual foi a minha surpresa, quando do outro lado do fio, esperem, os telemóveis não tem fio..., do outro lado, pronto, sei lá?! oiço uma voz, que se identificou como o "senhor do acidente", e me diz o que passo a citar: Que nem tinha dado por isso, que a avenida tinha muito trânsito, que tinha entrado no lugar à pressa, que trabalhava numa firma de automóveis, que aquele era o carro da casa, que já tinha dado conhecimento ao Chefe e, finalmente, que o Chefe tinha dito que eu passasse por lá quando me desse jeito, que "eles" me arranjariam a viatura, e que me pedia desculpa pelo incómodo. Ai, Mãezinha! Como dizia Fernando Pessa: "- E esta, hein?". Senti-me tão reconciliado com a Vida, até com a espécie humana, que quase chorei enquanto lhe ía dizendo que aquilo não tinha importância nenhuma, que era pouca coisa, quase nada, que o carro já nem era novo, mais risco, menos amolgadela era igual ao litro e que até nem queria estar eu a incomodá-lo, menos ainda ao Chefe... Que não senhor, insistia a voz, para eu aparecer e a coisa resolver-se-ía. Nessa altura, já eu, amargurado pelo meu próprio atrevimento, me dispunha a mandar arranjar o carro dele, a alugar-lhe um veículo de substituição, pagar-lhe um fim de semana no Palace Hotel do Bussaco (para duas pessoas, alojamento e meia pensão), fora o pagamento, por fora, do que ele (quiçá, também o Chefe?) entendesse ser justo, por danos morais e outros que tais. E, de brinde, tudo com um sorriso nos lábios! Entretanto, eu mais que muito satisfeito pelo meu menino ser 100% alheio ao acontecimento. Não que tivesse duvidado, claro, de tal forma a coisa era evidente! Mas, porém, todavia, contudo... A verdade, é que só a muito custo, mesmo com alguma relutância e a voz (a minha) embargada pela emoção, acabei por concordar com uma passagem pela oficina para ver o meu calhambeque voltar a apresentar-se pintado e passadinho a ferro. Agora a sério, o sujeito foi impecável e honesto, e atempadamente o demonstrou, o que eu desejo desde já sublinhar e agradecer-lhe. Porém, como ele não vai ler este BLOG, fá-lo-ei pessoalmente e com gosto, na primeira oportunidade. Ainda há gente de Qualidade. Ainda bem que isto aconteceu, porque eu andava desconfiado, melhor, convencido do contrário. Desta vez a culpa não morreu solteira. Aleluia!
Escrevo-o por ser verdade e para que conste.
Deste que se assina

Mim


Hoje, na consulta...

O dia passou, igual a muitos outros que já passaram, anunciando ainda mais que hão-de vir...
Nos últimos tempos vou-me, ao poucos, distanciando de algumas coisas que faço diariamente. Isso permite-me olhá-las com alguma cepticismo e ironia, questionar a razão de alguns absurdos, rir-me dos outros e, mais importante, de mim mesmo. A pergunta do momento é "... mas o que é que estou aqui a a fazer?"
Hoje, estava a concluir uma consulta de um juíz de meia idade, mas ar desportivo, que tinha queixas vagas e inofensivas relacionadas com a tripa. Gazes qb., fezes esquisitas, barulhos que incomodavam, coisa dessas... Às tantas, perguntei-lhe:
- ... e já sofreu de alguma doença?
- Nada, doutor, sempre fui saudável.
- Então não toma nenhum medicamento...
- Bem...
- Sim?
- Por acaso tomo uma aspirina 100 por dia... O meu pai teve problemas cardíacos e começou a tomar... um médico disse-me que isso também me podia fazer bem e eu tomo, desde há 7 anos!
- Bom... embora não seja o meu campo, não me parece que precise muito. Mas sabe que pode fazer mal ao estômago?
- Não há problema... eu derreto-a na boca, só depois a engulo!
- ...?...
- ... e por acaso também tomo uns comprimidos de Selénio... uma espécie de vitamina, já desde há anos, faz bem ao metabolismo... já não sei quem me aconselhou.
- E é tudo?
- Bom... Tomo alguns medicamentos naturais. A minha mulher tomava pílulas de alho e eu também comecei a tomar 1 ao jantar!
- Pílulas de alho...?
- Faz bem à circulação...
- Ok, se você o diz...
- ... e também tomo todos os dias, ao pequeno almoço, um copo de chá da saúde. Recomendado pela minha sogra!
- Ahhh... chá da saúde...
- Sim... e tomo, ás vezes, uma coisa qualquer para a urina, quando fica carregada...
- Afinal você toma uma quantidade de coisas...
- Naaa, tudo natural... eu sou saudável!
Já estava farto de tanta saúde. Já não tinha paciência para mais nenhuma pílula milagrosa.
- Pois essas suas queixas dos intestinos não me parecem nada de especial... mas como gosta dessas mariquices, vou-lhe passar qualquer coisa!
E receitei-lhe clisteres de retenção, três vezes por semana: 1 litro de água tépida, 5 gotas de limão, uma pitada de essência de alfazema e 1 saqueta de pó de feijão. Também lhe aconselhei que, ao evacuar a mistura, usasse um boné cor-de rosa, óculos escuros e estalasse os dedos, repetidamente. Que dava melhor efeito!
Pareceu-me que estava a gostar do remédio...

PP: Tirando a receita final, o diálogo é real, verdadeiro, verdadeirinho....

7 de novembro de 2003

De volta cá ao sítio

Ora cá estou eu de novo!
Voltei... continuo constipado, os dias continuam frios e as coisas estão na mesma, como se esperava.
Hoje, enquanto deambulava pelo hospital à procura de qualquer coisa para fazer, deparei-me com uma televisão ligada onde reportavam, alegremente, o "pedido de mão"...
Admirei-me. Não tanto pela notícia em si pois, na minha estadia em Madrid, já tinha sido suficientemente bombardeado pela grande novidade. Tanto, que até dei por mim a pensar nas virtualidades do sistema monárquico: de certo modo até é mais lógico ter um chefe-de-estado que aprende, desde pequenino, a sê-lo, do que um qualquer marreta eleito num momento de sorte, num mero acaso do destino...
O que me admirou foi o tempo gasto por uma televisão pública a relatar todos os promenores idiotas da cerimónia. Será que tem assim tanta relevância para nós, portugueses?
Mas de repente descobri a razão: a jornalista estava embevecida era com a colega!
E fez-se luz... estamos a ser dominados pelos jornalistas!
Já tinhamos jornalistas que são comentadores de tudo, acessores de todos, políticos, deputados, ministros, sei lá... Temos jornalistas que são directores de Tv's, especialistas de marketing, donos de empresas, lideres de opinião, professores de Universidades. Temos ainda jornalistas escritores de livros, escrevinhadores de blogs, actores, autores, pintores, verdadeiros artistas...
Já não bastava tudo isso...
Agora temos até uma jornalista que vai ser rainha!
O mundo é um imenso jornal.

PP: Um grande bem re-vindo ao Orlando. Estava a ficar sinceramente assustado, pois parecia-me que este blog engolia os seus participantes... pelo menos um deles voltou, são e salvo! Quanto ao resto só posso dizer que gosto de vos voltar a ler :)

6 de novembro de 2003

Olha Ele!!!

O Gasel voltou:))) Viva!!!
E o Alexandre escreveu outra foto:)
Merde..mas eu tenho o jantar pra fazer:)
Beijos.

4

Four things come not back: the spoken word, the spent arrow, the past, and the neglected opportunity.

Omar Idn Al-Halif


5 de novembro de 2003

Desditas femininas

Porque é que as mulheres têm que ter menstruação? E, quando não aparece, ainda se preocupam mais...
Há dias em que gostava de ser homem.
Odeio estes período. Estas dorzinhas de aperta e encolhe a barriga. Este mau humor e vontade de refilar com o mundo.
Também é axiomático, que é nesses dias, que surgem sempre as chatices imprevistas. E a nós ,só nos apetece muito francamente é mandar tudo à merda. Confesso que às vezes mando.
O mundo é injusto..pois é....
Sobretudo se pensarmos que para nos livrarmos desta desdita, ou engravidamos ou entramos em menopausa. Alternativas maravilhosas..argh
Já perguntei a várias experts na matéria, se se perde o desejo sexual na menopausa:)
As respostas foram dispares e muito pouco tranquilizantes.
Ou seja, o futuro é negro. Aliás da cor com que estou vestida.
Bem vou despejar o veneno para outro lado:)
Beijos.

4 de novembro de 2003

Gripes rápidas

Pois é. Um dia de molho e já estou sem febre.
O mundo é muito injusto. Como vou pôr a leitura em dia , assim?
Sinto-me Kalimera, até mais não.
E depois não estou constipada sequer. É tão sexy ter o nariz vermelho e espirrar estrondosamente!
Mas não...só fiquei corada como um pimentão e de olhos do tamanho dum rato.
Gostava tanto de estar com gripes mais interesssantes....que raiva.
E claro, amanhã vou trabalhar, para cúmulo.
Nada me corre bem:)
Há gripes e amigdalites tão bonitas que geram correntes de solidariedade tão boas (vulgo trazerem-nos comida a casa e fazerem visitas)e logo eu havia de ter só esta porcariazita.
Obrigada Alexandre pela óptima medicação:) Risos.
Ainda olhei para ver se via algum paramédico de serviço...mas nada....A Fnac estava só com amigos que não via há montes de anos.
Engraçado. De os ver percebi que já não vou nada para nova também. As rugas atacaram em força, assim como a queda de cabelo.
Afinal os espelhos omentem além de omitirem (graças a uma sábia falta de iluminação)....risos
E....verdade..vamos ter um novo escritor no blog....um amigo peruano.
Fernando se quiseres escrever em espanhol está à vontade:)
Podes escrever sobre o Iraque, que nós vamos gostar de ler.
Beijos.

3 de novembro de 2003

Enregelada

Devo estar a chocar alguma coisa.
Estou com quinhentos cubos de gelo a circularem nas veias.E a ponta do nariz não aquece.
E logo hoje que queria ir à FNac do Chiado ver o lançamento do livro duma amiga minha! Merde.
Mas vou, que se lixe. Também é às 18:30, é cedito.
Estou com curiosidade. Disse-me ela que é um livro para jovens.
On verra.
Ao menos na FNAC está quentinho.
Beijo.


2 de novembro de 2003

A propósito do dia dos mortos...

...eu venho vos dizer que continuo vivo (se bem que não são poucas as horas em que duvido) e chutando, e sendo chutado, enfim: sigo vivendo. Tenho que pedir perdão pela prolongada ausência. As razões? Uma falta de tempo; uma crise de acídia; e a nossa equatorial preguiça. É que agora, aqui abaixo, é primavera, ou seria, se aqui existisse primavera - o que há é calor e chuvas que vão aumentando, até a alternância entre sufocações e dilúvios que é o que chamamos de verão. Isso nos prostra, amigos; isso nos aplastra.

Mas vêde: aqui o dia dos mortos é o dois de novembro. Que para mim começa daqui a pouquinho, porque a meia noite ainda não veio. É o dia de finados, dia em que sempre chove aqui em São Paulo, e que seria feriado se não fosse, azaradamente, cair num domingo. Nunca fui ao cemitério nesse dia, e olhai que mortos é que não me faltam: venho de família grande, italiana, gente propensa ao câncer e a sufocar-se apoplética na própria maldade. Temos um jazigo no cemitério da Quarta Parada (por que não é Última Parada? certamente para não acrescentar anedotas à dor), cemitério que não é assim um Père Lachaise, mas serve a seu fim, que é enterrar gente e evitar o chorume. Lá estão minha avó, meu pai, tios e tias, um primo. Bem podia eu ir dizer-lhes alô, como vão, que tal é aí abaixo, no escuro e no fedor. Mas não vou. Decerto por timidez. Além do que, são dois ônibus e um metrô, muita viagem para curta conversa.

Lembro-me de quando enterrei todos eles. Esse meu primo morreu precisamente com a idade que hoje tenho, trinta e seis. Morreu do coração, como ameaço eu morrer. Coincidências, ou uma sina dos Tosetto? Meu pai se foi pelo coração também. Apopléticos, avermelhados, italianos assando nos trópicos. Que destino o nosso. Enfim, talvez eu morra. Que digo? Morro decerto, inevitavelmente.

Mas, por enquanto, sigo vivo, e a vos pedir desculpas. E a prometer assiduidade doravante. Ao menos aos finais de semana, que nos chamados "dias úteis" torno-me positivamente inútil, para nada presto a não ser trabalhar como doido, ver aulas e adormecer no metrô.

Estórias da minha infância (5) – Uma casa com três janelas

Além dos três sabores, a casa da minha avó tinha três janelas. Ou melhor, duas janelas e um miradouro.
Uma das janelas era a janela pequenina, a janela do cesto. Ficava na cozinha, dava para a rua da Cooperativa e era bastante pequena, tão pequena que mal cabia uma pessoa a espreitar para a rua. O cesto era o cesto das compras que, atado por um cordel, chegava lá baixo até à rua. Aliás, naquela casa quase tudo funcionava por meio de cordéis: o cesto das compras, o trinco da porta de baixo, os autoclismos, os estendais,… Quando alguém batia à porta ou chamava D. Maria, ia-se até á janela espreitavar quem era. Se era visita de entrar, puxava-se o cordel que abria a porta de baixo. Se era vendedor de qualquer coisa, verduras, pão, fruta, lá se deitava o cesto com o dinheiro que, logo depois, subia com o produto. Eu, está visto, adorava comandar o cesto, balancea-lo a meio caminho, ver as pêras quase a cair na rua, ouvir os gritos da minha avó…
A outra janela era na parte de trás da casa. Era grande e luminosa e dava para os telhados vermelhos que se estendiam até ao liceu, à polícia e depois daí para a imensa planície que se prolongava, prolongava, e subia, subia até se juntar ao céu, lá muito longe. Gostava de ficar ali que tempos, a imaginar já não me lembro o quê… e também a ver as ratazanas a passear lá em baixo, no quintal.
Ao miradouro era raro lá ir. Tinha que passar pelo quarto onde agonizava o meu bisavô, subir umas escadas ingremes de madeira que rangia e abrir, com dificuldade, uma porta empenada e ferrugenta. Lembro-me bem do barulho que se ouvia ao chegar, um vruuuuuuuuu prolongado… eram os pombos a levantar vôo. Depois, no miradouro, sentia-me no alto do mundo, um rei.
Um pequeno rei, rodeado de cagadelas de pombo!

PP: Estou de partida para Castela. Voltarei lá para o fim da semana, coberto de honra, glória e despojos! Portem-se como puderem...


1 de novembro de 2003

Ahh!!! Calma que já é Novembro!

Parei hoje frente a uma florista carregada no seu interior de árvores de Natal. E ontem não passava de uma florista normal... 1 de Novembro. Como se estivessem todos à espera do primeiro dia de Novembro para finalmente vender o Natal. Assim ninguém pode dizer “Ainda estamos em Outubro e já está tudo decorado para o Natal... um dia destes começam em Agosto”. Assim é só em Novembro. É o mês antes, soa menos mal...





Assim a correr.

Hoje foi o dia dos Finados.
Como se os nossos amados que morreram, tivessem fim....
Como não sou de ir a cemitérios e tenho-os todos cá dentro, fui pragmática.
E fui fazer algo que agradaria a qualquer deles. Boa acção?
Trabalhei com uma escrava, escavaquei as unhas, mas sinto-me tranquila.
E a tranquilidade continuará com o encontro das pessoas que amo , num jantar calmo de sobrinhada.

Não sei se a felicidade escorre.

Isso ainda não aprendi.

Mas, estou convencida que devagarinho , ficamos um pouco mais felizes todos os dias. (às vezes).
Calmarias.
Beijos e melhoras aos acamados todos.
:P

A propósito de fotografias e beijos...

acabei por ir ter, entre outros, com a Florbela



Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

As Tormentas


Eu estou melhor, obrigado!

Bastante melhor, sinceramente.
Acho que também contribuiu o chegar do fds e, ainda mais, a perspectiva de ir a Madrid durante dois ou três dias.
Por cá, os dias continuam chuvosos, arrastados, desinteressantes. Adio desde há mais de um mês (quiça um ano...) a decisão mais importante da minha vida. Parece exagero? Garanto-vos que não, tenho a certeza que é a decisão da minha vida, aquela que vai verdadeiramente fazer a diferença.
Então porque é que a arrasto tanto? Sei lá... sou mesmo assim? Tenho medo? Vou fazer a escolha errada? Sei lá!
Sei lá, talvez Madrid me inspire...

Entretanto vou, por aqui, navegando. Ao que parece chegou o desejado, um tal Coutinho, tal é o entusiasmo de alguns blogs. Não conheço a personagem, vou ficar à espreita! Curiosamente, na sua página de entrada, fala das famosas sete virtudes e dos sete pecados capitais... (será que os sete anões também terão alguma relação com isto?).

E lá fora? Assisti à cena daquele inerranável advogado que inventou um psiquiatra.
É giro que quando o ouvi, à saida do tribunal, comentar o estado de "vegetal" do Silvino. Pensei: isto não parece conversa de médico!
De resto não tenho mais palavras, acho que só em Portugal. Mas, desde que uma estação de rádio do Porto teve um comentador de futebol cego, tudo será possível!

31 de outubro de 2003

Todos doentes?

Bolas, este blog parece uma enfermaria.
Estou a ficar preocupada.
E uma enfermaria arrumadissima, graças ao Alexandre. Tudo nos sítios, colchas esticadas, soros bem ligados aos doentes.
Hoje fui a um ginásio tratar de arranjar o corpo.
Estive a brincar com tudo.
Tem uma piscina grandeeeeeeeee:) Quentinha:)
Os aparelhos é que parecem retirados da inquisição. Devem ter vindo directamente arrematados de algum leilão da dita cuja.
Veremos.
Acho que o personal trainer vai sofrer muito..o pobre:)
Beijos

histórinhas para embalar doentes (e não só)

O Porquinho Que Dormia de Costas

Havia um casal de porquinhos cujo único motivo de discórdia era a maneira como cada um deles dormia.
Dona Porquinha durante o sono ia sempre mudando de posição. Esta maneira de dormir concorreu para que adquirisse as mais elegantes formas porcinas (redondinha que nem um barril).
Já o Sr. Porquinho tinha uma maneira incómoda de dormir. Deitava-se de barriga para o ar e assim permanecia durante o sono. Por isso ressonava de tal maneira que por vezes acordava a vizinhança. E esta maneira de dormir provocava-lhe também tão grandes estremecimentos por todo o corpo que as pernas e os braços se agitavam em violento escoicinhar. E a barriga movia-se de tal maneira que mais parecia uma montanha a desabar. De tanto dormir de costas o lombo, a parte mais apreciada da beleza na espécie porcina, estava liso como uma tábua de engomar.
Dona Porquinha, depois que passaram a dormir em camas separadas, habituou-se à maneira de dormir do marido.
Um dia, o Lobo Mau conseguiu entrar em casa enquanto os porquinhos dormiam.
Foi-se à Dona Porquinha e, enquanto ela se ia virando como um frango no espeto, foi-a deglutindo paulatinamente.
Acabado aquele repasto, como ainda estava esfomeado, tentou também comer o Sr. Porquinho. Mas neste caso foi mais difícil porque o Sr. Porquinho, mesmo a dormir aplicou-lhe tantos pontapés e bofetões que o Lobo Mau teve de desistir, tendo só conseguido abocanhar-lhe um pequeno pedaço da parte de baixo da barriga.
Quando o Sr. Porquinho acordou percebeu logo o que tinha acontecido. Depois de chorar a morte da esposa, o Sr. Porquinho, que era um tanto filósofo, pensou lá com os seus botões:
«Afinal há males que vêm por bem, pois se não fosse esta minha maneira de dormir já estava a estas horas no papo do Lobo e assim a única coisa que ele me conseguiu comer foi um pequeno bocado que, aliás, até já nem me faz falta porque perdi a minha companheira».


Pedro Oom


Dias de treta

Quando fico doente, simplesmente constipado, fico completamente roto. Se somar a isto estes dias frios e cinzentos, o quadro fica negro!
Ainda por cima, e também por causa do tempo, não tenho andado de mota. A cabeça não areja...
Acho que é tempo de ficar quieto, bem quietinho, e esperar que passe o que há a passar.

Esta tarde devia ter vindo para casa, enroscar-me num qualquer sofá e lamber demoradamente as minhas feridas.
Em vez disso fui dar consultas. Erro crasso, pois às tantas estava à disputa com um doente sobre quem estava pior. Estou cheio de azia, atirava ele. Dói-me o corpo todo, ripostava eu. Eu, é só gases, gabava-se. Parece-me que tenho febre, choramingava eu. Até que ele se fartou e me atirou: Se está doente, vá ao médico. Eu estou aqui é para me curar! Eu fiquei indignado com tamanha insensibilidade e disse: Ai é?... Então deite-se que lhe vou meter 10 centimetros de aço frio no rabo! Aí ele recuou: Bem... não quer falar da sua constipação, eu até sou farmacêutico. Não perdoei e deitei fora a vaselina: Ai é.... então vou buscar o tubo grosso de 20 centimetros!

Esta fúria contra os farmacêuticos é passageira.
Hoje, casualmente, fui aterrar no blog dum deles e li um dos melhores exercícios de demagogia que pude ver. É certo que todas as classes profissionais têm os seus pequenos, e grandes, corporativismos mas os farmacêuticos (da ANF) são demais: insistem em explicações lógicas e racionais para o facto, do reino das farmácias, ser uma coutada privada! E o melhor é que conseguem convencer toda a gente... o que, afinal, não espanta muito para quem tem um lobo com pele de Cordeiro!

Já agora aproveito para dizer que vejo, com frequência, posts a lavar honras ou a cobrar ofensas, por uma afirmação ou outra mais incisiva. Parece-me simplesmente ridículo! É fazer disto uma mera extensão da pessoa real e reproduzir os conhecidos vícios das relações sociais in-vivo. Só falta o típico vou-te tirar dos links, nunca mais te comento, ou vou dizer aos meus blogs amigos para não te referênciarem...
Quanto a mim, a grande virtude da blogosfera, é a liberdade da opinião, de crítica, de "desrespeito", sem olhar a quem está atrás de um nick. O sentimento de ofensa é desadequado para uma entidade virtual, se uma crítica nos "pica" só temos que arranjar boa resposta, no mesmo tom!

Por último (ou talvez não!) uma pequena nota sobre o FCP e os seu adeptos.
Vem a propósito do comentário do(a) S. sobre a minha paixão vermelha onde, às tantas, afirma qualquer coisa como ... Apesar de tudo e de muitos como o Gasel Ora bem, é incrível como após mais de 10 anos em que, jogando bem e sendo os melhores, ganharam quase tudo o que há para ganhar, continuam a falar como se fossem todos os anos enganados e roubados! E quanto a dizer "mal" do FCP é normal, é assim mesmo o futebol... se fosse ao contrário era igual.
No fundo ainda não perceberam que os papéis mudaram: já não são os coitadinhos-que-são-da-província-e-perdem, mas sim os malandros-que-ganham-tudo-e-controlam-ainda-mais.

... e gosto do novo visual :)

30 de outubro de 2003

conversas de treta

Há dia em que me sinto uma balzaquiana amarrotada, quando acordo, fico prostrada na cama a tentar abrir os olhos inchados enquanto os minutos desfilam no relógio.
Tento achar o norte enquanto vou para a escola
A seguir passo horas a fio a tentar dar voltas fantásticas ao que ensino (não gosto de me sentir papaguear certas inutilidades programadas)
Tento moldar-me aos formandos, qual plastic woman a dar piruetas entre temas formais para aluno aprender e temas que cativem os borbulhentos admiradores do Eminem. E no meio deste bailado, tento esquecer a conversa absurda que tive com uma colega.
Apanhou-me a jeito quando eu ia tomar café, e no meio da bica e dos desabafos conjugais (no fim de cada frase vinha sempre “tu não percebes, não és casada”---- se não percebo, porque raio é que me está a contar?) eis que surge a já famosa conversa do costume.
“Olha lá, tu até podias ser bonita se… (tremo e espero pelo catalogo da Avon ou afins) ….Fizesses uma dieta”.
Eu sabia, e enquanto afivelo um sorriso amarelo ouço argumentos “deliciosos” misturados com olhares piedosos.
-já viste, se fosses magra, podias usar roupa mais gira
(silêncio)
-sabes bem que os homens preferem as mulheres magras
(silêncio)
-podias fazer uma pequena dieta, se não fosses preguiçosa
(silêncio)
O riso já estava mais pró negro, escondi-me num silêncio, que me incomoda (eu não consigo ser sarcástica), dizer simplesmente que não quero emagrecer, não chega, aos olhos dos outros isto é uma desculpa ou mesmo uma cobardia.
A vontade que me deu foi a de amarfanhar esta conversa de treta e deita-la para o caixote do lixo.
Raios, há pessoas que ajudam os dias a serem chatos e há dias mesmo maus para deixar o sarcasmo a dormir em casa.

Ai que dores...

Tenho dores no corpo todo, estou moído por dentro.
A testa arde, a garganta é uma chaga, os olhos choram.
O nariz debita litros da ranho fluído que escorre, escorre (como a cera), que ensopa lenços de papel, de pano, e inunda o teclado.
Hoje à tarde, desesperado, tomei um antibiótico qualquer para ver se passava. Não passou!
Estou gripado, é o que é.
Vou dar uma volta... talvez fique melhor. Até já!