este sábado, num talho da morais soares, mãe e filha estão ao balcão a ser atendidas.
diz a filha ao olhar para o talhante a cortar uns bifes:
-ò mãe, não gostava nada de ser vaca..
responde a avisada e experiente mãe:
- eu não gostava era de ser boi.
eu trouxe hamburgers de cavalo, não fosse o diabo tecê-las...
13 de março de 2013
dúvidas que me assaltam
neste momento em quais serão os parâmetros em que baseiam 115 gajos fechados numa sala a tentar saber qual é o mais papável de entre eles?
... sendo que papáveis são quase todos.
há uns que, pela idade, o decoro manda que já não sejam papáveis mas apenas que se sirvam da sua experiência de papáveis para descobrir o mais papável dos papáveis.
e será que, como diz a lenda urbana, também usam as calças no fundo das nádegas para indicar que são papáveis?
ou será um qualquer outro sinal?
tipo um saiote de rendas....
Vivo de boa sopa, não da linguagem *
… ou como tudo muda, de modo vertiginoso, até a língua
(leia-se, idioma) fica entaramelada… Conclui-se que, das duas uma – de acordo
com o lugar-comum, «a língua portuguesa é muito traiçoeira», ou o vinho caseiro
produzido pelas redondezas, continua a exceder a graduação definida por lei
(diz-se que ronda os 15 graus com consequências notórias).
* Frase de Molière
4 de março de 2013
Rainy day
fotografia: Jim Hubbard
Como uma segunda-feira de chuva se pode converter em algo de reconfortante, quando se decide madrugar, para mais cedo poder chegar a casa… porque se tem casa pois, no caminho para o trabalho, faz parte da paisagem uma multidão de imigrantes clandestinos, a viverem na mendicidade. Já foram alvo de diversas reportagens e “moram” sob um dos viadutos por onde se passa ao longo da semana… assume-se, em público, nem sempre se saber a resposta para situações específicas, como esta, a preencherem o quotidiano . Explicação para isso? Desconhecimento reconhecido com humildade no tocante a diversas formas de sobrevivência.
Rainy day, John Lee Hooker
28 de fevereiro de 2013
As florinhas
Estou na esplanada a bebericar uma meia de leite e a atacar uma bonita e imensa tosta. Reparo nos passantes, ouço as conversas, algumas azedas, outras simpáticas e vou pensando no que tenho a pensar.
Vejo entrar um casal e uma (suponho eu) empregada, ajoujados de malas e com um vasto ramo de mimosas(?), para o prédio ao lado. No meio da confusão, solta-se um pequenino galho e fica ali abandonado na calçada.. Quando me levanto, pego nele com reverência, e arranjo-lhe lugar em casa junto à fotografia da minha mãe. Nunca fui de homenagens fúnebres, ela sabia, mas sei também que ela gostaria de estar acompanhada com flores. E é isto.
27 de fevereiro de 2013
Tudo pela língua materna
... e antes de regressar à vida real, um apontamento desta manhã. Num estabelecimento das imediações, discutia-se o nome deste «peixinho». Como sabem que aqui a vizinha dá aulas, consultaram-na para servir de desempate na divergência. Houve até alguém que, não duvidando do pessoal esclarecimento, a custo zero e sem número de contribuinte apenso, (tudo pela língua materna), referiu o facto de, nos mercados e peixarias circundantes, ser deturpado o nome desta iguaria dos mares. A questão prendia-se com a letra inicial. Acrescentei que estar escrito de determinada forma, não atestava sobre a idoneidade da ortografia, basta olhar-se para as ementas de restaurantes, para referir um exemplo (conheço quem, por deformação profissional, as corrija a tinta vermelha).
Imagem: soemilheus.blogspot
26 de fevereiro de 2013
24 de fevereiro de 2013
And the oscar goes to...

Um investigador fez uma previsão surpreendente para as últimas presidenciais nos Estados Unidos. Para tal, recorreu a algoritmos. Desta feita, aplicou a técnica à atribuição dos Óscares. São as seguintes as previsões, de acordo com a técnica: «Argo», melhor filme, Spielberg, melhor realizador , Daniel Day-Lewis, premiado pelo desempenho no papel do presidente que pôs fim à escravatura, Jenifer Lawrence, galardoada pelo desempenho em «Hapiness Therapy». A previsão é assinada por três organismos especializados neste tipo de análise alicerçada numa pesquisa atenta em fóruns e redes sociais. Recorrendo a um considerável número de artigos, críticas e prognósticos e utilizando um potente algoritmo, os três analistas mediram, ao longo das últimas semanas, a expressividade de cada nomeado. Os resultados apurados revelaram ligeiras diferenças, mas os favoritos destacaram-se em todos os estudos: Daniel Day-Lewis, Cristoph Waltz ou Tommy Lee Jones deveriam receber o prémio pelo melhor desempenho secundário. Anne Hattaway, a distinção para o melhor papel secundário feminino e «Amor», de Michael Haneke, deveria receber Óscar para o melhor filme estrangeiro. Fica a referência, a fim de se poder aferir o rigor do método utilizado.
(fonte: L’internaute magazine)
23 de fevereiro de 2013
«Se por acaso me olhas, tenho vergonha da vida»*
Não muito dada a doces (nem aos que atraem a maioria), existe um, irresistível, as orangettes, cascas de laranja cristalizada, envoltas em chocolate amargo. Trabalho deste sábado terminado descobre-se, por acaso, um local onde as vendem, de fabrico artesanal. Pequeno capricho de fim de semana : trazer, para casa, um pacotinho, com o confessado «péché mignon»... Tendo acabado de espreitar o The Guardian, ressalta a imagem captada num país africano no qual, através de um programa internacional de combate à fome, se procede, com regularidade, à distribuição de porquinhos da índia para sobrevivência das populações. Preenchem, de modo súbito, o pensamento, os versos finais de um despretensioso poema de Matilde Rosa Araújo por aqui deixado, em tempos: «diz que perdoas meu fato/junto de teu abandono/moço de fato macaco/que varres folhas de Outono». Nenhuma imagem para o apontamento presente (a das orangettes, por surgir como ostensivo despropósito, a do jornal britânico, por motivos pessoais que não vêm ao caso).
*versos do poema de Matilde Rosa Araújo citado no texto
*versos do poema de Matilde Rosa Araújo citado no texto
22 de fevereiro de 2013
A modernidade
Estou a levantar dinheiro, entre chuva, e pressinto um táxi.Agito-me e o senhor pára.
Diz-me ele, ar afável e simpático: Não sei se esta modernidade dos computadores e essas tretas tais não nos estragam o carácter de vida. Tal e qual. E prolongou o raciocínio: Esta pressa faz-nos mal, não saboreamos devagar as coisas boas. Não vivemos em tempos fáceis, digo eu. Nunca ninguém viveu, diz ele. E tem razão. Hoje é sexta-feira. Dia de ir ter com o Miguel e sentir-me de novo completa. Sem pressas, prometo.
Diz-me ele, ar afável e simpático: Não sei se esta modernidade dos computadores e essas tretas tais não nos estragam o carácter de vida. Tal e qual. E prolongou o raciocínio: Esta pressa faz-nos mal, não saboreamos devagar as coisas boas. Não vivemos em tempos fáceis, digo eu. Nunca ninguém viveu, diz ele. E tem razão. Hoje é sexta-feira. Dia de ir ter com o Miguel e sentir-me de novo completa. Sem pressas, prometo.
20 de fevereiro de 2013
a parede ao fundo do túnel
é sabido que estamos governados por um bando de ineptos e incompetentes.
mas o mais grave é que a sua ignorância não os deixa perceber quão estúpidos são.
a constante inépcia para compreender a crise e a forma de a ultrapassar bem como a incapacidade de reconhecimento dos erros cometidos é alarmante.
são ignorantes e fanaticamente convictos como todos os ignorantes.
cada medida que tomam torna a economia pior a a vida dos portugueses mais miserável.
é como se andassem na demanda do graal da incompetência.
e, ao sinal de falharem todas as previsões sobre o crescimento económico ou o desemprego, não dizem que vão corrigir as políticas:
aquela besta ignorante que teoricamente comenda as outras bestas, diz que vai corrigir... as previsões.
alguém escrevia a semana passada no 'publico', ´não há luz, só túnel'
os portugueses cada dia têm mais a certeza que ao fim do túnel está uma grossa parede que, ou a derrubamos juntamente com o governo, ou morremos esmagados nela.
depende de nos não lhes dar descanso.
mas o mais grave é que a sua ignorância não os deixa perceber quão estúpidos são.
a constante inépcia para compreender a crise e a forma de a ultrapassar bem como a incapacidade de reconhecimento dos erros cometidos é alarmante.
são ignorantes e fanaticamente convictos como todos os ignorantes.
cada medida que tomam torna a economia pior a a vida dos portugueses mais miserável.
é como se andassem na demanda do graal da incompetência.
e, ao sinal de falharem todas as previsões sobre o crescimento económico ou o desemprego, não dizem que vão corrigir as políticas:
aquela besta ignorante que teoricamente comenda as outras bestas, diz que vai corrigir... as previsões.
alguém escrevia a semana passada no 'publico', ´não há luz, só túnel'
os portugueses cada dia têm mais a certeza que ao fim do túnel está uma grossa parede que, ou a derrubamos juntamente com o governo, ou morremos esmagados nela.
depende de nos não lhes dar descanso.
13 de fevereiro de 2013
«Radio days»
Imagem: ricksantiqueradios
Na data de hoje viaja-se no tempo , reavivando memórias trazidas por um amigo dos meus avós. Contou-nos, na infância, sobre a festa em Lisboa, na data em que foi transmitida, em público, a primeira emissão no Rossio, a praça enfeitada de inúmeras bandeiras, povoada por uma multidão entusiasmada. Os transportes despejavam centenas de ouvintes incrédulos, que se acumulavam aos milhares. Narrou a efeméride com o tal «brilhozinho nos olhos», o Victor Hugo, que nos cantava árias de ópera, quando aparecia lá por casa, a dedicar boa parte do seu tempo de homem idoso, com uma cultura invejável, a atrair a nossa atenção - a minha e a dos meus irmãos - na entrega dedicada às coisas que o apaixonavam. Considerávamo-lo algo excêntrico e detentor de uma personalidade cativante.
Não sei há quanto tempo se deu a efeméride, mas relembrei-a quando, há alguns anos, vi «Radio Days», de Woody Allen. É nestas lembranças que se vê utilidade na existência de datas rotuladas, por nos trazerem memórias de pessoas e de acontecimentos.
Um trecho da banda sonora do filme de Woody Allen aqui.
12 de fevereiro de 2013
Preceito
Foi a vontade de cheirar as lojas de comércio tradicional que nos levou na segunda-feira à baixa. E logo nos deu a inspiração de ir à Pollux, onde há anos não íamos. Corremos andar a andar, num armazém muito vazio, excepto na zona de plásticos, sacos e revestimentos. Quase que uma sensação estranha de ver os tão poucos empregados, com tanta vontade de vender, numa imensa maioria de artigos pouco adequados ou caros. Um último andar com um café situado num local fabuloso de vista larga e soalheira, mas quase estragado pelos artefactos de flores artificiais em abundância. De novo a simpatia da empregada, sem subserviência mas eficiente. E à saída, não resisti a comprar chávenas de café e frascos de vidro para especiarias. Deslumbrei-me a olhar para o preceito com que foram embrulhadas e conferidas. Pena terem substítuido o cordel por fita-cola. Quase que apetece desejar uma melhor gestão para a Pollux, adequada ao tão bonito edifício, completamente descaracterizado e aos funcionários empenhados e profissionais. Enquanto não se investir seriamente na qualidade e oferta, não teremos muita hipótese de ver o comércio florescer.
Mas, tendo em conta tudo isto, vão à Pollux e experimentem esta viagem ao como era. Porque quisemos ir ao Brás e Brás e estava encerrado. Funciona agora no Poço de Borratém dizia um cartaz. É a vida. Por isso mesmo, vão à Pollux. E comprem qualquer coisinha.
Parabéns!
Os aniversários dos amigos servem de pretexto para lhes darmos mimos. Parabéns querido Azinho, ABS, Armando. Que tenhas um dia muito feliz. Beijinhos aqui da Alameda:)
7 de fevereiro de 2013
A Singer
Adília de seu nome escolhido por ser o da madrinha lá na
aldeia do sul de onde veio casada e com um rancho de filhos, para os subúrbios
da capital, à procura de sustento.
A casa escura, o pingo na torneira , alumínios a arear
enquanto os miúdos comem o caldo de hortaliças, ainda o sol não desapareceu, a
escola fica longe e o dia começa ainda escuro.
Roupa esfregada, cada sábado de manhã, no tanque do pátio ,
batas brancas obrigatórias na escola de finais de quarenta, cada filho só com
um destes tapa- misérias de cor branca – faz-se questão no asseio – a ter de estar
seco e engomado , cada segunda-feira.
Dia de aniversário (tinha-o esquecido), chega a inesperada oferta do seu homem, uma
Singer, nunca havia recebido, nem nos natais da infância, um embrulho que
fosse, nem de papel pardo e cordel. Na vizinhança desses tempos outras chaminés
havia, com bonecos de pasta de cartão, soldadinhos
de chumbo, dentro de cada sapato . O filho do presidente da junta chegou a
receber um boneco de corda que tocava tambor e acabou por paralisar no dia
seguinte, à custa de tanta azáfama de percussionista, com toda a criançada a
rodar o mecanismo.
A Singer ocupou lugares de honra a um canto da entrada estreita,
com direito a cobertura chita colorida, para não entrar o pó, almotolia ao lado, utilizada para contrariar
os danos de uma casa fria e húmida. Iria dedicar-se a fazer o vestuário das
vizinhas e contribuir com uma pequena abastança, a família passaria a vestir-se
melhor, com as artes de costura e os retalhos da retrosaria do bairro.
Praticar solidariedade
Agradecendo a todos os que já contribuiram para a inciativa de que vos falei há dias. No entanto e infelizmente o afluxo das famílias que procuram ajuda é grande e cada vez é mais necessária a nossa solidariedade. Para crianças, adultos e idosos. E relembro mais uma vez:
" A Isabel trabalha a dar apoio a famílias em risco na zona de Lisboa. Um destes projectos é uma "lojinha" que oferece roupa, brinquedos e outros bens às famílias que deles necessitem.
O espaço é simpático e pretende desdramatizar e dar dignidade a um momento difícil pelos que está a passar muita gente. Contou-me ela que se esvazia continuamente, tal o afluxo de pessoas.
Portanto, se tiverem roupa de qualquer tipo. brinquedos, coisas de casa, que já não vos são úteis mas que podem ajudar alguém, contactem-me pelo canjinha@gmail.com ou o telefone 213240520
Caso necessário eles vão buscar"
Foto de Ferdinando Scianna, Magnum
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