6 de fevereiro de 2013

afinal o tgv agora é bom

a maior bandeira dos actuais governantes para identificar os maus investimentos, desperdícios, loucuras, megalomanias e desfazamento da realidade do anterior governo, foi o tgv.

mesmo tendo sido uma obra que começou com um governo do seu partido, trataram de camuflar essa facto ao estilo da foto do funeral de mao tsé tung com o desaparecimento do 'bando dos 4'.
aquilo nunca existiu e eles não estiveram lá (lá, entenda-se no lançamento do tgv)
hoje apareceu a notícia que o governo, de um modo aparentemente secreto assinou, através da parpública, um contrato de financiamento com um consórcio de bancos composto pelo santander, bcp, bes e caixa, no valor de 600 milhões de euros (exactamente o mesmo valor que estava no concurso ganho pelo consórcio que ganhou o concurso para o troço poceirão caia feito no anterior governo).
não foi preciso muito tempo para que aquilo que era uma loucura, agora seja um projecto louvável; aquilo que era um investimento louco em época de crise, agora seja o investimento certo em época de crise.
não foi preciso muito tempo para este governo entender que o projecto é estruturante e precisava mesmo de ser realizado.
pelo meio já se perdeu tempo e dinheiro e os outros países mesmo em crise avançaram com aquilo que era realmente importante e não megalómano.
mas nós gostamos mesmo é de discutir o acessório.
nisso somos espectaculares.

p.s. se o contrato foi assinado a 22 de janeiro, porquê o segredo?




5 de fevereiro de 2013

a importância dos curricula

de acordo com o nosso primeiro ministro, os curricula servem para descrevermos aquela parte do nosso passado e experiência profissional que é desconhecido da generalidade das pessoas, e daquelas para quem pretendemos trabalhar.
para explicar o inexplicável, passos coelho justifica a omissão no curriculum de franquelim alves a sua passagem pela sociedade lusa de negócios, apenas porque já toda a gente sabia e não valia a pena falar disso.
imagina-se que toda a restante carreira de franquelim alves foi inútil (incluindo a sua passagem pelo mrpp, sim foi meu camarada um curto período de tempo, pela editora vento leste, pela revista o tempo e o modo e pela chefia da redação do luta popular, já no começo dos anos 80, igualmente omissas porque são obviamente do conhecimento geral da população portuguesa), já que  ninguém delas soube, pelo que precisam se ser incluídas nesta nova versão dos curricula para as actividades desconhecidas e outras actividades menos notórias
o primeiro ministro entrou naquilo a que podemos chamar uma espiral recessiva de vergonha e respeito pela verdade.
não será mentira compulsiva.
mesmo sendo as pulsões são a única coisa que o parecem guiar, a mentira parece ser mais uma obra do acaso de uma mente erraticamente perdida.
é mais um padrão.
nem uma única decisão tomada com o discernimento que uma atitude séria e ponderada deve ter.
e porque o passado profissional do franquelim alves merecia melhor tratamento, ele devia ter sido poupado a este vexame público.
mas o próprio parece querer também colocar-se a jeito.

3 de fevereiro de 2013

Django Unchained





Gostar de Tarantino sem acanhamento ou preconceito, encontra explicação na impressão digital deixada pelo realizador, na aparente simplicidade da dicotomia bons/maus; preconceituosos/mentes livres, requintados/boçais…Perpassa uma violência não gratuita, a conduzir os destinatários das imagens (dois momentos do filme levam a desviar o olhar, mas só esses). Sente-se ainda o gozo – para o realizador e alguns destinatários cúmplices – da escolha da banda sonora que, em alguns pontos, quase nos transporta a momentos altos da nossa  autónoma (a outra pertence a um departamento bem menos empolgante) educação musical, apetecendo pedir: «interrompa-se o filme, vamos passar, por momentos,  a ver e ouvir Richie Havens em “Freedom”... para não mencionar Johnny Cash... "there ain't no grave..."». Um filme extenso? Não se dá pelo correr do tempo…
Fica-se a rir por dentro, sabendo que – vide a última grande digressão americana dos clássicos Crosby, Stills, Nash & Young e o modo como foram recebidos em Atlanta  - a película será mais uma pedra bem colocada em alguns sapatos.

(opção para não traduzir o título do filme: «unchained» não equivale, na totalidade, a «libertado»)

Django Unchained

Foto: blog soinlovewiththemovies

2 de fevereiro de 2013

Em busca da "leveza" de Italo Calvino



Um instantâneo do primata em cativeiro e disparam pensamentos desordenados:  a associação a um filme baseado numa estudiosa da espécie; o facto de estes animais terem um regime alimentar na quase totalidade vegetariano; discussões e teorias de ciência vs religião… a lista começa a levar ao bocejo, servindo de pretexto para fugir a uma escrita com data marcada, que se pretende rigorosa e parte da articulação de características defendidas por Italo Calvino em Seis propostas para o próximo milénio, conferência pouco anterior à sua morte. Desafia-nos o escritor com as seguintes características: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência.
O dia afigura-se pouco convidativo a sair de casa, mas é grande a tentação da leveza, destacada por Calvino enquanto olhar atento, a abarcar ângulos diversos, em  recusa à visão óbvia (o peso) das coisas, vulgarmente designada por ideias feitas. Torna-se aliciante a proposta de se resistir ao peso, contrapondo-lhe subtilezas. O que terá isto a ver com gorilas? – pensa-se …  é que estes animais são livres (não o da foto, que o será de modo relativo...) e – por contraditório que se possa afigurar – movem-se com a agilidade (no caso próprio desejar-se-ia a mental) que, quanto mais premente se torna, mais esquiva se revela…




1 de fevereiro de 2013

Bilhetinhos deixados em casa

Confesso que fico de lagrimita ao canto do olho, quando encontro estes bilhetinhos que me deixa a minha sobrinha-neta Maria:)

de quem são as pernas?




da linda gray, por claro!!

e está bem mais bonita agora...


paco ibanez e sasha waltz na gulbenkian

não juntos!!
mas ainda assim, os dois.



este domingo, paco ibanez vai à gulbenkian cantar os poetas da américa latina.
de nicolás guillen, césar vallejo, pablo neruda.
a lotação está esgotada e não me vai ser possível rever um dos maiores cantores da lingua castelhana.
relembro uma noite mágica no largo central do seixal em que paco ibanez mostrou como continua a ser uma voz cada vez mais necessária.
no domingo seguinte, dia 10, é a vez da companhia de sasha waltz regressar a portugal.
já aqui falei dela a propósito do deslumbrante 'dido and aeneas'.
desta dez, a sua proposta é, com mark andre, realizarem um concerto coreográfico (gefaltet) onde exploram os sons e os silêncios na música de mozart e do próprio mark andre.
o resultado só pode ser algo a absolutamente não perder!!!


paco ibanez, andaluces de jaen


sasha waltz, mark andre, gefaltet





31 de janeiro de 2013

a culpa é do vinho

os governantes portugueses são uma espécie única com um complexo e absolutamente singular modo de processamento cognitivo: perante um problema (seja de que natureza for), arranjam a pior e mais abstrusa solução possível.
e cada dia conseguem uma pior que a anterior.
por exemplo, quando faltou a chuva, a ministra cristas resolveu o assunto... rezando.
agora vem uma proposta absolutamente delirante para resolver o problema dos suicídios em portugal:
aumentar o preço das bebidas alcoólicas !!!!
não passa pela cabeça destas mentes peregrinas que nem todos os deprimidos são dados a beber álcool nem que a solução para um problema é atacar uma das suas possíveis consequências, em vez da questão de fundo.
se uma pessoas está desempregada, a solução claro que não é criar condições para aumentar os postos de trabalho disponíveis.
a solução destas aves raras é aumentar o preço do álcool, ou mais radical ainda, fechar coercivamente todas as tascas, bares ou outros locais fomentadores do suicídios (cortar as árvores e proibir barrotes de sustentação de tectos também me parece uma boa ideia...).
tirando aquela parte escondida que é, se aumentar o preço do álcool é porque cobramos mais impostos mas ninguém nos pode acusar porque não é por causa do dinheiro, mas sim pelos suicídios.
todos sabemos (o governo devia saber mais que ninguém) que não é o álcool que leva ao suicídio.
o álcool é aquilo que vai mantendo as pessoas vivas antes de já nem isso lhe valer a pena para acharem que vale a pena.
claro que o aumento do preço do álcool leva ao fecho de muitas empresas e a mais despedimentos e a mais depressões e a mais suicídios, mas isso passa a resolver-se com o aumento dos impostos para as cordas; portagens em pequenas pontes, ou acesso pago a encostas escarpadas.
este é um governo de ineptos.
este é um governo de sanguessugas acéfalas.
este governo leva ao suicídio.
está na hora de o proibir !!!


30 de janeiro de 2013

em que ficamos?

um estudo publicado pela american sociologial review sobre a igualdade, trabalho doméstico e frequência sexual no casamento (egalitarianism, housework, and sexual frequency in marriage), conclui que os homens que se dedicam às tarefas tradicionalmente realizadas pelas mulheres em casa, têm menos relações sexuais do que aqueles que se comportam como machos.
a explicação para o facto tem a ver com os padrões associados ao macho e ao que a fêmea espera do macho.
assim, seriamos levados a achar que as mulheres desses homens perdem o desejo sexual pelo macho efeminado e os machos efeminados perdem o apetite pela fêmea.
a simples ideia de estar um pouco mais cansado que o habitual porque tem que dar mais ao cabedal a aspirar a casa, estender a roupa ou a fazer o comer, não entra nos considerandos.
estamos perante apenas a atitude de galo que enche o peito para a galinha se pôr por baixo.
ficamos a saber nós, homens, que o melhor (se queremos continuar a ter sexo regular) é  abandonar essas mariquices de tratar dos trabalhos domésticos.
nada como futebol, carros e coçar os ditos para estarem preparados para a função.

o problema deste estudo é que conclui uma outra coisa diametralmente oposta daquele que também conclui:
é que o deixar de realizar os trabalhos domésticos pode levar as fêmeas aq recusarem o sexo como represália.
então como ficamos?
lavo ou não a loiça hoje à noite?
resigno-me à minha falta de apetite sexual ou à represália alheia?
a bem ver, uma e outra levam à mesma coisa..


i won't



o governo britânico iniciou uma campanha étnica contra os búlgaros e os romenos.
mais civilizada que outras limpezas étnicas feitas em anos passados em latitudes não muito distantes.
a ideia, igualmente existente entre nós, de os imigrantes virem tirar trabalho aos desempregados dos países de acolhimento é tão racista como estulta.
não só os imigrantes apenas ficam com os trabalhos que os nacionais não querem, como os aceitam em condições que os nacionais achariam humilhantes.
mas fica sempre bem aos governos e seus apoiantes para tirar a água do capote das culpas do desemprego e da falta de políticas de emprego.
a campanha britânica é execrável, como muitas vezes sabem ser por aquelas paragens.
nada de novo.
principalmente vinda de uma nação que cresceu a mandar os seus nacionais para todo o mundo e onde conquistou o poder produtivo à força de balas e outros objectos mais cortantes.
a boa nova é o grande movimento, algumas vezes cheio de humor, com que muitos britânicos respondem ao seu desmiolado e racista governo.
a grâ-bretanha está cheia?
pela minha parte estou cheio 'desta' grã-bretanha!!


aqui podem ver algumas das 'respostas' enviadas ao guardian

27 de janeiro de 2013

Memórias de Mafra ou porque fomos felizes num local


Há terras onde fomos felizes. Um dos motivos, terá sido a descoberta de um jovem poeta. Capaz de criar imagens fortes com as palavras, este rapazinho começou, em gesto de provocação, a trazer para as aulas as folhas arrancadas à antologia, fingia-se não entender. O que interessava eram os textos literários em estudo, desde que as páginas coincidissem… Com o avançar do ano, o Horácio veio e revelar-se, tendo conquistado o prémio literário (modalidade poesia) que, então, foi criado na secundária. Com um nome assim, as expectativas quanto à sua escrita  eram de responsabilidade. Chegou, por essa altura, a decisão pessoal de entrar em período de tréguas com os livros daquele que viria a ser o nosso Nobel… É que, até à data, nada parecia conseguir ficar à altura de O Ano da Morte de Ricardo Reis. Constituiu experiência única a leitura do romance então recente – Baltasar e Blimunda ganhavam vida sempre que, num horário com inúmeros buracos entre tarefas e a incluir o sábado, se encontrava, sob as árvores, um banco convidativo, a escapar ao bulício da escola. Corriam pela vila  histórias exageradas pela imaginação popular: os ratos tomavam conta do espaço deslocando-se, em profusão, por caminhos subterrâneos que atravessavam o local… Na secretaria da secundária, os roedores apareciam, quase fossilizados, dentro de pastas de arquivo. O convento, na sua ostentação de oiro dos brasis, assenhoreava-se do espaço, excessivo no estilo arquitetónico. Chegou o dia ansiado – uma autorização especial para visitar a biblioteca do palácio, até então vedada ao público. Mesmo tratando-se de tempos diversos, a sensação de entrar num espaço proibido do saber conduziu à associação a outro grande título : O Nome da Rosa. Na imagem, um detalhe de outro compartimento do palácio, utensílio cuja finalidade conseguirão indicar.

25 de janeiro de 2013

Ajudar a quem precisa



Tenho o imenso privilégio de ter amigos excepcionais. Um deles é  a Isabel . Pedia-me ela ontem ao jantar, Teresa desencadeia lá através do Facebook e pelo blogue  uma rede de solidariedade para ajudar os que estão a passar dificuldades. Eu passo a explicar. A Isabel trabalha a dar apoio a famílias em risco. Um destes projectos é uma "lojinha" que oferece roupa, brinquedos e outros bens às famílias que deles necessitem. 
O espaço é simpático e pretende desdramatizar e dar dignidade a um momento difícil pelo que está a passar muita gente. Contou-me ela que se esvazia continuamente, tal o afluxo de pessoas.
 Portanto, se tiverem roupa de qualquer tipo. brinquedos, coisas de casa, que já não vos são úteis mas que podem ajudar alguém, contactem-me pelo canjinha@gmail.com ou o  telefone 213240520
 Caso necessário eles vão buscar. Ou digam-me e eu encaminho-vos. Porque ainda há profissionais de excepção e solidários e em quem eu acredito plenamente. Obrigada a todos que quiserem colaborar.
Foto de Peter Marlow, Agênciaa Magnum.

24 de janeiro de 2013

O mais importante



















"O mais importante na vida não é a situação em que nos encontramos, mas a direcção para a qual nos movemos" Oliver Wendell Homes (1809 - 1894), escritor norte-americano. Esta frase encima a contracapa do Público de 23 Jan. 2013.
Ligeiramente abaixo, no lugar e em vez da crónica do Rui Tavares, aparece uma notícia com o titulo "Ministro diz que idosos doentes devem "morrer rapidamente para bem da economia".
Apesar de não se tratar de um ministro de Portugal, mas sim do Japão, fico estupefacto a pensar em que direcção nos movemos. Não pode ser verdade.

Foto retirada em aqui

Lavar a alma

Por vezes há que escrever e descrever. No caso, relacionado com os dias conturbados que se passaram aqui no blogue. Embora tudo esteja normalizado agora, espero eu, não posso deixar de sentir um certo amargo de boca e um certo desconforto. Se o apoio dos nos amigos e leitores se fez sentir, nomeadamente através do correio electrónico e das redes sociais, fica porém um travozinho a azedo de termos sidos denunciados por spam ou quejandos. Ainda não consegui ultrapassar lá muito bem o odioso de ter um espaço colectivo ,que acarinhamos há quase dez anos, nomeado como bloqueado e com conteúdos impróprios. Lá passará, devagarinho.  Sei que o apogeu dos blogues passou. No entanto desejaria que este continuasse a escorrer com naturalidade, carinho e afabilidade. Uma boa companhia para as tardes chuvosas de domingo e as madrugadas sem sono. E era isto.

23 de janeiro de 2013

A cada um, a sua neve


Há quatro dias, após o vendaval que se fez sentir horas a fio, a praia mostrava-se assim: a areia cobria-se de espuma trazida pela tempestade marítima (os naturais da terra dizem que é muito benéfica para a saúde, contendo partículas de algas, o que contraria a ideia de poluição, a que muitos a associam). Na segunda feira, ao passar os olhos pela crónica de Miguel Esteves Cardoso no Público, o autor referia-se-lhe como sendo uma substância «pestilenta e gordurosa»… Penso que terá sido – com todo o respeito pela opinião alheia – uma despromoção , isto de acordo com os nativos do litoral sintrense, que frequentam os estabelecimentos de venda de material de pesca e cumprem o ritual de ,na sexta feira anterior ao domingo de Páscoa, apanharem e venderem mexilhão para o repasto desse dia (cá por casa é cozinhado com os coentros da horta, fugindo-se às receitas mais comuns). No caso pessoal, ao olhar a areia (e ainda sem ter lido a crónica que sairia três dias depois), dei comigo a pensar «a cada um, a sua neve».
(sim, é bom estar de volta, mesmo com o recurso a balões de ensaio, observação de índole mais particular)

Regresso

Voltámos, esperamos de vez.
Obrigada a todos que se interessaram e se entristeceram connosco:)

20 de janeiro de 2013

Sul

As belas hortaliças do Sul e a maravilhosa laranja algarvia. Sabores que encantam. Silves.


O senhor Vasco

Os maravilhosos tomates rosa do senhor Vasco no Mercado de Silves.

A Casa Verde em Silves


A Casa Verde é a retrosaria que todos gostaríamos ter ao pé de casa. Fundada há 90 anos, resiste valentemente em Silves. O tornado levou-lhe o painel publicitário da Âncora. A dona ainda está inconsolável. É uma loja a visitar, sem dúvida. E a comprar alguns destes tesouros.








17 de janeiro de 2013

Como se contraria uma frase feita sobre árvores




Aprende-se a fugir ao trânsito por caminhos que, com o tempo, se vão desvendando. Desde a passada semana que o olhar se prende à imagem da árvore tombada no campo, a lembrar um  ser humano derrubado. Um pensamento... «ora aí está algo a contrariar a ideia tão ouvida na infância e juventude “as árvores morrem de pé”». Em poucos segundos – não passe algum acelera neste estreito caminho – tira-se a fotografia.