carlo gesualdo também era conhecido por gesualdo de venosa.
ou seja: o apelido gesualdo passava a nome próprio quando vinha o novo apelido venosa.
mas na verdade, para o que nos interessa, ficou e ficará conhecido como carlo gesualdo, mestre dos mestres do renascimento.
o rapaz era filho de boas famílias, que até tiveram um tio papa e um outro que quis mas não foi.
talvez por isso lhe deram educação religiosa, mas ele nem a frade chegou, que a musica estava mais alta.
gesualdo não era famoso apenas por ser um fantástico músico.
também tinha um feitio pior que o deus me livre.
um dia, no palácio sansevero, encontrou a mulher com outro na cama e esquartejou os dois.
o palácio era da familia sangro, que mais tarde viria a construir a jóia do barroco de nápoles, a capela de sansevero.
este episódio haveria de atormentar o gesualdo toda a vida, levando-o a sujeitar-se aos maiores castigos corporais para se livrar do pecado.
contratou mesmo um funcionário especializado para o torturar.
ainda voltou a casar, mas morreu de forma estranha: sozinho, sem nenhum sinal que pudesse levar a essa morte.
consta que terá sido morto pela segunda mulher, que já vivia separada dele, no palácio da sua (dela) família, porque o gesualdo era uma besta.
este responsório da semana santa tem esse ambiente sonoro das trevas que se abatem sobre a humanidade: da mãe que chora o filho morto.
se, normalmente, não separo o autor da sua obra, aqui está um dos casos em que acho o gesualdo genial, mas não consigo esquecer a besta que foi.
eu sei que isto me tira metade dos prazeres da vida; que eu devia saber menos sobre os outros; que só devia ouvir apenas isto que é absolutamente genial...
eu sei, é a vida...
mas oiçam este plange quase virgo, dos fantásticos graindelavoix!
muito alto, se puderem.

Sem comentários:
Enviar um comentário