8 de junho de 2009

O DIA SEGUINTE


O direito e o dever de votar.
O pensar, utopicamente, é certo, que o seu voto pode fazer uma qualquer diferença, não sabe qual, por isso avança e ultrapassa, com um certo orgulho, o portão da escola onde, já em liberdade, sempre votou.
Quando chegou o tempo, falou aos filhos da importância desse direito e desse dever. Que ao mesmo tempo é lembrar todos os que durante 48 anos se bateram para que esse direito, esse dever, um dia fosse possível. Nessa luta, muitos sofreram, alguns morreram, nem todos chegaram a ver o dia em que poderiam participar e votar em eleições livres.
Nas eleições de ontem, mais de seis milhões, dos mais de nove milhões de portugueses, que podiam fazê-lo, não foram votar.
“Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo”, escreveu um dia o Alexandre O’ Neill.

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Em cima, a capa do livro com o Programa Eleitoral da C.D.E. de Lisboa para as eleições de Outubro de 1969.

5 comentários:

Luisa disse...

Nestas eleições de 69, o meu namorado, hoje marido, sempre muito empenhado nas causas políticas, lá ia tendo conhecimento das reuniões da CDE e sempre que podia participava nelas. Uma noite foram descobertos e lá passaram a noite detidos na esquadra, nada mais lhes aconteceu do que a detenção e um pequeno interrogatório. Apesar de tudo são episódios marcantes...Lembro-me bem desta capa do livro, aliás ainda está guardado!

Hoje ainda estou na minha ressaca das eleições, estou triste por que não sou de direita e, agora ela vai dominar...!

A culpa do afastamento das pessoas da política, são os políticos de todas as cores. Falta acima de tudo Educação.

teresa disse...

Votar, votar sempre! Trata-se de um dever cívico e, apesar de respeitar quem pensa de modo diferente, só não votei quando estive longe do país (mesmo assim, votava sempre que recebia do consulado o boletim, o que nem sempre sucedia).
Uma população alheada corre sempre maiores riscos e, em caso extremo, um voto nulo tem diferente expressão de um voto em branco, apesar de, até à data, ainda não ter enveredado por aí.
Quando a abstenção se adensa, lembro-me sempre do "Rifão Quotidiano" do Mário Henrique Leiria e dos riscos inerentes...
Quanto mais não fosse, bastava alguma memória do Estado Novo para valorizar sempre a possibilidade de colocar a cruzinha no boletim, escolha cada vez mais "útil" do que empática.

carlos disse...

em 1969 trabalhava eu no meu primeiro emprego. um restaurante na rua da rosa ao tempo em que o bairro alto não estava na moda.

nestas eleições os candidatos tinham que fazer chegar aos eleitores as listas porque não existiam na mesa de voto. cada eleitor tinha que levar a lista em que ia votar, o que era uma forma excelente de intimidação por parte da ditadura fascista e venham agora com elaborações teóricas sobre não ser em rigor uma ditadura fascista mas 'apenas' uma qualquer coisa estúpida e musculada...).
um dia vou-me nas minhas perninhas até ao campo pequeno até à sede da cde (a outra organização de oposição que se candidatava era a ceud) para trazer um molho de listas da cde para distribuir pelos clientes da 'cava do viriato'.
e assim fiz. até ao dia em que a pide lá foi e ameaçou que podia fechar o restaurante se as listas continuassem a ser distribuidas pelo puto irresponsável.
foi o meu primeiro contacto com a pide.
outros se seguiram durante mais una anos.

Assunção disse...

Não tenho memórias deste tempo, nasci em 68, nesta altura andava de fraldas...
Mas faço questão de votar, nem que seja em branco! E levo sempre as minhas filhas, é uma coisa feita em família, para que percebam a importância de se participar! Sempre lhes digo que não podemos reclamar se nem sequer nos dermos ao trabalho de fazer a nossa parte!

Luisa disse...

Votei sempre, sempre que me foi permitido pois, é preciso não esquecer, que em 69 o voto era vedado ás mulheres.