O direito e o dever de votar.
O pensar, utopicamente, é certo, que o seu voto pode fazer uma qualquer diferença, não sabe qual, por isso avança e ultrapassa, com um certo orgulho, o portão da escola onde, já em liberdade, sempre votou.
Quando chegou o tempo, falou aos filhos da importância desse direito e desse dever. Que ao mesmo tempo é lembrar todos os que durante 48 anos se bateram para que esse direito, esse dever, um dia fosse possível. Nessa luta, muitos sofreram, alguns morreram, nem todos chegaram a ver o dia em que poderiam participar e votar em eleições livres.
Nas eleições de ontem, mais de seis milhões, dos mais de nove milhões de portugueses, que podiam fazê-lo, não foram votar.
“Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo”, escreveu um dia o Alexandre O’ Neill.
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Em cima, a capa do livro com o Programa Eleitoral da C.D.E. de Lisboa para as eleições de Outubro de 1969.
5 comentários:
Nestas eleições de 69, o meu namorado, hoje marido, sempre muito empenhado nas causas políticas, lá ia tendo conhecimento das reuniões da CDE e sempre que podia participava nelas. Uma noite foram descobertos e lá passaram a noite detidos na esquadra, nada mais lhes aconteceu do que a detenção e um pequeno interrogatório. Apesar de tudo são episódios marcantes...Lembro-me bem desta capa do livro, aliás ainda está guardado!
Hoje ainda estou na minha ressaca das eleições, estou triste por que não sou de direita e, agora ela vai dominar...!
A culpa do afastamento das pessoas da política, são os políticos de todas as cores. Falta acima de tudo Educação.
Votar, votar sempre! Trata-se de um dever cívico e, apesar de respeitar quem pensa de modo diferente, só não votei quando estive longe do país (mesmo assim, votava sempre que recebia do consulado o boletim, o que nem sempre sucedia).
Uma população alheada corre sempre maiores riscos e, em caso extremo, um voto nulo tem diferente expressão de um voto em branco, apesar de, até à data, ainda não ter enveredado por aí.
Quando a abstenção se adensa, lembro-me sempre do "Rifão Quotidiano" do Mário Henrique Leiria e dos riscos inerentes...
Quanto mais não fosse, bastava alguma memória do Estado Novo para valorizar sempre a possibilidade de colocar a cruzinha no boletim, escolha cada vez mais "útil" do que empática.
em 1969 trabalhava eu no meu primeiro emprego. um restaurante na rua da rosa ao tempo em que o bairro alto não estava na moda.
nestas eleições os candidatos tinham que fazer chegar aos eleitores as listas porque não existiam na mesa de voto. cada eleitor tinha que levar a lista em que ia votar, o que era uma forma excelente de intimidação por parte da ditadura fascista e venham agora com elaborações teóricas sobre não ser em rigor uma ditadura fascista mas 'apenas' uma qualquer coisa estúpida e musculada...).
um dia vou-me nas minhas perninhas até ao campo pequeno até à sede da cde (a outra organização de oposição que se candidatava era a ceud) para trazer um molho de listas da cde para distribuir pelos clientes da 'cava do viriato'.
e assim fiz. até ao dia em que a pide lá foi e ameaçou que podia fechar o restaurante se as listas continuassem a ser distribuidas pelo puto irresponsável.
foi o meu primeiro contacto com a pide.
outros se seguiram durante mais una anos.
Não tenho memórias deste tempo, nasci em 68, nesta altura andava de fraldas...
Mas faço questão de votar, nem que seja em branco! E levo sempre as minhas filhas, é uma coisa feita em família, para que percebam a importância de se participar! Sempre lhes digo que não podemos reclamar se nem sequer nos dermos ao trabalho de fazer a nossa parte!
Votei sempre, sempre que me foi permitido pois, é preciso não esquecer, que em 69 o voto era vedado ás mulheres.
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