13 de dezembro de 2005

um comentário muito pouco ortodoxo

bush reconheceu que, desde o começo desta guerra do iraque, já morreram mais de 30 000 civis.
ainda não fez nenhum reconhecimento dos mortos fardados, mas presume-se que não ande muito longe disto.

bush afirmou que invadia pelo perigo das armas de destruição massiva.
bush já reconheceu que tal coisa não existia na mão dos iraquianos.

depois, qual ferroviário de serviço ao ramal, mudou a agulha para a necessidade de livrar o mundo do implacável ditador sanguinário que governava o iraque.

façamos um exercício um pouco vago e muito pouco ortodoxo da questão:

o iraque era um país relativamente calmo e com as tensões entre as diferentes nacionalidades internas pacificadas.
para o fazer, ao longo de mais de 30 anos, o governo do ditador saddam matou uns milhares de adversários (quer ao nível de governamental, quer ao nível popular)
era dos poucos (retirando as ex-repúblicas da urss) países laicos na região.
um dos poucos onde as mulheres tinham direito a votar e a ser eleitas (ao contrário da maioria dos seus limítrofes)

nestes pouquíssimos anos de domínio americano sobre o iraque, já foram mortos, igualmente para pacificar o iraque, mais do dobro do que o saddam matou em 30 anos, para obter o mesmo fim. o resultado é que o saddam foi eficaz e o bush não é.
os que o regime de saddam matou, foi porque era uma ditadura; os que a aliança anglo-americana mata, são para pacificar a democracia.

o iraque teve, por força do ditador saddam, uma constituição laica e o estado não privilegiava nenhuma religião.
a actual constituição cozinhada pelas americanos, transforma o iraque numa republica islâmica.
os ventos que se avizinham são cada dia mais preocupantes.

os milhares de mortos xiitas não os pacificaram.
os milhares de mortos sunitas não os pacificaram.
os milhares de mortos curdos não os pacificaram.
e os cristãos quase desapareceram. devem estar pacificamente mortos


o mundo será mais justo no dia em que o bush e o blair se sentarem no tribunal de haia por crimes contra a humanidade.

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