13 de novembro de 2003

Nighthawks



Hopper, Edward

Os dias voam céleres e, rapidamente, chegamos à noite.
Estou na dúvida sobre a melhor tradução: predadores da noite ou caçadores da noite. Ou será outra?
Afinal de contas, foi para aqui que ela veio!
Quem está com ela, o marido, o amante, o pai, um qualquer anónimo?
Que bebida vai beber?
Para onde vai depois?

PP: ando com muito trabalho, demais... Queria até escrever a história do meu corredor mas, como não tenho tempo e, quando estive em Madrid, conheci este artista no Thyssen, vou inventando uma história. Razão, tem a minha mãe, em não andar em elevadores!

12 de novembro de 2003

Míscaros

A receita de hoje é míscaros estufados, é deliciosa


Ingredientes:

1 kg de míscaros
Uma laranja
Uma colher de azeite
4 dentes de alho
Uma colher de manteiga
Sal e pimenta

Corte os míscaros em fatias.
Aloure o alho bem picado em azeite, em seguida deite os míscaros para dentro do tacho.
Esprema o sumo da laranja para cima dos míscaros e tempere com sal e pimenta. Adicione a colher de manteiga e deixe cozer até os míscaros ficarem tenros.
Servir quente acompanhado de um bom vinho tinto (de preferência Dão ou Douro)

O Corredor (?) II

"O corredor" da T fez-me pensar em quando eu era muito novinho. "Novinho" só não chega porque me diriam que ainda sou. Talvez excepto a Amélia que não anda muito distante de mim, ao que me parece. Até comprou bilhetes para Mars Volta... mas enfim. Quando eu era mesmo pequenino. Não devo muito à memória, não lhe posso confiar as coisas, é terrível, acredito que uma memória tão fraca como a minha enerve as pessoas. Não tenho culpa. Mas é verdade é que sempre que entro numa discussão minimamente longa me esqueço de algumas coisas que disse ao início. Mas de quando eu era pequenino ("pequenino" já chega só por si porque sou grande agora) lembro-me de infantários. É das memórias dos infantários que me lembro de ser um miúdo sociável mas, ainda assim, passei algum tempo sozinho que nunca me lembro de lamentar. Cresci assim, a balançar o tempo que passo comigo com o tempo que passo com os outros. Penso que preciso de ambos, e o tempo que passo comigo é tão mais intenso e mais real que... que às vezes penso identificar-me só comigo. Talvez me passe um dia. Um dia quando tiver que pagar contas e não tiver escolha senão assumir responsabilidade. Os adultos de hoje não esperam por mim. T, Gasel, etc, já não vão ser adultos comigo quando me sentir adulto (serão sábios.) =). Não interessa. Sempre me senti um núcleo centrado numa esfera de vazio que me separa dos outros. Entre mim e o mundo, sempre uma barreira de silêncio. E, ainda assim, tudo não deixa de ser uma confusão.
Depois do Corredor da T, o comentário do Gasel. É verdade, fiquei a pensar...

Não gatinhava como um gato pelo quarto, mas conta a família que esfregava todo o chão da cozinha com uma torrada que depois gostava de comer.

E....

Como se chama este mar?

Carruagem de combóio



Hopper, Edward

Parece-me ser a mesma mulher...
Será o mesmo livro?
Vai par o hotel ou regressa a casa?

11 de novembro de 2003

O corredor

Era tão pequena que cabia debaixo da mesa á vontade….era uma sala de jantar de móveis pesados e sólidos e pés escavacados de muitos pézinhos de crianças e de adultos se apoiarem.
Era quadrada como se querem as mesas.
Aí eu sentia-me a abrigo Levava alguns pertences. Uns bonecos puídos, de papel e de borracha. .depois mais tarde os livros .Mas quando comecei com necessidade daquele aconchego, acho que nem sabia o que eram letras.
Lembro-me que foi aí que pensei pela primeira vez em termos abstractos. .que eu era eu... e diferente dos outros .Que eu existia. Que eu pensava. Lembro-me que fiquei surpreendida.
Nunca antes tinha analisado o que era estar a viver.
Acho que nesse dia fiz muitas perguntas sobre tudo à minha irmã, Menos sobre o que me interessava verdadeiramente, perceber porque eu era diferente e sozinha.
Porque quando comecei a perceber que era eu, começou o sentimento de perca…
Estranho não?
Acho que foi nessa altura que deixei de dormir no quarto dos meus pais e passei para o da minha avó .
Era uma casa com muita gente.
Do quarto dos meus pais, lembro-me exactamente de sair da cama de grades, trepar por um braço estendido, a ele agarrar-me ,subir e adormecer pacificamente. A minha mãe contava que eu parecia um gatinho .Quantas vezes me tirava, quantas vezes eu voltava, sempre de mansinho.
Lembro-me do cheiro da cama, do sabor e do calor .
Ainda hoje para dormir bem , tenho que sentir alguém da minha beira, uma respiração e um braço, para a ele me agarrar ou tocar simplesmente.
No quarto da minha avó, espalhava os brinquedos todos pela cama. Ficavam a contar-me histórias.
E fugia pelo corredor comprido e ficava à porta da sala se me deitavam demasiado cedo .Eu era muito silenciosa…..Encontravam-me a dormir no chão, meia com pesadelos das histórias do Homem Invisível da TV, ou outras séries cujas vozes me assustavam.
Mas eu queria estar com os outros todos na sala. Até as cadelinhas lá estavam. E a casa era grande e escura.
As tábuas do soalho rangiam e eu lembro-me sobretudo do chão. Frio e liso, de madeira encerada.
Mais nada.


dias minúsculos

Dias de sol...só para estragar o efeito invernoso à moto do Gasel Manuel.
Sono muito sono....
Muito trabalho acumulado e acelerado. Formação a montes de professoras..e azar meu TODAS mulheres.
Jantar com amigos....sempre bom e calmo.
Muitos livros para ler. Gosto de ter pilhas gigantes à minha espera.

Ai e pensar nas prendas de natal..ir à Habitat e despachar o assunto por grosso e depois dedicar-me às particulares.
Tratar de ir buscar roupa . Cartão do ginásio.
Desdobrar o rol de tarefas:) Uma a uma fazem-se.
Que preguiçaaaaaaaaaaaaa.........
Vou abrir a janela e deixar entrar o sol todo.
Que se lixe o pc:)
Beijos.



O que eu sou (6) - um motard no Inverno

Andar de mota no inverno já tem mais que se lhe diga.
O frio aperta, o vento corta, a chuva assusta...
Mas quando sou, sou mesmo, e recuso-me a arrumar e tapar a mota até que as andorinhas voltem. Agasalhado de blusão, lenço e luva continuo a acelerar. E até mandei por um vidro mais alto, o que me permite alcançar a estonteante velocidade de 135 km/hora...
E todos os dias, quando ando de mota, passo pelos mesmos sítios. Mas, em todos esses dias, vejo coisas novas, cheiro coisas novas, sinto coisas novas. Coisas simples, casas, pessoas, o som do trânsito, o cheiro de escapes e óleos, coisas antes completamente insuspeitadas.
E é uma condução mais introspectiva, digamos. Não há rádio, música ou pessoas no banco do lado, sou só eu, mais eu e a mota. O dueto (quase) perfeito!

10 de novembro de 2003

Polícias do mundo

Tenho trocado algumas ideias, e pensado um pouco, sobre o papel que os americanos se atribuem a si próprios. Um tema em voga...
Estranho essencialmente o facto de tanta gente estranhar o seu pendor para polícia-do-mundo.
Estranho porque essa sempre foi a função de algumas nações e povos. Parece-me ser uma condição inerente ao desenvolvimento e preponderância quer no campo económico, quer no cultural. Ou seja, se uma nação adquire determinada relevância, tende a fazer tudo para manter o status-quo.
Sempre assim foi, desde que o mundo é mundo, desde que começou a globalização e os horizontes dos povos se alargaram para além do seu pequeno umbigo.

Começando pelos romanos! No fundo a sua expansão iniciou-se por motivos económicos: as Guerras Púnicas com Cartago visaram essencialmente o domínio do comércio no Mediterrâneo ocidental. Dominado este, já agora também se domina o oriental e, de caminho, vai-se à fonte da cultura: a Grécia. Depois houve que pacificar as regiões envolventes, e então dominaram-se os bárbaros.
Desta forma, e durante mais de quinhentos anos estes romanos foram os polícias-do-mundo, de todo o mundo que conheciam e lhe chamavam Mare Nostrum.

Caído o império vieram as modas das religiões. Cada qual queria ser o policia-do-mundo através da supermacia moral da sua religião, enquanto, lá bem no fundo, lutavam para dominar as principais vias económicas desse mundo que se ia alargando. Assim o Papa de Roma lutava contra o Imperador do Sacro Império Germânico, pela autoridade no ocidente. Ambos se uniram contras os Patriarcas de Constantinopla, senhores do Corno de Ouro. E todos combateram a nova ordem mulçumana que vinha de leste.
Durante centenas de anos ninguém conseguiu esse tal papel de polícia-do-mundo e, talvez por isso, existiu a Idade Média.

Com os Descobrimentos de novos mundos chegou a vez dos Ibéricos (nós!). Esses fizeram o que ninguém fez, reuniram-se nas Alcaçovas e em Tordesilhas e dividiram o mundo ao meio: nesta metade mandas tu, nesta eu! Extraordinário... Para nós foi sol de pouca dura, era claramente areia demais, de modo que achamos por bem dedicarmo-nos ao que fazemos melhor: uns biscates aqui e ali.
Os Castelhanos não e, com Carlos V e Felipe II, foram verdadeiros polícias-do-mundo. Até que numa madrugada de 1589 tudo foi ao fundo, ali para os lados da mancha...

Tinha chegado a hora dos Britânicos. Com a sua famosa armada e, a não menos famosa, rede comercial lançaram-se à conquista do planeta. Encontraram pela frente a França, escudada na sua superior cultura e no iluminismo do Rei-Sol. Esse explêndido embate atingiu o seu máximo com Napoleão: o terrível choque entre a enorme potência marítima e a grande potência continental. Ganharam os ingleses, como se sabe, e em todo o Século XIX policiaram o mundo.

O século XX trouxe-nos de novo uma potência continental, a Alemanha, rapidamente destruida em duas curtas guerras mundiais. Foi precisamente nessas guerritas que surgiram os tais americanos, até então entretidos a desbravar o Far-West e a matar Indios e Mexicanos. Com a Segunda Guerra Mundial e o fim do Impéro britânico tudo se alterou, duas novas potências disputaram o tal papel de polícia: a América e a União Soviética. Sabe-se quem ganhou e, diria eu, teremos que os gramar durante uns anitos (quiça todo o século XXI...).

Isto só para dizer que, aquilo que os americanos fazem agora, já todos o fizeram ou tentaram fazer. É apenas defender a sua visão das coisas e a sua maneira de estar no mundo.
Mundo que agora é enorme mas, e ao mesmo tempo, cabe dentro das nossas casas.

Caro senhor Abs

Como angariadora-mor deste blog, segundo o ilustrissimo Gasel, venho convidá-lo a postar connosco.
Queríamos muito aprender sobre whisky:)
Precisamos apenas do seu e-mail para o convidar e claro, que aceite este desafio:)
Se quiser mande o seu endereço para o canjinha@hotmail.com.
Obrigada.
De resto...estou aqui feita barata tonta a trabalhar..a vida é dura:)
Beijos, logo escrevo como deve ser. Ou então asneiro:)

histórinha para embalar

O Coelhinho Que Nasceu Numa Couve

Era uma vez um coelhinho que nasceu numa couve.
Como os pais do coelhinho nunca mais aparecessem, a couve passou a cuidar dele como se do seu próprio filho se tratasse.
Com ervinhas tenras que cresciam ao seu redor, a couve foi criando o coelhinho dentro do seu seio até que este passou a procurar a sua própria alimentação.
O coelhinho, que tinha um coração muito bondoso, retribuindo o afecto que a couve lhe dedicava, considerava-a como sua verdadeira mãe.
A mãe couve e o seu filhinho adoptivo foram vivendo muito felizes até que um dia uma praga de gafanhotos se abateu sobre aquelas terras.
O coelhinho, ao ver que aqueles insectos vorazes devoravam tudo o que era verde, cobriu com o seu próprio corpo o corpo da mãe couve e assim conseguiu que os gafanhotos pouco dano lhe fizessem.
Quando aqueles insectos daninhos levantaram voo, os campos em volta passaram a ser um imenso deserto de areias e pedra.
O pobre coelhinho, que sempre tinha vivido nas proximidades da sua mãe couve, teve de deslocar-se para muitos quilómetros de distância a fim de procurar comida.
Mas já nada havia que se pudesse mastigar naquelas terras.
Passaram muitos dias e o pobre coelhinho estava cada vez mais magro, mais magro e faminto.
Então a mãe couve disse-lhe assim:
- Ouve meu filho: é a lei da vida que os velhos têm de dar o lugar aos novos; por isso só vejo uma solução: assim como tu viveste durante algum tempo no meu seio, passarei a ser eu agora a viver dentro do teu. Compreendes, meu filho, o que eu quero dizer?
O pobre coelhinho compreendeu e, embora com grande tristeza na alma, não teve outro remédio, comeu a mãe.

Pedro Oom in "Actuação Escrita"

PS: eu sei que o desenho é duma ovelha, mas chama-se "coelho"

Domingo ao serão

O Domingo correu rápido.
É uma coisa que noto desde há uns anos. Geralmente não faço nada de especial para isso mas, mal dou por mim, o Domingo passou rápido, rapidíssimo. Se há dias que voam, o Domingo é de certeza um deles.
De manhã até fui bater umas bolas no driving. Faço-vos notar que consegui progressos notáveis: praticamente não falho bolas e, pelo menos algumas, vão direitinhas até cerca de oitenta metros...
Depois atrazei-me e faltei a uma aula de marinhagem: assim não pude treinar atracagens na famosa barcaça do Clube Naval. Como estava a chover até achei que não tinha sido mau de todo.
Ao almoço comi demais. Depois de almoço descalcei os sapatos, desapertei as calças e afundei-me no sofá. Olhei para a televisão e arrotei abundantemente.
Às tantas, o meu filho tanto insistiu e lá me arrastei, penosamente, para pintar uns bonecos da Wharammer.
Ao jantar fiz dieta.
O serão animou-me! O Benfica ganhou e o Porto empatou... boa!
Agora estou por aqui, a ver as novidades.

PP: O Orlando volta em forma. Aproveito para informar que tenho trinta e nove anos, se isso quer dizer alguma coisa. A T. continua também em forma... e não para de angariar escrevinhadores. Que venham muitos e que, de preferência, aguentem mais de um mês! :))

9 de novembro de 2003

Bem vindos.

Eles próprios já se apresentaram, mas....
O João e o Manuel, dois novos escrevinhadores aqui nos dias.
Dois bons amigos .
De certeza que os dias vão ficar mais animados com as fotos do João e a promessa de asneirar do Manuel.
Gosto de vos ter cá:)

The Talk Of The Town

Pois então: eu não falo francês, por isso não sei que elogios é que se fazem ao uisquí. Também não estou tão iluminado quanto o sobrinho da Tê, apesar de estar inflado além da conta. Dos meus avôs e avós... o avô italiano morreu antes que eu nascesse, e a avó italiana, essa me cantava o Mazzolin di Fiore e desenhava garatujas, porque era analfabeta. E a língua que falava, um vêneto enxertado de português aqui e ali, só eu entendia. O avô mineiro morreu quando eu tinha dez anos. Era magro, magro de dar dó; usava chapéu de palha, pitava cigarros de palha, não tinha dentes e sorria muito. Uma vez me deu cinqüenta centavos e disse: "vai comprar uma broa de milho". Comprei, comi, e quase o esqueci. A avó mineira, essa ainda vive. Sua mãe era índia, dos lados do Rio de Janeiro - ela diz que a mãe era "bugre", palavra que quase não se usa mais. Dela minha avó herdou as rugas, o destempero, e agora a loucura que a acomete. Do pai dela, um João Vermelho, herdou os olhos azuis. O resultado é que tive duas avós de olhos azuis. Não sei para que serve isso. E ora viva, Gasel, eis-me vivo e mais inteiro do que era de esperar. E se Apollinaire viveu trinta e oito, quem sabe eu viva quarenta? Ou até cinqüenta, vez que dispenso enrabamentos? Já a bela Natália de Andrade lembrou-me a igualmente bela, porém menos poética Clemilda (e não Cremilda), uma brazuca que canta músicas como "talco no salão, talco no salão", querendo soar como "dá o cu no salão, dá o cu no salão". Quanto ao Hopper, dele li em algum lugar que não se sabe bem se pinta a solidão ou o vazio (que consta serem coisas diferentes). Agradeço ao deus que assiste a quem me lê eu ser homem, e não menstruar, engravidar ou parir. Quanto ao parir, sei que vêem no arreganhar-se uma poesia; pelo menos aguns vêem. Eu não: vejo sangue, água, bebês sujos, bocetas arregaçadas, gritos, suor. Sei que nasci assim, mas já me esqueci. No mais, invejo a neve e os outonos desses de folhas vermelhas fazendo-se de tapete. Aqui não há disso; agora mesmo, lá fora rugem uns trinta graus. Os chuveiros têm de ficar desligados, as chuvaradas aproximam-se, eu abro uma latinha de cerveja e tento não entregar-me à modorra.


Le whisky:
Balvenie est unique dans le sens où la compagnie possède ses propres maltages et produit une grosse partie de son orge. Elle possède aussi un atelier de cuivre et une tonnellerie (qu'elle partage avec Glenfiddich), et huit alambics dont le cou est bien plus long que ceux de sa distillerie jumelle. Le whisky vieillit in situ - en partie dans du bois neuf, en partie dans des fûts de fino sherry et en partie dans des fûts d'Oloroso (ces derniers n'étant utilisés que pour la dernière année de maturation) - les deux expressions étant embouteillées dans de plus élégants flacons. La forme unique de l'éttiquette de Balvenie Classic est sensée représenter les portes du four de la distillerie.

Bebam....apesar de eu trocar o sempre o nome do maldito, ai o alzheimer galopante, é MARAVILHOSO!

Sweet as my sobrinho Miguel

A arrumar ficheiros, encontrei a letra desta canção dele. Gostei e aqui transcrevo.
Não lhe conhecia tais dotes:) Só os musicais. Nem sei se é dele mesmo ou da banda a que pertence"Bypass"


Sweet.

Sweet like buffalo beer. And like strawberry cheese.
And water on milk for the people she loves and dares to say it.
On entering a crowded room and being you the first person I’ll look for
Already knowing that you will not be here.
Because you don’t belong here.
But in a space drowned with flower water fountains, and camomile orgies.
And French modern love songs. Which is my head.
And when everyone else’s head – that, I know for sure
Is already on something like the way to keep on lying still.
While enlightened. And inflated.
That’s sweet.

Sweet on over fantasizing true moments of eternal love with the woman you met ten minutes ago.
Sweet like you Elise, and your neck.

I’ve got this doubt that longs out for an impossible calmness.
And I long for an impossible silence.
And it’s sweet like the fear that creeps in.

Just like people on cigarettes. And like people on blowing their lungs out, of blue grass white oak smoke. And just knowing how to feel good about their selves.
And just like this song, or any other song – as long as it takes this dreadful doubt out of this soul of mine.
This doubt that longs out for an impossible calmness. And I long for an impossible silence.
And this doubt…it goes on. On and on.

Just like, on spilling out livers and pulling in sweet flavours from scrap.
Sweet sweetness from scrap.
On pistol like harmonies. And water like arguments.
On sweetness and bliss.

And I’m not thinking about death at all. Nor life at all.
On spilling out livers and pulling in sweet flavours from scrap.
Sweet sweetness from scrap.
On pistol like harmonies. And water like arguments.

On sweetness and bliss.
MM ? BYpass?

8 de novembro de 2003

Ambiguidades

Calhou dar com Apollinaire. Calhou descobrir que também se dedicava ao género erótico-pornográfico. Calhou ler um extracto que achei interessante. Descreve bem a ambiguidade do ser humano: De que afinal gostava o Príncipe? O que é que, no fundo, lhe deu um completo bem estar?
Nota: O Príncipe vai ter, nessa noite, um encontro de cariz sexual com uma criatura do sexo feminino.

Assim que o convite foi aceite, o Príncipe viu as horas. Eram onze da manhã. Telefonou para mandar subir o massagista que, com desenvoltura, o massajou e enrabou. Esta sessão vivificou-o Tomou um banho e sentiu-se fresco e desperto. Chamou o cabeleireiro que, artisticamente, o penteou e enrabou. O pedicuro-manicuro subiu de imediato. Arranjou-lhe bem as unhas e enrabou-o vigoroisamente. O Príncipe sentiu, então, um completo bem-estar.

PP: Guillaume Apollinaire morreu com trinta e oito anos.

Diva do mau gosto em tons de verde

Em dias cinzentos e tristes nada melhor para recuperar o bom humor que as canções da grande diva do mau gosto, a nossa Natália de Andrade.
Ela é um bom exemplo de coisas tão más que se tornam deliciosas.
(um bocadito guinchante)
Ontem quando finalmente vi a capa do álbum dela, fiquei em perfeito êxtase, afinal não é só a voz dela que é um portento, a senhora não lhe fica atrás. (será que estou a ser cruel?)
Eis a minha diva,


Canção verde

O nosso amor é verde...
Nós somos verdes ...
Verdes,
Como são os campos e as árvores
Quando regressa a Primavera.

Verde,
É tudo quanto é belo.

Tu és verde, meu amor...
Verde, verde.
O nosso amor é verde...
... Mas não digas a ninguém!

Frio..que frio...

Hoje aproveitei o bocadinho de sol que brilhava e andei compulsivamente.
Claro que os meus passos,não sei como, foram dar a uma livrariazita e o que se pretendia uma passeata higiénica transformou-se numa sessão de carregamento de pesos.
Porque é que os livros são tão grandes e pesados? Gosto dos maneirinhos franceses da Poche. Agarram-se à mão e nela repousam. E são sempre tão bonitos...
Confesso que a livraria que invadi foi a Asa, nunca resisto às capitas deles e ao desconto de 10%...Temos sempre boas desculpas.
Mas isto não veio a propósito de nada. Foi por causa do desenho que o Gasel escreveu.
A mulher está ler, reclinada e absorta, com o quarto todo desarrumado. O livro tem um ar pesadérrimo e ela segura-o pelas bordas inferiores..que mal que soa esta frase...Depreendo que terá umas mãos imensas, com uns dedos espectaculares e particularmente persuasivos. Comigo esse livro caia a pique no chão e logo um gato solícito se deitaria em cima dele. Zás. É da minha dona.
E também por causa de livros, lembrei-me do último Reverte que li e de que gostei bastante. Últimamente andava a antipatizar com a escrita dele.
O livro, de que já esqueci o titulo, conta a história de uma Teresa, mexicana e narcotraficante. Que de empregadinha amarrotada se torna a dona de uma grande empresa de importação e exportação de droga. Que vive dois amores, morrem depressa, sabendo ela sempre que os momentos de alegria são efémeros.
E numa estadia na prisão, começa a ler...e daí não pára. Começa exactamente com um dos meus livros de infância, do Dumas.
E a certa altura interroga-se, como é que as pessoas que não gostam de ler, fazem para sobreviver à porra desta vida tão complicada? como sonham? Como descobrem mundos novos?
Eu concordo com a Teresa.
Diz o Artur Pérez Reverte que é pouco lido em Portugal. Eu acho isso um pecado, leitora apaixonada que fui dos primeiros livros dele, a começar pelo fabuloso Mestre de Esgrima (que me foi aconselhado pela minha mãe ) e felizmente reeditado em pequeno formato pela Asa há pouco tempo.
Eu escrevi fui? Agora com a leitura do "A rainha do Sul", posso dizer qual fui. Sou . E muito.
Além disso o homem é bonito que se farta.
Alguma mulher ou homem, nunca se sabe, tem muita sorte:)
Nota: Apesar da capa do livro ser feiosa, inclui uma fotografiazinha do autor:))))))

Há sol, neste sábado

Sábado, dia de trabalho!
Não muito, como estão a ver... desde há uma hora que ando por aqui, ao sabor de links e clicks. Lá fora está um sol claro, quase de Primavera, o vento é de levante e o tempo aqueceu. Está um dia extraordinário, em que nos apetece fazer alguma coisa diferente, que marque esse dia e o separe de todos os outros.
Como não faço essa coisa, vou divagar...

O post de Mim acerca do toque, e o comentário da T sobre a bondade das mulheres, lembrou-me um episódio. Há dias, estava eu em marcha-atrás num parque de estacionamento aqui perto, quando ouço aquele barulho que não engana ninguém: traaack! Na altura o que me veio, de imediato, à cabeça foi: falta aqui qualquer coisa, falta o pi-pi dos sensores... Saí do carro e lembrei-me que este não tinha os tais pi-pis, ora que porra! Olhei e vi um Clio, bastante mal estacionado, já de traseira bem amachucada por coisas antigas, na qual os meus danos se resumiam a um rachadela no farolim do pisca traseiro. Após os habituais "Que chatice... de quem é?" , lá me disseram onde estaria o dono. Fui ao escritório em frente e o dono, afinal, era uma dona. Ao ver os estragos mostrou-se muito, mesmo muito, condoída. Lá lhe tive que dar o número de telefone, outros dados e a minha total disponibilidade a pagar o farolim. Quando já tinha saido dali, pensei: É mesmo de gaja... carro mal estacionado, já todo partido, e chateia-me para lhe pagar a merda do farolim!

Numa corrida rápida pelo Arame, deparei com um post de que gostei bastante: Bye bye love, bye bye hapiness. Trouxe-me à tona uma questão que me costuma atormentar, o que será mais importante, amar ou ser amado? Isto partindo do princípio que ambas, e ao mesmo tempo, serão difíceis de acontecer. Logo acima uma observação que aplaudo: apesar de tudo, Marvão é melhor que Óbidos.

Passado um bocadinho, e por intermédio do Homem-a-dias, fui dar com um artigo da Ana Sá Lopes (que se não me engano é a minha heroina do Melhor do Mundo). Não resisto a transcrever um pouco:
"...Pinto da Costa continuará a saga de procurar submeter o poder político ao seu poder pessoal enquanto não se multiplicarem comportamentos políticos como os de Rui Rio e os de Mota Amaral. Com a afronta feita ao presidente da Câmara do Porto e ao presidente do Parlamento, o Presidente da República e o primeiro-ministro deviam ter uma palavra a dizer. Infelizmente, o mais provável é que, com mais ou menos desabafos privados, acabem sentados no camarote do "mullah" do Norte a dar vivas ao Porto e a quem o apoiar."
Acho que "mullah" lhe assenta muito bem, bem melhor que "Papa".

No seguimento da viagem, aterrei no Jaquinzinhos, que parece que é algarvio (azar!). Admira-se e faz notar a, "notável", posição da Quercus "contra" o TGV, por induzir mais tráfego paralelo e, consequentemente, mais poluição. Notável de facto... o que é preciso é "criar" uma tese, "arranjar" dados que a suportem e "sacar" um bom título de jornal!

Por último, o Barnabé, insurge-se contra a falta de insensibilidade social dos que pensam que a luta dos estudantes é demagógica e desajustada.
A mim o que me desagrada-me é esta pseudo-consciência social. Afinal haverá algo a pagar, não? Alguma propina deverá ser paga, não? É só uma questão de saber qual o valor justo, não? Senão caimos na demagogia de protestar, por exemplo, contra os custos da net: que seja de borla, para os filhos dos pobres poderem blogar!
Só me admira é que estes mesmos estudantes, que tanto se indignam com 800 Euros/ano, se puderem vão logo a correr para uma qualquer pós-graduação no estrangeiro. E aí pagam contentes, arranjam bolsas, o que for... deve ser para se passar para "o outro lado".

Chega... chamam-me algures.
Ouvi dizer que o Cunhal escreveu um artigo. Incrivel! Só ele e o Papa...