12 de junho de 2013

Sem mais.

Tudo dito.

Uma questão ambiental...



Sul. Sol a invadir a casa. Vizinhança ruidosa de duvidoso gosto musical. Fuga, caminhada pela reserva natural. Interlúdios: a compilação de crónicas de M. A. Pina, na acutilante frescura das palavras "talvez ninguém verdadeiramente parta, e fique parado para sempre ao fundo da rua, voltando-se para trás. Ou então talvez as viagens, todas as viagens, sejam um longo caminho para regressarmos a algum lugar interior e essencial de onde não se pode sair. "

10 de junho de 2013

Uma horta vertical

Eu andava a namorar hortas verticais, para os meus cheiros. O meu Miguel Gil, reconverteu estes recipientes do Ikea (50 cêntimos cada) nesta instalação. Ficou lindo, não ficou?

7 de junho de 2013

Ainda pela Carris

Sento-me à toa, num banco livre, sem olhar ao parceiro do lado. Ouço-o, mas não o vejo e penso, outro ao telemóvel. Discursa ininterruptamente, sinto uma certa piedade pelo interlocutor. " A crise, a troika, o Passos, os sindicatos a crise, eles escreveram na parede sobre a dívida, etc e tal".
Não estranho, toda a gente fala nisto, mas admira-me a ausência de pausas. Miro-o de soslaio e  agora comenta a excentricidade dos penteados africanos, usados pelos jovens que atravessam a correr para a Nova. De telemóvel nada. O senhor nem precisa.
À volta tudo finge não reparar,  contidos sorrisos e talvez compreensão. Talvez não, ela é visível.
Sai a correr do autocarro,  tropeçando nas pessoas, continuando sempre a falar sem parar. Da janela vejo-o a flutuar quase pela rua fora.
Lembrei-me então da história do senhor Sommer.  Talvez seja levado pelo vento.

Pela Carris

No autocarro ouço a história dum rapaz ao telemóvel. Foi a uma entrevista de trabalho, propuseram-lhe um período de experiência remunerado com um horário de doze horas por dia e a possibilidade um posterior contrato de trabalho. Ele não tinha a certeza de estar satisfeito. Entretanto não tinha dinheiro para chegar a casa, teria que saír a meio do trajecto e a mãe não lhe atendia o telefone. Deve estar acordada, dizia ele, mas não gosta de fazer nada logo de manhã. Mas o drama do miúdo era: será que devo estar satisfeito ou não?
Fiquei com a mesma dúvida. Estive tentada a dar-lhe uns euros para o bilhete de chegada a casa. Mas pensei: esta atitude parecerá mal?

6 de junho de 2013

Mimos e Miosótis

Somos o que comemos, pois é bem verdade. Quando nos esquecemos de algumas premissas e hábitos de vida saudável. os maus resultados são mais que evidentes. Ninguém disse que ser diabética e hipertensa era tarefa fácil de gerir, mas tenta-se. No caso, não se trata de modas passageiras e efémeras, mas sim de uma tarefa para a vida. Que se cumpra. A Miosótis com os seus saborosos e diversificados cogumelos, mirtilos e outros miminhos ajuda muito a viver deliciosamente. Apesar de tudo.

28 de maio de 2013

MUITOS PARABÉNS TZINHA

muitos parabéns t.
por seres quem és e como és
por seres para nós muitas vezes mais do que és para ti
parabéns por o seres
tem um excelente dia!!
cheio de momentos que recordes e te façam sentir bem
tu mereces

27 de maio de 2013

24 de maio de 2013

Livros

Tudo a propósito de leituras. Uma noite destas ligou-me uma senhora a saber se eu tinha disponível o John Chauffeur Russo. Tinha, pois claro. Era para a mãe de 87 anos voltar a reler. Hoje no autocarro, fiz o exercício de observação de ver quem levava livros . Contei 9 pessoas num percurso de um quarto de hora. Le Carré, Machado de Assis, policiais vários, romances de amor e Graham Greene. Eu não estava a ler nenhum destes:)

22 de maio de 2013

Proibido proibir


Portimão



Uma conversa com Clarice


«Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.» - Clarice Lispector
 
Guarda-se, com avidez, um JL antigo, no qual o autor da peça confessa ter ficado impressionado com esta mulher. Entende-se a causa de modo nítido, após  visita à exposição. Clarice e a vontade de a tratar com proximidade, talvez o olhar inquisidor, a aparente insegurança, a transparência confessional das palavras. Da visita, sai a curiosidade aguçada. Em grande ecrã, a entrevista em que só vemos a autora e o inseparável cigarro. Um compartimento encontra-se preenchido de gavetas. Algumas abrem-se ao visitante, mostrando retalhos de um quotidiano. Presente na memória, a carta do filho Paulo, ainda criança, a opinar sobre a capa para a chuva, demasiado comprida, o que o torna – nas suas palavras infantis – demasiado chic. Retalhos de uma vida. Sobre esta ucraniana acidental que tanto amou a Língua Portuguesa, são fundamentais os pedacinhos de ternura, acessíveis ao olhar da visitante. Há autores sobre os quais são dispensáveis as intimidades biográficas. Quanto às diversas citações sobre «escrever sem palavras», revestem-se as mesmas de sentido, o palavreado excessivo cansa quem o utiliza e, mais ainda, os destinatários. Síntese é arte ao alcance de poucos. Clarice consegue-o com mestria.

21 de maio de 2013

Alqueva em alta


A chuva deixa o seu rasto. Mesmo sob  um céu de chumbo e , pasme-se, uma saraivada de granizo, a paisagem é sempre especial. É bom revisitarmos os locais que conferem encantamento, com direito a passagem por S. Pedro do Corval a oferecer, ao longo da travessia, as cores do artesanato desta localidade.



Depois da apelativa gastronomia alentejana, nada como subir à torre de uma das consideradas maravilhas nacionais. Apesar de se sentir o isolamento das aldeias próximas, persiste o espanto de quem se encontra de passagem, recuperando energias para o quotidiano.

A estação dos Ctt mais simpática de Lisboa

Vou quase todos os dias à Estação dos Correios da Alameda. Nunca é demais referir a afabilidade no trato, a compreensão, a ajuda e o sorriso. E como faz falta um sorriso nos dias de hoje... Outro dia cheguei lá com uma encomenda molhada pela chuva que subitamente se abateu. A senhora logo  a pôs a secar e ensinou-me como recuperar a pobre encharcada.
Muito obrigada aos funcionários dos CTT da estação da Alameda. E vou acrescentar, entre as muitas que já frequentei, esta é a melhor delas todas.

Fotografia de Madureira, Arnaldo

18 de maio de 2013

O Holandês que não é voador







As cores e as formas

E em Silves, mesmo perto do mercado, na Rua Elias Garcia, existe uma lojinha, onde vendem uma série de bonitas peças de artesanato. São originais, nada caras, deliciam crianças e adultos porque são lúdicas. Estas irão para o nosso quintal caiadinho de branco e são de afixar na parede. Qual preferem?




Uma janela


Pintaram-na de um branco qualquer, mas o tempo encarregou-se de lhe restituir a cor primeira. Hoje em Silves.

14 de maio de 2013

Terá sido 'por via' da desafinação?

Notícia insólita, a que se segue... Procedimento que se deveria imitar, quando há conversa em alta voz no teatro, no cinema, em auditórios, ou a recorrer, em fúria,  à fantástica invenção do telemóvel, para que o mundo fique a saber«que se foi ao supermercado comprar arroz, ou que se vai cortar o cabelo». Uma passageira de um voo doméstico nos EUA , não parando de cantar um tema de Withney Houston, levou o piloto a fazer aterragem forçada e uma escala que não se encontrava no plano de voo, facto ocorrido há três dias. Uma certa inveja que aqui se confessa quando, em belo dia de esplanadar, uma vizinha, na mesa ao lado, experimenta em considerável volume e "como se não houvesse amanhã", a panóplia de toques do seu telemóvel, levando a uma fuga precipitada do aprazível local, onde se estaria bem se «posta em sossego».

aqui a prova do crime

Questão pendente: não teria sido mais prático dar, à senhora, um Xanax? Teria causado menor transtorno aos restantes passageiros.

12 de maio de 2013

Space Oddity

Este é daqueles momentos irrepetíveis. Um astronauta que é simultaneamente um comunicador excepcional grava no espaço uma fabulosa versão do Space Oddity de David Bowie. No instante em que escrevo este post chovem comentários no you tube em cada segundo que passa. Vai-se tornar viral e imparável.

Estar vivo e assistir a isto é um privilégio. O Comandante Chris Hadfield fica para a história.


1 de maio de 2013

Maio chegou...


«O rio corre, bem ou mal, Sem edição original.»
 O poeta e o seu olhar lúcido. ‘As flores nascem em cada primavera, ignorando a voragem desgastante da nossa era’ (atrever-me-ia a concluir)…



… ou ainda ‘as andorinhas anunciam a chegada heróica, pois nem sabem o que é a troika’.

27 de abril de 2013

Pontaria

Ontem à tarde, a meio de uma cansativa limpeza de jardim, resolvo beber uma água tónica que estava a jazer no frigorífico há já não sei quanto tempo. Curioso, resolvo verificar a data de validade:


Não faço outra igual.

24 de abril de 2013

País alegre!
















~


Com a sapiência própria da criança, ouvi hoje a melhor definição do 25 de Abril:
- Éramos um país triste e, com o 25 de Abril, ficámos um país alegre!

25 de Abril: sem palavras

In
As paredes em Liberdade, 1974, Lobo Mau.

23 de abril de 2013

richie havens



"i didn't know what i did.
i just did it and didn't call it anything except music."

pode ter sido 'apenas' música.
mas seguramente richie havens foi das vozes mais importantes na luta pelos direitos humanos.
já aqui falamos muito sobre a importância da música de richie havens, mas todas as vezes são pouca.
agora, que não vai poder cantar mais em nossa defesa, resta o agradecimento pelo que fez e pelo que foi.
e fica uma obra imensa, mesmo que sempre ao lado do grande reconhecimento.


richie havens, freedom

22 de abril de 2013

Teimosias


Ali está, ao lado do viaduto, junto a um bairro degradado da cidade. Por perto, casas em ruinas, gente sem idade, a vaguear, inexpressiva, cães sem dono de volta dos contentores. Ali está, a lembrar-nos que, mesmo em sítios visitados pelo desalento, sobrevive a pequena nota de cor, nascida de uma árvore solitária que teima em vingar, gesto de resistência ao fumo dos carros , ao cheiro a óleo queimado que se desprende da estação ferroviária.

19 de abril de 2013

Da utilidade dos marcos de correio




Arredados, cada vez mais, do quotidiano das gentes, levam-nos a estabelecer outras associações como, por exemplo, a das cabines telefónicas  ou a dos telefones que, com contador, podíamos utilizar no interior de estabelecimentos comerciais na era a.TM (antes do telemóvel).
Guardada desde uma caminhada através de Alfama, a imagem veio à lembrança a partir do post deixado pela T. As palavras gravadas traduzem a zanga das pessoas do bairro, relativamente às interdições de estacionamento, embora seja uma dor de cabeça trazer o carro para algumas zonas da cidade… Quando as coisas vão perdendo a função inicial, acabam por ser utilizadas ao sabor da criatividade. Acontece que a realidade não é só a que de imediato apreendemos em meio urbano e, mesmo cruzando a cidade todos os dias, reparo que, perto de casa, os moradores mais idosos recorrem à carrinha dos CTT que, sempre à mesma hora, estaciona no largo da aldeia ou ainda deitam a correspondência (quem sabe se para os seus mais novos a viver longe) nas caixas de correio públicas,  à porta do café ou da mercearia.
Os marcos podem não conter – como na canção romântica do tempo dos meus pais – tantas mensagens de teor vário. A maior parte de quem nos escreve, fá-lo para cobrar a água, o telefone, e não por ‘gentilezas’ várias de cariz pessoal. Quanto aos marcos de correio,  que os não deixem morrer, a fim de também servirem de interessante pretexto para dois dedos de prosa com as gerações que já trocam mensagens em tempo real e ao alcance de uma ou várias teclas.

O marco de correio

Apeado, qual dente arrancado...

10 de abril de 2013

Bairros onde o tempo se deteve


Constitui sensação curiosa perceber que, na cidade, ainda há espaços com vida própria. Tendo de percorrer algumas ruas de S. Domingos de Benfica, olho os estabelecimentos de bairro com caixotes, à porta, a transbordarem de frutos da estação, ruas a fervilhar de vida, cafés cheios de senhoras que se enfeitam para a bica (um pouco ‘gaiteiras’- diz-me a minha filha que por lá vive- penso que se refere aos penteados armados de laca e ao bâton aplicado a preceito), moradores a passear cães de razoáveis dimensões pela trela, o que faz pensar que deverão, decerto, ser donos dedicados, que os treinam, a fim de não incomodarem o condomínio... Alguns instantâneos dão conta dos denominados bazares a exibirem, nas montras, troféus ‘kitsch’, enfeites que fazem as delícias decorativas de algumas donas de casa. Uma evasão aos dias menos sorridentes que correm – penso – pois parece que, por aqui, o tempo se deteve.

6 de abril de 2013

31 de março de 2013

Inundações




Já estou farto destes dias intermináveis de chuva, dão cabo do juízo a qualquer um. Mas por enquanto, apesar da neura, ainda não estou tolo de todo.
Com os solos ensopados, com as bacias de retenção cheias, continuando a chover desta maneira é natural e esperado que os rios saiam do seu leito de curso normal e transbordem para os terrenos das suas margens, espaço que é seu por natureza, o leito de cheia.
Tradicional e historicamente os habitantes não urbanos destas áreas anseiam por estes dias. O rio cheio traz aos terrenos os detritos que o fertilizam, transformando terrenos arenosos em áreas de boa aptidão agrícola.
Nestes dias, além da chuva, chateia-me o corrupio de repórteres as estes locais à procura de tragédia, os quais, com um ar sério e de caso, só encontram povoações felizes apesar de isoladas, vivendo este quotidiano que lhes traz riqueza, com enorme normalidade.
Para inglória destes jornalistas, casas inundadas, equipamento urbano submerso ou estradas intransitáveis só nas áreas urbanas teimosamente ocupadas aos rios.

Foto retirada em http://assimterraceu.blogspot.pt 

26 de março de 2013

Coisas de uma prima... bera






De um relance, olho os vasos da entrada, sob chuva incessante. No alpendre, acabo de ver um gato enorme, tigrado, terá entrado por alguma fenda dos muros, penso. Desafia-me, através da janela da sala, empoleirando-se num sofá. Ao fundo, as cadelas, que o pressentiram, ladram sem parar. Apontamentos de uma manhã chuvosa. Que os amores-perfeitos do jardim, à custa de tanta água, não venham a perder a perfeição inicial.

22 de março de 2013

Óscar Lopes ou quando o silêncio grita



Morreu Óscar Lopes. Guarda-se, dos tempos de juventude, a obra de autoria conjunta com António José Saraiva,  História da Literatura Portuguesa, sempre rigorosa e um título de referência para professores e alunos de Língua e Literatura. Seria exaustiva a listagem do grande legado que ficou, correndo-se o risco de diversos lapsos. Ficará  a menção ao contributo dado às publicações Seara Nova, Vértice e Mundo Literário. Sem tempo para ler o jornal, acabo de me deter, sem entusiasmo,  no noticiário televisivo… Nem uma palavra sobre o seu desaparecimento, quase após uma hora de emissão pouco profícua (desiste-se da espera...). Ao invés, desfilam, nos destaques, a referência ao comentador da RTP prestes a entrar em funções (e petições pró e contra...), aos candidatos às eleições num clube de futebol, a um cantor que comemora 50 anos de carreira (e cujo nome também terá a ver com a dita), às discussões acesas em torno de uma moção de censura ao governo, a par de dois nomes sonantes de Holywood, hoje na invicta… Estranhos tempos, os que vivemos. Há dias, comentava-se o facto de uma nota de imprensa divulgada a órgãos de comunicação que, por vezes, batem à porta pedindo opiniões técnicas,  ter ficado na gaveta (houve quem telefonasse no dia do evento, a demonstrar confusão de datas, embora a mensagem tivesse sido clara e enviada com a devida antecedência)… Nela se apresentava um evento cultural com interesse para… professores. Um dos participantes, de inquestionável currículo, ao ouvir o desabafo, afirmou «se os professores, ao invés de discutirem questões técnicas e científicas, estivessem a experimentar, em abundância, todos os vinhos, à hora do almoço, aí, sim,  teriam visibilidade». Fica-se em silêncio, ouvindo silêncios que gritam mais do que as manchetes.

P.S: pensamentos que deveriam ficar só com a própria : será que a escolha de notícias se prende com quem tem a responsabilidade de as tornar destaque,  ou com o que se interpreta como sendo o gosto dos destinatários?

Imagem: blogue «A inocência descompensada»

20 de março de 2013

O meu Pai







































O meu pai não gostava nada de comemorações, nem eu gosto.
Continuo a senti-lo de mão dada passeando-me descontraidamente ou consolando-me em algum momento mau.
Pai, sempre te achei muito especial, invulgar, isto é, muito particular e singular, tão diferente de todos os outros. E sempre gostei muito de ti, em especial por isso.
Hoje já não se comemora o Dia do Pai, assim digo-te que te adoro e continuo a desejar a tua mão dada à minha, todos os dias, sempre.
Um beijo Pai.

Visnú

Apetece-me ficar como esta moçoila sadia e reluzente. Viva o creme Visnú!

A gazeta das artes

Compramos na Feira da Ladra um molho de Gazetas das Artes dos anos 60. Belíssimos artigos, informação fantástica. Um óbice porém. Estiveram guardadas numa arca num lugar muito húmido. Pacientemente, o Miguel trata-as com delicadeza e areja-as neste estendal de roupa nuns poucos momentos de sol. Eu sorrio de as ver intactas e saudáveis de novo.Porque o papel também tem vida,efémera, mas tem. 

O maravilhoso Eduardo das Conquilhas



Comer marisco e petiscar no Eduardo das Conquilhas:) Where else?

19 de março de 2013

Palavras leva-as o vento?



São estes os moinhos de vento da região (de modelo mediterrânico, diz-se). Testemunham, mesmo os que se encontram em derrocada, tempos de artes e ofícios. Vingou por mais tempo um deles, em funcionamento até há pouco, na freguesia de S. João das Lampas. As crianças visitavam-no, vendo o velho moleiro, a trabalhar para que guardassem na memória profissões de tempos distantes, para que não pensassem que a farinha ‘nascia’ em sacos, à semelhança dos que, espantados e já crescidotes observam , pela primeira vez, galinhas a debicar a terra ou maçãs a pender das árvores não conseguindo, de imediato, estabelecer associação com o que figura nas secções dos supermercados. Não se pense que, com saudosismo, se lamenta ver hoje as velas, despidas dos panos que as revestiam. Fica-se a imaginar moleiros fazendo deles casa e local de trabalho, à semelhança – estes em maior isolamento – dos faroleiros. O risco reside, sim, no facto de poderem vir a cair no esquecimento. Vem a reflexão a propósito do 80.º aniversário que hoje completa o escritor Philip Roth e da sua afirmação do dia,  no suplemento do jornal Le Monde “posso prever que dentro de trinta anos, ou mesmo mais cedo, haverá nos Estados Unidos tantos leitores de verdadeira literatura, como há hoje leitores de poemas em latim”.