7 de julho de 2008

DIVINARE

Os romanos, que escreviam tudo em latim e em maiúsculas, deixaram por cá muitas placas, e algumas foram integradas nas paredes de edificios. Onde fica esta?

Photobucket

Ninguém adivinhou... que pena. Era a Travessa d'Almada, paralela á Calçada do Correio Velho. Começa na Rua da Madalena, e acaba na Rua de S. Mamede. Antigamente chamava-se Calçada de S. Crispim, pois ia dar á igreja do mesmo nome. Há lá um prédio que tem umas 3 lápides romanas seguidas.

Amélia Santos e a República Portuguesa




Uma heroína popular em tempos de 1ª República, combatente na Rotunda.
E os postais reflectiam a iconografia da época. O que lhe aconteceu? Parece o busto da dita cuja, não é?

Como se faz um cavalo de um jornal.

Embora eu ache que mais facilmente se faria um burro do que um cavalo dos nossos jornais, aqui segue esta interessante actividade "sem fazerem despesa ao paizinho" para o serão. O texto é uma pequena maravilha embora duvide um pouco dos resultados.
Mas como o almanaque diz, " Preguiça nunca fez bom feito", vamos a isso!
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Associações



Eram estas as imagens que me bailavam na cabeça, ao presenciar ontem pela TV o incêndio da Avenida da Liberdade. As do incêndio do Chiado, que vivi no terreno como técnica.
O fogo tem tanto de destruidor como de belo. E são fotografias singularmente parecidas. Uma Lisboa tantas vezes devastada por incêndios e que no entanto sempre se recupera.

G8

Nota-se que este mundo está uma merda quando o G só tem 8, tendo em conta que existem 207 países (mais ou menos, dependendo de quem conta).

Também há incêndios em Lisboa



Nesta Lisboa aparentemente quieta e adormecida, o fogo ainda devora dois prédios na Avenida da Liberdade e está longe de ser extinto. Cinco famílias perderam provavelmente a habitação e todos os seus haveres. Para muitos, será uma longa e triste noite.
Seguramente, todos ficamos mais pobres. E Lisboa também.

(fotografia tirada à emissão da RTP por volta das 2:00)

6 de julho de 2008

Morta é a abelha que nos dá mel e cera



Preceitos para quem lava a roupa e tudo o que um simples espirro pode revelar!
Nada como a sabedoria de almanaque!
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Como se chama esta rua?

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Remirai e debitai

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Como se chama esta rua?

Solução: Rua do Ouro, dita pelo Paulo.

Saudades do Cais das Colunas

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Quem adivinha?

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Duas pistas.
Uma imagem é da "Outra Banda". A outra é do Norte.


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Guia de restaurantes em Sines

Tão pormenorizado e excelente roteiro, há que realçar!

"Bom dia,
O caramujo (ou burriés) conhecidos por caracóis do mar, desde alguns anos que desapareceram do circuito comercial, nem sei se é possível comercializá-los.Existiam outras espécies, nomeadamente em São Torpes, como lapas, que durante anos desapereceram, devido à poluição e à rapina humana, mas que incrivelmente estão a regressar.
Em relação a restaurantes, Sines não têm sabido divulgar a sua restauração (não digo gastronomia, porque muitos dos pratos não são originários daqui), existirão poucas terras com tantos bons restaurantes.
Sem qualquer critério, a não ser o da qualidade, deixo algumas sugestões:-
Restaurante Estrela do Norte - sem entrar em sines, seguido a marginal rumo à praia Vasco da Gama, a melhor feijoada de búzio que existe, num restaurante voltado para a praia do Norte, em que o olhar se perde até à Serra da Arrábida em dias de céu limpo. Só vale a pena a feijoada, mas esta justifica um deslocação propositada;
- A Lota - ainda antes da praia e sobre a ribeira, resraurante caro, com serviço cuidado, muito bons vinhos e cataplanas;- subindo para a cidade:restinguinha - para muitos o melhor peixe grelhado da zona, vista soberba sobre a baía. peixe variado, sempre escalado, assim a dimensão do "animal" o permita;restaurante o castelo - junto do castelo, bom peixe e carne grelhada, com um toque diferente, abusam em molhos com base no alho;
Zé Beicinho - restaurante mais caseiro, bom peixe grelhado, boa relação qualidade/preço;
saindo de Sines em direcção a Porto Covo, na praia de São Torpes - os restaurantes Luís e Bom Petisco partilham com a Restinguinha restinguinha, o "título" do melhor peixe grelhado;
Ainda em São Torpes: os conhecidos e afamados Trinca Espinhas, Arte & Sal e Gost'i praia, mais caros e igualmente muito bons.
Em São Torpes é impossível encontrar um mau restaurante, qualquer deles seria um restaurante de renome, em qualquer lugar.Por estas bandas para além do peixe grelhado procurem as cataplanas de peixe mas principalmente o arroz de tamboril.
O melhor em minha opinião é numa tasca no cruzamento para São Torpes, tem tanto de bom como o estabelecimento de mau aspecto, e acreditem que é necessário alguma coragem para lá entrar.Bom apetite
António Braz do blog Estação de Sines

A apologia da cinta

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Uma das vitórias da mulher,nestes dias que voam, é o desuso progressivo que deram às cintas, objecto inestético e desconfortável. Bernardo Marques publicitava-a porém assim recortada nesta silhueta apetecível.
O discurso do Viajado é interessante:
Eu notava com amargura que a elegância da mulher portuguesa não resistia ao confronto com a da mulher francesa, americana, etc. Hoje rivaliza em elegância e souplesse ao que de melhor, vi lá por fora graças às cintas de A Pompadour.

E o do Patriota também
Eu português, filho de portugueses, proclamo cheio de verdadeiro orgulho, que são nossas, muito nossas, confeccionadas por técnicos e operários portugueses,para uso das nossas mulheres, filhas e irmãs, as admiáveis cintas de A Pompadour.


Gosto do enunciado irmãs, filhas e mulheres, é que não há mais hipóteses de tipos de mulheres para o patriota! Que politicamente correcto que é!
Obrigada querida Lúcia pelo envio destas maravilhosas pranchas:)

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5 de julho de 2008

o paquete Vera Cruz

Outra maravilhosa página publicitária ao paquete Vera Cruz, 1952, de autoria de Bernardo Marques.
Muito obrigada por este presente querida Lúcia:)





Os reis da Rádio


Ainda vão a tempo de votar, é só mandar os cupões. Já nem me lembrava da existência do José Cheta, mas era um must nos anos 70. Rivalizava com o muito jovem Marco Paulo,ver a fotografia, que arrebatava os corações femininos mais vulneráveis.
É clicar na imagem e ver quem eram os cançonetistas portugueses mais amados.

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E este prédio, onde fica?


4 de julho de 2008

Moncancro... parque escondido com o rabo de fora


O... "parque florestal" de monsanto... nunca foi bem parque nem muito florestal. É na verdade um grande bloco calcário-basáltico, parte do complexo paleovulcânico já muito erodido a que chamamos as "sete colinas" de Lisboa. Foi estudado detalhadamente pelo nosso mais ilustre geólogo, o Professor Galopim de Carvalho numa monografia que ainda não tive o prazer de adquirir. No início do nosso século era um monte quase calvo e despovoado, terras pouco férteis de culturas de sequeiro e pastagens. Chegaram a haver mais de setenta moinhos naquele que é sem dúvida o monte mais alto e ventoso das nossas circumvisinhanças, mas até 1925 foram todos progressivamente desactivados. A ideia de arborizar Monsanto, como tanta coisa por estas bandas, é algo muito antigo e repetidamente procrastinado. Tudo começou em 1868 quando alguém reparou que Paris tinha uma coisa engraçada chamada "Bosque de Bolonha", e achou que Lisboa também devia ter um parque onde as pessoas pudessem passear. Só em 1929, contudo, é que se retomou a ideia e foi constituída uma comissão para o efeito. 61 anos! Em 1934 já estavam quase, quase a tirar as mãos dos bolsos quando vem o sacrossanto Inginheiro...
Duarte José Pacheco, dotado de grandes poderes, criar de uma assentada o Parque Florestal de Monsanto. No papel, pelo menos. Mas ainda ia levar mais 4 anos até alguém ter a brilhante ideia de que um parque "florestal" deveria ser governado pelo regime... florestal.
Nesta fase, 69 anos depois da ideia inicial, e de todos os trâmites burocráticos estarem cumpridos, começaram de facto a plantar árvores.
Foi portanto unica e exclusivamente entre 1938 e 1944 que Monsanto foi de facto, vagamente parecido com um parque florestal, pois nessa data foi inaugurada a Estrada Nacional 7, ou A5 para os amigos, que é hoje a mais movimentada auto-estrada do país!
Com mais de 250,000 automóveis a atravessar diariamente Monsanto, podemos afirmar com segurança que este é o principal visitante do parque, ou mesmo uma das principais componentes da sua fauna!

Adivinhai...

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Um belo prédio



Sempre desejei morar neste prédio! Onde fica?

Rua António Pedro, Lisboa


O que é e onde se localiza! Os acompanhantes deste dia estão proibidos de revelar!
Viaduto da Praça de Espanha
M.F. acertou em cheio:)
É na Rua da Assunção e é, mesmo J., "A outra face da lua" :)


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Gostar

Eu gosto de pequenas coisas. Diz-se que a felicidade reside nas pequenas coisas e parece-me ser verdade.
Já tive discussões sobre gostar de Jojo, ABBA, Jazz, Tony Carreira, Trance, Ovomaltine e Cerelac à colherada, 10 Supergorilas na boca, Cerveja em jejum, Vodka Laranja ao pequeno almoço, da moca, bife em sangue, vaca, rabos, musica em repeat, musica em repeat, musica em repeat, musica em repeat, musica em repeat, musica em repeat, musica em repeat

Razões de gosto incompreendidas.

Convém uma pessoa gostar das mais variadas coisas, não importa quão básicas são, pois é mais uma coisa que dá um momento de felicidade e prazer ao fazer, ouvir, comer...
Porque na verdade é só isso que temos: momentos.

3 de julho de 2008


eu queria descer para ir espreitar lá ao fundo... mas aqueles bichos fizeram com que não arredasse pé... onde estava eu ou onde ficam estas escadas?

Remirai e debitai o nome





Solução: Castelo de Vide e Ilha de Faro

Onde é?


Exactamente no mesmo local onde comemos o arroz de grelos estavam os senhores ao balcão, com pose macho-sugestiva. Onde é?
Pista: Ali comem-se bruxas e burriés também:)

Cervejaria Sem Palavras, Alvalade

O arroz de grelos



Nunca resisto a um arroz de grelos nestes tachinhos, reluzentes de asseio e a ferver de aromas.
Claro que acompanham uma fritada de peixe com muito limão.
A vida é bela.
Restaurante Sem Palavras, Alvalade

2 de julho de 2008

Adivinha

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O que é e em que rua fica esta (bela) montra?
post rápido para falar dos prémios. no que respeita às minhas adivinhas proponho dois prémios : ou um livro da colecção monsieur et madame ou um postal surpresa de terras alpinas. quem acertar e quiser receber um destes prémios apenas tem que enviar um mail para mllecoccinelle@gmail.com , com o nome, morada e o prémio escolhido e eu procederei ao envio... tem que ser assim porque estou longe e não posso dar os presentes em mãos



lisboa colorida...

mais uma fácil...

onde fica este prédio com esta cor fantástica?

Atalhai e alvitrai

Para postar imagens

Dado que este é um blog com muitos verbetes e muitos averbadores pedia o seguinte a todos:

Alojem SEMPRE as fotos num servidor exterior ao blogspot.
No caso podem usar o http://load.imageshack.us/
O sistema é simples: podem fazer o upload da foto para o servidor e depois escolhem um dos seguintes links:
Hotlink for Websites
(para fotos em tamanho normal)
Direct link to image
(quando quiserem colocar fotos a serem ampliadas por clique e nesse caso usam o código gerado pelo Image Shack no upload do blogspot)

Para agilizar o blog e evitar links desnecessários, façam o seguinte nos códigos criados:
Tiram tudo excepto o endereço da imagem, que é:
(sinal de menor) img src="xpto.jpg" (sinal de maior)
Colocam esse código na versão html do post e depois redijam!
<

Há ouro em Almada!?

«As minas de ouro da Adiça, no concelho de Almada, já eram exploradas no reinado de D. Afonso Henriques. E todos os reis subsequentes protegeram a sua exploração. Assim a Adiça era um couto real com juízes privativos que nos primeiros tempos se chamavam Quinteiros postos pelos reis, e depois com outros juízes eleitos pelos mineiros.
Estes gozavam de muitos privilégios, tais como, não irem à guerra em terra ou no mar, não pagarem jugada nem fôro algum das suas fazendas e outros mais que constam da Carta de Confirmação de El-Rei D. Manuel de 2 de Maio de 1497, (Sua Chancelaria, livro 29, fls. 69), onde veem mencionadas tôdas as cartas de privilégios concedidas pelos reis antecessores áquele.
A lavra deu bom rendimento até D. Joao III que fêz doação das minas a António da Fonseca (Chancelaria, livro 46, fls. 160). Mas como o concessionário foi muito tirano e vexava os trabalhadores com impostos e extorsões, ela acabou por falta de operários.
Em 1814, por mandado de D. Joao VI, o Doutor Jos6 Bonifácio de Andrade e Silva, Intendente Geral de Minas, que mais tarde foi deputado à. Assembleia Constituinte e Ministro do Império do Brasil, procedeu a uma demorada e inteligente pesquiza, empregando homens munidos de ferramentas de última invenção. O produto, em um dia, deu urna oitava e meia.
Mas na sua opinião, a Lavra seria maior se houvesse lavadouros especiais como os havia na Hungria e na Transilvânia. Ele dirigiu ao Rei uma exposição pedindo auxílio pecuniário mas esse auxilio nunca foi concedido.
E as minas da Adiça passaram à história com todo o seu recheio, que, segundo José Bonifácio, faria de Portugal um país rico e invejado.»

-- João Jardim de Vilhena, in Boletim Cultural e Estatístico Nº3, 1937

Não faço ideia onde é a Adiça, nem porque é que há mais de 250 anos que ninguém vai lá investigar as minas com tecnologia moderna, mas o Google parece indicar que há um sítio qualquer desabitado com esse nome, no mato a sul da Fonte da Telha, perto da base da NATO...
Aparentemente o próprio nome "Adiça" quer dizer mina de ouro, há mais de uma terra com este nome, e segundo uma página que descobri, há quem conheça e visite este sítio na margem sul.

Ninguém repara mas existe



Em que rua é?
Rua Pascoal de Melo
lisboa colorida...

fácil... muito fácil...

onde fica este prédio com esta cor fantástica?



Ando numa de dar prendas com utilidade. Por isso colectei estes itens na Miosótis e complementei com um livro de crónicas do Reverte. Cultura alimentar e não só:)
Mas é boa ideia fazer estes mini-cabazes, neste caso sacos com guloseimas acrescidas de sementes para a horta pessoal. O chocolate, o queijo e as azeitonas já foram aprovados.

E da Escócia veio


Esta miniatura numa caixinha e eu fiquei toda contente.

Obrigada B:)

Esplanadar



Ai os joaquinzinhos, os bolinhos de bacalhau, os tremoços, os caracóis e as minis.
E depois é abancar e deslizar até à noite. Ontem foi na esplanada do Restaurante Sem Nome em Alvalade, onde tudo é saboroso e o serviço sempre atento. E depois boas companhias, histórias e muito riso.

Viro-vos as costas



Que estátua é?

1 de julho de 2008

e assim assinalo o meu regresso ao dias que voam, ofereço esta fotografia em troca do belíssimo presente que a t. me ofereceu...

eu disse que tinha as jarras que íam "avec", mas afinal são um bocadinho diferentes…


1º Episódio dos Cuízes dos Dias que Voam


Pois é, vamos arrancar com este teste ao Cuíze dos Dias que Voam!
Temos seis perguntas e toca a acertar. O nível de dificuldade é variável. Cada resposta certa vale um ponto.

1- Em que porta de Lisboa está afixado este anúncio?

2- Este número 38 pertence a que artéria? (enviada pelo Manuel)

3- Quem identifica estes bonecos?

4- Que terra é esta e como se chama este largo?

5- Como se chama esta praia?

6-Que tipo de estabelecimento de Lisboa é este e onde fica?

Gostam os gatos de ver televisão?




Pois é. A pequenita gosta de ver o Baby Channel e o Panda . Ao Vicente deu-lhe para ver documentários sobre animais. Inquieta com a evolução dos acontecimentos e o ar animado do gato, fiz zapping e enchi de ração o pratinho dele. Mas parece-me que o prazer era mesmo a caça. Desconsolado olhou-me e disse assim em gatês, que dona mais repressiva e chata!
Clicar na imagem para visualizar.

o galo de barcelos


o galo de barcelos é, seguramente, a principal personagem do ‘figurado’ barcelense.
não sendo claro quando se começou a fazer este ‘figurado’ galináceo, duma coisa podemos ter a certeza: só tem o apelido de barcelos há, relativamente, pouco tempo.
a razão é simples: a principal zona do actual concelho de barcelos onde se produz o figurado fazia parte do concelho do prado até 1855.
daí que o figurado, ainda durante o começo do século passado, fosse conhecido como a ‘olaria do prado’.
e durante muito tempo o galo não teve um tratamento preferencial relativamente aos outros animais que acompanhavam a vida dos barcelenses e que serviam de modelos naturais para os oleiros: os galos, os bois de trabalho, as cabras, os cães, os sardões, tudo o que rodeava os oleiros lhes servia de modelo.
a autoria do actual galo de barcelos é um assunto bastante discutido e com defensores de diferentes paternidades.
um dos mais citados como sendo o ‘pai do galo’ é joão domingos rocha, pai da conhecida ceramista rosa cota e avô das irmãs júlia e emília cota, hoje figuras incontornáveis do figurado barcelense. rosa cota várias vezes reivindicou essa condição para o seu pai (que nunca se terá preocupado em reivindicar coisa alguma), e no mesmo sentido seguiram as suas netas.
joão macedo correia, um dos maiores estudiosos do figurado de barcelos, afirmava em 1960 que o ‘primeiro galo tinha sido modelado pelo emílio do parral, irmão do mudo do parral’, para o qual francisco de sousa, ainda muito novo, ‘apenas abriu na roda o pedestal e o corpo’. no entanto, anny tual-bordier escreveu no seu ‘premier rencontre avec la poterie de barcelos’ que 'foi em 1927, em braga, na feira de amostras do minho’ que o seu formato e decoração mudaram’ e que ‘o seu primeiro autor teria sido afinal francisco sousa, o popular ti francisco do monte’ e que o seu amigo, irmão do mudo do parral, desolado por ver muitos dos seus galos partirem no forno, teve a ideia de fabricar a base e o corpo do galo na roda. como não sabia trabalhar na roda, terá pedido a francisco sousa que o fizesse.
não andamos muito longe uns dos outros: de joão domingos rocha, ou coto como toda a sua familía ainda hoje é conhecida: cotos e cotas (ao que parece devido a um antepassado a quem faltavam algumas pontas dos dedos), ao mudo do parral, ou o irmão emílio, ou a francisco sousa, andamos sempre num circulo fechado de pessoas em redor das quais o galo, que sempre fez parte do figurado barcelense, se começou a encaminhar para aquilo que é hoje.

mas o que transformou aquilo que poderia nunca ter passado de um dos temas do figurado barcelense num ícone nacional?

duas pessoas foram determinantes para essa transformação:
antónio ferro e gonçalves torres.

antónio ferro foi um dos principais arquitectos do fascismo. e um dos seus homens mais perigosos.
perigoso porque, ao contrário da imensa maioria dos fascistas, era inteligente e culto.
e usou essa inteligência e cultura para a construção da imagem do fascismo português.
era necessário criar o estereotipo do português honesto e trabalhador; pobre mas honrado, de muitas graças a deus e poucas graças com deus e uma postura um pouco altiva e orgulhosa em coisas que não fossem realmente importantes para a sua emancipação, liberdade e afirmação enquanto povo: orgulho no império do minho a timor, orgulho na ilusão de ter o melhor vinho, a melhor comida, a música mais melodiosa, as paisagens mais bonitas, as aldeias mais bonitas... tudo coisas que a imensa pobreza do povo português não tinha oportunidade de comparar.
em 1933, antónio ferro, cria o secretariado da propaganda nacional e rapidamente passa ao ataque.
no ano seguinte avança com a 1ª exposição colonial portuguesa, no ano seguinte levou a genebra uma enorme exposição de arte popular e a partir daí nunca mais parou.
em 1938 realiza o concurso da aldeia mais portuguesa e escolhe para troféu um galo de prata. mas se estava escolhido o símbolo, ainda não estava determinada a forma.
fazia parte da estratégia de antónio ferro a construção de uma série de elementos que servissem de icones históricos e culturais duma identidade nacional única.
e nada melhor que as comemorações centenárias (onde se cometeram alguns crimes com a alteração do castelo de guimarães ou do paço dos duques de bragança, já que era necessário que o local ‘onde nasceu portugal’ tivesse a dignidade do começo dum império, e o mesmo se passou no castelo da capital do império) para a massificação da divulgação do objecto escolhido.
como não existia um símbolo da cultura popular (já que a ‘aldeia mais portuguesa de portugal’ não era fácil levar às costas) era necessário pegar num e promovê-lo massivamente.
e essa escolha caiu sobre o galo de barcelos, no qual antónio ferro viu potencialidades para os seus propósitos.
o destaque que teve no pavilhão do centro regional e na reconstituição das aldeias portuguesas (e que mais tarde serviu de base para o museu de arte popular no final da década de 40) foi determinante para esse efeito unificador de símbolo da arte popular cheia de cor e vida e que fosse possível apresentar como representante nacional e não simplesmente de uma região.
mas quem visitar hoje o museu de arte popular ou qualquer outro museu de arte popular onde os galos estejam representados, não vai encontrar com facilidade o modelo que hoje conhecemos. vai encontrar muitos galos vagamente parecidos mas ainda não com a forma e as cores de hoje.
a forma e as cores que hoje lhe conhecemos são-lhe dadas por gonçalves torres e um seu cartaz da festa das cruzes em 1955 dá a conhecer essa forma:
policromado, porte altivo, crista bem levantada, corpo gordo. E como dizia um seu conterrâneo e contemporâneo no jornal de barcelos em 1957 ‘há tempos, o gonçalves torres, meteu-se a aperaltar este nosso galo, e, saiu-lhe então das mãos o moderno galo de barcelos’.
estava então criado o simbolo no modo que hoje o conhecemos, já que pelo meio houve (e ainda hoje se produzem em reduzidíssimas quantidades) muitos outros galos, como o galo da felicidade, ou do noivado com a base em braco, ou ainda versões onde predomina o azul.
a necessidade de reproduzir muitas cópias também parece ter sido a razão porque a forma original de colocar as flores em barro moldado hoje caiu em quase completo desuso (na minha última incursão pela feira apenas vi um exemplar, que comprei) para ser substituido pela pintura policromada sobre a base preta.

talvez volte ao assunto que isto ja vai (bastante) longo....