Gosto de gatos, disso toda a gente sabe aqui.
Por isso apreciei tanto Veneza e Roma. Com abastado ar de proprietários da urbe, os felinos instalam-se por todo o lado descansadamente. é sempre uma boa lembrança de Itália. Adiante.
A folhear, salvo seja, o arquivo municipal de Lisboa, encontrei estas duas fotos.
A primeira é de data e autor desconhecidos. Adoro a perspectiva.
A outra é de Sid Kerner e é de 1965. Sobre qualquer destas fotografias se poderia escrever um conto.Suscitam perguntas a que não sabemos responder. Quem é o homem que espreita? Porque é que a senhora de Kerner está tão preocupada? Dir-se-ia que o gato se identifica com esta inquietação. E o que aconteceu a seguir? Acho que vou pedir ao amigo Réprobo para dar respostas. Que tal?
Apetece fazer como o senhor e ir refrescar ao bebedouro dos quatro anjinhos no Rossio. Ou enfiar os chapéus e ir pasmaçar num banco do Jardim da Estrela. Apetece tudo menos estar no trabalho. Ou andar a correr pela rua. Ou grelhar febras. Ou coisas horrendas do tipo acaloradas. Querem-se sombras e brisa e muita bebida fresquinha. E lazer.
Pesquisando um dos meus vícios favoritos,o Arquivo Municipal de Lisboa, descubro-me apaixonada por Sid Kerner, um fotógrafo americano que soube ver a cidade e a sua gente. Era 1967, ano em que comecei a ter a percepção do mundo exterior, da rua e dos outros. Era o início da minha autonomia. Lembro-me destas imagens, em outros contextos e cidades. Nas fotografias de Kerner descubro que tudo me é familiar. A pobreza existia e um grupo de mais de três pessoas a falar na rua já podia ser considerado um comício. Voltarei ao Kerner, claramente.
Juntar o Anuário comercial de 1886 ao Arquivo Municipal de Lisboa, dá esta combinação. Pode-se clicar para aumentar e ler melhor o anúncio dos colchões, que é completamente actual e divertido.