ontem e hoje não têm parado (nos poucos intervalos que o futebol nos permite) as críticas à decisão judicial do tribunal de aveiro, na sequência decisão do tribunal da relação de coimbra, que passou a considerar prova o que na instância abaixo não o tinha sido.
a questão é que, como até agora havia uma espécie de 'acordo tácito' em os juizes nao condenarem as mulheres que interrompiam voluntariamente a sua gravidez, tudo estava no melhor dos mundos:
os que defendem a despenalização achavam que não havia pressas, até porque não havia ninguém a ser condenado;
os que acham que o acto deve ser penalizado mas, hipocritamente, não têm tomates nem ovários para assumir que a consequência disso é as mulheres serem presas e pelo acto que cometeram.
o que este caso, com um procurador teimoso que quis fazer respeitar a lei e uns desembargadores que acharam que lá porque o juiz de aveiro não queria punir as mulheres, não quer dizer que ilibassem a clínica onde os actos foram feitos.
feitas as contas, respeitou-se a lei que existe e foi tudo condenado.
de repente toda a gente acordou.
os moviventos pró-vida a dizerem que não querem ninguém preso e a dizer que as mulheres não vão presas por causa da falta da liberalização da lei, o bastonário da ordem a dizer que a punição não é solução (bem podia por começar por rel(v)er o código deontológico), o líder da bancada do cds a dizer que até ainda podiam recorrer para a instância acima (até chegar ao deus, provavelmente).
o que esta condenação veio fazer foi acordar as mentes adormecidas no recato das suas consciências.
o que esta condenação, que não foi mais do que a aplicação pura e simples da lei, vem provar, é que a lei tem que mudar.
e já !
ontem já era tarde...
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