9 de fevereiro de 2006

Tu és um tesouro

És um tesouro
Só de ouro
Sem pratas
Que para limpar são chatas
Te adoro
Porque sim, claro
E te imploro
Que quando venho de carro
E páro...
Que me cures o catarro
Que me dá a tosse
Tosse daquelas
Que salpica as janelas
E na mão causa entorse
Ao limpar com detergente
Para ficar a luzir
Como a ponta de um menir
Que assim de repente
Foi o único que vi
Com letras suficientes
Para rimar com as que escrevi
E que nas horas carentes
Nada mais querem dizer
A não ser…
Que só sei que algo sei
Só que não descobri ainda
A sabedoria desavinda
Que em tempos alberguei.
Faço poemas sem rumo
Que perdi o fio-de-prumo
Enquanto fazia entretido
Uma marquise no terraço
Para não ficar derretido
Ao sol, como mole pedaço.
És um tesouro
Só de ouro
Uns traços de platina
E estás numa vitrina
Onde te admiro
E te contemplo
Onde acho muito giro
Te adorar
Como num templo.
Anda cá pró pé de mim
Anda lá mesmo assim
Logo te ajudo a pentear
Que o que gosto é de te amar.
Teus olhos maravilhosos
São melhores que os meus
Que são pobres horrorosos
E lembram dois pneus
Quase vazios
Ou dois blocos de gelo frios
Atchimmmmmm…
Já me constipei
Ou então foi ali no jardim
Onde muito te procurei.
Mas não estavas
Por onde andavas?

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