16 de janeiro de 2013

Chá e palavras

Enquanto bebo o meu chá de rooibos, assim como assim não faz mal a nada, penso na velocidade destes últimos meses. Numa sociedade em que nada é dado por adquirido porque em convulsão profunda, em que se deseja estabilidade, segurança e saúde. Existe uma calma aparente, todos tentamos uma contenção de emoções que permita a gestão deste dia a dia tormentoso.
Logo de manhã um autocarro cheio de pessoas que não costumavam usar autocarro, de lancheiras e pesados agasalhos. Alguns lêem, outros de olhar perdido deixam escorrer a paisagem. Eu aproveito e enumero as tarefas do dia. Mas há algo diferente e eu não sei definir. Um pesado silêncio por vezes. Para se conseguir suportar a crise sem a nomear. Porque só o nome incomoda.
Não sei. Entretanto bebo o chá e espero que a noite na cidade adormeça tranquila.

queluz no novo mapa autárquico pensado com os pés

o senhor silva acabou de promulgar a nova lei autárquica que redistribui a organização das freguesias em portugal.
independentemente dos recursos que muitas freguesias vão colocar nos tribunais, o agrupamento das freguesias de queluz no no mapa é uma coisa que não lembra ao diabo, mas lembrou à unidade técnica para a reorganização do território.
segundo estes senhores, que propõem dois desenhos para a divisão do concelho de sintra, a reorganização das freguesias da cidade de queluz deve ser feita do seguinte modo:
1. união das freguesias de queluz e belas
2. união das freguesias de massamá e monte abraão.

para tal considera o facto de queluz e belas terem 'constituído uma unidade administrativa no passado' (também podiam ter considerado o facto de belas ter sido concelho...) 'possuindo relações históricas e territoriais assinaláveis' (as mesmas que tem com a amadora e menos do que tem com queluz de baixo...)
e partindo vagamente dos mesmos pressupostos relativamente a massamá e monte abraão (ambas antigas localidades da freguesia de queluz e desanexada aquando da passagem de queluz a cidade e a sua divisão em 3 freguesias.

as minhas dúvidas (que seguramente não assaltaram a unidade técnica) são:
1. a cidade de queluz vai ficar com duas freguesias em união de facto e uma terceira em união com uma outra localidade externa à cidade.
ou seja, metade da futura união das freguesias de queluz e belas vai pertencer à cidade de queluz e a outra metade não.
não existindo, imagino eu, a actual divisão territorial, até onde passaremos a considerar o território da cidade  de queluz se a antiga linha de divisão da freguesia deixa de existir?
2. aquela unidade territorial conhecida como massamá norte tem cerca de 90% do seu território na freguesia de belas.
de acordo com o novo mapa, massamá vai continuar a estar dividida em duas freguesias: a de massamá com a sua parte sul e uma pequena parte do norte, e a imensa maioria da parte norte na outra ponta, em queluz ou belas.
3. reorganizar o território devia significar: reorganizar.
afinal apenas significa juntar coisas, mesmo que as antigas coisas não fizessem sentido, como no caso de massamá norte.

a minha conclusão só pode ser que esta gente pensa com os pés...

a reunião do governo na clandestinidade

os governantes portugueses perderam as estribeiras.
diria mesmo que estão loucos varridos.
não porque o relvas tenha ido passar o fim de ano ao copacabana palace com o dias loureiro e se encontrou com paulo maluf (que em tempos esteve preso por corrupção e está na lista the grand corruption cases database project, organizada pelo banco mundial e a onu). 
afinal, e como diz o relvas, a vida privada dele é com ele (a ideia de sentido de estado que esta gente tem está próxima daquela que teria uma criança de 5 anos).
isso são amendoins, como diriam os americanos.
aquilo só custa numa noite o que a maioria dos portugueses com trabalho não ganha num mês, e a crise não tem que ser para todos, que isto não é uma democracia.
aquilo que me espanta hoje (sim, este governo ainda me consegue espantar!!) é terem organizado uma conferência que parece a cópia de uma reunião da comissão política do comité central  dum partido na clandestinidade.
um partido clandestino tem medo que a polícia lhe entre pela porta dentro e levem todos presos.
este governo parece ter medo que o povo lhe entre pela porta dentro e lhes faça ver que o mundo real é mundo diferente do que aquelas mentes acham no seu cérebro de power point.
fazer uma conferência com o suposto propósito de 'refundar' o estado, mas esconder a discussão dos portugueses é o mesmo que dizer que não querem que saibamos como nos querem tramar.
mas que podemos ter a certeza que nos vão tramar, e muito.
fazer secreta uma reunião que devia ser o tema central de discussão de TODOS (sim existem maiúsculas no meu teclado) não é apenas um absurdo, é UM CRIME !!!
eu até imagino que o que ali se vai dizer valha o mesmo que aquilo que eu aqui estou a escrever.
aquelas cabecinhas já sabem o que querem e estão apenas à espera de um relatório qualquer encomendado a uns consultores para eles não terem que dar a cara (ou aquilo que tecnicamente se chama cara).
mas não precisam de ser tão descarados quanto ao desprezo a que votam os portugueses.


(o ministério do vitor gaspar ter a suprema lata de vir dizer hoje que afinal até recebemos mais todos os meses não chega a espantar-me: a lata dele é tanta como a sua incompetência e são ambas incomensuráveis.)


15 de janeiro de 2013

A República das Piiiiiiiiiiiiiii


























Sexta-feira li no Público um artigo de que gostei bastante, intitulado ‘A República das Piiiiiis’ de João Magueijo , o 12º da série ‘Que Valores para 2013?’.
O artigo fez-me pensar.
É uma visão da situação portuguesa/europeia quase coincidente com a minha. Vejamos:
“Como Skvorecky notava, as "piiiiiis" que tinham antes vendido o seu país aos nazis eram as mesmas que agora acolhiam os soviéticos (e mais tarde, muito depois de o livro [A República das Piiiiiis] ser publicado, acolheriam o capitalismo selvagem, sem que ele o soubesse). O mesmo se passa no nosso caso: não tenham dúvidas de que em tempos de fascismo os nossos primeiros-ministros teriam sido rapazes de sucesso. Mas de certa forma estamos a bater no ceguinho. Se eles (e nós, por extensão) fizeram figuras tristes e agora estamos a pagar por isso, houve quem fez pior e se está agora a rir. Os usurários mundiais nem sequer construíram túneis inúteis: construíram castelos de valores inexistentes, que continuam a crescer e a alimentar a sua ganância. Até isto se resolver falemos de tourada, porque não faz muito sentido discutir o estado da nossa sociedade, e o demais, em 2013.”
E continua:
“Sim, éramos um país de pobres que passou temporariamente a um país de novos-ricos. Mas agora somos um país de novos-pobres: miúdos cheios de talento desempregados há dois anos, pessoal de ponta a emigrar para o estrangeiro, médicos educados cá a colmatarem as faltas de sistema de saúde inglês... um desperdício óbvio de uma geração. Em vez de usarmos estas fontes de rendimento, deixámos os tanques financeiros entrar pelo país, para aumentar os impostos e baixar os salários, já de si entre os mais baixos da Europa.”
E conclui:
“Muita da nossa dívida, e consequente austeridade, não é legítima, em perfeita analogia com as dívidas contraídas pelas prostitutas, e que as mantêm nas malhas dos seus donos. Se a nível mundial algo tem de ser feito para refrear os chulos financeiros, a nível nacional um corte com o passado seria um primeiro passo. Ou então que se dê o Prémio Nobel da Economia à Dona Branca. E viva a República das Piiiis.”
Infelizmente a versão online do artigo está reservada a assinante.

12 de janeiro de 2013

Bowie, «The next day»: uma história de bastidores



                 Foto: Bowie com a mulher, Iman /Andrew H. Walker/Getty Images para a DKMS

Uma das maiores surpresas musicais dos últimos tempos é, sem dúvida, a gravação do tema «Where are we now?», faixa do álbum «The Next Day», tudo em completo sigilo. Tony Visconti, o produtor, conta o que sucedeu, revelando alguns dos planos de David Bowie. Nos anos 70, o cantor trabalhava com uma equipa de cerca de 45 elementos, hoje só conta com um colaborador, no seu escritório de Nova Iorque. Não tem um «manager» pessoal. Afirma uma fonte próxima do cantor «ele sabe ser discreto e ficar nos bastidores, quantas vezes, nos últimos 10 anos, viram fotografias de David? Talvez as de dois ou três paparazzi... Bowie não é um recluso, mas só aparece em público quando bem entende». Rob Stringer, presidente do grupo Sony Music Label, teve conhecimento do trabalho deste músico de 66 anos há apenas um mês, quando foi convidado a ir ao estúdio para a audição algumas faixas. Afirma Tony Visconti «Bowie é um apaixonado pela História da Inglaterra Medieval e pela História Russa Contemporânea o que fornece excelente material para uma disco de rock». Sigilo absoluto foi a exigência desde o primeiro momento, a par de diversas mudanças de estúdio, sempre que os proprietários deixavam escapar informação sobre quem lá se encontrava a gravar. Terá o secretismo influenciado o trabalho? «Sem dúvida, falávamos enquanto grupo, partilhando a nossa experiência de insanidade e frustração, enquanto David se limitava a sorrir, impávido e sereno, o que conduziu os restantes a um completo estado de neurose». De momento, encontram-se 29 temas gravados, embora a edição de luxo possua 17 faixas. A surpresa, quando se pensava que Bowie se havia retirado da cena musical, foi  a revelação sobre o seu próximo álbum, a sair dentro de dois meses. Fonte: The Guardian (adaptação livre)


10 de janeiro de 2013

A criançada não engana...




Ontem, 9 de janeiro: Merkel  na Chancelaria em Berlim, a ouvir cânticos do Dia de Reis/fotógrafo: John MacDougall/AFP (com legenda da escriba)

5 de janeiro de 2013

Misturas

Os riscadinhos e a malhinhas. Lentamente vão ficando amigos. Encostar manchas e riscas é que ainda não. São puristas, o nossos gatos.

O arco e a casa

Gosto da ideia de atravessar o arco para chegar a casa.


4 de janeiro de 2013

De mãos atadas ou os rankings das escolas




L. tem quinze anos e não consegue concluir o 6.º ano. O pai regressou de longa emigração, trazendo na bagagem uma doença que passa à mãe, e os confina a um espaço doméstico insalubre . O irmão mais velho do jovem evidencia comportamentos de risco, receando-se que lhe venha a servir de modelo. A informação chega, qual murro no estômago, a par do pedido de algumas horas de apoio individual, na escola. A técnica de serviço social (sim, em finais do passado século era um recurso existente), ao assistir à reação da docente de apoio, deixa escapar um «se ficas nesse estado de cada vez que há miúdos sinalizados, passas a depender de apoio clínico e acabas em casa por tempo indeterminado, tens de ganhar juízo…».
S.,  uma rapariga da mesma idade, não consegue sair do 5.º ano: cuida dos irmãos mais novos, falta às aulas, parece viver diversos papéis que lhe não deveriam caber. De forma casual, é uma manhã encontrada pela professora, a vaguear pela vila, a 10Km de casa, há quase 14 horas sem alimento «fugi a uma sova sem motivos, dormi na estação de comboios e roubei uma manta de um estendal, para não gelar». Fica a promessa – foge-se aqui à regra – de que, caso o risco se repita, a miúda telefonará à professora de uma cabine junto à porta de casa, com chamada a pagar pelo destinatário, pois a estação ferroviária é, durante a noite, local deserto e inseguro.
A escola pública é mais do que isto, caso contrário, cair-se-ia numa daquelas reportagens televisivas plenas de chagas sociais e ávidas de audiências, mas os estabelecimentos oficiais são também o que aqui é retratado, com respeito pelo anonimato dos protagonistas nos retalhos verídicos  em resumo. Ao longo destes (e de tantos outros processos) foram visitadas instituições oficiais para acolhimento, encaminhamento profissional, cuidados de saúde. Poucas portas se entreabriram, outras revelaram-se em plena ineficácia, as famílias pouco ou nada cooperaram… Duvida-se que caiba à escola a resposta para problemas de tamanha complexidade … Tudo leva a crer que não, embora se torne impossível fechar os olhos e agir como se a função – e como isso seria aliciante – se limitasse a cumprir os programas oficiais das disciplinas, sem obstáculos e com vista ao sucesso nos exames nacionais.
Sem vitimizar – tantos jovens com sucesso nos estudos e sem transferência de problemas pela sua inexistência – descobre-se que são diversos os que escapam às little boxes , os que não conseguem passar pela vida sem sobressaltos.
Fugindo ao apelo fácil do desestruturado, surge a reflexão a propósito da notícia de jornal que hoje informa – o que era mais do que imperativo ao longo de tanto tempo – a medida de passarem os rankings das escolas a contemplar a variável «contexto social» (acrescentaria afetivo, cultural, de origem geográfica…). Insiste-se, uma vez mais, que só isso não basta: resultados relativos a estabelecimentos inseridos em zonas de tecido social complexo ou em isolamento  virão comprovar o que muitos já suspeitam ou conhecem, importante seria quebrar o ciclo e  - visionarismos à parte – delinear estratégias na tentativa de instaurar a equidade, despindo-a do vazio do conceito.

Imagem: do blogue territorioteip

A sul

a caminho do sul, espreito as paredes desta pequena e alta cidade. Fica-me esta inscrição em pedra.

2 de janeiro de 2013

Guardando


A vila, de seu nome «Entradas»




Quando se entra numa localidade desconhecida, de modo inesperado, mudam por completo as sensações, sendo irresistível imaginar o quotidiano das gentes. Na surpresa da diversidade, é agradável o enquadramento, o que não passa de súbito rasgo visionário. Cai-se de súbito na realidade, não se conseguindo ter a mínima noção da vivência diária nesta localidade bonita, cuidada, onde  limpeza,  brancura e sossego formam as primeiras impressões. Por aqui, o tempo parece ter parado.

Agonia
dos lentos inquietos 
 amarelos, 
 a solidão do vermelho 
sufocado, 
por fim o negro, 
fundo espesso, 
como no Alentejo 
o branco obstinado.

Eugénio de Andrade

31 de dezembro de 2012

Ano novo a inventar

Dias estranhos estes. Hoje atravessei a cidade de manhã bem cedo e notei o silêncio, o canto dos pássaros, a paz que se exalava das janelas ainda fechadas. De noite acontecerão os festejos, os votos de felicidade, o estar com os outros, sentir a ausência daqueles que nos faltam para sempre.
Então, um desejo de um ano o melhor que se consiga fabricar, com saúde e trabalho como escrevia o ABS, com humor e energia para travar a luta pela felicidade que merecemos. E se a merecemos. Um abraço a todos os amigos que passam por aqui.

29 de dezembro de 2012

Ar rarefeito para acabar o ano

Estou a ouvir, maravilhado, um disco de Paul Buchanan saído em Maio último. Mid Air é o seu nome. Ouvi falar dele esta semana, pela voz de João Gobern, numa revisão de discos de 2012 da Antena 1.
O homem é há muito referência através da sua banda de vinte e tal anos, The Blue Nile. Esta gente nunca foi muito conhecida por estas bandas. Ganhou alguma notoriedade um belíssimo arranjo de Craig Armstrong a umas das canções dos The Blue Nile, e não muito mais. A banda acabou e Paul Buchanan gravou este disco agora.

Thin Air aparece como uma das escolhas possíveis entre os melhores discos do ano no Público e no Expresso, o que quer dizer que há quem esteja atento.

Pela minha parte direi apenas que isto é, para mim, e de longe, a melhor coisa que ouvi em 2012, e sem dúvida uma das coisas mais belas que ouvi em anos.

Bom 2013. Com saúde e trabalho, ao menos.

dying to be famous, ou o mau feitio pode levar-te longe



a semana entre o natal e o ano novo é uma silly season concentrada.
é uma espécie de ‘baba de camelo’, aquele doce desnecessário que estraga a excelência do leite condensado apenas para parecer mais doce ainda.
nesta semana, à falta de notícias (e não fora a bênção dos céus chamada artur baptista da silva a coisa ainda seria pior), os jornais descobrem uma série de novidades tão inúteis quanto desinteressantes às quais chamam notícias.
hoje o público noticiava um estudo publicado no british medical jornal, baseado na longevidade de 1489 músicos que terão atingido um determinado nível de notoriedade baseado na presença, pelo menos uma vez, no top de vendas americano ou britânico entre 1956 e 2006.
imagino que o ano de 1956 tenha sido escolhido para acolher o ano em que elvis presley alcançou o top americano.
dos 1489 músicos analisados, 137 morreram no período estudado, sendo que a média de idades para a morte dos mortos foi de 45,2 anos para os americanos e 39,2 para os britânicos.
dos mais de 1200 que ainda não estarão mortos, a avaliar pelas notícias, não sabemos a sua esperança de vida (olhando para muitas bandas que se andam a arrastar pelos palcos aos 70 anos, a coisa não parece ser muito má).
também esta semana, obviamente, foi publicado um outro estudo, dos alemães marcus mund e mitte kristin,  na health psychologies (e largamente difundido pelas televisões e jornais da paróquia) que conclui que ‘os mal humorados italianos e espanhóis’ vivem mais que os rígidos ingleses (a acreditar na leitura do daily mail).
eu sei que os britânicos e os alemães têm um umbigo um pouco maior do que a cabeça, mas daí a achar que os italianos e os espanhóis são, em regra, mal humorados e que é por isso que vivem mais tempo, é digo dos monty python, que por acaso eram quase todos britânicos, ou de alguém que nunca visitou o sul da europa.
alguns músicos que morreram cedo tinham muito mau feitio (keith moon, por exemplo era intratável, jim morrison não era flor que se cheirasse, brian jones não era um anjo) e isso não parece ter ajudado à longevidade.
otis redding (e toda a sua banda) morreu na queda de um avião; ritchie valens, buddy holly, jp richardson iam os três no mesmo avião quando este caiu e morreram; jeff buckley morreu a tomar banho num rio porque um barco lhe passou por cima; sandy denny morreu porque caiu na escada de sua casa.
a lista seria longa e o meu conhecimento curto, mas isto são mortes pela fama?

tudo se prova quando queremos fazer um estudo para provar aquilo que queremos.
eu podia seguir o mesmo tipo de raciocínio e dizer que, por exemplo, se 20% dos condutores que tiveram acidentes estavam alcoolizados, é mais seguros conduzir embriagado do que sóbrio, porque os condutores sóbrios que tiveram acidentes eram 80% do total.

e nada como uma silly season para o publicitar

28 de dezembro de 2012

Na Rua da Vitória


Na rua da Vitória, ao lado da igreja que lhe dá o nome, existe um marco de correio. O envio de uma mensagem, notícia ou lembrança pelo correio está em desuso.
Talvez por isso, cada vez mais se comunica directamente, utilizando os mais variados códigos e suportes para as mensagens, notícias ou lembranças que se querem dar ou transmitir. Do outro lado da rua, em frente da igreja, existem estes exemplos:


A Beata
O Observador

Melhoras duradouras

Glorias Passadas

26 de dezembro de 2012

O villancico: um pretexto para lembrar Lhasa De Sela



Entre os cânticos tradicionais (villancicos/vilancetes) de Natal em castelhano, Los peces en el rio,  em lugar de destaque no «top pessoal» : os peixes que dançam (e bebem), entusiasmados, com o nascimento do menino. A mãe cumpre os gestos do quotidiano: penteia os cabelos de oiro ou, noutra passagem deste tema tradicional, lava os paninhos no rio, em cenário apelativo onde o alecrim adoça a paisagem. Mais um pretexto para recordar a fantástica Lhasa De Sela.

Los peces

Foto: aquário de Tóquio

o creminoso volta sempre ao local do creme

este natal a reunião da família foi no exacto local onde, da última vez que lá estive para o mesmo propósito, parti duas costelas.
nada de grave, que todos temos muitas.
desta vez as tangerinas e os limões já estavam em caixas e a única coisa que podia estragar eram as 'cruzes', de me baixar para levantar as caixas.
os próximos dias prometem tangerinas cristalizadas, limoncello (e os cubos de sumo de limão congelados, ready to use), uma experiência com uma compota de cenoura e vidrado de tangerina (a ver se consigo..), marron glacé (com uma variante em que o vidrado das castanhas é sobreposto de uma camada de ganache.  a ver o que dá, que isto é como o governo: não fazemos a mínima ideia como funciona, mas experimentamos e logo se vê. se não funcionar, a culpa é do lume.).

o natal é isto, digo eu que sou ateu.

o fim de ano será em fajão, já se vê.
com frio e madeiro a arder no adro.
as tradições são para manter.
(pena que não se inaugure uma tradição de trocar o perú pelo coelho para esfolar num natal à escolha)

25 de dezembro de 2012

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Depois de passado o dia de anti-Natal, espero retomá-lo como princípio de vida. Partilhar amor, cidadania e solidariedade com todos, incluindo a família.
Relembrando o que o meu pai escreveu:

Quando Natal já não for,

Já não for o frio Dezembro,
Não quero guardar o amor
Na arca onde não o lembro.
[Amilcar Gil]