27 de maio de 2012

Amélia Pais





Vamos lá. Vamos lá sorrir um pouco. A vida
é isto: fugir-nos como areia entre dedos;
versos soltos por uma outra manhã, ou
versos soltos aconchegando um féretro…
A vida, que é isto (amigos perdem o gás,
súbitos, e vêm então celebrá-los poetas,
os seus queridos poetas), vai descer à
terra, onde nada cessa e tudo se reagrega.
Zona da grã paciência, lá onde o anjo
que partiu dialogará, enfim, com o fantasma;
e os vivos, entre si, pedem lhes seja concedida
nova manhã de luto e luta. Vamos lá, vamos lá.
Paulo da Costa Domingos

Existem pessoas que nos melhoram e inspiram. Foi o caso da minha querida professora Amélia Pais. Tive o grande prazer de a reencontrar através das redes sociais, muitos anos depois de ter tido o privilégio de ser sua aluna no liceu de Leiria. Inspirou muitos dos seus alunos a amarem os livros e a saberem interpretá-los. Sinto já tanto a falta da sua presença discreta e inteligente. Viverá porém sempre na minha lembrança e na de muitas outras pessoas, que como eu, ajudou a despertar para a vida. Era uma mulher notável. Lembro-me de uma pequena nota que deixou numa redacção minha sobre a Escola que eu gostaria de ter:" gosto tanto deste texto, dás-mo?" E eu dei-lho e assim foi publicado no primeiro número da revista O Professor. O sentido de receber da Amélia era este, partilhar com todos o seu imenso gosto pela vida . E agora não tenho mais palavras, apenas uma furtiva lágrima.

2 comentários:

teresa disse...

Foi decerto um privilégio ter sido sua aluna. Ainda hoje guardo estudos muito interessantes e úteis para a preparação de aulas, quase todos sobre Os Lusíadas. Também fui apanhada de surpresa, já que tinha verificado que se mantinha interessada nas novas tecnologias e, por vezes, publicava em redes sociais.

Teresa Guerreiro disse...

Sim, através do blogue e do facebook.
http://barcosflores.blogspot.pt/

Ela conseguia o prodígio de pôr uma turma de aborrescentes adolescente a adorarem ler os lusíadas. Foi o meu caso:)