25 de setembro de 2011

Cabo Espichel













(painéis de azulejos existentes no interior da ermida historiografando a construção do Santuário)

O Património Cultural deve ser visto, acima de tudo, como elemento da identidade das populações que habitam ou usufruem o local onde este se insere, sendo o edificado, as vivências e a paisagem do local um todo indivisível na sua valorização.

O conjunto designado Santuário de Nossa Senhora da Mua é composto por diversos elementos (igreja, hospedaria, cruzeiro, terreiro, ermida, aqueduto, casa das águas e casa da ópera), integrados numa paisagem única e mítica que desanuvia, alegra e relaxa quem o visita. Foi muito provavelmente este bem estar que o local transmite, a par da lenda da imagem aparecida, que motivou séculos seguidos de romarias.








Ora, é de louvar o sesimbrense propósito municipal de dignificar o Santuário da Senhora da Mua. Apesar de gostar muito de arraiais, feiras e outras manifestações de cultura tradicional portuguesa , desgostou-me a visita que fiz, porque senti o ambiente mítico de todo o promontório estilhaçado, num desrespeito pelo património. Não me parece ser com as roulottes de farturas e afins que se dignificam seis séculos de história e se valoriza o conjunto. O potencial do local dá para muito, muito mais, e a memória identitária das comunidades que o vivenciaram o merece.



 Sesimbra, 2011.

4 comentários:

Paula disse...

Gosto muito de ir ao Cabo spichel. Pela psaisagem, pelo passeio em si e pelo contacto com a imensidão da natureza.
Só não gosto das roulottes, lixo que lá deixam de vez em quando e as janelas todas cimentadas.
A ver vamos, que rumo é que vai tomar...

Carlos Caria disse...

Sim é desolador o estado em que chegou o Santuário, situado num local magnífico e que merecia melhor cuidado.
Para mim o Santuário traz-me recordações de menino quando via a minha avó sair da Trafaria alta madrugada a pé pela praia em peregrinação até ao Cabo ( 2 dias )com prenoita na praia.

T disse...

Não se percebe tanta incúria. A hospedaria emparedada, mas a coexistir com pré-fabricados onde se confecciona comida. Lonas tapam algumas zonas deste piso térreo e escondem fogões e outros apetrechos. Na casa das águas um improvisado parque de campismo, onde vi uma fogueira acesa! O que pensarão fazer com este santuário? Este espaço tem um clima especial, não se compadece destes abusos. Se não há dinheiro para conservar, ao menos que se preserve este espaço evitando estas utilizações erradas. Será assim tão difícil?

Branca disse...

Um dos meus locais preferidos em dias de mau tempo.
Já lá não vou há 2 ou 3 anos, mas pensei qua alguma coisa já tivessem feito por ele.
As zonas térreas ocupadas, com acampamentos interiores, já naquela altura reparei neles. A mim dói sinceramente que um local daqueles, onde se sente uma atmosfera quase mistica, especial, esteja tão desleixado.